How much I love U.

35 Capítulo 34 - FINAL - Nosso para sempre.


Notas iniciais
LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! LEIAM AQUI! Volteeeei! Então gente, esse capítulo final! Maas tem um epílogo ainda, não surtem! Para quem não quiser saber das burocracias judiciais, e como aconteceu toda a situação na mansão Uchiha, pode passar essa parte, ou ler depois, porque ficou um pouco extensa, porem eu não tinha como não explicar! MAS O FINAL ONDE O SASUKE E A SAKURA CONVERSAM, É CRUCIAL OK? Desculpem os erros que virão a se seguir, e pelo fato de capítulo ter ficado tão grande! Capítulo em torno da visão do Sasuke, depois que saíram da mansão na ambulância. Sem mais boa leitura sz'

Estava consciente, e bem acordado quando viu a enfermeira gritar dentro da ambulância “ Estamos perdendo ele.
Estava bem lúcido e orientado quando ela se virou, e perguntou qual era o nome do seu irmão, e se podia conversar com ele.
Estava bem firme na realidade quando se abaixou no mínimo espaço da ambulância e esbofeteou a cara de Itachi, por ele ousar estar se entregando a morte.

Ficou perplexo quando o paramédico disse, que se fizesse aquilo de novo, iria seda-lo; Mas resolveu ignorar a absurda ameaça do homem, e começou a chamar pelo nome de seu irmão, e a conversar com ele. Mais precisamente ameaça-lo. A equipe de resgate ficou perplexa de início, mas resolveu que estava tudo bem, quando viu que as conversas de Sasuke, estavam tirando Itachi da escuridão da inconsciência.

Enquanto ele falava com Itachi, sobre como iria destruir o mundo com atos terroristas, e como Sakura ficaria arrasada se ele ousasse morrer, a enfermeira tirou a parte de cima das roupas de Sasuke, deixando-o apenas de calça e sapatos, e começou a mexer no lado esquerdo de seu abdome; Tinha uma leve consciência de que alguma coisa ali estava machucada, porque estava ardendo, mas não conseguia dar atenção a isso, quando seu irmão se esvaia em sangue.

Chegaram ao hospital público e dois médicos foram recebê-los na porta. Todos os olhos voltados para Itachi. Sasuke ficou satisfeito em ver que estavam preocupados com seu irmão, mas queria ficar por perto o quanto pudesse, então foi seguindo a maca de Itachi até quando chegou a porta dupla de “ Não ultrapasse, apenas equipe cirúrgica.”

Sasuke parou sem precisar que ninguém o tirasse de cima de seu irmão, e então voltou o hall do hospital, afim de falar com alguém na recepção.

— Boa noite, meu nome é Sasuke Uchiha, e eu sou irmão do cara que acabou de entrar pra cirurgia. O nome é Itachi Uchiha, ele tem 17 anos, e é alérgico a dipirona. — foi direto ao ponto.

A senhora da recepção olhou para ele com perplexidade nos primeiros segundos, e então sorriu calidamente.

— Ah querido, tudo bem, não precisa cuidar destas formalidades, sua mãe já passou por aqui, a senhora Mikoto Uchiha, certo?! — a mulher falou pausadamente, cheia de tato — Ela foi para o hospital particular com a senhorita Akane Uchiha, e já cuidou de toda a formalidade pra você seu irmão. Quando a cirurgia acabar, vocês serão mandados para o hospital particular, para todos ficarem juntos. — completou, com ternura.

Sasuke assentiu compreensivamente, e parou rígido, escorado na bancada da recepção. Sabia que Madara havia amordaçado Akane e sua mãe no quarto de hospedes no segundo andar depois que elas ficaram desacordadas, sabia que ele havia agredido-as fisicamente.

Foi bem na sua frente.

Akane desmaiou no primeiro tapa que recebeu, ela estava dormindo quando Madara chegou, a acordou e estapeou com tanta força, que ela bateu com a cabeça no criado mudo e ficou caída por ali mesmo. Mikoto ouviu o barulho e correu para ver oque estava havendo, e quando se deparou com um Sasuke imóvel, que assistia Madara estapear sua filha, correu para socorre-la, e então ela acabou sendo acertada por sonoro soco, e acabou largada no chão junto com Akane.

— Querido, você pode se sentar, e esperar calmamente. — a senhora falou, desligando o telefone — Seus amigos estão vindo te amparar, vai ficar tudo bem. — completou, convicta.
— Hm. — ele assentiu seriamente.

A senhora da recepção ainda o olhava com algo que mesclava ternura e piedade, então ele resolveu ir se sentar. Não aguentaria aquele olhar.

Tinha noção das três pessoas da sala de espera da emergência. Uma mulher com uma criança que resmungava e fungava, em seu colo, parecia resfriada e febril. E um homem de meia idade, com o rosto vermelho e inchado, parecia estar com alergia.

Sasuke se permitiu ficar ali sentado, remoendo-se.
Havia deixado seu tio bater em sua mãe e sua irmã, e só resolveu fazer algo quando Itachi chegou. Havia sido covarde, tão covarde que Itachi acabou gravemente ferido. Se fosse ao menos um pouco corajoso como Shisui, ou levemente astuto como Itachi, não teria deixado as coisas chegarem ao ponto que chegaram... Mas estava com tanto receio e fazer algo na ausência de Itachi, e estragar tudo pelo qual seu irmão e ele estavam lutando, que acabou se acovardando.

Era, sem a menor dúvida, um idiota covarde.

Se algo acontecesse com Itachi, seria sua culpa. Toda, e total sua responsabilidade. Não merecia o irmão altruísta que tinha, ou a namorada maravilhosa que conseguira. Namorada essa que ele deliberadamente, roubara de seu irmão. Patético.

Ouviu alguns gritos bem conhecidos do lado de fora do hospital, e logo as portas de entrada de vidro estavam se abrindo e dando passagem a três policiais, Naruto e Sakura.
Sakura estava inconsciente nos braços de Naruto; O loiro era amparado pelos policiais, que correram para abrir a porta, chamar um enfermeiro para auxilia-los, e falar na recepção.

Sasuke continuou parado exatamente onde estava. Não tinha condições de se levantar para perguntar porque Sakura estava desmaiada, ele não merecia sequer saber oque estava havendo; Sua cabeça doía infernos, seu corpo pesava horrores, e não tinha condições de ir falar com Naruto. Como iria encarar seu melhor amigo, depois do que fez?

Mas como sempre, superando as expectativas, Naruto correu para seu lado assim que o enfermeiro levou Sakura para dentro da sala de emergência em cima de uma maca.

— Irmão! — Naruto quase gritou em seus ouvidos, puxando-o do banco para um abraço.

Sasuke não teve condições de reagir, apenas ficou ali, sendo abraçado por Naruto na sala de espera.

— A gente vai sair dessa cara, você vai ver! — o loiro garantiu, quase sufocando-o no abraço.

Enquanto era estrangulado por Naruto, percebeu que as pessoas da sala de espera, e a senhora da recepção, olhavam para eles, sem o menor pudor; Sem paciência para ser protagonista do drama, Sasuke se desvencilhou de Naruto, e foi marchando para fora do hospital, com o amigo em seus calcanhares.

Sentou na beirada da calçada do estacionamento, e Naruto sentou-se ao seu lado. O vento estava frio, mas não fazia muita diferença.

— A Sakura... Ela... — o moreno balbuciou.
— A policial disse que ela teve uma crise nervosa. — O Uzumaki começou a falar, em um tom melancólico — Assim que a ambulância saiu com vocês, ela surtou! Caiu se debatendo e ai desmaiou. — contou em um sussurro — Os caras da policia falaram que é normal algumas pessoas passarem por isso quando ficam muito nervosas, eles veem isso direto. — completou, olhando o amigo de lado, receosamente.

Houve um breve pausa.

— Normal... — Sasuke repetiu a palavra com apatia, e juntou os joelhos na altura do queixo — Isso é tudo, menos normal. — continuou a falar, mecanicamente.
— É cara, é meio doido sim, mas vai ficar bem, prometo. — Naruto garantiu, e empurrou o amigo levemente com o ombro.

Sasuke esticou as pernas e apoiou as mãos no chão. Achava que não tinha como sentir-se pior, ou sentir mais dor.

— E esse machucado ai, como que ta? — o loiro perguntou especulativo — Você não deveria ta mexendo assim, deveria? Acho que sangrou mais desde que eu cheguei. — tagarelou, avaliando o moreno minimamente.

Sasuke deu ombros. Nem sabia oque havia ferido. Tinha noção de que em sua luta absurda com Madara, o lunático conseguiu disparar um segundo tiro, e agora, ele tinha certeza de que esse tiro havia acertado-o também.

O moreno olhou para o abdome, finalmente se situando; A enfermeira havia feito um curativo ali, e firmou com bandagens de ataduras brancas, que o envolveu seu torso lateralmente. Do seu lado esquerdo, na altura das últimas costelas, havia uma mancha de vermelho vivo, que tingia a atadura brevemente.

O segundo disparo de Madara, o acertara de raspão. Ardia um pouco, mas não era nada que se pudesse dar atenção.

— Hm. — foi oque o moreno respondeu, e deu de ombros, fazendo pouco caso do ferimento.
— Acho que se fosse algo sério, os enfermeiros teriam te arrastado lá pra dentro... — Naruto comentou pensativo.

Sasuke assentiu sem dar muita atenção. Não queria conversar, não queria receber atenção de ninguém, mas não se sentia no direito de mandar Naruto embora. Ele ajudara demais, e Sasuke não aguentava mais ser tão ingrato e egoísta.

Alguns segundos se passaram, com Naruto em silêncio, e então um dos policiais apareceram, chamando Sasuke para entrar. Segundo ele, o médico disse que queria ver o ferimento.

Naruto o seguiu, claro, e quando parou em frente a porta de vidro para abri-la, o Uchiha notou algo muito curioso. Seu rosto estava completamente molhado, e seus olhos estavam levemente avermelhados. Engraçado, não estava chovendo.

–x-x-

~ 9 horas depois.~

A cirurgia correu bem, mas agora, Itachi estava na UTI do hospital particular se recuperando.
Sakura estava em um quarto particular, sedada. Ela havia acordado do desmaio completamente desorientada, e fora sedada para conseguirem transporta-la do hospital público para o particular.
Mikoto e Akane estavam dormindo, cada uma em seus leitos; Não haviam sofrido nenhum tipo de trauma físico grave, mas ficaram no hospital por causa de Itachi.

Sasuke transitava de um lado para o outro nos corredores. Naruto já havia cochilado em uma das poltronas macias da luxuosa sala de espera da UTI. O loiro havia anunciado para os pais, que estavam no hospital; Logo alguém apareceria.

— Sasuke-san, você deveria estar de repouso. — umas enfermeira falou, parando ao lado do moreno no corredor.

A enfermeira parecia jovem, tinha o cabelo curto e escuro e os olhos cansados e amigáveis. Ela tinha um jaleco branco e reluzente, e nele havia uma crachá, com seu nome e seu cargo “ Enfermeira chefe, Shizune.

— Não consigo dormir. — foi oque ele respondeu a mulher.
— Poderia por favor, pelo menos ficar sentado? — ela sugeriu, arqueando as sobrancelhas — Sei que é um momento difícil, mas acho que, você não é do tipo que gostaria de ser sedado... — ela sugeriu, delicadamente.

Sasuke assentiu. A última coisa que queria, era ficar inconsciente.

— Então é melhor que você se recolha, se a senhora Tsunade te ver transitando por ai, vai mandar te sedarem. Seu ferimento foi superficial, mas foi em uma área com pouco tecido. A escoriação ficou entre duas costelas, e não queremos que você fique reabrindo os pontos, e deixando seus ossinhos a mostra pra alguma infecção oportunista, não é?! — tagarelou maternalmente, guiando-o pelos corredores delicadamente.

Sasuke não discutiu, aquela mulher estava ajudando, e ela era bem mais agradável que Tsunade, a médica que havia lhe dados os pontos. Médica essa que, ironicamente, era madrinha de Sakura.

O moreno se sentou ao lado de Naruto, e observou seu melhor amigo cochilar com o pescoço torto para o lado.

Não demorou muito, até que alguém que ele realmente não esperava ver, apareceu.

— Izuna?! — Sasuke falou com uma leve perplexidade.

Seu tio estava acompanhado de mais um homem e uma mulher. Pela postura, eram policiais.
Izuna murmurou algumas palavras com a dupla de policiais antes de se aproximar de Sasuke.

— Bom dia Sasuke, vim o mais rápido que pude. — seu tio anunciou, sentando-se na poltrona ao lado do mais novo.

Sasuke encarou o homem. Seu enorme cabelo escuro estava preso para trás, e o terno dava um ar de muita seriedade a ele. Sasuke não via tio Izuna há anos, desde que foram passar as férias em sua casa de praia, do outro lado do Japão.

— Sua mãe me ligou nessa madrugada e me contou do ocorrido. Ela pediu que eu viesse o mais rápido possível para acertar as burocracias com o sistema judiciário. — explicou, usando um irritante tom profissional.

Não conhecia o lado “ advogado profissional ”, que seu tio tinha. Sasuke apenas se lembrava de Izuna com o cabelo solto, chinelo de dedo, e muita diversão na praia.

— Certo. — foi oque o mais novo respondeu.

Houve uma breve pausa, e a expressão de Izuna ficou derrotada.

— Seja sincero comigo Sasuke, você se sente capaz e confortável em dar um depoimento a policia agora? — perguntou em um sussurro rápido — Se você não quiser, posso chutar os traseiros deles pra longe, e conseguir dois dias pra você descansar e colocar as ideias no lugar. — completou, discretamente.
— Não, tudo bem, vamos logo com isso. — respondeu de imediato.

Izuna olhou para Sasuke especulativo, e assentiu, soltando um suspiro cansado.

— Fiquei sabendo que Itachi se saiu bem na cirurgia. — comentou, olhando para o sobrinho de lado.

Sasuke afirmou com a cabeça; Ele não via seu tio há quase quatro anos, mas sabia que ele era confiável, afinal Izuna não falava com Madara há dezoito anos. Não sabia porque os dois irmãos não se falavam, mas qualquer um que mantivesse distancia de Madara por tanto tempo, era alguém sensato e honesto.

— Esse ai do seu lado, é o Naruto? — o mais velho perguntou, olhando rapidamente para o loiro dorminhoco.

Izuna havia recebido Naruto, e Sakura em sua casa de praia algumas vezes, nas férias, sabendo-se que Sasuke não aceitava sair de férias sem os amigos.

— Ele mesmo. — Sasuke respondeu, olhando para o amigo por cima do ombro.
— Sua mãe me disse que ele estava na mansão ontem a noite... — comentou, astuto.

Sasuke torceu o lábio e assentiu. Seu tio queria que Naruto desse um depoimento também, pra acabar com o drama policial de uma vez.

O moreno se virou e estapeou o braço do Uzumaki. O loiro abriu os olhos assustado, e deu um pulo da poltrona em um rompante.

— Que foi? Que é? — o loiro perguntou desnorteado, com a voz rouca de sono.
— Calma dobe, ta tudo bem. — Sasuke falou sem paciência, se levantando da poltrona — Precisamos dar um depoimento pra policia sobre ontem a noite. — anunciou.

Naruto assentiu seriamente, e acenou para Izuna enquanto caçava os olhos.

Antes que Sasuke pudesse chamar os policiais e companhia para o seu quarto particular, afim de dar logo o maldito depoimento, Minato apareceu apressado pelo corredor.

Toda aquela seção de abraços e preocupação transcorreu de praxe. Naruto choramingou, Minato abraço o filho e Sasuke, e os parabenizou por serem dois heróis. Constrangedor.

— Então, onde ta a mamãe? — o loiro perguntou quando os ânimos se acalmaram.
— Ah você conhece sua mãe... Ela ta revirando a seção judicial Nacional, pra conseguir ser a promotora pública que vai acusar Madara no tribunal. — anunciou, parecendo levemente constrangido — Ela te mandou um beijo, disse que estava orgulhosa de você, e que viria assim que resolvesse tudo. — completou, pacificamente.

Naruto assentiu veementemente, e antes que outra rodada sentimental acontecesse naquela sala de espera, Izuna se aproximou, perguntando se poderia levar Naruto para dar seu depoimento junto com Sasuke. Minato confirmou sem qualquer dúvida, e finalmente puderam começar a procissão até o quarto de Sasuke.

Como estavam na área da UTI, e o quarto de Sasuke era na área de observação, andaram dois corredores, e pegaram um elevador, com Minato tagarelando para Naruto e Sasuke, como era importante que eles colocassem as ideias no lugar, e contassem tudo minuciosamente, da forma mais precisa o possível.

Sasuke não sentia-se tão desamparado. Não tinha um pai para aconselha-lo, mas o pai de Naruto estava bem ali, oque era quase a mesma coisa. Ele era chato e tagarela, como um pai de verdade deveria ser.

Entram no quarto que havia sido designado a Sasuke. O cômodo era pequeno, extremamente branco, porem luxuoso. Com um cama reclinável e confortável, um criado mudo de mogno, com um botão para acionar caso precisasse; A pequena janela estava aberta e a cortina branca estava puxada para o lado, mostrando o sol da manhã. Em frente a janela havia um sofá de dois lugares, sofá este que foi rapidamente ocupado por Naruto e Minato.

— Gostaríamos, antes de mais nada, dar nossas condolências pelo ocorrido na sua família, e desejar melhoras a todos envolvidos. — a mulher falou, educadamente — Eu sou Kurenai Yuuhi, e este é meu parceiro Asuma Sarutobi. Nós vamos fazer algumas perguntas pertinentes ao caso, se estiverem todos de acordo. — completou, olhando para todos os presentes, um de cada vez.

Sasuke assentiu e se sentou na ponta da cama, e Izuna parou de pé ao seu lado.
Kurenai tirou o gravador de dentro de sua discreta bolsa; Ela informou o horário e data no aparelho, e o deixou ligado, em cima do criado mudo.

— Sasuke Uchiha, e Naruto Uzumaki, vocês sabem que este é um depoimento para a policia federal, que será gravado e utilizado posteriormente para o julgamento do réu, Madara Uchiha? — Asuma perguntou seriamente.

Naruto saiu da poltrona e se sentou na cama ao lado de Sasuke.
Os dois amigos assentiram seriamente.

— Vamos começar do inicio senhor Uchiha, o quanto sabe sobre a situação do réu em questão, e há quanto tempo? — o homem perguntou.
— Há cerca de dois meses, vi Fugaku e Madara, mais precisamente Madara, acusando Itachi de estar fazendo algo contra a família. Madara foi embora antes dos ânimos se alterarem de verdade, e acabou me vendo, escutando a conversa. — contou.
— Explique melhor, oque você quer dizer, com “ânimos se alterarem”. — Asuma pediu, atentamente.
— Madara destilou o veneno contra Itachi, Fugaku foi manipulado e agrediu meu irmão. Minha mãe tentou intervir, ai eu precisei entrar na confusão pro Fugaku não agredir ela. Não demorou pros empregados chegarem, e ai Fugaku parou de tentar estrangular o Itachi, e resolveu expulsar ele de casa. — contou.

Naruto olhou para casa, com aquela cadê de “ Teme, você não me contou nada disso.

— Quando você diz que seu pai, Fugaku, estava tentando estrangular seu irmão, Itachi, você diz literalmente? — Kurenai perguntou, com os olhos chocados.
— Sim, literalmente. — o moreno respondeu de imediato.
— Certo, por favor, prossiga. — ela pediu.
— Depois disso, eu fiquei em cima do Itachi pra saber oque tinha acontecido. Ele ficou me ludibriando e me enrolando por uns dias, mas acabou aceitando minha ajuda, no dia do enterro o Shisui. — respirou fundo — Depois da audiência que Fugaku exigiu, pra deserdar Itachi e acusar ele de fraude e calúnia, Itachi me levou em um bar e me contou tudo oque sabia. Ele disse sobre o desfalque que a empresa recebeu, e depois sobre a grande guinada financeira. Me explicou que tudo isso foi devido a Madara, e ao fato de que ele estava traficando pessoas, para prostituição, venda ilegal de órgãos, e etc... Desse jeito usando a empresa para fazer lavagem de dinheiro. — tagarelou, começando a ficar desconfortável com os olhares que recebia de Naruto.

— Itachi havia me dito que estava cuidando de tudo pra resolver esse problema, e que só precisava que eu ficasse de olho em casa, na minha mãe e na Akane, fingindo estar sem saber de nada, para não atrair atenção de Madara, e que continuasse mantendo a Sakura, longe dele, pro próprio bem dela. — falou por fim.

Houve uma pausa de poucos segundos.

Teme! — Naruto exclamou, perplexo — Como que você não me contou isso? — perguntou, ultrajado.
— Naruto cala boca. — ele repreendeu perplexo — Eu não podia falar com ninguém. — justificou, impaciente.
— Então, Naruto-san, não sabia de toda essa situação? — Kurenai perguntou, erguendo as sobrancelhas — Como você chegou até a casa dos Uchihas ontem a noite, sem saber de nada? — questionou, duvidosa.
— Foi por causa da Sakura. Ela e o Itachi foram coroados rei e rainha do baile... O Itachi largou a coroação pela metade e se mandou. Largou a Sakura no palco. Ai ela saiu andando sozinha pela rua, sem falar nada com ninguém. E como era tarde, eu a Ino e o Sai, fomos atrás dela pra ver se ela tava surtando ou se tinha alguma coisa acontecendo. Ai ela disse que precisava ir pra mansão Uchiha, porque o Sasuke e o Itachi haviam largado ela sozinha no baile, e que tinha alguma coisa errada. Eu concordei que tinha alguma coisa errada, porque o teme, quer dizer o Sasuke, tinha prometido que ia me ajudar a eu ficar com a minha garota naquela noite, e me deixou no vácuo. — tagarelou rapidamente — O Sasuke pode ser um teme, mas ele não iria esquecer de me ajudar, então eu achei que realmente tinha alguma coisa acontecendo... Ele tava agindo estranho, há algumas semanas... Não me chamava pra jogar vídeo-game, faltava aula, e andava mais azedo que o normal. — explicou, assentindo consigo mesmo.

Sasuke ficou fitando o chão constrangido.

— E ai, você resolveu ir com a menina para a mansão Uchiha? — Asuma perguntou, parecendo querer achar a lógica nisso tudo — Como ela sabia que eles estavam lá, afinal de contas? — perguntou.
— Pelo que eu entendi, o Itachi deixou escapar alguma coisa pra ela. A Sakura é uma garota muito esperta sabe seu policial, quando ela diz que tem alguma coisa errada, é porque tem alguma coisa errada. — garantiu, convicto.

Sasuke apertou a boca em uma linha dura, concordando mentalmente com Naruto. Se Sakura fosse uma garota avoada e fútil, ela não teria se metido nessa.

— Qual a relação, da senhorita Sakura, com vocês? — Kurenai perguntou, depois de um minuto de silencio.
— Ela é nossa amiga. A gente fez o primário junto. Eu ela, e o Sasuke. Ai conhecemos as famílias um do outro, e desde então ela tem uma quedinha pelo Itachi-nii... — comentou sem pensar, e mordeu a boca quando chegou as ultimas palavras.

Naruto quando começava a falar, era uma metralhadora de informações. Pra ele, era natural tagarelar, e as vezes o fazia sem pensar.

— Ah, sim, então Sakura-san, e Itachi-san, estavam em um relacionamento? — Kurenai perguntou, assentindo consigo mesma.
... — foi oque o loiro respondeu.

Houve uma pausa dramática, na qual Sasuke não queria ter que explicar nada, e Naruto não conseguia falar mais nada.

— Ela é minha namorada. — o moreno falou por fim.
— Certo, não queremos entrar em detalhes desnecessários. — Asuma falou, notando o clima de constrangimento — Só precisamos entender sobre as relações de vocês, para fechar um quadro psicológico do caso. E temos informação o suficiente, obrigado. — completou, profissionalmente.

— Então, voltando para parte onde você e Sakura-san invadiram a mansão Uchiha. — Kurenai incentivou.
— Não invadimos, a gente entrou pela passagem secreta! Tem um buraco no muro dos fundos, que agente, Sasuke e eu, usava de vez em quando... — falou, e olhou rapidamente para o pai, tenso — Então, mas o fato é que eu e a Sakura entramos por ali. — contou.
— Não ocorreu a vocês, apenas tocar a companhia? — Asuma questionou.
— Não seria a melhor coisa a se fazer... Era pra gente pegar o Sasuke e o Itachi no flagra. A gente não sabia oque eles estavam aprontando, mas sabia que eles não estavam contanto a verdade, então resolvemos aparecer de surpresa pra ver oque era de uma vez. — explicou — Ai, eu fui pro segundo andar e a Sakura ficou no primeiro. Eu comecei a vasculhar os quartos na maciota, eu queria ser discreto sabe? Quando cheguei no quarto de hóspedes, vi que tava' trancado. Estranhei o quarto de hospedes trancado e balancei a maçaneta pra ver se a porta tava travada, ai nessa segunda tentativa de abrir a porta, ouvi barulho de choro de dentro do quarto. Arrombei a porta e encontrei a tia Mikoto e a Akane amordaçadas, amarradas na cama, e machucadas. Akane ainda tava desmaiada, e a tia Mikoto tava com o nariz sangrando, e meio tonta. Desamarrei elas, e a tia Mikoto pegou meu celular e ligou pra policia. Eu queria correr pela casa pra achar a Sakura, mas ela não deixou. Mandou eu esperar pela chegada da policia pra ir atrás dela, porque com certeza ela havia encontrado com Madara.— tagarelou.

Kurenai pegou o gravador de cima do criado mudo, guardou e pegou outro.

— O depoimento bate com oque Mikoto Uchiha contou. — Asuma disse, assentindo para Izuna e Minato.

Houve uma breve pausa, e Kurenai ligou o gravador.

— Agora, Sasuke, será que você poderia nos falar oque houve dentro do escritório, momentos antes de seu irmão ser baleado, e você ser ferido? — Kurenai perguntou, colocando o aparelho em cima do criado mudo novamente.
— Madara chegou na mansão ontem a noite, depois que eu sai pra ir ao baile escolar. Assim que cheguei na escola, recebi uma mensagem da Akane avisando que ele estava lá perguntando por mim. Eu entrei no baile correndo, arrastei o Itachi, e perguntei oque Madara estava fazendo solto. Itachi disse que a policia federal estava resgatando as pessoas que ele havia enviado para Taiwan, e que com os testemunho destas pessoas, não teria como ele se safar, e pela manhã, já teriam o mandado de prisão em mãos. — Sasuke contou, com o olhar distante

Ele parecia estar revivendo aquele momento novamente.

— O Itachi tava de bom humor, ele estava convicto de que tudo estava bem, mas quando eu disse que Madara estava na mansão, a coisa mudou, meu irmão ficou tenso e começamos a discutir sobre a situação e como resolver tudo, sem colocar minha mãe ou Akane em perigo, mas, no meio da nossa conversa a Sakura apareceu e ai complicou as coisas. Ela queria saber porque estávamos discutindo do lado de fora da escola, quando tinha um baile acontecendo... Itachi e ela estavam concorrendo a rei e rainha do baile, e ai não deu pra sair correndo pra mansão na cara dela. Se fizéssemos isso, ela iria atrás da gente e acabaria se envolvendo no caso. Sem ter muita escolha, combinei com Itachi de ir na frente. Seria mais fácil eu ir primeiro, porque eu não estava concorrendo a rei do baile, ai depois ele daria um jeito de ludibriar o pessoal e iria logo atrás de mim. — explicou.

— Vocês não pensaram em ligar para a policia antes de entrarem na mansão, com Madara la dentro? — Asuma perguntou.
— Claro que sim, mas eu não queria arriscar pressionar Madara, chegando lá escoltado da policia com a minha mãe e minha irmã lá dentro com o maluco. Ele é uma pessoa desequilibrada, matou o Shisui, com certeza poderia fazer algo com elas. — justificou.

— Entendemos. Você preferiu se colocar em risco, do que arriscar a vida da sua mãe e da sua irmã. — Kurenai falou, compadecida.

Sasuke torceu o lábio com oque ela havia dito. Ele não era um herói, não merecia aquele olhar.

— Quando cheguei na mansão, estava tudo escuro e Madara estava na sala. Os seguranças e os empregados não estavam a vista, e menos ainda Akane e minha mãe, então eu fui tentando enrolar ele, até o Itachi chegar, mas ele tentou me pressionar ameaçando ferir minha mãe e Akane... Eu fui levando a conversa, não queria fazer alguma besteira e colocar tudo a perder, então não fiz nada quando ele bateu e amarrou na minha mãe, e na Akane. — confessou, com o olhar duro e a voz cortante.
— Cara, não foi sua culpa, ele tava armado. — Naruto murmurou ao lado do amigo, e tocou o ombro dele com a mão.

Sasuke bufou, e todos ficaram em silêncio por um minuto inteiro.

— Depois disso, nós descemos até o escritório. Ele mandou uma foto da Akane e da mamãe desacordadas e amarradas pro Itachi, pelo meu celular. Nessa altura, ele já estava me ameaçando com a arma. Ele disse que iria conseguir um escape de um jeito e do outro e começou a falar pra mim que colocou alguém pra me vigiar também, e chegou a conclusão de que eu estava ajudando Itachi, e que sabia do nosso “esquema de proteção a Sakura”. — suspirou — Depois disso, eu precisei ficar ouvindo as loucuras dele, e enrolando por quase meia hora, até o Itachi chegar. —

— Você acredita que Madara, não seja pleno de suas faculdades mentais? — Kurenai perguntou, realmente curiosa.
— Acredito que ninguém que seja capaz de matar um parente, seja pleno de qualquer coisa. — o moreno garantiu seriamente.
— Madara confessou que matou Shisui Uchiha, enquanto estavam no escritório? — o homem perguntou.
— Sim. Mas sei das centenas de outras vidas que ele arruinou, traficando pessoas, como se fossem objetos de contrabando. — Sasuke falou com asco.

— Fale sobre a parte em que Madara resolveu disparar a arma. — Kurenai pediu.
— Itachi contou a Madara, que ele estava em um beco sem saída, e que logo a policia o prenderia, então ele ameaçou a Sakura, na tentativa de conseguir alguma colaboração da nossa parte, pra conseguir fugir do País. — explicou, começando a ficar cansado.
— Como a senhorita Sakura, chegou até o escritório, afinal? Entendemos que enquanto Naruto-san, estava vasculhando o segundo andar, ela ficou no primeiro andar, mas como exatamente ela se envolveu na conversa de vocês com Madara? — Kurenai perguntou.
— Presumo que tenha ido sorrateira até o escritório e ficou ouvindo nossa conversa pelo corredor, já que a porta estava aberta. Mas Madara quem viu a Sakura no corredor. Ele já estava saindo do escritório, iria pegar Akane e usar ela de refém pra conseguir chantagear a gente, mas achou a Sakura bem ali, bisbilhotando. — contou, amargo — Ele sabia que Itachi e eu, estávamos nos desdobrando pra manter a Sakura longe de tudo isso, e ai do nada, ela apareceu. Foi um presente pra ele, ter ela ali pra usar como objeto de chantagem. Ai, ele jogou ela dentro do escritório, trancou a porta, e começamos a barganhar. Quando o Naruto encontrou onde estávamos, e gritou avisando aos policiais, Madara ameaçou a Sakura, disse que se ela não saísse com ele como refém pra ele conseguir um acordo judicial, explodiria a cabeça dela. Itachi tentou desencorajar o maluco, e disse que ela não importava pra ele, mas o policial gritou com ele por traz da porta, mandou ele sair em dez segundos. A essa altura Madara já estava sem nada a perder, então ele decidiu que atiraria em Sakura, apenas pelo prazer de ferir o Itachi. — explicou, com um suspiro cansado.

A essa altura, Naruto estava quase chorando.

— Esta dizendo que Madara decidiu dar o primeiro disparo, na Sakura-san, apenas para causar sofrimento emocional em Itachi? — Asuma perguntou, apenas de formalidade.
— Exatamente. Madara, claramente, se sentia muito ameaçado pelo meu irmão. Ele não aceitou “ perder ” pra ele. Madara tem um senso de orgulho e arrogância maior do que a própria moral. — explicou, mecanicamente.
— Mas, o disparo acertou Itachi... — Kurenai comentou.
— Quando a policia forçou a porta para entrar no escritório, nós vimos que Madara iria atirar... Então, eu soltei a mão da Sakura, e me preparei, pra lutar com ele. Eu queria interceptar o braço dele antes que ele desse o disparo, mas eu não tive coragem de me colocar na frente da arma, e ele conseguiu atirar na direção da cabeça da Sakura... Mas, o Itachi se jogou na frente. Só deu tempo de eu segurar o braço de lunático, e impedir que ele atirasse de novo. Eu joguei ele contra a porta, e estava quase conseguindo imobilizar o maluco, mas os policiais arrombaram a porta, e como estávamos escorados nela, caímos no chão, e Madara conseguiu dar o segundo disparo, que pegou de raspão entre as minhas costelas. Ele tentou dar o terceiro, mas os policiais agiram rápido, imobilizaram, algemaram e levaram ele embora. Depois disso, vi o Naruto no corredor falando com um policial, e fui perguntar pela minha mãe e minha irmã, o policial disse que elas estavam a caminho do hospital, mas que no geral estavam bem. — se calou ao final, com um olhar severo.

Houve uma pausa, esperavam que Sasuke falasse mais alguma coisa, mas ele ficou calado.

— Ai depois disso, o Sasuke entrou no escritório e ficou parado olhando o Itachi-nii sangrando no chão, com a Sakura chorando em cima dele. Sabe, gente, foi uma coisa muito triste de se ver... Eu tentei entrar no escritório pra consolar o teme, quer dizer o Sasuke, mas os policiais não deixaram, falaram que era uma área de evidência criminais, e que era pra eu esperar do lado de fora da mansão, que eu já tinha feito tudo oque eu poderia, e tal. Ai fui esperar do lado de fora, meio tonto sabe? Nunca tinha visto tanto sangue... Ai a ambulância chegou, levaram o Itachi e o Sasuke, e Sakura e eu ficamos lá. Não passou nem um minuto e uma dona policial muito legal veio se oferecer pra levar a gente pro hospital na viatura dela, mas a Sakura começou a debater no chão e apagou, ai fomos correndo com ela praquele' hospital de emergência público que o Itachi-nii foi operado, ela foi atendida, e ai transferiram eles pra cá... E aqui estamos todos. — tagarelou por fim.

Kurenai falou algo no gravador, e o desligou.

Ela agradeceu a Sasuke e Naruto pela colaboração, e novamente deu suas condolências pelo acontecido, e saiu do quarto, junto com seu parceiro, Izuna e Minato, conversando mais burocracias judiciais, deixando os dois amigos no quarto.

Eles ficaram em silêncio por longos minutos. Sasuke se deitou em sua cama, e ficou olhando o teto, e Naruto se esparramou no sofá em frente a janela, e ficou jogado ali.

Estava esgotado em tantos sentidos... Não sabia oque sentir, ou oque fazer. Se Itachi não se recuperasse, ou se Sakura ficasse louca de vez, seria tudo sua culpa.

Não soube ao certo quando caiu no sono, mas acordou sobressaltado, com uma enfermeira deixando comida no criado mudo.

— Desculpe, não quis atrapalhar seu descanso. — a mulher falou com a voz baixa e delicada — Vim deixar o lanche da tarde, já que você não quis o almoço. — explicou, virando-se para dar toda atenção ao moreno.
— Lanche da tarde? — ele perguntou a si mesmo — Que horas são? — perguntou a ela, levemente alarmado.
— Calma, está tudo bem! São cinco e meia da tarde. — ela falou, tocando-o no ombro, para que ele não pulasse da cama — Você precisava mesmo descansar. Parar quieto algumas horas, e ajudar a gente a cuidar de você. — completou, com ternura.

Sasuke torceu a cara, cruzou os braços e se sentou na cama, estressado. Por que essas enfermeiras precisavam ser tão educadas, e gentis? Ele não poderia ter nenhum acesso de raiva, ou surtar se elas continuassem sendo tão gente boa.

— Você precisa de alguma coisa? — ela perguntou, observando o ato infantil dele, com a maior paciência.
— Itachi, e a Sakura, como eles tão? — perguntou, espiando a comida em cima do criado mudo.

Estava se sentindo mais leve agora que já havia dado o maldito depoimento, agora só faltava conversar com Sakura.

— Ah sim, Itachi, o rapaz que está na UTI, certo? — perguntou pensativa, e Sasuke assentiu — Ele está se recuperando bem, mas ainda está sedado e entubado, devido ao ferimento no pulmão. Não se preocupa, ele é seu irmão, então deve ser tão forte quanto você! — tagarelou, como se estivesse falando com uma criança, isso constrangeu o moreno — Quanto a Sakura... Hm, é a garota de cabelo rosa? — perguntou, educadamente.

Sasuke assentiu positivamente.

— Nós estamos mantendo ela com doses baixas de calmantes. Ela dorme e acorda frequentemente. Pobrezinha, está emocionalmente muito abalada, mas fisicamente bem. — contou, analisando Sasuke discretamente — Ah, sua mãe veio te ver com sua irmã mais cedo, mas não quis te acordar. Ela ainda está em observação aqui no hospital, teve um pico de pressão alta pela tarde, mas já está tudo sobre controle. — contou.

Sasuke pensou sobre. Se questionou se iria ver sua mãe, ou Sakura, mas achou melhor ir resolver as coisas com a rosada de uma vez. Esse era o único tópico que ainda o deixava inquieto.

— Mas, e a Sakura... Ela, pode receber visitas? — ele perguntou, como quem não quer nada.
— Vamos fazer um acordo. Eu deixo você visitar ela, se você comer seu lanche, e me deixar dar uma olhada nesses pontos. — sugeriu — Então, oque me diz? — perguntou, gentil.

Sasuke fez uma carranca, mas assentiu. Ele tirou a camisa branca hospitalar, e deixou a enfermeira tirar as bandagens, e fazer novos curativos. Ela extrapolou um pouco do acordo, chegou a medir a temperatura, verificar a pressão, a respiração e os batimentos cardíacos do Uchiha, e como se não fosse o suficiente, ficou olhando ele comer, para só então, leva-lo para o quarto da Haruno.

Ela explicou que normalmente existia um horário de visita, mas como Sasuke não era um visitante externo, poderiam ludibriar esta regra.
Sasuke suspeitava, que o fato de estarem em um hospital particular, colaborava muito para isso também, mas resolveu não falar nada.

A simpática enfermeira o deixou em frente a um quarto, e pediu para que mantivessem a porta destrancada, ele assentiu, e ela seguiu seu caminho, deixando-o no quarto da rosada.

O quarto era como o dele, branco e pequeno, porem bem luxuoso, com moveis de boa qualidade.
A pequena teve de tela plana, estava ligada em um desenho, com o volume baixo. Sakura estava deitada na cama, com o cabelo preso, e as típicas roupas brancas hospitalares.

Sasuke entrou no quarto e parou ao lado da cama. Sakura estava acordada, mas parecia extremamente sonolenta, tanto, que ela demorou para notar a presença dele, mas quando notou, se sobressaltou.

— Sasuke! — ela chamou, com a voz meio grogue — Você ta bem! — ela exclamou, enrolando a língua.

Sasuke sentou na cama, e a abraçou. Parecia que fora em outra vida em que a abraçou pela ultima vez...

— E-eu queria te ver, mas... Não deixaram. Falaram que eu precisava descansar. — ela disse com a voz arrastada, dando um soluço.

Ele se afastou levemente, apenas o suficiente para ver seu rosto.
Ela estava sem maquiagem, e levemente pálida. Os olhos estavam se enchendo de lágrimas, e o queixo tremia levemente. Teve o impulso de beija-la. Sempre que as coisas ficavam difíceis para um dos dois, acabavam se agarrando; Era uma forma de escapar no mundo. Mas sentia que não tinha mais esse direito.

— Não chora, ta tudo bem agora. — ele pediu em um sussurro delicado — Eu to aqui agora. — completou.

Ela deu um pequeno sorriso melancólico, e suspirou tranquila, como se aquelas quatro palavras “ Eu to aqui agora. ”, fossem um grande consolo.

— Conversa comigo. — ele pediu, depois alguns segundos em silêncio.

Sakura abaixou a cabeça, parecendo lutar para ficar acordada. Ele se afastou, e ofereceu uma garrafa com água que estava no criado mudo para ela. A garota aceitou.

— Meus pais passaram todo o horário de visita aqui. Eles poderiam ficar mais tempo se quisessem, mas foram pra casa quando a Ino ligou avisando que passaria a noite aqui comigo. — ela contou, parecendo extramente cansada — Achei que essa coisa de horário de visita fosse pra valer. — completou, tentando quebrar o clima pesado.
— Acho que sua madrinha Tsunade ta fazendo vista grossa no nosso caso. — ele comentou, tentando ser agradável para ela.

Sakura assentiu tentando sorrir, e bebeu um pouco de sua água.

— Acho que ta tudo bem com meus pais... Eles só ficaram preocupados, mas não reclamaram comigo. — ela falou, olhando timidamente para ele, de cima para baixo — Mas, e você? E seus pais? — fez a pergunta, que era óbvio que ela queria fazer.
— Minha mãe e a Akane ainda estão por aqui, e Fugaku já foi preso. Não sei se ela vai ser solto antes do julgamento, ou como vai ficar a situação dele. Sinceramente, não me importo. — confessou, falando com certo desdém sobre o pai.

Sakura torceu o lábio, e piscou pesadamente, devido aos calmantes que estavam dando para ela.

— Sinto muito. — ela sussurrou, sofrida — Se eu soubesse que as coisas estavam desse jeito na sua família, não teria sido tão fútil e idiota! Me desculpa! É minha culpa que o Itachi esteja tão ferido e... — ela foi falando, mas a língua parecia muito pesada e acabou se atropelando nas palavras.

Sasuke aproveitou isso, para interrompe-la.

— Se você começar a, irracionalmente, se culpar, pelos meus problemas familiares, dos quais você não tem o controle ou responsabilidade, eu vou sair daqui e voltar pro meu quarto. — decretou, seriamente.

Sakura fungou, e abaixou a cabeça. Ela encarou sua garrafinha de água por alguns segundos, e então levantou a cabeça para ele com uma pequena carranca.

— Quando essa sensação de moleza que eu to sentindo passar, vou dar uns bons gritos em você, Sasuke Uchiha. — ela falou, com a voz tão branda, que mal parecia estar irritada.

O moreno permitiu-se sorrir minimamente. Sakura estava bem, logo ela ficaria completamente bem. Assim que o efeito dos calmantes passassem, ela voltaria a ser a garota que ele conhecia.

— Vou esperar por isso. — ele garantiu, fazendo ela mostrar a ponta da língua.
— Naruto passou aqui no horário de visitas também. — ela falou quase de supetão — Ele disse que volta amanhã com alguns dos nossos colegas de classe, no horário de visita, pra trazer bastante energia positiva. — ela tentou rolar os olhos.
— Imagino... — o moreno limitou-se a responder, imaginando a algazarra que fariam.

Ficaram se encarando por alguns segundos. Aquela sensação desconfortável ainda ferroava o interior do Uchiha. Precisava falar logo.

— Sasuke... — ela falou, quando ele tomou fôlego falar — O Itachi tá’ mesmo bem? Eu não sei se acredito no que me falaram... A equipe do hospital pode estar mentindo com medo de eu surtar de novo... — explicou seu pensamento.
— Pelo que a enfermeira me disse, ele respondeu bem á cirurgia, e agora está se recuperando bem na UTI, mas ta’ sedado. — explicou .

Bom, talvez agora ela se acalmasse de verdade, e assim, não precisaria mais ficar sendo dopada com calmantes.

— Ah, que bom... — ela respirou fundo, parecendo aliviada.

Houve mais alguns segundos de pausa. Agora Sakura estava de olhos fechados, com uma expressão pacífica; Ela parecia que iria dormir, então Sasuke resolveu falar logo.

— Sakura, não dorme, preciso falar com você. — ele chamou, naquele tom que ele sabia que faria Sakura acordar até de um coma.

Sasuke era bem consciente dos impactos e sentimentos que despertava nas pessoas, um deles era seu tom de voz. Ele havia demorado algum tempo para aprimorar a técnica, mas havia desenvolvido um tom único para utilizar com Sakura, nas conversas mais sérias. Essa era a segunda vez que usava esse tom, a primeira vez, foi quando pediu para ela confiar nele.

— Fala. — ela pediu, ereta na cama, com os olhos bem abertos, cheia de expectativa.
— Eu vou bem direto, ta legal? — ele começou, e ela assentiu — Você é muito importante pra mim, e eu te amo, mas... — falou, sentindo-se meio idiota.

Sakura franziu as sobrancelhas, e abriu a boca minimamente. Sasuke não costumava sair por ai dizendo que amava as pessoas. Na verdade, essa era a terceira vez que ela ouvia ele dizendo isso.

— Acho que não te amo do jeito que eu achei que amava. Não podemos continuar namorando. — falou, olhando diretamente nos olhos dela.

Exatamente como no dia em que ele a pediu em namoro. Eles se encararam exatamente desta forma. Desse jeito, que pareciam estar olhando a alma um do outro, sem sequer piscar.

— E você vem me falar isso agora? — ela perguntou, parecendo descrente — Sasuke, acho que já chegamos ao ponto no qual, não é uma escolha se arrepender de termos transado. — completou, amarga.

Sasuke escancarou a boca, perplexo pelo que ela havia dito. Caralho, ela não poderia entender mais errado.

— Não, não! Para com isso Sakura! Não to arrependido de nada. — ele falou com veemência, segurando-a pelos ombros, para que ela não desviasse o olhar — Nenhum homem nesse mundo, que tenha a mínima lucidez, poderia dizer que se arrependeu de ter tido algo sexual com você. Eu não quis dizer isso! — garantiu, seriamente.

Sakura buscou algum traço de mentira nos olhos dele, mas não viu nenhum, então ela respirou fundo, e assentiu. Ele tirou as mãos dos ombros dela, e suspirou aliviado por ela ter acreditado.

— Então... Oque você quis dizer? — ela perguntou, timidamente.
— Quero dizer que eu te amo, mas não o suficiente pra levar um tiro por você. — ele respondeu, com um fio de voz.

Era um momento delicado para ambos. Não era todo dia que Sasuke abria o coração, e não era todo dia que Sakura ouvia aquele tipo de coisa.

— Dizem que há males que vem para o bem, e eu finalmente vejo algum sentido nisso. — ele começou a falar, levemente constrangido pelo rumo da conversa — Passei a minha vida toda, sendo pessimista, e me lamentando internamente pelas pequenas coisas ruins que aconteciam a minha volta... Mas agora, eu vejo, que tudo que acontece, é por algum motivo. — completou, observando a reação dela.

Sakura ouvia atentamente, com um olhar atencioso e solene.

— Você é a garota mais importante na minha vida. Você foi meu primeiro laço de amizade com uma garota. Foi difícil ver você apaixonada pelo meu irmão, e mais difícil ainda, ver que ele correspondia... Mas, apesar disso, eu não acreditava que os sentimentos do Itachi eram verdadeiros, então eu quis te proteger dele, e dos outros, e te trouxe pra mim. — ele suspirou — Sei que é uma coisa doentia e difícil de se entender, mas eu queria proteger você disso, de um término, e olha eu aqui, terminando com você. Absurdo. — desabafou, com um sorriso doloroso.

A essa altura, ele já não olhava mais para ela. Estava encarando a garrafinha nas mãos da garota.
Ela se inclinou na cama, e tocou o rosto dele, para que se olhassem, e para sua surpresa, Sakura não parecia ressentida, ou triste, ela estava com um sorriso sincero e singelo. Aqueles sorrisos que ela dava, quando via um bebê fazendo gracinha, ou um filhote de cachorro correndo no parque.

— Não é difícil, e nem doentio... Oque nós tivemos, foi verdadeiro. E sempre vai ser, porque nosso amor não acabou, ele só mudou. — ela garantiu convicta, e afastou a mão dele, observando-o com carinho.

Sasuke olhou para Sakura, com questionamento. Agora ele não estava entendendo oque estava acontecendo.

— Tudo bem, vou te fazer duas perguntas, e você me responde sinceramente, promete? — ela perguntou, parecendo sapeca, mas ainda havia um pouco da moleza dos calmantes em sua voz.
— Claro. — ele garantiu, solenemente.
— Você se arrependeu no tempo que esteve comigo, como namorado? — perguntou, calmamente.
— Absolutamente, não. — ele garantiu, sério.
— Você mentiu pra mim, quando falou todas aquelas coisas ficarmos juntos até nossa velhice? — ela perguntou novamente, com um pequeno sorriso de compreensão.

Sasuke juntou as sobrancelhas levemente, e negou com a cabeça.
Não havia mentido quando disse que a amava, e quando disse que ficaria com ela para sempre.

— Não menti. Foi tudo verdade. — ele garantiu.
— Então foi verdadeiro Sasuke. — ela falou, parecendo estar explicando uma teoria quântica a uma criança — Não é porque um sentimento mudou, ou acabou, que podemos dizer que foi tudo mentira. Se eu terminar de beber a água dessa garrafa, e ela acabar, você vai dizer que a água que estava aqui foi uma ilusão? — ela perguntou.
— Não. — ele respondeu, obviamente.
— Claro que não, você vai saber que a água esteve aqui, e em determinado momento, ela apenas acabou. — a garota deu de ombros levemente — É isso que acontece nos relacionamentos, quando eles acabam! Isso não quer dizer que nunca tenha existido, apenas chegou ao fim... Mas as pessoas insistem em se apegar a algo que não existe mais, é daí que surge o sofrimento, a desilusão e todo o drama. — ela explicou-se por fim.

Sasuke assentiu levemente com a cabeça. Oque ela acabara de falar, fazia todo o sentido.

— Então, estamos bem? — ele perguntou, cauteloso.
— Nos conhecemos desde sempre, você me ama, eu te amo... Somos melhores amigos... É claro que estamos bem! — ela garantiu, sorrindo.

Ele respirou profundamente, como se estivesse tirando um peso de seu coração. Mas ainda tinha coisas para esclarecer.

— Mesmo assim, eu fui imaturo. Achei que você tinha que ficar comigo porque eu te conhecia melhor, porque eu faria você mais feliz que todo mundo... — ele bufou, com o pensamento infantil que tinha — Sabia que na festa da clareira, eu que salvei seu traseiro bêbado de ser pego pela policia? — ele perguntou retoricamente, rindo minimamente.
— Sério? Foi você? Achei que tivesse sido o Itachi. — ela comentou, risonha e surpresa.
— É, fui eu. E eu fiquei muito puto, quando ele levou o crédito todo por ter livrado você de ser pega, quando na verdade ele só esperou porque eu pedi. Fiquei me sentindo injustiçado! Achando que eu era seu príncipe não reconhecido. — confessou, e riu com mais vontade.

Sakura riu também, levemente grogue. Naquele momento, todas as mascaras estavam caindo, e um sólido e inquebrável laço de amizade, estava se renovando entre os dois.

— Ta vendo, mais uma prova, de que você é um amigo do caralho! — ela falou, descontraída — Sasuke, eu não vou julgar as pessoas, ou excluir elas da minha, só porque elas não foram capazes de tomar tiros por mim. — ela falou mais seria — Eu já sou afortunada de ter uma pessoa nesse mundo que seja capaz disso. — completou, quase sonhadora.

Sasuke deixou que a rosada suspirasse por seu irmão durante alguns segundos, antes de corta-la.

— Espero que essa tenha sido nossa primeira e última experiência de quase morte. — ele falou seriamente, e Sakura assentiu concordando.
— Você não foi capaz de levar um tiro por mim, mas foi capaz de lutar com o lunático do Madara, mesmo ele estando armado. — ela sussurrou admirada, e segurou a mão dele delicadamente — Você foi muito corajoso e altruísta em fazer aquilo, sabendo que ele não atiraria em você. Se você não tivesse impedido ele, não sei se eu estaria aqui agora, ou se Itachi teria tido alguma chance de ser salvo. — ela completou, olhando-o cheia de ternura.

Sasuke se permitiu olhar nos olhos dela, e receber aquelas palavras. Ele não acreditava que era um herói, mas talvez, não fosse tão covarde assim.

— Brigado. — ele sussurrou de volta, e segurou a mão dela entre as suas mãos.
— Quero que você saiba, que eu não me arrependo nem um minuto por nossos momentos juntos, como um casal! Não vamos deixar isso mudar nossos laços! Você, Naruto e eu, ainda somos o trio de amigos mais incrível desse mundo! — ela tagarelou, fazendo Sasuke assentir.
— Incríveis! — ele repetiu, rolando os olhos.

Houve uma pequena pausa, na qual eles se encararam, e ficaram serios novamente.

— Brigada por ser meu melhor amigo, e estar do meu lado, sempre quando eu precisei, Sasuke. Ninguém nunca vai substituir você no meu coração... E, brigada por me deixar livre, e entender oque eu sinto pelo Itachi. — ela agradeceu, emocionada, com os olhos marejadas.

Sasuke assentiu, mas a verdade era que não entendia completamente oque ela sentia por Itachi, e menos ainda oque Itachi sentia por ela... Ele ainda não havia encontrado o tipo de amor, que o fizera abdicar de sua própria vida, pela vida de uma outra pessoa. Mas quem se importa com isso? Sasuke era jovem demais, e tinha toda a vida para esperar por esse tipo de amor.
Por enquanto, ele estava satisfeito com os laços que mantinha em sua vida... E naquele momento de percepção, de alguma forma, ele conseguiu transmitir todos esses sentimentos para ela, em apenas um olhar. Afinal, seus corações estavam conectados... Eram melhores amigos, e conseguiam ouvir o silêncio um do outro.

Então, depois de um minuto inteiro de silêncio de contemplativo, ele respondeu:

— Pode contar comigo, magrela.

Notas finais
AIN MDS Ç___Ç' /CRY. Então gente, não precisa surtar querendo saber como que ficou entre a Sakura e Itachi, porque ainda vai ter um epílogo ( com hentai Itasaku, muahaha ), que vai mostrar bem, como as coisas se encaixaram, até lá, espero que vocês comentem e me digam oque acharam deste humilde ( e enorme ) capítulo! Vou ver se posto o epílogo, antes do natal viu gente? Beijos, e até o proximo!