How to be a mother
15 Adeus
Notas iniciais
Zelena Mills
— Oi. — A menina, Ava apareceu primeiro na cozinha depois de ouvir o carro de Regina chegar.
— Olá Ava, como você está? — Perguntei docemente. Ela sentou no balcão. — Onde estão Regina e o seu irmão?
— Bem… A médica não nos deu injeção… — Respondeu com um meio sorriso mostrando sua vitória por ter escapado. — Estão trazendo mais roupas que o Xerife comprou pra gente.
— Ah sim… Eu também odeio injeções. — Confessei fazendo a mesma sorrir. — Você quer suco?
— Quero… — Respondeu baixinho e receosa. Peguei outro copo pra ela, e a jarra na geladeira. — Dói ter um bebê dentro de você?
— Às vezes. — Lhe entreguei o suco. — Ela se mexe muito.
— Qual nome você escolheu? — Perguntou após beber seu suco de uma só vez. — Eu disse pra Regina que eu tinha um coelho chamado xodó, ficou na minha casa… Eu queria ele de volta.
— Rose… Escolhi Rose. — Apoiei meus cotovelos prestando atenção em cada detalhe que ela me dizia. Não tinha convivência com crianças, eu nem mesmo gostava delas, mas há algum tempo eu andava tolerante em relação a elas. — Podemos ver se o Xerife pode ir até sua antiga casa buscar seu coelho.
— Nós vamos pra um orfanato, não é mesmo? — Me perguntou, parei de respirar por alguns segundos.
— Você está aqui mocinha. — Regina chegou a cozinha trazendo uma caixa nas mãos. — O combinado é direto para o banho enquanto eu esquento nosso almoço.
— Desculpa tia Regina. — Ela sorriu de forma sapeca e minha irmã beijou sua cabeça quando ela passou apressada por ela.
— Está tudo bem por aqui? — Regina perguntou.
— Sim… — Respirei fundo. — O que vamos fazer com eles, sis? — Perguntei sentindo-me estranha.
— Nós não vamos fazer nada, Zelena. — Regina veio até mim, abraçou-me e depois colocou as mãos sobre minha barriga. — Sua única preocupação aqui é sua filha, tudo bem?
— Sim. — Sorri levemente entendo o ponto de minha irmã. — Vai ajudar eles, eu cuido do almoço.
— Parece que estamos mesmo mudando. — Ela implicou, e eu revirei os olhos. No fim, Regina não estava totalmente errada. Muita coisa havia mudado, não apenas pela minha ervilhinha, mas por mim.
— Oi Mary, que bom que chegou. — Beijou ambos os lados do meu rosto logo após juntar-se a Regina, Emma e eu na cozinha.
— Não perderia a oportunidade de juntar-me às minhas garotas num fim de tarde. — Ela sorriu, abraçou Emma e depois Regina. — David foi lá pra trás, August disse que precisava de alguém pra brincar com as crianças.
— Sim, comprei Nurfs e queria mesmo jogar. — Minha cunhada murmurou e revirou os olhos. Quando tratava-se de crianças, Emma abandonava toda pose de advogada séria e tornava-se outra pessoa.
— Vai lá minha criança. — Regina a beijou, e Emma logo correu para os fundos da casa. — Preciso conversar com vocês.
— É sobre a ida das crianças ao médico? — Perguntei. Desde que eles haviam voltado, Regina não tinha dito nada. Um arrepio tomou meu corpo. Não queria pensar o pior, mas era inevitável.
— Em partes sim. — Apoiou-se no balcão.
— São vítimas? — Mary perguntou. — Vocês sabem, eles não são da minha classe na escola. Mas todos os professores devem estar atentos ao comportamento diferente de seus alunos.
— De negligência. — Minha irmã respondeu, e eu soltei o ar que nem sabia que estar segurando. — A mãe morreu de câncer a pouco tempo, não tem mais nenhum familiar além do padrasto e pelo que Graham disse, se ele não tivesse chegado lá, ele nem teria notado a ausência das crianças.
— Esse cara será julgado? — Optei por perguntar, tanto Regina, quanto Emma, eram as melhores para responder nesse caso.
— Vai responder por negligência. As crianças estão desnutridas, não sei como não estão doentes. — Regina massageou as próprias têmporas.
— Por quanto tempo eles vão ficar com vocês? — Mary perguntou, eu olhei dela pra Regina.
— Graham pediu que eles ficassem conosco até o orfanato de Boston achar um lar provisório para mantê-los juntos. — Regina cruzou os braços. — E foi por isso que pedi pra você e David virem pra cá.
— Isso significa…? — Olhei para Regina tentando compreendê-la.
— Não vou conseguir deixá-los ir. — Regina levou as mãos em frente aos lábios e eu vi seus olhos encherem-se de lágrimas. — Pode ser que Emma e eu estamos nos precipitando, mas… Eu os achei roubando comida, eu os ajudei e eles estão conosco… É um sinal para permanecerem.
— Emma está animada igual. — Segurei as mãos dela. — Regina, você é muito corajosa, nunca se esqueça disso. Foi a pessoa que mais me apoiou quando eu entrava em surto em relação a minha gravidez. Eu também estou aprendendo como ser mãe, você também pode. — Abracei minha irmã. — Se você acha que o universo uniu vocês, nós, a sua família, estaremos aqui.
— Eu te amo, Zel. — Prendi minha irmã num abraço.
— Eu vou ficar muito feliz em ser tia de mais duas crianças. — Mary juntou-se ao nosso pequeno abraço em grupo.
— Acho que cheguei no momento bom. — Emma murmurou segurando um Nurf em suas mãos, eu dei uma risada. — Contou a novidade a elas?
— Sim, acabei de contar. — Regina caminhou até ela. Minha cunhada beijou os cabelos de minha irmã.
— Eles vão ficar conosco, porque são crianças em estado de abandono, o estado os considera como órfãos. — Emma começou a nos explicar. — Estávamos conversando essa manhã e pensamos que se eles nos quiserem como mães, vamos entrar com o pedido de adoção.
— Isso é maravilhoso. — Mary sorriu abertamente. — Bom… Quero contar algo pra vocês.
— O que? — Perguntei um tanto receosa.
— David e eu vamos ser pais. — Confessou com seus olhos cheios de lágrimas. Emma a agarrou, em seguida de Regina e depois eu. — Ai meu deus, eu já estou amando tanto essa ideia.
— E a minha filha vai ter um amiguinho. — Dei uma risada.
— Um melhor amigo. — David apareceu na cozinha, alisou minha barriga e depois abraçou a esposa por trás. — Assim como nós dois.
— Assim como nós dois. — Repeti.
Passamos toda a tarde no jardim, August e David brincando de bola com as crianças enquanto todas nós conversávamos e fazíamos planos para o Natal. Rose nasceria algumas semanas antes, de acordo com Ruby, até lá eu estaria bem e poderia aproveitar as festas de fim de ano com ela em meus braços.
Regina comentou da importância de dar uma festa de Natal digna para as crianças, não que ela e Emma queria, de alguma forma comprá-los, mas por toda sua simbologia e mágica do natal. Meu pai, Henry Mills, sempre nos proporcionava o melhor natal, não podíamos fazer diferente agora.
Quando Mary e David foram embora um pouco mais tarde naquela noite e August estava dormindo em meu quarto completamente exausto pelo dia brincando com as crianças, desci as escadas sem nenhum pouco de sono, talvez comer alguma coisa me deixasse mais calma e me fizesse dormir.
— Oi Zel. — Emma disse assim que eu cheguei na cozinha. Ela estava com Nicholas sentado em uma cadeira.
— Sem sono? — Perguntei para os dois, Nicholas sorriu da maneira que pode enquanto devorava seu sanduíche. Sentei ao lado dele.
— Com fome. — Respondeu depois de tomar um longo gole de chocolate.
— Já está introduzindo essa criança no seu chocolate com canela? — Perguntei a Emma que sorriu. Ela e minha irmã compartilhavam de uma sintonia tão grande que dava para ver o quanto as duas estavam animadas para dar mais aquele grande passo em relação às crianças.
— Sempre, e a próxima é a nossa pequena Rose. — Minha cunhada sorriu. — Está sem sono também?
— Sentindo um incômodo, então resolvi comer para ver se fico mais calma. — Sorri.
— É algo em relação ao bebê? — Emma arregalou os olhos e eu neguei com a cabeça, enquanto me esticava para pegar uma fatia de pão.
— Estamos bem, só estou incomodada… São oito meses e, eu estou enorme. — Ajeitei-me na cadeira. — Falta pouco tempo para ela nascer, você sabe.
— Será que ela vai chorar muito? — Nicholas perguntou curioso.
— Eu não sei. — Toquei o nariz dele com meu dedo indicador fazendo ele rir.
— Nosso padrasto não gostava quando chorávamos. — Compartilhou, senti a bile subir até a minha garganta.
— Aqui, Nicholas, você é livre pra fazer o que quiser. — Emma colocou as mãos nos ombros dele trazendo a atenção do garoto para ela. — Inclusive chorar, desde que você respeite cada pessoa aqui.
— Eu sinto falta da minha mãe, Emma. — Confessou e eu segurei um suspiro.
— Ela está com você. — Foi a minha vez de entrar na conversa dos dois.
— Está? — O menino perguntou.
— Sim, bem aqui. — Coloquei as mãos no coração dele. — As pessoas que nos amam nunca nos abandonam de fato. — Nós três compartilhamos um sorriso.
— August… — Pela manhã o chamei bem devagar.
— Bom dia. — Elevou o corpo para beijar meus lábios delicadamente e depois pegar o celular no criado mudo. — Por que você acordou às 8 num sábado?
— Porque eu perdi o sono… — Sentei na cama apoiando as costas na cabeceira da mesma, ele me acompanhou.
— E o que mais? — Me perguntou ainda meio sonolento.
— Queria conversar um pouco, você pode dormir de novo depois. — Dei uma risada e ele pareceu concordar. — Logo o bebê nasce e eu ando meio inquieta, com um pouco de medo… Tudo é muito fácil com ela aqui dentro.
— Você está se sentindo mal? — Perguntou um tanto agitado.
— Não, calma… Está tudo bem. — Acariciei o rosto dele. — Quero que me prometa algo.
— Claro, qualquer coisa… Você sabe disso. — Com sua confirmação, prossegui.
— Se algo acontecer comigo no parto, você promete ajudar Emma e Regina a cuidarem da minha filha e das crianças?
— Zelena… Por que você está dizendo essa coisas? Nada vai acontecer com você ou com a nossa filha. Você vai ver ela crescer, correr por aí, te dar muitos cabelos brancos. — Ele sorriu me fazendo rir.
— Eu só estou com medo. Inquieta. Ruby disse que é normal. — Peguei meu celular e mostrei pra ele a mensagem que eu e minha médica havíamos trocado.
— Superlotando a Ruby de trabalho às 5 da manhã? — Ele riu e eu revirei os olhos. — Você dá sorte dela ser sua amiga.
— Você está insinuando que eu sou chata?
— Não, jamais. — Ele riu e eu apertei o mesmo. Ele sentou-se e me puxou para o colo dele, abaixei meu rosto e o beijei. — Podemos ficar mais algum tempo na cama?
— Você pode voltar a dormir, vou ajudar Regina com o café da manhã. — Meu celular tocou e eu me estiquei ainda sobre ele para pegá-lo. — É o Robin.
— Atende ele. — August levantou meu vestido e começou a acariciar minha barriga.
— Oi Robin. — Respondi assim que atendi o telefone.
— Oi Zelena, tá tudo bem? — Perguntou ao outro lado da linha.
— Sim, estamos bem. Aconteceu alguma coisa? — Perguntei um tanto receosa.
— Não, eu estou numa cidade próxima e acabei encontrando um brinquedo que é muito a cara da Rose, queria saber se posso levar para vocês. — Perguntou e eu olhei para August que ouvia a ligação devido a nossa proximidade. Ele balançou a cabeça por diversas vezes positivamente, August era um homem extremamente compreensível em relação a tudo.
— Claro. Que horas você chega? — Perguntei.
— Acho que às 10, vou encontrar meu cliente agora e comer alguma coisa.
— Claro, então estaremos esperando você e obrigada pelo brinquedo. — Agradeci antes de findar a ligação.
— Você sabe que ele gosta de você, não é mesmo? — Me perguntou e eu revirei os olhos. Não tinha ciúmes na voz dele, mas ele gostava de me provocar.
— Eu vou chutar você pra fora da minha cama se você começar a me zoar as 8 da manhã. — Levantei de seu colo e da cama segurando meu celular nas mãos. Aproveitei para ajustar o vestido soltinho que usava.
— Eu só queria fazer você rir. — Ele sorriu, me inclinei para lhe dar um beijo nele. — Não vou voltar a dormir, mas vou ficar um pouco mais aqui.
— Claro, vou descer. — Sorri e deixei o meu quarto encontrando Regina no corredor. — Oi sis, bom dia.
— Bom dia, como vocês duas estão hoje? — Perguntou ao acariciar minha barriga de leve.
— Ela está agitada. — Segurei um pouco mais firmes suas mãos sobre minha barriga protusa. — Sente.
— Ei pequena… Assim você machuca sua mamãe. — Regina sorriu. Minha irmã estava bastante leve e era tão bom vê-la assim. — O que foi? Por que está me olhando assim?
— Assim como? — Perguntei e logo me dei concepção de como estava olhando-a. — Eu estou orgulhosa de você, não que isso seja surpresa, todos sempre estamos orgulhosos de você.
— Eu também estou orgulhosa de você e não tem nada a ver com seu relacionamento com August antes que você pense nisso. — Descemos as escadas. — Mas sim pela forma como você tem encarado a vida de frente como sempre tem feito, mas agora com muita responsabilidade por causa da minha sobrinha.
— Acredito estar fazendo isso por nós duas. — Respirei fundo. — Estou realmente orgulhosa de você por tomar essa decisão… Porque isso aqui é tão difícil e eu demorei um pouco pra me acostumar com essa ideia, mas você… Você sempre quis isso. — Sorri e ela sorriu, pude ver as lágrimas formarem-se em seus olhos. — E você merece aquelas crianças, e elas merecem vocês duas.
— Obrigada, Zel. — Ela me abraçou e eu retribuiu. — Vamos perguntar a eles dois agora.
— Posso estar junto ou vocês querem conversar com eles sozinhas? — Perguntei.
— Claro que queremos você ali. — Sentei-me sobre a mesa. — Bom, você quer panquecas?
— Eu sempre quero as suas panquecas.
As crianças desceram brincando com Emma, dava pra ver a felicidade estampada no rosto da minha cunhada. Assim como a minha irmã, ela parecia leve como se aquele fosse o momento de realização da vida delas. Só lembro de ter visto esse sorriso no dia do casamento das duas, a forma como elas se olhavam e não perdiam esse olhar de forma alguma.
Sentamos todos na sala de jantar, ajudei a Regina a colocar a mesa lá. August desceu logo depois e sentou-se ao meu lado, pedi pra ele ficar silencioso afinal aquele momento era dos 4 e nós dois, no caso, nós três — contando com minha bebê — eram os expectadores desse momento único.
— Então crianças, Regina e eu gostaríamos de falar uma coisa com vocês. — Minha cunhada disse segurando as mãos de Regina. Ava olhou para o seu irmão e vi seu queixo tremer.
— Vocês vão nos mandar pra um orfanato? — Ava perguntou, uma lágrima escorreu pelos seus olhos. Apertei as mãos de August com força.
— Não, princesa. — Regina levantou o queixo dela e limpou sua única lágrima com o dorso de sua mão. — Sei que tem pouco tempo que vocês estão aqui conosco e que vocês nos conhecem a pouco tempo… Mas vocês são muito especiais pra nós.
— Regina encontrou vocês e desde então nos sentimos conectadas a vocês. — Emma sorriu e tocou o nariz de Nicholas fazendo o mesmo sorrir. — Nós tivemos a oportunidade de ter uma família bem estruturada que nos ensinou muitas coisas e a principal delas foi sobre o amor.
— Que o amor é magia mais poderosa de todas. — Minha irmã olhou pra minha cunhada e sorriu, eu sorri também. — Nós queríamos saber se vocês gostariam de nos ter como mães… Pode ser difícil porque vocês tem uma mãe e ela sempre será a mãe de vocês e pode ser difícil também porque somos duas mulheres, mas tudo o que queremos é dar amor a vocês, é dar uma família a vocês.
— É fazer vocês felizes assim como nós fomos e somos muito felizes. — Emma sorriu apertando os próprios olhos como sempre fazia.
— Tia Zelena disse que a mamãe sempre estaria aqui conosco. — Nicholas levou as mãos ao coração da irmã. — A mamãe está nos dando uma oportunidade de ter outras mães.
— Eu sei, Nico. — Ava sorriu pra ele, seus olhos cobertos por lágrimas. — Vocês podem mesmo adotar a gente?
— Nós tentaremos com muito afinco. — Regina riu. — No nosso trabalho nós fazemos coisas impossíveis muitas vezes e isso não é impossível. É muito possível na verdade e quando sonhamos com coisas assim, em ter uma família, isso se torna real.
— Vocês prometem não nos abandonar? — Olhei para August sentindo toda dor daquelas palavras, ele me abraçou.
— Já viram Lilo e Stitch? — Emma perguntou.
— Já, nossa professora passou na classe. — Ava comentou, pude ouvir sua voz cheia de ânimo.
— Ah, ele é muito bom, queria um Stitch. — Nicholas riu, limpei meus olhos, estava muito sensível e minha filha estava se mexendo muito.
— Sabe o que significa Ohana? — Emma perguntou e ambos negaram, eu também não sabia. — Conta pra eles amor.
— Ta bem. — Regina sorriu e segurou as mãos de ambos, Emma colocou as mãos dela por cima das deles. — Ohana quer dizer família. Família quer dizer nunca abandonar ou esquecer.
Nossa família tinha aumentado nos últimos meses mais do que em todos os anos. Os Mills nunca foram de ter muitos filhos, meu pai era filho único e minha mãe também. Eu e Regina viemos de relacionamentos diferentes de nossa mãe, mas ainda sim, foram duas crianças na família Mills. Sem primos ou qualquer outro grau de parentesco, e agora Regina e Emma teriam dois filhos, e eu uma filha. Mary e David eram nossa família também, e teriam uma criança.
Quando descobri que estava grávida eu nunca esperei que essa atmosfera mexesse tanto comigo, que tocasse tantos a minha volta. Minha filha me deixava feliz e ainda nem havia nascido. Estávamos todos na sala vendo Lilo e Stitch, porque eu não conhecia exatamente nada daquele filme.
Há alguns meses atrás eu tinha pânico de ter contato com crianças, saber sobre coisas que crianças gostavam estava longe de qualquer pensamento. Eu só passava a compreendê-los quando chegavam a fase adulta, antes disso eu não dava a menor importância. Agora, eu não conseguia pensar em nada que não fosse na criança que eu carregava comigo.
Buscava coisas que eu deveria saber quando ela nascesse. Sobre o processo de amamentação, do porque as pessoas precisam lavar as mãos antes de tocar no bebê. Coisas que eu deveria ou não comer para não dar cólicas a minha filha. E, agora, desenhos com a minha família e meus dois sobrinhos. Mãe e tia na mesma época, eu estava realmente impressionada.
— Seu telefone está tocando. — August sussurrou, eu olhei para o relógio na parede e já eram quase 11:30.
— Deve ser o Robin dizendo que se atrasou. — Revirei os olhos e ele levantou-se para pegar o celular na mesinha de centro. — Vamos almoçar na Granny’s?
— Vamos, já está tarde para começar a cozinhar. — Regina riu. August entregou meu telefone e eu atendi.
— Oi Robin, demorou pra chegar. — Respondi com uma certa dose de humor. — Já está aqui na rua?
— Senhorita Zelena? — Uma voz diferente soou no telefone.
— Sim, sou eu. Quem é você e por que está com o telefone do Robin? — Perguntei um oitavo mais alto e todos os adultos da sala me fitaram com curiosidade.
— Você foi a última pessoa que ele ligou, nós temos uma notícia difícil para falar. — Meu coração começou a bater com certa força e uma angústia cobriu todo o meu corpo. — O senhor Locksley sofreu um acidente de carro, nós encontramos o telefone e os documentos dele, estamos levando-o para o hospital de storybrooke. Você é a esposa dele? Precisamos que alguém venha reconhecer o corpo dele. — Senti meu estômago revirar e meu corpo perder a força, August me segurou antes que meu corpo fosse parar ao chão junto com o meu celular.
— August… — Eu disse bem fraco, minha barriga doia. Regina, Emma e as crianças ficaram um tanto desesperadas aproximando-se de nós dois.
— A bolsa dela estourou, precisamos levá-la ao hospital. — Minha irmã disse um tanto nervosa, e essa foi a única coisa que eu absorvi de fato, tudo era um borrão e pouca coisa fazia real sentido.
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