How many secrets can you keep?

1 Capítulo 1 - A primeira impressão.


Eu só me lembro de estar em meu quarto, havia um feixe de luz entrando pela cortina. Logo olhei para o relógio, eram 07:45 da manhã, muito cedo para alguém que está acostumado a levantar depois do meio-dia. Acho que deve ter sido por conta do sonho que venho tendo a dias.. Sempre o mesmo sonho, com uma garota que não me recordo de conhecer. — Levanto-me da cama, espreguiçando e ouvindo os estalos do corpo. Ando em direção ao banheiro e paro em frente a porta, algo me perturba. Existe uma voz em minha cabeça.. Não entendo muito o que ela diz. Digo para mim mesmo -''Acho que estou ficando louco, ou estou dormindo muito mal.''
Fico em frente ao espelho e percebo que preciso me barbear, mas o de sempre me perturba.. Meus olhos. Um de cada cor. Um tom de verde que chega a ser penetrante, o outro um castanho não tão claro, mas com uma tonalidade Mel.
Tiro a roupa para dar-me o luxo de um bom banho, mas paro por um instante e fico admirando um colar no qual carrego comigo, e nele está um pingente de chave. Sim, uma chave. Ela não abre nada, eu acho, mas faz-me lembrar de uma pessoa que já gostei muito, mas hoje não temos mais contato. Acho que sinto mais falta dela do que de mim mesmo.

Tomo meu banho e visto uma roupa, antes de descer para tomar café, coloco uma lente de cor castanha, igual ao meu olho esquerdo, para tampar a íris esverdeada do tal. Isso me incomoda de modo que afeta minha auto-estima mesmo gostando de como eu sou.

Pego o celular e me assusto com uma conversa no Whatsapp.
– ''Não, isso é brincadeira com a minha cara, só pode ser zoação'' — Digo a mim mesmo.
Meu coração acelera, respiração fica ofegante e então eu decido abrir a tal conversa no qual está escrito:
'' Jhon? Eu sei que você tá dormindo, mas.. eu só queria avisar que estou de volta, e se puder.. sabe.. poderíamos nos ver, estou com saudade. Já fazem 3 anos, ainda não acredito que você sobreviveu. Espero sua resposta.''

Meus olhos marejaram ao ler aquilo, em anos me senti feliz por abrir novamente aquela conversa e obter uma resposta que me arrancasse um sorriso mesmo com a dor no peito.

Deixei o pensamento de lado, peguei as chaves e saí. Parei em frente ao portão e pensei: ''Onde será que vou agora? sair sem rumo novamente?''.
Acendi um cigarro e comecei a andar. — '' Ah, acho que vou atormentar a minha prima, na casa dela.'' Então parei em um ponto de ônibus e terminei o cigarro até que o ônibus chegou.
Desci e andei por mais alguns minutos e me deparei novamente com aquela rua que me trouxera um pouco de nostalgia. Entrei na tal casa e acordei-a. Começamos a conversar e então eu disse a ela sobre a mensagem da garota.
A reação dela foi certa e inesperada, com uma feição de surpresa ela soltou em berros. -''MAS QUE PORRA É ESSA? TÁ FALANDO SÉRIO?'' — Então ela começa a gritar. — ''Eu não entendo o porque disso agora! Ela foi embora sem mais nem menos, e agora volta dizendo essas coisas?'' — Ela levanta o celular olhando-o de forma exaltada.

Nós sempre tivemos um segredo a ser guardado, e na minha presença ela não tinha vergonha de mostrar como realmente era. Suas grandes unhas poderiam amedrontar qualquer um. Eu pude distinguir os seus sentimentos no momento, era um pouco de raiva e felicidade, mas então me surpreendi com algo.

Ela coloca as garras pra fora e rasga toda a toalha da mesa e panos que vê pela frente, até mesmo destrói uns armários e começa a praguejar algo para si mesma. Então comecei a utilizar o meu, digamos assim, ''Dom'' para acalmá-la.
– '' PARA COM ISSO, FILHO DA PUTA. EU NÃO QUERO MATÁ-LA, E NÃO ESTOU BRAVA. SÓ COM RAIVA POR ELA TER VOLTADO COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO.''

Ela voltou ao normal e nós subimos para o terraço e fumamos uns dois cigarros, jogando conversa fora. Então decidi pegar o carro na garagem. Um Mustang vermelho. Lembro-me de ter feito muitas coisas naquele carro.. Entrei, tirei-o da garagem e me despedi de Anna. Então mascando um chiclete indaguei -'' Depois volto pra te buscar e a gente vai dar um rolê, agora estamos em segurança, eu acho..''
Dei-lhe uns 2 maços de Malboro Red, então liguei o carro e peguei a via sentido centro. Iria para algum lugar, mas por hora, não pensei em um rumo certo.

Ah, falando nisso, eu nem me apresentei.
Bom, eu sou o Jhon, hoje eu me encontro na casa dos 22 anos. Sou portador de Heterocromia e bom.. Há algo de diferente em mim. Digamos que eu tenho um tipo de ''mutação'' no DNA. Eu posso ver, sentir, alterar e manipular os sentimentos de alguém. Para a maioria das pessoas eu seria uma aberração, mas na minha família isso é normal. Aliás, minha família resume-se em apenas uma pessoa.. Anna. De todos, apenas nós sobrevivemos.