How To Save A Life
5 Take Me Back To The Start
Notas iniciais
[...] tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?
Santana sabia que dia era aquele. Mesmo que não o tivesse comemorado muito, ainda se lembrava. Fumava um cigarro sentada nas escadas de incêndio do prédio. Não era comum fazer isso, mas também não era tão raro. Talvez fosse uma forma de desafio. Mas desafio a quem? A o quê? Nem a sua mãe estava ali dizendo pra ela parar com aquela palhaçada e nem o seu pai para se sentar e fumar um cigarro com ela.
Quem ela queria mesmo que estivesse ali tinha muita pouca chance de estar. Sabia que Brittany visitava Quinn quando ela ainda morava em New Haven. Quinn não contava, dizia que ela havia sumido mesmo. Mas Santana tinha visto as mensagens no celular. Quem ela seria se não fuçasse nas coisas? E Quinn não tinha do que reclamar se soubesse disso.
"Antes de tudo eu quero pedir desculpas a você." A latina disse.
"Por quê?" Brittany perguntou.
Por onde começar? Eram tantas coisas...
"Primeiro por eu não estar fazendo isso da maneira que você merece. Por eu não estar fazendo disso um pedido incrível onde você se emocionaria só de olhar pra mim." Santana tentou explicar.
"Eu sempre me emociono só de olhar pra você." A loirinha disse.
A latina começou a tremer. Foram tantos medos, tantas dúvidas, tantos erros. E ela estava ali, ela ainda era sua. Não era a hora de se perguntar se merecia isso tudo. Não podia estragar aquele momento. Tinha que se manter firme.
"Eu sei que eu já te disse isso muitas vezes. Mas nenhuma delas foi tão intensa e nem da forma que é agora. O que não significa que eu não sinta isso há muito tempo." A latina declarou.
Os olhos azuis lhe encaravam da mesma forma de sempre. E aquilo era sua força, ao mesmo tempo em que era sua maior fraqueza.
"Eu te amo. De todas as formas possíveis de se amar alguém. Eu te amo desde o dia em que te conheci, te amei ontem, te amo hoje e vou te amar mais amanhã e por todos os dias." Ela confessou.
Ela viu quando foi a vez de Brittany estremecer.
"Você tinha tanto medo... Medo de não conseguir alguém que te quisesse dessa forma... E eu sempre quis. Me perdoa. Eu preciso que você me perdoe por não ter dito isso antes." Continuou.
"Espera..." Brittany disse fechando os olhos, fazendo com que algumas lágrimas caíssem. "Você está fazendo realmente o que eu penso que está?"
"Estou. Eu sei que eu fiz merda. Eu sei que eu disse pra você que isso não importava mais. Mas eu preciso de você. Comigo. Pra sempre. Você pode chamar do que quiser: pedido de namoro, de casamento, de..."
Mas ela não terminou a frase. Brittany se jogou em seu pescoço, abraçando-a com força. Santana retribuiu o abraço na mesma intensidade, tremendo dos pés à cabeça, sentindo os soluços que sacudiam o corpo da loira. Doía ver que perdeu essas sensações por tanto tempo e que correu o risco de não sentir esse abraço. Mas lhe doía mais ainda ver que Brittany aceitava, que Brittany ainda lhe queria, depois de tudo o que tinha feito. Ela fez uma promessa a si mesma de nunca mais machucar a loira. De ser sempre uma pessoa melhor por ela. De fazê-la a mulher mais feliz do mundo...
A força das promessas que fez e não cumpriu davam a impressão à Santana de que ela merecia morrer sentindo dor por um tempo infinito. Ou viver por um tempo muito longo sentindo o que sentia naquele momento e sentiu durante todos os dias sem Brittany. A distração era tanta que ela queimou a própria boca com o cigarro, sem perceber que estava no fim. Xingou qualquer coisa antes de jogá-lo na escada e entrar no apartamento, encontrando Quinn e Rachel sentadas no sofá.
"Que cara é essa, San? Ainda está contando os centavos que perdeu semana passada?" A loira brincou.
"E você? Ainda está contando os dias que não visita sua filha?" A latina falou acidamente.
Rachel não entendeu nada. Quinn se levantou bruscamente do sofá e ela segurou sua mão, pedindo calma.
"O que foi que você disse, Santana?" A advogada disse em um tom frio e cortante.
"Isso mesmo que você escutou, Juno. Sua filha está fazendo doutorado e você ainda guarda uma foto na carteira de quando ela tinha dois anos de idade." Santana continuou com uma expressão calma, contrastando com a dureza de suas palavras.
"Engraçado você estar falando de doutorado, a Brittany formou e você ainda chora como se tivesse terminado com ela ontem. Deixa eu te avisar, ela não usa mais o uniforme das Cheerios tem uns quatro anos." Quinn não se deixou abalar.
Foi tudo muito rápido. Santana avançou para Quinn, que se soltou do aperto na mão que Rachel lhe dava. Mais rápido ainda a morena se colocou no meio das duas.
"Que porra é essa?! Vocês agora vão voltar pro tempo de colégio? Ninguém está disputando o posto de capitã das Cheerios mais!" A morena gritou.
Rachel era baixinha, mas a fúria com que dizia aquelas palavras fazia com que parecesse bem maior perante as duas, que apenas continuaram se matando com o olhar, os músculos retesados, os maxilares trincados.
"Cada uma pro seu canto! AGORA!" A morena ordenou.
As duas continuaram onde estavam por alguns segundos. Quinn foi a primeira a se mexer. Balançou a cabeça para Santana como se dissesse que ela era um caso perdido e deu as costas para entrar no próprio quarto. A latina relaxou, deixando de pressionar o próprio corpo contra a mão de Rachel.
"Me explica que porra foi isso?" Rachel inquiriu.
"Nada."
"Eu conheço você... Conversa comigo." Ela insistiu.
"Não é nada, Rachel..." A latina suspirou. "Eu... preciso dormir mais, acordei muito cedo hoje. A gente vai sair mais tarde?"
"Podemos."
A latina então saiu da sala e seguiu para o próprio quarto também. Rachel sabia do que se tratava. Era sempre a mesma causa, todos os dias insistindo em uma coisa que não vai mudar. E isso era doloroso. Pensou em ir para o quarto de Quinn para conversar com ela, mas sabia que ela era madura o suficiente para não se deixar afetar pelas grosserias de Santana.
O que Rachel não sabia era que em seu quarto a loira chorava, baixinho, agarrada a seu travesseiro, como uma criança. O mais próximo que Quinn tinha de uma família eram eles. Santana, Rachel, Brody, Kurt e Blaine. Seu pai a rejeitava, sua mãe também, sua irmã parecia não querer saber dela e sua filha não era sua. Não tinha contato com praticamente nenhum Fabray. Não tinha um relacionamento. Ninguém para perguntar como foi seu dia, ou consolá-la dizendo que vai ficar tudo bem. As palavras de Santana lhe cortaram como faca, porque eram a verdade. E Quinn não queria pensar nisso. Não queria.
Foi acordada por Rachel horas mais tarde perguntando se ela queria sair.
"Eu não sei, Rach..." Ela disse sonolenta.
"Vamos, por favor. Eu quero que você saia com a gente. Todo mundo vai. Você não precisa nem olhar pra cara da Santana se não quiser." A morena insistiu.
Ela acabou cedendo. Não queria acabar o dia naquela melancolia. Queria beber, queria esquecer. Rachel e Santana foram no carro da pequena e Quinn foi com seu próprio carro, estacionando na rua ao lado do bar onde tinham combinado se encontrar. Via a conversa animada dos amigos na mesa, mas não conseguia se encaixar. Rachel lhe lançava olhares preocupados toda hora, mas conforme ia bebendo sua atenção foi sendo desviada. Ela e Santana estavam enchendo a cara. Não paravam de beber nem por um minuto e misturavam as bebidas. Quinn já estava meio alterada e não se importou. Era Kurt quem tentava controlar, mas em vão. A loira levantou para ir ao banheiro e quando voltou, nem Santana nem Rachel estavam mais lá.
"Onde elas estão?" Questionou.
"A Santana saiu com uns caras esquisitos e Rachel foi atrás." Kurt informou.
"Eu vou atrás delas." Brody se levantou, mas foi segurado por Blaine.
"Espera, elas sabem se cuidar." Ele disse.
"Mas aqueles caras eram muito estranhos. E elas estão bêbadas. Santana está louca para aprontar e..." Brody argumentava.
"Deixa comigo, eu vou dar uma volta no bar." A loira declarou.
Quinn rodou o bar inteiro, mas não encontrou as duas. Elas não atendiam o celular. Voltou para a mesa e os três estavam tensos. Tentaram se distrair, mas já estava ficando tarde. Por fim, Kurt se levantou pra ir embora falando que elas já tinham feito aquilo inúmeras vezes e que não tinha motivo para preocupação. Brody ainda estava relutante, mas acabou se levantando também. Quinn falou que ainda ia esperar um pouco por elas antes de ir para casa.
Ela ficou sentada esperando por meia hora quando viu Rachel passando entre as pessoas do bar para sair. Rapidamente a loira se levantou e foi atrás. A morena atravessava a rua cambaleante, quase sendo atropelada por um carro que buzinou alto fazendo ela quase tropeçar ao voltar dois passos. Quinn colocou as mãos em seus ombros, puxando-a para voltar para a calçada e ela se desvencilhou.
"Rachel, para!" Quinn a segurou pelo braço.
"Me larga, Quinn!"
"Para de ser louca, você não está vendo a rua cheia de carros? Quer morrer? Onde você estava?" A loira questionou seguidamente, nervosa.
A morena fez um bico enorme, passando um braço desajeitadamente pelo pescoço de Quinn e caindo para frente. A loira a segurou com extrema dificuldade, percebendo que ela estava desacordada.
"Rachel? Rachel, acorda!" Ela balançou o corpo da morena, preocupando-se.
A morena não respondia e Quinn começou a se desesperar. Respirou fundo, precisava ter calma. Seu carro não estava longe dali, então ela pegou a bolsa de Rachel que estava no chão e a carregou no colo. Ao ouvi-la gemer em protesto, respirou aliviada. Deixou-a no banco do carona gentilmente, colocando o cinto. Deu a volta para entrar se perguntando onde raios estava Santana.
"Rachel..." Quinn colocou a mão em seu rosto. "Por favor, me responde..."
A morena gemeu novamente, caindo completamente mole para o lado.
"Eu vou te levar para o hospital." A loira disse.
"Não! Eu não quero!" Rachel disse repentinamente e de forma embromada. "Eu quero voltar lá pra dentro!" Ela se contorceu, tomando consciência do cinto que a prendia e tentando retirá-lo.
"Você não vai voltar pra lá!" Quinn retirou sua mão dali. "Eu vou te levar para o hospital."
"Não precisa, por favor, não me leva pra lá!" A morena se desesperou, olhando-a com os olhos arregalados.
"Hey, calma..." A loira segurou seus braços.
Rachel jogou a cabeça para trás, fechando os olhos, e uma lágrima escorreu de seu olho direito.
"Por que você está chorando?" Quinn questionou, seu tom suave.
Nesse momento, ela avistou um grupo de homens se aproximando. Alguns deles gritavam muito alto e riam, com garrafas quebradas de cerveja nas mãos. Quinn ficou apreensiva, ligando o carro para sair rápido dali. Rachel reclamou que estava tonta e que queria sair dali e depois ficou em completo silêncio.
"Você está bem?" A loira perguntou depois de um tempo.
"Eu não quero ir para casa!"
"Você está completamente bêbada."
"Não estou!"
"Está sim."
Rachel colocou a mão no volante, tentando parar Quinn, que teve que desviar bruscamente de um carro que buzinava sem parar.
"Rachel!" A advogada repreendeu.
"Cadê a Santana?" A morena perguntou, como se nada tivesse acontecido.
"Eu não sei..."
"Eu quero a Santana, eu não quero ficar com você." Rachel disse com a voz pastosa.
"Vocês duas vão acabar é se matando!"
"Você não está me levando para casa."
"Claro que estou."
"Não está!" A pequena fechou os olhos, caindo para o lado novamente.
"Estou, Rachel. É só você olhar para cima." Quinn disse enquanto estacionava. "Está vendo? Rachel?"
A morena tinha desmaiado novamente e Quinn cogitou seriamente em levá-la para um hospital. Tirou o cinto e se aproximou dela, colocando uma mão em seu pulso e a outra em seu pescoço. Bem, desmaiada era uma forma de falar, na verdade ela só estava completamente mole. A loira a carregou para fora do carro, passando um braço dela por seu pescoço e segurando firmemente em sua cintura. No elevador, Rachel abraçou Quinn fortemente pela nuca, descansando a cabeça em seu peito.
"Você tem um cheiro tão bom..." A morena reparou.
Quinn estranhou o comentário, mas retribuiu o abraço da morena, alisando suas costas. Rachel bêbada era sempre imprevisível... Quando o elevador parou no andar certo ela se moveu para sair, mas Rachel continuou agarrada em seu pescoço por vários minutos.
"Rach? A gente já chegou..."
Quinn então retirou os braços da morena devagar, recebendo gemidos em protesto. Não se sabe por que Rachel insistiu em abrir a porta, errando a fechadura várias vezes, até Quinn perder a paciência e guiar sua mão. A morena cambaleou para dentro do apartamento, olhando para todos os lados.
"A Santana não está aqui!" Ela declarou.
Quinn então se lembrou, pegando o celular e ligando para a latina. Ela não atendia. Perguntou-se se deveria ligar para Brody, quando viu Rachel entrando no quarto. Ele também não atendia. Ela entrou no quarto da morena e não a viu em lugar nenhum, então abriu a porta do banheiro. Rachel estava sentada no chão, a boca aberta e a cabeça encostada na privada.
"Ei, vem cá, você precisa beber água." Quinn agachou-se em frente a ela.
"Não! Eu quero voltar pra lá!" A morena insistiu. "Eu não preciso beber nada, eu preciso de sexo!"
A loira respirou fundo. Onde estava com a cabeça de ter vindo morar com as duas? Ela ficava sempre tão preocupada! Elas perdiam completamente a noção das coisas.
"Eu sinto falta!" Rachel de repente soltou uma risada. "Sabia?" Quinn arqueou uma sobrancelha. "Eu sinto falta do sexo do Finn..." A morena fechou os olhos.
Quinn apertou os lábios, vendo a expressão no rosto de Rachel se alterar.
"Eu nunca disse para a Santana! Haha!" A morena levou o dedo indicador aos lábios, como se pedisse segredo e um olhar vidrado. "Mas, ano passado, quando a gente foi pra Lima, naquela maldita reunião do Mr. Schue, eu transei com ele... Haha! Ele apareceu lá em casa e os meus pais não estavam. Aposto que ele sabia... E ele me fodeu. E foi embora, no dia seguinte. Sem falar comigo, sem me ligar... Eu sou uma idiota!"
A loira não sabia o que pensar sobre a revelação, o tom de Rachel na última frase foi completamente amargo. Ela ficou encarando o rosto da morena, vendo-a fechar os olhos e apertá-los, como se a lembrança estivesse machucando-a, e de fato estava.
"Ele foi carinhoso... e eu pensei por um momento que as coisas estavam voltando ao normal. Com ele eu vou ser sempre a ingênua Rachel Berry! Ele vai sempre me subjugar..." Ela sussurrou.
"Não é assim, Rachel..." Quinn finalmente conseguiu dizer algo.
"Você já transou com ele, não é?" A morena abriu os olhos e mudou a expressão. "Haha, a Santana também. Ele usa aquele jeito bobo dele e todo mundo cai. De idiota ele não tem nada!"
Quinn mal conseguia acreditar no que Rachel falava. Fazia quatro anos em que ela raramente tocava no assunto. E Quinn nunca teria imaginado sobre o que Rachel acabara de lhe contar. Ela tinha ido à reunião, e a morena não aparentou estar sentindo nada diferente. Nem antes e nem depois. Não havia nenhum clima estranho entre ela e Finn.
"Rachel, você precisa tomar um banho. Não está falando coisa com coisa. Eu vou buscar uma água para você. Fica aqui..." Ela pediu.
Quinn beijou a testa da morena e acariciou os cabelos escuros, antes de se levantar, sentindo um calor subindo por seu peito. Mas não era um calor bom. Era raiva de Finn Hudson. O quanto ele ainda precisava machucar Rachel? Já não bastava tudo o que causara, ainda tinha que se aproveitar dos sentimentos dela?
Voltou ao banheiro e Rachel rejeitou o copo de água, perguntando se não tinha tequila. Quinn cogitava obrigá-la a tomar um banho gelado. Nunca tinha funcionado com ela mesma, mas quem sabe Rachel não voltava um pouco ao normal? Foi pensando nisso que levantou a morena do chão, sustentando-a pela cintura.
"Você acha que consegue tomar um banho?" Quinn perguntou.
Rachel simplesmente levantou os braços, pedindo silenciosamente para que Quinn a despisse. A loira hesitou antes de retirar a blusa, revelando o sutiã de renda preto que Rachel usava cobrindo os seios morenos e fartos. Sem querer, o olhar de Quinn se prendeu ali, enquanto ela retirava a calça colada que a morena usava, sua garganta secando de repente. As pernas de Rachel eram incrivelmente lindas e a loira se assustou ao perceber o calor que se formava no meio de suas próprias pernas. Rachel era gostosa demais! Mas ela não podia ficar excitada por sua amiga, era completamente inapropriado naquele momento, ainda mais depois do que ela revelou.
A morena parecia ter notado o olhar de Quinn sobre ela, porque lhe sorriu de lado antes de retirar o próprio sutiã. Quinn olhava, mas não dizia nada e mantinha a expressão séria. Um silêncio tinha se formado, mas ele não era pesado, era... Provocante?
As coisas pareciam estar de cabeça para baixo naquela noite.
Quinn ligou a água gelada, vendo o corpo da morena estremecer e sua respiração pesou. Rachel não reclamou da temperatura, deixou a água escorrer, sem sair do lugar. Quinn estava à sua frente e a segurava pela cintura toda vez que ela cambaleava. O toque da loira estava arrepiando a pele da morena mais do que a água gelada e ela não desviava o olhar dos olhos claros. Quinn sabia que estava fora de cogitação ensaboá-la ou ficar ali enquanto ela realizava essa tarefa, então ficaram apenas nisso, até a tensão ficar insuportável e a loira se afastar para pegar a toalha. Deixou Rachel se virar para se secar e foi até o quarto escolher uma roupa para ela.
Fora do clima que tinha se instalado no banheiro, Quinn voltou a ficar aflita e ligou pelo que pareceu a vigésima vez para Santana, sem sucesso. Rachel saiu do banheiro enrolada na toalha e apesar do andar vacilante parecia estar mais sóbria.
"Cadê a Santana?" Ela perguntou novamente.
"Eu não consigo falar com ela..." Quinn mordeu o lábio inferior. "Você quer conversar?"
"Não."
Sem inibição alguma, Rachel tirou a toalha e começou a se vestir. Quinn podia negar e esconder, mas o que estava sentindo era puro desejo. Devia ter alguma coisa errada com ela, só pode. Primeiro Santana e agora Rachel? Seu corpo gritava para tocar a morena e acabar de vez com aquilo, mas então a razão falava em sua cabeça que ela estava ficando louca. Ela calou seu instinto e esperou até Rachel se jogar na cama, exausta, e apagar.
Quinn perguntava-se se a morena lembraria do que tinha falado no dia seguinte. Foi até o banheiro meio atordoada para tomar um banho e tentar não pensar em mais nada, mas assim que se deitou em sua cama sua cabeça pesou tanto que chegou a doer. Judy, Beth, a preocupação por Rachel e Santana, a morena contando sobre Finn, os seios de Rachel arrepiados pela água gelada, seu olhar escurecido, os contornos de seu corpo... Ela queria se livrar de tudo isso, de Lima, das lembranças amargas e dos cortes profundos que as três pareciam ter, do estranhamento da cidade que antes era um lar agora parecia lhes causar.
Mas na verdade não. Ela queria era voltar ao começo e refazer as coisas de um modo diferente. Queria a cidade pequena, a inocência, os problemas bobos e as atitudes sem malícia. Sabia que não podia ter isso de volta, eram adultas e tinham que lidar com seus próprios problemas, mas como ela queria voltar...
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