How much I love U.

36 Epílogo - Primeira parte.


Notas iniciais
GENTE, VOLTEI! Então, o epílogo acabou que ficou muito grande e precisei dividir em duas partes kkk Desculpem! Sem mais, boa leitura.

Sete meses depois.

( N.A.: Não houve nenhum ‘pulo’ na fanfic, mas não achei que seria pertinente postar sobre a recuperação lenta e dolorosa do Itachi, e toda a recuperação mental e psicológica dos outros personagens. )

Dezembro, mais especificamente dia vinte e dois de Dezembro.

Depois do fatídico baile, que terminou em quase todos no hospital, Itachi passou quinze dias na UTI, depois, quase um mês no CTI, e só depois de vinte dias em casa, que teve aquela conversa com a rosada.

Sakura não ficou pressionando ou exigindo nada, ela não queria piorar o estado físico dele, que era frágil; A garota apenas tentava se manter presente e agradável, e nesse meio tempo, acabou se mostrando bastante útil nos cuidados físicos do moreno.
Sakura era quase a enfermeira particular de Itachi. Ela aprendeu a checar os sinais vitais, o curativo, separava os remédios, e até já verificava e classificava a secreção que saia do dreno pulmonar.
Era impressionante.

Por dois meses, ela conviveu com Itachi, sem tocar em nenhum assunto romântico, apesar de Sasuke ter deixado claro para Itachi, de que não estava mais junto da Haruno, na primeira visita de UTI do mais velho, que fez junto com Sakura.

Foram dois meses difíceis, e delicados; Era doloroso para Itachi e tortuoso para Sakura vê-lo sofrer.

Depois do quarto mês de operado, ele já conseguia andar e respirar sem auxilio, neste dia ele foi fazer sua última consulta de pós operatório, e foi quando as coisas finalmente mudaram; Como o esperado, Sakura fez questão de acompanha-lo toda consulta com Tsunade. A médica agiu profissionalmente todo o tempo, e então no final, soltou a frase “ Você vai enrolar minha afilhada por mais quantos meses? Vamos lá pirralho, você quase morreu por ela, precisam de mais oque?”

Eles saíram do escritório da doutora em silêncio. Quando entraram no elevador do hospital, Itachi resolveu reagir; Ele falou algo como , “ Você não precisa se sentir obrigada a ficar comigo, só porque protegi sua vida. Eu faria isso de qualquer jeito” , Sakura rolou os olhos e respondeu algo como “ Eu ficaria com você de qualquer jeito, com pulmão, ou com metade de um.”.
Talvez não parecesse a conversa mais romântica do mundo para outras pessoas, mas significou muito para os dois.

Depois disso as coisas se seguiram naturalmente. Passaram a andar de mãos dadas, e a trocar carícias frequentemente. Não era algo urgente, ou dramático, era apenas... Natural. Como se tivessem nascido para ficarem juntos, e fazerem aquelas coisas que a maioria achava cafona, como, ir no cinema ver comédia romântica, conversar sobre o futuro, e limpar o queixo um do outro quando se sujavam com sorvete. Essa parte do sorvete, sempre saia fora de controle quanto estavam a sós, já que Itachi não via problemas em lamber o rosto da garota quando ela se lambuzava de algo doce.

No geral, não eram um casal que podia se chamar de “fogoso”; Itachi não gostava de “agarramentos” em público, mas não via problemas em demonstrar afetos simples, como andar de mãos dadas, dar beijos rápidos, e chamar Sakura de “minha flor”, para ela, estava tudo bem. Na verdade, estava tudo ótimo. Não sentia-se preparada para um relacionamento realmente íntimo, com direito a agarramentos violentos, e sexo o tempo todo, principalmente devido a saúde do moreno. Ela falava isso frequentemente para Ino, mas a loira parecia afoita para acontecer “um romance sórdido”, entre os dois.

Estava falando exatamente sobre isso com a Yamanakada naquela manhã. Sakura havia acompanhado a amiga em uma de suas consultas ao nutricionista, e já estavam de saída.
Deidara havia ido busca-las no consultório, e iria leva-las até a praça das cerejeiras, onde algumas pessoas da escola se encontrariam para comemorar o fim do ano letivo, e desejar boas festas de fim ano.

— Ino, pela última vez, para de fazer esse tipo de pergunta. — a rosada pediu, cansada.
— Eu não sei qual o problema. Você só tem problema de responder alguma coisa, se essa coisa é um problema, ou tem um problema com ela. — a loira tagarelou, gesticulando.

Deidara ao volante, acenou positivamente para as garotas no banco de trás, mostrando que, de alguma forma, havia entendido a lógica nas palavras da irmã, e que concordava com ela.

— Sua Porca pervertida, nem tudo se trata de sexo. — a rosada respondeu quase histérica, constrangida ao ver que Deidara estava prestando atenção no assunto delas.

Ele parecia tão entretido com a música que tocava no carro, e compenetrado em dirigir em meio a neve, que foi surpreendente quando mostrou que estava atento a conversa.

— Sakura, não tem ninguém falando isso aqui, mas você não acha que as coisas estão indo devagar demais? — a loira falou delicadamente, e mordeu o lábio fazendo uma pequena careta — Tudo bem que ele levou um tiro, mas ele teve a última consulta de pós operatório há três meses atrás! — completou, encarando a amiga com ansiedade.

Sakura franziu as sobrancelhas para ela.

— E oque exatamente isso deveria significar? — a Haruno perguntou, virando-se para olhar o celular.

Ino bufou perplexa, e olhou para Deidara pelo retrovisor.

— Isso significa, garotinha, que o meu amigo ta’ de boa pra dar uma foda, há três meses. — o loiro respondeu casualmente, com os olhos na pista.

Houve uma pausa dramática, onde Sakura escancarou a boca e deixou o celular cair no chão do carro.
Depois de alguns segundos, Ino começou a rir.

— Isso mesmo Deidara-nii! Exatamente isso. — a Yamanaka parabenizou o irmão, que sorriu convencido.
— Deidara! — a rosada exclamou em tom de repreensão, depois de ver que Ino não a defenderia.
— Ah para de graça garotinha, você não teria tanto tato pra tocar nesse assunto, se tivesse no meu lugar. — retrucou, fazendo uma espécie de bico.

Sakura rolou os olhos, e se inclinou para frente, entre o vão dos dois bancos da frente, ficando quase ao lado de Deidara.

— Oque você quer dizer com isso? O Itachi te disse alguma coisa? — ela perguntou, tentando conter o nervosismo.

Deidara fez uma careta quase fofa, e ficou calado por todo um minuto. Ino rolou os olhos fazendo pouco caso, era óbvio que o irmão estava fazendo mistério.

— Se você sabe de alguma coisa, é melhor falar agora! — a rosada falou histérica, pendurada no banco dele.
— Calma, calma. — ele respondeu risonho, de olho na pista — Ele não disse nada, especificamente. Você conhece o Itachi, ele é muito chato, não fala abertamente dessas coisas. — completou, entediado.
— O nome disso é, educação e dignidade. — a rosada exclamou, jogando-se de volta ao banco traseiro — Vocês deveriam aprender algo sobre isso com ele. — completou, cruzando os braços.

Ino torceu o lábio, claramente desinteressada no que a amiga estava falando, e continuou olhar o celular. Deidara mostrou a língua para ela pelo retrovisor, em uma careta nada educada.

— Seguindo sua linha de pensamento, uma pessoa educada e digna, não contaria sobre uma conversa que teve com o amigo, então, em consideração a seu conselho, não vou contar nada. — ele tagarelou, fingindo um ar de seriedade que obviamente não possuía.
— Não, não! — Sakura quase gritou, quicando no banco — Por favor, me conta. Me fala, vai! — ela pediu, ansiosa.
— Só vou falar que eu quero ver meu amigo fora dessa seca, que você ta fazendo ele passar... — o loiro falou, cheio de falsa preocupação — Foi o seguinte, eu cheguei nele pra perguntar como estavam indo as coisas entre vocês dois, ele disse “ Tudo ótimo, valeu por perguntar.”, ai eu insisti querendo saber se vocês já tinham finalmente colocado o time no campo, mas fez aquela cara de idiota e disse “ Sakura não é esse tipo de garota.” Ai eu falei “ Que tipo? Do tipo que transa?”, ai ele riu e desconversou. — tagarelou, desviando os olhares da rua, para Sakura, que estava novamente inclinada no banco dele.

A essa altura, Ino já havia largado o celular, e ria. Deidara estava imitando a voz de Itachi quando falava, e a loira estava achando a imitação hilária. Mas Sakura, continuava séria, ela estava tensa demais com o rumo a conversa pra achar graça de alguma coisa.

— E ai? Acabou? — a rosada perguntou decepcionada.
— Não, calma. Tem mais, u não desistiria tão fácil!. — ele respondeu risonho — Enfim, eu insisti! E perguntei se ele não tinha nenhuma atração sexual por você, ai ele fez aquela cara de ‘ claro que eu tenho ’, ai perguntei , porque ainda não tinha rolado nada, ai ele disse “A gente não fala muito sobre isso... Acho que ela não ta pronta ainda. ”, ai eu fui e falei “ Larga de ser trouxa mano, ela não é mais virgem.”, ai ele disse “ As coisas não funcionam assim cara. Talvez ela precise de um tempo.” , eu ia perguntar do que exatamente ele tava falando, mas... Ele me olhou com aquela cara de ‘ assunto encerrado’, e eu não quis ser mais inconveniente que o normal. — tagarelou, ainda imitando a voz do Uchiha.
— Isso porque não foi específico. — Ino murmurou.

Ficaram em um silêncio trágico por dois minutos, e então, Ino resolveu falar.

— Você sabe do que o Itachi tava falando não sabe? — a loira perguntou delicadamente.

Sakura balançou a cabeça negativamente, e olhou fixamente para a amiga.

— Qualé’, Testuda, é óbvio! — a Yamanaka exclamou convicta, e olhou para Deidara, afim de ganhar algum apoio.

Mas o irmão da garota, parecia tão perdido quanto Sakura.

— Não imagino porque a garotinha precise de mais tempo. Acho que sete meses é tempo o suficiente pra qualquer coisa que seja. — ele decretou por fim.

Ino se agitou no banco esbaforida. Estavam quase chegando a praça das cerejeiras, não teria tempo de esticar a conversa, para dar a informação delicadamente. Precisa ser direta.

— Amiga... — começou, e pegou as mãos de Sakura e segurou entre as suas, em um toque amigável e reconfortante — O Itachi acha que você precisa de tempo, porque você ainda não superou oque teve com o Sasuke. — contou por fim, quase em um sussurro.

Sakura ficou paralisada por alguns segundos, absorvendo aquela informação.

— Aaah! — Deidara exclamou, parecendo estar encaixando varias peças mentalmente — Faz sentido. — afirmou com a cabeça — Mas mesmo assim, sete meses seria tempo o suficiente pra superar uma pessoa. Acho que em sete meses, se supera umas cinco ou seis pessoas. — tagarelou, com toda sua casualidade.
— Mas isso é um absurdo. — Sakura falou ligeiramente perplexa — Não existe nada pra superar entre mim e o Sasuke. Nosso término foi consensual e natural. — completou, parecendo estar falando para si mesma.
— É, mas... Itachi sabe disso? Vocês já conversaram sobre isso? — Ino perguntou, sutilmente.
— Não tinha necessidade de falar uma coisa dessas. — a rosada rebateu imediatamente, soltando as mãos da amiga.
— Se eu tivesse uma namorada, que já namorou meu irmão, com certeza eu iria querer que ela me explicasse algumas coisas... — o loiro falou, procurando uma vaga para estacionar na praça.
— Talvez você devesse ver as coisas, pela perspectiva do Itachi... — a loira sussurrou.

A rosada procurou a expressão de Ino, e viu que a amiga a observava com cautela.

Deidara estacionou, e saiu do carro indo direto para a roda de garotos do terceiro ano. Ino perguntou se estava tudo bem com Sakura, e quando a rosada assentiu, a loira seguiu seu caminho para onde um grupo de alunos do segundo e do primeiro ano, estavam.

A praça das cerejeiras estava linda naquela manhã de inverno. Não tinha vento o suficiente para causar um real desconforto, mas era frio o suficiente para manter o lago congelado, e eventualmente alguns flocos de neve caiam, acumulando-se espalhados, em cima das árvores secas, e do chão, formando um lindo cenário branco e marrom.

A garota caminhou entre alguns grupos de alunos, cumprimentando-os superficialmente, para enfim ir até Itachi; Ele estava próximo ao lago, conversando com Sasori, Naruto, e Sasuke.

Quando Sakura se aproximou, ele foi o primeiro a ver; Sorriu minimamente para ela ainda a distancia, e ela tentou sorrir de volta.

— Oi gente, bom dia. — a garota cumprimentou, interrompendo rapidamente o assunto — Iai, oque eu perdi? — perguntou, afim de não atrapalhar a conversa.
— Ah, o de sempre... Naruto sendo idiota. — Sasuke respondeu impaciente.

Neste meio tempo enquanto Sasuke falava, Itachi segurou a garota pela mão delicadamente, e ela foi para o lado dele.

— Não é verdade! Eu preciso saber como vou pedir a Hinata em namoro. — o loiro se defendeu, fazendo bico.
— A família Hyuuga é bem tradicional... Então, é um grande episódio. — Sasori acrescentou, entendendo o lado de Naruto.

A essa altura, Itachi já havia passado o braço pela cintura de Sakura, e acariciava a mão dela com a ponta dos dedos, de forma bastante natural. Ele prestava atenção nos colegas, de forma que, fazia parecer que ele tocava na garota de forma inconsciente.

— Não me parece idiotice Sasuke. — Sakura comentou, tentando parecer casual aos toques do namorado.

Existia uma forte tensão física entre eles. Pelo menos ela sentia que existia. Cada vez que suas peles se tocavam, ela como se estivesse entrando em agonia, mas conseguiu domar essa sensação depois dos últimos meses. Domar, mas não erradicar.

— Mas eu já resolvi o caso. — o Uchiha mais novo falou, suspirando cansado — Falei pra ele ir la na casa dela, e avisar que estão namorando. — completou, tranquilamente.

Houve uma pausa dramática entre os cinco, na qual Naruto parou olhando para os demais com total perplexidade, e Sasuke fazia cara de pouco caso.

Itachi soltou uma risada rápida e nasal. Sakura ainda precisa conter o suspiro quando ouvia ele rir.

— Oque podemos dizer otouto... — ele começou, parecendo estar escolhendo as palavras — Nem todo mundo tem o mesmo nível de autoconfiança que você. — completou, sutilmente.
— Ou o mesmo nível de abuso. — Sasori corrigiu.
— Naruto, talvez você deva ir com calma... Tentar aos poucos, ser bem tradicional e educado. — Sakura aconselhou, recebendo o olhar aprovador de Itachi.
— Não tenho ideia de como posso ser assim. — o loiro confessou apavorado.

Sakura deu uma risada ao ver a expressão de pavor do loiro, e Itachi sorriu discretamente ao lado dela. Ela já havia percebido, que sempre que ela ria, e ele sorria também. Não importando o motivo.

— Vamos lá conversar com ela dobe. — Sasuke encorajou, fazendo uma carranca.
— Agora? — o loiro perguntou inseguro
— Agora. — o moreno confirmou, seriamente.
— Mas o Neji ta com ela agora. — Naruto retrucou.
— Eu vou ta la de apoio moral. Bora’ logo. — Sasuke insistiu, ficando impaciente.
— Grande consolo... — Naruto retrucou.
— Se ele tentar te bater, eu reajo. Se você travar, eu falo. Se ela tiver um ataque cardíaco, eu a ressuscito. Fechado? — Sasuke perguntou, contendo um sorrisinho arrogante.

Naruto fez uma careta, mas concordou. Assim, os dois foram conversar com Hinata, sobre Naruto ir pedi-la em namoro com casa, com Neji junto.

Sasori apenas ficou junto com o casal por poucos segundos. Ele trocou algumas felicitações de Natal com Itachi e Sakura, parabenizou a garota por ter passado de ano na escola, e se retirou.

Esse assunto de congratulações devido a passagem de ano letivo escolar, fez Sakura pensar em Itachi. Ele ficaria de receber a resposta da escola naquela semana, se fora reprovado devido a faltas, ou não.

— Ah, Itachi... Sobre a escola... Você conseguiu passar? — ela perguntou, tentando ser delicada com assunto.

O garoto entrelaçou os dedos nos dela, com uma mão, e puxou a outra mão dela para seu rosto. Ele se inclinou para frente, e deixou o rosto descansar na palma da mão dela. Sakura estava de luvas; Um par de luvas cor de rosa choque, presente de Ino.

— Ah, não se preocupa com isso. — ele falou, fechando os olhos lentamente, enquanto ela acariciava seu rosto de forma delicada — Eu não teria como passar, o cronograma estadual não permite um aluno com tantas faltas. — explicou, puxando a outra mão dela para seu rosto.

Sakura a esta altura estava tendo dificuldade de conversar. Era incrível como algumas demonstrações de afeto, das mais simples, a deixavam levemente desnorteada. Talvez Ino estivesse certa, talvez precisassem “consumar o ato” de uma vez, para enfim acabar essa agonia.

— Mas... Você tem, a... A...a... — ela balbuciou, tentando argumentar sobre o assunto, mas sua concentração já havia se esvaio; Estava mais preocupada em como o cabelo dele ficava lindo, com as gotículas de geada marcando os fios lisos... Parecia que o fundo branco do cenário de inverno, destacava o tom de castanho profundo dos cabelos, e dava mais ênfase a coloração de sua pele...

— Sakura? — ele chamou, abrindo os olhos, intrigado para saber do porque do repentino silencio — Oque foi? — perguntou, segurando as duas mãos dela tirando-as de seu rosto.
— Seu cabelo parece preto quando ta assim... — ela respondeu sem pensar.

Ele sorriu minimamente para ela, como se tivesse sido pego de surpresa;
Ela percebeu oque havia acabado de falar e sorriu constrangida. Merda, estavam falando da escola, e do ano letivo dele, era completamente sem sentido que ela fosse falar de cabelo.

— Pensei que meu cabelo já fosse, de fato, preto. — ele falou, vendo que ela estava ficando desconfortável com o silêncio.
— Não, não, não. — ela alegou, firmemente.

Ele a segurou pela mão, e começou a andar lentamente, por volta do lago congelado.

— Seu cabelo é castanho escuro. — ela confirmou, enquanto andavam lado a lado.
— É mesmo? — ele perguntou, parecendo verdadeiramente curioso — E oque mais eu não sei sobre mim? — ele instigou a garota, jogando o cabelo para o lado.

Desta vez, ela não teve como não suspirar. Mas conseguiu suspirar baixinho, oque já era um grande passo.

— A cor dos seus olhos! Não são pretos! — ela falou, entrando na brincadeira.
— Sério? Fui enganado por toda minha vida? — ele perguntou, fingindo perplexidade.

Ela confirmou com a cabeça, rindo baixinho.

— Ta legal, você venceu! Qual a cor dos meus olhos? — ele perguntou, olhando-a pelo canto do olho.
— Castanho médio! — ela afirmou imediatamente.

Ele parou de caminhar, e ela também. Ele se virou para ela, e ficaram frente a frente. Itachi estava com uma expressão de descrença, e ela, parecia absolutamente certa do que falava.

— Tudo bem, é absolutamente normal que homens não tenham essa noção de nuances que as mulheres tem. Nós somos dotadas de mais sensores oculares para maior percepção de cores. — ela tagarelou, balançando a mão que segurava a mão dele.

Itachi ficou calado, observando-a por longos segundos.

— Oque foi? — ela perguntou preocupada, e mexeu em sua touca bege de crochê, achando que tinha algo errado em seu rosto, ou em seu cabelo.

Ele tirou a mão dela de seu cabelo, e ajeitou a touca que ela havia acabado de tirar do lugar.

— Adoro quando você fica toda sabidinha. — comentou, contendo o riso.
— Não to sendo sabidinha! — ela retrucou, rabugenta.

Ficava tão constrangida quando ele dizia que adorava quando ela ficava, “sabidinha”, ou “nervosinha”. Era de matar.
A garota deu dois tapinhas nele, e começou a resmungar, quando viu que ele estava rindo dela, mas ele não deixou a birra chegar longe, pois logo a abraçou e apertado, e começou a rodar com ela presa em seus braços.

Em poucos segundos, Sakura estava tão tonta, e rindo tanto, que já havia se esquecido de qualquer coisa, e só lembrava de gritar para ele parar.

Quando ele parou, ela quase caiu no chão, de tontura e fraqueza, devido aos risos, mas ele a segurou pela cintura, e a firmou de pé, segurando em suas mãos.

Ela tentava conter as risadas, e ele a olhava com ternura. Ficaram em silêncio por alguns segundos se encarando. Ela admirava como ele era incrivelmente lindo, engraçado, incrível, inteligente, educado, maravilhoso, alto, e lindo, e lindo de novo...

— Você me deixa maluco quando fica assim. — ele comentou, olhando-a com uma sobrancelha erguida.
— Assim? Como? — ela perguntou preocupada, piscando demoradamente.
— Me olhando sem falar nada. — ele disse, tentando soar naturalmente — Você nem pisca. — completou, só pra exagerar um pouco.

Só podia ser exagero não é?!

— Eu gosto de te admirar. — ela disse sem graça, virando o rosto para o outro lado — Não tenho culpa se você não tem a mesma necessidade. — completou baixinho, acusatória.
— Você acha que eu não te admiro... — ele perguntou, realmente surpreso — Fisicamente? — completou, juntando as sobrancelhas.

Ela olhou para ele de lado, fazendo uma espécie de bico duvidoso.

— Hmm... — ela resmungou, fazendo manha, e finalmente se virou para ele.

Ele soltou as mãos dela, passou uma mão no cabelo e respirou fundo. Sua respiração estava começando a fazer fumaça no ar, que indicava que estava esfriando; Mas, Sakura não estava se sentindo desconfortável com o clima.

— Eu tenho um desenho seu, emoldurado na parede do meu quarto. — ele contou, com muita naturalidade.

Sakura riu, achando que era piada. Ele continuou sério, olhando-a como se ela fosse louca.

— Fala sério. — ela exclamou descrente, e recomeçou a andar, para mais próximo do lago congelado.
— Já desenhei você algumas vezes. — ele comentou, seguindo-a.
— Sério? Você sabe desenhar, tipo, traço humano? — ela perguntou, olhando-o de lado, com choque.

Ele deu de ombros. Como sempre, humilde demais.
Sakura se perguntou se existia alguma coisa que ele não sabia fazer.

— Eu diria que não é grande coisa, mas como a pessoa que eu desenhei, é a garota mais linda que esses meus olhos castanhos médio já viram, não posso dizer isso. — ele falou, todo cheio charme.

Teve direito até a um sorrisinho de canto de boca.
Sakura sentiu suas pernas tremerem. Ele percebeu, mas foi educado o suficiente para disfarçar.

— Jura? — ela perguntou, em um sussurro sonhador — Posso ver? — perguntou, quase jogando-se nos braços dele.

O moreno a segurou, e abraçou. Encostou o queixo no topo da cabeça, sentindo o cheiro de shampoo pela touca que ela usava.

— Se você quiser mesmo... — ele respondeu simplesmente.

A garota se afastou dele para olha-lo nos olhos, quase quicando de ansiedade. Claro que queria ver, queria saber como ele a via.

— Eu quero! — ela garantiu, animada.
— Tudo bem. — ele deu de ombros, desviando o olhar — Mas você vai ter que entrar no meu quarto, e procurar. Não faço de ideia de onde guardei. — completou.

Sakura pensou que era absurdo Itachi não saber onde estava alguns de seus pertences, ele era ainda mais organizado que Sasuke... Se não conhecesse bem seu namorado, diria que ele estava sendo malicioso... E isso, acabou fazendo com que ela se lembrasse do assunto fatídico que teve com Ino e Deidara no caminho para a praça.

— Lá vamos nós de novo... — ele começou cheio de ternura e paciência, tomando a atenção da garota para si novamente — Por que tá’ com essa carinha, minha flor? Se quiser ir, não precisa. Eu trago o desenho pra você qualquer dia... — ele completou, tocando delicadamente entre as sobrancelhas dela, que estavam inconscientemente franzidas devido aos pensamentos prévios.
— Não, não é nada disso! — ela garantiu, alarmada — É só que... Eu tive uma conversa com... Não, quer dizer, eu acabei percebendo que você... Que eu... Não, a gente! Isso, a gente... — ela balbuciou, exasperada, falando tão rapidamente, que acabou quase histérica e ofegante.

Itachi a segurou pelos ombros delicadamente, e então a puxou pra um abraço. Ela o abraçou imediatamente, enquanto ele afagava as costas dela, com carinho.

— Sakura, você não precisa lidar com nada que te deixa desconfortável ou infeliz. — ele começou a falar em um tom compreensivo — Mas, se tem algo que você queira dizer, eu vou ouvir e entender perfeitamente, não importa oque seja. — completou, afastando-se apenas para olha-la nos olhos.

A garota piscou e o encarou de volta. Ele parecia absolutamente compreensivo, e seguro, mas havia preocupação em seus olhos.
Ela tentou falar por duas vezes, mas acabou abrindo e fechando a boca duas vezes, sem emitir som algum. Ele esperava com paciência, segurando-a pelas mãos, parados frente a frente.

— Não é nada do que você ta pensando... Eu não tenho problema nenhum em ir na sua casa, ou entrar no seu quarto. Eu passei bastante tempo no seu quarto na sua recuperação lembra? — ela falou de uma só vez, tão rapidamente que ele quase não entendeu.
— Claro, eu lembro. Mas, você estava cuidando de uma pessoa ferida, e desde que eu me recuperei, você não foi mais lá. Talvez agora, as coisas tenham uma conotação diferente, e eu não quero que você se sinta desconfortável, ou pressionada. — ele explicou-se, delicadamente, escolhendo cada palavra minuciosamente, enquanto olhava nos olhos da garota com cautela.

Sakura abriu a boca em um pequeno ‘o’. Itachi era incrível em várias interpretações da palavra, mas quando se tratava de eufemismo, ele era o mestre.

— Você é muito bom é gramática, não é? — ela perguntou, ligeiramente irritada.
— Modéstia parte, sou um pouco sim, porque? — ele perguntou, parecendo confuso pelo rumo da conversa.
— É notável, já que é óbvio que consegue usar o eufemismo de forma excepcional! — ela falou elevando a voz levemente, e abaixou a cabeça, tentando segurar o choro.

Por que diabos ele simplesmente não podia desenrolar toda essa situação e acabar com essa maldita tensão sexual que existia entre os dois? Por que ele precisava tanto faze-la, passar por esse purgatório? De novo? Ele iria rejeita-la novamente?

Florzinha, você vai chorar? — ele perguntou, com a voz quebradiça de dor — Me perdoa, me desculpa. Não foi minha intenção. — completou em um sussurro sofrido, puxando-a novamente para perto de si.

Sakura estapeou o braço dele, e virou de costas, fungando. Só de ouvir a voz dele daquele jeito, já era um motivo a mais para ela desmoronar. Contudo, não iria chorar, não iria.

— Ok, ok. — ela falou, respirando fundo — Você sabe pelo que tá’ se desculpando, pelo menos? — ela perguntou, virando-se para ele novamente.

Ficaram frente a frente novamente. A expressão de Itachi, era de alguém que estava tentando esconder a dor. Seu maxilar estava trincado, e as sobrancelhas pareciam rígidas, mas os olhos... Os olhos pareciam águas escuras, liquidas, completamente derretidas em agonia. Sakura odiava-se quando causava isso nele.

— Eu posso imaginar inúmeros razões pelas quais, você tem motivos pra querer eu peça desculpas. — ele respondeu, com a voz baixa e profunda.
— Não me enrola Itachi, responde a pergunta. — ela respondeu com um traço de humor na voz.

Era absurdo como ele sempre carregava o peso do mundo nas costas, e se sentia culpado de tudo.

— Não é sobre mim Sakura, é sobre você. — ele insistiu em ludibria-la, e se aproximou novamente, desta vez, segurando-a pela mão.
— Você não sabe porque pediu desculpas, mas pediu assim mesmo. É absurdo... — ela falou levemente chocada.
— Eu te irritei com o eufemismo? — ele perguntou, erguendo uma sobrancelha.

Se encararam, e ela riu.

— Deuses, você falou como se eufemismo fosse um crime, e não uma figura de linguagem! — ela falou, com divertimento.

Mas ele estava sério.

— Itachi, o caso é que... Você ta fazendo aquilo de novo. — ela falou, desviando o olhar.

Ele apertou os dedos dela levemente, mas ela não olhou para ele. O moreno precisou chegar mais perto, e toca-la no rosto para encontrarem os olhares.

— Aquela coisa que você fez da outra vez, e isso me deixa meio insegura. — ela explicou, olhando para o lado deliberadamente.
— Você tá’ falando daquele dia na sua casa? — ele perguntou, usando um tom bastante incomum.

Ela olhou para ele com urgência para ver sua expressão, devido ao tom de voz. Seu rosto condizia com o tom de voz. Itachi havia utilizado “o tom de sedução”; Esse tom era quando ele falava com a voz meio rouca e bem suave, e junto com isso, vinha a expressão de malícia, acompanhada com uma pequena mordida no lábio inferior. Nem todas podiam suportar isso.
Itachi, assim como Sasuke, tinha a habilidade de se expressar muito bem, apenas pela entonação vocal, Sakura estava começando a pensar que talvez fosse algo de família, mas esse “tom de sedução” de Itachi, era algo realmente raro, e único. Ela usava tão pouco, que Sakura podia dizer com toda certeza que esta era a segunda vez que ele usava este tom em específico, nos últimos sete meses. A outra vez foi quando Sakura pegou uma chuva, há uns quinze dias, e acabou toda molhada; Ela estava sem sutiã, e seus seios ficaram arrepiados com o frio... Sakura sempre sentia tremores quando lembrava do comentário que havia feito naquele dia...

— Você tá’ falando daquela dia na sua casa. — ele afirmou, depois de alguns segundos vendo a expressão no rosto da rosada.

Sakura sentiu as bochechas esquentarem imediatamente.

— Eu sei que você acha que eu ainda não superei o Sasuke mas... Não existe nada pra superar, eu juro. Tudo oque eu quero é ficar com você. — ela afirmou, encarando-o fervorosamente, afim de passar no olhar a verdade de suas palavras — Eu quero muito, você, sabe?! — completou, em um sussurro tímido, com o olhar no chão.
— Olha pra mim. — ele pediu, quase autoritário.

Sakura olhou imediatamente. Se tinha algo que era raro de Itachi fazer, era ser autoritário, ou mandão.

— Meus sentimentos, vão além da minha vontade de transar com você, mas isso de forma alguma, significa que eu não te queira como mulher. — ele falou seriamente, tocando queixo dela para que ela não desviasse os olhos.

Sakura sentiu o rosto arder com tanta intensidade, que até o couro cabeludo formigou.

— Eu só queria ser compreensivo com você, minha flor. — ele explicou, pacientemente — Mas se você quiser, eu posso ser um pouco menos delicado... Confesso que não seria esforço algum pra mim. — completou, com um divertimento malicioso.

A garota engoliu em seco mediante ao olhar quase predatório ele lhe lançara.

— Eu não to reclamando do jeito que você me trata... É só que... — ela foi falando, mas se perdeu no meio do raciocínio, quando ele tocou os lábios em seu pescoço.
— Se você tivesse me falando isso antes, a gente já poderia ter resolvido isso há três meses atrás. — ele sussurrou, próximo a orelha direita dela.

Oh céus, definitivamente ele estava usando aquele tom.

— Resolvido isso... ? — ela repetiu, em um sussurro fraco.

Ele colocou as mãos nos quadris dela, e foi subindo os dedos por dentro do casaco de frio que ela usava. Ela tremeu ao sentir as mãos dele chegando quase em seus seios.

— Uma garota tão deliciosa como você, carente... É um problema. — ele falou, descendo os lábios pelo pescoço dela.

Naquele momento, ela nem lembrava mais que estava em público. Jogou os braços em volta o pescoço dele, e suspirou, oferecendo o pescoço sem a menor vergonha.

— Minha namorada me querer tanto assim, e eu não fazer nada a respeito... Isso é um problema, não é? — perguntou, naquele tom de divertimento malicioso.

Sakura suspirou profundamente, e acenou com a cabeça meio tonta... E, ele tocou o bico do seio dela, e apertou rapidamente. Ela soltou um gemido tão surpreso, que saiu uma espécie de gritinho.

Algumas pessoas que estavam sentadas no banco há dez metros ouviram, e olharam para o casal, levemente chocadas.
Itachi colocou suas mãos em volta da cintura dela, e se afastou um pouco afim de mostrar as pessoas do banco, que estava tudo bem.

Sakura parecia que estava hiperventilando; Nunca, jamais em sua vida, pensou que Itachi faria algo do gênero com ela. Principalmente em público... Ele era sempre tão reservado!

Ela olhou para ele, e viu que havia um brilho quase perverso em seus olhos, enquanto ele olhava de volta para ela. Um sorriso que mesclava malicia e maldade, brincava em seus lábios.

— Acho que você assustou aquele pessoal. — ele comentou, apontando com a cabeça discretamente as três garotas no banco — Você deveria se mexer, pra mostrar que eu não te fiz nada de grave. — completou, ainda com aquela mesma expressão.

A garota piscou e balançou a cabeça, se situando. Respirou fundo, e desceu as mãos para as costas dele.

Alguns segundos se passaram, e as garotas do banco pararam de encarar, mas Sakura ainda o encarava, quase paralisada.
Agora ele tinha uma expressão mais suave, porem ligeiramente sapeca.

— Que foi? — ele perguntou cinicamente, pendendo a cabeça ligeiramente para o lado.
— Oque foi?! — ela repetiu retoricamente, com um sorriso meio constrangido — Acho que nós fomos ao extremo com muita rapidez. Você me trata como se eu fosse sua irmã por sete meses, e depois quase me mata com um surto de erotismo público. — ela falou, tentando usar o sarcasmo para disfarçar a tensão que ainda sentia.

Seu corpo ainda formigava levemente, seu coração ainda estava disparado, e o seio que ele havia tocado, ainda estava rígido.

— Irmã? — ele perguntou com descrença, e a segurou pela mão para começarem a caminhar — As coisas que eu penso com você, definitivamente não são pensamentos fraternais. — ele completou, dando uma rápida risada divertida.

Sakura abriu a boca levemente, andando ao lado dele.

— Você tem pensamentos eróticos comigo? — ela perguntou, em uma mescla de choque e animação.
— Você acha que eu sou oque? Algum tipo de santo? — ele perguntou com descrença, olhando-a cheio de ironia.
— Você parece que é. — ela se justificou pensativa — Bom, pelo menos parecia. — completou, corrigindo-se.

Ele parou de supetão, e beijou a ponta do nariz dela com carinho, fazendo-a dar um sorriso inocente.

— Se você achou que esse carinho que eu fiz há poucos minutos atrás, foi “ um surto de erotismo público” , com certeza não vai sobreviver se eu te contar oque eu penso, sobre você e eu. — ele confessou cheio de naturalidade, mas com o olhar malicioso.
— Você não precisa contar... — ela sussurrou de volta, com a voz falha — Pode fazer. — completou, engolindo em seco.

Ele olhou para ela de cima a baixo, e fechou os olhos rapidamente, como se estivesse imaginando algo. Poucos segundos depois, ele abriu os olhos de supetão, e um brilho perigoso estava ali.

— Você não deveria me dizer isso... Eu posso acabar com suas chances de usar o substantivo “moça”, em qualquer conotação que exista. — ele sussurrou, e mordeu o lábio inferior rapidamente.

Sakura escancarou a boca, perplexa. De repente, seu calor aumentou ainda mais, mesmo que fosse obvio que havia esfriado.

— Não precisa fazer essa cara, você sabe que eu nunca vou fazer nada que você não queira... — ele falou carinhosamente, e tocou o rosto dela cheio de ternura — E também, a gente pode ir devagar. — completou, inclinando-se para beija-la.

Tocaram as testas levemente, e então tocaram os lábios. Ela lambeu o lábio inferior dele, e deu passagem para o beijo.
Logo estavam se beijando como nunca haviam feito em público. O beijo tinha direito a estalos sórdidos, e mãos que deslizavam da cintura para as pernas.

Sakura não sabia dizer quanto tempo se passou, mas estava começando a transpirar por baixo do casaco, quando ele, surpreendentemente, mordeu o lábio dela e sussurrou um nada descente “ Vamos pra minha casa, pra eu morder outras partes suas.”

A rosada se afastou dele de supetão, e o encarou sentindo que poderia entrar em combustão.

— Acho que agora é a minha vez que dizer, que você não precisa fazer nada que você não queira. — ela falou, ligeiramente ofegante com a mão sobre o peito, enquanto tentava acalmar o coração.

Estava tão vermelha, que podia sentir o rubor em suas faces.

— Eu to fazendo oque eu sempre quis fazer. Eu só era mais contido, porque queria te mostrar que eu posso respeitar sua vontade, e que sei colocar os sentimentos acima das minhas necessidades físicas, mas agora que você me disse que tem as mesmas necessidades que eu, me sinto mais livre pra me redimir desse tempo todo que fiz a gente esperar. — ele se explicou casualmente, enquanto voltava a prender os cabelos, que ela havia soltado e sequer percebeu — Mas se quiser, a gente pode ir mais devagar, é só você me falar, que eu faço. — ele completou, como o típico bom moço que ela conhecia.

A garota respirou fundo, e sorriu, oferecendo a mão para ele pegar, e voltarem a andar.

— Vamos achar um ritmo só nosso. — ela afirmou.

Andaram por poucos minutos, e depois socializaram com mais algumas pessoas; Então, a geada começou a se transformar em uma suave nevasca, e todos precisaram se retirar, para não correr o risco de ficarem presos ali, caso a nevasca aumentasse.

— Quer que eu te leve pra casa? — ele perguntou naturalmente, enquanto abria a porta do carro para ela.

Poderia parecer uma pergunta comum, mas Sakura sabia oque ele queria dizer agora.

— Claro. — ela assentiu, quando ele entrou no carro, sentando-se ao volante.

Ele lançou um olhar perspicaz para ela, antes de dar a partida no carro.

— Agora você vai me fazer esperar... — ele comentou, sutilmente enquanto dirigia — Tudo bem, é justo! Eu espero o quanto você quiser. — completou, pacificamente.

Sakura sorriu para ele, pensando em como ele conseguia ser tão paciente com suas maiores neuroses, e seus maiores caprichos. Saber que ele podia ser incrivelmente ameaçador como fora com Madara, mas preferia ser gentil como sempre era... Que poderia ser completamente sedutor e irresistível como fora com ela há alguns minutos atrás, mas preferia ser delicado e controlado, era oque mais deixava ela encantada.

Saber que ele poderia ser perverso e malicioso, mas ele ainda sim, escolhia ser gentil e carinhoso, era oque fazia Sakura quere-lo ainda mais.

x-x-x

Sakura tinha um plano, então assim que chegou em casa depois do encontro na praça das cerejeiras, ligou para Ino, e pediu para loira comprar algo em específico de presente de final de ano para ela.

No dia 24 de Dezembro, pela tarde, Sakura passou na casa de Ino. A rosada iria passar o Natal na casa dos Uchihas, então precisava passar na casa de Ino, pegar sua “surpresa”, antes de ir para lá.

O apartamento dos Yamanaka estava todo decorado no maior estilo natalino, mas Sakura não teve tempo de notar a decoração, sua amiga a recebeu na porta quicando de animação, e saiu a arrastando para o quarto sem demora.

— Ok, você não foi muito específica, então eu tomei a liberdade de comprar três tipos diferentes. — a loira começou, tentando manter o controle.

Sakura assentiu, seriamente, esperando.

A loira foi até o guarda roupa e tirou de lá três sacolas pequenas, e as colocou em cima da cama, com a maior seriedade. Evidentemente, eram de griff.

Sakura foi até elas, e abriu a primeira. Tirou a peça que estava lá dentro. Era uma lingerie branca, e simples. Com um sutiã sem alças, porem bem trabalhado em rendas e babados, a calcinha era média levemente cavada na parte de traz, igualmente branca, com lacinhos dourados dos lados.

Sakura se imaginou vestindo aquilo. Ok, era viável.

Foi até a segunda peça. Esta era levemente mais ousada. Dourada. O sutiã era de alças feitas de um delicado traçado de fios brilhantes, havia um pequeno bojo com estrelinhas, e o fecho era na frente. A calcinha tinha o mesmo designer de traçado de fios nas laterais, a mesma cor dourada, e era mais reveladora na parte de trás.

Sakura franziu o cenho para Ino quando voltou a guardar esta peça, mas, tudo bem, poderia utilizar se bebesse um pouco mais de champanhe na noite.

A terceira peça, era ligeiramente intimidante. Era vermelho escura, daquele tom de vermelho que Itachi adorava, um vermelho que parecia preto; Sakura havia dito a Ino que esta era a cor favorita dele.
Não havia um simples sutiã, e sim um corpete de tecido justo trançado nas costas, sem alças e um pequeno bojo cheio de purpurina preta. A calcinha seria quase normal, se as laterais não fossem tão finas, e a parte trás, não houvesse um laço bem sugestivo. A coisa toda já seria muito impactante, sem aquela uma meia calça arrastão, vermelha escura.

A Haruno olhou para a loira barbarizada.

— Ino, acho que você pode ficar com esse conjunto vermelho pra você. — falou desviando o olhar da amiga.
— Ah qualé’ Sakura, larga de ser tão sem graça! — a outra repreendeu — Esse corpete é bem comum, é da pra usar com uma calça jeans e um bolero pra sair a noite. — completou, observando a peça analiticamente.
— Ok, então você usa. — a rosada falou rapidamente, recolhendo a peça branca e a dourada — Eu agradeço imensamente que você tenha atendido meu pedido, e ir comprar lingeries pra mim de presente de final de ano, mas essa vermelha aqui, você pode ficar pra você! — tagarelou, jogando a peça vermelha em cima da amiga.

Ino rolou os olhos e segurou a peça calmamente.

— Sakura, são só roupas. — a Yamanaka falou, tediosamente — Elas não vão te machucar, achei que já tivéssemos tido essa conversa. — completou, ironicamente, enquanto balançava a peça na frente da amiga.

Sakura levantou da cama, e agitou as mãos para Ino tirar a lingerie de sua cara. A garota parou em frente ao espelho, e se analisou.
Já estava arrumada para a celebração de Natal. Mikoto disse que ela deveria chegar as 18h, e passar a noite por lá, como convidada; Segundo ela, muitos familiares e amigos da família estariam presentes e passariam a noite por lá também; Logo Sakura já fora para casa Ino as 16h arrumada, planejando ir para a ceia de Natal dos Uchihas, direto dali; Mas agora, ali, com as peças íntimas que pedira a Ino para comprar, a ideia de ter sua primeira vez com Itachi naquela noite, estava mais concreta, mais real... E isso, lhe trazia um certo desespero.

Fora muito fácil pedir para Ino comprar aquelas coisas, quando estava com o cérebro inebriado de Itachi depois que chegou em casa da praça das cerejeiras; Mas agora, depois de dois dias, a perspectiva era mais assustadora.

— Ah, não, não, não não! Na-na-ni-não! — Ino decretou, puxando Sakura pelos ombros para encara-la — Eu conheço essa cara, você ta amarelando! — acusou — Você não vai amarelar agora Sakura Haruno! Não vai! — completou, colocando o dedo no nariz na outra.

Sakura encarou o dedo de Ino por alguns segundos, e depois fez um careta de puro nervosismo.

Ain amiga, eu to tão nervosa. — a rosada começou a desabafar, fazendo cara de choro — Eu não quero amarelar, mas não quero fazer nada errado também! Ele é tão lindo, gentil, inteligente, maravilhoso, humilde, e experiente... Ele é tão bom comigo, tem paciência com as minhas loucuras, e não acha minhas manias esquisitas. Ele beija tão bem, e agora que ele parou de fumar*, percebi que ele é ainda mais cheiroso do que eu imaginava. Não posso estragar tudo com ele! Não existe ninguém no mundo igual a ele. — desatou a falar, em uma velocidade quase supersônica.

Ino entendeu, porque... Bem, mulheres entendem essas coisas.

Awn amiga, você não vai estragar nada. Vai dar tudo certo, você vai ver! — Ino a tranquilizou, oferecendo-se para um abraço.
— Eu amo tanto ele! — a rosada confessou, e abraçou a loira, começando o choro.
— Eu sei amiga, eu sei... Ele te ama também. — Ino garantiu, afagando as costas da amiga fraternalmente.
— Eu sei! — Sakura respondeu, com a voz embargada — O cabelo dele é tão perfeito! Ele se veste tão bem! Não sei oque ele vê em mim! — completou, histérica, agarrada em Ino.

E aquela tarde, só teve fim as 18:30, quando a loira finalmente acalmou Sakura, a arrumou novamente, e a mandou para a mansão Uchiha, completamente atrasada, mas com todas as lingeries dentro da bolsa.

Sakura chegou na mansão Uchiha, quase as 20h. Ela estava certa em escolher aquele vestido de festa de uma alça só, vermelho escuro, pois a ocasião era realmente chique. A sala estava reorganizada, e cerca de vinte convidados transitavam para lá e para cá, bem vestidos, e bebericando vinho ou champanhe.

Mikoto estava na porta, terminando de falar algo com a governanta, quando Sakura entrou.
A senhora Uchiha estava radiante com um vestido verde escuro longo com um decote elegante, seu longo cabelo escuro estava preso em um coque, e ela ostentava joias de bom gosto.

— Sakura querida, que bom que chegou! — cumprimentou-a, com um sorriso caloroso.
— Ah, boa noite Mikoto-sama, é uma honra poder comparecer a sua celebração... — a Haruno falou, curvando-se rapidamente para a anfitriã.

Agora que Fugaku estava preso, Mikoto havia se tornado a dona da casa, e das empresas.

— Para com isso! Ah, por favor, Sakura! Essa formalidade toda, depois de tudo que passamos por causa do meu Itachi?! — perguntou retoricamente.

Sakura sorriu ligeiramente constrangida. Nunca vira a senhora Uchiha tão cheia de vida e tão cheia de opiniões. Ela era sempre uma figura secundária e submissa, ao lado de Fugaku. Talvez ele ter sido preso, tivesse seu lado bom... Como Sasuke disse, há males, que vem para o bem.

— Ah, é modo de falar. — Mikoto se corrigiu — Agora, ele é nosso Itachi não é?! — riu-se, parecendo deliciada — Não precisa ficar tão constrangida, é de meu agrado que você seja minha nora. — completou, mais polida.
— Isso me deixa muito feliz. — a garota falou, com um sorriso radiante.
— Você é da família agora! Eu só posso agradecer por tudo que você fez e faz pelos meus meninos! — a morena falou, gentil — Agora se me der licença, preciso resolver o caso dos canapés. E você, por favor, fique a vontade, aqui só tem amigos. — falou, já se afastando.

A rosada ficou ligeiramente zonza por alguns segundos, e então alguém segurou seu ombro. Ela se virou, visualizando a figura impecável de Sasuke. Estava com uma camisa social de linho branca, e calça social de algum tecido tão caro, que ela sequer conhecia. Os cabelos, estavam brilhantes e úmidos, e ele usava mais um daqueles seus tênis importados.

— Sakura! — ele falou, parecendo exasperado — Que bom que você veio! Viu o Naruto? — perguntou, dando um daqueles seus característicos puxões.

A garota cambaleou e quase caiu de seus saltos. Agora que passava mais tempo com Itachi, havia desacostumado ao jeito meio bruto de Sasuke.

— Que houve com você? Ta mole? — o moreno perguntou, em uma mistura de choque e preocupação.
— Que mole oque garoto?! — ela respondeu, dando com o bolsinha no braço dele — Não vi o Naruto, porque? — ela perguntou, aprumando a postura elegantemente.
— Ele sumiu com a Hinata tem meia hora. — Sasuke começou a explicar — Daqui a pouco o Neji vai perceber que eles não tão por aqui. — completou, em um sussurro.

Sakura precisou se aproximar bastante dele para ouvir oque ele dizia. Mas a proximidade não era estranha, ou tensa, eram apenas dois amigos, trocando confidencias.

— Neji e Hinata, então aqui? — ela perguntou perplexa, em um sussurro chocado — Cadê? — completou, colocando a mão na boca.
— Ah, deixa pra la. — ele falou impaciente, e saiu andando.
— Sasuke você precisa me explicar isso. — ela retrucou, seguindo o amigo.

Um garçom passou com uma bandeja de taças vinho tinto. O garoto pegou duas taças, e entregou uma a Sakura.

— Tenten tá ‘distraindo’ o Neji no quarto da Akane, e o Naruto e a Hinata tão não sei aonde. — ele contou tenso, e virou sua taça de vinho.

Sakura abriu a boca meio chocada e foi bebericar seu vinho, mas não deu tempo, Sasuke tomou sua taça, e bebeu também.
Ela ficou o encarando perplexa.

— Gentil da sua parte. — ela debochou, de braços cruzados.
— Gentileza, é meu nome do meio. — ele rebateu, no mesmo bom de deboche.

Sakura mostrou o dedo do meio. Ele fez pouco caso.

— Fica de olho pra mim, ok?! Se você ver algum deles, me manda mensagem, eu vou ficar grudado no celular. — falou rapidamente, e saiu, deixando as duas taças vazias nas mãos de Sakura.

Era óbvio que Sakura havia entendi que Sasuke e Tenten, haviam feito um plano para distrair Neji e deixar Hinata ter um tempo livre com Naruto, mas isso não justificava ele tomar o vinho de Sakura e deixar as taças com ela. O velho Sasuke, estava completamente de volta!

A garota saiu andando, procurando algum garçom para devolver as taças, mas não achou, então, resolveu ir para cozinha, entregar as taças por lá mesmo.

Quando entrou no aposento, viu que ele estava bem movimentado. Duas mulheres e dois homens andavam de um lado para outro, pareciam os cozinheiros e seus assistente. E os três garções da noite, estavam ocupados recebendo instruções da governanta.

Ela cumprimentou o pessoal meio sem graça, sentindo-se intrusa, e colocou as taças em cima da pia rapidamente, afim de sair dali o mais rápido possível.

Mas, como que por mágica, no exato segundo que Sakura estava para sair da cozinha, a porta de vidro dos fundos da cozinha se abriu, trazendo o cheiro do perfume de Itachi para dentro em uma brisa noturna. A garota se virou, e olhou para a porta, constatando que Itachi realmente estava ali, na varanda dos fundos da cozinha.

Ele segurava a porta da cozinha aberta, com a cabeça virada para o lado, enquanto conversava. Estava lindo como sempre! Usava uma touca azul de tecido fino na cabeça, e uma camiseta social cinza escuro, com as mangas dobradas nos cotovelos, calça jeans escura, e tênis estilo botas masculinas. Sakura chegou a sorrir, só por vê-lo! Mas o sorriso morreu, quando a segunda companhia apareceu, atravessando a porta que ele segurava, toda sorrisos.

Alta, magra, seios avantajados e espremidos no vestido tomara que caia justíssimo azul cobalto.
Com o característico cabelo azul, e piercing no lábio, a ilustre modelo internacional Konan.

Quando a viu, Sakura torceu o rosto inconscientemente. Ainda guardava aquela cena de Itachi e Konan no shunbun, mesmo que soubesse que o moreno não havia ficado próximo dela na comemoração da primavera para protege-la, ele não hesitou em ficar perto de Konan, e isso não fazia o menor sentido para ela. Entretanto, Sakura resolvei não fazer alarde da situação, afinal, não queria remoer assuntos passados... Mas com Konan ali, conversando com Itachi com fundos da casa, o assunto havia deixado de ser passado, e passava a ser bem presente.

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N.A.: * É meio óbvio que o Itachi precisaria parar de fumar depois de um tiro no pulmão, né?! asiodhasoidhaisodh

Notas finais
Espero reviews, e mais uma vez, desculpas pelo epílogo ter ficado tão grande ao ponto de precisar dividir! Mas o próximo fecha a fanfic, sem dúvidas. Beijos sz'