How To Save A Life
21 The Only Thing I've Ever Know
Notas iniciais
"Acorda, porra!"
Quinn sentiu o empurrão e abriu os olhos, confusa.
"Vai se foder, Santana." A loira puxou o travesseiro para cobrir a cabeça.
"É sério, Fabray. O almoço está pronto, eu estou morrendo de fome e não quero ficar sozinha com a Naomi." A latina disse.
"Mãe. Ela é sua mãe." Quinn corrigiu, com a voz abafada.
"Ela me apunhalou pelas costas!" Santana disse, soando como se fosse uma criança.
"Para de drama vai, tudo o que ela falou é verdade."
Santana nada disse. Por fim, Quinn acabou acordando e elas foram almoçar. A latina almoçou calada enquanto sua mãe conversava com a loira. Mais tarde, enquanto Santana morria de tédio jogada no sofá e Quinn tentava manter uma conversa, o irmão e o pai da latina chegaram em casa.
"Ricardito!" A latina provocou.
"Satã!" O irmão devolveu no mesmo tom.
O rapaz alto, forte e moreno, no auge de seus vinte e um anos abraçou Santana apertado.
"Juro que você diminuiu uns cinco centímetros enquanto estava fora." Ele disse.
"Não enche."
Ricardo sorriu, mostrando os dentes muito brancos e soltou a irmã. O cabelo negro e curto, os olhos muito verdes idênticos aos de Naomi.
"Oi, Quinn!" Ele abriu um largo sorriso.
"Oi, Ricardo..." A loira retribuiu, adiantando-se para abraçá-lo.
"Cada dia mais linda..." O moreno sussurrou, apertando a loira nos braços.
"Estava demorando..." Quinn bufou divertida, ele lhe lembrava em muito Noah Puckerman.
Santana abraçava o pai, que tinha os mesmos olhos negros que os dela e, ao contrário das mulheres da casa, era muito tranquilo. Os cabelos também negros eram lisos e batiam em seu ombro. Ele acenou para Quinn por cima do ombro da filha.
"Senhor Lopez." Ela retribuiu o cumprimento.
"Eduardo." O mais velho sorriu bondoso.
"Eduardo." A loira corrigiu-se com um sorriso. "Já pode me soltar, Ricardo..." Ela bateu nos ombros do rapaz.
Ele a soltou com um sorriso travesso. Quinn o achava extremamente bonito, mas nunca pensou nele de uma forma além de um irmão mais novo.
"Você não fez nenhuma merda, não né?" Eduardo perguntou ao soltar a filha.
"Será que ninguém nessa casa pode ser normal e me perguntar coisas normais como: 'você foi bem de viagem?' ou 'como estão as coisas em NY'?"
Ricardo abafou uma risadinha enquanto Eduardo a olhava desconfiado.
"Sua mãe me ligou nervosa..." O pai comentou.
"Não quero falar sobre isso." A latina cortou. "Na verdade, eu e Quinn precisamos nos arrumar agora."
Eduardo assentiu, respirando pesado, enquanto as meninas subiam as escadas.
"Ela é idêntica à mãe..."
...
Rachel entrou no banho e, sem se importar com o frio que fazia, colocou a água o mais gelado que pôde. Queria tirar do corpo toda e qualquer sensação relacionada ao sonho. Ao sair, estava extremamente pálida e arrepiada. Secou-se rapidamente enquanto escolhia o vestido da noite. Estava impaciente enquanto secava o cabelo. Duas horas depois estava quase pronta. Seu celular tocava insistentemente na cama. Era Santana.
"Fala."Ela atendeu.
"Me liga quando sair." A amiga disse do outro lado da linha.
"Ok."
A latina desligou. Ainda faltava pouco mais de meia hora. Rachel desceu para ficar mais um pouco com os pais.
"A Santana e a Quinn podiam dormir um dia aqui..." Leroy sugeriu.
"Não acho uma boa ideia pai." A morena respondeu cansada.
"Aconteceu algo?" Ele perguntou preocupado.
"Eu e a Quinn... não estamos nos entendendo no momento." Rachel confessou, o olhar visivelmente afetado.
"Vocês brigaram?" Hiram entrou na conversa.
"Mais ou menos..."
"Quer conversar?" Leroy ofereceu.
"Na verdade, não. A morena foi sincera.
"Ok." O pai beijou-lhe a testa. "Você está maravilhosa." Ele acrescentou e sorriu, junto com Hiram.
Rachel lhes abriu um sorriso fraco. Era o máximo que ia conseguir. Não se sentia maravilhosa aquela noite.
...
O humor de Quinn piorava gradativamente conforme os minutos passavam. A latina queria dizer alguma coisa, mas tinha quase certeza que a loira estava trocando mensagens com Brittany, e isso a travou.
"Vamos ou não vamos?" Quinn perguntou, impaciente.
"Estou esperando Rachel." Santana esclareceu.
"Claro." A loira sorriu, amarga.
Rachel. A noite ia ser longa...
...
"Fala sério Kurt, ainda faltam duas horas!" Blaine disse.
"As exatas duas horas que eu preciso para me arrumar." Kurt argumentou enquanto passava o hidratante.
"Podemos aproveitar bem mais esse tempo fazendo outras coisas..." O moreno aproximou-se sugestivo.
"Blaine Devon Anderson, não quero me atrasar!" Kurt se afastou quando pressentiu o perigo.
"Ok, ok." O noivo suspirou frustrado, saindo do quarto.
Finn estava do outro lado da porta, o que fez o rapaz quase colidir com ele.
"Fala para o Kurt ir rápido? Eu tenho que chegar antes para ajudar o Will." O mais alto comunicou.
"E você só me diz isso agora?" Blaine questionou, exasperado.
Finn deu de ombros, fazendo o cunhado ter que voltar para o quarto, muito mal-humorado.
"A gente tem que sair mais cedo. O Finn vai ter que ajudar o Mr. Schue a arrumar as coisas por lá." Informou.
Era sempre a mesma programação quando iam para Lima. Família, jantar na casa do Mr. Schue, jantar no Breadstix, beber na casa de alguém e eventuais saídas para o Lima Bean ou outros lugares, que não ocorriam necessariamente com todos presentes.
"E por que ele não pode ir sozinho?" Kurt questionou.
"Só temos um carro, lembra? Burt vai sair com Carole."
Kurt revirou os olhos, fazendo Blaine sorrir. O Hummel fitou seu noivo mais atentamente logo abrindo um sorriso também.
"O que foi?"
"Não vai colocar o gel?" Kurt apoiou o queixo em uma mão, sorrindo divertido.
"Está horrível, não está?" Blaine fechou os olhos, corando.
"Não... eu gosto." Ele o fitou carinhoso.
"Se arruma rápido pra mim então?" O noivo tentou de novo, abrindo os olhos.
"Ok, você venceu." Kurt disse mal humorado.
"Amo você." Blaine declarou.
"Não adianta vir com essa agora."
"Agora? Tenho falado isso por seis anos." O moreno sorriu.
"Saia daqui, Anderson."
Blaine se aproximou rápido, roubando um beijo de Kurt e sorrindo ao cortá-lo, antes de sair rápido do quarto. Kurt ficou por alguns bons segundos atordoado e o sorriso bobo não saiu de seu rosto enquanto se trocava.
Quando estavam todos prontos, Finn os levou para a casa do Mr. Schue. Foi Srta. Pillsbury quem abriu a porta, abraçando animada cada um deles.
"Will?" Finn chamou, entrando na cozinha. "Eu tenho duas pessoas para mostrar para você."
O professor sorriu largamente ao ver Kurt e Blaine e se adiantou para abraçá-los.
"Como está NY? Tudo bem por lá?"
"Tudo ótimo!" Os dois responderam ao mesmo tempo e se entreolharam sorrindo.
"Rachel?" Will perguntou, ansioso.
"Vai estrear na Broadway!" Kurt revelou.
Will abriu ainda mais o sorriso ao saber que os boatos eram verdadeiros.
"Qual papel?"
"Vou deixar ela te contar..." O ex-aluno piscou-lhe.
"E Santana?"
"É treinadora vocal de uma famosa companhia de artes. Virou professora." Kurt gargalhou.
Schuester não sabia se era sério, mas ao ver Blaine assentindo pareceu assustado.
"Relaxa. Ela não matou nenhum aluno." Kurt o tranquilizou.
"Ainda." Blaine acrescentou em um murmúrio.
"Ela é realmente boa no que faz." Repreendeu o noivo pelo canto do olho.
"Quinn está morando com elas, certo?" Schuester continuou.
"Está." Blaine respondeu.
"Eu realmente não sei como isso dá certo." O ex-professor comentou, franzindo a sobrancelha.
"Até hoje eu não sei também." Kurt riu.
"A Quinn está advogando, certo?"
"É sócia júnior de um grande escritório de advocacia." Blaine respondeu.
Will sorriu, orgulhoso.
"Vocês mudaram tanto..." Ele disse, em um tom nostálgico.
Will balançou a cabeça com um sorriso e começaram a arrumar a casa para receberem os velhos amigos. O professor não parava de fazer perguntas sobre eles e NY e parecia orgulhoso de tudo o que escutava. Era como se o tempo não tivesse passado enquanto conversavam apesar de estar tudo tão diferente. Logo as pessoas começaram a chegar. Mercedes, Mike, Tina e Brittany foram os primeiros a chegar. Depois Sam, Puck e Artie.
"Onde estão aquelas garotas?" Puck perguntou inquieto.
"Provavelmente esperando alguém se arrumar." Kurt deu de ombros.
"Elas estão juntas?" O moicano questionou.
"Acho que só a Quinn e a Santana. Mas a Rachel não vem sem encontrar a Santana e nem Santana sem a Rachel, então..." Kurt complementou.
"Quem diria que essas as duas ficariam tão próximas..." Mercedes falou.
Brittany olhava para o celular, distraída. Quinn acabara de mandar uma mensagem dizendo que já estava vindo. Até que o assunto chamou sua atenção.
"Eu imagino o quão próximas elas devem estar..." Puck comentou sugestivo.
"O que quer dizer com isso, Puckerman?" Kurt entrou na conversa, já prevendo o seu efeito.
Sam, Tina, Mike e Artie, que conversavam sobre outros assuntos, pararam para prestar atenção.
"Fala sério. Todo mundo sabe que a Rachel começou a pegar mulher. E Santana não tem cara de quem deixaria essa escapar..." O moicano disse, piscando.
Finn saiu da cozinha, escutando a fala de Puck. Brittany se remexeu incomodada.
"Posso te garantir que não existe absolutamente nada entre as duas, Puckerman." O de olhos claros disse.
"Nada mesmo?" Puck perguntou em um misto de descrença e decepção.
"N-A-D-A. Deixa de ser pervertido." Kurt estreitou os olhos, irritado.
Sam soltou uma gargalhada.
"Sua fantasia não está perdida Puck. Está esquecendo a Quinn? Ela também..." O loiro comentou.
Mercedes teve que intervir e mandar todo mundo calar a boca antes que os dois começassem a imaginar demais. Mas Finn retomou o assunto pouco tempo depois.
"Eu não acho que a Rachel goste de mulher. Quero dizer, não de verdade." O moreno alto disse a Puck.
"E o que te leva a crer isso?" Kurt se intrometeu novamente, olhando de forma cortante para o irmão.
Finn se calou, percebendo o clima pesar de novo e mudou de assunto com Puck.
"Vocês conversam com elas?" Sam perguntou casualmente aos que estavam sentados no sofá.
"Eu converso às vezes com a Rachel." Tina respondeu.
"Eu também. Às vezes com a Quinn também." Mercedes disse.
"E a Santana?" Perguntou, mas ninguém disse nada. "Nem a Brittany?" O loiro olhou para a garota, muito quieta em seu canto, no celular.
"Você sabe que não, Sam." Tina disse, revirando os olhos. "Acho que ela só conversa com a Quinn..."
Sam sabia que havia um clima estranho entre as duas desde que haviam terminado, mas não imaginava que estivessem completamente sem contato. Pensando bem, Brittany nunca lhe falava sobre ela e elas nunca conversavam quando as via em Lima...
"Então a Rachel vai mesmo estreiar na Broadway?" Mercedes levantou do sofá, puxando assunto com Kurt.
"Vai." O amigo sorriu orgulhoso.
"E ela não tem nada mesmo com a Santana não, né?" Mercedes perguntou em um tom mais baixo, curiosa.
"Pelo amor de Deus, Mercedes. Não. Não tem. De verdade. As duas são muito amigas."
Depois de se formarem no McKinley, cada um tinha seguido um rumo. Mike havia ido para Chicago e se graduado em Joffrey, mudando-se para LA e se tornando sócio de um estúdio de dança. Ele e Tina estavam noivos desde que se formara. Pelo fato de Mike ter ido para Chicago, Tina havia se inscrito para cursar Artes Cênicas na Universidade de Chicago e conseguira a vaga, mas ainda não tinha se formado. Ambos não viam a hora disso acontecer e finalmente poderem se casar e morarem juntos.
Mercedes havia ido para LA na mesma época que Rachel havia ido para NY, havia se formado pela UCLA e estava gravando seu primeiro álbum. Artie também havia se mudado para LA, conseguindo uma vaga em Artes Cinematográficas na Universidade da Califórnia do Sul. Ele ainda não tinha se graduado, mas havia conseguido um importante estágio em Hollywood.
Puck havia morado alguns meses em LA, mas como nada tinha dado certo, tinha voltado para Lima, trabalhando em uma série de empregos até conhecer uma coroa dona de um famoso bar. Eles haviam namorado e Puck agora morava com ela, administrando o bar. Sam, ao se formar, tinha se focado em fazer diversos cursos de modelo, fazendo parte de várias campanhas publicitárias e agora tinha sido contratado por uma agência de LA, graças a uma ajuda de Mercedes, para onde se mudaria no ano seguinte.
A conversa se estendia entre os grupos até todos se juntarem para compartilhar histórias e relembrar as antigas. Brittany se soltou um pouco, mas mesmo assim estava tensa. Do lado de fora da casa um carro preto estacionava. Rachel desceu, colocando o casaco que levara, esperando por Santana. A latina não demorou. Logo estacionou também e desceu do carro com Quinn. O encontro entre a loira e a morena foi tenso. Ambas tinham o mesmo pensamento: que a outra estava linda! Rachel com os vestidos provocantes de sempre e Quinn com a roupa mais comportada, mas nunca deixava de ser estonteante. Novamente perto uma da outra, mas incrivelmente distantes.
"Como foi na casa dos seus pais?" Santana cortou o clima ao perceber a tensão entre as duas.
"Foi ótimo!" A morena sorriu verdadeira, desviando o olhar de Quinn. "Eu estava com saudades..."
Ouvir Rachel falar dos pais daquela forma, sincera e feliz, acalentou o coração de Quinn. Ela nunca tinha deixado de enfatizar a morena que ela não deveria deixar-se ficar distante dos pais maravilhosos que ela tinha. O que a loira não daria para ter pais assim?
"Bom, não posso dizer o mesmo da minha mãe." Santana retrucou, desviando a atenção de Quinn.
"O que houve?" Rachel perguntou preocupada, lançando um olhar rápido para a loira.
"Depois. Estou congelando aqui fora." A latina trincou os dentes, mas não era de frio.
As três se encaminharam para a porta, sendo recebidas por um ex-professor sorridente e por gritos incompreensíveis dos amigos. Quinn cumprimentou a todos, dando um abraço especial em Brittany e Puck.
"Por que vocês somem assim?" Mercedes perguntou.
"Vocês têm meu número de telefone!" A loira estreitou os olhos divertida para ela.
Rachel também abraçou calorosamente todo mundo, empolgando-se ao ser bombardeada de perguntas. Reparou também no olhar indiscreto dos homens no recinto, assim como na ausência de Finn ali.
"Perdeu alguma coisa aqui, Noah?" A morena disse.
O judeu levantou os olhos rapidamente das coxas da morena e balançou as sobrancelhas cafajestemente para ela.
"Ainda é um pouco estranho te ver sem saia ou suéter..." Puck explicou.
"Sei..." Santana o olhou, cética.
Puck se levantou sorrindo para abraçar Rachel mais uma vez, girando-a no ar e recebendo vários tapas da morena.
Ao abraçar cada um, Santana estava muito consciente da presença de Brittany ali, bem como na batida dolorosa de seu coração em algum lugar de sua garganta. Estava com o casaco dela no braço, fato que não passou despercebido pela loira, e a deixou para cumprimentar por último, propositalmente. Elas nunca conversavam nesses encontros além de um oi por educação. Era estranho, era tenso, era doloroso. Para ambas. E Brittany estava linda. Ela sempre estava. Quando a latina não conseguiu mais fugir, virou-se para ela. As íris muito azuis pareciam lhe invadir a alma. Quinn e Rachel observavam a cena com atenção.
"Você esqueceu... seu casaco." A latina murmurou evitando encará-la, estendendo a blusa para ela. Odiava aquilo.
"Obrigada." A loira segurou a peça de roupa, tomando cuidado para não encostar na mão da latina.
A voz. Santana era incapaz de lidar até com a voz. Um clima mais estranho ainda se instalou entre elas, que estavam em silêncio. Brittany abaixou o rosto, tentando captar a atenção dos olhos escuros que se recusavam a olhá-la.
"Como..." Santana fitou seu joelho. "Como estão as coisas?"
"Boas." Brittany respondeu sem muito ânimo. "Como está NY?"
"Está tudo bem por lá..." A latina respondeu com a voz falha e limpou a garganta. "Eu... vou ali conversar com as meninas." Deixou a voz ir sumindo e se virou.
Quinn viu na mesma hora o olhar vazio da loira. Era tão destoante da Brittany que conhecia que assustava. Rachel tentou conversar com Santana, mas ela passou direto, indo ao banheiro. Quando pensou em ir atrás Finn apareceu na sala. Ela na mesma hora desviou o olhar e esqueceu de tudo. Ao contrário dele, que parecia hipnotizado. Quinn sentiu o corpo enrijecer.
"Saudades de você, doutora." O moreno sorriu doce para a loira, que se sobressaltou.
"Bom te ver, Finn." Quinn sorriu de volta, um pouco atordoada.
Na verdade ela não sentia prazer nenhum em vê-lo ali. Finn lhe deu um abraço de lado e beijou o topo de sua cabeça. Quinn se sentia péssima.
Finn foi em direção à Rachel, que o encarou quando estava muito perto. A morena estava com raiva, estava morrendo de raiva e mágoa dele e os olhos castanhos refletiam isso apesar de sua expressão perfeitamente indiferente.
"Rachel... Como estão as coisas?" O moreno forçou um tom cordial, percebendo depois de um tempo que a morena não sabia o que responder. "Broadway, hein? Parabéns pelo seu papel."
"Obrigada Finn..." Rachel respondeu baixo, mal conseguindo sorrir. "Eu... realmente preciso falar uma coisa com a San..." Ela se afastou levemente.
"Rachel, eu quero conversar com você." Ele disse baixo e rápido, desfazendo-se da postura cordial e distante. O tom era um tanto quanto melancólico, aproximando-se.
Rachel não sabia o que dizer, nem o que fazer. Ele queria conversar? Ele não tinha o direito de querer nada.
"Finn, eu não estou com cabeça para conversar agora." Ela respirou fundo.
"Precisamos conversar..." O moreno se aproximou, a voz suplicante quase num sussurro.
"Precisávamos. É tarde agora." Rachel encarou-o friamente.
"Eu não quis demorar todo esse tempo, eu..."
Santana saiu do banheiro, fazendo Rachel voltar a se preocupar. Ela encarou Finn novamente sem qualquer tipo de emoção em sua expressão. Ela não ouvia sequer uma das palavras confusas que ele tentava dizer. Quando ele parou de falar, ela deu as costas para ir atrás da latina, deixando-o sem resposta.
"Você está bem?" Ela perguntou enquanto observava a amiga pegar uma garrafa de cerveja da mão de Puck.
"Estou sim." Santana bebeu dois longos goles.
"O que foi aquilo com a Brittany?"
"Ela... esqueceu um casaco lá em casa. Parece que a minha querida mãe a deixou entrar lá por dois dias." A latina contou.
"Agora está explicado. San... eu não vejo motivo pra tanta raiva. Quer dizer, ela não te fez nad..."
"É de mim!" Santana colocou a garrafa pesadamente sobre uma mesa próxima e encarou Rachel. "Sinto raiva de mim! Eu morro de raiva de mim todo dia! Todo maldito dia eu me sinto a mesma Santana do terceiro ano do McKinley!" Ela cortou a morena, agoniada.
"Vem aqui..." Rachel segurou a mão da latina, puxando-a para fora da casa.
Santana respirou fundo. Sempre que se lembrava desse assunto suas emoções muito bem controladas ficavam a flor da pele e ela tinha que fazer uma força descomunal para se equilibrar. Abraçou a si mesma quando saiu, estava frio demais.
"O que você fez naquela época? Como você tomou coragem para conseguir superar essa raiva e ficar com ela?" Rachel perguntou.
"Eu... eu não sei. Foi ela, eu acho. Eu não conseguia mais ficar sem ela." Santana trincou os dentes.
"E você não consegue até hoje Santana..." A morena murmurou.
"Mas eu não podia. Ela estava chorando, estava infeliz, eu estava longe e não ia voltar a ficar perto tão cedo..." Santana tentou se justificar.
"Foi a decisão errada Santana, você não vê isso até hoje?"
Santana encarou Rachel, pronta para tentar se justificar novamente quando Quinn saiu pela porta.
"Está tudo bem aqui?" Quinn fitou a latina de forma preocupada.
"Está..." Santana suspirou com a voz trêmula. "Vamos voltar..." Ela pediu.
Enquanto isso na sala, Brittany vagava em pensamentos quando sentiu seu celular vibrar.
Eu estou morrendo de saudades de você. Está se comportando direito sem mim? Eu te amo.
Brittany apertou os lábios. Carter estava sendo forte. Sabia que a namorada não estava tranquila. Provavelmente ela estava se esforçando durante o dia inteiro para não chorar e para apoiá-la. Já estava tudo resolvido: seu emprego, o apartamento onde ficaria. Ela teria estabilidade. E estaria realizando um sonho. Mas não podia deixar de se sentir culpada. Culpa essa que era sufocante...
Boba, você sabe que estou. Daqui a pouco estou de volta. Amo você.
Não conseguiu ir além disso, mas Carter a fez se sentir pior:
De volta para ir embora mais uma vez. De verdade.
Ela não conseguiu responder. Levantou-se para encontrar algum lugar silencioso na casa e ligou para ela.
"Amor?"
"Britt?" Ela ouviu a namorada fungar.
Sim, ela estava chorando. Como Brittany imaginava.
"Não chora, por favor... Não quando eu não possa estar aí para consolar você." Ela disse, agoniada.
"Me desculpa. Eu não queria dificultar as coisas para você... Me perdoa." Carter pediu com a voz trêmula.
Era só dizer “eu fico com você” e tudo se resolveria. Sabia que Carter nunca lhe pediria algo assim. Dependia somente dela. Uma frase e ela ficaria em LA com Carter. Mas ela não conseguia dizer as malditas palavras.
"Eu estou te sentindo tão distante ultimamente... Você está da mesma forma quando eu te conheci e isso me assusta tanto!"
"Não é culpa sua, meu amor... Me perdoa por isso, eu sei que eu estou mais pensativa, mas não é culpa sua, ok?" Brittany sentiu os olhos marejarem.
A conversa foi dolorosa e Brittany odiava aquilo. Não queria magoar Carter, a garota não merecia. Mas não conseguia enganar a si mesma e nem nunca conseguiu. Talvez, se nunca tivesse conhecido Santana, poderia ter Carter como o amor de sua vida, poderiam ser felizes e se amarem mais do que tudo. Mas Brittany conhecera Santana e se apaixonara. Quando a ligação acabou ela começou a chorar. Seu coração doía...
Carter sabia de Santana, mas não de tudo que a latina significara e ainda significava para ela. E nada doía mais na morena do que vê-la chateada por sua causa. Ela podia ser feliz com Carter. Ela realmente podia. Mas ela queria?
Duas horas se passaram. Alguns já estavam alterados por conta da bebida e o jantar já fora servido. Santana e Brittany pareciam decididas a acabar com o estoque de bebidas da casa junto com Puck e Rachel.
"Por que você não trabalha no mesmo estúdio que o Mike?" Mercedes bebeu um gole de vinho.
"A companhia para onde eu vou é um sonho meu." Brittany respondeu. "Desde quando eu era pequena."
"Então você vai mesmo?" Tina arregalou os olhos.
"Achou que eu estava brincando esse tempo todo?" A loira começou a rir. "Minhas malas já estão prontas..."
"E a Carter?" Mercedes perguntou.
Santana estava passando do lado do grupo quando escutou a conversa. E escutou o nome Carter de novo. Brittany ia sair de LA?
"San... eu vou um pouco lá fora." Rachel apertou o braço da amiga.
"Já estou indo..."
Santana entendeu que Rachel queria conversar. A morena estava tentando se distrair ao máximo e ficar o mais longe possível de Finn e Quinn. Como Santana estava andando para tudo quanto é lado, ela preferiu a companhia de Kurt e Blaine, mas parecia que a cada vez que piscava flashes do sonho que tivera apareciam em sua cabeça. E a sensação que ela não gostava quando estava perto de Quinn reaparecia. Em sua mente ela tinha que cortar aquilo. Como cortara Finn. Mas algum dia ela tinha conseguido cortar Finn por completo?
"Rachel..." O moreno alto chamou, fazendo a morena se virar. Ela não tinha a menor noção do tempo que estava parada ali sozinha e parecia mais estranho ainda que ele estivesse ali.
"Eu disse que não estava bem para conversar, Finn."
"Me escuta, por favor, só me escuta." Ele implorou.
Rachel respirou fundo. Não podia deixar a bebida alterar tanto a sua capacidade de raciocínio.
"Eu não quero te escutar. A última vez em que eu parei pra te escutar, em que eu cedi ao que você pediu..." A morena parou, incapaz de continuar, com um incômodo crescente na garganta.
Finn respirou fundo. "Durante todos esses anos..." Ele começou, vendo Rachel lhe dar as costas e voltar para a casa. "Você conheceu as minhas dificuldades mais do que ninguém." Ele completou, fazendo-a parar. "E você sabe que a minha maior dificuldade é fazer a coisa certa." Falou com dificuldade. "Você, mais do que ninguém, conhece os conflitos que eu tenho e a minha falta de confiança. Eu me arrependo de tanta coisa que eu fiz, Rachel. Principalmente a você..." Ele murmurou dolorosamente.
Rachel olhou para cima, para aquele estúpido céu estrelado de Lima. As estrelas ali sempre lhe pareceram um pouco apagadas. Pensar nisso só fez seu peito doer mais. Era para aquele lugar ser um tipo de lar onde ela fosse acolhida. Mas não era. A respiração saía rasa enquanto uma frieza incomum se apossava de seu peito. Às vezes era assim, entorpecida pela raiva. E no resto, vazio.
"Por que você fez aquilo?" Ela perguntou seca, virando-se para ele.
Finn passou a mão pelos cabelos, nervoso. Nunca tinha visto Rachel tão fria.
"Por medo." Ele murmurou, vendo o olhar incrédulo da morena. "Eu te vi por todos esses anos crescer bem mais do que eu e se tornar uma mulher enquanto eu ainda me sentia um moleque. Eu te pedi em casamento sem ter a mínima noção do que eu estava fazendo e já naquela época você era muito mais do que eu merecia. Você era uma garota extraordinária e ambiciosa. Você tinha um objetivo e sabia que podia alcançá-lo. Você fazia parte daquele mundo, da cidade grande, sem sequer o conhecer. E quem eu era? Um menino. Que não sabia nada da vida e nem o que esperar dela. Eu queria ficar aqui nessa cidadezinha, curtindo a minha faculdade. Evitando amadurecer o máximo que eu podia.." Finn suspirou. "Eu só tinha você."
O moreno encarou Rachel, percebendo que ela não dava indícios de quem estava prestes a lhe virar as costas de novo e mesmo sem saber o que a expressão dela significava isso lhe deu um pouco de coragem para continuar a falar.
"Eu não vou ser um babaca e dizer que terminei porque queria o seu melhor. Eu estava pensando em mim. Em como eu não queria deixar o conforto que eu tinha aqui. Eu fiquei calado esse tempo todo porque eu sabia que não tinha o direito de te pedir perdão e esperar que você entendesse. E eu queria te pedir perdão porque eu vi depois de toda a imaturidade... eu vi o que eu perdi. Eu vi que te amava e precisava de você e devia ter lutado por isso." Ele soltou uma risada curta e nervosa, desviando o olhar para o chão. "Você nunca me olhou como os outros, sabe..." Falhou a voz, os olhos ardendo. "Você nunca achou que eu fosse pouco. Você sempre me achou o máximo e me tratava como se eu fosse o seu mundo e eu não dei valor a isso."
Rachel sentia a trilha quente de lágrimas riscando o próprio rosto. Limpou-as rapidamente. Tinha segurado o choro na frente dele por tanto tempo. Não ia se mostrar frágil novamente.
"Aquela noite... eu só... queria você tanto! Você estava linda e eu não aguentava mais. Tinha bebido um pouco e sabia que você também... Me perdoa por ter ido embora, por não ter ligado ou conversado com você, mas eu estava com medo. Eu não mereci aquela noite. Eu não merecia ter você de novo. E não queria te procurar e saber que você finalmente tinha percebido que é muito pra mim. Tem umas duas semanas que eu contei isso para o Burt e ele me disse que eu não estava agindo como homem..."
"Espera..." Rachel o cortou. "Você está me falando isso agora porque conversou com Burt há duas semanas?" Ela perguntou, incrédula. "Faz um ano, Finn!"
"Não é assim..."
"Você foi homem o suficiente para ir até a minha casa, mas não é homem para escutar que quer que eu tivesse a dizer? Você sabia que eu estava frágil por conta da bebida e se aproveitou disso?"
Finn a encarou com um olhar culpado. Rachel riu pelo nariz, mais incrédula ainda.
"A Quinn tem razão. Você não muda."
"Quinn?" Ele perguntou incomodado.
"Finn..." Ela massageou a têmpora. "Olha, eu não estou bem."
"Você prestou atenção em todo o resto que eu falei?" Ele tentou argumentar.
"Sim. Eu prestei. Mas eu não acho que o que você me disse vai resolver alguma coisa agora."
"Conversa comigo..." Ele se aproximou.
"Droga, Finn! Me deixa pensar! Você não tem a mínima noção do que aconteceu todo esse tempo. Só... me deixa quieta." Ela pediu.
O rapaz viu certa mágoa no olhar da morena e se retraiu. Mas ela tinha razão. Ele não tinha a sensibilidade para perceber o estrago que tinha feito com ela. Rachel, na verdade, não queria pensar, mas as palavras dele rondavam sua cabeça enjoativamente. Ela só queria acalmar aquela dor e toda a decepção que sentia.
Deu as costas a ele novamente, topando com uma Santana muito alterada na porta.
"O que aconteceu com você?!" Rachel exclamou irritada. Era culpa dela que tivesse ficado sozinha com Finn.
"Mr. Schue abriu uma garrafa de whisky, eu não queria perder!" A latina falou alto e embolado, vendo a expressão cansada da amiga. "Está tudo bem?"
"Não." Rachel respondeu, passando direto por ela também.
"Hey..." Santana segurou seu braço.
"Agora não, por favor." Ela se soltou.
Rachel se sentou pesadamente no sofá ao lado de Mercedes, que olhava abobada para Sam. Finn entrou na casa com uma expressão indiferente indo conversar com o grupo animado do outro lado da sala. A morena olhou em volta e seu olhar topou com um em especial. Dourado, com traços esverdeados, quentes, acolhedores, familiares e incômodos. Não gostava da forma como Quinn sempre parecera ler sua alma, ou da forma como seu olhar era tão seguro na maioria das vezes. A loira sem querer fazia as pessoas desejarem ter sua aprovação para o que faziam. Rachel estava tão irritada com isso que sequer percebeu que também era capaz de ler Quinn. Ela via preocupação, mágoa e cansaço. Não era o olhar que lhe incomodava, o que Rachel fingia não perceber era a forma como seu coração tinha parado um pouco ao vê-lo, batendo erraticamente.
Brittany sentou ao lado de Quinn, olhando preocupada para ela. Ela sabia de algo? A atenção de Rachel foi desviada quando Sam abraçou Brittany e Quinn e ela escutou um som de violão. Mr. Schue tocava alguns acordes e todos se juntavam, querendo cantar. A morena se sentiu um pouco melhor com a atenção que recebeu dos amigos, perguntando de novo sobre a Broadway e querendo que ela cantasse. Ela foi se soltando aos poucos com Santana, bebendo mais um pouco, até que Artie sugeriu um dueto com Finn. O rapaz sorriu hesitante para ela, que relutou um pouco, mas acabou aceitando. Estavam todos rindo tanto e se divertindo tanto que não conseguiu ficar mal.
Quinn estava com tanta raiva ao vê-los cantando juntos e sorrindo um para o outro que nem percebeu que estava machucando a mão de Brittany de tanto que apertava. Por um momento parecia que voltava ao McKinley, para o dia em que se cansou do foco nos dois em um dueto de No Air. Junte-se a isso sua perplexidade perante o sorriso de Rachel. Eles estavam bem? Kurt, Blaine, Santana e Brittany eram os únicos que também não estavam achando aquilo tão divertido assim...
Quinn estava com ciúmes. E estava morrendo de raiva por estar com ciúmes. Mas sabia que estava.
"Você está bem?" Brittany acariciou uma mecha dos fios loiros de Quinn.
"Não." A loira admitiu pesadamente.
Estava odiando o que sentia por Rachel naquele momento. Sentia-se nauseada. A música acabou perante aos aplausos de todos e um certo brilho no olhar da morena.
"É disso que ela gosta, não é? Atenção. Enquanto ela for o centro de tudo, ela não liga para nada." Quinn disparou.
O que Brittany ia dizer foi abafado pelos gritos de todos. Parecia que Kurt e Blaine tinham acabado de anunciar seu noivado. Quinn se afastou, indo encher um copo com whisky enquanto Mr. Schue fazia algum tipo de discurso sobre estar orgulhoso de cada um deles e saudade da época do coral. Ou seja, o de sempre. Não se preocupou em colocar gelo, nem em beber aos poucos ou misturar com alguma coisa, virou tudo de uma vez e se sentiu incrivelmente enjoada. Mas se forçou a manter a bebida dentro de seu corpo.
O tempo parecia não passar. Brittany parou de beber pela preocupação com Quinn. Santana e Rachel estavam cada vez mais eufóricas. Kurt e Blaine namoravam no sofá e Sam já tinha botado uma música para dançar com Mercedes. Puck se ocupava em convencer Finn de algo que o outro mal estava escutando e Artie, Tina e Mike riam descontroladamente de tudo e todos.
"O que deu nesses garotos?" Emma fitava sua própria sala de estar.
"Acho que eles estão felizes por se reencontrarem. Quer ir dormir? Eu dou um jeito nisso aqui depois." Will ofereceu.
"Com esse barulho?" Encarou o marido, incrédula.
"Pelo menos eles não passam disso. Acabou o estoque de bebidas dessa casa." Ele disse, rindo.
"E de comida." Emma acrescentou, também rindo.
Santana parecia ter percebido o estado de Quinn e agora estava junto dela, tentando ao máximo ignorar a outra loira. Mas Quinn não estava gostando daquela atenção. Estavam vendo Rachel escorada na parede e Finn indo em sua direção com uma garrafa de cerveja na mão e um sorriso de lado. Sem pensar se levantou do sofá onde estava e puxou a morena pelo pulso, chamando sua atenção.
"O que você está fazendo?" Quinn rosnou entredentes.
"O que você está fazendo?!" Rachel puxou a mão de volta.
"Tentando te colocar um pouco de juízo!"
"Você ficou maluca?!"
"Rachel..." A loira respirou fundo, tentando organizar o próprio pensamento. "Qual o motivo de tudo isso?" Ela aproximou seus rostos, quase encostando em Rachel. "Você mudou completamente por causa dele, éramos amigas e de repente você se fecha para o mundo. Então, um dia você me conta que ele te levou para a cama e simplesmente sumiu por um ano e no dia seguinte você finge que nada aconteceu. Você me provocou, você insistiu que a gente tivesse algo, você começou toda essa merda e eu sou uma completa idiota, porque eu gosto de você, eu acreditei em você. E agora você está atrás daquele imbecil?"
"Você não entende, Quinn." A morena falou com dificuldade, surpresa pela loira jogar tudo aquilo nela.
"Não. Eu realmente não entendo."
"Então pare de tentar entender. O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta." Irritou-se, se sentindo acuada.
A conversa toda não passava de sussurros. Quinn estava quase fora de si com as palavras Rachel. Mas não conseguia, não conseguia não se importar.
"Você é bipolar. Você é completamente maluca e bipolar." A loira passou a mão pelos cabelos, apertando os olhos. "Eu realmente não sei o quanto tudo o que aconteceu te afetou, mas eu sei que essa pedra de gelo que você finge ser não vai te proteger para sempre. Eu não vou correr atrás de você para sempre, Rachel." Apontou para ela.
"Está tudo bem por aqui, garotas?" Finn perguntou preocupado, passando o braço pelo ombro de Quinn.
A loira fechou os olhos, respirando fundo e baixando a mão, fechando-a com força.
"Está tudo bem, Finn. Eu só acho que a Quinn não está passando muito bem..." Rachel disse.
O tom de voz da morena era calmo, o que só irritou a loira ainda mais. O rapaz fitou Quinn como se estivesse procurando sinais de que ela estava passando mal enquanto Rachel lhe virou as costas.
"Me solta!" A morena exclamou, quando sentiu novamente a mão de Quinn lhe puxando.
"É tão difícil assim, Rachel? É tão difícil parar de fugir de tudo?"
Finn olhava a cena sem entender enquanto Santana se aproximava.
Rachel se soltou mais uma vez da loira, lançando um olhar fulminante em sua direção e foi embora. Santana interceptou a morena, puxando ela para um canto.
"O que merda você pensa que está fazendo?" Santana questionou.
"Sério que você vai me perguntar isso?"
"Rachel." A latina apertou a ponte do nariz, irritada. "O que você está fazendo com a Quinn?"
"Nada."
"Nada? Eu conheço a Quinn e eu conheço você. Olha como ela está! Olha como você está! Pare de brincar com ela!" A latina ralhou.
"Eu não tenho nada com ela, Santana!"
"Eu vi vocês semana passada. Você acha que eu sou idiota? Rachel, você sabe das fraquezas dela, você sabia esse tempo todo..."
"Engraçado. Ela sabia das minhas no ensino médio e fazia questão de me provocar." A morena rebateu.
"Então isso é sobre o ensino médio?" Santana bradou, incrédula. "Rachel, isso é ridículo!"
"Não é sobre o ensino médio..." A morena desviou o olhar.
"O que você quer fazendo essas coisas com ela? Você sabe quem ela é. Ela é nossa amiga. O que merda você quer, Rachel?"
A morena não respondeu. O que fez Santana se irritar.
"Sabe, eu acho que aquele sorriso idiota que você andou exibindo essa noite cantando com o Hudson não devia ser para ele." Ela cutucou.
"Não seja hipócrita." Rachel sorriu cinicamente. "Você não tirou os olhos da Brittany a noite inteira."
"É diferente e você sabe muito bem o porquê Rachel. Não se faça de idiota." A morena então abaixou o olhar. "Olha, você sabe tão bem quanto eu que tem quantas mulheres quiser a sua disposição se você tem gosto por brincar sem compromisso com as pessoas. Mas não faça isso com a Quinn. Ela está fora dos limites." Avisou.
"Eu não devo nada a ela." Rachel permaneceu na defensiva.
"Você a deve respeito. Não ache que porque você a leva para a cama que pode tratá-la como trataria qualquer uma. Eu não ia gostar que ela fizesse isso com você. Eu quebraria a cara dela se ela fizesse isso com você. Se você não sabe manter essa relação sem machucá-la então corte de uma vez." Santana sibilou.
E então encarou Rachel, que sustentou seu olhar. A latina pareceu ter visto o lampejo de alguma coisa nele.
"Ou talvez... Você não consiga cortar." Santana estreitou os olhos."É isso, não é?" Ela riu pelo nariz, balançando a cabeça.
"Eu já te disse que não sinto nada pela Quinn."
"E eu já te disse que não acredito no que você falou."
Elas escutaram o barulho da porta da frente sendo aberta. O pessoal estava começando a se despedir e ir embora. Rachel se encaminhou para despedir dos amigos sem olhar para a latina novamente, que a acompanhou. Não estava com a mínima paciência para aguentar os olhares estranhos que lhe eram direcionados. Mr. Schue perguntou se estava tudo bem e ela forçou um sorriso ao dizer que estava. Estava mais que na hora de ir embora.
"Breadstix amanhã?" Mercedes perguntou.
Todos confirmaram. Quando Rachel saiu, deu de cara com Finn, que lhe sorriu sentido.
"Pense no que eu falei, ok?" Ele disse.
Rachel lhe acenou com a cabeça e recebeu um abraço e um beijo no topo da cabeça do rapaz. Sentiu-se muito pequena naquele abraço. A sensação era diferente. A morena sorriu triste quando ele foi embora e quando olhou para a frente, sentiu uma dor incômoda. Novamente seu olhar cruzou com o de Quinn.
"Nos vemos amanhã? Rachel?"
"C-claro." Desviou o olhar para Santana.
A latina olhou incomodada para Brittany e Quinn, que conversavam.
"Elas estão próximas." A morena comentou.
"Até demais." Santana disse.
Rachel captou certo incômodo na voz de Santana, mas estava tão cansada que não deu muita atenção a isso. A latina lhe beijou a testa antes de se afastar.
"Vamos?" A latina olhou para Quinn.
"Cuida dela. Ela não está bem." Brittany pediu.
"Vou cuidar."
Santana e Brittany se encararam longamente antes de Santana desviar o olhar. A loirinha se aproximou de Quinn e lhe abraçou carinhosamente, sussurrando algo em seu ouvido.
"Até amanhã." Despediu-se de Santana.
"Até amanhã." A latina respondeu.
Quinn esperou Brittany estar longe para falar. "Você é tão estúpida, San."
"Eu não quero perder a paciência com você, Quinn. Entra no carro."
Quinn obedeceu um tanto quanto desajeitada. "Fala sério, San. Você é incrivelmente burra."
"Quinn, não me faça arrepender de ter te defendido pra a Rachel."
"Você? Me defender para a Rachel?" A loira perguntou, surpresa.
"Ela está sendo estúpida." Santana disse.
"É incrível como vocês conseguem enxergar os erros de todo mundo, menos os próprios."
"Já estou arrependida."
"Aquele idiota do Finn." Quinn resmungou, fechando os olhos.
"Esse erro ela não comete de novo."
Quinn riu ironicamente.
"O que foi?"
"Você não pensa na Brittany como um erro, não é?"
"Não. O erro sou eu. Satisfeita?" A latina gracejou.
"Muito!"
"Não foi por isso que você riu." Santana constatou.
Quinn se calou.
"Você sabe de algo que eu não sei, Quinn?"
"Não."
"Quinn..." A latina respirou impaciente. "O que você sabe?"
"Sobre?" A loira perguntou casualmente, irritando mais ainda a latina.
"Sobre a Rachel!" Santana exclamou.
"Ela é ótima de cama."
"Eu não acredito nisso!"
"Que ela é ótima de cama?"
"Que ela teve algo com aquele imbecil!" A latina esbravejou.
"Santana, você viu os dois hoje."
"Depois a burra sou eu, Quinn. Pelo amor de Dios!"
A loira estava bêbada demais para entender o que a amiga queria dizer com aquilo e nada disse. A mente de Santana já estava longe dali. Se o que estivesse pensando fosse verdade, Finn estava com problemas. Estacionou o carro na garagem quando chegou e olhou para o lado, Quinn parecia dormir tranquilamente.
"É tarde para te pedir para não se apaixonar pela Rachel?" A latina sussurrou.
O suspiro de Quinn foi resposta o suficiente. Santana saiu do carro e deu a volta, tirando Quinn do banco e ajudando-a a entrar na casa. Assim que a loira dormiu, Santana se permitiu cair no sono também. Por mais que quisesse relembrar cada detalhe de Brittany, precisava também ir dormir, tinha um assunto para resolver logo pela manhã...
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