How it all began
12 CHAPTER TWELVE - Haunting of the Scream House
Notas iniciais
Durante o café da manhã, todas as mesas fofocavam sem parar. O motivo? Dumbledore vestido com roupas de festa espalhafatosas e a decoração de natal já enchendo o Salão. Havia boatos de que o diretor iria anunciar algo naquele dia, porém, ninguém sabia se era verdade ou sequer de onde havia surgido a fofoca.
Me sento na mesa, ao lado de Sirius e Remus, puxando uma torrada para meu prato. A noite seria a primeira lua cheia do mês e Moony já começara a sentir os efeitos, ele andava mais pálido, destacando sua cicatriz no lábio e mal conseguia se concentrar em algo, fazia dez minutos que ele simplesmente estava encarando um pedaço de bacon, sem qualquer sinal de que algum dia ele fosse comê-lo.
Enquanto ele estava perdido nos seus próprios pensamentos, Dumbledore se levanta da mesa, abre os braços e anuncia ao salão todo:
— Caros alunos, gostaria de que todos se fizessem presentes após o jantar desta noite. Haverá um anúncio importante.
E se senta novamente, jogando a longa barba por cima do ombro e dando espaço para murmurinhos tomarem conta das mesas das quatro casas novamente e durante o dia todo, não se falou em nada mais além daquilo.
Durante a tarde, passamos na cabana de Hagrid, mas ele também não quis falar nada sobre o grandioso anúncio de Dumbledore, apenas continuou cuidando das suas abóboras do tamanho de cavalos.
Nenhum dos outros professores deu sequer uma pista, e todos pareciam bem irritados com a desatenção dos alunos nas aulas e as conversas que surgiam no meio das explicações. Talvez por isso, todos deram muito mais dever de casa do que os alunos estavam acostumados nessa época no ano, perto do natal e das férias.
Quando faltavam dez minutos para o jantar ser servido, praticamente todos os alunos já estavam aguardando no Salão Principal. Eu descia com a capa da invisibilidade e o mapa do maroto dentro do bolso, pensando se não teria que ir do jantar, direto para a Casa dos Gritos.
O jantar se arrasta, criando um clima de ansiedade entre os alunos que o diretor parecia apreciar, pois sorria e levantou-se vagarosamente quando as sobremesas magicamente sumiram das travessas.
— Alunos, que bom que se fizeram presentes a este esplêndido jantar. Agora, vamos ao que interessa. Já fui informado que os senhores tentaram fazer com que os professores contassem qual seria o anúncio, sem sucesso, devo dizer. — Ele olha para Sirius, que está com a cara emburrada por ter perdido dez pontos por atazanar o Prof. Slughorn para que lhe contasse sobre o que seria o anúncio — Então, permitam-me fazer as honras e informar ao senhores, que este ano, resgataremos uma antiga tradição de Hogwarts e faremos um baile de natal.
Quando ele disse essas palavras, o salão todo irrompeu em conversas animadas, até que o diretor pediu silêncio e continuou:
— Apenas os alunos acima do quarto ano podem participar, apesar de não haver óbice se um deles quiser convidar alguém de anos anteriores. O baile será na noite de natal, com início às 18h30min e encerramento às 00h00min. O traje é a rigor.
Os alunos são liberados, e todos se dirigem para os dormitórios, conversando animadamente sobre o baile, enquanto, no meio da confusão, Remus, Peter e Sirius se escondem sob a capa da invisibilidade e fogem sorrateiramente para o jardim, correndo para levar Moony, suando frio, até o Salgueiro Lutador. Eu fico para trás para buscar algumas roupas para Remus vestir de manhã, corro até o dormitório, pego uma calça qualquer, uma camisa e um frasco de poção revitalizadora, ele — e nós — precisariamos dela depois de passar a noite acordados na Casa dos Gritos.
Puxo o mapa do maroto do bolso, tentando ver se alguém estava vindo na minha direção. Não estava. Guardo o mapa e começo a me esgueirar pelos corredores mal iluminados até o jardim. Quando estou prestes a sair, uma voz me chama:
— Potter? O que está fazendo?
Eu congelo, me viro lentamente para o canto de onde a voz vem. Lily está agachada, procurando algo no chão e olhando confusa para mim. Eu sabia que não podia contar uma desculpa qualquer para a ruiva, ela jamais acreditaria. Mas decidi tentar mesmo assim:
— Ér...Eu tenho que levar umas coisas para o Hagrid na cabana dele. Não se preocupe.
Ela estreita os olhos, me fuzilando com as duas esmeraldas que fariam qualquer um tremer de medo, me encolho sem perceber enquanto ela se põe em pé e dá alguns passos na minha direção, cruzando os braços ameaçadoramente.
— Não acredito em uma palavra do que você disse, Potter.
Eu suspiro, me dando por vencido e passando as mãos no cabelo, nervoso.
— Olha, eu realmente queria poder contar — Dou de ombros, ansioso — Mas o segredo não é meu, não tenho escolha.
A ruiva aperta os olhos mais um pouco, então olha para o teto estrelado, onde a lua cheia brilha e a compreensão surge em seus olhos.
— Você vai atrás de Remus. Você é louco?
Olho surpreso para a garota, tento dizer algo inteligente, mas tudo o que sai da minha boca é um som parecido com “Ãhn”. Seus olhos verdes se reviram e ela fala:
— Sim, eu sei que Remus é um lobisomem, eu não sou burra sabe? E não estou nem aí pra isso. Mas o que diabos você vai fazer indo atrás dele? Ele vai te destroçar.
— Não, não vai. Vai ficar tudo bem.
Ela ergue um pouco seu tom de voz e fala:
— Como você pode ter tanta certeza? Ele é seu amigo aqui, na forma humana, mas ele não conserva sua mentalidade humana quando se transforma ou você não prestou atenção na aula de Defesa contra as Artes das Trevas?
Eu dou de ombros, decidindo contar tudo para ela de uma vez e ir o mais rápido possível para a Casa dos Gritos.
— Eu sei que ele fere humanos, mas ele não fere animais — Ela abre a boca para contestar, mas eu a interrompo e falo antes — Eu sou um animago.
Se queixo cai e ela me encara como se eu tivesse caído do teto no meio do salão.
— Mas que caral...Você é...O QUE?
— Um animago, desde o quinto ano. Sirius e Peter também. Fizemos isso para que Remus não precisasse passar as noites de lua cheia sozinho.
A garota assentiu, como se para ela mesma, então, me surpreendendo, ela diz:
— Vocês são ótimos amigos, James. Vai logo, Remus precisa de você — Ela me dá um beijo rápido na bochecha, me deixando paralisado — Tome cuidado, estarei aqui de manhã para ajudar vocês caso se machuquem. Vai.
Dou as costas para a ruiva, ainda surpreso com o desenrolar dos acontecimentos e sigo em direção ao jardim. Paraliso o Salgueiro Lutador e atiro a muda de roupas lá dentro, e quando me transformo no majestoso cervo, ainda posso sentir um par de olhos verdes me encarando fixamente.
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