How To Save A Life
17 Just Can't Get Enough
Notas iniciais
Santana entrou no apartamento, largando os cafés encima do balcão. Viu que a porta do quarto de Quinn estava ligeiramente aberta, encontrando a loira sentada em sua escrivaninha trabalhando. Era sábado de manhã, pelo amor de Deus!
Quinn arqueou a sobrancelha assim que viu a latina entrar no seu quarto e deitar confortavelmente na sua cama.
"Foi pra isso que você não saiu com a gente ontem? Acho que vou ter que ser a primeira a lhe dar a notícia de que a escravidão acabou." A latina disse ironicamente.
Quinn virou a cadeira para ficar de frente para a latina.
"Só estou adiantando algumas coisas. Acabei acordando mais cedo e não consegui voltar a dormir."
A verdade era que fora adiantar o seu trabalho para tentar amenizar a vontade de ir ao quarto de Rachel e acordá-la. Só conseguia pensar em rosas e uma linda bandeja de café da manhã. Céus! O que estava acontecendo com ela? Jamais tivera esses pensamentos e vontades. Sabia exatamente de quem era culpa. De Rachel Berry. Claro.
"Quando foi que a sua vida ficou tão chata, Fabray?" Santana continuou provocando. "Deveria ter saído com a gente ontem. Não dormi até agora."
"Desculpa se minha vida não corresponde as suas expectativas, S." Quinn revirou os olhos.
"Que seja... Vou dormir porque hoje pretendo sair de novo." A latina disse, levantando e encaminhando-se para a porta. "Trouxe café pra vocês. Me acorda quando já tiver preparado o meu almoço."
"Também te amo, San!" Quinn gritou quando ela saiu pela porta.
Tinha certeza que a latina também passaria no quarto de Rachel. Mordeu os lábios. Queria mais que tudo ter sido aquela a acordar a morena. Já tinha sido uma tortura ver a morena entrar em seu próprio quarto na noite passada. Quantas vezes havia sentado na cama, a um segundo de levantar e invadir sorrateiramente o quarto de Rachel? Perdera as contas. Havia dormido incrivelmente mal e acordado poucas horas depois. Ouviu risos no quarto ao lado. Suspirou. Levantou e saiu em direção à cozinha. Santana havia falado algo sobre um café, certo?
Santana estava deitada ao lado da morena na cama. Rachel não estava dormindo, no final das contas. Estava em um estado de letargia antes da latina entrar no quarto e salvá-la de certos pensamentos inapropriados.
"O que você fez ontem? Brody sentiu sua falta..." Santana comentou.
Rachel riu. Sabia que a latina estava usando Brody para falar o que ela mesma sentira. Resolveu entrar na brincadeira.
"Vou chamar ele pra almoçar hoje com a gente."
"Que almoço?"
"O que a Quinn vai preparar."
Ambas riram.
"Vocês estão bem, então?" Santana perguntou cuidadosamente.
"Estamos..." Rachel olhou para o teto. "Pedimos comida chinesa ontem e ficamos conversando."
"E não guardaram nenhuma merda de colher de sorvete de morango pra mim."
"Hahahaha"
"Hoje nós vamos sair?"
Rachel demorou a responder, o que fez a latina estreitar os olhos. Ela definitivamente estava escondendo algo.
"Talvez..."
"Ok! Você e a Fabray estão me deixando com dor de cabeça... Vou dormir um pouco. Se aquela vadia não me acordar pro almoço, acho bom que você me acorde."
Rachel riu enquanto Santana depositava um beijo em sua testa e saia do quarto.
...
"Bom dia..."
Quinn se virou rapidamente. Rachel estava encostada no batente da porta, com o café que Santana comprara em uma das mãos e um sorriso suave.
"Você trabalha demais, Fabray." A morena disse.
Ela encaminhou-se em direção à loira, largando o café na mesa e sentando travessamente em seu colo, roubando-lhe um beijo. Quinn encarou a morena com um leve sorriso.
"O que foi?" Rachel perguntou, ao notar o olhar de Quinn.
"Estou tentando me acostumar... com o que está acontecendo."
Rachel a olhou compreensivamente e deitou a cabeça em seu ombro, sentindo o aperto dos braços de Quinn em sua cintura. Um silêncio confortável se estabeleceu entre elas enquanto Quinn acariciava carinhosamente a lateral de seu corpo. Rachel ouvia a respiração compassada da loira e sentia seu corpo relaxar cada vez mais. Fechou lentamente os olhos, sentindo a consciência lhe abandonar aos poucos.
"Rach?"
Abriu os olhos rapidamente. Havia dormido?
"Você dormiu?"
Rachel corou. Quinn sorriu amplamente quando percebeu o olhar tímido que a morena lhe direcionava, lembrando-se da antiga Rachel.
"Acho que cochilei por um momento..." A morena disse sem jeito.
Quinn beijou-lhe a testa. Rachel lhe parecia adorável de tantas maneiras... Queria poder exprimir em palavras tudo aquilo que estava acontecendo com ela, tudo aquilo que a morena lhe fazia sentir.
Rachel sentiu os lábios da loira sobre os seus, desfazendo tudo ao redor. Nada mais existia. Estava em um mundo paralelo e tudo que estava a sua frente era Quinn. Seus lábios. Seu toque. Tudo. Quinn estava em todos os lugares. Não era sufocante. Era libertador. Tinha plena consciência da língua da loira apossando-se de sua boca e da sensação de formigamento em suas mãos. Queria mais. Queria tudo. Desceu os lábios até o pescoço pálido, beijando cada centímetro de pele. As mãos de Quinn ganharam vida, subindo-lhe as costas.
"Rach..." A loira ofegou.
A voz de Quinn pronunciando seu nome pareceu aguçar mais ainda todos os seus sentidos. Precisava sentir aqueles lábios novamente nos seus. Sentiu a loira chupar lentamente seu lábio inferior. Por quanto mais conseguiria se controlar? Quinn pareceu pensar a mesma coisa, estabelecendo um ritmo mais controlado. Rachel não saberia dizer por quanto tempo se beijaram daquela forma, como se nada mais importasse. Quinn se afastou, encarando-lhe intensamente. Abaixou o olhar, sentindo-se nervosa de repente.
"Acho que não estou mais com sono..." Ela brincou.
Quinn suspirou, rindo logo em seguida.
"Que bom. Assim você pode me ajudar a preparar o almoço."
Rachel assentiu.
"Só me deixa tomar um banho primeiro." Ela pediu. "E ligar pro Brody... Falei com a San que ia chamar ele pra almoçar."
"Deixa que eu ligo. Preciso que ele traga algumas coisas que estão faltando por aqui."
A morena levantou, vendo Quinn esticar as pernas.
"Está doendo?"
"Tá brincando? Pensei que você nunca mais fosse sair de cima de mim. Você está pesada, Berry." A loira disse.
Rachel bufou, vendo a loira se desfazer em gargalhadas.
"Você não sabe o que acabou de perder, Fabray."
A loira assistiu aos risos a morena virar-lhe as costas e sair do quarto. Alcançou Rachel ainda no corredor, pressionando seu corpo levemente contra a parede.
"Você é linda, Rachel Berry." Quinn disse, beijando-lhe logo em seguida.
O beijo foi intenso e acabou mais rápido do que a morena gostaria. Olhou para a loira, vendo-a se encaminhar para a cozinha e simplesmente soube que ela havia feito de propósito. Se tinha uma coisa que Quinn Fabray sabia fazer era provocar.
A morena saiu do banho, indo direto para a cozinha. Quinn preparava distraidamente o almoço, bebendo ocasionalmente da garrafa de cerveja apoiada na pia e cantarolando algo que Rachel não soube identificar. Era incrível como ela estava enxergando as pequenas coisas em relação à loira, com as quais já estava acostumada, sob um ângulo completamente novo e surpreendente. Jamais poderia imaginar que Quinn algum dia lhe afetaria dessa forma, que mexeria consigo muito além da capacidade que ela tinha para compreender no momento.
Quinn virou-se naquele exato momento, percebendo que alguém lhe observava.
"Ligou para o Brody?"
A loira abriu a geladeira, pegando outra cerveja e indo em direção à morena.
"Espero que ele demore." Quinn se limitou a dizer, antes de capturar os lábios da pequena.
Um barulho de porta abrindo e Quinn soube que seus pedidos não tinham sido atendidos. Viu a morena se afastar rapidamente, sorrindo contrariada e se encaminhar para a porta. Não sem antes roubar a cerveja que a loira tinha em mãos.
Para quem havia chegado em casa de manhã, Brody estava com um excelente humor.
"Não sei onde você tira tanta disposição! A Santana provavelmente vai matar quem for acordá-la." A loira reparou, dando-lhe um forte abraço.
"Ontem eu fui embora cedo." O moreno explicou, retirando as coisas da sacola que havia trazido.
Quinn arqueou a sobrancelha.
"Sério! A Santana me obrigou a ir naquele bar lésbico... Logo elas arranjaram companhia e eu fiquei lá, bebendo sozinho no balcão."
"Não sei porque você deixou a Santana escolher ir pra lá. Ainda mais só vocês três." Rachel comentou.
"Não foi muito bem ela que queria..." Brody disse, olhando de esguelha para Quinn.
Uma expressão de compreensão se espalhou pelo rosto de Quinn, que nada disse. Depois daquela noite na casa de Erika, elas mal se falaram. Sentira falta da amizade dela durante aquela semana, mas não sabia se ela estava realmente a evitando ou se ela mesma que não a procurara. Pelo comentário de Brody, talvez os dois.
Várias garrafas de cerveja e muitas risadas depois, o almoço finalmente havia ficado pronto. Brody se candidatou prontamente para acordar a latina, era uma oportunidade muito boa para perdê-la. Assim que ele saiu, Rachel foi rapidamente assaltada por uma loira completamente sedenta.
"Parecia que esse almoço não ficava pronto nunca..." Quinn disse, enquanto mordia levemente a orelha esquerda de Rachel.
A morena não tinha o que dizer. Também passara todo o tempo pensando no beijo que fora interrompido, querendo provar novamente aquele gosto. Mas ver Quinn praticamente atacá-la segundos depois de Brody ter saído da cozinha a tinha deixado sem fôlego e sem palavras.
"O que você vai fazer hoje?" Ela perguntou de repente.
"Levar você pra sair..." Quinn disse em seu ouvido.
Rachel afastou-se um pouco da loira para poder olhá-la melhor.
"Sério?"
"Se você quiser sair com o pessoal, tudo bem. Só pensei, caso você não estivesse afim, que nós poderíamos..." Quinn tentou explicar, claramente insegura.
Rachel interrompeu a loira com um selinho suave.
"Ia adorar sair com você hoje."
Quinn fez tudo que podia para esconder a repentina vontade de gritar para o mundo que parecia querer explodir dentro de si.
...
Blaine sentiu alguém lhe abraçar por trás e um sorriso rapidamente iluminou seu rosto, aquele cheiro tão dele provocando todos os seus sentidos. Não desejava nada mais que isso. Fechou o livro que estava lendo e depositou o mesmo na mesa a sua frente. Sentiu mãos habilidosas começarem uma massagem pelos seus ombros, desfazendo toda a tensão de seus músculos.
"Preciso seriamente que você continue fazendo isso em nosso quarto..."
Kurt riu, deslizando as mãos pelo peito do moreno, abraçando-o novamente.
"Amo você."
Blaine virou o rosto e encarou seu noivo. Alguma coisa não estava bem. Suspirou. Kurt estava uma pilha de nervos nos últimos dias, incapaz de escolher o que seguir. Infelizmente, sabia que não poderia ajudá-lo a não ser lhe dando todo o apoio necessário. A escolha deveria ser inteiramente dele.
"Senta aqui." Ele pediu, batendo com a mão no sofá.
Kurt deu a volta e sentou-se, aconchegando-se no corpo do moreno, que passou um braço atrás de si e depositou o outro suavemente em seu colo, segurando sua mão. Ficaram assim por vários minutos, somente sentindo a respiração um do outro. Kurt sabia que o noivo queria demonstrar que estava ao seu lado. Não sabia como ele ainda tinha paciência quando nem ele estava tendo consigo mesmo.
"Só me diga o que escolher e eu prometo que nunca mais falamos sobre isso."
"Kurt..."
O tom não era repreensivo. Era como uma súplica. Kurt sabia que não era justo por essa decisão daquela forma e que Blaine já teria feito de tudo se tivesse algo que pudesse ser feito. O fato de não poder fazer nada estava matando o moreno, ele podia sentir isso toda vez que desabafava suas angústias. Isso o fez se sentir culpado.
"Desculpe."
Blaine apertou mais ainda o noivo junto a si.
"Só você pode decidir isso, meu amor... Já conversamos sobre isso."
"Eu sei... É só que... É uma decisão tão importante. Tomá-la sem ter você me guiando na direção correta só parece errado pra mim... Acho que me acostumei a pensar como nós todos esses anos, parece que não sei mais pensar sozinho."
O moreno riu. Se sentia exatamente da mesma forma.
"Eu sei. Mas é o seu trabalho. Algo que você vai fazer todos os dias... Não eu. Você quem vai ter que lidar com isso."
Kurt suspirou. Sabia que ele estava certo.
"Estou feliz que vamos para Lima. Estou realmente precisando conversas com o meu pai. Ele sempre sabe exatamente o que dizer. Espero que dessa vez também."
"Tenho certeza que ele saberá o que te dizer. Tenho mais certeza ainda que, independente disso, ele vai definitivamente ficar orgulhoso."
Sabia que Burt jamais diria para Kurt o que fazer. Mas não queria estragar a esperança de seu noivo. Por outro lado, Burt realmente sempre sabia o que dizer... Ele mesmo já procurara o sogro inúmeras vezes para pedir-lhe conselhos. Ele sempre o fizera enxergar as coisas que realmente importavam, ainda que não apontasse esse ou aquele caminho. Amava Burt como o pai que nunca tivera. Apesar de amar o seu, eles nunca tinham sido próximos.
"Bom... Não é como se eu fosse decidir nada hoje."
"Saiu um novo capítulo de Dexter..." Blaine disse, sabendo que o noivo ficaria empolgado.
"Vou pegar os cobertores." Kurt falou sem hesitar. "Por que você não prepara a pipoca?" Ele disse, antes de depositar um beijo e ir em direção ao quarto.
Assim que Kurt viu o noivo voltar com o balde de pipoca em mãos, deu-lhe um longo beijo. Queria exprimir todo o amor que sentia, tudo que o noivo significava para ele. Tinham sido feitos um para o outro.
"Obrigado por estar sendo tão paciente por todos esses dias. Não sei o que faria se eu não tivesse você ao meu lado."
"Você é tudo para mim, Kurt. Não agradeça por nada. Você merece nada menos que o melhor de mim."
Kurt piscou várias vezes, tentando evitar que as lágrimas caíssem. Podia passar o tempo que fosse, sempre que Blaine lhe olhava daquela forma e se declarava, seu coração disparava loucamente e seus olhos teimavam em encher d’água. Depositou a cabeça no ombro do moreno e pegou algumas pipocas.
"Estou com saudade das meninas..." Kurt disse de repente.
Blaine sabia que ele queria trocar de assunto para não se render às lágrimas. Ele estava completamente sensível nessa última semana, mas ele não se importava. Amava o fato de ainda mexer com ele daquela forma, como se ainda fosse a primeira vez que dissera aquelas palavras.
"Também estou." Ele concordou. "Podíamos ir pra lá amanhã."
"Iremos. Agora aperta logo esse play, preciso ver sangue..." Kurt brincou.
O moreno revirou os olhos, rindo logo em seguida. Apertou o play e observou como os olhos de Kurt brilharam em animação. Não aceitaria menos que para sempre ao seu lado.
...
Santana estacionou a moto e tirou o capacete.
"Ainda acho uma péssima ideia você ter vindo de moto... Podíamos muito bem ter vindo de táxi." Brody falou, descendo da moto.
"Não estou a fim de beber hoje, estou a fim de outra coisa." Santana informou.
Brody riu e seguiram em direção ao bar.
"Você não acha meio estranho a Rach não querer sair com a gente de novo? Ela e a Quinn sozinhas naquela casa..." O moreno comentou.
Santana ia responder, mas a chegada de Erika retirou por completo sua atenção. A morena tinha mudado o corte de cabelo e eles estavam completamente rebeldes, lhe dando um ar selvagem. A calça completamente apertada e o casaco de couro completavam o visual.
"Uau..." Foi o que Brody conseguiu dizer assim que viu a morena vir na direção dos dois.
"Se essa noite não prometer nada de novo, ela é minha hoje." A latina avisou.
"Como se eu tivesse chance." O moreno riu. "Me diz como eu vou conseguir ficar com alguém com vocês duas ao meu lado?" Ele perguntou assim que Erika alcançou a ambos.
"É só escolher as héteros..." Erika piscou.
Esse era realmente o problema. Tinha um excelente gosto para se interessar por quem não era hétero.
"Cadê a Rach?" Erika perguntou para Brody assim que entraram no bar. Santana já tinha ido tomar sua dose sagrada de tequila. Brody sabia que a latina não deixaria de beber.
"Ficou em casa..." Ele disse vagamente.
Erika arqueou as sobrancelhas, em uma expressão de surpresa, mas nada disse e Brody ficou agradecido por isso.
Os três conversavam descontraidamente. Nenhuma das duas parecia se interessar por qualquer pessoa que tinha aparecido e ele estava seriamente desconfiado sobre isso. Santana tinha dado a entender que estava afim de algo naquela noite e não havia acontecido nada para que a mesma pudesse mudar de ideia. Virou mais uma tequila. Todos eram adultos o suficiente.
"Isso porque você não ia beber hoje..." O moreno disse.
Santana dançava freneticamente na pista de dança. Tinham saído do bar há umas duas horas atrás, querendo algo mais agitado. Ainda no bar a latina já apresentava sinais de que estava bêbada. Pelo menos pra boate tinham ido de táxi.
"Você se preocupa demais, Weston. Se você prestasse mais atenção e parasse de encher o meu saco, ia perceber que aquela magrela sem graça não para de olhar pra você." Santana apontou com a cabeça.
Brody se virou e olhou. Ela era magra sim, mas estava longe de ser sem graça.
"Até amanhã." Ele brindou com a latina.
Santana continuou dançando, ignorando todos os olhares que recebia. Havia somente uma pessoa que havia lhe chamado atenção naquela noite. E tinha certeza que ela havia percebido. Foi em direção ao bar. Pediu mais uma cerveja e virou-se. Sorriu quando a viu vir em sua direção. Estavam de volta à estaca zero. Queriam a mesma coisa novamente.
"Brody?" Erika perguntou.
Santana riu maliciosamente.
"Parece que essa noite é somos só nós duas novamente." A morena falou com um sorriso de canto, encarando a latina.
"Aos velhos tempos." Santana brindou.
...
Sentiu a sua blusa sendo arrancada e a latina lhe beijando ferozmente. Estavam na sua casa, no seu quarto. Santana tirou a própria calça e ela se posicionou por cima da latina, pressionando seu corpo contra o dela. Ouviu um gemido e soube que era disso que ela precisava. Direcionou a boca aos seus seios, movimentando-se com um certo ritmo, fazendo com que suas intimidades se tocassem. Santana a virou na cama e lhe penetrou com certa urgência, buscando seu pescoço. Quando o prazer veio, não se permitiu descansar... Queria sentir o gosto da latina, queria ser responsável pelo prazer de alguém...
Ambas estavam sentadas na cama. Santana havia acendido um cigarro e ela bebia uma garrafa de cerveja.
"Você está bem?"
"Por que não estaria?" Erika não esperava que a latina fosse tocar no assunto.
"Não se faça de idiota." A latina tragou.
"Qual é o sentido de fazermos sexo se depois você vai querer que eu fale sobre isso?"
"Esse é o problema quando se vira amiga da sua parceira de sexo."
"Preciso de uma nova parceira de sexo..." Erika anunciou, pegando o cigarro da mão de Santana.
"Enquanto você não faz isso... desembucha." Ordenou a latina.
"Podíamos falar sobre a Brittany..." Erika falou irritada.
"Prefiro falar sobre a Quinn..." Santana rebateu sem se abalar.
"Não há nada a ser dito, ok? Só me deixei levar. Sabia que não era eu quem ela queria, sabia que poderia acabar me dando mal. E agora estou aqui. Fim da história."
"Não me parece tão patético assim. Outro dia peguei o celular dela para ver se tinha mensagem da Brittany... Ela apaga todas, sabe que eu vou olhar. Mas consegui pegar o registro das mensagens, o início delas... Ela falava sobre alguém... Carter." Santana confessou, o olhar perdido.
"Você perguntou para a Quinn alguma coisa?"
"Não. Ela não me responderia. E também não tenho o direito de saber. Só posso imaginar."
"Prefere ficar sofrendo sem saber? Pode não ser ninguém."
Santana deu os ombros.
"Pode ser alguém." A latina se limitou a dizer.
Erika devolveu o cigarro para a latina. Entendia muito bem o que ela queria dizer. Preferia não saber a ter certeza de que Quinn e Rachel estavam juntas. Lembrava com perfeição do corpo de Quinn, da loira sem blusa exatamente naquela mesma cama. Sabia que não amava a loira, mas sentia algo diferente em relação a ela, mais do que um simples desejo. Sabia que não deveria ter se metido naquilo, que ia acabar se machucando. Mas ia passar. Sempre passava.
...
Assim que Brody e Santana saíram do apartamento, ambas tinham ido se arrumar. Quinn não havia preparado nada de especial, só queria sair com a morena, já que no dia anterior tinham ficado em casa.
"Você tem algo em mente?" A morena perguntou assim que entrou no carro da loira.
"Na realidade, não... só queria te levar para comermos algo e aproveitar a noite de NY. Você pensou em algo?"
"Eu queria ir no cinema. Faz tanto tempo que não vamos... Costumávamos ir sempre, lembra?"
"Como eu posso esquecer se a Santana ficava jogando pipoca nos outros como se tivesse 10 anos de idade?" Quinn relembrou.
Ambas riram com a lembrança.
"Passamos por tanta coisa juntas..." Rachel falou, pensativa. "A Santana é uma irmã para mim e você..."
O que a loira era em sua vida?
"Fico feliz de não ser sua irmã." A advogada brincou, fazendo a morena rir.
Quinn continuou encarnando em Rachel, gostava de provocar a morena e a fazer rir. E tinha achado um pouco fofo que a morena tivesse falado sobre elas e ficado sem saber o que dizer sobre ela.
Saíram do carro e foram em direção aos elevadores do shopping. Estavam lado a lado, mas não pareciam um casal. Não eram um casal. Eram? Quinn daria tudo para segurar a mão de Rachel ou passar levemente o braço pela sua cintura. Tinha também o fato de que estavam em público. Tinha certeza que tirando os bares e as boates, Rachel jamais tinha andado em público com outra mulher. Essa era uma fase pela qual já tinha passado em seus outros relacionamentos. Havia descoberto que não se incomodava nem um pouco com o que os outros iam pensar. Mas não era tão fácil assim e não fazia ideia do que Rachel pensava.
"Está com fome?" A loira perguntou, afastando tais pensamentos.
"Morrendo..." A morena admitiu.
"Vou pegar algo para comermos e você me espera na fila. Ok?"
Rachel assentiu. Sabia que Quinn não havia esquecido o que ela gostava de comer no cinema, ela também sabia os gostos da loira. Riu consigo mesma enquanto caminhava em direção à fila. Conhecia também o gosto da loira por filmes.
"O que aconteceu?" Quinn perguntou ao ver que a morena não estava na fila.
"Já comprei os ingressos." A morena informou.
Quinn olhou os filmes em cartazes.
"Wolverine?"
"O que você acha, Fabray?" Rachel disse. "Agora vamos que eu quero um bom lugar."
Quinn poderia ter deixado os sanduíches e refrigerantes que segurava caírem e ter beijado a morena ali mesmo. Mas se contentou em seguir a morena. Sabia o quanto ela era exigente com os lugares.
Estavam no meio do filme e Quinn sentia sua mão suar. Céus! Parecia uma adolescente levando sua primeira namorada para sair. Riu internamente. A Quinn do McKinley jamais iria viver aquela experiência. Mas Rachel parecia aflorar em si todas as vontades que jamais sentira, todos os clichês que jamais quisera. A mão de Rachel estava ali, no braço do assento, como se ela tivesse a deixado ali de propósito, como se quisesse que Quinn a segurasse. Ou simplesmente para torturá-la. Não conseguia se concentrar no filme. Estava completamente inquieta e tinha plena consciência que devia estar parecendo uma idiota. Era Quinn Fabray!
Direcionou um discreto olhar para a morena, que parecia completamente entretida com o filme. Talvez ela sequer percebesse... Viu sua mão agir completamente por vontade própria, como se fosse em câmera lenta, o coração saindo pela boca... Sentiu a pele da morena sobre a sua e entrelaçou os seus dedos, sem dar qualquer chance para que a morena retirasse a mão. Viu os dedos de Rachel também se entrelaçarem aos seus e não conseguiu não olhar para a morena, que havia desviado a atenção do filme e estava olhando para ela.
Assim que seus olhares se encontraram, Quinn sentiu seu coração disparar mais ainda, como se quisesse bater por toda uma vida. A morena lhe olhava intensamente, como se a visse pela primeira vez. Estava completamente hipnotizada pelos olhos de Rachel... Queria aproximar seu rosto, beijá-la até perder o fôlego, mas seu corpo parecia paralisado, completamente alheio as suas vontades. Rachel foi quem fez o primeiro movimento, encurtando a distância entre elas e lhe beijando de uma forma que a fez se derreter por dentro. Perdera a noção do filme, das pessoas ao redor...
Não haviam mais conseguido se concentrar no filme depois disso. Ao sair, tinham permanecido de mãos dadas por todo o caminho, inclusive dentro do carro. Assim que chegaram ao apartamento e Quinn fechou a porta, Rachel tomou seus lábios mais uma vez em um beijo calmo.
"Fica comigo essa noite?" A morena pediu.
"Rach..." Quinn hesitou.
"Não vamos fazer nada. Só queria você comigo." Ela esclareceu.
Quinn suspirou. Era o que ela mais queria.
"Vou só trocar de roupa, ok?"
Quando ela entrou no quarto da morena, Rachel já estava deitada e parecia dormir. Deitou o mais silenciosamente que pode, tentando não fazer barulho, mas logo sentiu Rachel se aconchegar melhor junto ao seu corpo, cobrindo ambas com um lençol, sem dizer nada. Queria ser capaz de observar Rachel dormindo em seus braços por toda madrugada e foi isso que tentou fazer pelo máximo de tempo que conseguiu, mas estava tão cansada que acabou caindo no sono, embalado por uma noite que ela jamais esqueceria.
...
Rachel despertou sentindo uma leve brisa arrepiar sua pele. A janela deve estar aberta, pensou. Sentiu que alguém compartilhava a cama com ela e então se lembrou do que ocorrera na noite passada. Percebeu que os arrepios que sentia não tinham relação alguma com a janela aberta e sim com uma Quinn Fabray ao seu lado, deslizando os dedos por sua pele. Aquela cena não lhe era estranha, mas o sorriso inevitável que brotou em seus lábios sim. Havia dormido com Quinn e ela mesma que tinha pedido por isso.
"Bom dia..." Ela disse ainda de olhos fechados.
Quinn parou imediatamente os movimentos em sua pele. A morena refreou a vontade de pedir para que ela continuasse, abrindo os olhos. Quinn estava levemente corada, encarando-a com uma expressão apreensiva. Rachel sorriu de lado e se apoiou em seu cotovelo para ficar de frente para a loira. Isso pareceu relaxar Quinn, que lhe sorriu de volta.
"Dormiu bem?" A loira perguntou de forma carinhosa.
Rachel se aproximou dela, percebendo que compartilhavam o mesmo lençol. Quinn lhe encarava, talvez esperando que ela surtasse a qualquer momento. Mas o único pensamento que parecia ocupar sua mente era Quinn Fabray em sua cama. Tomou os lábios da loira para si e a sentiu puxar-lhe mais pra perto, colando seus corpos. O gemido que escapou de seus lábios não passou despercebido por Quinn, que intensificou o beijo, permitindo que suas línguas se encontrassem e mais arrepios se espalhassem por sua pele...
E nada mais parecia fazer sentido...
...
Quinn estava preparando o jantar na cozinha. Milagrosamente Santana tinha preferido ficar em casa aquele dia e ela agradecia por isso. Achava que a latina não deixaria passar uma terceira recusa dela e de Rachel de sair aquele final de semana e ela realmente não estava no clima de sair. Foi pensando nisso que ela sentiu braços lhe rodeando a cintura firmemente e um beijo sendo deixado em seu ombro. O inevitável sorriso enfeitando-lhe o rosto.
"Hey..." Ela virou o rosto, recebendo um selinho da morena.
"Eu mal vi você hoje..." Rachel sussurrou, sentindo os arrepios na pele da outra.
"Não tenho culpa se o Kurt resolveu te roubar o dia inteiro..." Quinn disse, tentando conter a contrariedade em sua voz e falhando miseravelmente.
"Eu estou com saudades..." A morena continuou sussurrando sobre a pele da nuca de Quinn.
Rachel virou a loira em seus braços e tomou seus lábios com possessividade. Realmente sentira saudades. A noite anterior tinha sido indescritível. O que Quinn a fizera sentir estava além de qualquer descrição que pudesse dar e gostava que fosse dessa forma. Não iria mentir para si e dizer que estava completamente segura com isso... Estava apavorada. Mas não queria pensar sobre aquilo, queria simplesmente sentir.
"Como foi seu encontro com o Kurt?" A loira perguntou, ainda segurando sua cintura.
"Foi ótimo! É sempre bom passar um tempo com ele."
"Ele sente a sua falta."
Rachel se desfez do abraço e foi em direção à geladeira, pegando uma cerveja.
"Eu sei." A morena admitiu. "Pela bronca que recebi da Santana, ela também. Você está me botando em problemas, Fabray." Ela brincou.
Quinn riu.
"Não lembro de ter te forçado a nada..." A advogada olhou para a morena sugestivamente.
Antes que Rachel pudesse responder, Blaine entrou na cozinha.
"Estávamos com saudades de vocês." Ele disse, enquanto Quinn lhe servia uma taça de vinho.
"Nós também estávamos! Essas últimas semanas tem sido uma correria." A loira disse.
"Como estão os ensaios, Rach?" Ele perguntou para a morena.
Rachel e Blaine engataram em uma conversa que Quinn sabia não ser capaz de acompanhar. Voltou suas atenções para o jantar. Já estava quase tudo pronto. Viu Kurt entrar na cozinha e dar um beijo em Blaine. Rachel desviou o olhar, procurando os seus e deu um leve sorriso. Alguns segundos depois Kurt se aproximou dela, lhe dando um abraço.
"Quer ajuda?" O moreno ofereceu.
"Já está quase tudo pronto."
"Assim que voltarmos de Lima, vou fazer um jantar lá em casa. É sempre aqui que fazemos alguma coisa... Aquela casa parece tão vazia às vezes." Ele disse.
"Assim que voltarmos de Lima vou é fazer uma festa nesse apartamento..." Disse a latina, entrando na cozinha e pegando uma cerveja na geladeira.
As festas de Santana eram realmente memoráveis.
Mais tarde aquela noite, Quinn estava deitada em sua própria cama, sem conseguir dormir. Todos já tinham ido embora, mas Rachel tinha engajado em uma conversa com Santana que parecia não ter fim e ela realmente precisava acordar cedo no outro dia. Tinha desejado mais que tudo que Santana tivesse ido se deitar cedo, depois de dois dias em que a latina mal tinha dormido, mas se enganara. Sabia que a morena não tomaria qualquer atitude enquanto a latina ainda estivesse acordada, com medo de serem pegas e respeitava isso. A última coisa que ela queria era Santana se intrometendo entre elas enquanto ainda não faziam ideia do que “elas” significavam afinal.
Deixou que seus pensamentos vagassem livremente, perdendo a noção sobre a realidade. Pudera jurar que ouvira uma voz familiar chamando seu nome repetidas vezes, mas parecia tão distante...
Rachel sorria para si, mas parecia tão diferente do que se lembrava, como se elas ainda estivesse no colégio. Ela parecia mais nova, mas tão bonita! Seus cabelos caindo em cachos pelos ombros e um familiar suéter... Ela cantava, mas não sabia dizer qual música. Percebeu que ela mesma parecia mais nova, usando o antigo uniforme das cheerios... Onde estavam? A morena se aproximou dela, sustentando as últimas notas. Deslizou o nariz pelo seu rosto... Aquele cheiro lhe parecia tão real, assim como o aperto da morena em volta da sua cintura.
“Eu estou apaixonada por você, Rachel...” Ela finalmente disse.
O rosto da morena se iluminou rapidamente, nunca a tinha visto sorrir daquela forma.
“Eu também...” Ela sussurrou.
Não soube dizer o que a havia despertado, mas agora que estava, parecia que sua cama estava se mexendo... Sentiu um braço ao redor de si e aquele cheiro novamente lhe invadir os sentidos. Virou-se e descobriu que Rachel estava de fato deitada em sua cama, os olhos fechados e a respiração rasa.
"Você é adorável quando está dormindo..." A morena disse, assustando-a.
"Que horas são?" Foi a única coisa que veio em sua cabeça. Estava desnorteada.
"Madrugada." Rachel resmungou com voz de sono.
"Você está dormindo ou acordada?"
"Eu pareço estar dormindo?"
"Vai ver você fala durante o seu sono... e responde pessoas..."
"Boa noite, Quinn." A morena resmungou novamente, aconchegando-se melhor no corpo da loira.
Quinn sorriu e depositou um beijo em sua testa, antes de deixar-se dominar pelo sono mais uma vez.
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