How to be a mother
9 O hospital
Notas iniciais
Narrador
Zelena Ainda lutava para ficar acordada, mas os remédios que havia tomado eram fortes, mesmo assim, a ruiva lutou. A claridade do quarto lhe incomodou um pouco, as paredes brancas refletiam a luz tornando tudo pior. Tinha um acesso em sua veia, viu sua bolsa sobre a bancada, estava num hospital.
Sentou-se apressada, levou as mãos ao ventre e uma dor de cabeça lhe atingiu pelo movimento brusco, os monitores começaram a apitar, sua frequência cardíaca estava aumentando. Sentiu medo. Medo do que tinha acontecido e medo de perder uma das únicas coisas que tinha lhe feito feliz, o bebê que carregava consigo.
Aquela possibilidade lhe atingiu forte como uma avalanche e as lágrimas rolaram por seus olhos, uma equipe entrou depressa. Primeiro fizeram-na deitar novamente e diziam repetidas vezes que estava tudo bem, que ela só precisava se acalmar. Levaram a máscara de oxigênio até ela, ajudaria a respirar de forma tranquila e pouco a pouco, Zelena Mills se acalmou. Ela ainda estava deitada coberta por seu desespero em forma de lágrimas quando o médico entrou na sala.
— Sou o Doutor Jackyl. — Informou ao olhar dos monitores para a paciente de cabelos ruivos. — Como está se sentindo? — Deixou a prancheta que carregava sobre a bancada e tirou uma pequena lanterna dos bolsos, levando à luz até os olhos de Zelena, verificando seus sinais de resposta.
— Eu não sei, me diga você! — Sua voz saiu áspera demais, estava nervosa e ninguém lhe dizia coisa alguma.
— Seu bebê está perfeitamente bem, senhorita Mills. — Explicou ao levar suas mãos ao punho de Zelena para verificar sua pulsação. — Você teve um desmaio na rua, um amigo seu a trouxe para cá a tempo.
— Robin, onde ele está? — Perguntou sentindo os pelos de sua nuca eriçarem. Algo naquele pequeno encontro lhe remetia confusão.
— Ao lado de fora, andando de um lado para o outro. — Apontou para fora do quarto, em direção à janela coberta pela persiana. — Não saiu um minuto do lado de fora, sua Irmã foi avisada e acredito que esteja logo aqui, vou permitir seus visitantes apenas porque vou acreditar que a senhorita não voltará a se estressar e prejudicar você é seu bebê, correto?
— Claro. — Respondeu, mas como sempre acontecia com Ruby — sua médica - ela sabia que desobedeceria. O doutor deixou a sala, segurou a porta para Robin que passou apressado por ela.
— Olá. — Disse sem o menor jeito, Zelena sentiu-se um tanto estúpida ao olhar para ele, como pode ter se envolvido com um homem casado?
— Oi, o que faz aqui? — Seu tom agressivo estava de volta.
— Uou, o que está acontecendo? — Perguntou confuso. — Eu a ajudei vir até o médico, não queria que acontecesse nada com você e com seu bebê.
— Robin, a quatro meses atrás nós dois dormimos juntos, então não fale comigo como se você fosse um santo, eu vi a sua mulher e o seu filho. — Ele olhou para Zelena como se se perguntasse como ela sabia daquilo. — Porque aquele garoto é sua cópia fiel!
— Ok, certo. Era minha esposa e o meu filho, mas eu nunca fiz aquilo antes com ela, trair. — Respondeu coçando sua nuca. Mentira. Estava estampado em sua face.
— Eu não estou nem aí para suas mentiras, se elas te fazem dormir à noite, não é problema meu. — Cuspiu as palavras sobre ele.
— Por que você está gritando comigo desde que eu entrei nesse quarto? — Robin aumentou seu tom, Zelena revirou os olhos como se ele fosse a criatura mais patética naquele quarto.
— Porque senhor “De Locksley”, eu estou grávida e esse bebê é seu. — Respondeu sem a menor dúvida em sua afirmação. Robin ficou tonto, sua pele estava pálida, não que Zelena se importasse.
Desde que olhará para ele enquanto caminhava na rua, suas memórias vieram de uma só vez. Aparentemente seu sobrenome havia despertado exatamente quem era o homem que a ruiva havia passado a noite junto a quatro meses atrás.
Bêbados demais para filtrar seus atos, apenas concentrados em livrar-se do calor que inundava ambos os corpos. E o fizeram naquela noite a quatro meses atrás. “August só tinha errado em uma coisa — pensou Zelena - Robin não havia me violado, tudo ali tinha sido consentido, entre duas pessoas sem controle dos seus corpos e desejos”. Sentiu-se fraca pela primeira vez.
— Só estou um pouco surpreso. — Robin murmurou ao olhar Zelena encarar o nada. Tinha sentado na cadeira ao lado dela.
— Imagina como eu fiquei, não tinha muitas lembranças até encontrar você. — Respirou fundo. — Achei pudesse ter sido…
— Abusada. Eu jamais faria isso com mulher alguma. — Levou as mãos até onde as de Zelena estavam, logo a mesma tirou as suas de lá. — Tem que acreditar em mim.
— Eu acredito, lembro do que aconteceu, mas pela primeira vez nada vida, me sinto envergonhada. — Não sabia exatamente porque estava se abrindo, e tão pouco o porquê de estar chorando, mas sentiu-se traindo alguém, como Cora havia feito com Henry Mills, seu pai adotivo.
— Não fique assim, prometo dar um jeito em tudo. — Robin murmurou e Zelena levantou um pouco seu corpo.
— Não preciso que você faça nada, não quero que o bebê tenha contato com você. — Seu tom de voz subiu um oitavo. — Posso e vou fazer isso sem sua ajuda.
— Zelena… — Robin reclamou. — Deixe-me pelo menos dar meu nome ao bebê.
— Vai contar a sua esposa que você a traiu e agora vai ser pai de novo? — A ruiva questionou deixando o mesmo sem falas.
— Primeiro vamos tomar a atitude correta e fazer um exame de DNA, com Marian eu me entendo. — Parecia decidido, Zelena riu.
— Você nem acredita que esse bebê é seu. — Debochou do mesmo.
— É porque não é. — Foi a vez de August, cortar o ar com sua voz atraindo a atenção de todos. — Posso não ser o pai biológico, mas ficarei feliz em ser o pai que o bebê precisa.
— Quem é você? — Robin perguntou Mais alto.
— Sou August Booth, sou alguém muito importante pra ela. — August sabia que ao se apresentar como namorado, sem que Zelena tivesse aceitado isso, teria sério problemas e agora, tudo o que queria era cuidar da ruiva, não estressá-la mais.
— Você é uma piada, nem ao menos têm um relacionamento. — Robin provocou, August fechou suas mãos e já estava preste para antigos o outro quando Emma entrou no quarto.
— Calminha aí garotões, isso aqui não é um passeio no parque. — Respondeu a loira, Regina estava logo atrás dela.
— Quero os dois fora do quarto. — A morena alterou-se, ambos permaneceram em seus lugares. — AGORA!
— Juro que quase tive um orgasmo. — Zelena respondeu assim que os dois homens saíram.
— Você não consegue se controlar por dois segundos? — Apesar de ser a mais nova, Regina sempre seria protetora com Zelena. — Como está se sentindo?
— Gostaria, mas era muita testosterona no quarto e você chegou toda “alfa” não ia conseguir me segurar. — A ruiva sorriu, com a presença das pessoas que ela amava, sentia-se mais segura. — Só estou cansada.
— O médico que te atendeu nos contou que você desmaiou… — Emma murmurou segurando as mãos de sua esposa.
— Vi o Robin, muitas imagens de uma só vez na minha cabeça, acabei desmaiando… — Zelena resumiu suas palavras o quanto pode. — Mas nós estamos bem. Foi apenas uma queda de pressão, mas eu estava com dor e eles me deram alguns analgésicos.
— Então, ele é o pai? — Regina perguntou olhando da irmã para a esposa. — Quer dizer, o progenitor? — Corrigiu suas palavras ao ver o olhar de Emma para cima dela.
— Sim, ele é. — Respirou fundo.
— A mulher dele não era nossa cliente do antigo escritório aqui de Boston? — Emma perguntou e Regina balançou sua cabeça positivamente. — Ok, acho melhor deixar vocês duas conversando sozinhas, vou ver se o August está bem e, se esses dois não vão se matar. — Emma beijou sua esposa rapidamente e deixou o quarto do hospital.
— Ele é casado Zelena. C-A-S-A-D-O! — Regina disse com todas as letras, fazendo a ruiva acuar-se por alguns minutos.
— Olha, eu sei das coisas que sou capaz. — A ruiva começou a dizer e acariciou o próprio ventre. — Mas eu jamais faria isso tendo consciência, não estava nos meus planos sair com alguém casado, eu nem ao menos sabia até ver a mulher e o filho dele, tão pouco engravidar do mesmo. Foi por isso que estou aqui, Regina. Fiquei tão nervosa, não consegui me aguentar e acabei desmaiando.
— Eu sei… — A advogada subiu na cama ao lado da irmã e Zelena deitou sua cabeça nos ombros dela. — Só estou preocupada com vocês e, esse cara é, repulsivo.
— Não me sinto orgulhosa, mas aconteceu. — Fechou os olhos. — O bebê mexeu. — Resolveu mudar de assunto antes que caísse em lágrimas.
— SÉRIO? — A morena praticamente gritou e levou as mãos sobre a barriga da irmã que já tinha um lindo formato. — Por que não me contou?
— Não tive tempo, mas você é a primeira a saber! — Mentiu mostrando sua língua, sabendo que Regina reconheceria na hora. — Ok, a segunda, mas é a primeira mulher depois de mim a saber disso.
— Eu te perdoo. — Ambas caíram na gargalhada.
— Tenta não ser duro de mais com ela. — A voz de Emma sobressaiu enquanto August andava de um lado para o outro, no corredor próximo ao quarto de Zelena.
— Por que está dizendo isso? — O homem perguntou ao parar por alguns minutos e fitar a loira que havia se tornado uma grande amiga. Emma sentou-se e indicou que ele fizesse o mesmo, August seguiu para o seu lado.
— Cora sempre preferiu minha esposa, isso sempre foi muito claro para todas as pessoas que viviam e vivem em Storybrooke. — Emma começou a falar. — Já o Henry, meu sogro, ele as amava por igual e fazia qualquer coisa pelas duas, Zelena e Regina eram agarradas a ele. Zelena nunca foi muito certa, deve ser muito difícil ser a segunda opção de alguém, mas para o Henry não havia isso, eram as “filhas dele”. Quando ele morreu as coisas desandaram, ela tornou-se mais rebelde e por aí vai. Uma vez Zelena disse para nós duas que Cora só não tinha expulsado ela de casa porque, a casa era dela. A melhor coisa que aconteceu a elas duas foi esse distanciamento da mãe, então o bebê aconteceu sobre circunstâncias que eu não quero imaginar e mesmo que Zelena não queira nos falar sobre ela, Regina já pensou nessa possibilidade, acredito que ela esteja esperando a hora para as duas conversarem com calma, mas o bebê a deixou diferente, ela está mais feliz e dá pra ver o quanto ela fica feliz com você ao lado dela. Meu irmão mais velho, David e ela foram melhores amigos e, ela se tornou minha melhor amiga também, Zelena não admite as coisas, principalmente os seus sentimentos. Ela é muito parecida com Regina nesse sentido, apenas ensine a ela como amar e ela te dará todas as outras coisas. — Emma o olhou com um sorriso nos lábios, Regina saiu pela porta e caminhou em direção a esposa. — Como as coisas estão?
— Ela está bem, vou procurar o médico pra saber se ela terá alta essa noite, vem comigo? — A morena perguntou e Emma balançou a cabeça positivamente. — Ela está esperando você cunhado. — Regina sorriu, fazendo com que os outros sorrirem também.
— Oi. — A voz de August soou pelo quarto trazendo os olhos azuis de Zelena ao encontro dos dele.
— Oi. — A ruiva deixou que sua voz saísse e o convidou para sentar-se ao seu lado. — Você está chateado?
— Um pouco, quase nada. — Forçou um sorriso e Zelena aconchegou-se nele, sua cabeça sobre o peito dele ouvindo as batidas de seu coração.
— Está sim… Não queria que ele tivesse te dito aquelas coisas, você não é uma piada. — As mãos dela deslizaram pelos braços dele, de cima para baixo numa forma de carinho.
— Isso não é sobre mim, Zelena, é sobre você. — August levantou o rosto dela com seu indicador, fazendo com eles se olhassem. — É sobre o que você quer, é sobre se eu posso ser alguém pra você, ou se eu realmente sou apenas uma piada…
— Você quer um relacionamento sério… — A ruiva revirou os olhos. — Você sabe que eu não saio com mais ninguém desde você.
— Eu não me importo se você tiver saído com mais alguém, eu só quero saber se eu posso ser alguém. Sei que você não é uma posse, não é algo meu e nunca vai ser, eu não quero as coisas assim, mas eu gostaria de te dar o mundo. — August murmurou fazendo Zelena levantar-se e olhá-lo diretamente nos olhos.
— Nunca, jamais, alguém me ofereceu tanto assim… — A voz da ruiva saiu baixa e seus olhos estavam encharcados.
— Você aceita namorar comigo, Zelena? — O homem perguntou tendo a atenção dela tomada para si.
— Eu aceito. — A ruiva deixou que um sorriso se formasse em seus lábios, logo sendo tomado pelos lábios dele. Zelena constatou que não precisava de ninguém para fazê-la feliz, aquela era sua filosofia de vida, mas também constatou que era importante ter pessoas que ela amava e amavam ela de volta para isso acontecer. Emma e Regina estavam na porta aplaudindo o novo casal, as coisas finalmente começariam a mudar.
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