How To Save A Life
23 Welcome Home
Notas iniciais
Quinn acordou assustada com o toque do seu celular, que mais parecia uma multidão berrando em seu ouvido.
"Desliga essa porra!" Ouviu Santana grunhir, botando a coberta por cima da cabeça e virando para o outro lado.
Quinn desligou o celular, amaldiçoando quem quer que estivesse ligando, desejando nunca ter acordado. Sua boca estava completamente seca e uma leve baba manchava o travesseiro. Sua cabeça latejava insistentemente e ela sentia o quarto rodar mesmo estando de olhos fechados, incapaz de encarar a claridade sem que sua dor de cabeça aumentasse exponencialmente.
Tentou cair no sono novamente, mas seu corpo parecia implorar por água. Ou qualquer coisa que não fosse cerveja ou tequila. Sentou na cama lentamente, sentindo suas pernas ainda fracas. Quando teve a certeza de que não cairia, ficou de pé mais lentamente ainda, arrastando-se o melhor que pôde em direção ao banheiro. Lavou o rosto, sentindo um pouco de alívio com a água gelada batendo em seu rosto. Apoiou as mãos na pia e encarou-se no espelho. Estava uma bagunça!
A palavra ressaca estava saindo de cada poro de seu corpo, desde o olho manchado com o lápis que não retirara antes de desmaiar na cama até o cabelo completamente desgrenhado. Foram raras as vezes que havia ficado tão assim. Mas, de qualquer forma, um sorriso escapou de seus lábios. Pelo menos valera a pena. Não se lembrava de ter se divertido tanto quanto na noite passada, esquecendo os problemas e simplesmente curtindo a companhia de seus amigos. Uma fisgada na cabeça a fez gemer de dor. Talvez ela não devesse ter bebido tanto.
Abriu o armário a sua frente, achando um remédio para dor que sentia. Seu corpo ainda implorando por água. Saiu do banheiro e encontrou Santana jogada na cama, no mesmo estado que ela se encontrava. Abriu a porta do quarto o mais silenciosamente possível, acordar a latina agora seria definitivamente uma má ideia. Desceu as escadas, a casa completamente silenciosa. Entrou na cozinha e se serviu de água, bebendo em longos goles, uma sensação ruim no estômago. Seria incapaz de comer qualquer coisa naquele momento.
Ouviu um barulho vindo da sala e foi em direção ao mesmo. O celular de Santana tocava, jogado no sofá. Era Brody.
"Hey." Ela atendeu.
"Quinn? Até que enfim! Por que nenhuma de vocês me atende?" Brody soou preocupado do outro lado da linha.
"Está tudo bem, Brody." Ela respondeu, sentindo um carinho especial pelo rapaz, que nunca deixava de se preocupar com elas. "Saíamos ontem à noite e acho que exageramos um pouco. Acabei de acordar com uma ressaca enorme. A Santana ainda está dormindo."
"Por que isso não me surpreende?" Ele riu exasperado. "Como estão as coisas por aí?"
"Nem três dias e você já está implorando pra voltarmos? Onde está sua dignidade, Weston?" Quinn brincou.
Brody gargalhou do outro lado da linha. Quinn afastou imediatamente o celular, sua cabeça latejando mais uma vez.
"O que eu posso fazer? NY não é a mesma sem vocês. Estou com saudade das minhas mulheres."
"Não sei quem te iludiu fazendo pensar que nós somos suas mulheres, Brody."
"Ok. Você está muito Santana hoje. Vou desligar, ok?"
"Também estamos com saudades." Ela não pôde deixar de dizer. "Depois de amanhã voltamos."
"Eu sei. Se cuidem, ok? Vejo vocês no aeroporto."
Brody desligou o telefone e Quinn jogou o celular novamente no sofá, subindo as escadas, na esperança de quem sabe dormir mais um pouco antes que Santana acordasse e todo seu sossego fosse embora.
...
Rachel levantou da cama, um pouco mal humorada. Amava Brody, mas isso era hora de ligar pra alguém? Recusara-se a atendê-lo, desligando o celular, mas o sono fora embora. Sentia seu corpo todo doer. Pelo menos dessa vez conseguira chegar até o quarto, pensou orgulhosa.
Tomou um banho gelado, tentando fazer com que seu corpo despertasse daquele estupor e escovou os dentes quantas vezes foi preciso para tirar o gosto ruim da boca. Não pode evitar o pensamento de que parecia uma adolescente, tentando esconder dos pais que bebera na noite anterior. Até se lembrar de que quando ela era de fato uma adolescente e ainda vivia com seus pais ela havia bebido somente uma vez e fora em sua própria casa. Tudo tinha uma primeira vez, afinal.
Desceu as escadas e encontrou seus pais almoçando na sala de jantar, entretidos em uma conversa animada.
"Boa tarde." A morena cumprimentou, sentando-se na ponta da mesa.
"Olha quem resolveu aparecer. Teremos o prazer de sua companhia durante esse almoço pelo menos?" Hiram disse.
"Claro, papai. E durante o resto do dia." Ela sorriu.
"Pelo menos ela conseguiu achar o quarto dessa vez, Hiram." Leroy provocou.
"Pai!" A morena exclamou. "Eu nem bebi tanto ontem à noite."
"Por favor, Rachel. Assim que você entrou na sala eu e Leroy pensamos que algum de nós tinha derrubado álcool na cozinha."
Rachel murmurou algo como ‘somente uma garrafa de cerveja’.
"Tenho certeza que sim, querida. Vinho?" Leroy perguntou maliciosamente, praticamente enfiando a taça debaixo do nariz de Rachel.
A diva afastou a taça delicadamente, imaginando o quão sortuda ela era por nunca ter bebido quando ainda morava em Lima, evitando momentos como esses. Seria um longo dia...
...
O dia tinha passou como um borrão para Quinn. Ela e Santana revezaram-se entre a cama e o sofá, cansadas demais pra fazer qualquer coisa que não fosse beber muita água e tentar comer algo que tivesse glicose.
A loira acordou bem cedo no outro dia, passando na sua padaria favorita e parando em frente à casa de Rachel. Ela sabia que a morena estaria em outro lugar naquela manhã e ela realmente não queria ir embora de Lima sem visitar Hiram e Leroy.
Tocou a campainha sem medo, sabendo que provavelmente eles já estariam acordados.
"Estava mesmo me perguntando se você teria a coragem de ir embora sem nos ver." Leroy brincou, puxando Quinn para um abraço.
"Você sabe que não, Leroy. Não vim antes porque..." Não sabia como completar a frase sem que dissesse algo que talvez nem Rachel tivesse dito pra eles.
"Primeiro, entre." Ele disse enquanto fechava a porta atrás da loira. "Segundo: nós sabemos que você e Rachel estão brigadas."
Antes que Quinn falasse algo ela ouviu Hiram descer as escadas, abrindo um sorriso sincero ao vê-la. Se tinha um lugar que sempre a faria se sentir bem e acolhida, seria na casa dos Berry.
"Quinn, minha querida!" Hiram falou animado, também a puxando para um abraço. "Que bom ver você!"
"Também é muito bom ver vocês. Espero não ter esquecido qual é o bolo favorito de vocês." Ela disse, falando enfim o que era o pacote que trazia na mão esquerda.
"Não precisava, Quinn." Leroy ralhou. "Sei que o Hiram muitas vezes queima as torradas..."
Quinn riu da cara de indignação de Hiram, enquanto seguia Leroy em direção à cozinha. Pelo visto eles não tinham mudado nada durante aquele ano. Quinn ajudou a pôr a mesa, fazendo ela mesma o café, enquanto os três conversavam alegremente.
"Fico feliz que você tenha ido morar com aquelas duas, Quinn. A Rachel tem estado cada vez mais distante... É bom saber que tem alguém pra cuidar dela." Hiram comentou.
Quinn sorriu sem graça, imaginando o que eles pensariam caso soubessem de tudo que estava acontecendo.
"Exatamente. Sabemos que a Santana também cuida dela, mas ela nem sempre tem a cabeça no lugar." Leroy complementou, servindo Quinn de café.
A loira não queria prolongar aquele assunto, não quando ela sabia muito bem que a presença dela naquele apartamento não mudara em nada o jeito com que Rachel e Santana levavam a vida. E eles nem sequer sabiam qual era esse jeito, para início de conversa, e não seria ela a contar. Ela se limitou a sorrir timidamente e mudar de assunto.
Já era quase hora do almoço e eles ainda estavam ali, naquela mesma mesa da cozinha. Era impressionante como a conversa fluía entre eles, como Quinn se sentia a vontade para contar sobre o seu trabalho, sobre como ela se sentia por muitas vezes sozinha, sobre Beth, sobre o que esperar do futuro. E o mais impressionante de tudo é que eles ouviam, perguntavam e se preocupavam com ela.
Eles sequer faziam ideia do quanto aquilo importava pra Quinn, do quanto aquilo a fazia bem, fazendo seu coração explodir de gratidão por aqueles dois homens que desde o primeiro momento haviam a acolhido de braços abertos...
Quinn dirigia rapidamente pelas ruas de Lima, as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto. Avançou o sinal a sua frente, sem sequer reparar que ele havia fechado, quando da sua lateral percebeu um carro frear bruscamente e parar bem próximo a ela, buzinando freneticamente. Com o susto ela mesma havia pisado no freio e agora escutava o motorista xingá-la sem ter a mínima noção de como fora parar ali. Botou o carro em movimento, virando na primeira rua que passou, estacionando o carro. Suas mãos tremiam.
Recostou no banco, tentando acalmar a respiração. Pelo menos o susto que tinha acabado de levar tivera o condão de interromper as lágrimas que vinha tentando conter desde que saíra correndo de sua própria casa há alguns minutos. Pegou o celular com as mãos ainda trêmulas e discou o número de sua namorada. Ligou mais quatro vezes sem obter sucesso.
"Vamos, Cris! Atende..." Ela falou, nervosa. "Eu preciso de você..."
Tentou ligar mais algumas vezes, agoniada. As palavras de sua mãe martelando insistentemente em sua cabeça... Ela não podia voltar pra casa! Aquela nunca mais seria sua casa...
Já era noite e ela estava sozinha, sem ter a mínima ideia do que fazer... Por que sua namorada não atendia a merda do telefone? Jogou o celular descuidadamente no banco ao lado, ligando mais uma vez o carro, dessa vez dirigindo com cuidado, andando sem rumo pelas ruas de Lima. Sem saber ao certo o porquê, ela acabou em frente à casa dos Berry. Parou em frente à porta, indecisa. Fez uma última tentativa frustrada de ligar pra sua namorada antes de tocar a campainha e ouvir passos em direção à porta.
"Quinn?" Hiram exclamou surpreso ao abrir a porta. "Meu Deus, o que aconteceu com você?" Ele perguntou assustado, antes que a loira desabasse em seus braços.
Hiram somente retribuiu o abraço, ainda confuso.
"Você está sozinha?" Ele perguntou algum tempo depois, vendo que a loira já estava mais calma.
Quinn o soltou de repente, afirmando com a cabeça. As lágrimas tinham voltado.
"Venha." O mais velho disse gentilmente, fechando a porta que ainda estava aberta e se encaminhando pra sala. "Fique aqui, vou preparar um chá para nós." Disse, se dirigindo à cozinha.
Quinn sentou no sofá, completamente perdida. Ouviu vozes vindas da cozinha e não se surpreendeu ao ver Leroy entrando na sala alguns minutos depois, seguido de Hiram que equilibrava três canecas nas mãos. Ela sorriu fracamente para ele, que se sentou ao seu lado, uma expressão preocupada no rosto.
"O que houve, querida?" Ele perguntou, ajeitando os óculos no rosto.
Quinn tentou com todo o esforço contar o que havia acontecido. A descoberta de seu interesse por mulheres, seu namoro com Cris, o sentimento ruim toda vez que tinha que mentir pra sua mãe, como se estivesse traindo a relação que havia construído com Judy nos últimos anos, a decisão de vir para Lima mais cedo para poder conversar com ela e finalmente a briga que aquela revelação tinha causado. Os dois homens escutaram atentamente todo o seu desabafo. Leroy segurava carinhosamente sua mão, apertando-a toda vez que ele percebia o quanto estava sendo difícil para ela continuar falando...
"Fui tão ingênua assim ao ter esperanças de que ela pudesse aceitar?" A loira indagou, chorosa.
"Claro que não, Quinn. Todos nós sempre queremos a aprovação de nossos pais. E esperamos por isso. Foi assim comigo, foi assim com Hiram e está sendo assim com você."
"Eu estraguei tudo. Eu não devia ter dito nada!"
"Você tentou. Ninguém pode te culpar por isso." Hiram disse.
"Dê um tempo a ela. As pessoas tem muita dificuldade em lidar com a homossexualidade... Os pais mais ainda. Deve ter sido um choque para ela. Foi pra nós quando soubemos da Rachel, imagine pra ela." Leroy emendou.
"Não que a Rachel tenha se preocupado em nos contar." Hiram disse ressentido. "Temos que agradecer a Santana por sabermos." Ele frisou.
Quinn não pôde evitar um sorriso. A latina tinha soltado um comentário inconveniente sobre o gosto de Rachel por mulheres durante um churrasco que haviam feito lá no ano anterior. Quinn tinha admirado muito a forma com que Rachel sequer havia corado diante de seus pais, que foram completamente incapazes de disfarçar a surpresa com aquela revelação inesperada.
"É diferente, Hiram. A Rachel não está namorando ou qualquer coisa do tipo. Eu mesma achava que jamais contaria pra minha mãe sobre isso. Mas depois que eu e a Cris começamos a namorar..." Quinn suspirou. "É cansativo esconder um relacionamento..."
A loira estava mais calma depois de conversar com os Berry. Tinha até mesmo conseguido jantar com eles, aceitando o convite de ambos. Assim que ela ajudou Leroy a tirar a mesa percebeu que já devia ser tarde, começando a se despedir deles. Dormiria em um hotel e no outro dia pensaria no que fazer...
"De jeito nenhum! Você vai ficar aqui!" Hiram disse como se fosse óbvio.
"Já abusei de vocês demais. Não quero dar trabalho pra ninguém..." A loira disse envergonhada.
"Você não é trabalho nenhum, querida. Jamais deixaríamos você passar a noite em um hotel sozinha." Leroy frisou.
"Sem contar que a Rachel chega amanhã." Hiram a lembrou. "Você vai ficar conosco. Está decidido."
Quinn não encontrou mais espaço para argumentar. Rachel e Santana realmente chegavam amanhã e ela estava muito cansada naquele momento, desejando desesperadamente dormir e se esquecer daquele dia. Deu-se por vencida e abraçou os dois homens carinhosamente, agradecendo por tudo que eles estava fazendo por ela. Depois de pegar sua mala no carro e tomar um banho, Quinn acomodou-se no quarto de hóspedes, deitando na cama. Nem em mil anos ela ia adivinhar que aquele dia terminaria daquela forma...
Pelo que lhe pareceu a milésima vez ela pegou seu celular. Havia somente uma mensagem de Rachel, perguntando como tinham sido as coisas com Judy. Nada de sua namorada a não ser as mensagens que haviam trocado pela manhã. Era muito para o seu orgulho ligar mais uma vez para ela. Em vez disso ligou para Rachel, que atendeu logo no primeiro toque, a voz carregada de preocupação...
Quinn olhou para as horas e se assustou, já passava do meio dia e ela não queria encontrar Rachel ali.
"Hiram, Leroy... Muito obrigada pelo café e pela companhia, mas tenho que ir."
"Almoce conosco, minha querida." Leroy convidou.
Quinn realmente queria ficar mais, mas não podia. "Quem sabe um outro dia?"
"Você não vai mesmo nos dizer por que você e a Rachel brigaram?" Hiram perguntou, arqueando a sobrancelha.
"Não é nada de importante." Mentiu.
"Se não fosse importante você não estaria querendo fugir daqui para não encontrá-la." Hiram desafiou. "Vocês moram juntas, Quinn. Ir embora agora não vai adiantar muita coisa."
Quinn respirou fundo. Ela sabia disso. Ela só não queria que Rachel pensasse que ela estava ali atrás dela. "Eu sei. Mas eu prometi que almoçaria com a Brittany hoje." Mentiu mais uma vez, desconfortável com a situação.
"Nos desculpe, Quinn. Só queríamos aproveitar um pouco mais sua companhia. Vocês somem por meses e quando vem pra cá já querem ir embora." Leroy sorriu, sentido.
A loira não pôde evitar um sorriso triste.
"É melhor você ir embora, Quinn. A velhice está afetando muito o Leroy. Daqui a pouco ele explode em lágrimas."
Leroy bufou enquanto Quinn se dirigia aos risos pra sala, os dois a acompanhando.
"Obrigado por ter vindo, Quinn." Hiram a abraçou.
"Obrigada vocês pela ótima companhia de sempre." Ela sorriu doce, indo abraçar Leroy.
"Não demorem tanto assim pra voltar." Ele pediu. "Sabe que qualquer coisa é só nos ligar."
Quinn assentiu. "Se cuidem, vocês dois." Disse, saindo pela porta. Ouviu o barulho da porta se fechando, enquanto caminhava pelo jardim de entrada, pensando em como a vida era mesmo imprevisível...
Não tinha a mínima vontade de visitar sua mãe, nem sentia que devesse. A casa dos Berry lhe parecia muito mais familiar do que a mansão Fabray jamais fora e ela não ficou nem um pouco surpresa ao constatar que não se sentia nem um pouco mal por isso.
...
Rachel caminhava lentamente pelos corredores do colégio que um dia tinha sido o mundo inteiro pra ela. O som de seus passos ecoando era a trilha sonora para as inúmeras lembranças que sempre lhe inundavam ao entrar ali...
Fora ali que ela dera os primeiros passos em busca de seus sonhos, fora ali que ela tinha alcançado as primeiras decepções e os primeiros sucessos, que fizera amigos de uma vida inteira, que aprendera tantas coisas...
Parou em frente ao familiar armário... Nunca deixava de passar por ele. Eram tantas histórias, tantas lembranças! Recostou-se nele, fechando os olhos e abraçando a si mesma. Se ela forçasse um pouco a memória, poderia se lembrar exatamente de como era antes, de como se vestia, dos cadernos que sempre carregava cheio de partituras e ensaios... Quantas vezes ficara nessa mesma posição esperando o sinal tocar? Podia até ouvir o barulho dos armários sendo abertos e fechados, das conversas e risos no meio do corredor, dos passos apressados para sair do caminho da capitã das líderes de torcida...
E como se ela tivesse voltado no tempo, ela viu Quinn. O uniforme das Cheerios lhe caindo perfeitamente, como se tivesse sido feito a mão somente para ela, o rabo de cavalo impecável, a postura firme de quem sabe o que quer, o sorriso estonteante no rosto e o olhar penetrante que sempre soubera lhe dizer muito mais do que ela gostaria... Mas quando ela se aproximou, ela não era mais aquela Quinn. Ela não estava mais com o uniforme das líderes de torcida. Era a Quinn do último ano, era a sua Quinn...
Rachel observou ela parar no armário dela, não muito longe, e lhe direcionar o sorriso mais doce do mundo, os olhos brilhando em expectativa e um suave “Oi, Rach” que fez seu coração disparar feito louco...
Rachel abriu os olhos, toda aquela cena se desfazendo diante de si...
Seu coração ainda batia forte e ela simplesmente não sabia explicar porque ela não se desligava de Quinn, porque sempre que fechava os olhos sua mente insistia em lhe pregar esse tipo de peça. Precisava sair dali. E como em tantas outras vezes, seus pés a levaram ao seu refúgio, seu santuário. Não se esquecera do caminho, jamais esqueceria. Subiu a pequena escada que a separava do palco e finalmente pôde respirar tranquila, estava em casa.
Deu alguns passos hesitantes, olhando para as cadeiras vazias que por muitas vezes tinham sido sua única plateia. Sentou-se no familiar banquinho, subindo a tampa do piano e começou a dedilhar algumas notas aleatórias...
'Imaginei que você estivesse aqui..." Mr. Schue saía da coxia com algumas partituras em mãos e um olhar saudoso para a morena. Rachel o observou deixá-las em cima do piano e sentar-se ao seu lado, também dedilhando algumas notas.
"Nunca mais tive uma aluna como você, Rachel." Ele suspirou. "Até hoje sinto falta de você entrando na sala do coral e exigindo algum solo..." Disse rindo, fazendo a morena rir também. "Sinto falta de todos vocês todos os dias." Confessou. "Acho que todo professor fica parado no tempo, enquanto seus alunos alçam voo, se lembrando de quando eles ainda não sabiam como voar."
"Você sempre foi muito mais do que um professor para nós, Mr. Schue." Ela falou, sincera.
"Já falei que é Will, Rachel. Me sinto muito velho com vocês me chamando de Mr. Schue. Deixe isso para os meus alunos." Ele brincou.
"Vim aqui porque eu queria muito que você fosse à minha estreia..."
"Broadway! Não tivemos oportunidade de conversar sobre isso no jantar." Ele comentou.
O antigo professor começou a lhe encher de perguntas sobre seu papel, sobre suas expectativas, a fazendo detalhar cada performance que faria no palco. Via o quanto o professor estava orgulhoso dela e se deixou levar pela conversa, compartilhando tudo o que achava e esperava, toda sua ansiedade, deixando transparecer toda aquela paixão que começara naquele mesmo palco, tantos anos antes...
"Estou muito feliz e orgulhoso de você, Rachel. Mas preocupado também." Will disse.
A diva lhe direcionou um olhar confuso. Por que ele estaria preocupado com ela?
"Você está realizando o seu grande sonho! E você tem tanta coisa pela frente. Esse é só o começo. Mas por que eu não consigo sentir que você está feliz?" Questionou-lhe.
Aquela pergunta a acertara em cheio. A felicidade era para os inocentes, para os ingênuos de coração puro, para os que tinham sorte. Não para ela. "Tanta coisa mudou, Will..." Ela suspirou, sem saber por onde começar, sem sequer saber se queria começar. "Eu... eu me perdi de mim mesma. Eu já não sei mais quem eu sou, o que eu estou fazendo, aonde quero chegar."
"Rachel... mudar faz parte. Ninguém permanece do mesmo jeito por toda a vida. Nós crescemos, vivemos, sofremos, aprendemos e assim vamos, em um ciclo que sempre se renova. Quem melhor pra descobrir quem você é do que você mesma? Se você não gostar do que descobrir, mude! Só nós mesmos podemos superar tudo aquilo o que nos impede de ser quem queremos, de ser quem desejamos ser." O ex-professor disse.
"Eu não sei quem eu quero ser. Eu não sei nem por onde começar..."
"Então descubra, Rachel. Você é tão jovem! A beleza da vida não está em não sofrermos, em não nos decepcionarmos. A beleza da vida está nos erros, no quanto podemos crescer, evoluir, superar, perdoar, amar. E isso só acontece se vivermos, se arriscarmos. Não tenha medo de viver, não tenha medo de sofrer. Tenha medo de se acomodar, Rachel."
A morena sentiu como se tivesse levado um tapa.
Durante todos aqueles anos, não era isso que ela estava fazendo? Fugindo, tendo medo e se acomodando? Poderia admitir... Mas poderia mudar? Por não ter qualquer resposta, ela chorou. Chorou por tudo o que era, por tudo o que não conseguia ser e por todo o medo que guiava sua vida.
Sentiu Will a abraçar de lado e limpar suas lágrimas. "Não é nada fácil sermos adultos, não é?'
Rachel sorriu fracamente. "Obrigada, Will. Obrigada de verdade." Sussurrou.
...
Finalmente a última noite em Lima havia chegado. E Rachel ainda não havia se decidido entre a saudade e o alívio que aquilo estava lhe causando. Ela estava com o coração apertado por ter que mais uma vez dizer adeus aos seus pais e aos seus amigos, mas estava extremamente aliviada por finalmente ir embora daquela cidade, esperando que dessa vez todos aqueles fantasmas ficassem por lá.
E por fantasmas ela se referia basicamente a uma pessoa: Finn.
Por mais que seus sentimentos fossem confusos demais a maior parte do tempo, aquela viagem esclarecera dentro de si algumas coisas importantes. E a mais importante delas era que dessa vez, independente de qualquer coisa que o moreno fizesse ou dissesse, ela já não conseguia mais se imaginar cedendo a ele novamente, não conseguia mais se imaginar em seus braços... Não por orgulho, mas por ver, ao olhá-lo naquele exato momento, que não sentia essa vontade. E depois de tantos anos, aquilo lhe causava um único sentimento...
"Cerveja?" Ofereceu-lhe a latina, trazendo-a de volta a realidade.
Todos eles estavam reunidos para um último encontro na casa de Kurt e a morena percebeu que tinha se perdido em pensamentos enquanto Kurt, Blaine e Sam conversavam descontraidamente sentados no sofá ao seu lado, conversa da qual ela não tinha escutado uma palavra sequer.
"Você está bem?" Santana perguntou.
"Estou." A morena suspirou. "Só... pensando..."
"Desde quando você pensa, Rachel?" A amiga debochou.
"Desde agora!" Ela replicou, levantando-se, deixando a latina pra trás.
Foi em direção ao banheiro e só ao fechar a porta percebeu que não fazia a mínima ideia do que estava fazendo lá. Retocou a maquiagem rapidamente e logo que saiu a primeira pessoa que avistou foi Quinn. Ela conversava um pouco afastada com Brittany e Mercedes e Rachel não pôde evitar que as lembranças que tivera com ela ao visitar o McKinley tomassem conta dos seus pensamentos...
"Rachel?" Finn a chamou, hesitante.
A morena se obrigou a desviar os olhos da loira e encarar Finn, parado ao seu lado.
"Podemos conversar?"
"Claro."
"Vamos lá pra fora..." Ele propôs.
"Podemos conversar aqui mesmo." Rachel disse firme. Ela observou que o moreno estava ligeiramente nervoso, passando as mãos pelo cabelo.
"Você pensou em tudo que eu te falei aquele dia na casa do Will?"
"Não muito, mas creio que o suficiente." Ela foi sincera.
Finn lhe direcionou um olhar impaciente, frustrado com o jeito com que Rachel o respondia. "Deve ter conversado muito com a Santana pelo visto. Ou talvez com a Quinn." Ele disse, em uma fraca tentativa de ser irônico.
Rachel lhe lançou um olhar frio, sem acreditar que ele ainda achasse que tinha algum direito de falar daquele jeito com ela. "Nunca mais fale da Santana nem da Quinn nesse tom." Ela sibilou. "Ou eu realmente não vou mais responder por mim."
Finn arregalou os olhos, surpreso, mas não retrucou, parecendo perceber que aquele não era um bom caminho a ser seguido caso quisesse continuar aquela conversa. "Me desculpa, Rach. Eu só queria acertar as coisas entre nós." Ele tentou remendar.
"Não se preocupe com isso, Finn. De verdade. Não há nada a ser acertado entre nós." Ela deu de ombros, surpreendendo o moreno mais uma vez.
"Nada do que eu te disse significou alguma coisa pra você?" Ele questionou, parecendo não acreditar nas palavras da morena.
Rachel sorriu levemente, balançando a cabeça. "Talvez tivesse significado, Finn. Há um ano atrás, há cinco anos atrás."
Ela não estava triste, decepcionada ou com raiva do moreno. Ela só estava cansada e ansiosa em por um ponto final naquela conversa.
"Foi aquele dia, não foi?" Fitou a morena. "Foi aquele dia que eu te perdi..." Ele repetiu. "Quando eu saí sem me despedir, sem te procurar..."
Finn era realmente inacreditável.
"Você me perdeu muito antes, Finn." Ela cortou o moreno. "E por muito mais coisas do que isso. Aquele dia... eu só queria provar que o que existiu entre nós tinha valido a pena." Confessou, se surpreendendo com a sinceridade de suas próprias palavras.
"Rach..." Finn disse, tentando segurar na mão da morena, que desviou do contato.
"Tudo bem por aqui?" Santana perguntou secamente, fuzilando Finn com o olhar.
Rachel se sentiu extremamente agradecida por Santana ter aparecido. A latina parecia ter se conjurado ao seu lado em questão de milésimos. "Tudo ótimo." Ela respondeu, direcionando à latina um olhar calmo, tranquilizando-a.
"Isso é algum tipo de fila para o banheiro?" Brincou Puck, se aproximando dos três.
"O banheiro é todo seu, Noah." Disse a morena ao se afastar com a latina, sem olhar nenhuma vez sequer pra trás.
A morena foi direto para a cozinha. Precisava de algo mais forte que cerveja naquele momento.
"O que vocês conversaram?" Santana foi direta.
"Fique tranquila, Santana. Você não vai precisar defender minha honra outra vez." Rachel disse, enquanto pegava uma garrafa de tequila.
Santana segurou o braço da pequena, impedindo que ela despejasse o conteúdo em um pequeno copo que ela não fazia a mínima ideia de quando ou onde Rachel o havia achado.
"Hey! Olha pra mim, Rach..." A latina pediu, o tom mais suave.
"Eu não preciso disso agora, San. A única coisa que eu preciso é que você vire esse copo de tequila comigo e que me deixe voltar pra lá e aproveitar nossa última noite com nossos amigos."
"Pelo menos durma lá em casa hoje." Santana insistiu, observando a morena virar o copo e servir mais uma dose.
"Péssima ideia." Rachel respondeu, oferecendo a dose.
"A Quinn vai dormir na Brittany..." Tentou manter a voz firme. "Parece que a Mercedes também vai dormir por lá." Virou a dose.
"Depois vemos isso, ok? Você conhece meus pais..." Ela disse, encaminhando-se para a sala.
Rachel entrou na sala tentando mais do que tudo demonstrar tranquilidade, voltando ao lugar no sofá que ocupara mais cedo. Quando Santana sentou ao seu lado, a morena já estava conversando descontraidamente com Sam.
"Por que LA, Sam? Por que não NY?" Rachel questionou.
"Não programei nada, Rach. Foi uma oportunidade que surgiu graças à Mercedes..." O loiro explicou. "Espero que finalmente eu consiga me estabelecer por lá... Estou há muito tempo viajando demais, sem um lugar certo, uma casa que eu fique por mais de seis meses."
"Tenho certeza que vai dar tudo certo, Sam!" Blaine disse.
"E se não der, estamos em NY esperando por você. Rachel está certa, lá tem ótimas oportunidades..." Kurt começou.
Rachel riu ao ver a latina revirar os olhos para o monólogo de Kurt que estava por vir. Mais alguns instantes e ela tinha certeza que o amigo falaria a noite inteira sobre seu trabalho na Vogue.com, da mesma forma que alguns anos atrás ele falava da Broadway. Talvez a escolha que Kurt deveria fazer não fosse tão difícil assim de enxergar...
E pela segunda vez naquela noite seu olhar foi atraído sem o seu consentimento para uma certa loira...
Rachel sentiu uma espécie de déjà vu ao se deparar mais uma vez com ela e Puck conversando. Eles estavam muito próximos e pareciam falar sobre algo importante, não passando despercebido pela morena o gesto de Puck, que passou suavemente sua mão pelo braço da loira, como se a estivesse consolando... Ou seria simplesmente lhe fazendo carinho? Rachel observou quando Quinn sorriu tristemente para o moreno e olhou vagamente para o restante da sala, como se estivesse perdida ou sem saber o que dizer. Antes que pudesse desviar, seus olhares se encontraram.
Merda. Por que diabos ela estava observando os dois? Ela tinha certeza que tinha corado.
A loira logo desviou o olhar, não antes que Rachel pudesse perceber uma profunda tristeza e um certo cansaço naquelas orbes esverdeadas. Uma vontade inexplicável de confortar a loira tomou conta de si...
Ela sentia falta de Quinn! Mas tudo estava tão confuso e fora do lugar. Há alguns dias ela estava tão certa sobre a atitude que deveria tomar! Por que agora ela não tinha mais tanta certeza assim? Por que tudo em sua vida parecia mudar tão de repente desde o que acontecera entre ela e Quinn? Ela queria tantas coisas diferentes e todas ao mesmo tempo...
Parecia tão ridículo agora ter achado que ficar com aquela mulher no bar resolveria todos os seus problemas, que isso faria com que sua vida voltasse ao normal e enterraria todas aquelas dúvidas que a corroíam. Parecia mais estúpido ainda supor que não sofreria nada ao pôr a sua amizade com Quinn em risco daquela forma... Fora realmente tão egoísta a ponto de sequer ter pensado no que isso causaria em Quinn? Naquele momento lhe doía saber que sim.
E agora os efeitos colaterais de sua atitude vinham à tona para cobrar seu preço. Rachel se permitiu olhar mais uma vez para a loira, pensando que talvez esse preço pudesse ser muito mais alto do que ela imaginara...
E isso não era nenhuma novidade para ela.
"Rachel? Rach?"
Rachel olhou para Kurt, que sorria suavemente.
"Perdida em pensamentos?"
"Parece que sim..." Ela lhe sorriu fracamente, percebendo que só restavam ela e Kurt no sofá.
"Me ajuda a trazer algumas taças pra cá?" O amigo perguntou, logo pegando em suas mãos, fazendo-a se levantar e segui-lo até a cozinha.
"Taças?"
"Quero fazer um brinde!"
Rachel não pôde deixar de sorrir... Kurt Hummel sempre seria Kurt Hummel, afinal. Ajudou o amigo com as taças, mas recusou terminantemente a proposta de Kurt de fazer um discurso.
"Você é a líder do New Directions!" Ele argumentou.
"O New Directions acabou há anos, Kurt. Eu não sou mais líder de nada. O que nos une aqui é a nossa amizade uns pelos outros, não o coral." Rachel rebateu.
Kurt pareceu decepcionado, mas nada disse. Rachel não sentia a mínima vontade de falar, muito menos inspirada. Eles se encontravam todos os anos e essa vez não tinha nada de especial. Rachel estava muito feliz por ver que nenhum deles descumprira a promessa que tinham feito de nunca perderem o contato, por mais que suas vidas tomassem rumos distintos, mas ela tinha certeza que todos ali se sentiam também dessa forma.
Kurt terminou de encher as taças que faltavam e lhe direcionou um sorriso doce. "Eu te amo, ok? Isso nunca vai mudar." Ele afirmou, abraçando a morena.
"Eu também." A morena acompanhou o amigo até a sala, pegando sua própria taça e parando ao lado de Santana. Sam parecia ser o inspirado da noite, dizendo algumas palavras antes de todos brindarem e ela observar a latina virando a taça de uma vez só.
Depois do brinde, nada mais de interessante tinha acontecido. Ela e Mercedes estavam conversando por um bom tempo até que seu olhar cruzou com o da latina e ela percebeu que era hora de ir embora. Parecia que alguns também já estavam se despedindo. Sentiu os seus pés abandonarem o chão e um grito de surpresa escapou de seus lábios.
"Noah!"
"Quase não tivemos tempo de conversar dessa vez." Puck falou ao soltá-la. "Comentei com a Quinn que talvez eu visite vocês em NY. Estou realmente precisando de umas férias."
"Ia ser ótimo ter você lá por uns dias." Ela disse sincera.
Eles conversaram mais um pouco, mas logo Puck se despediu e ela se viu sozinha. A latina parecia ter ido conversar com Quinn.
"Boa viagem, Rach." Ela se virou surpresa e viu Finn parado diante de si, um sorriso triste no rosto.
"Obrigada." A morena respondeu. A situação era estranha, mas ela realmente não tinha mais nada a dizer. "Se cuida, Finn." Despediu-se educadamente, antes que o moreno decidisse falar alguma coisa.
Rachel pegou o seu sobretudo e se encaminhou para onde Santana e Quinn ainda conversavam. Ela já havia se despedido de todos, mas não queria ir embora sozinha. "Vamos?" Perguntou à latina, ciente do olhar que Quinn evitava lhe direcionar.
"Vamos." A latina respondeu prontamente, se virando para a loira. "Não atrase, Fabray. E não se esqueça de avisar pras mocinhas que eu não vou esperar por ninguém."
"Nosso voo é depois do almoço, San. Ainda vou pra sua casa almoçar com vocês." A loira disse já se afastando. "E eu aviso ao Blaine para eles não se atrasarem, porque eu acho que o Kurt já subiu..."
A morena observou ela virar as costas e ir em direção à Brittany, Mercedes e Blaine. "Já se despediu de todo mundo?" Perguntou para a latina, se encaminhando para saída.
"Claro que não." Santana respondeu como se fosse óbvio, abrindo a porta.
Rachel pôs o sobretudo e acompanhou a latina em silêncio até o carro.
"Não vai mesmo dormir lá em casa?"
"Não quero perder a manhã com meus pais. Qualquer coisa eu peço pra eles me deixarem na sua casa e vou com vocês para o aeroporto. Pelo menos assim dou um abraço nos seus pais." A morena recusou.
"Ok." A latina limitou-se a dizer, parecendo triste.
Rachel abraçou longamente a latina, querendo transmitir que estava tudo bem. "Dirija com cuidado."
Santana revirou os olhos e entrou no veículo. Rachel ficou observando o carro sumir de vista, até que uma rajada de vento particularmente fria pareceu acordá-la para o fato de que ela estava parada em frente à casa de Kurt olhando para o nada e tremendo de frio. Entrou em seu próprio carro e ligou o rádio, saindo rapidamente dali.
...
A volta para NY não foi muito diferente da ida. Rachel dormiu a viagem inteira no ombro de Santana, que estava extremamente mal humorada ao pousarem. Quinn também não estava no melhor dos humores, tinha ficado a noite toda acordada com as meninas, mas estava inquieta demais pra dormir no voo, toda hora mudando de posição, se amaldiçoando ao pensar que trabalharia no dia seguinte.
"Esperava uma recepção melhor que essa." Brody brincou, ajudando as meninas com as malas.
Quinn o abraçou de lado, enquanto Santana seguia a frente, ignorando a todos. Rachel seguia sonolenta ao lado dos dois, sem parecer saber ou se importar pra onde estavam indo.
"Eu não dormi ainda." A loira comentou, ainda abraçada ao moreno.
"Bom, eu dormi." Kurt disse, alcançando-os. "Mas ainda assim estou um caco. Não vejo a hora de chegar em casa." Admitiu, dando as mãos para o noivo.
"Somos dois." Blaine disse.
"Três." Quinn completou. "Você trouxe o carro?"
"Vim com o seu. O da Rachel estava com o tanque quase vazio e eu estava com medo de não chegar aqui a tempo caso parasse pra abastecer. O trânsito está uma loucura. Só não sei como vamos fazer pra enfiar todas essas malas mais nós seis." Brody informou.
"Não se preocupem com a gente, vamos de táxi." Blaine avisou.
"Tem certeza? Podemos dar um jeito." Quinn ofereceu.
"Caralho, mas que demora! Vamos, porra!" Santana gritou da entrada do estacionamento.
"Temos." Kurt afirmou, abraçando os dois, enquanto Blaine já fazia sinal para um táxi.
Quinn ajudou Brody com as malas enquanto Santana e Rachel entravam no banco traseiro. Já estavam na metade do caminho quando o moreno resolveu puxar assunto, incomodado com o silêncio. "Como foi em Lima?"
Três grunhidos foram sua resposta.
"Ok." Ele riu. "Fico feliz que vocês estejam de volta. Senti falta de vocês."
"Também sentimos." Rachel finalmente falou com a voz rouca.
Nada mais foi dito até chegarem ao apartamento, onde Santana finalmente resolveu se pronunciar, mandando Brody deixar de ser estúpido e dormir lá aquela noite. Os dois abriram uma cerveja, mas Rachel foi direto para o quarto, assim como Quinn.
"Foi tão ruim assim em Lima?" Perguntou o moreno, sentando no sofá.
"Você não faz ideia." A latina respondeu, se jogando ao lado dele e contando aos poucos o que acontecera...
"Você fez bem, Santana. Eu também socaria esse idiota se o visse na minha frente." Ele comentou. "Deveria ter ido com vocês."
"Se sinta a vontade na próxima vez."
"E Quinn e Rachel...?"
Santana suspirou, sem saber o que dizer.
"As coisas vão ficar meio estranhas por aqui então..." Brody disse, interpretando o silêncio da amiga.
"Como se já não estivessem." A latina concluiu, apoiando a cabeça no sofá e fechando os olhos.
Brody queria perguntar sobre Brittany, mas sabia que a latina tinha evitado tocar nesse ponto de propósito ao contar sobre Quinn e Rachel. Duvidava muito que Santana fosse responder o que quer que fosse sobre o assunto. Provavelmente levantaria do sofá xingando e iria para o quarto. Limitou-se então a continuar sua cerveja. Alguns minutos depois percebeu que a latina havia caído no sono.
Com todo o cuidado possível tirou a mesinha de centro e esticou o sofá, ajeitando a latina delicadamente na agora cama. Pegou as cervejas e deixou-as na cozinha, indo pro quarto de Santana atrás de um cobertor. Ao sair do quarto passou no quarto de Rachel e de Quinn, vendo que ambas dormiam tranquilamente.
Depois de ir ao banheiro deitou-se ao lado da latina o mais silenciosamente que pôde, cobrindo os dois, pensando no que aconteceria dali pra frente... Ele não fazia ideia, mas o pensamento de que as coisas não podiam ficar piores do que já estavam o tranquilizou de uma certa maneira.
Brody não podia estar mais enganado.
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