How To Save A Life

7 Same Old Ground, Same Old Fears


Notas iniciais
E aí? Vocês acharam intenso o último capítulo e... Era essa a intenção (: Qualquer reclamação a respeito, embora eu não tenha visto nenhuma, façam com a Luana. A fic foi feita para ela, ok? heuaheuahue Espero que gostem desse capítulo e não me matem, afinal, já dá pra ver o quanto a Rachel se transformou e o medo que ela adiquiriu nos últimos anos...

“[...] qualquer coisa como seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos — emoções. Meditarias: as pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra. Há os níveis não formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem e sobretudo, como dizias, emoções. Que nem se mostram.”

Sentiu os sentidos lhe voltarem devagar. Não era uma sensação boa. Sentia-se como se um rolo compressor estivesse comprimindo seu corpo, ele estava mole, cansado e anestesiado. O silêncio indicava que não estava mais na boate. E o colchão onde estava deitada se parecia muito com o de sua cama. Ela abriu os olhos. Estava em casa. Sua cabeça ainda girava. Moveu-se entre os cobertores e percebeu que estava nua.

E não estava sozinha nessa.

Seus olhos traçaram os contornos da pele pálida e nua das costas de Quinn, que estava marcada por arranhões avermelhados e um ou dois roxos próximos à cintura. A cabeleira loira jogada por seus ombros, que tinham marcas de mordida, e cobrindo parte de seu rosto. Ela tinha sido insaciável. Rachel não se lembrava de uma vez sequer em que tivesse tido tantos orgasmos em uma única noite. E isso não era pouca coisa, levando-se em consideração o estilo de vida que levava. Não sabia como tinha ido parar ali depois do banheiro, tinha apenas flashes do que tinha acontecido depois. Levantou-se com dificuldade e caminhou para o espelho do armário e ao deparar com a própria imagem nua abriu a boca em espanto.

Sua pele estava toda marcada por hematomas de diferentes intensidades, desde tons arroxeados até o vermelho, principalmente seu pescoço, seios e pernas. Também tinha arranhões por suas coxas e braços, além de marcas de mordidas. Estava explicado tanto cansaço físico. Aquilo tinha que ser algum tipo de recorde. Começou a se vestir de forma que desse para esconder a maioria deles e se jogou em seguida na cama, exausta.

"Quinn..." Acariciou suas costas e a loira gemeu. "Café..."

Rachel se levantou e saiu do quarto, dando de cara com Santana vestida para sair. Antes que falasse alguma coisa, a latina disse numa voz áspera:

'Estou com uma puta dor de cabeça, preciso de um café indecentemente forte e não tem aqui."

Rachel assentiu e a latina fechou a porta do apartamento. Ela começou a preparar o café, sentindo a cabeça latejar. Ainda parecia que os dedos, boca e voz de Quinn estavam por todo o seu corpo dolorido. Ela não se arrependia, o inédito é que ainda sentia uma forte atração. O gosto amargo da bebida quente lhe desceu pela garganta e ela aspirou aquele cheiro de que tanto gostava.

A língua da loira deslizou por toda a sua intimidade antes de se afastar. Quinn a suspendeu e a colocou em cima da mesa, arrancando o resto de seu vestido e apertando suas coxas mais do que deveria. Queria que Rachel sentisse o próprio gosto em sua boca então a beijou enquanto suas mãos deslizavam pelas costas da morena...

"Bom dia." Quinn disse rouca.

"Bom dia..." A morena sorriu.

Quinn, ao contrário de Rachel, não se sentia exausta, estava até muito leve quando acordou. Ela encheu uma caneca de café e sentou-se à mesa, observando o vestido que ainda estava no chão. Seu rosto não enrubesceu em nada, ela estava confortável e mais tranquila do que imaginava perante a situação.

"A Santana ainda está em casa?" Ela perguntou naturalmente.

"Ela acabou de descer para tomar café na rua..." Rachel respondeu.

Pouco se importou se estavam dentro do carro e alguém poderia ver. Virou Rachel no espaço limitado do veículo, fazendo-a ficar de costas numa posição desconfortável, mas excitante. Afastou os cabelos negros de seu pescoço com a mão enquanto mordia e beijava seu ombro. Sua mão deslizou pelas pernas de Rachel enquanto a empurrava para frente e a penetrava, dessa vez com dois dedos. A posição era perfeita para curvá-los e os gemidos ensurdecedores da morena chegaram-lhe aos ouvidos. Sua outra mão se prendeu no seio esquerdo dela, massageando-o lentamente. A morena se apoiou com as mãos no banco, a cabeça no encosto e os olhos fechados com mais uma onda de prazer percorrendo seu corpo...

O clima entre elas não indicava a noite que tiveram. O desejo insaciável e predatório de Quinn e o olhar provocante de Rachel contrastavam com a suavidade da loira naquela manhã e o sorriso amigável da morena. Sim, silenciosamente estava estabelecido que elas agiriam normalmente. Santana não tinha feito perguntas e nenhum tipo de brincadeira, muito menos olhado estranho, o que, necessariamente, significava que não sabia que as duas tinham dormido juntas.

Uma garota saiu do quarto de Santana vestindo um sutiã e o que parecia uma cueca feminina. Era a garota do bar. E da boate. E Quinn constatou que ela realmente era muito parecida com a Shane de The L World, os cabelos curtos bagunçados e o sorriso sacana, além do corpo magro e pálido.

“Hey.” Ela acenou com a cabeça antes de entrar no banheiro social.

"Parece que Santana encontrou alguém tão cafajeste quanto ela." A morena comentou.

Quinn limitou-se a sorrir e tomar mais um gole de seu café, reparando em um chupão perto da base do pescoço moreno. Rachel olhava discretamente as tantas marcas que estavam na pele pálida. Apesar de Quinn ter sido bem menos marcada a cor de sua pele destacava muito mais.

Os dedos da loira apenas friccionavam seu clitóris enquanto ela lambia a pele de seu colo. O abraço que Rachel lhe dava com os braços e as poderosas pernas impediam que tivesse mais movimentação. Mesmo assim sabia que ela estava chegando ao ápice só com aquele movimento. Ela rodeava o ponto pulsante, para depois deslizar até a entrada, voltar e pressioná-lo rapidamente. Rachel arqueou as costas e suas pernas tremeram, não aguentando mais...

Quinn pegou o próprio celular, vendo as mensagens de Brody e Kurt perguntando aonde as três tinham se enfiado. Pelo visto não foram as únicas a curtir a noite em outros lugares. Levantou-se quando terminou, levando uma torrada e sentando-se em frente ao notebook para abrir seu e-mail. Mais uma reunião com o clube do coral tinha sido agendada, mas mudaram a data para um pouco depois quando Puck disse que não poderia vir no dia marcado. Estavam esperando a confirmação apenas dela e de Santana. Então Rachel já havia confirmado? Mordeu os lábios pensando na noite em que cuidou dela e no segredo que ela escondeu tão bem até aquela noite.

Rachel se levantou e foi até o banheiro do próprio quarto retirar as camadas de roupa para tomar um banho, fechando os olhos ao sentir a água quente batendo em suas costas.

Quinn posicionou a morena sentada em seu quadril, movendo as mãos para o dela. Viu que ela deu sinais de que não conseguiria se aguentar, então a segurou firme pela cintura movendo-a, o que fez com que a intimidade da morena atritasse com sua coxa. Os braços de Rachel caíram dos lados do corpo de Quinn, para se sustentar agarrando-se ao lençol. O movimento de vai e vem provocava longos gemidos na morena...

As lembranças simplesmente brotavam em sua mente, sem ela se esforçar para isso. E aquilo a intrigava. Quinn tinha duas faces muito diferentes e extremadas.

A loira teve que se lembrar, diversas vezes, durante a noite, para ir com mais calma e não sabia o porquê disso. Uma voz insistente em sua cabeça repetia constantemente que quem estava ali era Rachel. Mas Rachel não era virgem, e nem inexperiente. Mesmo assim, todas as vezes em que sua consciência falava ela se obrigava a ser mais suave, e essa dualidade, entre o desespero e a calmaria, enlouqueceu a morena por toda a noite.

Rachel caiu por cima de Quinn, exausta. A loira a girou rapidamente e acariciou a pele morena. Ela estava muito marcada. Rachel lhe encarava, mas seu olhar era tão desfocado que a loira se perguntou se ela estaria mesmo ali. O suor pingava de ambos os corpos e Quinn pensou em levá-la para tomar um banho. Olhou pra ela mais uma vez e viu seus olhos piscarem, até se fecharem por completo.

Era isso.

Quinn se perguntou se deveria sair dali, mas não conseguiu. Beijou a morena suavemente nos lábios e ouviu o gemido fraco quando sugou seu pescoço levemente antes de sair de cima dela e a cobrir. Tentou esvaziar a mente e conseguiu, caindo em um sono profundo e sem sonhos. Não dormiram abraçadas.

Rachel terminou seu banho ao mesmo tempo em que a garota que tinha dormido com Santana saía do outro banheiro e Quinn se trancava lá dentro. As duas conversaram normalmente durante o dia. A atitude da morena para com ela não mudara em nada e Quinn não sabia o que pensar. Conhecia Rachel, e conhecia a mulher que ela era agora. A única coisa que podia concluir era que a morena ia ignorar o assunto, fingir que não aconteceu, como fazia com todas as outras. Mas, por algum motivo, o assunto martelava em sua cabeça, então ela forçava a se lembrar: “Foi apenas sexo, Quinn”.

Santana voltou para casa e a garota não estava mais lá. Ela dormiu até escurecer e quando saiu do quarto encontrou Rachel sentada no sofá da sala, as pernas cruzadas sobre a mesinha de centro.

"Mais uma reunião do Schuester." A latina comentou.

"Você confirmou?"

"Ainda não. Mas você sabe que vou confirmar." Ela deu de ombros.

'O que você ganha em troca de ver a Brittany cada vez mais linda e mulher enquanto você está aqui..." Rachel começou a dizer.

"Cada vez mais patética? Não sei. O que você ganha de ver o Finn cada vez mais gordo?"

"Eu não vou por causa dele. Nunca fui." A morena respirou fundo.

"Aconteceu alguma coisa?" A latina estreitou os olhos.

"Nada importante." Rachel fechou os olhos.

"Eu escutei falar de um método, bastante eficaz para o nosso caso."

"Qual?" Abriu um dos olhos para encará-la.

"Seguir em frente."

"A pessoa que te contou esse método genial também te ensinou como fazê-lo?" Rachel levantou as sobrancelhas. "Não me diga que seguir em frente é focar em outras coisas, ver e conhecer novas pessoas, novos lugares, porque a gente faz isso tem uns quatro anos."

"Talvez sejam formas de esquecer e a gente tenha que encontrar a nossa." Santana deu de ombros.

"Você quer esquecer?"

"Não." A latina respondeu firme.

"Você sempre vai amar a Brittany, Santana." Rachel afirmou.

A latina encarou a morena e por incrível que pareça essas palavras não doeram. Ela já sabia disso. Andou a até a mesa de canto, abrindo a gaveta e tirando lá de dentro um maço de cigarros e um isqueiro e sentando-se ao lado da janela baixa. Acendeu um e tragou uma vez, sentindo prazer nesse ato e tranquilidade ao soltar a fumaça.

"Como uma coisa dessas pode fazer relaxar?" A morena questionou.

"Se você tivesse continuado ia saber que faz. É assim na primeira vez, a gente morre de tossir, mas depois não."

"Eu nem sei como você me convenceu a experimentar. É horrível."

Santana deu de ombros.

"Bem, enquanto você se ocupa encontrando novas maneiras de se matar, eu vou ligar pro Brody e ver se ele quer sair." Rachel disse.

"E você acha que tem chances de eu não te acompanhar?"

Duas horas depois, Santana abriu a porta do quarto de Quinn, encontrando-a sentada, lendo um livro.

"Quer sair?"

"Você sai entrando assim, sem bater?" A loira disse sem levantar o olhar do livro.

"Qual o problema?" A latina perguntou.

"E se eu estivesse pelada?" Virou a página.

"Aí eu trancaria a porta do quarto e tiraria a minha roupa também?" Santana arqueou a sobrancelha.

Quinn levantou o olhar para a amiga.

"Uou, pare de me seduzir, Fabray."

"Você é ridícula." A loira limitou-se a dizer.

Santana levantou as sobrancelhas sugestivamente, antes de começar a rir.

"Você quer sair ou não?"

"Eu não tenho essa animação de vocês. Estou cansada de ontem..." Quinn estalou o pescoço.

"Tem certeza? A gente faz uma coisa mais leve..." A latina sugeriu.

"Obrigada. Mas não." Ela disse suavemente, antes de voltar a atenção para o livro.

"Ok."

Santana fechou a porta do quarto e Quinn as escutou se arrumando pela casa. O som da risada de Rachel, como sempre, preenchia o ambiente. Ouviu a morena perguntando se ela não iria sair com elas e depois perguntando para onde iriam. O som da chave e da porta se fechando e então, silêncio. Quinn suspirou e esperou terminar o capítulo do livro para sair do quarto e preparar alguma coisa para comer.

O perfume de Rachel se misturava com o de Santana pelo apartamento. As duas eram tão diferentes em sua maneira de ser e de provocar... Santana era direta, apesar de ter tido calma com Quinn na primeira vez. Era insaciável, quente, dominadora. Mas Rachel... Rachel era a definição do pecado. Era intensa, deliciosa e intencionalmente provocante. Tudo nela fez explodir o animal interior de Quinn. A morena não tinha dominado, é verdade, mas seus toques, beijos, língua, corpo... enlouqueceram Quinn de uma forma assustadora. A loira tinha plena consciência de nunca ter se sentido tão excitada quanto na noite anterior e, talvez por isso, não conseguisse ser completamente alheia ao que aconteceu. Nem Santana era alheia em relação as duas, mas Rachel não tinha dito uma palavra, um gesto, um olhar sequer.

Era ótimo saber que ainda eram amigas, mas Quinn não conseguia evitar o vazio que sentia naquele momento. No que sua vida tinha se transformado? Era tudo tão confuso e sem sentido que ela não conseguia definir. Talvez o melhor mesmo fosse viver que nem elas... Não se envolver, não sentir, focar no trabalho, se divertir. O amor não era para todos e as pessoas pegavam o que podiam ter. Mas Quinn não queria se transformar no buraco negro frio que eram as duas. Rachel era machucada. Ela ainda chorava quando estava sozinha no quarto, que nem uma criança. O quanto custava amadurecer?

Esse pensamento angustiou Quinn. Ela pegou o notebook e se sentou no sofá. Abriu a pasta que antigamente costumava olhar todo dia, mas que tinha procurado evitar ao máximo nos últimos anos. Era uma pasta com as fotos de Beth. Desde bebê até uma mais recente, com sete anos. Puck havia lhe mandado as fotos. Sua filha não era mais um bebê, estava crescendo, passando por fases. E era linda e idêntica à Quinn. Os cabelos loiros no mesmo tom e caindo pelos ombros. O nariz perfeito e proporcional, o mesmo sorriso. Era incrível a semelhança genética... Só os olhos eram diferentes. Quando ela era menor, a cor dos olhos era idêntica aos de Quinn, mas com o tempo adquiriram a coloração dos de Puck, além do formato. Algumas feições do rosto também eram dele, mas não era uma mistura equilibrada, ela era muito mais parecida com a mãe.

O coração da loira se apertou no peito e ela sentiu faltar o ar. Sua respiração se soltou em um soluço estrangulado. Ela era uma covarde. Já fazia um tempo que Beth sabia que era adotada e sabia quem era Quinn, mas a loira parou de visitá-la, de manter contato. Como a garota se sentia em relação a isso? Será que pouco se importava? Ou se sentia mal? Quinn amava Beth, amava profundamente, considerava-a seu exemplo mais puro de perfeição. Sua filha sempre seria uma parte dela mesma. Mas ela abandonou por completo essa parte conforme sua vida foi mudando. E se sentia envergonhada por isso. Sentia-se como se não tivesse sentimentos, como se sua versão fria fosse sua única e verdadeira face. Mas não era assim. E por não saber explicar o porquê de não ser assim, ela chorou. De novo. Queria coisas tão diferentes para si... Mas não conseguia evitar tomar atitudes erradas.

...

"Onde está sua namorada?" Rachel virou para a latina.

"Quem?" Santana levantou a sobrancelha para ela.

"A garota do bar... E da boate."

"A Erika?" A latina começou a rir.

"Meu deus, você sabe o nome dela! Pra quando é o casamento?" Brody olhou assustado para a amiga.

"Ela é como eu..." Santana deu de ombros.

Os três estavam sentados de costas para o bar, os cotovelos apoiados no balcão. Cada um com sua cerveja. Conversavam tranquilamente e riam das ironias um do outro.

"Tenho que te agradecer por ontem, Santana. Foi divertido." O moreno levantou a cerveja para brindar.

"Sim, foi..." A latina direcionou um sorriso para o rapaz.

"Apesar de vocês terem sumido." Ele levantou a sobrancelha.

"Eu te avisei para onde estava indo... A Rachel também sumiu?" Santana perguntou, se virando para a morena.

"Não exatamente..." Ela virou a cerveja, bebendo um gole.

"Ela era gostosa?" Santana perguntou.

Um inevitável sorriso provocante brotou nos lábios carnudos.

"Oh, ela era..." Rachel respondeu.

"Como eu não vi isso? Ela estava no seu quarto?" A latina insistiu.

"Estava."

"E pelo visto a noite foi intensa, não?" Santana retirou os cabelos que caiam pelos ombros da morena, olhando atentamente seu pescoço e o resto de seu corpo pela primeira vez naquele dia.

"Mais do que você imagina..." A diva umedeceu os lábios.

"Se você encontrar a garota de novo, por favor, me avise." A latina disse.

Rachel não aguentou e soltou uma gargalhada audível. Os dois olharam perplexos para ela, que se levantou e disse que precisava ir ao banheiro, se acabando de rir.

"Me explica o que foi isso?" Brody disse, observando a morena sumir entre as pessoas do bar.

"Se eu soubesse..."

"Quinn também sumiu..." O moreno comentou.

"Sério? Minha garota está finalmente se transformando em uma de nós?" A latina falou em um falso tom de orgulho.

"Eu não sei. Eu não vi com quem ela estava. Ou se ela estava com alguém..." Brody falou despreocupadamente. "Aposto dez dólares que aquela garota é minha até o fim da noite." Apontou com a garrafa de cerveja.

Santana olhou. Era uma morena de cabelos castanhos e lisos que iam até o meio de suas costas parcialmente nuas, devido ao decote da blusa. Seus traços eram fortes, bonitos marcantes. O sorriso era extremamente branco e o corpo, definido.

"Vai perder. Ela é minha." A latina declarou.

"Apostado." O dançarino deu uma batidinha no ombro de Santana. "Ela parece que não é daqui... Será que é latina também?"

"Hm, eu acho que sim..."

Os dois continuaram admirando a garota, mas ela não olhou para eles. Seu olhar estava fixamente preso em outra pessoa. Brody e Santana olharam na mesma direção e viram outra morena estonteante. Rachel voltava para o balcão.

"Perdemos a aposta." Brody suspirou, sendo imitado por Santana.

"O que disse?" Rachel perguntou, se sentando.

"Precisamos que você nos tire uma dúvida..." O moreno disse.

A morena arqueou uma sobrancelha para eles.

"Está vendo aquela garota ali, tirando suas roupas com os olhos?" Santana apontou discretamente.

Os olhos de Rachel rapidamente viram a garota e ela soltou um assobio baixo.

"Eu e o Brody queríamos saber se ela é daqui. Tem como você resolver isso pra gente?" A latina olhou sugestivamente para a amiga.

"Com o maior prazer." Levantou-se.

"Por que vocês me torturam tanto?" O rapaz comentou, fazendo Santana rir.

Rachel se aproximou da garota, sem hesitação, um sorriso suave nos lábios. Ao ver a morena se aproximando, a outra morena se virou propositalmente de costas. A voz melodiosa de Rachel brincou na orelha da garota, fazendo-a estremecer.

“Olá...” Ela se virou sorrindo. Era realmente linda. E o seu hálito tão próximo indicava que estava sob certo efeito de álcool.

"Perdida?" Rachel levantou as sobrancelhas para ela.

“Não exatamente, meus amigos estão sentados ali.” Apontou a mesa.

Rachel sorriu de lado, direcionando um olhar intenso para a garota. Pôde ver a estremecida que ela deu, perante aquele olhar.

"Quer ir pra outro lugar?" A morena perguntou, segura da resposta.

“Adoraria.” A garota disse, ainda hipnotizada.

Na verdade, o que pouca gente sabe é que flertar não tem segredo nenhum. Santana e Rachel não tinham formas inusitadas de conquista, como todos pensavam. Elas apenas sabiam o que as pessoas queriam quando saíam de casa: se divertir. Era simples.

Rachel jogou a chave do carro para Santana, que lhe sorria orgulhosa. Brody revirou os olhos. Saiu do bar guiando a garota com uma mão em suas costas, onde ainda havia tecido, procurando evitar a pele descoberta. Entraram em um dos muitos táxis que passavam e a diva não resistiu, pousou uma mão sobre a coxa dela.

"Eu não sei o seu nome..." Acariciou levemente.

“Gabriela.” Ela disse sorrindo em um sotaque diferente.

A diva gostou do nome. Normalmente não perguntaria, mas sentiu curiosidade. Devolveu o sorriso.

"Você não é daqui, não é?"

"Não..." Ela baixou o olhar. "Rio de Janeiro."

Rachel olhou surpresa para ela. "Brasil? Sério?"

"Sim."

"Eu sou doida pra conhecer." Rachel apertou levemente sua perna, aproximando o rosto do dela.

"Sou apaixonada por lá..."

Os olhos de Gabriela eram claros e marcantes, repuxados no final. Era fácil se perder neles. Rachel sentiu o gosto de seus lábios. O beijo era sensual e calmo, mas aos poucos foi se tornando impossivelmente quente.

"Meu nome é Rachel." A diva disse ao cortar o beijo.

A garota estava ofegante. O táxi tinha acabado de parar. Até Rachel abrir a porta do apartamento elas trocaram uma série de outros beijos.

"Vinho?" Ofereceu.

Gabriela assentiu. Rachel pegou duas taças e encheu até a metade com a bebida. Foi diferente do que costumava ser. Elas conversaram, riram e se conheceram um pouco antes da tensão se tornar inevitável. Rachel largou a taça em cima da mesa e avançou na garota, beijando-a impacientemente.

Quinn estava deitada em sua cama escutando um barulho de conversa já tinha um tempo. Pensou que fossem Rachel e Santana, mas não conseguiu distinguir suas vozes. Além de estar relativamente cedo para voltarem. Com certa apreensão se levantou e ao começar abrir a porta, parou. Rachel beijava uma garota, prensando-a contra a parede, enquanto as pernas dela enlaçavam sua cintura. Quinn não sabia se era ego ferido, mas algo a incomodou. Tentou afastar aquela sensação estranha, sabia que as coisas seriam assim. Voltou a encostar a porta do quarto e se deitou. Sua cabeça estava cheia e cansada demais para pensar direito. Logo os gemidos da garota se fizeram audíveis e a loira puxou o travesseiro para cima de sua cabeça, caindo um tempo depois em um sono pesado.

Notas finais
(: A citação do início do capítulo também é da obra "Morangos Mofados", de Caio Fernando de Abreu.