How it all began
19 CHAPTER NINETEEN - I don’t have a MINUTE OF PEACE IN THIS HELL
Notas iniciais
Acordei com alguns raios de sol no meu rosto, um incômodo na minha têmpora esquerda, com o braço direito dormente e alguma coisa no meu rosto, que fazia cócegas no meu nariz.
Tento me mexer para me ajeitar um pouco e ouço um pequeno murmúrio insatisfeito adormecido, mesmo sem enxergar quase nada percebo que ainda estou no sofá e lembro da madrugada que passou. Ajeitando os óculos tortos no meu rosto, o que era a razão do incômodo na minha têmpora, eu olho para baixo e encontro Lily ainda adormecida, em cima do meu peito e com meu braço direito sob seu corpo magro. A razão das cócegas no meu nariz eram alguns fios do seu cabelo ruivo que estavam no meu rosto. Sorrio.
Lily dormia profundamente, com os lábios minimamente abertos e alguns fios de cabelo caindo por seu rosto, os poucos raios de sol que tinham me acordado batiam em seu rosto, criando sombras em sua bochecha por causa de seus longos cílios. Movo minha mão livre e tiro o cabelo do seu rosto, admirando-o enquanto o fazia, ele era perfeitamente desenhado, como se um anjo tivesse feito suas feições, seus lábios eram perfeitamente moldados e a linha do queixo era suave e moldada. Ela era a mulher mais bela que eu já tinha visto na face da Terra.
Enquanto eu estou a observando em silêncio, uma voz insinuante e alta solta uma exclamação da escada atrás de nós, fazendo a ruiva acordar em um sobressalto e acidentalmente acertar uma cotovelada no meu rosto. Meus olhos enchem de lágrimas enquanto Marlene ri nos degraus e Lily ainda tenta compreender o que acabou de acontecer.
Durante o café da manhã, várias piadinhas foram feitas sobre eu estar dormindo no sofá com a garota e mais piadinhas ainda por causa do grande hematoma que se formava na minha mandíbula, o resultado do cotovelo de Lily. Depois de comermos, começamos a arrumar nossas coisas, era hora de voltar para Hogwarts.
A sra.Evans despediu-se de todos nós com um longo abraço caloroso, obviamente feliz pela casa ter estado tão cheia e alegre durante os últimos dias. Quando chegou minha vez, ela me abraçou por mais tempo do que os outros e, antes de me soltar, falou ao meu ouvido:
— Cuide dela para mim.
Ela me solta, sorrindo e eu assinto com a cabeça, sorrindo de volta para aquela mulher tão maternal. E então, depois de mais algumas palavras, tomamos a estrada até um beco escondido, onde poderíamos aparatar até Hogsmeade e, de lá, ir até Hogwarts. O familiar puxão atrás do umbigo indicou que estávamos aparatando e alguns segundos depois, aparecemos nas estradas frias de Hogsmeade. Andamos pela estradinha, conversando baixinho e puxando os casacos para mais perto do corpo, em uma falha tentativa de nos proteger do vento cortante.
O castelo, agradavelmente quente, foi uma surpresa feliz e ao entrar pelas grandes portas, tirei o grosso casaco preto que usava, e dobrando-o no braço, segui caminho ao lado de Lily para o Salão Comunal. Paro por um instante para recolher minha varinha, que caiu do bolso do casaco dobrado com um estrépito no chão e quando me abaixo, uma dor lancinante me atinge nas costas e eu sinto algo escorrer pela camisa, que fica ensopada em poucos segundos. Sangue. Solto um gemido de dor, que faz Lily virar para trás e soltar um grito agudo de terror quando me vê no chão e a última coisa que vejo antes de desmaiar, é ela furiosa empunhando a varinha e mandando feitiço após feitiço para alguém que está atrás de mim.
E depois é só escuridão.
Pelo que acredito ser muito tempo, fico indo e vindo em ondas de consciência e sonhos, ouvindo frases soltas e vendo um pouco do mundo ao meu redor antes de me entregar novamente para as tentadoras dobras de escuridão e sonhos que me cercavam.
— Quando você acha que ele vai acordar, Ginger?
— Não sei Sirius, ele ainda parece bem pálido. Queria ter podido acertar mais azarações naquele projeto de comensal. Não foi o suficiente.
Ouço um suspiro e uma mão pequena e quente pousa sobre a minha.
— Não foi o suficiente? — Uma risada grave soa, mais parecida com um latido — Ginger, você literalmente transformou a cabeça dele em uma grande couve-flor. Deveria estar orgulhosa.
E então as sombras me levaram para longe novamente. Durante toda a noite foi assim, acordando por alguns segundos, ouvindo conversas esparsas de Pads e Lily e adormecendo novamente. Quando o sol raiava, eu acordei.
Sirius dormia na confortável cadeira ao lado da cama e Lily estava sentada no braço da poltrona, acordada, com uma xícara de café nas mãos e o olhar perdido na paisagem da janela, mas quando me movo na cama, ela larga a xícara fumegante e levanta da cadeira. Consigo sentir seu olhar preocupado em mim e tento me sentar, sorrindo para ela, mas um raio de dor me atravessa assim que tento tirar minhas costas do colchão e meu sorriso se transforma em um aterradora máscara de dor.
Os lindos olhos verdes da ruiva se enchem de pavor e ela corre para o meu lado, apoiando a mão no meu ombro e me empurrando de volta para a cama, delicadamente, falando suavemente:
— Não faça esforço, James. O feitiço o pegou nas costas, elas estão no meio do processo de cura, vai doer e demorar mais se você se levantar. Precisa de algo?
Eu abro a boca para falar e percebo quão seca está minha garganta, com um gesto, peço um copo de água para a ruiva, que atende prontamente. Enquanto o líquido frio desce pela garganta, sinto-me mais aliviado. Eu não tinha percebido que estava morrendo de sede.
Depois de secar quase três grandes copos de água fria, suspiro satisfeito e me recosto confortavelmente nos travesseiros macios, desviando o olhar para a garota e perguntando:
— O que aconteceu?
Ela franze os lábios por um momento
— Você não lembra? — Balanço a cabeça negativamente — Você se abaixou para pegar sua varinha e enquanto estava agachado, um feitiço o atingiu e você desmaiou. Trouxemos você para a Ala Hospitalar, Madame Pomfrey ficou bastante assustada, aparentemente era um feitiço desconhecido até para ela.
— Oh, Merlin, eu não tenho um minuto de paz nesse inferno. — Falo com a voz afetada.
Lily solta uma risadinha pelo nariz e eu fico um momento em silêncio, tentando assimilar toda a informação e lembro de um fragmento de conversa que tinha ouvido em uma das muitas oscilações de sono e consciência.
— Você realmente transformou a cabeça de quem me azarou em uma couve-flor?
Suas bochechas avermelharam graciosamente.
— Você ouviu isso? — Perguntou incrédula, e quando eu respondo que sim, ela continua — Não veio nenhuma outra azaração na minha cabeça no momento, simplesmente falei a primeira coisa que surgiu.
Eu gargalho gostosamente, induzindo Lily a rir junto comigo, depois de um tempo, paro e lhe peço, com os rosto sério:
— Quem foi que me atingiu?
Seus lábios se juntam, com o rosto lívido de fúria e preocupação, e quando responde, o som sai por seus dentes cerrados.
— Snape. Com um feitiço desconhecido.
Uma confusão invade minha mente, seguida por raiva, um prazer feroz por Lily ter me defendido transformando a cabeça do ex-amigo em um vegetal e uma repentina tontura, pela quantidade de informações que eu acabara de receber. Ficamos algum tempo conversando e quando a garota vê o grande relógio pendurado na parede da Ala Hospitalar, ela se levanta de um sobressalto e vai até Sirius, ainda roncando alto na cadeira.
— Sirius. Ei, Sirius. — Ela suspira e começa a bater de leve no rosto dele — Acorda, seu cachorro.
Depois de alguns segundos, ele acorda e olha ao redor, confuso e com os cabelos negros caindo nos olhos, então ele me vê acordado e levanta rápido da poltrona.
— Ei, Prongs, já está acordado?
— Como é que eu iria conseguir dormir com os seus roncos no meu ouvido, Pads?
— Eu não ronco — Diz, e empina o nariz em um claro sinal de arrogância.
— Jura? — Ergo uma sobrancelha para ele — Então acho melhor você espantar esse bando de morsas que estão debaixo da cadeira.
Ele bufa, descontente e fica em silêncio, sem argumentos para rebater, mas logo depois cai na gargalhada e me dá um aperto amigável no braço.
— É bom ter você de volta, Prongs.
Sorrio para ele, enquanto Lily o chama de volta para a cadeira para conversarem a sós por um momento, convenientemente, desvio meu olhar para a janela, mas eles ainda estavam suficientemente perto para que eu ouvisse.
— Sirius, você precisa ir para as aulas. Falei com a Prof.Mcgonagall e ela vai me dispensar, mas você precisa ir.
— Mas e se acontecer alguma coisa? Eu não vou estar aqui para ajudar.
— Não vai acontecer nada, e se acontecer, eu prometo que vou correndo chamar você.
— Promete, Ginger?
Eu me viro para pedir que Pads pare com aquele drama, mas ao ver o olhar no seu rosto, genuinamente preocupado, as palavras morrem na minha boca e eu sinto uma repentina onda de afeto por ele. Mais leal que qualquer pessoa que eu já conhecera.
— Prometo, Sirius. — A garota sorri fraternalmente e ele retribui o sorriso. E então, em um único movimento, ela se levanta na ponta dos pés e dá um longo beijo na testa do garoto — Agora vai logo, cachorro.
O garoto aperta a mão da ruiva suavemente e se vira para sair, gritando um “Comportem-se” na porta da enfermaria, o que fez a ruiva engasgar de vergonha e atirar um sapo de chocolate na porta fechada onde ele estivera um segundo antes. Então, ela se vira para mim e fala, com uma animação notável na voz:
— E então, o que você quer fazer durante a tarde toda?
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