How To Save A Life
13 Thanks For The Memories
Notas iniciais
Andava distraída pelas ruas de Los Angeles. Tinha acabado de receber a ligação que estava esperando há semanas. Simplesmente não sabia como se sentir sobre aquilo. Uma parte si havia esperado ansiosamente por ela, era uma grande oportunidade e era um dos seus sonhos. Outra parte havia desejado desesperadamente nunca recebê-la.
Sentou-se em um dos bancos do parque, que ficava a algumas quadras de seu apartamento. Iria sentir falta daquele lugar. Era feliz ali. Precisava mesmo ir embora? Sabia que não. E se odiava por isso. Claro que era uma oportunidade única em sua vida, mas poderia continuar ali. Tinha formado com distinção e recebido outras ofertas de emprego, fazendo valer a pena todos os quatro anos de faculdade, aos quais tinha se dedicado mais do que qualquer outra coisa em sua vida, para a surpresa de todos. Mas ainda assim queria ir. E por mais que tentasse negar, sabia muito bem o porquê.
Sentiu seu celular vibrar. Era Carter. Sua melhor amiga, seu porto seguro, sua namorada. Ainda não tinha contado a ela. Sabia que por mais que isso significasse uma distância absurda, Carter jamais deixaria de ficar feliz por ela. Era a culpa que a impediu de ter ligado pra ela logo depois de ter recebido a notícia. E era a culpa que pesava agora sobre si. Por que não tinha simplesmente esquecido? Não sabia dizer.
Foi caminhando lentamente para casa, tentando acalmar seu coração e o nervosismo que a dominava. Precisava enfrentar aquilo. Se era incapaz de recusar, deveria então, pelo menos, ser capaz de conviver com aquilo. Não era só isso que pesava, afinal. Todos os seus amigos estavam lá. Sentiria uma falta absurda de Mike, Tina, Mercedes e Artie, mas não era a mesma coisa. Sempre havia se sentido um pouco deslocada. Carter veio novamente em seus pensamentos. Ela era a única capaz de fazê-la se sentir em casa.
Abriu a porta do apartamento, deixando as chaves na mesinha ao lado. Sentiu um cheiro familiar vindo da cozinha e um sorriso tomou conta de seus lábios. Parou na porta, observando sua namorada retirar do forno uma forma com seus cookies preferidos, ocupada demais empilhando-os em um prato para reparar na sua presença, cantarolando uma música qualquer. Seu coração se apertou. Foi em direção à morena de cabelos castanhos levemente ondulados, com olhos azuis tão semelhantes aos seus e uma pele branca que dava contorno a um corpo delicado e esguio, abraçando-a por trás. Nunca deixava de se surpreender com a sua beleza.
"Achei que tinha fugido..." Ela falou levemente preocupada, ainda empilhando os cookies. "Mas devia saber que o cheiro dos meus cookies te traria de volta." Brincou , virando-se para Brittany.
"Só estava andando um pouco." A loirinha disse, dando um leve beijo em seus lábios, ainda segurando-a em seus braços.
"O que aconteceu?" Carter perguntou, percebendo imediatamente que havia algo errado.
Brittany desviou o olhar.
"Te ligaram de NY, não foi?"
Sentiu Carter levantar delicadamente o seu rosto, encarando-a. Seus olhos eram tão meigos e gentis... Faziam-na se sentir segura. Sem qualquer aviso, um par de olhos escuros e intensos invadiram seus pensamentos. Um dia eles também tinham a feito se sentir segura.
Eram momentos como aquele que a faziam querer gritar com o mundo. Sua namorada estava ali, olhando-a com todo o amor do mundo e tudo em que ela conseguia pensar era nela.
"Você sabe que faremos de tudo pra isso dar certo, não sabe? Não me importa a distância. Só me importa você." Carter disse.
Sem conseguir impedir, sentiu um choro silencioso tomar conta de si. A namorada a envolveu em seus braços. Não queria ter escutado isso. Não agora, não tão tarde, não de Carter. Isso só intensificou seu choro. Sentiu a morena limpar suas lágrimas.
"Está tudo bem, meu amor... não chora. Eu amo você." Carter declarou, imaginando que a aflição da namorada fosse em virtude da iminente distância.
Britânico beijou a morena de forma desesperada. Queria tirar aquele sentimento ruim de si, queria sentir alguma coisa que a fizesse mudar de ideia e jamais querer pisar em NY. Mas seu coração fazia questão de gritar o contrário, implorando por outro beijo, outro abraço, outro toque.
Quando deu por si já tinha deitado Carter na cama e se despido rapidamente. Não sabia como tinham chegado ao quarto. Sentia que não devia fazer aquilo, Carter não a merecia daquele jeito. Mas precisava não pensar, precisava de cura. Uma cura que nunca tinha vindo. Sentiu a morena virá-la na cama, ficando por cima, tentando imprimir um ritmo mais calmo ao ato. Carter queria fazer amor. Brittany queria esquecer. Encarou os olhos azuis, mas só conseguiu enxergar aqueles olhos intensos e escuros lhe encarando. Como sentia saudade...
Fechou os olhos, sentindo o prazer tomar conta de si. Sentia os dedos da latina penetrando-a de forma calma e ritmada, enquanto a outra mão se entrelaçava com a sua. Abriu os olhos novamente, encarando Santana, que a olhava em completa adoração. Estremeceu com a intensidade daquele olhar e o amor que estava gravado neles. Seu coração, já acelerado, aumentou o ritmo de forma dolorosa e um gemido escapou de seus lábios no momento em que os lábios da latina tomaram conta dos seus seios. O movimento continuava calmo, fazendo-a perder o pouco da sanidade que lhe restava.
“San...” Ela pediu.
Santana continuou naquele mesmo ritmo, beijando-a de forma apaixonada, tentando aproximar mais ainda seus corpos. Um outro gemido, mais intenso, saiu de sua boca, morrendo na boca da latina, quando sentiu os dedos se curvarem dentro de si. Santana cortou o beijo, voltando a encará-la, finalmente aumentando a intensidade com que se movia.
“Olha pra mim...” A latina pediu com a voz rouca.
Brittany sentia que estava perto, mas mesmo assim fez o que a latina pediu. Seus olhos brilhavam, completamente escurecidos.
“Eu amo você...” Santana sussurrou.
Brittany sentiu seu corpo todo estremecer, deixando-se perder naquele emaranhado de sensações únicas que somente Santana lhe fazia sentir...
Sentiu Carter cair sobre si, depositando um beijo em seu pescoço e encaixando-se ao seu lado. Retirou o braço preso por baixo da morena e levantou-se rapidamente, entrando no banheiro. Ligou o chuveiro e entrou debaixo d’água, sentando-se no chão frio. Estava se sentindo suja, invadida. Acabara de ter um orgasmo pensando em Santana, enquanto deveria estar fazendo amor com sua namorada. Nunca havia perdido o controle dessa forma. Tinha parecido tão real. Na verdade, tinha sido real, há muitos anos atrás. Sentia seu corpo todo doer. Memórias. Era tudo que tinha lhe restado. O resto tinha ido embora, junto com uma grande parte de si mesma.
Saiu do banheiro depois do que parecia uma eternidade. Para sua sorte, Carter dormia serenamente. Provavelmente havia caído no sono lhe esperando. Suspirou aliviada, não tinha condições de encarar a namorada naquele momento. Botou uma roupa e deitou-se ao seu lado, abraçando-a de forma carinhosa.
“Desculpa, meu amor...” Brittany sussurrou quase inaudivelmente em seu ouvido, de forma sincera, tentando aplacar a culpa sem fim que sentia.
Puxou o cobertor, cobrindo ambas e apagando a luz de cabeceira que ainda estava acesa. Um dia de cada vez, disse a si mesma, antes de pedir desesperadamente para não sonhar...
...
Do outro lado do país Santana encontrava-se fuçando o celular de Quinn. A loira o havia esquecido em casa quando saiu para encontrar com Erika. Ultimamente ela quase não parava em casa, estava sempre fora. Acordava antes de Rachel e voltava no horário de sempre, saindo logo em seguida. A latina procurava de forma quase doentia por mensagens de Brittany, mas nenhuma dizia nada importante. As conversas eram todas cortadas, com certeza Quinn apagava algumas mensagens. Ela acessou o registro, podendo ler o início das mensagens apagadas e ficando ainda mais frustrada:
B: Sinto falta d...
B: Não conte pra...
B: Eu não quero v...
B: A Carter não...
B: Lost Coast. A...
Estava com tanta raiva que quase esqueceu que o celular era de Quinn. Estava prestes a tampá-lo na parede. Quem era Carter? O que tinha de tão importante nas mensagens para serem apagadas?
Lost Coast.
Santana esperava do lado de fora da casa dos Pierce. As férias tinham acabado de começar e ela queria passar o maior tempo possível com Brittany antes de ir para NY. Viu quando a loira surgiu na janela com o sorriso brilhante que a caracterizava, seu coração aumentou o ritmo de forma perceptível. Santana pegou o celular e passou a digitar rapidamente:
“Vem logo!” Ela enviou.
“Já estou indo! Não consigo achar a minha almofada da sorte... Te amo!” A loirinha respondeu.
A latina consultou o relógio. Eram 2:45 da manhã. Desligou o carro, esperando. As três em ponto uma mochila caiu no gramado em frente a casa, para logo depois alguém impulsionar o corpo para fora da janela. Santana observou apreensiva a namorada descer pela escada improvisada e depois saltar no chão, pegando a mochila e saindo correndo no sereno. Ela abriu a porta traseira jogando a enorme mochila de viagem ali para depois entrar no banco do carona. Assim que fechou a porta as duas se permitiram parar para respirar fundo.
“E agora?”
Brittany olhou com uma cara travessa para a namorada e as duas começaram a rir descontroladamente, até aparecerem lágrimas nos olhos. Santana segurou a mão de Brittany, entrelaçando os dedos e a beijou delicadamente. A loira sorriu, aproximando-se para beijar a latina. Aquele beijo tinha um gosto especial. Tinha um gosto de felicidade.
“E agora somos só você e eu.” Santana disse sobre os lábios rosados. “Próxima parada?”
“Califórnia!” Brittany respondeu animada, levantando os braços em punho.
Santana riu com o gesto e girou a chave na ignição, para saírem dali.
“A gente vai para pra comer em lanchonetes de beira de estrada?” A loirinha perguntou, brincando com o sombrero em miniatura que pendia do retrovisor.
“Podemos... Você pegou o dinheiro?” A latina quis se certificar.
“Peguei.”
“E o mapa?”
“Peguei também.”
“Perfeito.” Santana virou-se para beijar o rosto da namorada. “Minha garota.”
A latina saiu da rua principal, pegando a estrada, estavam enfim, deixando Lima.
“San...” Brittany chamou manhosa.
“Oi amor...”
“Coloca música?”
“Qual cd?”
“Rumors”.
A latina sorriu antes de fazer o que Brittany lhe pedia. Tinha gravado aquele cd especialmente para ela. Quando chegou em Songbird já tinha a namorada deitada em seu ombro, uma mão acariciando sua perna. Ocasionalmente ela beijava o topo da cabeça de Brittany ou acariciava sua mão.
“Eu te amo... Como nunca antes.” A loira declarou docemente.
Santana parou no acostamento sem prévio aviso para poder beijar Brittany enquanto a melodia cessava. Elas conversaram, riram e brincaram pelo resto da noite, até Brittany cair no sono, o que fez com que Santana parasse o carro para baixar o banco para ela e procurar uma manta em sua mochila. Aproveitou também para procurar o mapa, chamando-se de burra mentalmente por não ter pensado em um GPS.
Ao voltar ao banco do motorista viu que a loira continuava dormindo tranquilamente. Ela era tão parecida com um anjo... Estendeu a manta sobre ela e voltou a dirigir. Ao passar por uma lojinha para acampamentos na estrada lembrou-se que a namorada gostaria que comprasse marshmallows, então parou o carro novamente para comprar, além de várias outras coisas de que necessitariam. Já passava de meio dia quando a loira acordou.
“San?” Brittany lhe chamou sonolenta.
“Boa tarde, amor.” A latina lhe direcionou um sorriso.
“Onde estamos?”
“Em algum lugar de Nebraska.”
“Você não sabe?” A loirinha levantou as sobrancelhas.
“Estou um pouco perdida...” Santana confessou.
“Pare o carro e pergunte.” Brittany sugeriu, bocejando.
“Não precisa amor, acho que estamos perto de Lincoln. Éramos para estar, pelo menos. Você está com fome?”
“Acho que sim.” Ela disse confusa, fazendo Santana rir.
“Você acha? Quer comer na estrada ou prefere a cidade?”
“Hm... Se não encontrar nenhuma lanchonete em meia hora entre na cidade.”
“Sim, senhora.”
Brittany riu e se aconchegou em Santana. Seriam apenas elas duas, e ela não poderia estar mais feliz. Foi então que o celular tocou, e rapidamente as duas ficaram tensas. Brittany ficou mirando o visor demoradamente.
“Quem é?” Santana perguntou, apesar de já saber a resposta.
“Minha mãe.”
“Atende. Qualquer coisa estou aqui.” Encorajou.
Brittany atendeu e Santana podia escutar os gritos. A garota mal conseguia falar. Quando a latina notou que ela estava muito nervosa parou o carro no acostamento e pegou o celular.
“Lauren?” Chamou cautelosa.
“Santana! Onde vocês estão?!”
“Er... Estamos viajando.” Informou.
“Viajando?! VIAJANDO?!” A mãe de Brittany explodiu.
“Me escuta...”
“Por que vocês são tão irresponsáveis Santana?” Lauren disse agoniada. “Eu acordo, não encontro a Brittany, ligo para a sua casa e descubro que sua mãe está furiosa porque o carro dela sumiu e você não atende o celular! Eles sabem que foi mais uma ideia maluca de vocês. Aí eu ligo e vocês me falam simplesmente que estão viajando?!”
“Lauren, por favor, estamos bem...” A latina tentava amenizar.
“São duas crianças! Inconsequentes, irresponsáveis...”
“Lauren, me escuta?” Santana implorou.
“É perigoso, você sabe disso...”
“Eu sei, mas me escuta.“ Ela pediu novamente, recebendo o silêncio. “Estamos indo para a Califórnia, vamos passar uns dias lá e eu não vou desistir dessa viagem. Talvez, se confiassem um pouco mais na gente, teríamos conversado sobre isso antes... Por favor, não brigue com a Brittany, a ideia foi minha, eu vou pra NY e queria que essas últimas férias perto em Lima fossem especiais. Estamos bem, ok?”
“Eu não sei Santana, eu não estou gostando disso...”
“Eu estou cuidando dela, você sabe que eu nunca deixaria nada de mal acontecer a ela.” A latina prometeu.
“Eu sei.” A voz de Lauren parecia um pouco mais calma.
“Confia em mim então...” Santana pediu.
“Santana, eu... Conversamos mais tarde, está bem?”
O celular ficou mudo e Santana sabia que Lauren estava magoada. Ela não tinha muito tempo para Brittany e nem o pai, os dois estavam sempre trabalhando. Mas sabia que eles se esforçavam e se sentiam mal por serem tão ausentes.
“Acho melhor voltarmos, Santana...” Brittany disse, triste.
“Não.” A latina falou, tirando o cinto e aproximando-se da namorada. “Essa viagem é nossa, está bem? Só nossa. Vamos nos preocupar apenas com a gente.” Ela segurou o rosto de Brittany nas mãos. “Eu amo você. Eu amo e quero esquecer que o mundo existe. Eu quero só você, pra sempre, mas se tudo o que tivermos por enquanto for apenas alguns dias eu não vou desistir por um motivo qualquer.”
A loira assentiu. A saudade antecipada de Santana lhe cortando como faca.
“Hey, me dá um sorriso.” A latina pediu, acariciando seu rosto.
Ela abriu um sorriso fraco.
“Eu sou louca por você, sabia?” Santana disse sincera, fazendo seu sorriso alargar. “Agora sim.” Beijou-a nos lábios delicadamente.
O beijo foi aprofundado e, como todos os que davam ultimamente, foi intenso. Estavam no auge da paixão uma pela outra e não queriam pensar no futuro afastamento.
Quando voltaram à estrada abasteceram o carro e comeram ali mesmo, em uma lanchonete. Brittany se interessava por tudo que via e Santana achava isso adorável na loira. Elas se perderam, Santana se recusou a parar o carro, brigaram, acharam o caminho de volta e o tempo passava... A latina estava exausta.
“San, temos que achar um lugar pra dormir.” Brittany alertou.
“Eu posso dirigir mais um pouco...”
“Não, San! Não faz isso, você já dirigiu demais e nem dormiu direito ontem!”
A latina suspirou. “Onde estamos?”
“Não faço a mínima ideia.” A loirinha respondeu.
As duas riram e Santana concordou em estacionar em um hotel de beira de estrada. Mais tarde, de banho tomado e alimentadas, deitaram-se na cama de casal.
“Cansada?” Brittany perguntou, puxando a latina para seu colo e acariciando os cabelos escuros.
"Uhum...” Ela murmurou, esgotada.
“Boa noite, meu amor. Eu te amo.” A loirinha sussurrou.
“Amo...” Santana murmurou antes de cair em um sono profundo.
Acordaram duas e pouca da manhã e Brittany não deixou a latina se levantar. Queria que ela descansasse mais.
“Amor, eu estou bem.” Ela disse, segurando a mão da loira que acariciava seu rosto e beijando seu pulso.
“Dorme mais um pouco.” A loira pediu, sentindo os beijos subirem pelo braço, causando arrepio.
“Eu não quero dormir...” Santana sussurrou, em um tom baixo.
“O que você quer?” Brittany perguntou ao sentir os mesmos lábios beijarem a pele quente embaixo da blusa ligeiramente levantada.
“Você...”
Dizendo isso Santana girou Brittany rapidamente, ficando sobre ela, fazendo-a sorrir. Beijou seu pescoço enquanto desabotoava a blusa de seu pijama. Cada beijo sobre a pele de Brittany era dado com extremo amor. O sutiã foi deixado de lado e a loira gemeu baixo ao sentir a boca de Santana sobre seus seios, acariciando-os com a língua, alternando entre um e outro antes de descer pela barriga definida e deslizar o short pelas pernas pálidas e jogá-lo de lado. Leves chupões eram dados na parte interna das coxas torneadas, assim como pela virilha. A latina afastou a calcinha e sem pressa deslizava a língua pela intimidade de Brittany, sem se concentrar em um ponto específico, com movimentos delicados. A expressão de prazer no rosto de sua namorada a incentivava a continuar. Seus lábios e sua língua alternando os toques com suavidade. Retirou a peça íntima, voltando a atenção para o clitóris da loira vendo que ela já estava completamente entregue...
Circulou-o com a língua calmamente, alternando entre movimentos de baixo para cima. A latina não se preocupava em ser rápida e sim no prazer de Brittany. Era uma necessidade dar prazer a ela, observá-la se contorcendo e sendo levada à loucura aos poucos. As mãos da loira se prenderam nos cabelos negros enquanto as vibrações de seu corpo aumentavam. A latina sorriu em satisfação ao vê-la ter um orgasmo demorado e intenso. Deu leves beijos na intimidade da loira antes de subir por seu corpo.
“Tudo bem?” Perguntou, aplicando-lhe um selinho carinhoso.
“Tudo ótimo.” A namorada respondeu sorrindo, aprofundando o beijo, sentindo o próprio gosto na boca de Santana. “Tira a roupa.” Ela pediu urgente, escutando a risada rouca da latina.
“Temos que cair na estrada, esqueceu?”
“Eu só quero te abraçar...”
Santana fez o que a namorada pediu e juntou-se a ela no abraço mais perfeito que conhecia.
“Eu te amo.” A latina sussurrou em seu ouvido, beijando os cabelos loiros.
“Promete nunca se afastar?” Brittany pediu, insegura.
“Prometo.”
Vinte minutos depois estavam dentro do carro.
“Você me ama muito” Santana constatou, pegando o mapa e fazendo a loira rir. “Não é?” Virou—se para ela.
“Amo. Por quê?”
“Só você pra entrar numa viagem dessas comigo. Eu mal sei onde estamos.” A latina sorriu, nervosa.
“Eu confio em você. E eu já falei pra parar e perguntar.” A loira disse.
Elas passaram o resto da madrugada escutando e cantando músicas de gravações do gleeclub e Santana resolveu, finalmente, parar pra pedir informação e sorriu arrogante para Brittany ao descobrir que estavam no caminho certo, recebendo em troca uma mostrada de língua da namorada. O dia amanheceu nublado e estranho e pelas oito da manhã começou a chover torrencialmente e a fazer um frio intenso.
Brittany estava com medo, pedindo para Santana ir devagar e parar de fazer ultrapassagens. Acabaram com todo o estoque de biscoitos que trouxeram e entraram em uma pequena cidade para abastecer o carro e comer algo mais consistente. Fizeram amizade com a dona do restaurante que escolheram, que pediu para elas não parassem muito tempo naqueles trechos de estrada porque era perigoso. Ainda mais viajando sozinhas.
Às três da tarde, Brittany começou a se preocupar com Santana novamente, dizendo que ela estava dirigindo demais.
“Vamos parar mais cedo hoje...” Ela pediu.
“Britt, quanto mais eu dirigir hoje, menos sobra para amanhã. A gente está perto meu amor...” A latina insistiu, teimosa.
Brittany permitiu que ela dirigisse por mais duas horas. Ao perceber que ela estava exausta e sonolenta começou a conversar sobre diversos assuntos sem intervalos, deliciando-se com o som da risada da latina. Era a única pessoa no mundo com quem se sentia confortável para falar sobre tudo e ser ela mesma. Santana nunca a tinha insultado na vida ou feito com que ela se sentisse inferiorizada. Sempre fez com que se sentisse ouvida, importante, especial, mesmo quando estavam afastadas e, nos últimos meses, a latina estava fazendo com que ela se sentisse mulher... Brittany não tinha palavras para definir a importância de Santana em sua vida.
Como esperava, após acharem um hotel, tomarem banho e comerem, Santana apagou. A loira dormiu um tempo depois. Ficou ainda observando a latina dormindo. Aconchegou-se em seu corpo e se deixou levar pelo sono. Foi acordada horas depois pelos beijos da namorada em seu rosto.
“Hey...” Sorriu-lhe.
“Hey...”
A latina não disse mais nada, apenas observava o rosto de Brittany. Os olhos se conectaram e a loira pôde ver a intensidade dos olhos negros e apaixonados.
“Você está feliz?” Santana sussurrou.
Brittany não escutou, pedindo para a latina repetir. Quando entendeu a pergunta abriu um sorriso tão largo e brilhante que não precisou verbalizar a resposta. Santana a beijou apaixonadamente, deslizando a língua sedenta de contato pela boca de Brittany.
Aquele dia elas estavam especialmente animadas. Iam finalmente chegar ao destino da viagem. O plano era acamparem em uma praia deserta e elas haviam se preparado meses antes da viagem para isso, mas sentiam toda a excitação da aventura. Estavam ansiosas para conhecer o paraíso que diziam ser a Califórnia e para se amarem sem limites nesse paraíso... Não que não conhecessem uma parte dele, tinham acabado de passar por uma cidadezinha chamada Reno, da onde dava para ver a Sierra Nevada. Estavam perto, muito perto...
Depois de um café da manhã demorado elas caíram novamente na estrada. A palavra já tinha um significado completamente especial para elas e, no momento, era seu lugar preferido. Completamente diferente de tudo que já sentiram vendo filmes com essa temática, era uma daquelas coisas que você tem que fazer antes que fique velho e chato demais e fazer ao lado de quem se ama fazia parecer que era um sonho de verdade. Ironicamente, na hora em que Santana estava pensando nisso a música Chasing Cars começou a tocar no carro, fazendo com que Brittany deitasse em seu ombro.
Mas toda aquela leveza se dissipou em apenas uma ligação. A mãe de Brittany ligou novamente e parecia não querer desligar mais. A loira apenas escutava e não parecia ser nada bom, pois seu semblante ficou triste e seu olhar perdeu o calor e a felicidade de antes. Quando finalmente a ligação acabou ela ficou em completo silêncio.
“Tudo bem?” Santana perguntou.
A loira assentiu e depois virou o rosto para a janela, parecendo chateada.
“Hey, o que foi?” Ela perguntou preocupada, segurando sua mão. Um olho na estrada e outro nela.
“Nada!” A loira respondeu seca, soltando a mão sutilmente, fazendo a latina se irritar.
“Brittany.” Ela chamou, respirando fundo, tentando se controlar. “O que ela disse pra você?”
“Nada demais... San, por favor, me deixa quieta um pouco.” A namorada pediu.
Santana respeitou o pedido. Mas duas horas se passaram em silêncio absoluto e ela estava extremamente angustiada com aquilo.
“Você vai continuar nesse clima?” Questionou.
“Eu estou triste.” Brittany virou-se para a latina, que leu apenas a verdade nas íris azuis.
“Você me disse que estava feliz...” Santana sussurrou com a voz falha.
Brittany não respondeu. Santana parou o carro no acostamento.
“Acho... que a gente não deveria ter feito isso.” A loirinha disse incerta, num tom triste.
“Isso é sério?” Santana perguntou incrédula. “Brittany, o que ela falou? Te chamou de estúpida ou algo assim?” Ela perguntou em um tom mais baixo.
Silêncio.
“Eu não acredito. Estamos há três dias na merda desse carro, juntas, o dia inteiro. Cuidando uma da outra. Realizando um sonho, uma coisa que tínhamos planejado. Uma coisa nossa, só nossa, antes de seguirmos caminhos diferentes e basta uma ligação pra você jogar tudo isso pro alto?!”
“San...” Brittany tentou consertar.
“Não.” A latina interrompeu. “Agora sou eu que quero ficar em silêncio.” Disse, tirando o cinto e abrindo a porta.
“Aonde você vai?” A loirinha perguntou alarmada.
“A lugar nenhum!” Ela gritou, antes de bater a porta.
Estava frio, estava escuro e estava incrivelmente deserto e melancólico. Não era assim que esperava chegar na Califórnia. Brittany observou a latina seguir para o meio fio, os braços cruzados no peito, os olhos fechados em irritação. Brittany saiu do carro e caminhou cautelosamente em sua direção, se aproximando devagar, abraçando-a cuidadosamente por trás. Sentiu a relutância da latina em ser abraçada, então a segurou mais firmemente.
“Desculpa.” A loira pediu num tom de voz doce que fez Santana amolecer.
“Você está fazendo isso por minha causa?” A latina perguntou com a voz fraca e trêmula.
Brittany sentiu o peito doer. Santana quase nunca chorava.
“Não. Estou fazendo por mim também, por nós. Me perdoa, meu amor... Minha mãe fez eu me sentir péssima. Não fica brava comigo, por favor, me perdoa...”
Brittany acariciava com o nariz a pele morena da nuca de Santana, fazendo-a suspirar, mesmo contra a vontade.
“Eu estava feliz...” A latina disse num fio de voz.
“Eu também! Brittany apressou-se a dizer. “Eu estou.” Ela virou a latina para poder olhá-la nos olhos.
“Você disse...”
“Me perdoa pelo o que eu disse, eu fiquei mal. Não tem nenhum lugar no mundo em que eu queira estar além do que aqui, com você.” Ela declarou.
“Não fala mais aquilo...” Santana pediu.
“Não falo. Me perdoa.” Ela pediu novamente com a voz carregada de sentimento.
Brittany olhou com carinho para os olhos negros anormalmente inseguros e se aproximou devagar, colando os lábios nos da latina. Era raro os papéis se inverterem daquela forma. Beijou-a calmamente, segurando seu rosto com as mãos enquanto sentia as mãos da latina apertarem sua cintura levemente. Separaram-se em busca de ar, as testas coladas.
“Volta para o carro.” A loirinha pediu com um sorriso, afastando o rosto minimamente. “Temos uma viagem para terminar.”
Viu que a latina continuava incerta, então a puxou pela mão, sentando-se no capô do carro e encaixando o corpo de Santana no seu. Beijou o colo moreno, abraçando-a pela cintura e descansando a cabeça em seu peito. Sentiu-se mais leve quando a morena retribuiu o abraço, acariciando os cabelos loiros, para logo depois se afastar até a porta do carro. Brittany olhou por cima do ombro vendo um pequeno, mas ainda sim um sorriso no rosto da namorada. As duas voltaram para onde estavam e o carro voltou à estrada.
Era incrível. Estavam vendo o nascer do sol na Califórnia. Era uma sensação tão única que todo o resto foi esquecido. A ligação, o desentendimento. O pequeno desencontro que tiveram não tinha a mínima importância se comparado ao fato de que estava compartilhando aquela vista com a pessoa que mais amava no mundo. Como se tivessem combinado, suas mãos se encontraram e seus dedos se entrelaçaram. Parecia um universo completamente paralelo, parecia outra vida. A luz dourada banhava o carro, que reluzia à frente delas, enquanto a brisa fresca soprava do lado de fora.
“É lindo, Santana!” A loirinha virou-se radiante.
“Chegamos meu amor...” A latina sorriu levemente. “Oficialmente, Califórnia.”
Nós estivemos na correria
Dirigindo no sol
Procurando a número 1
Califórnia, aqui vamos nós
Exatamente de onde começamos
Elas se encantavam cada vez mais com a vista que tinham do carro. Santana não quis propriamente dirigir para Los Angeles, queria distância da cidade grande, do tumulto. Mas não podia deixar de passar pela Highway 101.
Prostitutas peguem suas armas
Sua sombra pesa uma tonelada
Descendo a 101
Califórnia, aqui vamos nós
Exatamente de onde começamos
Chegaram na estrada desejada às 10:15 da manhã e de lá seguiram para a Highway 1.
Califórnia, aqui vamos nós
Brittany estava simplesmente encantada com a vista da Pacific Highway e Santana parecia hipnotizada por todo aquele litoral, era mais lindo do que tudo que tinha visto. Iam continuar por um bom tempo nessa estrada, pois ela terminava onde queriam chegar, mas era difícil saber que teriam que abandonar aquela visão do paraíso. Brittany fez com que descessem do carro para tirar fotos e Santana o fez sem reclamar. Perdeu a conta de quantas fotos tirou com a loira, todas elas com um sorriso enorme no rosto de ambas. Ela gargalhava encostada no carro observando a tentativa de Brittany de descer pela costa para colocar a mão nas águas do Pacífico.
“Você é maluca!” Santana gritou, vendo Brittany se virar sorridente e voltar a escalar a pedra íngreme.
“Você também é.” A loira disse quando conseguiu avistar a namorada novamente.
“Por você...” A latina se adiantou, oferecendo a mão para a loira segurar.
Assim que botou os pés na estrada novamente, Brittany se jogou no pescoço de Santana, beijando-a intensamente, sugando sua língua com uma vontade e um desejo incontrolável. A latina retribuiu em completo êxtase, sentindo-se completa...
Quando se separaram, a loira lhe entregou uma concha que tinha pegado na areia. Era uma parte daquele local que amaram logo de cara e Santana aceitou com um sorriso, hipnotizada pelo gesto, por Brittany, pelo mar. Voltaram ao carro, Santana dirigia devagar, sempre com uma mão segurando a da loira. Em alguns trechos de estrada podiam ver vários alces andando e tiveram que desviar de alguns. Brittany queria descer do carro para chegar perto e Santana simplesmente balançou a cabeça em negativa para ela.
No estéreo
Escute enquanto nós vamos
Nada vai me parar agora
Califórnia, aqui vamos nós
Exatamente de onde começamos
Passaram por uma placa indicando exatamente seu destino. Santana passou a acelerar, querendo chegar o quanto antes. Pararam apenas para comer alguma coisa e logo voltaram à estrada.
Pedal no chão
Pensando no ronco do motor
Tem que nos levar ao show
Califórnia, aqui vamos nós
Exatamente de onde começamos
Finalmente, o término da Highway 1: Lost Coast. Esse sim era o paraíso. Eram tantas praias e todas eram tão lindas... Tudo deserto, exceto por um carro ou outro que passava. Santana deixou Brittany escolher onde iriam parar. A loira indicou onde queria e a latina guiou o carro pelo gramado irregular, estacionando-o escondido entre as pedras. A areia escura do local não o deixava menos bonito. As montanhas encobriam toda a lateral e a sua frente o mar e o céu infinito se estendia, formando a paisagem de tirar o fôlego.
Resolveram se instalar perto do carro, protegidas também pelas pedras. Não dava para vê-las olhando da praia, a pessoa tinha que entrar no local para conseguir, então elas se sentiram seguras. Santana montou a barraca moderna de acampamento com extrema facilidade. Bom, depois de viajarem usando mapa, estava esperando que Brittany retirasse da mochila estacas de madeira, rindo com o próprio pensamento quando se afastou para olhar como tinha ficado. Desafivelaram os colchões que trouxeram, estendendo-os pelo “chão” da barraca e descarregaram as mochilas. Era relativamente espaçosa e Brittany vibrou quando viu os pacotes de marshmallow. Santana queria explorar a praia então se certificaram de que o carro estava trancado e escondido. Caminharam de mãos dadas pela areia, sentindo a água morna molhar seus pés.
“Gostou?” A latina enfim perguntou.
“Não muito...” A loirinha brincou, fingindo indiferença.
“Ah, é?” Santana virou-se para ela, cravando as mãos em sua barriga, fazendo-a gargalhar. “Nunca mais te trago aqui!”
Brittany tentava impedir e soltava pequenos gritinhos. Correu de Santana pela areia. As duas gargalhavam e era cada vez mais difícil acreditar que aquilo não era um filme e sim real... A latina conseguiu pegar a loira, fazendo-a cair propositalmente na areia. Sorriu ao beijá-la... Ela estava tão linda! Desceu os beijos, mordendo travessamente o pescoço branco. Brittany inverteu o jogo, ficando por cima e distribuiu uma série de beijos pelo rosto de Santana. As duas estavam extremamente confortáveis em se beijarem ali, na areia e perderam a noção de tempo naquele paraíso.
Brittany queria explorar cada rochedo, cada fenda, cada lugar e a latina não tinha esse pique todo para acompanhá-la, então se sentou na areia para observar, tirando algumas fotos. Quando a loira achou que já tinha visto o suficiente caminhou devagar até a latina, que parecia hipnotizada pela visão de todo o seu corpo. Elas voltaram à barraca e Brittany insistiu que Santana descansasse, e ela acabou dormindo em seus braços, ambas sentindo-se completas ali.
Quando acordaram já eram quatro da tarde e a latina achou melhor saírem para procurar algo que servisse de combustível para uma fogueira antes que escurecesse. Recolhiam tudo o que encontravam: galhos, gravetos e folhas secas. Descobriram um descampado perto da barraca com pequenas toras de madeira.
“Não sei se é uma boa ideia acender uma fogueira, Britt.” A latina disse, parando de repente.
“Por quê?” A namorada perguntou levemente desapontada.
“O clima está muito seco...”
“Como a gente vai fazer os marshmallows, então?”
Quando Brittany disse isso, Santana avistou uma pequena construção. Puxou a namorada pela mão até o local, vendo que se tratava de um pequeno posto policial. Ao se aproximarem viram uma mulher com um uniforme preto sentada, anotando algo. Santana se sentiu aliviada ao ver que tinha um posto da guarda florestal tão perto de seu acampamento.
“Oi...” Santana cumprimentou.
A mulher levantou o olhar, levemente surpreendida.
“Nós estamos acampando aqui perto e eu queria saber se tem alguma restrição...”
“Anna.” A guarda estendeu a mão, que a latina apertou. “Querem saber se podem fazer uma fogueira, certo?” Ela sorriu bondosa.
“Santana, e essa é a Brittany.” A latina apresentou, vendo a mulher apertar a mão de Brittany também. “É, é isso.” Ela sorriu sem jeito.
“É permitido, mas não façam perto do descampado, o melhor seria na areia.” Anna informou.
“É seguro aqui?” A latina perguntou incerta, vendo a guarda rir.
“Primeira vez na Califórnia ou não são muito fãs de praia?”
“Primeira vez...”
“Hm... Na verdade estou surpresa de vê-las aqui. As pessoas preferem as praias lotadas ou não conhecem a Lost Coast, mas alguns casais costumam vir aqui de vez em quando. É seguro, não se preocupem. Pelo menos nunca teve nenhuma ocorrência por aqui...” Ela arqueou a sobrancelha, olhando divertida para a mão entrelaçada das duas. “Namoram há muito tempo?”
“Faz um tempo sim...” Santana sorriu carinhosa para a loira, que retribuiu.
“São da onde?”
“Lima, Ohio.”
“Nunca ouvi falar.” Anna soltou uma risada. “Mas Ohio é longe...”
“Nem queira ouvir falar, é um fim de mundo. A latina riu também.
“Bom... Bem vindas à Califórnia então. Tenho certeza de que vão amar esse lugar.”
“Já amamos.” A latina disse baixo, apertando a mão de Brittany, que apertou de volta.
“Qualquer problema eu estou aqui.” A guarda acenou, voltando às suas anotações.
As duas agradeceram, voltando também ao que estavam fazendo. Santana recolheu algumas pedras para delimitar a fogueira e Brittany se sentou cansada, olhando a latina trabalhar. Já estava começando a escurecer.
“Só está faltando alguém que saiba tocar violão.” Santana sorriu. “A gente nem pensou nisso.”
“Você aprende e então faremos uma segunda viagem.” Brittany sugeriu.
“Já pensa em voltar?” Aproximou-se, agachando para beijá-la nos lábios. “Amei a ideia.” Mordeu seu lábio inferior carinhosamente. “Eu preciso sair um pouco, prometo que volto em dez minutos, está bem?”
“Não, eu vou com você.” A loirinha disse.
“É rápido, meu amor, eu prometo.”
E realmente foi. Santana apareceu pouco tempo depois de sair trazendo consigo cerveja e algumas garrafas que Brittany não soube identificar.
“Como conseguiu?” A namorada a olhou incrédula.
“Sou de Lima Heights.” A latina sorriu presunçosa.
“O que é isso?” Brittany apontou para as garrafas.
“Cachaça. É uma bebida brasileira...”
“Tem sabor?” A loira olhou interessada.
“Tem. Chocolate, manga, morango e... essa aqui.” Santana segurou uma com um líquido de tom arroxeado. “O cara jurou que era afrodisíaca.”
A loira riu, reparando no olhar safado da latina.
“Acha que precisamos?”
“Não. Mas... Seria interessante.” Santana disse provocantemente antes de se levantar.
A latina entrou na barraca, trazendo os marshmallows e uma caixa de fósforos. Riscou um jogando na madeira que tinha arrumado mais cedo e surpreendeu-se com a rapidez com que pegou fogo. Precisou apenas riscar mais um e logo as toras maiores começaram a queimar. Elas estenderam a manta no chão e sentaram em frente ao fogo, que as mantinha aquecidas e protegidas da brisa gelada da noite. Começaram a beber e a conversar e logo Brittany deitou a cabeça em seu ombro, procurando mais contato. Elas experimentaram todas as bebidas e os marshmallows acabaram.
“Você imaginou isso um dia?” Brittany quebrou o silêncio.
“O quê? Pegar o carro da minha mãe e fugir no meio da madrugada com você para a Califórnia que é do outro lado do país e acampar numa praia deserta com direito a fogueira e tudo o mais?” A latina sorriu internamente ao pensar na aventura que tiveram. “Imaginei.”
“Imaginou?” A loirinha encarou-a, surpresa.
“Eu já imaginei tantos lugares e momentos com você Brittany...” Santana sussurrou com a cabeça baixa.
A loira sentiu o coração se aquecer com a pequena confissão.
“E como é estar vivendo isso?” Ela perguntou adoravelmente curiosa.
“Mágico. Intenso.” A latina tentou descrever.
“É como imaginou?”
Santana virou o rosto para fitar as íris azuis inocentes e ansiosas.
“É melhor. É real. Você está aqui comigo, como minha namorada. Você é o meu amor e também é a minha melhor amiga e não tem nenhuma outra pessoa no mundo com quem eu queira estar mais do que você. Você é a pessoa mais importante do mundo para mim.” Ela disse, intensa.
O interior de Brittany se revirou. Há meses a latina estava sendo o que ela sempre quis que fosse e estava indo além, muito além. Não havia como descrever o que Santana lhe causava apenas com palavras... Ela a queria. Queria desesperadamente, queria para sempre.
Brittany retirou a garrafa que a latina segurava e se aproximou, deitando-a devagar, de modo a ficar sobre ela. Podiam escutar o barulho do mar ao fundo, das ondas batendo nas rochas e os estalidos secos da fogueira que criava uma meia luz sobre o lugar. Tinham certeza que o desejo que sentiam não era por conta da bebida. Antes que se dessem conta estavam nuas e completamente perdidas no corpo e no prazer uma da outra...
Santana deitou-se por cima de Brittany. Estava exausta.
“Eu te amo...” A loira disse intensamente sobre a pele suada da latina. “Eu te amo demais...”
As palavras pareciam realmente terem sido marcadas na pele da latina. Não tinha mais volta. Ela era de Brittany. Como sempre tinha sido.
A lembrança era tão nítida e vívida em sua memória que parecia ter sido ontem. Santana sentiu que se dormisse acordaria naquela praia de novo, com a loira nua deitada em seu peito enquanto cantava músicas para fazerem-na adormecer. Descobriu que a saudade era uma dor física e lhe doía tanto agora... Como doía o tempo todo. Deitou no sofá e dormiu, pedindo desesperadamente para sonhar...
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