How to be a mother
20 A vida em rosa
Notas iniciais
Há uns anos atrás, eu não sabia como criar uma criança. Não sabia como era estar grávida, não sabia como lidar com o fato de que eu não tinha um emprego e que, precisaria de toda ajuda possível para criar o bebê que estava vivendo em mim. Hoje, após todos os 6 anos que se passaram, eu sabia que não havia ninguém mais capaz de cumprir essa tarefa com minha filha.
Emma, Regina, August… Todos eles foram essenciais para mostrar que eu era capaz. Eles nunca deixaram apenas a tarefa fácil pra mim, me ajudaram ver que eu era a única que poderia salvar Rose de qualquer coisa. Que eu a protegeria e amaria por todos os dias da minha vida enquanto eu vivesse e além disso… Meu amor por minha filha era eterno.
Muitas mulheres, ao redor do mundo inteiro vivem suas próprias lutas todos os dias, levantando cedo para começar mais um dia de suas árduas rotinas apenas para criarem seus filhos da melhor forma. E, apesar de lidar com mulheres famosas que vem em busca do meu trabalho todos os dias, é nas mulheres que lutam por seus filhos sozinhas em que eu busco a minha força. Delas vem a minha inspiração.
— Mamãe, nós vamos nos atrasar para o primeiro dia de aula. — Rose reclamou ao olhar diretamente pra mim e cruzar seus braços.
— Não sei da onde você puxou toda essa inquietação. — Resmunguei ao observar August rir ao terminar de tomar seu café.
— De você. — Ambos responderam.
— Isso é um complô? — Perguntei vendo a mesma rir e pular do seu banco pro meu colo.
— Eu quero conhecer todo mundo, mamãe.
— Tecnicamente, você conhece quase todos os alunos da sua classe. — August disse e ela cruzou os braços ainda mais mostrando um bico em seus lábios.
— Tá certo, escovar os dentes e buscar sua mochila, anda. — Ela pulou do meu colo numa velocidade extrema e correu apartamento adentro.
— Ela está crescendo, você precisa se acostumar. — August murmurou ao sorrir pra mim. Levantei-me rapidamente da cadeira onde estava para sentar em seu colo.
— Não quero que ela cresça. — Lhe dei um beijo e ele riu. — Preciso entender, mas sei que vai tudo correr bem na escolinha com ela.
— Então isso tudo é medo, mamãe? — Perguntou ao beijar-me.
— Um pouco. — Retribui ao seu beijo e fiquei de pé.
— Você sabe que não precisa, nossa filha é extremamente inteligente. Mesmo que Mary não seja professora dela ainda esse ano, há outros professores que vão cuidar dela também e, a escola fica só há alguns quarteirões, você pode espiar ela se sentir vontade.
— Posso mesmo? — Perguntei ao apoiar-me na pia, ele logo veio em minha direção e segurou as minhas mãos como se me puxasse para uma dança. — Isso é tão clichê.
— Não tenho culpa se você escolheu um homem as antigas. — Murmurou no meu ouvido. — Sou escritor, romantismo corre por minhas veias.
— Toda vez que nós fazemos isso, lembro de la vie en rose.
— Sua música favorita, é de onde veio o nome dela. — Concordei ao mover a cabeça enquanto permanecemos com nossos corpos juntos no meio da cozinha.
— Quando você me pressiona junto ao seu coração, eu fico em um mundo à parte. Um mundo onde as rosas florescem. — Murmurei fazendo o mesmo me apertar ainda mais. — Rose? — Chamei por ela e logo pude ouvir seus passinhos agitados vindo do corredor. — Está na hora de começar a florescer, querida.
— É assim que se diz. — August beijou o topo da minha cabeça e logo abaixou-se para pegar Rose no colo. — Você terá o melhor primeiro dia de aula de todos.
— Obrigada, papai. — Ela o abraçou. — Eu te amo.
— Eu também amo você, querida. — Sorri ao vê-los. Seguimos até a porta do apartamento. — Vai ficar tudo bem lá hoje. — Me beijou uma vez mais.
— Eca papai. — Mostrou sua língua e August a olhou.
— Como eu gostaria que esse pensamento permanece até os 35 anos. — August a colocou no chão.
— Muito ciumento senhor escritor.
— É porque eu sou apaixonado pelas duas mulheres mais lindas de Storybrooke Maine. — Sorri e o beijei.
— Almoçamos juntos depois de pegá-la na escola?
— Com certeza, agora vão. — Colocou Rose no chão e logo ela começou a puxar minhas mãos.
— Vou me atrasar mamãe, Tia Regina diz que atrasos são feios e a vovó Cora diz que é deselegante! — Rose murmurou me fazendo rir enquanto seguia para o elevador.
— Você anda passando muito tempo com aquelas duas.
— Não fique com ciúmes bobinha. Eu te amo mamãe. — Apertou firme minhas quando entramos no elevador.
— Não fico, você é tudo para mim. — Ela sorriu ao olhar nosso reflexo no espelho. Talvez Rose não tenha entendido a fundo o que eu tenha dito a ela, mas quem entende a profundidade do amor materno aos 5 anos de idade?
Enquanto estávamos no carro, ela olhava para fora, vendo as pequenas ruas da cidade em que vivíamos. Podia ver sua face animada para o primeiro dia de aula pelo retrovisor, isso me lembrava de quando ela tinha 1 ano. Não muito diferente de hoje, ela tinha um belo sorriso em sua face, bochechas gordinhas sorria ouvindo a música em que tocava no carro.
O som das spice girls em “wannabe” fazia minha garotinha rir em cada nova frase, era uma bela cena de se ver. Agora, ao som de Rockabye, não era diferente, ela tentava cantarolar as frases apressadas, talvez fosse algo que Emma tivesse lhe ensinado, mas era muito bonito, mesmo sem som algum.
Era uma criança inteligente, saudável e que se preocupava com o bem estar de todos, não podia ver nenhuma outra criança triste que ela gostava de fazer com que elas se sentissem felizes e inclusas. Eu me sentia sortuda por ser mãe dela, sortuda por ter feito a escolha certa para mim, a certa para nós duas. Logo eu que tive tanto medo de que a gravidez e a maternidade pudessem mudar quem eu era, quem sou. Rose nunca mudou quem eu era, graças a isso, evolui de uma forma que não precisou alterar nenhum resquício da minha personalidade. Toda essa evolução, toda essa felicidade começou com Rose e eu sou grata por tê-la.
Quando paramos na porta da escola, ela foi tentando tirar seu cinto, sem êxito, logo fiz isso por ela e fechei o carro. Com sua mochila nas costas e suas mãos segurando a minha com força, Rose murmurou:
— Mamãe? — Chamou por mim.
— Sim, Rose?
— E se eu não gostar da escola? — Perguntou, abaixei-me para ficar em sua altura.
— Não há o que temer, Rose. Ali, depois daqueles portões, tem um mundo de oportunidades, um mundo de possibilidades. Ali você vai conhecer as pessoas que vão fazer parte da sua vida pra sempre, assim como seu tio David, sua tia Mary e seu priminho Neal fazem parte da nossa.
— Vou fazer muitos amigos esse ano, não vou? — Perguntou com sua voz bem doce.
— Vai sim, e você vai amar fazer amigos.
— Eu te amo, mamãe. — Me abraçou apertado e me deu um selinho.
— Eu também amo você, Rose. — Ela soltou as minhas mãos e começou a andar em direção às portas da escola. Minha garotinha doce e obstinada.
Uma outra garotinha, bem parecida com ela, chorava enquanto segurava as mãos dos pais. Rose parou em sua frente e lhe estendeu as mãos.
— Não precisa chorar, eu vou com você. — Eu a observava, assim como os pais da menina que abriram um sorriso vendo a filha, que antes parecia reticente estender as mãos para Rose. — Mamãe disse que vou fazer muitos amigos esse ano, você quer ser minha amiga?
— Quero. — A menina limpou os olhinhos.
— Diga seu nome para ela, querida. — A mãe da menina a incentivou.
— Oi, eu sou Alice.
— E o meu nome é Rose. — Elas duas seguiram a frente, os pais de Alice pareceram não se importar, já que Rose havia chegado em frente sua nova professora — Ashley — que já a conhecia desde que ela era um bebê.
— Ela é sua filha? — A mãe da menina me perguntou.
— Sim, ela é minha. A propósito, Zelena Mills. — Estendi as mãos e ela apertou.
— Eloise Gardner, esse é meu marido, Flynn Rogers. — Ele estendeu suas mãos.
— Novos na cidade? Vão adorar Storybrooke, ótima para criar crianças.
— Recebi uma oferta de trabalho aqui, éramos de Boston, não resistimos a ideia de criar Alice longe da cidade grande. — Rogers respondeu. — Sua filha é adorável, Alice não é muito de fazer amizades.
— Ela está em boas mãos, tanto com a professora, quanto com Rose, vai fazer amigos esse ano. Sejam bem vindos. — Vi Rose e Alice acenarem para nós e depois lhe dei tchau, assim como fiz com os pais de Alice.
Talvez eu tivesse um pouco de esperança de vê-la correndo até mim para escapar do primeiro dia de aula, mas eu sabia que Rose queria aquilo mais do que ninguém. Lembrava da primeira vez que ela deu passinhos em direção a mim, enquanto Regina a segurava pelas mãos em pé na sala da mansão. Ela parecia reticente de soltar-se de sua tia que estava ali para protegê-la caso ela caísse, mas ela não olhou para trás ao soltar-se de Regina e vir para mim, mostrando para nós duas que ela era capaz, que sempre foi. Rose é minha fonte inesgotável de orgulho e felicidade.
Enquanto eu tentava segurar minhas lágrimas causadas pelas doces lembranças que tinha dos primeiros anos de vida da minha filha, pude ver Regina parada ao lado de fora do dela com meus sobrinhos, Ava e Nicholas.
— Mamãe, você nos salvou. — Ava segurou seu lanche e beijou minha irmã. Eles dois haviam crescido tanto em tão pouco tempo. — Diga para a mamãe que o sanduíche dela é o melhor.
— Vou ficar com ciúmes assim. — Murmurei olhando para os três.
— Tia Zelena! — Nico veio em minha direção e me abraçou. — Rose já entrou?
— Já sim, fez uma nova amiguinha e nem olhou para trás. — Minha irmã me abraçou sentindo minha voz vacilar.
— Sei bem como é, esses dois acordam tão atrasados, igual a mãe deles. Saem correndo para pegar o ônibus e esquecem de pegar o lanche deles e de se despedirem de mim, vai se acostumando Zelena… Vai se acostumando. — minha irmã reclamou em tom de brincadeira.
— Mamãe, por favor, perdoa a gente. — Nico pediu mas a maior verdade nessa história que qualquer coisa que esses dois falassem minha irmã não resistiria.
— Por favor, mamãe. — Ava a abraçou e depois a beijou, vendo Regina sorrir a abraçá-la de volta. O sinal bateu alertando que eles deveriam entrar na escola. — Te amo mamãe.
— Também amo vocês crianças. — Beijou Nicholas e ambos correram em direção a ela. — Fizeram 14 anos, eles são o meu maior orgulho.
— Seus filhos são lindos, sis.
— Minha afilhada também, que tal irmos tomar um café na Granny’s até sua cara de preocupação com o primeiro dia de aula passar? — Minha irmã perguntou.
— Eu adoraria. Nos encontramos lá? — Minha irmã concordou, fui para o meu carro e ela para o dela.
Ao longo desses últimos anos eu aprendi o que era ter uma família completa, aprendi muitas coisas sobre o amor que nunca confiei ou dei importância. Aprendi a respeitar o passado que envolvia a história da minha mãe com meu pai biológico, aprendi, até mesmo, a perdoá-la. Recebi grandes oportunidades e pude ver os meus sonhos se realizarem, jamais deixaria de ser grata por todos aqueles que estiveram ao meu lado. A eles eu também seria grata por cada vitória. Eu não queria vir pra Storybrooke, não queria abandonar a vida que mantive, mas agora e aqui? Não conseguia pensar em outro lugar para se estar.
— MAMÃE! — Rose gritou enquanto descia os degraus da escola acompanhada do pequeno Neal e Alice, sua nova amiga.
— Olá meu amor. — Abaixei-me para ficar em sua altura, ela me abraçou, aproveitei para pegá-la no colo. — Como foi seu dia?
— Foi muito divertido. Alice e Neal são meus melhores amigos! — Ela disse de uma vez sorrindo. Os pais de Alice juntaram-se a sua pequena, assim como Mary e David fizeram o mesmo com Neal.
— Estou muito feliz por você, meu amor. — Beijei a ponta de seu nariz e a coloquei no chão. — Estamos indo almoçar e encontrar o pai da Rose, Mary, David, vão conosco, como novos na cidade é nosso dever convidá-los para ir conosco? — Direcionei-me para Eloise e seu marido.
— O que você acha? — Rogers perguntou a esposa que sorriu. — E você, princesa da torre? — Pegou Alice no colo sustentando-a no alto, fazendo a mesma dar gargalhadas. — Quer ir almoçar com seus novos amigos?
— Quero papai. — Ela sorriu quando ele a trouxe mais para baixo e agarrou-se a ele. — Podemos comer batatinhas, mamãe? — Perguntou para mãe e esticou-se para ir ao colo dela.
— Um pouquinho de batatinhas? Sim. — Era bom ver que eles pareciam um casal tranquilo e amoroso.
— Nos encontramos na Granny então? — Mary perguntou ao segurar as mãos do filho.
— Claro, pela hora August já nos esperando. — Sorri para os mesmos e passei as mãos no cabelo de Neal. — David, peça uma mesa maior para todos nós.
— Claro. — Meu melhor amigo sorriu. — Sabem chegar ao Granny’s?
— Sim sim, estivemos lá pela manhã. — Rogers murmurou. — Então nos vemos lá e obrigada pelo convite.
— Até la. — Segurei as mãozinhas de Rose e, assim como os outros, seguimos para o meu carro.
— Mamãe. — Rose me chamou, a olhei pelo retrovisor.
— Sim meu amor? — Perguntei vendo a mesma puxar um pouco do cinto de sua cadeirinha.
— Eu amo você. — Ela sorriu e eu de volta. Ela tinha costume de fazer aquelas coisas.
— Eu também amo você meu amor.
Estávamos todos nós sentados na mesa que Granny ficou satisfeita por arrumar ao lado de fora para todos nós, assim como havia feito no primeiro aniversário de Rose. Regina havia ficado um tanto louca quando eu disse que queria algo mais simples e que fosse pago por mim e August, mas foi uma boa celebração ver as crianças se divertirem no pula-pula ali enquanto um mágico fazia os seus truques.
Não conhecia os pais de Alice, mas em nossa breve conversa descobri que ele trabalharia com Graham, agora que Ruby estava grávida, Graham decidiu diminuir suas horas de trabalho e a prefeita da cidade, a senhora Kristin concordou com o feito. Pareciam uma família feliz e, pude ver que minha filha e a dele estavam se dando muito bem, amigas para sempre talvez. Era bom ver que Rose estava crescendo. August estava ao meu lado, segurando minhas mãos enquanto nós dois observávamos todos ao nosso redor cobertos por uma felicidade única: estávamos felizes por nossos filhos.
Minha filha precisava saber e um dia saberia: Rose era tudo para mim e sempre seria meu início, meio e fim.
fim.
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