How to be a mother
7 Dias agitados
Notas iniciais
Zelena Mills
Com a chegada do terceiro mês as coisas ficaram mais intensas. Aparentemente o pai de Belle, Moe French viajou de férias e não conseguimos fechar negócio, não imediatamente, mas eu sabia exatamente que loja queria. Ela ficava no outro lado da rua, em frente ao Granny’s, era uma ótima localização levando em consideração que toda a cidade encontrava-se sempre naquele mesmo lugar a anos.
Marco Booth, pai de August e o próprio trabalharam duro para que todos os móveis que eu queria estivessem prontos a tempo de montar o meu atelier aos fundos da loja e a galeria de entrada. Não queria sobrecarregá-los, até insisti para comprar os móveis já prontos em Boston, August encarou como pessoal e o pai dele também, mas agora tudo estava nas perfeitas ordens.
Passei as últimas duas semanas sem quase sair de casa, estava focada de mais em começar uma pequena coleção um tanto mais simples pra cidade, que agora, eu faria de início do meu trabalho. Estava acostumada a desenhar vestidos de gala e vendê-los por preços absurdos, mas ainda sim me sentia bem com que eu estava fazendo. Estava começando. Começando meu próprio negócio, começando a dar um rumo para minha vida e a do bebê.
Não foi difícil encontrar boas costureiras em Storybrooke, mas precisava de gente de confiança. Johanna me veio a mente, conversamos um pouco e ela disse o quanto estava feliz pela minha volta e de Regina para Storybrooke, as outras três mulheres que trabalharíam conosco, eram total de sua indicação.
— Johanna. — Murmurei assim que entrei no “Atelier Mills”. — Bom dia. — Vislumbrei a figura da mulher sentada olhando alguns desenhos do meu portfólio criado nas últimas semanas.
— Bom dia senhorita Mills. — Ela sorriu. Fiz uma careta para ela que não passou despercebido, logo corrigiu-se dando uma risada. — Zelena.
— Bem melhor. Eu conheci você quando era adolescente, meu pai era seu amigo. — Enumerei os fatos para que me chamasse apenas por Zelena. — Então, temos muito trabalho hoje?
— Temos alguns dos seus desenhos para produzir e logo pensar na inauguração. — Apontou para as três moças ao fundo da loja costurando.
— Tem tanto tempo que não faço nada além desenhos, que você vai precisar me assistir nas costuras. — Resmunguei e Johanna me abraçou.
— Você não vai precisar costurar senhorita… Zelena. — Corrigiu-se e me olhou. — Como vai o bebê? — Perguntou deixando-me atônita.
— Você sabe? — Questionei completamente descrente que mais alguém da cidade podia estar tomando nota sobre algo em que eu ainda estava me acostumando.
— Cuidei de crianças a minha vida toda, sei reconhecer uma mulher grávida, e August vive aqui preocupado com você. Enjoou com o cheiro da tinta quando viemos ver o local pronto, seu apetite é muito atenuado pra quem tem um corpo de modelo. — Johanna enumerou seus achados sobre mim, estava um tanto surpresa.
— Aprecio a parte do corpo de modelo, mas nos próximos 6 meses, corpo esbelto é o que não terei. — Mesmo que ainda fosse confuso pra mim que alguém tivesse tomado notas sobre meu “íntimo”, deixei que uma risada saísse por seus lábios, mas ela cessou assim que as mãos de Johanna repousaram sobre o meu ventre.
— August está feliz que vai ser pai? — Tudo ao meu redor pareceu ruir. Uma coisa é quando as pessoas falam sobre você por aí, aprendi desde nova a não me importar com os julgamentos alheios, mas não estava preparada e tão pouco esperando que alguém associasse meu envolvimento com August à gravidez. Meu silêncio era desconfortável, pude notar Johanna tentar balbuciar algo.
— Estou sim. — A voz masculina, denunciando a chegada de August, se fez presente logo atrás de nós. Virei-me para olhá-lo com seu sorriso marcado por covinhas, os copos de café em suas mãos foram deixados na bancada, veio em minha direção. — E ansioso. — Terminou com o momento que havia se tornado constrangedor.
...
— Você não precisava ter respondido aquilo. — Minha voz saiu mais baixa e calma que o normal assim que chegamos na mansão da minha família.
— Não, eu não precisava, mas é a verdade. — Sua voz saiu mais grave, um tom mais alto acredito. Sentou-se no sofá, eu o acompanhei.
— Mas você não é o pai, não temos nenhum relacionamento. Não precisa mentir pra me proteger. — Minha voz pareceu sair aborrecida, de fato não estava.
— Eu sei disso, e queria muito entender porque você joga isso na minha cara o tempo todo. — Deu uma risada nervosa, seus olhos bem azulados tomaram um pouco mais de seriedade. Eu o havia chateado.
— Não foi o que eu quis dizer… — Optei por ponderar, mas já havia feito o estrago.
— Mas você disse e continua dizendo, como se eu não tivesse sentimentos, como se fosse feito de maneira. Algo oco Zelena, que você tem usado apenas para se satisfazer Como um capricho. — August jogou tudo de uma vez sobre mim.
— Eu só não quero que uma hora você canse de ser associado a mim e ao meu bebê. — Respirei fundo, balancei minha cabeça tentando afastar os pensamentos raivosos. — Uma hora, todas as pessoas querem ter sua imagem afastada da minha. Você vinha ver seu pai quando criança, quando eu morava aqui, provavelmente ele não deixava você chegar perto de Zelena Mills, como a maioria dos pais dessa cidade. Na verdade August, eu estou te ajudando, facilitando as coisas pra você.
— Deixe que eu resolva isso. — Sua voz suavizou, mas ainda carregava a seriedade por todas as suas palavras. — Você não terá que lidar com as consequências de uma coisa que decidi também.
— Não vou deixar que você auto se declare pai de um bebê que não é seu. — Respondi bastante incrédula. — August, ele é consequência minha e problema meu.
— Não conheço sua história com o pai do bebê, mas sei que isso afetou você. Porque afetou? Depende de você me contar ou não. Não estou pedindo para ser o pai do seu filho, mas estou aqui por você, por vocês, pra ajudar. Eu amo crianças.
— August… — Suas palavras vieram como uma enxurrada para cima de mim. Segurei as mãos dele, pela primeira vez desde que chegamos a mansão. — Não sei quem ele é.
— Você não sabe quem é o pai? — Perguntou confuso. Seus olhos me imploraram por uma explicação, uma explicação que eu não precisava dar, mas em meu íntimo algo dizia “conte a ele, diga a verdade”. Optei por seguir essa vozinha gritando dentro de mim.
— Fui a uma festa do meu antigo trabalho, acabei bebendo muito e achei que tivesse dormido com uma colega. Acordei sozinha no meu apartamento, não lembro de nada, nada mesmo.
— Então você descobriu que estava grávida logo depois… — Respirou fundo e me trouxe para os seus braços. — Você sabe que isso é considerado como estupro, não sabe? Você estava vulnerável.
— Não quero falar disso e não quero lidar com o bebê como se ele tivesse vindo desse tipo de relação. — Argumentei como pude.
— Tudo bem, eu me preocupo com vocês. — Murmurou de maneira gentil.
— Estou tentando August, a cada novo dia estou tentando lembrar quem ele é, mas como você disse, ele pode ter abusado de mim e não sei se quero me lembrar disso.
— Eu sei. — Afagou meus cabelos, seus lábios encontraram com os meus o mais delicado que ele conseguiu, como se tivesse medo de me quebrar. — Não temos um relacionamento, mas podemos ser amigos, estou aqui pra ajudar.
— Olá amigo. — Dei uma risada tendo a necessidade de fazê-lo rir para descontrair toda aquela situação. Eu precisava disso também.
O fato de uma mulher, assim como eu, ser sexualmente aberta não dava direitos de ninguém a tocar em qualquer ocasião, principalmente quando não está vulnerável. Sempre tive em minha mente que sexo, todo tipo de sexo deve ser consensual, não importa seus fetiches ou gostos, todas as pessoas envolvidas devem estar em comum acordo.
Não lembrava o que tinha acontecido, teria de conviver com a dúvida ou correr atrás das memórias, nos dois casos as hipóteses eram ruins. Mas e as outras mulheres que tinham nítido esses acontecimentos em suas memórias, como viviam? Agora, tudo o que eu desejava para elas era que a justiça fosse feita e que as dores delas fossem aliviadas, assim como a minha.
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