Notas iniciais
E aí galera? Pedimos desculpas pela incrível demora em postar! Apesar disso e como sempre dissemos, não temos pretensão de abandonar a fic e esperamos que vocês não tenham desistido dela! Acima de tudo, esperamos que vocês gostem do capítulo ;) Qualquer coisa só falar com a gente! Boa leitura!

O dia seguinte era um sábado e Quinn agradeceu por isso. Já era de manhã quando a festa tinha acabado e ela tinha dormido ali mesmo no loft, cansada demais para ir pra casa. Ela levantou da cama que ela e Brody haviam dividido e foi quando ela tropeçou em algo que xingava em espanhol que ela soube que Santana e Rachel também tinham decidido dormir por lá. Ela sentiu um cheiro de café e encontrou Brody fazendo ovos mexidos e bacon.

"Já disse que eu amo você, Brody?" Ela comentou, sentando em uma das cadeiras.

"Nunca, Fabray." O moreno respondeu, rindo.

"Saiba a partir de hoje então." Ela disse enquanto o moreno entregava um prato a ela. "Eu amo você."

Brody balançou a cabeça, ainda rindo, e se sentou na frente da loira, enquanto ela devorava o bacon. "Você está bem?" Ele perguntou depois de algum tempo.

Quinn o olhou interrogativamente, mas logo percebeu que não se tratava de um mero bom dia. "Eu sempre estou bem, Brody. Ainda que não esteja." Ela respondeu.

Brody lhe lançou um olhar simpático, sorrindo. "Eu admiro você, Quinn. Você é forte e independente. Mesmo quando você tem todos os motivos para não ser. Só não esqueça de que não é errado sofrer. Até onde eu sei, você pode falar o que quiser comigo que ainda assim eu não vou pensar menos de você. Eu dormia com mulheres para pagar minhas contas, lembra?" O moreno brincou.

Quinn sorriu, feliz por saber que podia contar com o dançarino. Brody era uma boa pessoa e não era de se meter na vida de ninguém. A loira gostava de verdade dele e o considerava um amigo, ainda que nunca tivessem sido os mais próximos. "Você é um bom amigo e uma boa pessoa, Brody. Não deixe ninguém te convencer do contrário." Ela disse, séria.

Brody riu, balançando a cabeça.

"O quê?" Quinn questionou, sem entender a reação do amigo.

"Estou muito feliz que você pense isso de mim, Quinn, mas você e a Santana são iguais. A diferença é que ela foge do assunto xingando ou indo embora e você faz isso de uma forma mais inteligente e educada. Mas fique sabendo que também dá pra perceber." Ele finalizou, sem desviar o olhar da loira.

Ele não estava chateado e Quinn sabia disso. "Não abuse da sorte, Brody." A loira avisou, mas seu tom era descontraído.

Algum tempo depois Rachel também acordou, se juntando a eles no café. Eles combinaram de ficar por ali mesmo aquele dia e chamarem Kurt e Blaine para irem pra lá. Quinn ficou aliviada quando o casal disse que iria. Ainda que na noite anterior ela e Rachel tivessem conversado, os poucos minutos ao seu lado tinham provado que tudo ainda estava estranho e frágil entre elas. Santana também não parecia ter tomado conhecimento de tudo o que falara e fizera na noite anterior ao acordar e a loira não esperava nada diferente vindo dela. Ela queria muito ter chamado Brittany para se juntar a eles, mas sabia que isso estava fora de cogitação no momento.

O dia tinha passado sem maiores incidentes e elas acabaram voltando ao apartamento para se arrumarem. Kurt tinha dito que queria ir em um pub novo que o casal de amigos que ele e Blaine encontraram na noite anterior tinham comentado e recomendado. Não foi muito difícil convencer Santana a ir depois de dizer que eles serviam double shots de tequila a noite inteira.

Quinn sabia que tudo estava diferente, mas ela não pôde evitar a sensação de familiaridade que a invadiu ao ver a latina e a morena andando pra lá e pra cá pelo apartamento, se arrumando, rindo e conversando. Aquilo fez com que ela relaxasse um pouco e parasse de se preocupar. Ela estava na sua própria casa, afinal. Se ela não pudesse se sentir bem ali, em qual outro lugar ela se sentiria? Tanto ela e Rachel quanto ela e Santana já haviam passado por situações piores e elas ainda estavam ali, morando juntas. A loira foi a primeira a ficar pronta, se sentando na bancada da cozinha com uma garrafa de cerveja em mãos.

O bar era mais perto do apartamento delas e alguns minutos depois Brody já tocava a campainha, se juntando a Quinn na tarefa de esperar pela morena e pela latina. Elas não demoraram muito mais a ficarem prontas e logo os quatro estavam sentados em uma mesa, esperando por Kurt e Blaine.

Eles já estavam na segunda rodada de double shots quando o casal chegou, pedindo desculpas pelo atraso.

"Sem desculpas esfarrapadas, Lady Hummel. A próxima rodada é por conta de vocês." Santana se limitou a dizer, fazendo Quinn revirar os olhos.

Kurt rebateu e ele e a latina iniciaram uma discussão amigável que logo teve fim. Santana, contudo, continuou implicando com o moreno. Como a loira não estava nem um pouco a fim de passar a noite toda escutando as grosserias da latina, mesmo que não fossem dirigidas a ela, ela pegou o copo de uísque que ela havia pedido e se levantou, com a intenção de dar uma volta pelo lugar, quando uma voz muito familiar soou atrás dela.

"Quinn?"

A loira se virou para encontrar uma morena de cabelos castanhos claros e olhos da mesma cor, ligeiramente menor que ela e com um enorme sorriso no rosto.

"J?" A loira sorriu, sendo envolvida por um abraço antes mesmo que pudesse falar alguma coisa. Jean tinha sido uma das melhores amizades que ela fizera em New Haven e fazia meses que ela não via ou falava com a morena.

"Não acredito que encontrei você aqui! Quais eram as chances de esbarrar com você em NY?" A morena perguntou, antes de fechar a cara. "E eu não acredito que você sumiu, Quinn. Todo mundo sem notícias, várias pessoas vindo me perguntar de você e tudo que eu tinha pra dizer era que você tinha se mudado para NY depois de fechar contrato com um famoso escritório e que nunca mais apareceu."

A loira revirou os olhos. "Você tem o meu número, era só ter ligado ou mandado mensagem." Quinn se limitou a dizer. "Partindo muitos corações em New Haven sem mim?"

Jean era um pouco mais nova que Quinn e a última vez que elas haviam se falado a morena ainda estava cursando arquitetura em Yale. Elas haviam se conhecido através da primeira colega de quarto de Quinn e se tornado amigas desde a primeira vez que tinham saído juntas. Elas compartilhavam o mesmo gosto sobre livros, mulheres e a melhor maneira de se divertir em festas.

"Você está linda e cretina como sempre, Q. E eu estou indo embora de lá. Recebi uma oferta de emprego em Chicago e vou embora daqui a algumas semanas." Jean respondeu.

"Não vai apresentar sua amiga, Q?" Santana falou ironicamente, arqueando a sobrancelha para Jean.

A morena parou de falar na hora e se virou para a mesa, sem ter reparado de início nas pessoas que estavam ali, na surpresa de ter encontrado Quinn. "Santana!" Ela falou animadamente, indo abraçar a latina.

Claro que a latina conhecia Jean e claro que elas tinham muita história para contar de todas as vezes que Santana tinha ido a New Haven.

"Jean." Rachel se limitou a acenar para a morena.

Quinn arqueou a sobrancelha. As duas morenas se desgostavam mutuamente. Talvez porque em uma das visitas de Rachel a morena tinha encantado uma colega delas que Jean estava tentando ficar por semanas e ficado com ela ou talvez porque Jean tivesse dado o troco algumas visitas depois, beijando uma garota que Rachel tinha apostado com Santana que terminaria a noite com ela. Não ajudava muito no momento também o fato dela e de Quinn já terem ido pra cama, pelo que Rachel se lembrava. Quinn já soubera um dia apreciar muito bem uma amizade com benefícios e sem qualquer compromisso.

Jean saiu do abraço da latina e olhou para Rachel, uma expressão que beirava desagrado no rosto. "Rachel." Ela devolveu o tom. "Ainda por aqui?"

Mesmo sem falar com a loira, Santana não conseguiu evitar uma rápida troca de olhares com Quinn, sabendo o que vinha pela frente. A loira, pressentindo o perigo, tratou de apresentar os rapazes, trazendo Jean para o seu lado da mesa e sentando com a morena.

"Então todo mundo aqui é gay? Acho que encontrei meu lugar!" A morena comentou, cumprimentando Blaine e Kurt, fazendo a latina gargalhar.

"Sempre esquecem de mim..." Brody disse.

"Gostei dela." Blaine comentou, sorrindo.

A conversa na mesa passou a fluir animadamente, Jean sabia muito bem como contar uma história e ela tinha várias que envolviam ela, Quinn, Santana e até mesmo Rachel e que faziam Blaine e Brody chorarem de tanto rir e Kurt arregalar cada vez mais os olhos, olhando descrente de uma para a outra. Depois de algum tempo, Rachel puxou Brody e sumiu pelo bar e Kurt e Blaine estavam protagonizando mais uma sessão incômoda de amassos em um dos lounges do bar.

"O que te traz a NY?" Santana perguntou, sem se lembrar se Jean já tinha dado aquela informação mais cedo ou não.

"Vim para um congresso de arquitetura e urbanismo. Estava em uma palestra completamente entediante mais cedo quando algumas pessoas que estão hospedadas no mesmo hotel que eu decidiram encerrar o dia mais cedo e me chamaram pra vir pra cá." A morena respondeu.

"Como assim hotel?" Quinn se virou para a morena.

"É onde eu estou." Jean respondeu.

"Não está mais. Você vai lá pra casa." Quinn afirmou.

"Concordo. Quero ter onde ficar se por um acaso do destino eu for parar naquela cidade de merda para onde você vai." Santana falou, para o divertimento de Jean.

"Saudade dos velhos tempos, Fabray?" Jean perguntou sugestivamente, sorrindo. A loira riu, mas desviou o olhar. "Difícil como sempre." Ela morena completou, sorrindo de lado.

"Madre Dios, você não mudou nada." Santana falou para Jean. "E você poderia ficar surpresa com o quanto a Fabray está ficando mais fácil ultimamente." Ela finalizou antes de levantar da mesa, dizendo que ia ao banheiro.

Jean tinha uma expressão curiosa no rosto ao se virar para a loira.

"Você não vai querer saber." Quinn se apressou em dizer, virando o resto da dose de uísque que estava no copo, completamente irritada com Santana. "Por quantos dias você pretende ficar por aqui?" Desconversou.

"Só esse final de semana."

As duas permaneceram conversando animadamente e aos poucos todos foram voltando para a mesa.

"Não queria interromper essa agradável madrugada, mas acho que somos os únicos que restaram e aquele garçom está quase dormindo em pé." Kurt falou, apontando para o garçom encostado na parede.

"Vamos encerrar a noite então." Blaine disse. "Brody, te damos uma carona para as meninas não terem que sair do caminho delas. Viemos de carro."

O moreno assentiu, levantando da mesa para pedir a conta direto no balcão.

"Vamos, Jean? Nós passamos no hotel e você pega suas coisas e já faz o checkout." Quinn disse, se virando para a amiga.

"Meu quarto está disponível." Santana propôs e piscou, rindo de lado.

Jean riu e bateu uma das mãos no ombro de Santana. "Depois eu que não mudei. Obrigada San, mas prefiro o quarto da Q." Ela disse, lançando um olhar sugestivo para a loira, que retribuiu o sorriso.

"Você convidou ela para ficar no nosso apartamento?” Rachel perguntou, visivelmente incomodada. "Sem falar comigo?"

"Como você mesma disse, é nosso apartamento, Rachel. E eu não fui a única a convidá-la." Quinn esclareceu, olhando para Santana. "Vamos, Jean? Acho melhor acertamos tudo no balcão de uma vez." Ela disse logo em seguida, fazendo o mesmo caminho de Brody.

Jean olhou para Rachel e piscou, antes de acompanhar Quinn.

Rachel lançou um olhar irritado para a latina. "Vou esperar no carro. Minha parte quem vai pagar hoje é você." A morena disse secamente, saindo do bar.

Assim que a loira e Jean estavam seguras em seu carro, a morena falou. "Ok. Agora você pode me dizer o que aconteceu entre você e a Rachel? Não que eu não tenha gostado, mas eu nunca vi você falando assim com ela antes."

A loira riu ironicamente. "Porque você não estudou com nós duas no colégio. Acredite, já foi bem pior."

"Estou falando do presente, Fabray. Vocês obviamente superaram o colegial." Ela disse, revirando os olhos.

"Não é uma boa história." A loira informou, ligando o carro. "E não estou nem um pouco a fim de falar sobre isso hoje. Talvez nunca." Ela disse em um tom que encerrava o assunto. "Onde é o hotel?"

Jean se deu por vencida mais uma vez e passou o endereço, apoiando a cabeça no banco. "Vou me arrepender das tequilas quando acordar." Ela disse de olhos fechados. "Ou podíamos cortar a parte do acordar." Falou ainda de olhos fechados, com um sorriso nos lábios. "Não é sempre que se tem Quinn Fabray na mesma cama que você."

"Sem gracinhas, Jean. É deitar e dormir." Quinn falou sorrindo a contragosto, balançando a cabeça.

"Sempre acabando com a graça, Fabray. Estava com saudades de você." A morena disse, lançando um olhar carinhoso para a loira, que retribuiu o gesto.

Rachel chegou em casa e foi direto para o quarto. A latina suspirou, fechando a porta. O caminho de volta para o apartamento tinha sido feito em completo silêncio. Santana sabia que a morena nunca gostara de Jean, isso era verdade, mas era mais uma implicância natural do que de fato um ódio mútuo. Todas as vezes que elas haviam saído juntas em New Haven eram a prova disso. Por que a morena parecia tão incomodada dessa vez?

Santana foi para o próprio quarto e tomou um banho relaxante. Ela ficou surpresa por não encontrar a morena em sua cama quando saiu do banheiro, trocando de roupa e deitando na cama, a espera de Rachel, caindo no sono alguns minutos depois.

A morena estava em sua própria cama, esperando o sono chegar. Ela não queria ir para o quarto da latina, imaginando que ela fosse perguntar o que ela tinha. Ela não tinha nada. Ela estava um pouco irritada com a presença de Jean e era só. Não era nada demais.

Assim que ela decidiu levantar para pegar um copo de água, ela ouviu a porta do apartamento abrir e o som de risos chegarem até ela. Ela deitou na cama de novo, desistindo de ir à cozinha e ter que dar de cara com a morena e Quinn, rindo de qualquer coisa idiota. Alguns minutos depois e ela ainda podia ouvir as vozes das duas, enquanto encarava o teto do quarto.

Ela não escutava Quinn rir daquela forma há dias, desde que elas tinham voltado de Lima. Na verdade não, ela percebeu com uma crescente agonia, desde a noite anterior a ida delas a Lima que ela não ouvia o riso de Quinn. Que elas não tinham uma conversa que não fosse estranha e cheia de mágoa e olhares tristes. E agora era Jean que estava fazendo a loira rir e conversar e de repente ela sentiu o ar lhe faltar. Era exatamente a mesma quantidade de tempo que ela não sorria de verdade, que ela não conversava qualquer coisa que não fosse para se distrair daquela melancolia do apartamento, que ela não fazia outra coisa que não trabalhar.

E pensar no que fizera a Quinn... sempre Quinn...

Ela ouviu o barulho de uma porta fechando e a falta de vozes lhe causou uma sensação pior do que ouvi-las. Ela levantou de um pulo e saiu do quarto, indo a passos sorrateiros até a sala. Vazia. O que ela esperava, afinal? Que Jean fosse dormir no sofá? Ela soltou uma risada pelo nariz, se sentindo ingênua. Claro que Quinn ofereceria sua cama pra ela e claro que... claro que agora elas estavam dividindo aquela mesma cama que por tantas vezes havia sido o palco para as inúmeras formas que a loira havia lhe dado prazer e tantas outras coisas que ela nunca quisera ou pedira. Mas a loira havia lhe dado mesmo assim.

Mas agora ela não tinha nem um, nem outro. E a escolha tinha sido dela. Inteiramente dela. Dessa vez, ninguém lhe abandonara, ninguém lhe dera desculpas e ela não teve que engolir mentiras. Ela estava seguindo o caminho que ela mesma havia escolhido. Tinha sido bom, mas era só a Quinn, e era só ela. E o sexo. Sempre só o sexo.

Mas por que doía tanto?

...

Jean acordou um pouco atrasada no dia seguinte. Sem despertar a loira que dormia tranquilamente ao seu lado, ela levantou e saiu do quarto, indo na direção da cozinha. Já estava terminando de fazer o café quando ouviu um barulho e ao se virar viu que era Rachel.

"Bom dia." Jean disse educadamente.

A morena estancou na porta. Ela quase não tinha dormido durante a noite, decidindo que um chocolate quente e um filme chato na tv seria a solução para os seus problemas de insônia. O que ela não esperava era encontrar Jean fazendo café em sua cozinha, usando uma roupa que ela tinha quase certeza que era de Quinn.

Rachel a ignorou, abrindo a geladeira.

Jean sorriu, mais do que acostumada com esse tratamento entre elas, mas não disse mais nada, começando a fazer algumas torradas, percebendo os olhares furtivos que a morena lhe lançava de tempos em tempos.

"Cadê a Quinn?" Rachel perguntou de repente.

"Deixei ela dormindo mais um pouco, ela parecia cansada." Jean respondeu depois de um tempo, se referindo ao trabalho da loira, mas Rachel não entendeu daquela forma.

"A noite foi tão boa assim?" Rachel insinuou, sem conseguir se segurar e se xingando mentalmente por isso.

Jean olhou para morena sentada à mesa e estreitou os olhos. As coisas entre ela e Quinn estavam realmente estranhas e ela não fazia ideia do porquê. Porém, mesmo a loira não tendo lhe dito nada, ela havia acabado de descobrir algo. Rachel estava com ciúmes. Rachel estava morrendo de ciúmes da loira por algum motivo e quem era ela para perder essa oportunidade?

"Maravilhosa." Jean respondeu, botando um enorme sorriso no rosto. "A Quinn sabe como receber uma visita, se é que você me entende." Ela finalizou, observando com atenção a reação da morena.

E o que ela viu a deixou ainda mais intrigada. Ela esperava uma resposta na ponta da língua da morena, uma provocação, algum comentário que a rebaixasse e até mesmo alguma expressão de desprezo e indiferença que a morena já tinha utilizado tantas vezes ao se dirigir a ela. Mas o que ela viu foi Rachel abrir a boca e não dizer nada, fechar os olhos por um momento e então abaixar a cabeça, se concentrando na caneca a sua frente.

Foi quando Quinn entrou na cozinha. A loira estava de bom humor, a presença de Jean havia feito bem a ela, a tirando daquela solidão que ela se encontrava. Nem mesmo a visão de Rachel a fez diminuir o sorriso, dando um suave bom dia e um beijo no rosto de Jean. "Por que você não me acordou?" Perguntou a Jean com a voz ainda carregada de sono, esfregando os olhos.

"Porque é domingo. A única que precisa acordar cedo por aqui sou eu." Jean explicou, oferecendo café para a loira.

"Mas eu te falei pra você me acordar, que eu ia te levar!" Quinn ralhou com a amiga, mas aceitou o café oferecido.

"Não precisa, Q. Aqui até lá é uma estação só. Não faz sentido você sair de casa pra me levar. Durma mais algumas horas e almoce comigo. Minha tarde está livre."

"Tem certeza?" A loira perguntou, vendo a morena assentir. "Ok. Assim que acabar lá você me liga então, conheço um lugar que você vai amar!"

"Combinado. Você é minha essa tarde, Fabray..." Jean não conseguiu deixar de provocar mais uma vez, sorrindo de lado e olhando de relance para Rachel. Quinn arqueou a sobrancelha, mas Jean fingiu não perceber. "Mas agora eu preciso ir." Ela avisou, dando um beijo no rosto da loira. "Não sinta muito a minha falta." Ela brincou, antes de ir para o quarto se arrumar.

A loira abriu o jornal que estava na bancada e continuou tomando o seu café, tendo a estranha sensação de que estava sendo observada por Rachel, mas toda vez que ela olhava para a morena, ela não parecia estar olhando. Ainda que seu rosto estivesse com um leve rubor. Ela ouviu o barulho da cadeira em que a morena estava sentada se arrastar e a morena se levantar pelo canto do olho, depositando sua caneca na pia e se virando. Por um instante, ela pensou que Rachel fosse dizer algo, as costas apoiadas na pia e olhando para ela.

Mas no segundo seguinte a morena tinha ido embora, nenhuma palavra sendo trocada entre elas. A loira suspirou, tendo a impressão de que a presença de Jean havia apagado o pouco progresso que elas haviam feito até então.

...

Já era tarde da noite quando Rachel finalmente voltou pra casa, depois de passar o dia inteiro na casa de Kurt. Era a oportunidade que queria para evitar a presença de Jean e de seus próprios pensamentos. Kurt estava tão animado com a promoção que havia recebido na Vogue.com e com a proximidade da sua formatura, que foi fácil entreter o amigo e desviar a conversa sempre que ele parecia querer perguntar algo sobre ela.

Assim que ela entrou pela porta, ela encontrou Quinn e Jean na sala, algumas garrafas de cerveja e pizzas espalhadas pela mesinha e a televisão ligada em algum programa qualquer, enquanto as duas dormiam no sofá. A morena estava sentada em uma posição extremamente desconfortável, com a loira com a cabeça deitada em seu colo, dormindo profundamente. Rachel não sabia o que queria. Acordar Jean com um grito e expulsá-la do seu apartamento parecia um boa ideia, assim como arrancar Quinn do colo daquela oferecida, levá-la para o seu quarto e...

"Rachel?" Ela ouviu Santana chamar seu nome.

A latina apareceu com uma cara de sono e um copo de água nas mãos, interrompendo seus pensamentos, mas sem conseguir levar embora a queimação que ela sentia na sua garganta. Ela olhou para Santana, engolindo em seco.

"Você..." Rachel começou e percebeu que o olhar da latina era penetrante. "Vocês..." Ela limpou a garganta, tentando se recompor. "Dorme comigo hoje?" A morena acabou perguntando, surpreendendo a latina.

"Oh, Rach..." A latina se aproximou, abraçando a morena, que finalmente se deixou respirar, tentando fazer com que fosse embora aquela sensação familiar. "Vem... eu cuido de você."

O tom da latina era doce e preocupado, mas ela não disse mais nada, pegando a morena pela mão e levando até o seu quarto. Rachel logo achou um de seus pijamas em uma das gavetas da latina e se trocou em silêncio, se aconchegando nos braços dela ao deitar na cama.

Ela não precisou dizer nada, Santana sabia que aquela não era a hora de conversar, que a única coisa que ela precisava naquele momento era que a latina a abraçasse e ficasse ao seu lado, sem julgamentos e sem questionamentos. E assim a latina o fez, até que a morena dormisse, até que ela mesma dormisse.

...

Na segunda de manhã Rachel saiu do quarto da latina um pouco depois do horário que ela costumava acordar. Ela tinha tido um sono agitado e acordado diversas vezes durante a noite, mas a boa notícia era de que Quinn acordava muito cedo e provavelmente já tinha ido trabalhar.

Mas não era seu dia de sorte. Assim que ela entrou na cozinha ela se deparou com Jean e Quinn tomando café e conversando sentadas à mesa e nenhum sinal de Santana. Ela foi direto para o café em cima da bancada, evitando as duas.

"Bom dia, Rachel." Jean disse em um tom neutro, interrompendo a conversa com Quinn.

"Bom dia, Jean." Rachel respondeu educadamente.

Quinn arqueou a sobrancelha para as costas da diva, surpresa pela atitude. Ela esperava que a morena fosse ignorar Jean por completo, como ela tinha feito todo o final de semana. Mas logo Jean estava dizendo algo e Quinn voltou sua atenção para a conversa.

"Como eu estava dizendo, não precisa se preocupar porque eu vou almoçar com alguns amigos hoje e devo passar a tarde com eles." Jean respondeu o que parecia ser uma pergunta feita anteriormente pela loira.

"Mas nos encontramos antes de você ir embora, certo?" Quinn perguntou.

"Claro!" Jean respondeu, piscando para a loira e ganhando um revirar de olhos de Rachel. "Vou encontrá-los porque senão eles me matam por ter passado por aqui e não ter encontrado com eles. Mas não vou embora sem me despedir de você." Ela finalizou com um certo charme.

Rachel resmungou algo ininteligível para o café a sua frente, chamando a atenção das duas.

"O que você disse?" Jean perguntou desafiadoramente.

A morena se amaldiçoou internamente pelos seus pensamentos em voz alta, mas não ia recuar diante de Jean. "Por favor né. Se a gente não tivesse tido a infelicidade de ter você tropeçando em nós no bar, sua presença em NY iria passar em branco e não ia fazer diferença nenhuma em nossas vidas, já que a Quinn não fez nenhuma questão de manter contato com você no momento em que botou os pés para fora de New Haven, caso você não tenha percebido." A morena falou, pingando ironia.

"Rachel!" A loira exclamou em tom de censura, a fuzilando com o olhar.

Jean tinha uma expressão de leve surpresa no rosto e talvez por isso ainda não tivesse falado nada.

"Acho que vou terminar meu café na padaria aqui do lado." Rachel disse dando de ombros. "O clima dessa casa está meio intragável esses dias." Ela completou, jogando o restante do seu café na pia e tomando a direção da porta.

"O clima dessa casa já estava intragável muito antes da presença de Jean, Rachel." Quinn não pôde deixar de alfinetar.

Mas a morena continuou seu caminho. Ou ela não tinha ouvido ou não tinha se importado com o que fora dito e Quinn podia apostar que era a segunda opção.

"O qu-" Jean começou, mas foi logo cortada por Quinn.

"Não pergunte." A loira foi firme ao dizer.

...

Rachel estava trocando de roupa em seu camarim quando ouviu alguém bater na porta, estranhando. O ensaio já havia terminado há um bom tempo e ela não imaginou que ainda havia alguém por ali. Ela abriu a porta e Mark estava sorrindo pra ela.

"Será que é hoje o dia que você vai aceitar meu milésimo convite para sairmos para beber algo depois de mais um dia cansativo realizando nosso sonho?"

Rachel riu. Ela não sabia o que havia feito para merecer a amizade de Mark, mas ele sempre estava ali, nunca desistindo da sua companhia e sempre respeitando seu espaço. Ela podia aceitar o convite dele ou voltar pra casa e encontrar Jean sentada no seu sofá. "Acho que hoje é seu dia de sorte." Ela falou, pegando suas coisas e fechando a porta atrás de si, enlaçando seus braços.

"Alguma sugestão de lugar?" Mark perguntou.

"Eu sei exatamente o lugar. Só me deixe ligar para a Santana primeiro ou ela nunca vai me perdoar." Avisou a morena, pegando a celular e mandando uma mensagem pra latina.

Meia hora depois e Santana entrou no bar, logo avistando Rachel e Mark sentados em uma mesa, algumas garrafas de cerveja já vazias em cima dela.

"Pensei que você não podia beber até a sua estreia?" Santana indagou ao chegar na mesa, tirando seu casaco.

"Foda-se a minha estreia!" Rachel disse, batendo a garrafa que tinha em mãos na mesa e depois brindando com Mark, ambos rindo.

A latina revirou os olhos e se virou para Tom, o dono do bar. "Mais uma rodada, Tom. Pelo visto a noite vai ser longa." Ela pediu, sentando ao lado de Rachel.

O dono do bar trouxe rapidamente o pedido, reclamando da ausência delas nos últimos tempos.

"Você está absolutamente certo, Tom! Devíamos voltar a vir aqui! Eu vou voltar aqui todos os dias a partir de hoje! Eu e meu amigo Mark aqui!" A morena falou, a voz meio embolada, fazendo todos rirem.

"Qualquer coisa é só chamar, meninas." Ele disse ainda rindo, voltando para o balcão.

Algum tempo depois e a latina tinha que admitir que estava realmente precisando daquilo. A vida era uma merda, mas o bar do Tom sempre a fazia se sentir melhor. Talvez fosse só álcool. Talvez os dois. Mas isso não importava no momento, o que importava era que uma mulher gata pra caralho estava flertando com ela de um dos bancos que ficavam ao redor do balcão desde que ela chegara ali e ela tinha toda a intenção de levar aquilo adiante.

"Se vocês me dão licença." A latina falou para os dois, um sorriso de canto no rosto.

"E acabamos de perder a Santana..." Rachel constatou, vendo a direção que a latina havia tomado. Não muito depois e a latina saía acompanhada do bar.

"Wow... Ela realmente não perde tempo!" Mark disse, impressionado.

Rachel terminou sua cerveja e se levantou, anunciando que ia pegar duas tequilas.

"Rach, talvez não seja uma boa ideia..." O moreno disse.

"Você não sai daqui sem beber tequila. A ideia foi sua, Melchior. Agora aguente." Rachel brincou, indo para o balcão. "Tom, duas tequilas." Ela pediu.

"Em um minuto, Rachel. Só vou terminar esses drinks para a mesa 6."

"Sem pressa." Ela respondeu, se sentando em um dos bancos para esperar.

Foi quando ela reparou que era observada por uma loira, sentada a alguns bancos de distância. A loira lhe sorriu e ela retribuiu o gesto. Ela não havia se sentido atraída pela loira, ainda que ela fosse muito bonita, mas fazia tanto tempo desde a última vez que ela flertara com alguém e o álcool correndo em suas veias lhe dizia que não havia mal algum naquilo...

Ela observou a loira pegar sua bebida e ir em sua direção, sentando no banco ao seu lado, sorrindo sedutoramente. "Está sozinha?"

Rachel olhou para a sua mesa e viu que Mark estava em pé conversando com um cara que ela não conhecia. Ele reparou no seu olhar e piscou, sorrindo. "Estou." Rachel respondeu, voltando sua atenção para a loira, que sorriu ao ouvir a resposta.

"Desculpe minha indelicadeza, eu sequer perguntei seu nome."

"Rachel."

"Rachel, perdoe-me o atrevimento, mas você é linda, incrivelmente linda."

A morena tentou puxá-la de volta, mas Quinn estava firme. Ela queria um ritmo e ele seria seguido. A cabeça de Rachel rodou, efeito do álcool, e ela deixou-se relaxar contra o travesseiro. Ainda estava alterada. A loira voltou a explorar seu corpo, como se estivesse prestando atenção nele de verdade pela primeira vez, acariciando e descobrindo a pele morena, tentando satisfazê-la de forma completa. Sua boca desceu até um dos seios de Rachel e ela o provou calmamente, tentando gravar o gosto, a textura. Um sorriso tomou conta de seus lábios ao ouvir a respiração pesada da morena. Antes de subir, seu olhar se prendeu por alguns segundos no dela, que parecia desfocado.

"Você está bem?" A loira perguntou suavemente.

A morena assentiu minimamente e Quinn a beijou. Rachel não tentou modificar o beijo, sua cabeça estava uma confusão com aquilo que a loira estava fazendo.

"Você é linda..." Quinn sussurrou sobre seus lábios. "Incrivelmente linda e deliciosa."

A memória atingiu Rachel em cheio e foi embora da mesma forma que veio, sem aviso...

"Obrigada, eu... Desculpe, mas eu preciso ir ao banheiro." Rachel falou, tentando manter a voz firme e o sorriso no rosto, se levantando rapidamente.

Ela entrou no banheiro, ligando uma das torneiras e lavando o rosto, seu reflexo a encarando pelo espelho. Ela foi em direção ao porta-papel na parede ao lado, fechando os olhos e secando o rosto. A porta do banheiro abriu e ela viu a mesma loira do bar entrar por ela, parando a sua frente.

"Eu acho que assustei você." Ela sorriu gentilmente. "Você é comprometida?"

"N-não." A morena respondeu, confusa com a pergunta.

A loira fez menção de falar algo, mas desistiu, balançando a cabeça enquanto sorria. Mas antes que Rachel pudesse entender aquele gesto, a loira a pegou pela cintura e aproximou seus corpos, juntando suas bocas. A morena correspondeu ao beijo, deixando que a loira o dominasse, sem conseguir racionar, só aproveitando a sensação de um corpo colado ao seu, de alguém lhe desejando daquela forma... "Se você não é comprometida Rachel, não há nada de errado em desejar alguém..." A loira sussurrou em seu ouvido.

Rachel não conseguia entender suas próprias atitudes. Ainda no dia anterior tudo estava perfeito e ela estava feliz... Ela havia se entregado a Quinn e possuído a loira de uma forma que ela não sabia explicar, mas que a fazia se sentir como se nada pudesse atingi-la. E no outro dia aquela segurança não estava mais lá e o medo tomava conta de todo o seu ser. Mas que merda!

Todos estavam no bar e eles iam pra Lima no dia seguinte e ela simplesmente não conseguia olhar pra Quinn. Como ela diria à loira que ela não estava preparada para nada daquilo? Como ela diria a Quinn que mesmo com tudo o que ela a fazia sentir, ela não tinha coragem de seguir em frente? Como explicar a loira que justamente por tudo o que ela a fazia sentir é que ela não tinha coragem de seguir em frente?

Ela só sabia que a presença de Quinn a estava sufocando e ela precisava sair dali. Levantando sem dizer nada a ninguém, ela sumiu entre as pessoas, sabendo que o olhar da loira a seguiria até onde pudesse. Ela parou no balcão, tentando se livrar daquela sensação angustiante.

"Uísque por favor, duplo." Ela pediu. O garçom a serviu instantaneamente e ela virou num gole só, depositando o copo no balcão. "Mais um."

"Dois." Uma mulher pediu ao seu lado.

O garçom serviu as duas doses e Rachel virou a sua, pedindo mais uma, a mulher ainda a observando, sua própria dose intocada.

"Oi, Rachel." A mulher finalmente se dirigiu a ela.

A morena virou sua terceira dose e olhou desfocada para a mulher, sem reconhecer de quem se tratava. "Eu conheço você?"

"Não se lembra de mim?"

Rachel soltou um riso irônico. Estava cansada de ouvir aquela frase, sempre acompanhada de um olhar de indignação, como se ela fosse obrigada a lembrar, a saber... Ela só queria beber em paz. "Se você foi uma foda de um dia qualquer, provavelmente não." Ela respondeu grosseiramente.

"Talvez você se lembre assim, então." A mulher falou, a voz cortante e o orgulho ferido, puxando a morena para si e a beijando.

A morena correspondeu em um primeiro momento, mas tudo estava errado, tudo parecia completamente errado. Rachel afastou a mulher de si, quebrando o beijo. "Desculpe... eu não posso... eu não..."

"Você está comprometida? Ou tudo pra você é só uma foda qualquer?"

"Eu... É complicado... Eu tenho que ir..." A morena falou com a voz embolada, se levantando.

Mas a mulher a impediu, a segurando pelo braço. "Se você não está comprometida, então não há nada de errado em desejar alguém..." Ela disse, puxando Rachel para si mais uma vez, beijando-a mais uma vez. A morena tentou resistir, afastando suas bocas. Mas a única coisa que a mulher fez foi levar sua boca ao pescoço moreno. "Se deixa levar, Rachel..."

E ela deixou. Ela deixou aquela mulher beijá-la, ela deixou que aquela mulher a guiasse até um dos ambientes do bar e a sentasse em um sofá, subindo em seu colo. As mãos da morena foram parar em suas coxas, tentando afastá-la de si, sua mente uma confusão de pensamentos, a bebida nublando seus sentidos e seu coração doendo, pedindo pra que ela parasse...

Ela finalmente conseguiu retirar a mulher de cima de si, levantando do sofá, seus olhos procurando por ela, por Quinn, como se eles soubessem... E então ela viu a loira se levantando da mesa e saindo do bar e a expressão preocupada de Brody. Seus olhos se encheram de lágrimas e seu coração doía, suas batidas desesperadas dizendo a ela que era tarde demais...

E que, talvez, fosse melhor assim.

Aquilo fez com que Rachel empurrasse a loira com certa força, surpreendendo a loira e a si mesma. A mulher deu alguns passos pra trás e se virou para o espelho, ajeitando sua roupa. Ela olhou sem graça para a morena e sorriu tristemente. "Desculpe." Ela falou, saindo do banheiro logo em seguida.

A morena passou a mão pelos cabelos, ainda apoiada na parede, soltando um longo suspiro.

“Cadê a Quinn?” Rachel perguntou de repente.

“Deixei ela dormindo mais um pouco, ela parecia cansada.” Jean respondeu depois de um tempo.

“A noite foi tão boa assim?” Rachel insinuou, sem conseguir se segurar e se xingando mentalmente por isso.

“Maravilhosa.” Jean respondeu, botando um enorme sorriso no rosto. “A Quinn sabe como receber uma visita, se é que você me entende...”

Rachel fechou os olhos mais uma vez, tentando controlar seus pensamentos e as emoções que pareciam fluir a flor da pele. Ela se focou nas coisas simples. Ela precisava sair dali e encontrar Mark.

"Rachel! Até que enfim!" O moreno disse assim que viu ela se aproximar da mesa. "Pensei que você tinha ido embora com aquela loira e me largado aqui."

"Jamais iria largar você aqui sem avisar, Mark." Rachel lhe assegurou.

"Bom saber disso. Você está bem?" Ele perguntou, sempre atento.

“Vamos embora.” A morena disse, se sentindo um pouco melhor na presença do amigo. Ele se levantou e ofereceu o braço à ela e eles saíram para o frio de Nova Iorque.

"Qual o seu negócio com loiras afinal?" O ator perguntou para Rachel com um sorrisinho no rosto enquanto eles caminhavam.

Ela olhou pra ele com um misto de surpresa e irritação. Mas olhando a expressão divertida no rosto dele, ela não conseguiu manter a irritação por muito tempo, empurrando o ombro dele com o seu e bufando em frustração. "Só cala a boca, Mark. Preciso de um café e não quero ter que entrar sozinha e ligeiramente bêbada na Starbucks só porque matei você antes disso."

Ele levantou as mãos em rendição e fez um gesto de silenciar a boca antes que eles atravessassem a rua rumo ao café.

...

Santana nem se lembrava de como tinha dirigido até chegar em casa, mas agora ela estava determinada a falar com Quinn. Ela fechou a porta do apartamento e foi direto ao quarto da loira, mas ela não estava ali, com ou sem Jean. Nem Rachel. Ela estava sozinha em casa. Ela tomou um banho rápido e foi para o quarto de Quinn, deitando na cama da loira. Aquilo estava longe de ser seu comportamento natural, era Santana Lopez e nunca fazia isso, mas era sobre Brittany e daquela vez ela estava decidida a botar tudo em pratos limpos, por mais que aquela conversa pudesse lhe doer.

O fato é que pela primeira vez em sua vida, ela não conseguiu ir adiante com uma mulher. Ela era completamente gostosa e gata e sabia exatamente o que dizer e fazer, mas tudo o que a latina conseguia pensar era em Brittany. E aqui estava ela. Sozinha no apartamento e esperando por Quinn, depois de jogar uma desculpa qualquer para a morena que conhecera no bar do Tom mais cedo e sair praticamente correndo do seu apartamento.

Quinn entrou em casa, caminhando pesadamente até o seu quarto. A loira até que tentou manter a expressão neutra, mas não conseguiu não demonstrar sua surpresa ao encontrar a latina deitada em sua cama.

"Estava te esperando." Santana disse, séria.

"Olha, San, se você quer brigar..." Quinn começou.

"Eu só quero conversar." A latina disse rapidamente, cortando a loira. "Cadê a Jean?"

Quinn lançou um olhar desconfiado para a latina, mas logo desfez a postura defensiva diante do olhar determinado que a amiga manteve sobre ela. "Acabei de deixar ela na estação de trem."

A latina assentiu, fazendo-se mais confortável na cama enquanto Quinn entrava no próprio banheiro. Alguns minutos depois a loira estava de volta.

"Você é gostosa, Fabray." Falou a latina, reparando na saia justa e na blusa de seda com botões que a loira usava.

"Nossa conversa vai começar assim?" A loira questionou.

Santana revirou os olhos. "Onde está o seu senso de humor, Fabray? Senta logo aqui." A latina pediu. Quinn atendeu ao pedido. "É verdade?" Ela foi direto ao assunto, se referindo ao que a loira tinha dito sobre Brittany na discussão que elas haviam tido.

"Jamais mentiria sobre isso, S." Quinn declarou.

"Por que você não me disse?" Santana perguntou em um tom de mágoa.

"Você não queria escutar." A loira respondeu, dando de ombros. "Tentei várias vezes conversar com você sobre ela e você nunca deixava, Santana. E a Rachel sempre te defendia." Ela disse, cansada.

"Mas isso era sério, você não podia..." A voz da latina falhou.

"Não podia o quê? Você realmente imaginou que a Brittany não sofreria? Que você seria a única? O que te faz pensar que ela não passaria pelas mesmas merdas que você?" Quinn disse em um tom quase impaciente.

Santana olhou angustiada para ela, tentando conter o choro. Quinn se desarmou diante da expressão da latina, abraçando-a. Estava cansada de ver as amigas daquela forma. "Eu sinto tanto... todos os dias." Santana desabafou sofregamente. "É como... como ter uma dor no peito que nunca vai embora, que nunca passa. Como nunca mais respirar..." Santana não sabia porque estava falando aquelas coisas, ela só sabia que aquela conversa tinha momentaneamente derrubado todos os muros que erguera sobre aquele assunto.

"Eu sei, San. E eu sinto muito por tudo o que eu disse. Não foi justo jogar isso tudo em você daquela forma. Mas parece que você tem outra chance agora para acertar as coisas. Não estrague tudo." Quinn disse.

Mas como? Ela não sabia como não estragar as coisas. "Por que ela está aqui? Por que ela veio pra NY?"

"Acho que só ela é capaz de responder isso..." A loira respondeu sincera, acariciando os cabelos da latina, tentando acalmá-la.

"Desculpa, Fabray. Desculpa pelo jeito que reagi com você."

"Será sempre assim toda vez que tivermos problemas?"

O olhar que a latina lançou foi resposta o suficiente.

"Como está sendo trabalhar com a Brittany?" Quinn perguntou preocupada, aproveitando que a latina havia abaixado a guarda.

"Como está sendo lidar com a Rachel?" A latina rebateu.

"É diferente."

"Se você acha." Santana respondeu. "Eu sinto muito por vocês também. A Rachel... ela é uma pessoa machucada, Quinn. Eu fiz minha escolha, eu escolhi deixar a Brittany. Ela não escolheu nada. Ela..."

"Não precisa defendê-la, S. Eu sei disso." Quinn a cortou. "Eu só queria..." Ela não sabia o que queria.

Santana não disse mais nada, entendendo a frustração de Quinn. Em vez disso ela se ajeitou na cama e deu um abraço apertado na loira, selando de uma vez por todas as pazes com Quinn. "Você e ela não podem mais ficar assim uma com a outra, Quinn." Ela disse, limpando as lágrimas.

"San..."

"Não hoje ou amanhã, talvez nem depois, mas um dia sim. Um dia tudo terá que ser resolvido, às vezes quando a gente menos espera." A latina disse. "E não adianta fazer essa cara, Fabray." Ela ralhou. "É só olhar pra mim... pra minha vida."

A loira entendia o que a latina estava querendo dizer. Por mais que ela tivesse tentado fugir, ali estava Brittany, bem diante dela, como se fosse algum tipo de destino, como se fosse pra ser daquela forma. Seriam ela e Rachel ligadas da mesma forma? Por que seria ela? Se fosse assim, não era para ser o Finn? Um dia ele também apareceria e faria com que Rachel tivesse de uma vez por todas encarar tudo aquilo? Se sim, onde ela se encaixava nessa história? Ou ela simplesmente não se encaixava na vida da morena e até mesmo a amizade entre elas fosse algo que nunca estivera destinado a acontecer?

Antes que ela pudesse responder a todas essas perguntas, ela ouviu passos no corredor e Rachel enfiar a cabeça pela porta, estranhando a cena. Santana não havia saído do bar acompanhada? O último lugar que ela esperava encontrar a latina era no quarto de Quinn, conversando com Quinn.

"Vocês estão bem?" A morena perguntou, mas direcionando o seu olhar somente para a latina, que assentiu. "Vou fazer algo para comer." Ela comunicou antes de sair.

Santana olhou para Quinn, mas a loira não comentou nada e logo ambas levantaram da cama. Quinn esperou a latina lavar o rosto no banheiro e encaminhou-se com ela para a cozinha, sentindo-se mil vezes mais leve do que quando acordara aquela manhã.

As três começaram a preparar o jantar em silêncio. Santana por vezes comentava algo, mas Quinn e Rachel respondiam somente a ela e a conversa logo morria. Rachel não estava tentando ser desagradável de propósito. Ela estava feliz por Quinn e Santana finalmente terem se acertado. Ela só não sabia como agir diante da loira, diante de tudo que havia acontecido no bar e da forma como ela se comportara com a presença de Jean. Então ela deixou Quinn e Santana carregarem a conversa durante o jantar, a familiaridade daquela cena acalmando seu interior confuso.

Mas bastou a latina tocar no nome de Jean e ela se agarrou a oportunidade de arrumar a cozinha, deixando a mesa. Ela guardou o último copo e foi em direção à sala, o barulho da televisão ligada chamando sua atenção. Somente a latina estava no sofá, vendo um programa qualquer. Ela tentou não fazer muito barulho e entrou no corredor, tendo a intenção de ir para o quarto, mas parando ao passar pela porta fechada do quarto de Quinn.

Ela não soube por quanto tempo ficou parada ali, no meio do corredor, encarando a porta. Droga! Ela respirou fundo e bateu suavemente, ouvindo um abafado “pode entrar”. Ela abriu a porta e entrou, vendo a expressão surpresa da loira ao ver que era ela. Quinn estava sentada em sua escrivaninha, o notebook aberto no seu e-mail. Ela retirou os óculos e observou a morena fechar a porta atrás de si.

"Atrapalho?" Rachel perguntou.

"Não. Só estava respondendo alguns e-mails antes de tomar um banho e ir dormir." A loira respondeu.

"Eu só queria..." A morena olhou para as próprias mãos, nervosa. "Só queria dizer que fiquei feliz de ver você e a Santana se acertarem."

"Você realmente veio aqui só pra dizer isso?" A loira arqueou a sobrancelha.

"O que mais eu deveria dizer, Quinn?" Rachel perguntou em um tom cansado.

"Não sei." A loira respondeu, fingindo pensar. "Talvez pedir desculpas pela forma com que você agiu com a Jean todo o tempo em que ela esteve aqui?"

"Ahh, claro." A morena rapidamente se irritou. "Você finalmente fez as pazes com a Santana, mas tudo o que você consegue pensar é no quanto a Jean pode ter ficado chateada com a forma que eu a tratei. Como se eu e ela não fôssemos sempre assim uma com a outra! Como se ela não fosse adulta o suficiente para não se importar!"

"É isso o que você acha, não é?" A loira se levantou. "Que ser adulto é não se importar com as merdas que os outros te jogam. Às vezes dói, Rachel."

"Você acha que eu não sei?" A morena levantou a voz. "Você acha que eu não sei que dói como o inferno, Quinn?"

"Não use a sua dor para justificar a dor que você causa em outras pessoas." Quinn respondeu, abaixando o olhar. Ela odiava se sentir vulnerável diante da morena. Por que diabos elas estavam discutindo aquilo?

"É a única que eu tenho!"

"A única porra nenhuma, Rachel. Por que você não admite? Por que pelo menos uma vez na merda da sua vida você não pode simplesmente admitir e assumir as consequências dos seus malditos atos!" A loira a encarou duramente.

"Não fale como se soubesse alguma coisa sobre mim, Quinn." A morena falou, balançando a cabeça, o tom de voz amargo.

"Você está certa. Eu não sei nada sobre você. Eu mal reconheço a pessoa que está na minha frente agora." A loira disse, fria. "Acho melhor você sair do meu quarto, Rachel."

Ela jamais admitiria para a loira, mas as palavras de Quinn pareciam cortar sua pele como facas. Ela não tinha entrado ali para brigar. Mas Quinn sempre soubera como tirá-la do sério. "Claro." Rachel riu debochadamente, tentando fingir que não havia se afetado pelo que a loira havia dito. "Aparentemente só a Jean é bem-vinda no seu quarto."

"Qual é o seu problema com a Jean?" A loira perguntou, exasperada.

"São tantos que eu não sei nem por onde começar!" Rachel elevou a voz. "Ela é uma vadia pretenciosa! Aparecendo aqui em NY, se enfiando aqui dentro como se a casa fosse dela, se jogando na sua cama como uma oferecida!" Rachel finalmente falou, apontando o dedo para Quinn e se aproximando da loira, a cautela abandonada há muito tempo. "E é claro que você a recebeu de braços abertos!"

"Que merda você está falando? Eu não dormi com ela." A loira disse, confusa.

"Você não dormiu com a Jean?" Rachel perguntou, descrente.

"Não que isso seja da sua conta, mas não, eu não dormi com ela." Quinn respondeu.

Rachel olhou para a loira e viu apenas sinceridade em seu olhar. "Mas ela..." Rachel franziu a testa. "Se você não dormiu com ela, por que ela insinuaria isso pra mim?" Ela deixou escapar em um tom baixo.

Quinn não estava entendendo mais nada. "Como eu vou saber, Rachel? Você entra aqui me acusando de uma porrada de coisas e eu nem..." Quinn soltou a respiração de forma frustrada, balançando a cabeça e fitando intensamente a morena. "Que diferença isso faz, afinal? Não é como se você se importasse, então eu acho melhor-"

Mas Rachel não deixou que ela terminasse aquela frase. A morena fechou o espaço que havia entre elas e assaltou seus lábios sem qualquer aviso, enquanto mãos firmes se fechavam em volta da sua cintura, pressionando seus corpos em uma proximidade já conhecida. E tudo o que Quinn conseguiu fazer foi se render ao beijo. Aqueles lábios, aquela boca, aquele cheiro, aquele corpo... tudo em Rachel chamava, gritava por ela e ela se viu completamente incapaz de resistir, uma de suas mãos se perdendo por entre os cachos castanhos e a outra invadindo por baixo da blusa da morena, segurando a pele nua da cintura de Rachel.

"Diz de novo..." Rachel disse ofegante. "Diz que você não dormiu com ela..." Pediu a morena em um tom que beirava uma súplica.

"Eu não dormi com a Jean, Rachel." A loira sussurrou entre suas bocas.

A resposta de Quinn foi o suficiente para a morena aprofundar o beijo, prendendo o lábio inferior da loira entre os seus, só para em seguida invadir a boca de Quinn com a sua língua, sedenta pelo gosto da loira, para explorar novamente todas as sensações que só aquele beijo lhe proporcionava. E a morena sentiu... sentiu tudo aquilo que não saia de sua cabeça, que parecia impregnado na sua pele, nos seus sentidos, nos seus sonhos. Os lábios de Quinn, dançando em sincronia com os seus, faziam com que ela se sentisse viva... Ela não queria sair dali, ela não queria nada que não fosse os lábios de Quinn Fabray, nada que não fosse a língua da loira acordando seu corpo, as mãos da loira fazendo amor com a sua pele, a queimando por dentro...

A loira mais sentiu do que ouviu o gemido de prazer que escapou dos lábios da morena, sua mão se enterrando ainda mais nos seus cabelos e a descoberta de que não havia mais qualquer espaço entre seus corpos, contrastando com a sua vontade, com a sua fome de ter a morena mais perto de si, de ter a morena dentro de si, onde ela não saberia mais dizer onde ela terminava e onde Rachel começava. Em um movimento rápido, ela virou seus corpos e jogou a morena em sua cama, sem separar suas bocas, sem interromper o contato entre suas línguas, seus lábios, seus corpos...

"Quinn..." A morena chamou seu nome, a voz carregada de desejo e saudade, mais uma vez como se lhe pedisse, como se estivesse suplicando...

Aquilo pareceu acordar Quinn do estupor em que ela se encontrava. Ela separou seus lábios, botando certa distância entre suas cabeças, encarando o perfil da morena. A respiração ofegante, a boca entreaberta, os lábios inchados, os olhos fechados... O que ela estava fazendo?

Percebendo a ausência de qualquer movimento, Rachel abriu os olhos, se surpreendendo com o olhar da loira sobre si. Ela tinha plena consciência do seu estado e da atitude que tinha tomado com a revelação da loira, mas estava lhe deixando nervosa a forma com que ela a estava encarando. Seu olhar estava fixo em seu rosto e a morena reparou que sua íris tinha assumido um tom verde escuro a lhe analisar. Sem conseguir sustentar aquele olhar e se sentindo completamente nua diante de Quinn, a morena desviou seus olhos.

"Olha para mim, Rachel."

Não era um pedido. Ainda com a respiração ofegante e mesmo contra sua vontade, Rachel sentiu seus olhos se voltarem para a loira. Ela não queria ser julgada. Não ali, daquela forma, na cama de Quinn, com o corpo da loira por cima do seu, seu coração disparado e sua calcinha completamente molhada por um único beijo.

Mas a loira lhe surpreendeu completamente, voltando a tomar conta dos seus lábios num beijo voraz. Seus quadris se levantaram ao encontro de Quinn de forma involuntária, seu corpo implorando por mais, suas mãos ganhando vida... Mas a loira não permitiu que elas a tocassem, pegando as mãos da morena com as suas e as prendendo em cima da morena com uma mão só, enquanto a outra voltava ao corpo de Rachel, deslizando por toda sua lateral, pela sua barriga e pelo fecho da sua calça...

A morena sabia que algo estava diferente, como se estivesse fora do lugar, mas ela estava presa entre as garras de Quinn Fabray. Suas mãos presas enquanto a boca de Quinn tomava conta da sua, assaltando seu pescoço e os seus sentidos, enquanto sua mão descia cada vez mais pelo seu corpo, deixando rastros quentes por onde passava. No fundo, ela sabia que aquilo estava errado, que faltava algo naquele beijo que tirava o fôlego, naquele toque que a queimava por inteiro, naquele olhar despido de qualquer emoção... Mas seu corpo não permitiu que ela pensasse, que ela parasse...

Quando Rachel deu por si a loira já havia aberto sua calça e sua mão rasgado sua calcinha, sentindo o líquido quente que escorria ao invadir sua intimidade, os dedos ágeis prontos para lhe darem prazer, reencontrando tudo que Quinn não sabia que não havia sido de mais ninguém. Os gemidos da morena inundaram o quarto e não havia mais nada em sua mente que não fosse a loira...

Assim que Rachel gemeu mais uma vez o seu nome, os lábios que haviam descido até o seu colo subiram mais uma vez até o ouvido da morena, a voz completamente rouca e despida de qualquer emoção. "Você não se acha tão autossuficiente, Rachel? Então se satisfaça sozinha."

E assim, antes mesmo que a morena pudesse registrar o que estava acontecendo, os dedos de Quinn não estavam mais dentro dela e o corpo da loira não estava mais sobre o seu... Ela não abriu os olhos, ela não precisava fazer isso para saber que a loira não estava mais no quarto, que ela havia sido deixada ali, com a calça nos joelhos e sua calcinha rasgada, sua intimidade ainda pulsando, ainda sentindo os dedos da loira dentro de si, ainda sentindo a boca de Quinn em seu pescoço, seu coração ainda disparado...

Ela não soube dizer por quanto tempo ficou ali. Foi só quando ela sentiu algo quente descer pelo seu rosto que ela soube que estava chorando, a letargia sendo substituída rapidamente pela raiva. Ela levantou, jogando o que restava da sua calcinha no chão e vestindo a calça, sem se importar com o fato de que ela deveria estar parecendo uma louca.

Ela bateu a porta do quarto de Quinn com toda a força que tinha, procurando a loira por todos os cantos da casa. Ao perceber que a loira não estava mais ali, a morena gritou em frustração, pegando as chaves do carro e disparando em direção a porta. Mas assim que ela a abriu ela sentiu alguém lhe segurar pelo pulso e fechá-la.

"Aonde você pensa que vai desse jeito?" Santana questionou, retirando as chaves da mão da morena.

"Eu vou onde eu bem entender! Me dá essas chaves, Santana! Agora!" A morena gritou.

"Rachel..." A latina se aproximou, segurando as mãos da morena. "O que está acontecendo?"

Vendo a preocupação brilhar nos olhos da latina, a morena não conseguiu mais se segurar. Ela sentiu a raiva esvaindo de si e desabou nos braços da amiga, liberando o choro sofrido entalado em sua garganta. "Eu não sei, San... eu não sei..." Rachel conseguiu dizer entre soluços.

"Shh... eu estou aqui. Eu estou aqui, Rach." A latina a tranquilizou, guiando a morena para o seu quarto. Era a segunda noite que Santana encontrava a morena naquele estado, era a segunda noite que ela velava o sono da morena até que ela mesma não conseguisse permanecer acordada.

Ela podia estar enganada, mas ela tinha uma boa ideia do que devia ter acontecido no quarto de Quinn, se a forma com que a loira saiu de casa e a aparição de Rachel na sala não muito depois fosse qualquer indicação.

...

Quinn entrou no bar e sentou na familiar bancada, passando as mãos pelos cabelos ainda revoltos.

"Quinn?! Que surpresa boa! Você sumiu, garota." Cumprimentou Tom, o dono do bar.

"Boa noite, Tom." A loira conseguiu forçar um sorriso. "É... realmente sumi."

"As meninas estavam por aqui mais cedo." Tom comentou, fazendo a loira franzir a sobrancelha. "Sozinha?"

Quinn confirmou com a cabeça. "Eu e a melhor tequila que você tiver." Um copo se materializou na sua frente em questão de segundos e o líquido ardente foi servido. Ela virou seu conteúdo e o copo foi preenchido mais uma vez. "Obrigada, Tom."

Ele olhou solidário para ela e deixou a garrafa ao lado do copo. "Qualquer coisa é só chamar." Ele disse e se retirou.

Era por isso que ela gostava dele e de Samuel. Eles sabiam quando conversar e quando deixar os clientes em paz. Ela pegou seu celular e seus dedos acessaram a caixa de mensagens, clicando no nome de Alex e lendo a última mensagem que fora enviada a um par de horas atrás.

"Que pena. Quem sabe outro dia? Se mudar de ideia, sabe onde nos encontrar!"

Ela guardou o aparelho no bolso e consultou as horas. Estava tarde. Ela virou outra dose, esperando que aquela angústia em seu peito fosse embora e a visão de Rachel estendida sob a sua cama se contorcendo de prazer saísse de foco. Mas não teve sorte. Ela consultou as horas mais uma vez e se levantou, deixando algumas notas em cima do balcão. Ela precisava esquecer Rachel. Pelo menos por aquela noite.

Notas finais
E aí?