How many secrets can you keep?
3 Capítulo 3 - Uma Surpresa.
Chegando ao bosque pude vê-lo de longe, fumando um cigarro e brincando com a fumaça. Logo percebi um sorriso malicioso em seus lábios. Eu simplesmente adorava aquele sorriso cínico.
Leonardo hoje tem 19 anos, continua o mesmo molecão de sempre. Ele é sério, e ao mesmo tempo engraçado. Misterioso também, mas não é indecifrável.
Ele é magrelo e alto, mas com porte atlético. Ele porta um poder extremamente útil, Absorção Cinética, muito forte, aliás.
Conversamos um pouco e fomos para o carro saindo do parque e pegando uma via alternativa sentido Moema.
No carro, Leo, colocou o Pen-drive e escolheu uma música. R U Mine? do Artic Monkeys. Continuamos a viagem até que Leo pausou a música e se referiu a mim com uma pergunta.
–'' E a corujinha, teve notícias dela?'' — Perguntou ele como todas as vezes. Franzi o cenho e mordi o lábio inferior. Entreguei-lhe o celular e ele leu a tal mensagem.
– ''Ah, cara. Porque será que ela voltou assim, de repente? Arrumou problemas novamente?'' Indagou.
– ''Não sei, tenho até medo do que pode vir a acontecer. Melhor não pensar muito nisso agora. Aliás, sabe de quem tô sentindo falta?'' — Falei por fim.
Com uma cara de dúvida, ele soltou -''Ah, lá vem! Quem? Julia?'' —
– ''Não, não. A garota mais sexy que conhecemos.'' — Respondi rindo.
– ''Oh, santo Hades.. A Giu? Luana? '' — Disse ele num tom ansioso.
– ''Yes, Ela mesma. Giu. Hahaha. Saudades daquela garota. Só de pensar nela sinto meu corpo arrepiado. Igualzinho quando ela nos tocava. '' — Falei olhando-o.
Gargalhamos em Uníssono.
Chegamos na casa da Anna, buzinei três vezes, mas seria meio difícil ela ouvir, por conta do som alto, dentro da casa. Como sempre, ela ouvia Talk Dirty, do Jason Derulo.
Entramos e Anna se assustou com nossa presença e saltou as garras pra fora, e pude ver seus caninos afiados.
– ''Ah, são vocês'' — Disse ela. Desliguei o rádio e caminhei para a cozinha atrás de bebida. Era notório que ela teria álcool em casa.
–'' Qual era a urgência na sua ligação?'' — Diz Anna.
– '' Ah, tava com saudades. Voltei do interior á alguns dias e resolvi procurá-los.'' — Respondeu Leo.
–'' Entendi. Bom, pega um cigarro pra mim? Estou terminando de arrumar o cabelo. Pra onde vamos hoje?'' — Disse ela entusiasmada.
Voltei para a sala em passos largos a tempo de ouvir o final da frase.
–'' Procurar a Giu.'' — Respondi. Anna saiu do banheiro boquiaberta.
–''Você tá de zoação com a minha cara. Leo, ele tá falando sério?'' — Disse Anna surpresa, com as gargalhadas de Leo.
–'' Sim, estávamos falando dela no caminho pra cá e estamos com saudades. Será que ela ainda tá viva ou morando no mesmo lugar?'' — Responde Leo.
Tomei mais um gole de vinho barato e acendi um cigarro esperando impaciente por Anna.
–'' Cara, você tá demorando mais que eu, pra se arrumar. Até parece que vai num baile de gala. Haha''- Sorri.
Anna me olhou com desdém e colocou um casaco e suas botas de camurça.
Então saímos em um novo rumo, mas antes aconteceu algo que eu não esperava.
Quando liguei o carro e estava saindo, dei de cara com Corujinha parada no final da rua, meio perdida.
–''Porra, não é a Coru?'' — Disse Leo.
–''Não tô acreditando que é ela mesmo.'' — Indagou Anna surpresa, saindo do carro.
Continuei parado com o olhar fixado na garota.
–''Nem eu..'' — Disse a mim mesmo, fiquei pasmo, em choque ao vê-la novamente.
Saí do carro e fui ao seu encontro, olhei-a e ela retribuiu o olhar antes de me envolver em um abraço.
Fiquei assustado com a reação, porém retribuí. Haviam anos que eu não a abraçava.
Com as mãos em suas costas, pude sentir o que sempre esteve ali, preso. Olhando-a normalmente, ela é só uma garota corcunda, mas há algo de especial nela.
Conversamos por um bom tempo, mal a respondia, mas fiquei feliz de ver aquele sorriso novamente. Ela foi uma das minhas melhores amigas, sempre esteve lá quando precisei, até o momento em que não tivemos mais saída e ela escolheu se salvar.
Ela se culpa um pouco por isso, até hoje, eu sei. Mas, acho que todos nós já a perdoamos pelo tal, e não existem mágoas.
Convidei-a para entrar no carro e seguirmos o nosso rumo, atrás de uma antiga amiga.
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