How it all began
18 CHAPTER EIGHTEEN - The Imperial March
Notas iniciais
O funeral foi rápido e emocionante, Lily falou algumas palavras antes que sua garganta começasse a se fechar e as lágrimas começassem a escorrer, o que a fez interromper seu discurso no meio e cair no choro abraçada a Remus.
Petúnia, a irmã mal educada de Lily, ficou séria o tempo todo, não soltou uma lágrima sequer e ficou a maior parte do tempo com os lábios crispados e segurando firmemente a mão grande de um rapaz de cara vermelha e com o começo de um bigode cheio despontando debaixo do seu nariz. A sra. Evans, muito educada, convidou a todos nós para o jantar, já que, nas palavras dela, tínhamos vindo de muito longe para partir sem nenhuma refeição, mas eu sabia que ela apenas não queria ficar sozinha, uma vez que Lily precisava voltar para Hogwarts e a irmã tinha se trancado no quarto com o noivo, ignorando propositadamente todos nós.
O jantar foi simples, a sra. Evans, com ajuda de Lily, Lene e Mary, fez um delicioso frango assado com molho de laranja e uma salada de folhas verdes levemente amargas, Petúnia e noivo, Vernon, comeram de cara fechada, enquanto a sra. Evans conversava com Sirius e Peter e Lily brincava com a comida no prato, um pouco cabisbaixa.
Quando o jantar foi encerrado, Vernon foi embora e a sra. Evans pediu que as duas filhas tirassem da mesa, a contragosto, as duas se puseram a recolher os pratos, Lily negando veementemente a nossa ajuda, por mais que oferecêssemos.
A sra. Evans trouxe um café, enquanto ficávamos na mesa da cozinha esperando as duas irmãs se juntarem a nós. Enquanto saboreávamos o líquido encorpado, começou uma discussão na cozinha, gritos quase incompreensíveis surgiam pelo corredor e se misturavam ao arrastar de cadeiras e talheres batendo.
Antes que mais alguém pudesse levantar, Pads e eu disparamos em direção à cozinha, fazendo um sinal para ninguém nos seguir. Chegando ao cômodo, uma cadeira de madeira está derrubada no chão, talheres espalhados por toda a pia e Petúnia e Lily aos berros.
— Você ousa desrespeitar a memória do meu pai trazendo esses anormais para casa? — Gritava Petúnia, os cabelos loiros emaranhados voando furiosamente ao redor do seu rosto vermelho enquanto ela bradava, gesticulando agressivamente para a ruiva.
— Era nosso pai, Petúnia. E quem está desrespeitando a memória dele é você, sendo mal educada, bem o contrário do que ele nos ensinou, se é que você lembra — Retrucou Lily, com a voz um pouco mais baixa, mas ainda assim furiosa.
— Eu lembro, e lembro bem. Afinal, era eu que estava aqui enquanto você ia para aquele antro de anormalidade, deixando toda a sua família para trás — A loira bateu o pé no chão com força, enfatizando as palavras.
Lily recuou um passo, o rosto magoado e olhando em choque para a irmã, como se não pudesse acreditar no que ela havia falado. Vendo a dor no rosto da irmã, Petúnia se empolgou e começou a bradar, apontando o dedo:
— Isso mesmo. Abandonou. Para viver em um castelo sujo, mal iluminado e frio com mais anormais como você. Você sempre foi uma péssima filha, uma péssima irmã. Se fosse uma pessoa decente, teria curado o papai.
Lágrimas começaram a irromper nos olhos verdes brilhantes de Lily, e quando Petúnia foi tomar ar para continuar a humilhar a irmã, dei um passo à frente e passei o braço sobre os ombros da ruiva, pronto para discutir, mas Sirius foi mais rápido, se meteu no meio e começou a falar, baixo e perigosamente, com o rosto a centímetros do rosto raivoso da garota.
— Escute aqui, Evans — Eu nunca o vira falar com tanto desprezo antes, era quase como se ele estivesse falando da própria família que o havia deserdado — Se você ousar novamente acusar Lily dessas coisas horríveis, eu juro que farei você se arrepender e você vai desejar nunca ter aprendido a falar — Ele baixou ainda mais a voz, inclinando-se na direção dela, fazendo apenas um sussurro sair dos seus lábios - Estamos entendidos, Evans?
Ela apenas assentiu, muda, e Sirius endireitou sua postura e sorriu venenosamente, dando as costas para a loira estagnada no meio da cozinha e caminhando até Lily, que estava observando a cena boquiaberta, ainda presa no meio abraço que estávamos e sorriu para a ruiva, um sorriso sincero e nos acompanhou para fora do cômodo, dizendo:
— Não se preocupe, Lily. Aprendi a lidar com irmãos idiotas, infelizmente um mal necessário.
Lily deu um risinho baixo, erguendo-se na ponta dos pés e lascando um beijo estalado na bochecha de Sirius.
— Obrigada, Sirius.
Ele despenteia as mechas ruivas da garota com uma das mãos, em um gesto fraternal. Sirius era muito mais irmão para Lily do que Petúnia jamais seria, da mesma forma que para ele, ela era mais família do que os Black.
A sra. Evans nos obrigou a passarmos a noite lá, uma vez que já era tarde e ela não queria que Lily voltasse sozinha para Hogwarts no dia seguinte. Petúnia saiu para dormir na casa do noivo, claramente receosa em ficar muito perto de Sirius, então Mary, Dorcas, Lene e Alice se amontoaram no quarto da ruiva, deixando o quarto da irmã para nós cinco.
Poucos minutos depois de todos se ajeitarem, os roncos de Frank e Peter já enchiam o quarto. Remus respirava pesadamente e Sirius parecia acordado, encarando o teto. Depois do que pareceram horas, me levanto no saco de dormir estirado no chão e desço as escadas, acreditando que tomar um copo d’água fosse me ajudar a dormir.
Porém, ao passar pela sala, uma forma encolhida no sofá chama a minha atenção, Lily estava enrolada em um cobertor azul, olhando fixamente para a um quadrado brilhante em cima de uma estante, onde passavam repetidas imagens, algo que não fazia o mínimo sentido para mim. Esquecendo completamente do que eu ia fazer, fico parado ali, admirando as imagens que passavam por aquele quadrado brilhante, até que Lily nota minha presença e me chama:
— James? O que foi?
Acordo do meu transe e aponto para o objeto, perguntando:
— O que é isso?
Ela dá um risinho baixo e me explica.
— Isso é uma televisão. Os trouxas a usam para saber das notícias, ver filmes e saber o que está acontecendo ao redor do mundo. Sente-se aqui — Ela deu um tapinha no sofá, ao seu lado — Vou lhe mostrar como funciona.
Me sentei no sofá, e ela desandou a me explicar sobre o estranho objeto, pegando um controle cheio de botões e os apertando, para me mostrar como funcionava o aparelho.
— O que você estava vendo quando cheguei?
Ela sorri
— Alguns desenhos bobos. Costumava vê-los quando era pequena com meu pai, achei que poderiam me animar.
— Posso vê-los com você?
Os olhos dela brilharam indecifravelmente, ela pulou do sofá e foi até a cozinha, onde pegou grandes xícaras de chá e um prato enorme de biscoitos, depois jogou-se novamente no sofá, puxando a coberta para cima de nós dois, enquanto apertava alguns botões e selecionava algumas opções na tela. Depois de um tempo, uma música começa a tocar, uma música familiar de uma cafeteria em Hogsmeade.
— Star Wars! — Exclamei, feliz por ter me lembrado.
A ruiva sorriu
— Sim. Achei que já era hora de você conhecer um pouco sobre, já que você se fantasiou de Darth Vader no Halloween.
Ela se aconchega perto de mim, mastigando um cookie cheio de gotas de chocolate, enquanto tomava alguns goles do chá quentinho. Eu ficava vidrado a cada acontecimento, cada virada da história, e na hora em que Darth Vader diz para Luke: “Eu sou seu pai”, soltei um grito tão surpreso capaz de acordar a vizinhança toda.
Ao final dos três filmes, sim, três filmes, a madrugada já corria solta e Lily estava bocejando largamente encostada no meu ombro. Me mexo um pouco, largando a xícara, já vazia em cima da mesa ao lado do sofá. Quando faço menção de me levantar, Lily abraça minha cintura e me puxa de volta para o sofá, aconchegando-se mais perto do meu corpo e afundando o rosto na curva do meu pescoço. Baixinho, a ponto de eu imaginar que estava ouvindo coisas, ela diz:
— Fique.
Eu suspiro, me arrumando no sofá. Passo o braço ao redor dos seus ombros e a abraço, ela sorri satisfeita. Então, quando estávamos quase pegando no sono, ela levanta o rosto e me dá um longo beijo no canto da boca e fala, tão baixinho quanto antes:
— Obrigada.
E depois dorme, deitada no meu ombro, com os longos cabelos ruivos caindo sobre seus olhos, ressonando baixinho. Suspiro novamente, dou-lhe um leve beijo na testa e me ajeito para dormir, custando a acreditar que aquilo realmente estava acontecendo e que não era apenas um sonho bom.
Mas ao ver ela ressonando baixinho no meu peito, eu soube que não era um sonho.
Era muito melhor do que qualquer um que eu pudesse imaginar.
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