How to be a mother
19 A suspeita
Notas iniciais
Quando se é mãe, algumas preocupações podem encher muito a sua cabeça. Rose andava resmungando as noites sentindo cólicas então, mais uma vez, tive que alterar toda minha alimentação. August foi para o Storybrooke Mirror e mesmo com ela sonolenta, nós duas fomos para o meu atelier. Meu sobrinhos tinham recomeçado na escola após o Winter Break, então era impossível pedir para uma das duas (minha irmã ou cunhada) que ficassem com Rose, já que elas também tinham voltado as suas rotinas de trabalho para adaptar-se também a rotina escolar das crianças.
— Talvez eu precise de uma babá pra você. — Disse baixinho olhando para a mesma dormindo no bebê conforto. — Mas vamos ver se você se comporta enquanto eu trabalho.
Nos primeiros trinta minutos, consegui realizar a sombra de um esboço, mas Rose já havia acordado e estava literalmente gritando no atelier. Johanna chegou a vir até a minha sala saber se eu precisava de ajuda com Rose, mas neguei, podia dar conta das coisas.
Amamentei, brinquei um pouco com ela, troquei a fralda e a coloquei pra dormir mais uma vez, mas ela não queria pegar no sono. Era tão difícil ser uma mulher de negócios e uma mãe dedicada?
— Ok, vamos fazer o que você quer. — Peguei a mesma no colo e a minha bolsa. — Estou decepcionada Rose, você se comporta tão bem quando estamos no apartamento, porque não pode fazer o mesmo no trabalho da mamãe?
Não era como se ela fosse me responder, mas saímos da minha sala e pelo corredor até a frente da loja onde uma das novas atendentes começava seu treinamento com Johanna de olho nela. Cobri Rose com sua manta verde clara, ainda estava frio e eu sabia que talvez fosse o aquecedor dentro da loja que a estava incomodando.
Atravessamos a sua para a calçada da Granny e ao olhar para o restaurante vi que estava cheio, afinal ainda era de manhã e as pessoas costumavam tomar seu café ali, então seguimos pela calçada. A sorveteria estava fechada, o frio não fazia “bem” para os negócios de Ingrid e provavelmente ela deveria estar fora da cidade para viajar, era comum por ali nessa época do ano.
Olhei para o relógio em meu punho e pude ver que talvez a biblioteca estivesse aberta e assim poderia entretela com algo. Abri as portas delicadamente e pude ver a bibliotecária e August conversando próximos enquanto conferiam uma papelada.
— Zelena? — Olhou pra mim confuso e eu fiz o mesmo. Não é como se eu tivesse ciúmes dele tendo contato com outras mulheres, mas era estranho pra mim vê-lo tendo contato com outras mulheres.
— Oi. — Disse de forma tranquila e tirei a manta do rosto de Rose, ela havia pego no sono.
— Posso ajudar? — Belle perguntou mostrando seu sorriso bem branco, seu pai havia nos ajudado com o aluguel da loja, acabei sorrindo de volta, não era certo criar neuras na minha cabeça, nunca fui insegura e não começaria agora.
— Oi, eu queria livros que fossem capaz de deixá-la entediada. — Murmurei fazendo uma brincadeira e August rapidamente veio até nós duas pegando-a dos meus braços. — Está trabalhando?
— Vim atrás de uma papelada que fica arquivada na biblioteca, Belle estava me ajudando. — Contou e sorriu pra Rose adormecida em seus braços.
— Na idade dela, você pode lhe contar qualquer história que ela vai acabar pegando no sono. — Belle andou pelos corredores próximos. — O que realmente importa pra ela é o som da sua voz. — Me entregou o exemplar da Bela adormecida.
— Prefiro a versão da Angelina Jolie. — Murmurei e Belle riu, riu abertamente. Riu olhando pra mim por tempo demais e quando eu a olhei de volta suas bochechas esquentaram. — Obrigada, Belle.
— De nada, Zelena. — Caminhou em direção ao balcão. — Vou registrá-lo e você pode me entregar na semana que vem, ok?
— Certo. — August parecia alheio a nós duas, olhei para Belle mais uma vez e ela parecia sorrir enquanto registrava o livro. E eu preocupada que ela poderia estar a fim de August. — Bom, vamos voltar para o trabalho agora que ela dormiu.
— Vou acompanhá-las até lá, volto já para nossa pesquisa. — Murmurou e Belle concordou com ele. Ainda segurando nossa filha, saiu com ela da biblioteca na minha frente. — Está tudo bem? Você pareceu estranha lá dentro… Não está achando que…
— Que você e a viciada em livros possam estar tendo um caso? — Perguntei e ele arregalou seus olhos. — Confio em você. — Olhei para ele vendo sua expressão suavizar e depois beijei sua bochecha, peguei minha filha de volta. — Mas não é como se ela gostasse de Homens… Ela estava flertando comigo lá dentro. — Dei uma risada e ele me olhou um tanto chocado. — Vejo você no almoço, meu amor. — Voltamos para o atelier deixando August para trás, pude ver que ele ria de toda aquela situação.
— Não. — Murmurei ao olhar para Ruby sentada à minha frente. — Claro que minha menstruação ainda não voltou, acabei de ter um bebê.
— Você teve um bebê há quase dois meses e não adianta negar que eu sei que você não esperava a hora do resguardo passar. — Cruzou seus braços e me olhou grosseiramente. August e Graham estavam na bancada do Granny’s conversando sem nós duas por perto.
— Eu não estou grávida, Ruby. — Revirei os olhos e depois voltei meu olhar para Rose adormecida em seu bebê conforto.
— É possível, sua descuidada! — Colocou suas mãos por sobre a mesa.
— Você não vai me deixar desesperada! — Falei um pouco mais alto.
— Você vai vir fazer um exame ainda hoje.
— Não vou.
— Zelena, você não é mais uma criança.
— É claro que não sou, por isso eu estou lhe dizendo que não estou grávida e não vou me desesperar porque ainda não voltei a menstruar. — Respondi bastante séria.
— Ok, você venceu. Espero que no pré-natal do novo bebê você me escolha como madrinha. — Levantou-se e olhou para Graham. — Vamos querido, tenho que voltar, tem muitas grávidas para atender hoje.
— Sua… — Olhei para ela um tanto brava e ela apenas sorriu saindo de mãos dadas com Graham.
— Você está bem? — August perguntou notando que havia algo diferente no meu semblante.
— Dor de cabeça, vou enviar uma mensagem pra Jo dizendo que não vou voltar para o atelier. — Respirei fundo e vi Rose ainda continuar dormindo. Eu não podia estar grávida de novo, podia?
— Vem, vou levar vocês pra casa. — Pegou o bebê conforto e sorriu me esperando levantar para irmos até o carro.
— Ah não, Zelena. — Regina baixou seus ombros e colocou a cabeça em cima de toda a papelada no antigo escritório do nosso pai. — Grávida de novo?
— Ei, é só uma suspeita da Ruby. É claro que não estou grávida. — Revirei os olhos segurando a babá eletrônica em mãos.
— Por favor, faça um exame como a Ruby sugeriu. — Pediu e eu revirei os olhos. — É sério, Zelena.
— Também estou falando sério, vocês não vão me deixar desesperada. — Respirei fundo e caminhei até a porta do escritório. — Emma foi buscar as crianças?
— Sim, vim trabalhar em casa por isso, ela fica no escritório hoje e eu amanhã. — Compartilhou um pouco de sua rotina. — Sério, senta aqui… Você está pronta… Pra ter um outro bebê?
— Óbvio que não, Regina. — Respirei fundo. — Não estava pronta nem para ter Rose. Mas agradeço todos os dias pela vida dela, mas é que…
— É um passo longo demais. — Minha irmã murmurou me vendo concordar com ela. — Vai contar a ele da suspeita?
— Não sei. Não quero lhe dar falsas esperanças. — Encostei-me na porta enquanto via minha irmã relaxar seus ombros sentada em sua cadeira confortável. — Ele perdeu um filho, agora tem a Rose. Dizer que estou grávida, de novo, pode lhe deixar extremamente feliz… Falamos no natal sobre perpetuar a essência e sei que ele adoraria ser pai de novo. Mas, depois, tem a parte de lhe arrancar seus sonhos dizendo que foi apenas uma alteração hormonal e a parte principal disso tudo, nesse momento da minha vida e talvez em outros, não desejo ter outros filhos.
— Eu entendo. — Regina levantou-se e caminhou até mim, para me abraçar. — Tenho muito orgulho de você, por mais que você o ame, sua essência não muda por ninguém além de você mesma. Você não se molda para caber no amor de alguém.
— O amor não é sobre moldes ou encaixes, amor é sobre amor e, se August me ama, ele vai compreender minha escolhas e decisões. — Beijei a testa da minha irmã e logo senti a porta atrás de nós duas abrir-se.
— Mãe! — Nicholas passou por nós duas agarrando-se em Regina, dei espaço aos dois e vi Regia ficar silenciosa. — Mãe, na aula de hoje a tia Mary nos ensinou a fazer casinha para os pássaros e… Porque você está chorando? — O menino perguntou, pude entender o por que do silêncio de minha irmã. Com seus olhos cobertos por lágrimas, Regina abaixou-se para abraçá-lo apertado. Ava veio logo em seguida.
— Está tudo bem, tia Regina? — Ava olhou para ela preocupada e minha irmã a abraçou também. Meus sobrinhos estavam fazendo terapia há algum tempo, não só para ajudar com a questão da morte de sua mãe biológica, mas também, para adaptação a nossa nova família. Dr. Archie, que os atendia, havia falado sobre a possibilidade de um deles acabar adequando-se primeiro ao novo lar do que o outro. Apesar de ver que ambos amavam e respeitavam Emma e Regina completamente, Ava ainda era mais retraída.
— Está sim, meus amores. — Beijou ambas crianças. — É que fiquei tão emocionada do Nico abrir essas portas e sair contando pra mim da manhã de vocês, nunca tive isso.
— Foi incrível, um passarinho veio na minha mão. — Ava contou abrindo seu sorriso mais puro para minha irmã. Pude sentir as lágrimas invadirem meu rosto e acabei por deixar os dois sozinhos com ela.
Enquanto cruzava o corredor com a única intenção de ir para o segundo andar e apertar minha filha nos meus braços, tive que me segurar nas escadas por alguns segundos, para controlar as lágrimas que tinham me invadido naquele momento.
— Está tudo bem, cunhada? — Emma perguntou ao vir até mim carregando as mochilas das crianças.
— Está sim… É choro de felicidade, seus filhos são lindos. — Limpei meus olhos com o dorso da minha mão.
— Nico chamou ela de mãe, não foi? — Perguntou e eu concordei vendo a mesma sorrir. — Quando ele entrou no carro me chamando assim há alguns minutos atrás, tive que respirar fundo e agradecer pelo carro estar parado ou eu teria causado um acidente… Ele me pegou de surpresa também. — Mostrou o lenço que tirou do bolso de sua calça social com muito da maquiagem que havia feito. — Ia voltar para o escritório imediatamente, mas depois disso, tive que vir pra casa e compartilhar disso com a minha esposa, fico feliz que ele a tenha pego de surpresa.
— Eles são tão especiais. Mesmo que a Ava não diga ainda, dá pra ver o amor dela por vocês, não vejo a hora de Rose começar a fazer o mesmo com todos nós. — Sorri.
— E ela vai. — Emma me abraçou e depois se afastou.
— Pode fazer um favor pra mim já que vai ficar em casa? — Perguntei e ela balançou a cabeça positivamente. — Aqui. — Entreguei a babá eletrônica e peguei a chave de seu carro. — Vou até Ruby no hospital, preciso resolver uma coisa.
— Tudo bem, dirige com cuidado e pode deixar que cuidamos da Rose.
Quando voltei para casa, já se passavam das cinco, o que significava que August já estava de volta e como eu não havia trago celular comigo, eles já deveriam estar preocupados. Emma, Regina e as crianças estavam na sala fazendo o dever de casa, então pude ver Rose em cima da bancada, no bebê conforto dando pequenos gritinhos em meio a risadas enquanto o pai dela fazia algumas palhaçadas.
Apoiei-me na soleira e fiquei olhando-os com o resultado fechado em minhas mãos. Ainda não tinha tido coragem para vê-lo e talvez fosse justo que ele dividisse esse momento comigo.
— Oi. — Ele sorriu ao me ver e caminhou até mim, roubando-me um beijo.
— Olá. — Murmurei sem jeito e ele reparou, ele sempre reparava.
— Está tudo bem? — Perguntou ao abraçar-me apertado. — Você saiu sem casaco.
— Foi a pressa. — Dei uma pequena risada e ele segurou o meu rosto com as mãos, fitando meus olhos, tentando descobrir o que estava de errado.
— O que foi? Você está fugindo do assunto… Então é algo sério.
— Acho que um pouco, vamos conversar lá em cima? — Pedi e ele balançou a cabeça positivamente ao pegar o bebê conforto com Rose dentro. — Olá princesa, você pode se comportar só um pouquinho mais? — Pedi e ela achou graça mostrando suas covinhas.
— Regina, pode olhá-la para nós dois? — August perguntou e minha irmã arregalou os olhos preocupada.
— Está tudo bem? — Murmurou ao ficar de pé e segurar o bebê conforto.
— Está sim. — Sorri delicadamente. — Só precisamos conversar um pouquinho sem chorinho de bebê por perto. — Sorri para minha irmã e beijei sua bochecha. Segurei firme as mãos de August enquanto subíamos as escadas em direção ao nosso quarto em silêncio. Ele sentou-se na cama e eu fechei a porta.
— O que aconteceu? — Me perguntou. Tirei meus sapatos e fui em direção a ele, escalei seu corpo e sentei-me em seu colo como costumava fazer.
— Hoje quando almoçamos com a Ruby, ela perguntou sobre minha menstruação, se já tinha voltado. Contei a ela que ainda não, então ela sugeriu que eu fizesse um teste.
— Você acha que possa estar? — Perguntou, vi um sorriso discreto formar-se em seus lábios.
— Não sei, mas estou assustada com a possibilidade.
— Você acha que eu vou embora se você estiver? — Me perguntou.
— Sei que você não vai. — Encostei a cabeça em seu peito. — Não sei como dizer isso, senhor escritor.
— Que você não quer ser mãe de novo? — Me perguntou e eu olhei para ele, sua expressão não era triste, nem brava. — Se você estiver grávida, podemos fazer o que você quiser. Podemos ter outro bebê, podemos esperar 30 anos para isso, podemos fazer como sua irmã e adotar mais duas crianças futuramente, desde que essa decisão seja nossa.
— Você realmente entenderia? — Arrisquei a perguntar.
— Não é como se eu fosse ficar radiante por você fazer um aborto, mas é o seu corpo. E a escolha deve partir de você e, não vou amar você menos por pensar que essa não é a hora mais propícia para termos um bebê. — Beijou minha testa e depois os meus lábios. — Eu amo você, mas Rose não completou dois meses, nós dois ainda estamos nos adaptando a ela e aos nossos trabalhos, esperaria anos só pra poder realizar esse sonho com você, mas também ficaria muito feliz de sermos nós três, eu já sou pai de duas crianças. Se a sua dúvida é sobre o Josh, ninguém nunca vai substituí-lo aqui dentro. Mas se você estiver grávida e desejar termos mais um bebê, seria uma bênção para nossa família.
— Obrigada. — Escondi meu rosto em seu peitoral sentindo as lágrimas me tomarem. — Obrigada por fazer parte da minha vida, por respeitar quem sou, por respeitar minhas escolhas, por me amar.
— Sempre vou amar você Zelena, não pense que está sendo egoísta por não querer algo que eu ficaria feliz em ter também. De forma alguma isso é egoísmo, nossas vontades nunca devem ultrapassar a do outro, se não, não daremos certo.
— August…
— O que foi? — Perguntou trazendo o meu rosto para cima, tomando coragem, acabei por dizer:
— Eu amo você. — Enquanto via um sorriso genuíno tomar sua face, ele virou meu corpo me fazendo ficar por baixo dele em nossa cama e me beijou. Um beijo intenso e puro. A última vez que eu havia dito aquilo para um homem havia sido para o meu pai, nunca me senti tão nervosa e feliz por lhe dizer isso.
— Dá licença papais. — Regina abriu a porta delicadamente. — Felizmente eu chego nas horas certas de atrapalhar o casal, mas dessa vez é por um bom motivo. — Rose estava em seus braços, com os olhos marcados por lágrimas e o rostinho vermelho.
— É normal de irmãs mais novas atrapalharem. — August implicou com a minha irmã e sentou-se ao meu lado na cama para poder pegar Rose. — Também estávamos com saudades de você.
— Vou fingir que vocês dois não existem e vou preparar o jantar, depois me conte as novidades. — Regina apontou para o exame ainda fechado. Respirei fundo quando ela nos deixou.
— Bom, você deve abrir. — Levantei o exame e ele negou com a cabeça.
— Não, você deve abrir. — Beijou meu rosto e colocou Rose entre nós dois. — Vamos estar com você, como uma família.
— Certo. — Abri o papel delicadamente, fui lendo as linhas, mostrando os valores até chegar na que realmente fazia algum sentido para mim “negativo para gravidez”. Olhei para ele, sabia que ele tinha lido também, ao invés dele ficar chateado, ele puxou o exame das minhas mãos, amassando-o e jogando em qualquer lugar do quarto. Colocou seu cotovelo no colchão averiguando para não colocá-lo em cima de Rose e me beijou.
Há muito tempo eu já estava habituada que família não era apenas formada por um pai e uma mãe e filhos vindos desse casal. Com Henry Mills, eu sabia que podia ser amada por um pai “adotivo”. Com Emma e Regina, eu aprendi que você poderia ser mãe sem ao menos gerar uma criança, porque a maternidade não significa sobre os filhos gerados dentre o casamento.
Filhos vem do amor, independente de qual idade eles cheguem nas nossas vidas. Com Rose, eu aprendi que podia ser uma mãe solteira com uma linda filha, mas também aprendi com August que poderíamos ser uma família com ele amando a minha filha como o meu pai me amava.
Família não é o que governos delimitam, família é sobre companheirismo, sobre carinho e sobre cuidado. Família é muito mais do que um conjunto de pessoas vivendo sobre o mesmo teto, família é sobre amor. É além de grau de parentescos, é sobre amar.
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