How To Save A Life

24 It's Not Right, But It's Ok


Notas iniciais
E aí moçada? rs E aí vocês respondem "E aí moçada o cacete!" Galera, mais uma vez, um milhão de desculpas pela demora! Obrigada a todas as pessoas que vieram perguntar da fic e puxar nossa orelha, porque aí eu podia puxar mais ainda a orelha da Gleeksick e essa bagaça finalmente ficou pronta! rs Como eu já disse pra várias pessoas, infelizmente a Gleeksick está num momento muito sem tempo da vida dela e isso acaba prejudicando o andamento da fic porque escrevemos juntas, por isso a demora... mas aqui e ali eu vou conseguindo botar ela nos eixos e tocando o bonde! Já disse também e vou repetir, nós não vamos de maneira nenhuma abandonar a fic! Vamos até o fim com ela e agradecemos toda a paciência! Ninguém mais que a gente queria que ela fosse atualizada pelo menos toda semana, mas infelizmente a realidade dos dias atuais é essa :( Desculpas esfarrapadas a parte kkkkkkkkkkkkkk aqui está mais um capítulo! Além disso, postei duas novas histórias nesse meio tempo, ambas traduções. Quem se interessar, está aqui os links: http://fanfiction.com.br/historia/536364/Holidaze/ http://fanfiction.com.br/historia/519547/Cab_Ride_Home/ Espero que gostem deste capítulo! FaberryLover

Rachel chegou exausta em casa, abrindo a porta e apoiando-se na mesma. Todo seu corpo doía. Poderia dormir ali mesmo... Ela estava em um ritmo louco de ensaios e não era a primeira vez que chegava mais tarde em casa, o teatro tinha se transformado em seu lar durante aqueles últimos dias.

Ela então percebeu que a luz da sala estava acesa e que Quinn estava no sofá, com uma caneta em uma das mãos e uma pilha particularmente grande de papéis apoiada em uma das pernas dobradas sobre o mesmo. Ela não parecia sequer ter reparado sua presença, o olhar focado em seu trabalho.

"Só tem você em casa?" A morena perguntou educadamente.

"Suponho que sim." Quinn respondeu, sem desviar os olhos do contrato que estava analisando.

Rachel retirou o cachecol e o sobretudo, pendurando-os antes de ir em direção a cozinha.

"Tem comida no forno, caso você esteja com fome." A loira disse no mesmo tom distante.

"Fomos a um restaurante depois do ensaio, mas obrigada de qualquer forma." Rachel respondeu.

Quinn não deu nenhum sinal de que tivesse escutado o que a morena tinha dito. Aquilo tinha se tornado normal desde que elas tinham voltado de Lima. Quinn falava com ela o necessário, mais nada. Na maioria das vezes ela suspirava, derrotada, tendo completa noção de que merecia aquilo. Mas algumas vezes aquele comportamento simplesmente a irritava, principalmente porque, desconsiderando todo o resto, ela sentia falta de Quinn. E ter consciência disso a irritava ainda mais.

Ela saiu andando a passos firmes até a cozinha, pegando uma garrafa de água e voltando para a sala. "A Santana disse que horas chegava hoje?"

Quinn riu pelo nariz, dando um sorrisinho irônico. "Como se a Santana me desse alguma satisfação da vida dela." Disse, rabiscando algo em um dos papéis.

Rachel trincou os dentes. Quinn sequer a olhava! Aquele definitivamente era um dos dias em que a indiferença de Quinn estava testando sua paciência. Ela marchou até a poltrona e se sentou. "Quer água?"

A loira se contentou em balançar a cabeça negativamente. Rachel permaneceu mais alguns minutos ali, esperando que a sua presença pudesse irritar Quinn tanto quanto ela se sentia irritada no momento. Ela sabia que estava sendo infantil, ela também sabia que não tinha direito algum em se sentir assim depois do que fizera com a loira, mas ela não conseguia evitar.

Quinn simplesmente continuou trabalhando, sem parecer se afetar com a sua presença ou com qualquer outra coisa. Rachel se remexeu incomodada pela milésima vez, respirando forte. "Por que você-"

"O que você quer, Rachel?" A loira disparou, finalmente erguendo a cabeça para olhá-la.

A morena a encarou, surpresa com o tom usado e pela loira a ter interrompido daquela forma. Há muito tempo Rachel não recebia um olhar tão frio vindo dela. "N-nada." Era realmente necessário gaguejar?

"Então posso voltar ao meu trabalho sem você bufando do meu lado?"

A loira estava sendo extremamente grossa e Rachel deixou a educação de lado também. "Eu não estava bufando!" Elevou a voz.

Quinn arqueou a sobrancelha, pronta para rebater, quando um barulho de chave e a porta abrindo a distraiu. As duas observaram Santana entrar e fechar a porta. A latina estreitou os olhos para a cena. "Tudo bem por aqui?"

"Tudo. Eu só estava indo para o meu quarto." A loira respondeu rapidamente, recolhendo suas coisas e saindo da sala.

Santana olhou indagativamente para a morena, que suspirou cansada e se jogou de volta na poltrona.

"O que aconteceu?" Ela perguntou, se jogando no sofá.

"Não sei." Rachel respondeu sincera.

Por mais que Santana quisesse uma resposta melhor de Rachel, ela não a pressionou. Quando percebeu que a morena não diria mais nada, ela tirou os sapatos e se levantou do sofá. "Vou tomar um banho, aquele estúdio estava um inferno hoje." Ela disse, depositando um beijo na testa de Rachel. "Me espera?"

A morena assentiu, o olhar perdido. Santana suspirou e saiu, tinha sido realmente um dia cheio. Rachel ouviu seus passos em direção ao quarto, seguido de um leve bater de porta. Deitou-se no sofá onde Quinn estivera há alguns minutos, fechando os olhos.

A almofada estava com o cheiro dela.

O ar ainda parecia ter a sua presença.

Suas palavras martelavam insistentemente em sua cabeça.

E seu olhar frio parecia estar gravado em sua retina.

Mas ela estava sozinha. Ela nunca se sentira tão sozinha.

E, dessa vez, ela era a única responsável por isso.

...

Quinn sentou em sua cama, atordoada. Ela não queria ter agido daquela forma com Rachel, mas ela também não conseguia conter sua frustração diante das atitudes da morena.

Por um momento ela realmente tinha acreditado que as coisas poderiam ser diferentes, que Rachel poderia mudar o modo de encarar a vida. Mas agora percebia que as feridas da morena eram muito mais profundas do que sempre imaginara, talvez agravadas ao longo de todos esses anos pelo comportamento dela, pela escolha de todos os meios errados para se curar. Se ao menos ela soubesse! Jamais teria se envolvido com Rachel. Mas ela não fazia ideia. Por todos esses anos ela estava em New Haven, sem saber o quanto aquilo afetava o dia a dia dela e de Santana, sem saber a profundidade de tudo aquilo.

Sem saber que existia alguma possibilidade dela se apaixonar por Rachel Berry...

Talvez se ela não tivesse se envolvido com a morena ainda restasse alguma chance dela poder ajudá-la, mas ela tinha ferrado com essa possibilidade. A amizade delas estava abalada e ela não sabia quando tudo voltaria ao normal, não sabia sequer se existia essa possibilidade.

Por que tudo tinha sempre que dar tão errado?

...

Era mais um dia normal de trabalho. Santana acordou e, como de costume, se viu sozinha no apartamento. Quinn estava no trabalho e Rachel na academia. Preparou ovos mexidos com bacon para café da manhã e abriu a geladeira para pegar uma latinha de refrigerante. Seu estômago já tinha desistido de protestar contra seus hábitos alimentares pouco saudáveis. Tomou banho, escovou os dentes e pegou a chave da moto antes de sair e trancar a porta do apartamento. Estava irritada com tudo e com todos e quase se viu gritando com o dono de uma Chevy por ser lento e burro demais. Brody mandou uma mensagem dizendo que já tinha chegado e a estava esperando. Estacionou a moto e viu o rapaz parado na porta.

"Bom dia." O moreno sorriu largamente.

"Só se for pra você." Ela passou direto, entrando no estúdio.

"Você também é muito importante pra mim, Santana. Estou bem, obrigado por perguntar." Brody seguiu a latina pelos corredores.

"Sabe do que eu preciso? Las Vegas!"

"Nem pensar que eu te deixo ir pra lá."

Santana discutia com Brody pelo caminho até chegar à porta de sua sala de aula, sem se dar conta de que tinha mais alguém ali. Largou a bolsa ao lado da porta junto com o capacete e tirou o casaco. "Só por alguns dias Brody, eu prometo que eu volto."

"Uau. Sua sala agora tem uma máquina de café! Pega um pra mim?" Ele largou-se no sofá.

"Estou te comendo e não estou sabendo, Brody?" Santana arqueou a sobrancelha.

"Quê?"

"Pega você mesmo!"

Brody ia responder, quando reparou na terceira pessoa ali dentro, encarando Santana com o semblante assustado. "Olá!" Ele sorriu sem jeito.

Santana virou-se para ele sem entender e seguiu seu olhar. Teve a sensação de ter levado um balde de água fria. Suas pernas tremeram, seu coração disparou dolorosamente. Ela piscou várias vezes para ter certeza do que via. "B-Brittany? O que você está fazendo aqui?"

A loira não respondeu. Continuaram se encarando, até que a dona da companhia apareceu na porta da sala. "Lopez, me perdoa, eu me esqueci de te avisar. Essa sala agora é da Brittany, nossa mais nova professora de dança." A mulher mais velha sorriu. "Você fica com a sala nova ao lado da do Weston, tudo bem?"

"C-claro." Santana respondeu atordoada.

"Britt, você está bem querida?" Angela viu a loira assentir, incerta. "Lauren está no telefone lá na minha sala. Ela quer falar com você."

A loira rapidamente seguiu Angela para fora da sala.

"Brittany? Ela é quem eu estou pensando?" Brody logo perguntou.

Santana não respondeu. Não estava em condições de falar. Brittany vinha para NY? E ninguém sabia? Seu sangue ferveu. Quinn com certeza sabia. A Fabray estava tão fodida com ela!

"Santana, é ela não é? A sua ex?" A moreno insistiu.

Quais eram as chances de estarem lhe pregando uma peça? Ela fechou os olhos... A presença de Brittany lhe impregnando. Em um rompante de fúria por escutar a voz de Brody mais uma vez ela se virou bruscamente, batendo a palma da mão na mesa.

"É, Weston! Ela é minha ex! Agora cala a boca, por favor!" Gritou, pegando o casaco e a bolsa e saindo rápido dali, indo para a sua nova sala.

Brody não a seguiu. Continuou onde estava, pensando. Não era hora de se chatear com a latina. Ela ia precisar dele. Pegou o capacete que Santana havia esquecido e seguiu em direção a sua própria sala de aula. Mesmo de lá podia ouvir Santana gritando com os alunos. Não era um bom dia para se ter aula com ela.

“Adoro quando ela está assim, é ainda mais quente.” Brody ouviu um aluno dizer.

“Ela precisa é de um homem de verdade, cara, pra botar ela na linha!” Um outro riu.

“Verdade, quem sabe com alguém comendo ela não fica mansa? Eu não tenho medo, boto ela no lugar em dois minutos.”

"Vocês três!" Brody chamou forte, vendo os olhares se voltarem para si. "Estão faltando o respeito com uma professora."

“Qual é, Brody! Vai me dizer que você não comeria a Santana? Se o grito dela é assim, imagina ela-!”

Brody não hesitou em segurar o garoto pela gola da camisa, batendo-o contra a parede, suspenso no ar. "É Srta. Lopez pra você! Meça suas palavras. Eu não sou seu colega, sou seu professor. Santana é sua professora. Eu não quero escutar essas merdas saindo da sua boca de novo e nem de nenhum de vocês! Você se acha homem? Você é um moleque!"

O garoto estava assustado. Brody o largou no chão e se virou extremamente irritado. Ninguém falou mais nada pelo resto da aula. Quando terminou, dois deles vieram pedir desculpas, enquanto o terceiro saiu apressado. Brody se sentou, massageando as têmporas, respirando fundo. Quando se sentiu mais calmo foi à sala dos professores, reparando que Santana não estava lá, mas a loira estava conversando com alguns colegas. Ele a analisou por alguns segundos antes de pegar um café e sair dali.

A porta da nova sala de Santana estava fechada. Ele bateu apenas para avisar que estava entrando, encontrando a latina sentada em cima de uma mesa, fitando o nada.

"Para você." Ele ofereceu o copo.

Santana o aceitou sem dizer nada. A tensão começou a se construir e a latina odiava isso. Ela não gostava de ficar sensível. De ver as próprias defesas caírem sem o menor esforço. Brody esperou pacientemente a latina terminar o café, até Santana amassar o copo de plástico e descer da mesa, abraçando-o. Ela precisava daquilo e ficou feliz pelo rapaz retribuir. Sentia-se melhor. Sentia-se protegida. Brody era um irmão.

"Você tem mais alguma aula hoje?" Ela perguntou.

"Não."

"Me leva pra casa, por favor..." O pedido soou tão fragilizado, tão estranho na voz de Santana, que Brody a apertou mais forte. Saíram dali e o rapaz ligou a moto, retirando a trava e passando o capacete para Santana. A latina aconchegou-se em suas costas.

Ao chegarem ao apartamento, para a surpresa de Santana, Quinn já estava lá. Toda a sua raiva voltou e ela partiu pra cima da loira.

"QUE MERDA É ESSA, SANTANA?!" Quinn disse tentando se proteger.

Brody tentou conter a latina, mas as duas rolaram no chão, virando uma confusão de socos e chutes. Rachel chegou em casa naquele mesmo momento, levando um susto com a cena e rapidamente se pôs a ajudar Brody. Com dificuldade o dançarino segurava Santana, enquanto Rachel tentava segurar Quinn. A loira tinha um lábio inchado e sangrando, enquanto Santana tinha uns poucos arranhões.

"O que está acontecendo aqui?!" Rachel perguntou irritada e ofegante.

"Está acontecendo que essa vadia, que supostamente era pra ser minha amiga, escondeu as coisas de mim!" Santana cuspiu as palavras, se debatendo nos braços de Brody.

"Você é louca!" A loira acusou.

"Quinn, não provoca..." A morena avisou.

"Não provoca? Eu não fiz nada! Ela chegou em casa e pulou em cima de mim!"

"Eu vou quebrar a sua cara! Brody, que inferno, me solta!" A latina esbravejou.

"Solta ela, Brody. Pode vir Lopez, eu não tenho medo de você!" Quinn provocou.

Rachel soltou os braços de Quinn, colocando-se na sua frente. "Para, por favor." Pediu baixo, virando-se para Santana. "O que aconteceu?" A morena viu as lágrimas querendo descer pelo rosto de Santana e seu coração se quebrou. A latina estava prestes a desabar novamente.

"Brittany está em NY." A latina respondeu com a voz falha.

"O quê?" Rachel franziu o cenho.

"Ela está em NY! Está trabalhando onde eu trabalho! E essa puta com certeza sabia e não me disse nada!" Santana cuspiu as palavras.

Quinn ficou em silêncio enquanto Brody e Rachel começavam a compreender.

"Você sabia disso, Quinn?" A morena perguntou com o tom de voz neutro.

"Eu não sabia aonde ela ia trabalhar." A loira disse.

"Mas sabia que ela vinha pra NY?" Rachel insistiu.

"Sabia. Ela me pediu pra não contar." Quinn admitiu.

Santana soltou uma risada irônica. "Desde quando você e Brittany são tão cúmplices assim? Você comeu ela também?"

Rachel se virou para conter Quinn e seu instinto estava certo, pois a loira estava com um ódio assassino no olhar enquanto empurrava a morena.

"Ah, lembrei! Deve ter sido quando ela te visitava em New Haven! Você nunca me contou isso por quê, Fabray? Estavam namorando escondido?" Santana provocou.

"Você quer mesmo saber por que ela me visitava em New Haven, Lopez?"

"Não, obrigada. Guarde as suas experiências sexuais pra você!"

"Para de ser ridícula!"

"Brody, me solta!"

"Não."

"Por favor."

"Solta ela. Ela não vai fazer nada." Rachel ordenou.

Brody soltou a latina a contragosto. Santana continuou parada no mesmo lugar, esfregando os braços doloridos pelo aperto firme.

"Ela não parava de falar de você." Quinn disse, prendendo a atenção da latina. "Ela adoeceu, teve que voltar pra Lima por conta disso, ficou meses assim. Tinha pesadelos, acordava chorando. Eu passei noites inteiras consolando, escutando, tentando desvendar o seu comportamento junto com ela. Ela não comia, não queria mais dançar. Teve uma série de problemas no colégio e eu era a única que conseguia confortá-la, porque eu era a única que tinha notícias de você! E quando ela escutava o suficiente, conseguia dormir. E isso me deixava furiosa, Santana! Ver você aqui, curtindo a sua fossa e ela lá, vivendo pela metade! Eu implorava, eu pedia pra te contar como ela estava e ela simplesmente surtava e me pedia chorando pra não fazer isso, porque a ideia de ser mais uma vez rejeitada por você a dilacerava! E ela sofreu tanto, que aquela Brittany se foi. Eu perdi a minha amiga alegre e inocente e até hoje não sei definir no que ela se transformou. E tudo por sua culpa! Então você não tem o mínimo direito de me cobrar por respeitar o sofrimento dela. Sofrimento que você causou. Sim, ela veio pra NY porque recebeu uma proposta irrecusável de emprego e se foi no mesmo lugar que você trabalha, eu lamento. Mas não por você. Por ela."

E dizendo isso, Quinn se soltou de Rachel, entrando no próprio quarto. A morena olhou para Santana e viu a trilha de lágrimas que tinha se formado em seu rosto. A latina saiu do apartamento correndo e Brody foi atrás. Rachel se encaminhou para o quarto de Quinn atordoada.

"Você precisa dar um jeito nisso." A morena apontou o próprio lábio.

"Eu me viro." A loira respondeu seca, sentada na própria cama.

"Não seja teimosa." Rachel disse firme, encaminhando-se para o banheiro. A morena pegou tudo que precisava para tratar do ferimento de Quinn, ainda sem saber o que pensar sobre a cena que tinha acabado de presenciar. Sentou-se ao lado da loira e começou a passar delicadamente um algodão úmido em seus lábios, retirando o sangue que já começava a secar. "Quinn..." Disse cautelosamente. "Posso te perguntar uma coisa?"

A loira assentiu brevemente.

"Você não vai gostar do que eu vou perguntar." Alertou.

Quinn grunhiu. Rachel não saberia dizer se era pela ardência do antisséptico que ela passava agora ou pelo comentário que fizera. Percebendo que essa seria a única reação da loira, ela ficou em silêncio por alguns instantes até não conseguir se segurar mais. "Se você sabia o que a Brittany estava passando, por que você dormiu com a Santana?" Ela questionou.

A morena percebeu a fúria contida nos olhos de Quinn logo se transformarem em tristeza. Ela definitivamente havia tocado em um assunto delicado para loira.

"Eu não sabia."

Rachel lhe lançou um olhar confuso. Quinn respirou fundo, sem saber se deveria dizer alguma coisa à morena. Ela não sabia se era pela culpa que a corroía no momento ou pela simples necessidade de por aquilo pra fora depois de tanto tempo, mas ela tomou fôlego, tentando organizar rapidamente tudo que estava em sua cabeça para poder explicar para Rachel da melhor maneira possível.

"Todas as coisas que eu acabei de descrever lá na sala, elas não aconteceram na época que eu e a Santana nos envolvemos." Vendo que a morena continuava sem entender, Quinn continuou. "Assim que elas terminaram, elas estavam relativamente bem. Ambas ficaram naquele discurso de eternas amigas, ainda se encontravam quando Santana ia pra Lima, ainda se falavam. Acho que a Brittany pensava que era só uma fase e que elas se acertariam eventualmente."

Rachel concordou.

"Lembro da Santana me dizendo que era o melhor para as duas e da Brittany comentando que queria dar espaço pra Santana, pra ela viver essa nova vida. Nas vezes em que fui pra Lima tudo parecia estar bem entre elas." A loira pausou por um momento, tentando se lembrar de tudo que tinha acontecido. Não era algo do qual ela se orgulhava. "E então veio o quase casamento do Mr. Schue e eu percebi que algo estava diferente. Elas mal se falaram e a Santana ficou do meu lado o tempo inteiro, sem sequer tocar no nome dela. Eu sabia que eu devia ter perguntado! Mas eu mesma estava mal, você sabe que eu tinha acabado de terminar um relacionamento. Eu e a San começamos a beber, dançar e não foi nada pensado, programado. Eu só queria curtir."

"Mas essa não foi a única vez, certo?"

"Não... A Brittany estava distante e eu não sabia como ela estava. A San apareceu lá em New Haven logo depois e nós começamos a sair, a ir em festas..."

A morena assentiu, lembrando de que naquela época ainda estava com Finn.

"Eu percebi que ela estava diferente, mas ela se recusava a falar qualquer coisa sobre a Brittany. E eu também estava querendo curtir a vida naquela época, não me preocupei muito. Algum tempo depois eu já estava tendo minhas próprias experiências e ela também. Nunca foi nada sério, nunca era nada combinado. Às vezes rolava, às vezes não." Quinn suspirou tristemente, olhando para o chão. "Até que a mãe da Brittany me ligou. E me contou tudo que estava acontecendo com ela."

"A mãe da Brittany te ligou?"

"Você não tem ideia, Rachel. Eu me senti a pior pessoa do mundo, a pior amiga da face da Terra. A Brittany estava com depressão e eu sequer fazia ideia, eu sequer tinha procurado saber o porquê dela ter sumido, de não dar mais notícias. E enquanto ela estava sofrendo, eu estava..." Quinn parou, incapaz de terminar a frase. Sentia um enorme nó na garganta. "A mãe... A mãe dela me disse..." A loira tentou continuar, sem sucesso.

Rachel deu um aperto gentil em seus ombros em solidariedade.

"Ela foi ficando assim aos poucos, sabe? Acho que ela foi percebendo que elas não iam voltar, que a Santana estava cada vez mais distante. Você conhece a San, sabe como ela é. Com o tempo elas se falavam cada vez menos, foram se afastando. Até que não se falavam mais. Eu fiz questão que ela fosse me visitar, pra tirar ela de casa. Eu nunca achei que fosse um dia ver a Brittany daquele jeito. Ela tinha ido embora, Rach." As lágrimas começaram a descer pelo rosto de Quinn. "Ela era outra pessoa. Depois disso eu nunca mais a abandonei, sempre fiquei do lado dela, dando todo o apoio, mesmo longe a maioria do tempo. Mas nunca... nunca tive coragem de dizer o que eu fiz."

"Você não tem culpa, Q. Como você ia saber?"

"Eu sabia ao menos que não deve fazer sexo com a ex da sua amiga. Que, a propósito, também é sua amiga!"

"Quinn... olhe pra nós, olhe para o Glee! Se a regra é não fique com quem seus amigos já ficaram, então todos nós falhamos miseravelmente em algum ponto da nossa vida." Rachel contra-argumentou.

"É diferente! Elas eram namoradas e minhas melhores amigas. E ainda se gostavam! Céus, provavelmente ainda se amam! Eu só pensei em mim. Nada muito diferente do que eu sempre fui." A loira concluiu amargamente.

"Não fala assim, Q. Você sabe que não é assim. Você é a melhor amiga e pessoa que eu conheço. Todos nós erramos. E faz tanto tempo..." Rachel olhou para Quinn, que parecia não ter escutado nada do que ela tinha dito, perdida em pensamentos. Os lábios dela estavam inchados e seus cabelos bagunçados. Ela queria tanto abraçá-la, confortá-la. Mas ela não sabia mais como agir com a loira...

"Desculpa." A loira falou de repente, estreitando sua postura. "Estou aqui desabafando e você não tem nada com isso. Só nunca falei disso pra ninguém. Acho que acabei botando pra fora tudo de uma vez hoje..."

"Não tem do que se desculpar, Quinn. Fui eu quem perguntei, lembra?"

"Eu vou tomar um banho." A loira disse, se levantando da cama. "Obrigada." Apontou para os lábios, antes de se encaminhar para o banheiro.

A morena a observou se afastar rapidamente, fechando a porta ao entrar no banheiro. Não demorou a ouvir o barulho da água, uma sensação ruim tomando conta de si. Jogou-se na cama, encarando o teto por alguns minutos. Brittany estava em NY, trabalhando no mesmo lugar que Santana. Santana e Quinn haviam brigado.

Então o cheiro de Quinn tomou conta de si, a tornando incapaz de pensar qualquer coisa que fizesse sentido. Quinn estava tomando banho. Quinn estava completamente nua a poucos metros de si...

A morena levantou da cama em um estalo, amaldiçoando-se pelos pensamentos inapropriados. Por que todos os seus pensamentos ultimamente pareciam só saber tomar uma direção? Por que sempre Quinn Fabray?

...

O clima no apartamento nunca estivera tão ruim. Não que sobrasse muito tempo pra que isso fosse percebido. Quinn se afundava cada vez mais no seu trabalho, sempre saindo muito cedo e chegando muito tarde, sem perder muito tempo em algum tipo de conversa com Rachel que não fosse sobre a casa. Ela e Santana sequer tinham se olhado desde o dia que a briga acontecera.

Rachel também estava ensaiando como nunca, mas ela e Santana tinham voltado a dormir juntas e ela procurava sempre conversar com a latina qualquer coisa que não fosse sobre Brittany. Santana era uma incógnita pra ela no momento, mas ela respeitava isso e sabia que a latina se abriria quando se sentisse pronta. Brody havia lhe dito que ela estava evitando a loira no trabalho e era só tocar no nome de Quinn que a latina era acometida por uma surdez intencional que durava vários minutos.

Santana nunca ia admitir, mas ela estava mais magoada consigo mesma do que com Quinn. Só ainda não estava pronta pra encarar tudo aquilo que a loira havia lhe dito. Ter a presença de Brittany todos os dias lhe doía mais do que todos os anos em que ficaram afastadas. Elas estavam tão perto, mas incrivelmente distantes. E isso fazia Santana querer chorar até perder as forças. Mas ela não fazia. Ela ia trabalhar todos os dias como se Brittany fosse só mais uma colega de trabalho, como se ela não estivesse morrendo por dentro, relembrando cada vez que elas passavam pelo mesmo corredor ou se encontravam na sala dos professores e da única vez que ela e a loira foram capazes de trocar mais que duas palavras uma com a outra...

Ela olhava distraída para algumas partituras, tentando decidir qual das músicas seria mais apropriada para o exercício vocal que queria iniciar durante aquela semana, a cabeça muito distante dali. Estava tentando evitar a todo custo a sala dos professores, mas Brody tinha lhe pedido para que esperasse lá, sem se incomodar em lhe explicar o porquê. Olhava desfocada para os papéis quando os passos de alguém entrando na sala chamou-lhe a atenção.

Era ela.

Sem conseguir se lembrar de como respirar e amaldiçoando a forma patética com que seu coração tinha se acelerado, ela observou silenciosamente Brittany se dirigir à máquina de café. Só isso bastou para que um nó se formasse em sua garganta. Nunca vira Brittany tomar café, a loira sempre tinha preferido algo que tivesse leite, como se beber café fosse adulto demais pra ela. Mas agora ela se sentia frustrada ao perceber que desconhecia a loira a sua frente.

"Oi." Santana sorriu-lhe educadamente.

Brittany encostou-se no armário ao lado da mesa de café, parecendo ligeiramente desconfortável. "Oi." Ela respondeu em um tom baixo, quase que envergonhado.

"Está gostando daqui?" A latina indagou, tentando manter a voz firme.

"Você quer dizer da cidade ou..."

"Da Hart."

"Aqui é maravilhoso." Brittany respondeu com um sorriso.

"E NY?"

"Não tive ainda muito tempo pra conhecer a cidade, mas gostei do pouco que pude conhecer. Com exceção talvez do frio." A loirinha constatou.

"Você veio na pior época realmente. Não que o verão daqui se compare com o verão de Los Angeles." Ela estava falando do tempo e sua voz não parecia sua. Sua vontade era sair correndo dali.

"Imagino que não." Brittany concordou, bebendo um gole do seu café.

Santana não sabia se conseguiria dizer mais alguma coisa e Brittany também parecia não ter mais nada a dizer. Um silêncio incômodo pesou entre as duas e enquanto Santana fingia organizar seus papéis a loira tentava rapidamente acabar com o café em sua caneca.

Mais alguns passos foram ouvidos e Santana seria capaz de casar com Brody assim que o viu entrando com outro professor na sala, respirando aliviada. O moreno cumprimentou gentilmente Brittany antes de ocupar uma cadeira na mesa em que a latina estava e lançar a ela um olhar interrogativo ao ver sua expressão. A loira cumprimentou o outro professor, que sentou ao lado de Brody, e se despediu dos três, saindo da sala.

Santana finalmente relaxou a posição, soltando um longo suspiro. "O que foi dessa vez, Weston?"

Brody lhe lançou mais um olhar confuso e começou a falar sobre uma ideia que tinha tido para uma apresentação conjuntamente com o seu colega. Santana olhou para a porta mais uma vez antes de focar sua atenção nos dois homens a sua frente...

Ela sabia que sua vida naquele momento parecia uma enorme piada de mau gosto. E que em algum lugar alguém estava morrendo de rir dela.

...

Quinn chegou em casa apressada. Era sábado e ela tinha ido tomar um café a tarde com Brittany, perdendo completamente a noção do tempo. Mas sua pressa foi momentaneamente esquecida assim que ela fechou a porta.

Santana e Rachel estavam jogando beisebol na sala. Exatamente. Beisebol. Elas tinham afastado todos os móveis para uma parede e Rachel estava com um boné na cabeça e o taco na mão, enquanto Santana estava com uma luva, pronta para jogar a bola na direção da morena. Quinn reparou em pelo menos um vaso e um adorno de vidro que ficava na mesinha da sala quebrados no chão. Ela sinceramente não podia acreditar. Mas ela já tinha desistido há muito tempo de chamar a atenção das duas por qualquer coisa que fizessem. E a visão da morena com aquele visual não ajudava em nada sua capacidade de falar. Então ela passou direto pelas duas sem dizer nada, indo para o seu quarto. Ela só não esperava que uma certa morena a seguisse...

"Você vai no Brody hoje?"

Quinn se virou rapidamente, sendo pega de surpresa pela voz da morena. Rachel estava apoiada em sua porta, olhando para o chão e se amaldiçoando pelo mau momento. Ela tinha dado de cara com uma Quinn Fabray sem blusa, com um sutiã verde e uma saia justa cobrindo o corpo, ainda de salto. A loira estava de tirar o fôlego e havia acabado de tirar o dela e por isso ela não podia encarar Quinn naquele momento. Ela não podia deixar que a loira visse em seus olhos o desejo impresso neles. Ela não confiava em si mesma o suficiente para encarar aqueles olhos avelãs, ela não confiava em si mesma para falar as coisas certas, ela não confiava em si mesma para tomar as atitudes certas. Então ela olhou para baixo.

"Eu estou muito atrasada, Rachel." Foi tudo que ela disse, entrando no banheiro.

Parecia que Rachel e Santana haviam se cansado de sair e haviam combinado de fazer algo mais tranquilo na casa do moreno com alguns amigos de NYADA. O que ela não sabia era como podia passar pela cabeça da morena a possibilidade dela ir. Ela e Santana não estavam nem se olhando e ela e Rachel mal se falavam. Ela não queria passar a noite em um apartamento cheio de gente desconhecida e amigos que não se falavam.

A morena não sabia nem porquê estava ali, no quarto de Quinn, perguntando aquilo. Muito menos porque ela seguiu a loira e encostou na porta do banheiro, ainda olhando para baixo. Quinn olhou incrédula para ela. Que merda Rachel estava fazendo ali?

A morena limpou a garganta. "Eu sei que não estamos nos melhores dos climas, mas não é justo que você se isole." A morena disse corajosamente. "Kurt e Blaine devem ir, vai ter vários amigos que você já conhece por lá. Vai ser bom pra você se distrair um pouco. O Brody não para de me ligar perguntando se você vai."

Brody também tinha ligado pra ela o dia todo e ela não tinha atendido. O que não tinha impedido o moreno de lhe mandar mensagens o dia inteiro.

"Se eu for, pode deixar que eu aviso o Brody." Ela falou, encarando a morena pelo espelho enquanto tirava os brincos. "Agora se você me der licença, hoje é a confraternização do escritório e eu não posso me atrasar."

Foi como se Rachel tivesse levado um soco no estômago, uma sensação de desconforto lhe dominando. Lembrava-se muito bem de que Quinn a tinha convidado para acompanhá-la a essa festa quando estavam se envolvendo, na falta de uma definição melhor para a morena. Rachel então levantou os olhos e seu olhar encontrou o da loira por breves segundos através do espelho. A morena podia ver claramente a mágoa refletida neles e aquela frieza que lhe lembrava os tempos de escola, fazendo com que seu interior se remexesse em arrependimento e tristeza. Talvez aquele fosse o momento, talvez ela devesse dizer algo. Mas ela tinha se tornado, acima de tudo, uma covarde.

"Ok." Foi a única coisa que ela disse, se virando e saindo do quarto. Talvez mais rápido do que ela realmente pretendia.

Quinn olhou seu próprio reflexo no espelho, rindo. Mas aquele sorriso estava longe de ser feliz. Assim como ela mesma.

Depois de sair do quarto de Quinn a morena voltou para a sala em silêncio, se jogando no sofá. A latina jogou a luva para a morena e se sentou também, notando o seu comportamento estranho.

"É a minha vez de te ensinar a rebater, Berry. Você não quebrou nem metade dessa sala." Debochou a latina, percebendo a distração da morena.

"Você reparou que nunca conhecemos ninguém com quem a Quinn trabalha?" Rachel soltou de repente.

Santana estreitou o olhar. Por que diabos Rachel sempre insistia em tocar no nome da loira agora? "Não sei por que a surpresa." Ela decidiu responder. "Você conhece a Quinn. Provavelmente todos naquele escritório já se referem a ela através de uma versão mais adulta de “Ice Quinn”. Até imagino como ela deve andar naquele escritório, como se fosse a rainha da Inglaterra, educada e ocupada demais para se relacionar com os colegas de trabalho como as pessoas normais fazem."

"Ela não é mais assim, S." A morena a defendeu, mesmo que não tivesse conseguido segurar o riso com o comentário.

"Não é mais assim com a gente, Rach. E talvez com algumas amigas de Yale. Talvez. Não com todas as pessoas do mundo."

"Como você pode saber?"

"Porque eu também sou assim." Santana deu de ombros. "Em uma versão bem mais gostosa e bem menos educada que a Fabray." Acrescentou.

Rachel gargalhou e Santana também. Depois de um momento ambas se olharam e Rachel não tinha certeza se a latina estava pensando o mesmo que ela, mas nunca tinha lhe parecido tão idiota o que elas estavam fazendo com a loira.

...

Quinn andava lentamente entre os convidados, cumprimentando um e outro rosto familiar. Estava ali há algum tempo e já estava entediada, querendo ir embora. Uma advogada júnior, Victoria, a parou a meio caminho do banheiro, falando animadamente sobre um caso que havia surgido aquela semana e a entretendo por alguns minutos.

Mais dois advogados logo se juntaram a conversa enquanto outros assuntos surgiam, fazendo com que ela se soltasse aos poucos, se sentindo mais à vontade. Olhou para o delicado relógio que usava, pensando em ficar só por mais alguns minutos antes de ir embora...

"Outro lugar pra ir?" Perguntou um dos advogados.

Quinn o olhou, percebendo que Victoria e o outro advogado haviam iniciado uma conversa paralela. "Combinei de encontrar com alguns amigos." Não era uma completa mentira.

O rapaz sorriu levemente, balançando a cabeça em entendimento. Quinn sabia que seu nome era Alex, mas pouco havia conversado com ele desde que entrara no escritório. Eram de setores distintos e ela, por vezes, esbarrava com ele nos corredores ou na sala de café. Ele era alto, cabelo loiro partido de lado e um porte altivo, lhe dando um ar elegante. Mas o que mais chamava atenção em sua aparência eram os olhos claros e os dentes muito brancos. Quinn só sabia que ele era muito educado e gentil, sempre lhe oferecendo ajuda quando estava carregando algo, e que deviam ter a mesma idade, pois ele também era recém-formado e havia entrado no escritório na mesma época que ela.

"E perder essa festa?"

Quinn arqueou a sobrancelha, mas logo percebeu que ele estava sendo irônico, rindo em seguida.

"Você devia aceitar algum dia sair com a gente, é divertido. Muito diferente dessa festa." Ele comentou.

"Quem sabe um dia?" Quinn disse.

Ela viu Alex sorrir, uma expressão confusa no rosto, tentando talvez desvendar o mistério por detrás de tanta reserva. "Vamos combinar o seguinte. A próxima vez que sairmos, você vai. Se não gostar, é só recusar educadamente todas as outras vezes até que eu desista." Ele propôs.

"Parece justo. Vou pensar no caso." Ela respondeu, sorrindo.

Ambos ficaram um tempo em silêncio. Quinn já se preparava para se despedir quando a voz dele interrompeu sua pretensão.

"Eles têm razão." Alex balançou a cabeça, sorrindo. "Você parece..." Pausou. "...ser diferente.

"Eles?" Quinn indagou curiosa.

"Ah, você sabe. As pessoas comentam. Ainda mais sobre o que elas não estão acostumadas."

"Com o quê exatamente as pessoas não estão acostumadas?"

"Com a sua beleza estonteante, por exemplo." Ele disse, sem qualquer constrangimento.

Não era o que ele havia dito a tinha surpreendido, mas o jeito que ele havia dito, despretenciosamente. "Obrigada." Ela agradeceu em um tom suave.

Ele a olhou como quem dizia 'por nada'. Ela não sabia quanto tempo tinha desde a última vez que ela se interessara pela personalidade de um homem, mas alguma coisa em Alex a tinha chamado atenção. Talvez por ele não agir como se quisesse conquistá-la.

"Acho melhor eu ir, não quero chegar muito tarde." Ela comentou. "Foi um prazer conversar com você, Alex."

"O prazer foi todo meu." Ele disse, beijando sua mão delicadamente. "Até segunda."

Quinn assentiu e se despediu dos outros dois advogados que ainda conversavam, se encaminhando para a saída, parando para se despedir ocasionalmente de algumas pessoas. Ela entrou no carro e soube que tinha duas opções. Ir para casa e passar mais uma noite trabalhando ou ir para o loft e aproveitar a companhia de alguns estranhos e de bebidas com forte teor alcoolico.

Ao chegar no loft, viu que Santana já estava completamente alterada.

"Demorou feito a porra, Fabray!" A latina disse assim que a viu.

Tanto ela quanto Brody e Rachel olharam surpresos para a latina. Elas não se falavam há dias e agora ela tinha demorado a chegar?

"Pega logo uma cerveja porque eu quero uma companhia hoje!" Santana acrescentou.

Quinn arqueou a sobrancelha, sem acreditar no que estava ouvindo.

"E eu e o Brody somos o quê?" Rachel disse antes que a loira se pronunciasse, em um tom falsamente ofendido.

"Você não está bebendo e o Brody não conta." Santana explicou.

"Essa doeu! Vou fingir que não escutei e te pegar uma cerveja, Quinn." O moreno falou, encaminhando-se para a geladeira.

"Você não está bebendo?" Quinn se dirigiu à morena, sem segurar a curiosidade.

"Minha estreia. Não estou tomando nada que possa afetar minhas cordas vocais. Só aquele chá de limão. E água, na temperatura natural claro." A morena disse.

"Aquilo é horrível." Quinn fez uma careta enquanto se sentava no sofá.

"Concordo!" Santana entrou na conversa. "Falando nisso, onde estão as mocinhas?"

"Kurt e Blaine?" A morena perguntou, rindo do estado completamente bêbado da latina. "Eles não puderam vir. Já tinham marcado de sair com um casal de amigos."

Santana fez uma expressão de desprezo antes de começar a falar sobre uma amiga delas que estava interessada em Brody, que neste momento voltava com a cerveja de Quinn. Pelo visto a latina a estava incluindo na conversa, então a loira começou a beber sua cerveja, se limitando a observar os dois amigos discutindo sobre a garota em questão. Santana acusava Brody de ser exigente demais para um michê.

"Como foi a festa?" A morena lhe perguntou, hesitante.

Quinn a lançou um olhar intrigado, mas resolveu responder de forma normal. "Tranquila. Muita conversa sobre trabalho, como se não soubéssemos falar de outra coisa, e pouca diversão." Respondeu.

Rachel assentiu, mexendo a boca como se fosse falar algo, mas desistindo logo em seguida. Quinn bebeu sua cerveja, olhando pela primeira vez ao redor. Tinha mais gente do que ela esperava.

"Você gosta de trabalhar lá?" A morena perguntou. Quinn nunca falava muito sobre o trabalho.

"Eu amo. De verdade." A loira respondeu sincera.

"É que nós nunca conhecemos nenhum de seus amigos de lá." Rachel se explicou. Era a primeira conversa de verdade que ela tinha com Quinn há dias e, apesar do clima estranho, ela estava aliviada pelo fato da loira estar ao menos lhe respondendo.

"Não tenho amigos lá." Quinn esclareceu de forma simples. "É realmente só trabalho."

"Você é muito reservada, Quinn." Rachel observou. "Nós somos, aliás. Contraceno seminua com o Mark todos os dias, mas mal consigo falar com ele sobre a minha vida. Santana também é assim. Pelo menos ela tem o Brody, que definitivamente é uma exceção em se tratando de amigos."

"Às vezes me pergunto se teríamos amigos se não tivéssemos entrado no Glee, se não fosse o Mr. Schue." A loira comentou aleatoriamente.

A morena riu. "Provavelmente não." Concordou. "Com que frequência você fala com alguém de Yale?"

Quinn não sabia explicar o interrogatório repentino de Rachel. Não que a morena nunca tivesse se mostrado interessada em sua vida, mas faziam anos que ela tinha deixado aquele jeito curioso de lado, sem quase nunca fazer perguntas diretas. "Muito pouco." A loira admitiu. "E isso porque formei não faz muito tempo."

"Exatamente. O loft está cheio de pessoas com quem estudei em NYADA e eu estou aqui, conversando com você, com quem eu moro e vejo todos os dias. Entende o que eu quero dizer?"

"Entendo." Quinn riu.

Ela de certa forma concordava com a morena. Aquela reserva ia muito além da amizade, refletia também nos poucos relacionamentos que tivera. Em tempos normais, preferia mil vezes a companhia de qualquer um deles do que de qualquer outra pessoa. E aquilo também não viera de forma fácil. "Isso não é necessariamente uma coisa ruim. Eu acho." A loira disse, incerta.

"Talvez..." Rachel tinha uma expressão pensativa no rosto. "Devemos ter perdido algumas coisas no meio do caminho."

"Mas também evitado alguns sofrimentos."

"Fico pensando se eles realmente podem ser evitados." A morena soltou, pensativa.

"É... acho que não." Quinn se limitou a dizer, incomodada com o rumo daquela conversa. "Então... nervosa?" Ela mudou de assunto.

Rachel foi pega de surpresa pela pergunta, mas tinha sido uma surpresa boa. Talvez fosse a cerveja ou a festa que estava rolando ao redor delas, mas Quinn parecia ter baixado a guarda aquela noite. "Muito, pra falar a verdade."

"Isso é bom. Não tem graça se não tiver um pouco de nervosismo, frio na barriga..."

"Acho que sempre vou me sentir assim, não importa quantas vezes eu suba em um palco." A morena admitiu.

"Não esperava outra coisa de você, Rachel. Mas não se preocupe. Você vai brilhar naquele palco por muitos e muitos anos..." Quinn realmente achava aquilo. Independente de qualquer coisa, a loira nunca tinha deixado de acreditar no talento da morena. Não tinha porque não dizer, não tinha porque esconder.

Rachel olhou para Quinn com o intuito de agradecer, mas encontrou aqueles olhos verdes presos em si, um sorriso sincero no rosto que a loira poucas vezes usava. Era a primeira vez em dias que Quinn realmente parava para observá-la e seu coração pareceu se aquecer e se comprimir ao mesmo tempo diante daquele olhar, o que ia dizer temporariamente esquecido. Novamente aqueles sentimentos inominados a invadiam, quase que proibidos...

Até Quinn desviar o olhar, parecendo desconcertada. Rachel limpou a garganta e olhou para o seu próprio colo, mil pensamentos rondando sua cabeça e nenhum que fizesse qualquer sentido. "Obrigada por acreditar em mim." Ela sussurrou, reencontrando sua voz.

"Sempre acreditei em você, Rachel. Sempre." O tom era baixo, mas dava para captar a sinceridade no que fora dito.

Rachel olhou para Santana e Brody, vendo que a latina a observava atentamente, ainda que conversasse com o moreno. Quinn levantou dizendo que ia pegar outra cerveja e, pelo resto da noite, Rachel não se atreveu a se perder mais uma vez naquele olhar...

Notas finais
;)