How To Save A Life
34 It's Times Like These You Learn To Love Again
Notas iniciais
Capítulo 34 – It’s Times Like These You Learn To Love Again
Alguns dias se passaram desde que Rachel e Quinn haviam combinado que a morena conversaria com Santana sobre a chegada de Carter a NY. Coincidentemente ou não, a latina estava com um péssimo humor, até para os níveis normais de Santana Lopez. Em virtude disso, Rachel ainda estava procurando o melhor momento para abordar o assunto com a amiga, ciente de que a formatura de Kurt se aproximava dia após dia.
A oportunidade que Rachel estava esperando surgiu em uma quarta-feira à tarde. A morena tinha dado uma entrevista perto da Hart pela manhã e combinado com Santana de aproveitar a proximidade para almoçarem juntas. Assim que a entrevista acabou, ela atravessou as poucas ruas que faltavam até chegar ao complexo da Hart. Era um lugar imenso e incrível, composto por vários estúdios espalhados por uma espécie de campus.
Rachel entrou no familiar estúdio em que Santana trabalhava. A recepcionista e o segurança já a conheciam e apenas a cumprimentaram quando ela entrou no prédio. Contudo, para a sua surpresa, ao andar pelos corredores, tentando chegar até a sala de Santana, ela se viu reconhecida por várias pessoas que a abordavam e pediam seu autógrafo ou uma foto. Era a primeira vez que ela entrava ali desde a sua estreia na Broadway e Rachel simplesmente havia esquecido que aquele definitivamente seria um ambiente em que ela seria reconhecida.
Depois de vários minutos, Rachel finalmente conseguiu chegar ao seu objetivo, ainda sem acreditar em como ela tinha deixado ser surpreendida. Aquilo definitivamente não parecia algo que Rachel Berry faria. Ela bateu na porta da sala de Santana e abriu, vendo que a amiga estava no telefone e parecia bastante irritada.
“Eu não quero saber, Jeff, você me disse que conseguiria esse patrocínio!” A latina esbravejou no celular. “Você sabe quantas propostas nós recusamos? Eu estou no limite do prazo, no limite! Você me deu a garantia de que tudo estava acertado e agora você me vem com essa?”
Rachel sorriu de lado e ocupou a cadeira em frente à mesa. Santana a olhou e revirou os olhos, escutando atentamente ao outro lado da linha. Quem quer que fosse esse tal de Jeff, Rachel tinha certeza de que ele não estava em bons lençóis.
“Você tem até amanhã, você me ouviu? Você está ciente de que se isso não der certo não é apenas sobre as minhas costas que isso vai cair, certo? Eu estou representando uma renomada companhia, não esqueça disso.” Santana disse firme, desligando logo em seguida.
“Problemas?” Rachel perguntou.
“Se você preza a sua vida definitivamente não vai querer me ouvir falando disso.” A latina disse, respirando fundo e sentando em sua cadeira.
Rachel levantou as mãos em rendição.
“Então Vossa Alteza decidiu sair das alturas do trono da Broadway e visitar os plebeus?” Santana provocou. “Imagino que não tenha sido fácil chegar até a minha humilde sala.”
“Devo admitir que foi mais difícil chegar aqui do que o esperado.” Rachel disse, sorrindo, ganhando um revirar de olhos da amiga.
Rachel sabia que a latina estava brincando. Apesar do leve desprezo que Santana possuía pelos altos figurões da Broadway, um dos fatores que a tinham feito optar por não seguir uma carreira nos palcos, a morena sabia que a amiga não sentia nada além de orgulho pelo que ela tinha alcançado até ali.
Santana virou para o computador à sua esquerda. “Botando o seu ego de lado, eu só preciso enviar um e-mail e estamos livres.” A latina disse, fazendo a morena rir.
Nesse meio tempo, a porta se abriu e Brody entrou na sala.
“Hey.” Ele sorriu para a morena, abraçando-a por trás e deixando um beijo em seus cabelos. “Soube que uma certa estrela da Broadway estaria por aqui hoje.” Ele disse, sentando ao seu lado.
“Você também não, Brody, por favor.” A morena disse e ambos riram. “Você vem com a gente?”
“Não posso. Tenho que coordenar um ensaio em meia hora.” O moreno disse. “Só passei aqui pra te ver.”
Santana fez um leve barulho de vômito e Rachel revirou os olhos. Brody balançou a cabeça, rindo.
“Bom, acabei.” A latina disse em seguida. “Vamos? Não quero perder a chance de te exibir um pouquinho pelos corredores.” Ela piscou para Rachel.
“Achei que você não iria querer inflar ainda mais o meu ego?” A morena provocou, levantando da cadeira.
“O seu ego já estourou faz tempo, Berry.” Santana respondeu.
Os três saíram da sala ainda rindo e elas se despediram de Brody antes de se dirigirem para a saída.
Rachel conversava distraidamente com a latina quando a amiga parou de repente. A morena também parou, seguindo para onde o olhar de Santana parecia estar focado. Havia uma porta dupla que estava metade aberta, dando acesso para uma sala bastante ampla, na qual Brittany ensaiava com um pequeno grupo.
“Ela não é simplesmente perfeita?” A latina sussurrou, sem desviar o olhar.
Rachel sorriu. Brittany era realmente incrível, mas Santana não precisava de resposta. Para ela, Brittany sempre seria perfeita. O coração da morena se apertou pela amiga, em um misto de felicidade e pesar. Felicidade por ver a latina, depois de tantos anos, sorrir daquela forma novamente. Pesar por saber que não viriam tempos fáceis para ela.
Rachel não queria interromper o momento e, por isso, se limitou a observar a cena. O olhar de Santana era de tanta adoração e amor que, por um momento, ela acreditou que as coisas pudessem dar certo para elas. Rachel sempre soubera que Santana e Brittany tinham sido feitas uma para a outra. Era visível para qualquer um, quase palpável. Assim como Kurt e Blaine. Ela, por outro lado, por muito tempo acreditou que não havia ninguém assim para ela, que o destino havia cometido um erro terrível, pois era para ter sido Finn, mas algo parecia ter se perdido pelo caminho.
Algo parecia ter sido encontrado pelo caminho...
O coração de Rachel acelerou e ela saiu daquele devaneio, retomando a consciência do seu redor. O ensaio parecia ter acabado e algumas pessoas já haviam recolhido os seus pertences e estavam a poucos passos dela. A morena viu no rosto deles o reconhecimento de quem ela era. Eles saíram pela porta e a abordaram extremamente animados. Rachel correspondeu ao ânimo, mesmo que parte de si tivesse a atenção voltada para Santana. Ela viu a latina sorrir para Brittany, que vinha logo atrás. A loira, contudo, parecia desconfortável, devolvendo um sorriso amarelo e logo desviando o olhar.
Rachel não teve muito tempo para pensar no que havia presenciado, pois Brittany a cumprimentou alegremente e lhe deu um carinhoso abraço.
“Muito bom ver você, Rach.” A dançarina disse, completamente gentil. “Espero que os meus alunos não estejam te importunando...”
O grupo pareceu ainda mais animado ao saber que ambas se conheciam, o que levou Brittany a ficar um pouco mais entre eles, antes de se despedir da morena, dando apenas um pequeno aceno na direção de Santana. Rachel sabia que apesar da expressão impassível da latina, ela não estava bem e, por isso, encerrou educadamente a conversa não muito depois da partida de Brittany, despedindo-se de todos.
Santana imediatamente girou os calcanhares e marchou para a saída. Rachel apertou os passos para alcançá-la, atravessando praticamente todo o complexo da Hart antes que conseguisse segurar o braço da amiga.
“Santana, para.” A morena disse, segurando a mão da amiga delicadamente. “Vamos só sair daqui primeiro, ok?”
A latina apresentou resistência em um primeiro momento, mas logo cedeu, permitindo que a morena a acompanhasse. Elas não trocaram uma palavra no caminho até o restaurante que ficava ali perto, mas Rachel apenas soltou a mão de Santana depois que elas estavam devidamente acomodadas em uma das mesas ao fundo. Rachel fez o pedido para ambas e então encarou a amiga.
“San...”
“Eu só quero saber o que eu fiz. Apenas isso. Eu... nós estávamos bem. E de repente ela volta a mal reconhecer a minha presença. Você viu como ela olhou pra mim? Ela está me evitando há dias, Rachel! Eu não fiz nada, eu...” Santana começou a dizer de forma desconexa, tentando achar uma explicação que justificasse o comportamento de Brittany.
Era tão descaracterístico da latina agir daquela forma que Rachel levou alguns segundos para organizar seus pensamentos. Ela finalmente havia entendido o péssimo humor de Santana nos últimos dias. Não tinha nada a ver com o evento que ela estava organizando na Hart, como Brody tinha tentado explicar a ela, e sim com Brittany. E a morena sabia exatamente porque Brittany estava agindo daquela forma. O que não deixava outra saída para ela a não ser conversar com Santana sobre isso, mesmo que a latina não estivesse no estado de espírito ideal para o assunto.
“San, eu preciso que você me escute, ok?” A morena interrompeu a amiga.
Santana percebeu pela expressão da morena que o assunto era sério e se calou.
“Talvez eu tenha uma boa ideia do porquê de a Brittany estar agindo dessa forma com você.”
A latina estreitou os olhos. “Desembucha, Rachel.”
“A namorada dela está vindo para NY, coincidentemente na mesma semana da formatura do Kurt.” A morena soltou tudo de uma vez, deixando que a amiga absorvesse a informação.
Santana pareceu congelar por um momento. Seu olhar então se perdeu... Por dentro, Rachel sabia que a cabeça da amiga estava a mil por hora.
“E você sabe disso e eu não porque...” Foi a primeira coisa que Santana disse, em um fio de voz.
“Porque a Brittany contou para a Quinn e a Quinn queria contar pra você, mas achei melhor eu fazer isso.” Rachel explicou.
“Há quanto tempo vocês sabem disso?” A voz da latina soou distante, automática.
“Alguns dias. A Quinn me contou assim que soube e eu prometi a ela que falaria com você, mas nunca parecia o momento certo, você estava tão estressada esses dias. Eu não sabia que a Brittany estava agindo assim com você. Se eu soubesse, não teria esperado tanto. Me desculpa.” Rachel disse, apertando a mão da latina sobre a mesa.
Ao sentir o toque da morena, Santana pareceu despertar. Seu olhar se focou novamente em Rachel e ela devolveu fracamente o aperto antes de soltar a sua mão. Os pedidos de ambas haviam chegado. Rachel deixou que essa distração ocupasse o momento, permanecendo em silêncio enquanto elas comiam.
“Eu não estou chateada com você.” Santana disse depois de algum tempo, percebendo o receio da amiga. “Pelo menos alguém teve a coragem de me dizer.”
“San, não foi isso. Eu já disse, a Quinn realmente queria te contar, eu que achei melhor ser eu a contar a você. Eu nunca sei o que pode acontecer entre vocês duas.” Rachel argumentou.
“Relaxa, Berry. Eu só queria ver você defendendo a Fabray.” Santana sorriu sarcasticamente.
Rachel balançou a cabeça. Bom, pelo menos Santana parecia ter voltado ao seu estado normal.
“Ela está realmente preocupada com você, sabia?” A morena comentou. “Sempre esteve, na verdade. Tantas vezes ela tentou conversar comigo sobre você e a Brittany, no passado. Eu nunca dei ouvidos, pensando estar defendendo você de algo. Ela só estava preocupada com você, com a Brittany, comigo...” Rachel baixou os olhos, engolindo seco.
“Eu fiz exatamente a mesma coisa”. A latina confessou. “Eu só não queria ouvir a verdade. De que eu tinha, mais uma vez, fodido com tudo. Dessa vez, pra valer.”
“Você não fodeu com tudo, San. Você fez o que achou melhor.” Rachel tentou argumentar.
“Não, Rachel. Não fiz. Eu fui uma puta de uma covarde. Eu pulei fora para não ter que pagar pra ver e dar tudo errado no final. Eu simplesmente desisti sem lutar, porque a ideia de dar tudo de mim e ainda não ser suficiente me apavorava. Então eu peguei o caminho mais fácil. Eu não poderia fracassar no que eu jamais tentei, poderia?” A latina confessou.
O que Santana disse a acertou em cheio. No seu caso, havia mais um agravante. Ela tinha sofrido na pele o que era dar tudo de si e não ser suficiente. Até o ponto de achar que ela não era suficiente. Até mesmo ali, naquele momento, a mera ideia de ser suficiente para alguém era tão impossível que ela poderia rir de quem dissesse o contrário. Ela não tinha sido suficiente para alguém como Finn no que ela considerava o seu auge, quando ela ainda estava inteira, quando ela ainda era aquela Rachel Berry. Como ela poderia ser suficiente para alguém agora que ela era quebrada, apenas uma sombra do que havia sido?
Como ela poderia ser suficiente para Quinn?
Vendo que a morena não tinha resposta para o que havia dito, a latina continuou.
“E agora eu vou ter que pagar pelos meus erros e ver a Brittany com outra pessoa. Como alguém se prepara para isso?” Ela perguntou, sabendo, no fundo, que não importava quanto tempo passasse, ela jamais estaria preparada.
“Eu vou estar do seu lado, ok? Aconteça o que acontecer. Você não está sozinha.” Rachel prometeu.
A latina olhou para Rachel e seu coração se derreteu mais uma vez. Ela realmente não sabia o que teria sido dela sem a morena em sua vida. “Eu sei.”
Rachel balançou a cabeça. “Eu só queria ter agido diferente. No passado. Eu poderia ter agido diferente. Entre nós, eu era a responsável. Eu deveria ter cuidado melhor de você, de mim. Eu deveria ter me mantido firme e acabei me perdendo.”
“Eu já estava toda fodida antes de você e o Hudson terminarem. Não havia nada que você pudesse fazer e Santa Cher sabe o quanto você tentou. Eu estava certa de que eu merecia todo o sofrimento do mundo pelo que eu havia feito. Você foi a única pessoa que tornou tudo mais suportável, ok? E depois você mesma estava sofrendo. Como você poderia me ajudar a reerguer quando você mesma estava tão fodida quanto eu?” Santana a defendeu.
“Esse é o meu ponto. Eu deixei a minha infelicidade, o meu fracasso tomar conta de mim. Eu nunca havia feito isso em toda a minha vida. Eu não era assim. E isso só incentivou ainda mais o seu comportamento, uma foi alimentando a outra e...”
“Rachel, chega. Nenhuma de nós tinha ideia do que estava fazendo. A gente tinha acabado de sair do ensino médio, estávamos no início da faculdade, longe de casa, longe da família. Nós duas estávamos mal. Foi o jeito que a gente encontrou de lidar com isso. Não foi o jeito mais maduro, não foi o jeito mais inteligente, mas foi o nosso jeito. Ponto final. Você não deve nada a mim, você não deve nada a ninguém que não seja você mesma.” Santana foi incisiva. “Se perdoe, ok?”
“Eu faço isso quando você fizer.” Rachel rebateu.
“Ok. Você venceu.” Santana se rendeu. “Eu pago a conta.” A latina disse, levantando da mesa.
Elas caminharam de volta a Hart e Santana suspirou ao encarar o prédio e o que lhe aguardava lá dentro.
“Tenha paciência com ela, ok?” Rachel disse.
A latina olhou para a amiga, surpresa.
“Eu sei que é difícil pra você toda essa situação, mas ela não estaria agindo assim se você não mexesse com ela de alguma forma.” A morena completou.
“O que você quer dizer com isso?”
“Eu quero dizer a atitude da Brittany pode ser uma coisa boa. Quem sabe? Se ela não sentisse mais nada por você, a chegada da namorada dela não iria afetar em nada o modo como ela age com você. Essa mudança pode significar que você mexe mais com ela do que ela gostaria de admitir.” Rachel teorizou.
O sorriso que Santana deu foi o mais verdadeiro que ela havia dado em dias. “Até que você é esperta, Berry.”
“Eu tenho meus momentos, Lopez.” A amiga sorriu-lhe. “Paciência, ok? Deve estar sendo muito difícil pra ela também. Não bote tudo a perder.”
Santana assentiu, em uma concordância hesitante. A latina sabia que paciência não era uma virtude que possuía, mas também sabia que para ter qualquer chance que fosse, ela teria que ser mais do que ela havia sido até ali. Muito mais.
Rachel abraçou fortemente a amiga, despedindo-se em seguida.
A latina então adentrou no prédio, indo diretamente para a sua sala e trancando a porta. Nem mesmo Brody seria capaz de distraí-la naquele momento. Ela precisava ficar sozinha e botar os seus pensamentos no lugar. A perspectiva de ver Brittany com a namorada fazia seu sangue ferver, por mais que ela tentasse não se sentir assim. Ela sabia que não tinha qualquer direito sobre Brittany, sobre o que ela fazia ou deixava de fazer, mas como doía! Doía mais do que todos aqueles anos longe, doía mais do que não saber.
Era justamente por isso ela não tinha tentado manter contato com a loirinha, não depois da sincera vontade que ela tinha sentido de matar Sam por apenas pensar que ele e Brittany pudessem ter algo. Ela se conhecia bem demais. Brittany iria seguir com a vida dela e eventualmente encontraria alguém e ela estaria ali para ouvir o amor da sua vida falar de outra pessoa. Não, ela não poderia fazer isso. Ela teria invadido a vida de Brittany e feito um inferno disso. Ela se odiava por ser assim, mas ela era. Então ela se afastou, mesmo que isso tenha feito ela se sentir como se um pedaço dela tivesse sido arrancado do peito. Mais do que ter Brittany para si, ela queria apenas que ela fosse feliz.
Mas a vida não tinha deixado ela permanecer em paz com essa escolha, ela havia trazido Brittany de volta e a estava forçando a presenciar algo que nem em seus piores pesadelos ela havia imaginado. Não era fácil saber que Brttany tinha uma namorada, mas Santana havia conseguido contornar aquela situação com sucesso até ali, por vezes ela até mesmo esquecia disso, porque a namorada dela não estava em NY, mas sim do outro lado do país, fazendo qualquer coisa que não fosse estar com Brittany. Agora não havia mais como a latina fugir da realidade. A realidade de que Brittany tinha alguém. Alguém que iria estar ao lado dela quando elas se encontrassem, alguém que iria segurar sua mão, ter os seus sorrisos, beijar sua boca...
Não, ela não pensaria nisso. Ela não podia pensar nisso. Ou ela enlouqueceria.
Na verdade, parecia que ela já estava enlouquecendo...
...
Rachel estava a meio caminho do teatro quando uma preocupante ligação de Blaine fez com que ela tivesse que desviar da sua rota. Minutos depois ela entrava pela porta de vidro de uma loja no centro de NY. A morena foi rapidamente recebida por um Blaine completamente esbaforido.
“Graças a Deus você chegou!” O moreno disse, pegando na sua mão e a arrastando para o interior da loja, onde presumidamente Kurt deveria estar.
Ao chegar na sessão de provadores, contudo, a morena não viu sinal do amigo, mas apenas de dois atendentes com expressões de poucos amigos no rosto.
“Cadê o Kurt?”
Blaine apontou para um dos provadores. “Ele está trancado lá dentro há mais de meia hora e sequer me responde quando eu chamo.”
Rachel revirou os olhos, indo direto para o provador e batendo contundentemente na porta. “Kurt, você tem 10 segundos para abrir essa porta ou eu juro por Barbra que eu não vou na sua formatura.” Ela disse, a voz dura.
Poucos segundos depois e a porta se abriu. Rachel ouviu o respiro aliviado de Blaine e então Kurt a puxou para dentro e fechou novamente a porta. O provador tinha um espaço amplo, mas parecia que todas as roupas da loja haviam sido trazidas para dentro dele. Havia uma profusão de peças de roupa, acessórios e sapatos e um Kurt apenas de cueca e meias em frente ao espelho encarando-a como uma criança perdida.
“Oh, Deus.” Ela exclamou. “O que está acontecendo, Kurt?”
“Eu simplesmente não consigo achar o meu look para a formatura! Eu sabia! Eu sabia que isso ia acabar acontecendo! Eu falei para o Blaine que eu não me sentia preparado, que tudo estava indo muito rápido, mas ele me escutou? Não! E agora eu não posso mais formar, porque eu não tenho roupa pra isso!” Kurt desabafou, parecendo a beira de um surto.
“Ok, calma. Respira.” Rachel disse, tentando mais do que tudo manter a seriedade em sua expressão e pegando nas mãos do amigo, fazendo com que ele se sentasse. “Isso é realmente sobre a formatura?”
Kurt não respondeu.
“Você estava tão animado para formar, lembra? Falta tão pouco para a sua peça estrear! Isso vai abrir diversas oportunidades para você!”
“Formar significa que eu vou ter que voltar da minha licença na Vogue.com. Eu não vou conseguir fazer as duas coisas para sempre! Uma hora eu finalmente vou ter que decidir o que eu realmente quero fazer da minha vida. E eu não sei o que eu quero fazer da minha vida, Rachel.” O moreno desabafou.
“Você não precisa decidir isso agora.” A morena argumentou.
“Você não entende, Rachel. Quando eu estou na Vogue, eu sinto falta dos palcos e quando eu estou nos palcos, eu sinto falta do meu trabalho na Vogue. Eles tem sido super pacientes comigo, me deram essa licença, mas quando eu voltar eles vão querer uma posição minha cedo ou tarde. A Isabelle não vai poder me proteger para sempre.” Kurt disse, agoniado.
“Do que você tem medo, exatamente?”
“Tenho medo de escolher a Vogue e me arrepender e ter perdido o tempo das oportunidades de estrelar na Broadway. Tenho medo de escolher os palcos e fracassar e me arrepender, pensando que se eu tivesse escolhido a Vogue, eu poderia ser bem-sucedido.” Ele resumiu.
Rachel respirou fundo, sem largar as mãos do amigo. “Kurt...” A morena começou, olhando em seus olhos. “Você tem um talento, um dom que é para poucos. E eu não estou falando apenas da sua voz, da sua interpretação. Eu estou falando de quem você é. Você pode pensar que existem muitos caras como você na Broadway, mas isso não é verdade. Pouquíssimas pessoas assumem quem realmente são publicamente. Você não. Você vive quem você é. É disso que a Broadway precisa, é disso que o mundo precisa. Lembra quando você não conseguiu o papel em West Side Story? Porque todos os papeis de todos os musicais mais famosos de todos os tempos não tem representatividade? Eles são obras do seu tempo. Você é a esperança de algo diferente, algo novo. Do nosso tempo. De alguém como você ir ao teatro e finalmente se identificar ali, de perceber que ele não precisa mudar quem ele é, que não tem nada de errado em ser quem ele é. E que pessoas assim podem sim ser protagonistas, podem sim ser donas do seu destino. Não jogue isso fora. Eu sei que a Vogue é uma oportunidade incrível e que ela provavelmente oferece a você uma estabilidade muito maior do que se arriscar nos palcos e que isso realmente deve pesar na sua escolha. Eu só não quero que você deixe de acreditar em você, que você escolha a Vogue por medo de não conseguir alcançar os seus sonhos, de falhar.”
As lágrimas escorriam silenciosas pelo rosto do moreno. Rachel sabia que alguma coisa do que ela tinha falado havia tocado o amigo. Kurt a abraçou forte.
“Quando foi que você ficou tão esperta?” Ele disse.
“É a segunda vez que escuto isso hoje. Daqui a pouco eu realmente acredito.” Rachel brincou.
Eles desfizeram o abraço e a morena segurou delicadamente o rosto do amigo. “Só me prometa que se a Broadway ainda for o seu sonho, você não vai desistir sem tentar, sem se pôr a prova.”
“Eu prometo.”
Rachel lhe sorriu. “Agora vamos encontrar uma roupa maravilhosa para a sua formatura?” Ela disse, limpando as lágrimas do amigo. “Mais cinco minutos e o seu noivo vai ter um ataque do coração.”
Kurt riu, concordando. Eles se levantaram e a morena saiu do provador, para que o amigo se recompusesse.
“Está tudo bem.” A morena tranquilizou Blaine. “Ele só está sentindo a pressão de ter que fazer uma escolha.”
“Eu sei. Eu tento não interferir, porque acho que ele deve fazer essa escolha sozinho. Mas é difícil.” Blaine disse. “Obrigado, Rach. Eu sei que você deu o conselho certo a ele.” Ele sorriu.
“Como você sabe?”
Blaine encolheu os ombros. “Eu conheço você. E ele também. Foi ele quem pediu para eu te ligar. Acho que ele queria e precisava escutar o que você tinha a dizer.”
Rachel sorriu enquanto o moreno a abraçava de lado, puxando-a para si. Foi quando Kurt finalmente saiu do provador, vestindo uma roupa maravilhosa. Rachel viu os olhos de Blaine brilharem.
“Bom, acho que vocês não precisam mais de mim. Tenho que correr para o teatro ou vou chegar atrasada.” Rachel disse.
Os dois se despediram dela, ambos sussurrando um obrigado em seu ouvido. A morena acenou em despedida e foi embora.
Algumas horas mais tarde e com um Kurt muito mais calmo, Blaine deitou ao lado do noivo.
“Você parece melhor.” O moreno sorriu, entrelaçando suas mãos. “Estava preocupado com você.”
“Eu sei. Me desculpe por ter agido daquela forma. Eu realmente tive um pequeno ataque de ansiedade.” Kurt depositou um pequeno beijo nas costas da mão de Blaine.
“Você sabe que não precisa se desculpar. Eu te entendo completamente. E fico feliz da Rachel ter te ajudado.”
“Falando em Rachel...” Kurt comentou. “Ela me deixou sem palavras. Me surpreendeu de verdade.”
“É, ela parece diferente, né?” Blaine respondeu. “Até a forma dela de falar e agir está diferente.”
“Eu já vinha notando algo aqui e ali, mas ver ela hoje, a forma como ela agiu tentando me ajudar, as coisas que ela disse, foi como finalmente ver quem eu sempre achei que a Rachel se tornaria, antes de tudo o que aconteceu com ela e o Finn.”
“A Rachel não virou outra pessoa depois do que aconteceu entre ela e o seu irmão, meu amor.” Blaine discordou. “Não pense dessa forma. Ela estava sofrendo, infeliz. Talvez agora ela só tenha perdido o medo de ser quem ela é.”
Kurt não respondeu de imediato, absorvendo a opinião do noivo. Talvez ele estivesse certo. E Kurt tinha um bom palpite sobre o que poderia ter causado essa mudança...
“A Quinn realmente mexeu com ela, né?” Ele vocalizou seus pensamentos.
Blaine concordou. “E ela mexeu com a Quinn.” Ele completou.
“Isso é tão... inacreditável. Quinn Fabray e Rachel Berry.” Kurt divagou.
“Duas inimigas no colégio que viram amigas e depois descobrem que foram feitas uma para a outra? Eu acho poético.” Blaine sorriu.
“É porque você é um romântico incorrigível, meu amor.” Kurt riu, dando um selinho no noivo.
“Se isso que a gente está pensando realmente acontecer, Lima inteira vai cair pra trás.”
“Meu irmão vai cair pra trás.” Kurt lembrou.
“Não é você que diz há anos que o Finn nunca mereceu a Rachel?”
“E continuo dizendo. Inclusive pra ele.” Kurt disse. “Isso não quer dizer que o Finn não possa agir de forma estúpida.”
Disso Blaine não podia discordar. “Você realmente acha que elas podem dar certo?”
“Você está vendo com seus próprios olhos o que está acontecendo, Blaine. Todos esses anos e a Rachel daquele jeito. Foi só a Quinn aparecer de uma outra forma na vida dela e de repente tudo muda. Não é coincidência.” Kurt argumentou.
“Mas você conhece a Quinn. A Rachel já fez o que fez...” Blaine ponderou. “Não vai ser fácil.”
“E quem disse que o amor é fácil? O amor é só o começo. Você sabe disso. Nós sabemos disso.” Kurt disse. “Talvez eu possa lembrar isso a Quinn...”
Blaine riu e balançou a cabeça, sabendo que quando Kurt botava na cabeça alguma coisa, ele dificilmente desistia. Além do mais, Blaine sabia que o noivo estava certo. O amor, de fato, não era fácil, era apenas o começo...
...
Santana chegou em casa para encontrar Quinn sentada no sofá, distraidamente jogando algo que ela ainda não tinha visto. Aquela era uma cena incomum nos últimos meses.
“Jogo novo”? Ela perguntou, sentando ao lado da loira.
“Uhum.” Quinn respondeu, sem piscar. “Você vai gostar.” Logo silêncio despertou algo no cérebro da loira. Ela pausou o jogo, depositando o controle na mesa de centro. “Está tudo bem?” Ela questionou, olhando para Santana.
“Eu poderia perguntar a mesma coisa de você. Faz séculos que não vejo você jogar.” A latina disse, o olhar fixo na tela da tv.
“Dia estressante no escritório. Eu só queria matar alguns zumbis.” Quinn deu de ombros.
Santana riu. “Acho que compartilho desse sentimento.”
A latina estava definitivamente estranha, a loira concluiu.
“Bota pra dois.” A amiga pediu.
Quinn não contestou. Ela rapidamente saiu do jogo e esperou a latina pegar o outro controle e entrar, iniciando um novo jogo.
Com o tempo Quinn percebeu que a latina ia relaxando e então ela relaxou também, aproveitando aquele momento.
“Filho da puta, atacou pelas minhas costas!” Santana xingou.
“Me dá cobertura, me dá cobertura!” Quinn gritou.
“Morre, desgraça.” A latina comemorou. “Na faca, ainda!”
“Acho que acabou...” A loira comentou e logo apareceu uma cut scene, seguindo com a história do jogo.
Santana o pausou. “Vou pegar uma cerveja.” Ela levantou.
“Duas!” Quinn pediu.
Elas ainda permaneceram um bom tempo jogando até Santana finalmente dizer...
“A Rachel me contou sobre a namorada da Brittany.”
Quinn certamente não estava esperando por aquilo, errando a mira e sendo acertada em cheio por um zumbi. “Merda.” Ela disse, tentando se livrar dele. Ao atingir o objetivo, ela logo pausou o jogo.
“Hey! Ia ser um headshot!” Santana reclamou. A latina então olhou para a amiga e viu que seu olhar estava focado nela. Santana suspirou, jogando seu controle de lado e cruzando os braços.
“Quando foi isso?” A loira perguntou. Rachel não havia comentado nada com ela.
“Hoje.” Santana respondeu. “Almoçamos juntas.”
“San...” A loira travava uma luta interna sobre o que dizer, ela realmente não queria falar algo que irritasse a latina e a afastasse. Ao mesmo tempo, ela não queria dizer algo que pudesse comprometer Brittany.
“Não precisa dizer nada, Fabray. A Brittany já deixou bem claro qual é o meu papel nisso tudo...”
“Do que você está falando?” Quinn perguntou, confusa.
“Ela não te contou?” Santana estreitou o olhar.
“Não me contou o quê?”
O olhar de Santana era penetrante e incisivo. Quinn não vacilou. A latina percebeu então que a loira falava a verdade. “A Brittany está me evitando há dias. Mal olha pra mim, não fala mais comigo.” Santana disse, soando completamente infeliz.
Quinn processou a informação. Brittany não tinha comentado qualquer coisa que fosse de Santana nos últimos dias, mas Quinn sentia o nervosismo crescendo cada vez mais na amiga. “Santana, eu prometo a você que eu não sabia. Eu jamais teria deixado você no escuro sobre isso, assim como não deixei com relação a Carter.” Quinn declarou.
Carter. Santana jamais se acostumaria com aquele nome. “Eu acredito em você, Quinn. Pra falar a verdade, de todas as vezes que você tentou conversar comigo sobre a Brittany e eu não quis, eu entenderia se você soubesse e não falasse nada comigo.” Santana confessou.
“Eu realmente fiz isso no passado.” Quinn admitiu. “Mas eu não pretendo fazer isso de novo, se você estiver disposta a me ouvir.”
Santana assentiu. Ela se lembrava de ter se arrependido amargamente por ignorar Quinn quando o assunto era Brittany, principalmente depois de perceber que ela era a sua única fonte de informação sobre a loirinha. Como se desculpar com Quinn seria a última coisa que ela faria, Santana havia se contentado em pegar furtivamente o celular de Quinn sempre que podia e extrair qualquer informação que pudesse durante todo aquele tempo. Brittany havia se tornado um assunto delicado entre ela e Quinn e isso havia perdurado até a briga que elas haviam tido quando Santana descobrira que Brittany estava em NY e iria trabalhar na Hart.
“Eu não quero ficar me pôr no meio da amizade de vocês. Assim como eu tenho certeza que ela nunca se botou no meio da nossa amizade.” A latina disse. “Pode não parecer, mas saber que ela tem em você uma verdadeira amiga me tranquiliza.” Santana admitiu. “E eu realmente sou grata por todas as vezes que você esteve ao lado dela quando eu não pude estar. Eu não quero tirar isso dela, eu não tenho o direito de tirar isso dela, Q.”
Quinn sorriu de lado. Era ao falar de Brittany que Santana deixava à mostra quem ela realmente era, sem reservas. “Eu não vou me botar em uma situação que isso possa acontecer, ok? Quando for o caso, eu vou ser sincera com você. Apenas isso.” Quinn disse.
A latina assentiu. “Você é uma boa amiga, Fabray.”
“Eu sei. O que seria de você e da Rachel sem mim?” Quinn disse, tentando descontrair a conversa.
“Não força, Fabgay.” Santana revirou os olhos.
Quinn riu, terminando o resto da cerveja. Ela viu Santana assumir uma expressão séria no rosto.
“Posso te perguntar algo?” A latina disse.
A advogada assentiu.
“Como ela é?” Santana perguntou, sem conseguir aplacar sua curiosidade mórbida.
“Eu não conheço muito dela, pra falar a verdade. A Brittany sempre foi extremamente reservada em relação a isso. Talvez pela minha ligação com você. Eu sei que elas se conheceram na universidade, que ela é de Los Angeles mesmo, que ela trabalha com os pais, negócio de família, parece, e por isso ela não veio para NY com a Brittany.”
Santana absorvia as informações. “Há quanto tempo elas namoram?”
“Acho que uns dois anos? Talvez mais.” Quinn respondeu. Ela realmente não sabia ao certo.
“Elas...” A latina hesitou. “Elas moravam juntas em LA?” Ela viu Quinn assentir, suspirando com pesar. “Ela está feliz?”
“San...”
“Por favor, Quinn.” A latina implorou, a voz fraca.
“Ela parecia feliz em LA. Depois de vir pra cá... algo mudou.” Quinn tentou responder da forma mais vaga possível, sem deixar de ser sincera.
“Distância?”
Foi a vez de Quinn respirar fundo. “Não... não exatamente.”
Santana percebeu que a loira não daria mais detalhes do que isso. De todo modo, Quinn já tinha dado a ela muito o que pensar. “Obrigada.” Sussurrou.
Quinn sorriu de lado, segurando no ombro da latina. “Eu só queria que você soubesse que eu torço muito pela felicidade de vocês duas. Não vai ser fácil, mas se você realmente ama a Brittany, não desista, ok?”
Santana assentiu, desviando o olhar rapidamente, tentando esconder os olhos úmidos. “Chega de drama sapatão por hoje, Fabray.” Ela disse. “Eu vou tomar um bom banho e tentar dormir.”
Quinn assentiu. “Eu ainda vou esperar a Rachel voltar.”
Santana arqueou a sobrancelha, sorrindo de lado. A loira admirava a habilidade da latina de expressar seus sentimentos sem dizer uma palavra. O que não a impediu de revirar os olhos. “Nós somos amigas, Santana. E foi ela quem pediu.”
“Se você diz, Fabray.” A latina continuou com o sorriso no rosto ao levantar e ir em direção ao quarto.
Quinn balançou a cabeça, pegando novamente o controle do vídeo game.
“Quinn...” Ela ouviu Santana chamar. A amiga ainda estava no corredor. “Se fosse a Rachel, o que você faria?” A latina perguntou.
“Eu e a Rachel não...”
“O que você faria, Quinn?” Ela insistiu.
Quinn suspirou. Sua mente imediatamente a levou para Finn, mas ela sabia que não era uma comparação equivalente. Ela conhecia Finn e sabia que ele era um completo idiota. Santana não sabia quase nada sobre Carter. Uma imagem começou a se formar em sua cabeça. Rachel e uma mulher desconhecida chegando de mãos dadas no lugar onde ela estava, Rachel apresentando a ela sua namorada, seus olhares se cruzando por um breve momento...
Quinn sentiu algo quente escorrer pelo seu corpo, parecendo queimar cada parte dele, incontrolável... “Eu... eu faria uma merda muito grande.” Ela deixou escapar, se arrependendo no mesmo instante. Aquela era a última coisa que ela queria ter dito para a latina. “Santana, por favor, não faça uma merda muito grande. Isso não vai te ajudar em nada com a Brittany.” Ela tentou corrigir.
Santana riu, sem humor. “Eu não vou fazer nada, Quinn. Mas agora você sabe o quanto custa para mim agir assim.” Ela disse, virando as costas logo em seguida.
Quinn observou a amiga ir, engolindo em seco. A sensação provocada pela cena que ela havia imaginado ainda presente.
Naquele mesmo instante, Rachel entrou pela porta, abrindo um sorriso instantâneo ao ver a loira sentada no sofá, esperando por ela. “Você não vai acreditar no dia que eu tive hoje.” A morena disse, parecendo exausta. “Primeiro a Santana, depois o Kurt...”
“Eu acabei de conversar com a Santana.” Quinn disse.
“Ela está em casa?”
“Foi dormir.”
“Ainda bem.” Rachel respirou aliviada. “Fiquei preocupada dela não voltar pra casa depois do que conversamos. Ela não respondeu minhas mensagens depois, não me atendeu. O Brody me disse que ela não tinha nem despedido dele hoje na Hart. Vim pra casa o mais rápido que eu pude depois da peça.”
“Relaxa, está tudo bem.”
Rachel olhou para Quinn. Algo parecia definitivamente fora do lugar. “Você está bem?”
“Eu? Claro.” A loira sorriu-lhe. Um sorriso que não atingiu seus olhos.
“Quinn...” Rachel sabia que algo estava errado. Ela apenas não sabia o quê.
Quinn amaldiçoou a morena por conhecê-la tão bem. Como ela poderia explicar para Rachel o que ela tinha acabado de imaginar e o que aquilo a tinha feito sentir? Maldita Santana Lopez! A chegada de Rachel havia tornado ainda mais difícil ela se livrar daquela sensação. Por que tudo que envolvia Rachel mexia tanto com ela? “Não é nada, Rach. Sério. É só essa situação da Santana e da Brittany. É muito difícil ver as duas sofrendo desse jeito.” A loira desviou o assunto. Rachel certamente não duvidaria da resposta, uma vez que ela realmente estava se sentindo assim.
A morena pareceu acreditar daquela vez. “Como ela estava?”
Quinn contou da conversa que ela e a latina tiveram. Bom, a maior parte dela. Rachel aproveitou para também contar como tinha sido a sua conversa com Santana e depois o que havia acontecido com Kurt. Falar do moreno havia descontraído o ambiente, arrancando uma séria crise de riso da loira.
“Kurt só de cueca e meias dentro de um provador com cara de choro? E eu perdi essa? Não acredito!” Quinn disse, sem conseguir parar de rir.
“Você diz isso porque não foi com você!” Rachel acompanhou a loira, apreciando melhor o lado cômico daquele momento agora que havia passado.
“Deus, nossos amigos são loucos.” A loira comentou, tentando parar de rir. Ela ajeitou a postura, respirando compassadamente, o sorriso ainda solto em seus lábios.
“O que significa que nós somos loucas.” Rachel disse, balançando a cabeça. O sorriso de Quinn era definitivamente algo para se gravar na memória.
“Somos. Completamente loucas.” Quinn concordou, devolvendo o olhar que a morena lhe direcionava. A adrenalina do riso ainda corria em Quinn e ela podia sentir quase com as mãos a eletricidade que emanava da morena sempre que elas trocavam aquele olhar. O olhar de Quinn não resistiu aos lábios da morena. “Talvez nós...” O coração de Rachel acelerou. “Talvez eu devesse ir dormir. Tenho uma audiência cedo amanhã.” Ela acabou por dizer, a voz rouca.
“Talvez...” Rachel sussurrou, hipnotizada pelos olhos avelãs.
Quinn desviou o olhar. “Boa noite, Rach.” Ela mal conseguiu dizer, antes de levantar e ir embora.
A loira fechou a porta do quarto, tentando se recompor. Mais um segundo na companhia da morena e ela definitivamente não responderia por si. Ela podia sentir o esforço físico que o seu corpo fazia para não voltar até onde Rachel estava. “Você precisa se controlar, Quinn Fabray, antes que você realmente faça uma grande merda.” Ela sussurrou para si, antes de constatar que falar consigo mesma definitivamente não era um bom sinal.
...
Conforme os dias iam passando, Santana se sentia cada vez mais inquieta. Ela mal havia conseguido dormir desde que Rachel tinha lhe dado a notícia de que a namorada de Brittany viria para NY. Toda vez que ela via a loirinha nos corredores o seu coração dava um pulo, mas Brittany continuava agindo da mesma forma. Havia dias que a apatia tomava conta de si e outros dias que um sentimento de frustração e revolta tomava o controle das suas ações. O que era o caso naquele momento. Ela estava tentando manter o foco no ensaio que estava coordenando em um dos teatros da Hart. Porém, a outra coordenadora havia se ausentado aquele dia e ela estava completamente sozinha e sobrecarregada.
Santana já tinha perdido a conta de quantas vezes ela havia se controlado para não descontar o que sentia nos alunos quando um deles errava uma nota ou perdia uma deixa na coreografia. Era tão difícil assim juntar dois neurônios e fazer um passo de dança enquanto cantava? Ela podia fazer aquilo cem vezes melhor enquanto dormia!
“Não, não e não!“ Ela gritou, fazendo sinal para que a música parasse. Ela olhou para uma de suas alunas. “Layla, eu juro que se você perder o tempo da sua entrada mais uma vez eu vou cometer um homicídio triplamente qualificado! E eu tenho uma advogada muito boa para me poupar da prisão!”
A aluna murmurou um pedido de desculpas praticamente inaudível. Santana respirou fundo. “Ok. Mais uma vez, sem erros. Do início.” Santana disse, fazendo sinal para que a apresentação reiniciasse.
“A Quinn não é uma advogada criminal, sabia?” Uma voz soou atrás de si.
Santana se virou rapidamente e viu que ninguém menos do que Britanny havia descido as escadas do teatro até onde ela se encontrava. “O que você está fazendo aqui?” Foi a primeira coisa que veio a sua mente.
“A Kate pediu para eu dar uma passada aqui se pudesse.” A loirinha deu os ombros. Kaitlyn era a coordenadora que havia se ausentado. Ela era a responsável pela coreografia. “Ela disse que você provavelmente ia ficar sobrecarregada de coordenar os ensaios sozinha. Algo sobre você estar mais estressada do que o normal ultimamente.” Brittany disse, fixando seus olhos azuis na latina.
Santana sentiu uma vontade real de enforcar Kaitlyn com suas próprias mãos naquele instante. “Talvez a Kaitlyn devesse vir trabalhar mais e falar menos.” Ela respondeu.
“Só estou aqui para ajudar.” Brittany disse.
“Bom, se você puder fazer com que eles não tropecem nos próprios pés enquanto cantam, eu já considero uma vitória completa.” Santana disse, antes de gritar para que eles parassem a apresentação. Ela anunciou a presença de Brittany como substituta de Kaitlyn aquele dia e pediu para que eles recomeçassem.
A loira imediatamente foi para perto do palco, observando atentamente a apresentação do início ao fim sem interromper. Ao final, Santana observou ela subir ao palco e se aproximar de alguns alunos específicos, às vezes apenas para conversar, outras para demonstrar uma forma melhor de realizar o movimento.
Isso se repetiu algumas vezes e Santana pôde perceber que o nível geral da apresentação havia melhorado consideravelmente, assim como o comprometimento dos alunos.
A latina, contagiada por isso, largou a mesa e o microfone em que ela costumava dar orientações e se juntou à loira no palco, corrigindo a postura e o canto dos alunos, até mesmo ajudando Brittany na demonstração de alguns movimentos e dando uma dica ou duas sobre eles. Santana se surpreendeu quando viu que Brittany retribuía sua ajuda, também revendo ao seu lado a parte do canto. Alguns alunos já tinham presenciado a latina auxiliar em algumas coreografias, mas nunca naquele nível em que ela e Brittany estavam demonstrando. A grande maioria deles ficou ainda mais surpreso com o fato de que a loirinha também sabia cantar, uma vez que ela jamais havia demonstrado aquele talento nas aulas e ensaios.
Elas rodaram a apresentação diversas vezes, aperfeiçoando cada vez mais.
“Ok, pessoal. Mais uma rodada de coreografia e canto perfeitos e a professora Lopez vai finalmente poder dizer um elogio a vocês.” Brittany disse, arrancando o riso da maioria, um ou outro ainda temerosos de expressar algo que pudesse contrariar a latina.
“Ok. Sem gracinhas.” Santana cortou, revirando os olhos. “Quero dedicação e perfeição ou ninguém vai ser liberado daqui hoje. Entendido?” Todos acenaram que sim. “Do início!”
Santana ainda fez com que eles treinassem a rotina mais algumas vezes antes de finalmente liberá-los. Ela sabia que havia exigido muito, mas ela também sabia que ensaios como aqueles eram necessários. À medida que os alunos iam se despedindo e saindo do auditório, ela ficava cada vez mais consciente da presença de Brittany. Ela definitivamente não queria ver a loirinha voltando a tratá-la com indiferença e desconforto agora que elas estavam sozinhas. Em virtude disso, antes que tivesse que encarar Brittany, ela se virou e saiu do palco, indo em direção à mesa.
Santana havia subido poucos degraus quando Brittany a alcançou. “O que você achou?” A loirinha perguntou, alinhando seus passos com o da latina.
“Obrigada pela ajuda.” Santana disse, sem olhar para a loira. “Você realmente melhorou o nível da apresentação.”
“Eu só estava fazendo minha parte. Você exigiu bastante deles. Eu gostei quando você deixou o jeito Sue Sylvester um pouco de lado e deixou transparecer sua paixão pelos palcos. Foi incrível.” Brittany disse, sincera.
Santana sentiu seu coração disparar. “Não é sempre que eu tenho uma inspiração.” A latina deixou escapar, chegando à mesa e começando a arrumar os papeis espalhados por ela.
Brittany corou. “Foi definitivamente você quem foi a inspiração hoje.” Ela disse, observando uma série de partituras, cronogramas, rascunhos de ensaios e o roteiro da apresentação recheado de inúmeras anotações.
“Você deveria aparecer por aqui mais vezes.” Santana convidou, guardando tudo em uma pasta e finalmente olhando para Brittany. “A magia começa quando eles aprendem de cor o que cada um precisa fazer de forma perfeita. E isso só se alcança treinando e ensaiando exaustivamente. Todos são mais do que capazes de cantar e dançar individualmente. A grande dificuldade é dar a cada apresentação uma história e significado próprios. É quando a arte começa e realmente fica bonito de se ver.”
Os olhos azuis brilhavam ao encarar a latina e Brittany tentava com todas as forças manter uma expressão impassível quando o que ela mais queria era derramar sobre Santana toda a sua admiração e paixão pelo que a latina havia dito, por como a latina havia dito, pelo que ela havia testemunhado Santana fazer com os alunos. Era uma perspectiva completamente nova para ela, ver Santana daquela forma, adulta, profissional, professora, exigente, bem-sucedida e admirada quase que reverencialmente por todos os alunos, que se penduravam em cada palavra dita por ela. Era a mesma Santana que ela tanto havia amado e ao mesmo tempo não era. E isso só a instigava a querer conhecer ou reconhecer aquela pessoa diante de si, a querer ela perto...
“Eu... eu tenho que ir.” Ela quebrou o momento. “Qualquer coisa que você e a Kate precisarem eu estou à disposição.” Ela deu um meio sorriso, saindo rapidamente em seguida.
Santana observou a loira ir, sem reação. O que havia acontecido ali? Em um momento ela e Brittany pareciam finalmente estar se entendendo e no outro a loira se fechava completamente e ia embora praticamente fugindo dali. Não, ela não podia mais permitir que as coisas ficassem daquela forma entre elas, não depois da tarde que elas haviam passado, não depois de sentir o quanto a presença de Brittany ao seu lado a fazia uma pessoa melhor, o quanto elas se encaixavam sem esforço, o quanto ela era incompleta sem a loira em sua vida...
A latina soltou ali mesmo a pasta que segurava e saiu do auditório, criando coragem pelo caminho. Ela precisava falar com Brittany antes que aquele momento passasse. Ao se aproximar da sala de Brittany, ela diminuiu os passos. Quase na porta, ela se deteve, tentando controlar a sua respiração.
Mas, antes que ela pudesse finalmente dar um passo adiante, ela ouviu a voz da loira ecoar no corredor.
“Pode deixar, meu amor. Eu vou ser a primeira pessoa que você vai ver no portão de desembarque. Prometo.” Santana ouviu a loira dizer. “Eu não vejo a hora de te ver, te abraçar, sentir você...”
A latina se recostou na parede do lado de fora da sala da loira. Ela queria sair correndo dali, mas seus pés pareciam grudados ao chão.
“Estou contando os segundos...”
As lágrimas desceram sem esforço pelo rosto da latina, impossíveis de segurar.
“Eu também amo você... muito! Dê um abraço nos seus pais por mim, ok? Diga a eles que eu também estou com saudades.”
Aquela foi a última coisa que Santana não conseguiu deixar de ouvir antes que ela recobrasse o controle das suas pernas e saísse dali, completamente desnorteada. Seus pés a guiaram de volta para o teatro vazio, onde apenas alguns minutos antes ela tivera a inocência de pensar que as coisas poderiam ser diferentes entre ela e Brittany, que ela ainda tinha a mais ínfima chance de fazer diferente. Ela subiu no palco e foi em direção a um dos acessos laterais, subindo até alcançar uma das passarelas logo abaixo do teto, onde o pessoal da iluminação costumava transitar e ela costumava se refugiar após um ensaio particularmente estressante para poder fumar. Mas, naquele momento, ela nem mesmo sentia vontade de fumar. Ela sentou ao canto, escondida do mundo, sentindo uma náusea tomar conta de todo o seu corpo.
Rachel estava errada. Quinn estava errada. Todas as histórias de amor estavam completamente erradas! Por que ninguém enxergava isso? Ela e Brittany tinham acabado para sempre. Tinha sido o fim. E ela tinha sido estúpida o suficiente para acreditar que de alguma forma a vida tinha dado a ela mais uma chance de fazer o certo.
As palavras proferidas por Brittany queimavam em sua cabeça, rodando sem parar, sem descanso, ferindo cada vez mais fundo, em uma espiral de dor e autodesprezo. Brittany havia seguido com a sua vida. Ela tinha se mudado para uma cidade do outro lado do país para fazer faculdade e havia tido experiências e momentos que ela jamais saberia sobre e conhecido inúmeras pessoas sobre quem ela jamais ouviria. Ela tinha encontrado um amor. Um outro amor. Ela havia se tornado uma mulher, uma profissional, uma outra pessoa e ela não estivera ao seu lado para presenciar nada daquilo. Quem era ela na vida de Brittany? Ela era uma intrusa, uma estranha. Ela pertencia ao passado, um passado que a loira provavelmente queria esquecer, um passado que parecia que a loira já havia esquecido.
Todos haviam seguido em frente. Até mesmo Rachel havia seguido em frente. A única que ainda parecia viver no passado era ela, pensou, se sentindo completamente sozinha.
...
Quinn sabia que estava atrasada, se o toque incessante do seu celular fosse qualquer indicação. Ela ainda estava a alguns minutos de distância de NYADA, a caminho da colação de grau de Kurt. Ela dirigia o mais rápido que o trânsito permitia, torcendo para que tudo estivesse bem na sua ausência.
Assim que estacionou o carro, ela pegou seu celular. Depois do acidente, ela jamais havia cometido o mesmo erro. Além das usuais mensagens perguntando onde ela estava e quando chegaria, havia algumas ligações de Brittany e uma última mensagem dizendo que ela e Carter estavam esperando logo na entrada do prédio principal de NYADA. Ela retocou rapidamente sua maquiagem e cabelo, indo ao encontro da amiga.
Assim que Brittany a avistou, a advogada percebeu um sorriso de alívio no rosto da amiga.
“Mil desculpas, eu fiquei presa em uma audiência...” Ela chegou dizendo.
Brittany apenas a abraçou apertado e então se virou para a morena ao seu lado. “Quinn, esta é Carter, minha namorada.” Apresentou, sorrindo.
A morena também sorriu e a cumprimentou gentilmente. “Eu não acredito que estou finalmente conhecendo você.” Ela disse.
Quinn riu. “Eu também. Mais algumas semanas e eu definitivamente iria encerrar o caso namorada imaginária da Brittany.”
Ambas riram e Brittany fingiu estar ofendida. “Hey! Carne e osso, viu?” Ela apontou para Carter.
O celular de Quinn vibrou em suas mãos. Era mais uma mensagem de Rachel perguntando onde ela estava. “Vamos?” Ela disse, respondendo rapidamente a morena.
“Vamos!” Brittany respondeu.
As três adentraram no prédio, com Quinn guiando o caminho. A formatura de Rachel e Santana havia sido no mesmo lugar não fazia muito tempo. Depois de muitos corredores, elas finalmente chegaram ao átrio, onde a maioria das pessoas pareciam ainda estar reunidas, aguardando para entrar no auditório. Ela logo registrou a presença de Rachel, Santana e Brody um pouco mais distantes da entrada. Pelo canto do olho, ela percebeu que Carter havia sutilmente entrelaçado sua mão a de Brittany.
Rachel foi a primeira a perceber a aproximação delas, trocando rapidamente um olhar com Quinn antes de se adiantar e cumprimentar Brittany e Carter, em uma tentativa de logo quebrar o gelo. A loirinha aproveitou para apresentar a namorada ao grupo. Brody as cumprimentou de forma simpática e Santana apenas acenou com a cabeça, fixando o olhar nas mãos entrelaçadas do casal, mas logo desviando-o para olhar ao redor. Quinn podia sentir o quanto a latina parecia desconfortável. Rachel rapidamente introduziu um assunto qualquer sobre LA, o que retirou o olhar curioso de Carter sobre Santana. Brittany parecia não ter movido um músculo sequer.
“Respira.” Quinn sussurrou no ouvido da loirinha. Brittany a obedeceu. Com um sorriso fraco, ela adentrou na conversa entre Rachel e Carter, parecendo relaxar consideravelmente, mesmo que a sua postura ainda denotasse uma certa tensão.
A advogada agradeceu aos céus por Rachel. Brody e Santana sussurravam um com outro, um pouco a parte. Quinn se aproximou dos dois.
“Por que vocês ainda não entraram? Eu pensei que estava atrasada.” Ela comentou.
“O voo do Burt e da Carole atrasou, o Blaine teve que ir pegar eles no aeroporto e o Kurt está surtando lá dentro, tentando segurar ao máximo o início.” Santana resumiu.
“Wow. Alguém já foi lá falar com o Kurt?”
“A Rachel voltou de lá um pouco antes de você chegar.” Brody informou. “Acho que eles fecharam a ala só para os formandos e o pessoal do cerimonial.”
“Resumindo, a Rachel foi expulsa de lá por ser chata pra ca....” Santana tentou dizer.
“Hey, eu estou ouvido você!” A própria Rachel disse.
A latina levantou as mãos em rendição. “Dizendo apenas verdades.”
Rachel revirou os olhos enquanto Quinn e Brody riam. Até mesmo Brittany deu um sorriso. Carter era a única que parecia não ter entendido a situação, parecendo um pouco perdida com a interação. Rachel então começou a explicar para ela e Brittany o que estava acontecendo. Santana revirou os olhos, cruzando os braços. Por sorte, apenas Quinn viu o gesto, censurando a latina com o olhar.
“Blaine!” Quinn ouviu Rachel chamar.
Quinn seguiu o olhar da morena e também avistou Blaine. Ele parecia perdido, virando na direção de onde eles estavam. Assim que viu o grupo, ele se dirigiu rapidamente até eles, bastante agitado.
“Que bom que eu encontrei vocês...” Ele disse, meio sem fôlego.
“Calma, ainda não começou.” Rachel disse, apontando ao redor, uma quantidade razoável de pessoas ainda por ali. “Cadê o Burt e a Carole? Você não tinha ido buscar os dois?”
“Eles já estão vindo. Eu disse a eles que vinha correndo na frente para ver se já tinha começado porque eu queria falar com você primeiro. Rachel, eu prometo que a gente não sabia, ok?” Ele disse.
Rachel franziu a sobrancelha, sem entender. Até que uma voz familiar ecoou atrás de Quinn.
“Ei, pessoal!” Finn disse, acenando para todos. Burt e Carole vinham logo atrás, sorrindo.
Quinn e Santana congelaram imediatamente. Brittany foi a primeira a cumprimentar o moreno alto, apresentando Carter a ele e Blaine. Quinn se recuperou rapidamente do choque, indo cumprimentar Burt e Carole. Rachel e Santana fizeram o mesmo.
“Oh, hey, eu não conheço você.” Finn disse, estendendo a mão para Brody.
Brody olhou o moreno de cima a baixo, apertando a mão de Finn com um pouco mais de força que o necessário. Finn rapidamente soltou a mão. “Prazer, Brody.” Ele se limitou a dizer.
“Acho que eu já ouvi falar de você.” Finn disse, estreitando o olhar.
“Você definitivamente já ouviu falar de mim.” Brody respondeu.
Antes que Finn pudesse responder, Santana se aproximou deles. “Vejo que você já conheceu o Brody.” A latina disse para o moreno alto, se postando ao lado do amigo. “Não achei que você fosse dar as caras por aqui sendo que absolutamente ninguém deve ter te convidado.”
“O Kurt é meu irmão, Santana.” Finn disse, entre dentes.
“É, infelizmente tem esse detalhe.” A latina respondeu, fazendo pouco caso.
“Detalhe? Eu...”
“Tudo bem por aqui?” Rachel se aproximou deles, já pressentindo o perigo.
“Tudo ótimo.” Santana respondeu. “Eu só estava apresentando o Brody para o Hudson.” Ela disse, em um tom completamente inocente que não enganava a morena.
“Hey, Rach...” Finn disse, meio sem saber como cumprimentar a morena.
“Oi, Finn. Que bom que você veio prestigiar o Kurt. Ele vai ficar feliz com a sua presença.” Ela disse, sorrindo educadamente para o rapaz.
“É, ele vai ficar realmente feliz que você veio.” A voz de Quinn soou ao lado da morena.
Rachel sentiu o olhar de Quinn queimando sobre Finn.
“Eu decidi fazer uma surpresa. Só o Burt e a minha mãe sabiam.” O moreno respondeu.
“Bom, vamos?” Blaine disse. “O Kurt acabou de me mandar mensagem. A cerimônia vai começar a qualquer momento.”
Todos concordaram. Burt, Carole e Finn seguiram Blaine. Brittany e Carter foram logo atrás, acompanhadas por Quinn. Rachel, Brody e Santana fecharam a fila. Eles mal tiveram tempo de se acomodar na fila de cadeiras reservada com a placa “Hummel” e as luzes da plateia diminuíram, em contraste com o palco, que se acendeu completamente.
Diferentemente das colações de grau comuns, a cerimônia de NYADA possuía algumas peculiaridades, entre elas performances dos formandos em duplas ou trios e até mesmo em conjunto com alguns professores. Era realmente o ponto alto da cerimônia. Na época, Rachel e Santana haviam feito uma apresentação de receber aplausos de pé de todo o auditório. Quinn lembrava o quanto tinha sido incrível ver as duas amigas performando juntas.
Kurt surpreendeu a todos na sua vez, convidando Blaine a se apresentar junto com ele. Apenas Rachel sabia que os dois estavam ensaiando há semanas, depois que Madame Tibideoux havia dado permissão para Blaine também se apresentar, quebrando o protocolo. Ela havia até mesmo comparecido a alguns ensaios dos dois, dando um palpite ou dois.
Ainda assim, ver a versão final da apresentação a estava arrepiando completamente. Havia tanto amor e entrega nos olhares trocados pelos dois que era impossível para a morena se manter indiferente. Seu olhar imediatamente buscou uma certa loira sentada ao seu lado. Ela percebeu que Quinn estava igualmente emocionada. Em um gesto repentino de coragem, a mão da morena, antes descansando em seu colo, tentativamente se aproximou da mão de Quinn, que repousava entre os assentos de ambas. O mero do toque das pontas dos dedos de Rachel em sua mão foi o suficiente para Quinn sentir seu coração acelerar dolorosamente no peito e o seu corpo inteiro afundar em uma espécie de estado sensível, como se todas as suas terminações nervosas estivessem focadas apenas naquela parte do seu corpo em que a morena havia tocado.
Por impulso, a loira não permitiu que aquele contato se desfizesse, prendendo os dedos de Rachel aos seus e sentindo suas mãos se buscarem e se entrelaçarem quase que instantaneamente. Rachel fechou os olhos por um momento, tendo a certeza de que ela nunca havia se sentido tão conectada a alguém quanto ela se sentia de Quinn naquele momento. Ela ouviu a loira suspirar longamente ao seu lado, sentindo o encaixe perfeito entre suas mãos.
O que havia entre elas transbordava naquela conexão entre seus corpos, fluindo entre uma e outra como se tivesse vida própria, como se reclamasse para si algo que sempre fora delas por direito. E assim elas permaneceram, sem olhares ou palavras, apenas pertencendo uma a outra. Mesmo que fosse só por aquele momento. Ao final, o contato se desfez por mero capricho do destino, que exigia aplausos para a apresentação impecável de Kurt e Blaine. A sensação permaneceu, porém, uma vez que o encontro entre elas era sempre um encontro de almas, ainda que, por vezes, a matéria reclamasse o papel principal.
O restante da cerimônia passou como um borrão para Quinn. Ela perdeu as contas de quantas fotos ela tirou de Kurt recebendo o seu diploma, jogando o capelo ao ar junto com os demais formandos e realizando um breve e emocionante discurso sobre pais, aqueles presentes e os que não estavam mais neste mundo para presenciar aquele momento. Com o fim da cerimônia, todos se dirigiram de volta ao átrio, esperando por Kurt. Ele apareceu alguns minutos mais tarde, completamente esbaforido e feliz. Na sua vez, Quinn trocou um apertado abraço com ele, desejando toda sorte do mundo ao amigo e deixando claro o quanto ela acreditava no seu talento desde o colégio, lembrando do que Rachel havia lhe contado alguns dias atrás.
“Vamos todos lá pra casa?” Kurt disse, depois de finalmente tirar a beca. “Eu não consegui comer absolutamente nada o dia todo! Estou completamente faminto!”
Havia alguns amigos de Kurt e Blaine que haviam se juntado ao grupo naquele meio tempo. Todos concordaram e o grupo rapidamente se dividiu para ir para o jantar. Quinn presenciou Finn se aproximar de Rachel e comentar se poderia ir no carro dela, dizendo ser mais confortável para sua mãe e Burt irem sem ele no banco de trás do carro do irmão. A morena concordou e Quinn tentou controlar seus nervos no caminho até o estacionamento, tentando se distrair com Brittany e Carter. Ela abriu o seu carro e as duas entraram. Brittany no banco do carona e Carter atrás dela. Não muito longe, Rachel abriu o dela e Quinn viu Santana rapidamente ultrapassar Finn e tomar o banco do carona e Brody entrar no banco de trás pelo lado do motorista, restando a Finn sentar no banco de trás atrás da latina, com uma expressão contrariada no rosto. Como ela amava Santana!
“Não dá pra acreditar nesse idiota...” Quinn resmungou enquanto entrava no próprio carro.
“Quinn, por favor, se comporte.” Brittany disse, tendo ouvido o que a loira havia dito e rindo da amiga. “Eu sei que é difícil, mas ele é irmão do Kurt e a mãe dele está aqui.” Ela avisou.
Quinn balançou a cabeça, conformada. “Eu sei.”
“Ele quem?” Carter perguntou, curiosa. “O moreno alto? Linn?”
Quinn gargalhou. Brittany riu também. “É Finn, meu amor. E sim. É ele. Longa história.” A loirinha disse.
“Resumo?” Carter sugeriu, como se soubesse que a namorada não fosse dar muitos detalhes.
“Ex-noivo da Rachel. Completo babaca.” A advogada resumiu. Brittany concordou.
“Evitar o Finn. Entendi.” A morena disse.
“Eu gosto do jeito que você pensa.” Quinn sorriu.
“Finn é irmão do Kurt, certo?” Carter disse.
“Bom, não irmão de sangue. Burt é pai do Kurt e a Carole é mãe do Finn. Os dois ficaram juntos quando a gente estava no ensino médio e eles meio que viraram uma família.” Quinn explicou.
“Então, Finn é ex-noivo da Rachel, irmão não de sangue do Kurt. Rachel é ex-noiva do Finn e amiga do Kurt. Confuso.” Carter disse e ambas riram. “E todos moram em NY?”
“Não, não. O Kurt e a Rachel sim, mas o Finn não, ele ainda mora em Lima.”
“E por isso a surpresa dele estar aqui?” Ela perguntou, vendo Quinn assentir. “Acho que entendi melhor agora.”
“Não se preocupe, você logo vai se enturmar.” A loira a tranquilizou. “Realmente leva um tempo até você entender o nosso grupo de desajustados.” A advogada sorriu.
“Existem muitas histórias entre vocês, né?” Carter comentou.
Quinn concordou, percebendo pelo retrovisor que a morena arriscou um olhar de relance para a namorada. Brittany não tinha dito uma palavra sequer durante toda a conversa e não dava sinais de que o fosse. Aquele era definitivamente um ponto de tensão entre elas.
O restante da viagem foi feito no mais completo silêncio. Quinn se sentiu aliviada ao finalmente chegar no apartamento de Kurt. Ela estacionou logo ao lado do prédio. “Chegamos. Vamos?” Ela disse, saindo do carro. Ela percebeu que o carro de Rachel já estava ali, estacionado alguns carros a sua frente e que eles provavelmente já tinham subido.
Não demorou muito e Blaine as recebeu, recolhendo os casacos das três. “Fiquem à vontade, meninas. Quinn, você já é de casa. Britt e Carter, a mesa dos aperitivos e vinho estão logo ali, a geladeira está liberada para quem gosta de cerveja e o jantar logo vai ser servido.”
Quinn adentrou um pouco mais no apartamento, uma música suave tocava ao fundo e a loira definitivamente tinha que admitir que Kurt e Blaine sabiam dar um jantar. O apartamento estava impecavelmente decorado e iluminado, ao mesmo tempo em que havia uma sensação de aconchego e um cheiro delicioso de comida recém feita. A sala ela bastante ampla para um apartamento de NY e a cozinha era em um estilo americano.
“Blaine, o apartamento de vocês é lindo!” Brittany disse.
“Eu ia dizer a mesma coisa!” Carter concordou.
“Obrigado, meninas. O Kurt vai simplesmente se derreter com o elogio.” Ele disse, sorrindo carinhosamente ao falar do noivo.
Blaine foi guiando o casal pelo apartamento, dando a elas um pequeno tour até onde Kurt estava, cercado de alguns amigos. Quinn se deixou ficar pra trás, deixando com que Brittany e Carter aproveitassem a companhia deles. Rachel e Santana estavam perto da janela da sala de estar, enquanto Finn, Burt e, para a surpresa de Quinn, Brody, conversavam perto da mesa dos aperitivos. Bom, Burt e Brody conversavam, enquanto Finn permanecia estranhamente quieto, bebendo sua cerveja. Quinn percebeu que Carole estava na cozinha e se aproximou dela.
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Carole olhou para ela e sorriu gentilmente. “Não precisa, Quinn. Graças a Deus os meninos pediram o jantar de um restaurante que eles gostam. Não daria nem tempo de fazer nada, já que só conseguimos pegar o voo hoje. Eu só estou organizando as coisas para servir quando for a hora. Faço isso com a mão nas costas.”
“Tem certeza?” Quinn insistiu.
“Vá se divertir com os seus amigos, minha querida. Daqui a cinco minutos eu vou me juntar a vocês com um bom vinho em mãos.” Ela sorriu. “Apenas leve essa cerveja para o Burt pra mim?” Ela disse, abrindo a geladeira e entregando a bebida para loira.
A advogada assentiu, pegando a bebida
“Obrigada, querida.” Carole sorriu. “E Quinn?” Ela chamou a loira, que já estava se virando para ir embora. “Fico feliz de ver como vocês parecem bem aqui em NY, felizes. O Kurt é como se fosse meu filho também, vocês sabem disso. Estou muito orgulhosa de vocês.” Ela sorriu carinhosamente.
“Obrigada.” Quinn disse, retribuindo o gesto, totalmente surpresa pelo o que fora dito e sem saber muito bem como responder.
No caminho, ela entregou a cerveja a Burt, que lhe abraçou de lado carinhosamente, agradecendo-a. Ela percebeu que ele e Brody conversavam sobre basquete. Quinn piscou para o amigo e saiu, se juntando a Rachel e Santana. A morena abriu um sorriso assim que seus olhares se cruzaram, esquentando o coração da loira. Santana não pareceu perceber a interação, seu olhar focado em Brittany e Carter.
“Eu preciso de mais cerveja.” A latina anunciou, saindo em direção à cozinha.
Rachel e Quinn trocaram olhares, mas nada disseram, deixando com que a latina fosse. A morena continuou seguindo Santana com o olhar, porém, uma evidente preocupação no rosto. Quinn fez o mesmo e ambas ficaram um pouco mais aliviadas quando viram Brody se juntar a latina, ambos permanecendo na cozinha, conversando.
“Então...” Quinn se virou para a morena. “Como foi a carona até aqui?” Ela arqueou a sobrancelha.
“Maravilhosa.” Rachel respondeu, ironicamente. “Mais alguns minutos e provavelmente Santana teria matado o Finn.”
“Você pode culpá-la?” Quinn arqueou a sobrancelha.
“Na verdade, não.” A morena respondeu. “E o Finn é bem grandinho, pode cuidar das suas próprias batalhas, como todo mundo.”
Quinn franziu a testa com aquela resposta, completamente surpresa. Rachel revirou os olhos.
“Você poderia pelo menos fingir um pouco menos de surpresa com o que eu disse, Fabray.” Ela disse, sorrindo de lado.
“Você pode me culpar?” A loira sussurrou, se apoiando no parapeito da janela.
“Não.” Ela respondeu, olhando para baixo. “Não mesmo.”
“Hey, o que foi?” A loira perguntou, notando a mudança de humor da morena.
“É só... a presença do Finn. Eu não sei explicar.” Rachel disse.
Quinn sentiu seu coração afundar. “Tente.” Ela murmurou roucamente.
A morena suspirou. “O Blaine saiu correndo só para me dizer que ele estava aqui. O Brody o está encarando desde que ele chegou, como se estivesse marcando algum tipo de território. A Santana eu nem preciso dizer. E, bom, você, com todas essas indiretas e esse olhar capaz de matar qualquer um...” Rachel disse. “Eu sei que vocês não fazem por mal, mas eu não preciso disso, não mais. Essas atitudes só me fazem lembrar de quem eu costumava ser na frente dele. Eu não sou mais essa pessoa, Quinn.” Ela afirmou, séria. “Eu não estou querendo soar como se eu fosse ingrata por vocês quererem me proteger. O que eu estou querendo dizer é que eu queria, não sei, que vocês tivessem um pouco mais de confiança em mim?”
Quinn não sabia bem ao certo o que dizer diante daquele desabafo. Ela nem sempre havia agido assim. A confissão de Rachel de que havia transado com Finn no ano anterior havia mudado tudo, porém. E aquilo havia se agravado pelo o que acontecera entre elas depois e pelo comportamento de Rachel em Lima.
Ao ver que a loira hesitava em dizer alguma coisa, a morena sorriu, triste. “Estou pedindo demais, não é? Eu sei que você não confia em mim. E tem todos os motivos pra isso.” Rachel disse, parecendo completamente infeliz com aquela afirmação.
“Rachel...” Quinn sussurrou.
“Eu vou ver se a Santana está bem.” A morena anunciou, indo embora, sem querer encarar o olhar condescendente de Quinn direcionado a ela.
Antes que a loira pudesse processar o que havia acabado de acontecer, Kurt pediu para que todos sentassem à mesa, que o jantar seria servido. Quinn buscou o olhar de Brittany e a amiga foi ao seu encontro. Por um capricho do destino, a primeira cadeira vaga ao chegar na mesa era de frente para Rachel. Ela se sentou. Finn ocupava um lado da morena, enquanto Santana ocupava o outro. Tarde demais, Quinn percebeu que para sentar ao seu lado, Brittany teria que se sentar de frente para Santana. Hesitante, mas percebendo estar sem opções, foi o que a loirinha fez, restando a Carter e Brody os últimos lugares.
Quinn fez o melhor que pôde para entreter Brittany e Carter, mas o fato de Finn estar sentado ao lado de Rachel, a toda hora sussurrando algo em seu ouvido e sorrindo para a morena, realmente estava mexendo com ela. O que Rachel havia dito martelava em sua cabeça. Ela queria desfazer aquela situação, mas a morena parecia evitar o seu olhar, concentrando sua atenção em Santana quando Finn não roubava seu foco.
A loira também podia sentir o desconforto de Brittany por estar de frente para Santana. A dançarina evitava a todo o custo engajar em uma conversa que a levasse a interagir com a latina, por mais que Carter estivesse extremamente receptiva e simpática com todos. Santana também tentava a todo o custo evitar que seu olhar se demorasse no casal, ainda que um olhar ou outro cruzasse com Brittany, que rapidamente desviava.
Apesar disso, considerando todos os fatores, Quinn achava que tudo estava indo melhor do que ela podia esperar.
“Como estão indo os ensaios?” Ela ouviu Brody perguntar a Santana.
A latina abriu um raro sorriso. “Faltando alguns detalhes ainda. Esse grupo está realmente me surpreendendo. Depois que...” A latina pausou, parecendo se conter, direcionando um rápido olhar para Brittany. “Depois de alguns ajustes importantes que foram feitos, eles estão muito inspirados e dedicados.”
Quinn mal escutou o que Brody respondia, sua atenção direcionada para o olhar significativo que estava sendo trocado entre Santana e Brittany. Essa troca também não passou despercebida por Carter.
“Você está participando desses ensaios?” Carter sussurrou para a namorada, seu olhar indo de Santana para Brittany.
“Não.” Brittany respondeu, rápido demais. “Quer dizer, eu auxiliei a Santana um dia.” Ela explicou, hesitante.
“Oh... entendi.” Carter disse. “Seria legal se você tivesse comentado comigo.”
“Devo ter esquecido. Não foi nada importante.” Brittany deu de ombros, sorrindo para a namorada.
Elas conversavam em um tom baixo, só para elas. Mas Quinn tinha certeza de que se ela estava ouvindo, Santana também estava, mesmo que parecesse profundamente entretida no que Brody dizia. Quinn testemunhou a prova disso, vendo a expressão de Santana se transformar no exato momento em que Brittany dissera que a ajuda que havia dado a latina não havia sido importante.
Santana se levantou de repente, chamando mais atenção do que gostaria com o movimento brusco. “Eu... eu preciso de um pouco de ar.” Ela disse, sem jeito, saindo em seguida.
Brittany fez menção de se levantar, como se fosse seguir a latina, mas pareceu cair em si no meio do caminho. Carter olhou para ela, indagativa. Ela então se deteve, assumindo uma expressão infeliz.
Rachel, percebendo a situação, se levantou. “Eu vou ver se está tudo bem com ela.” Sussurrou para Quinn, levantando e seguindo os passos da latina.
Kurt, na outra ponta da mesa, percebeu a movimentação. “Onde elas foram?” Ele perguntou para Quinn. “Eu ia servir a sobremesa agora.”
“Pode servir. Elas não vão demorar.” A loira mentiu, arriscando um sorriso, vendo o moreno assentir.
Ao seu lado, Brittany e Carter começaram a sussurrar entre si, alheias a todo o resto. Quinn desviou a atenção do casal, tentando dar a elas privacidade. Ela pegou seu celular, enviando uma mensagem a Rachel, que lhe respondeu que tudo estava bem. Kurt e Blaine logo voltaram com duas magníficas tortas, distraindo a todos.
Não muito tempo depois, Brittany anunciou que ela e Carter iam embora. Quinn ainda tentou convencer a amiga de levar ela e Carter em casa, mas a loirinha recusou veementemente, dizendo que elas apenas iam se despedir de Kurt e Blaine. A loira observou o casal trocar algumas palavras com os amigos antes de se dirigirem novamente a ela, que as acompanhou até a porta. Ela e Brittany trocaram um forte abraço. Carter se limitou a acenar em despedida. Quinn observou o casal ir embora. Carter não parecia nada feliz, em contraste de como ela havia chegado, o mesmo servia para Brittany. Ela fechou a porta, sentindo-se extremamente triste pela amiga.
Ela e Brody conversavam em um dos sofás quando Rachel e Santana voltaram para sala, logo dirigindo para onde eles estavam, mas Kurt interceptou Rachel no meio do caminho e apenas Santana chegou até eles. A latina parecia estranhamente calma.
“Ela foi embora?” Santana perguntou, olhando ao redor.
Quinn assentiu.
“Pelo menos eu não tenho mais como estragar a comemoração do Kurt.” A latina respondeu, roubando para ela a cerveja que Brody segurava.
“Considerando tudo, eu diria que você agiu muito bem.” O moreno disse, sorrindo triste para ela.
Quinn desviou a atenção dos dois, vendo que Kurt vinha na direção deles, mas estava sozinho. Ela não precisou procurar muito para ver que Rachel e Finn conversavam ao longe. Antes que ela mesma estragasse a comemoração de Kurt, ela voltou sua atenção para os amigos.
“Não está fácil pra ninguém hoje, está?” Brody comentou com ela, percebendo a expressão de poucos amigos no rosto da loira e lançando um olhar na direção de Finn e Rachel.
Quinn evitou fazer o mesmo, o que a morena havia dito mais cedo ecoando em sua mente. “Algum dia esteve fácil?” Ela respondeu, suspirando.
Por mais que ela tentasse, ela não conseguia se desfazer da imagem de Finn e Rachel juntos. Apenas ver o moreno alto perto de Rachel, conversando com ela, sorrindo para ela, despertava algo dentro de si. Era impressionante como ela jamais havia conseguido permanecer em paz com aquela cena. O primeiro motivo, quando ela ainda namorava o moreno, havia sido por ciúmes de Rachel. O segundo, depois que ela e Finn já havia se tornado algo de um passado que ela queria esquecer, havia sido por pensar que a presença de Finn na vida de Rachel era um peso que trazia a morena para baixo, motivo este que só ia se agravando quanto mais o tempo passava e ela e Rachel se aproximavam, enquanto Finn ia revelando suas verdadeiras cores. O terceiro motivo, como obra do destino para virar mais uma vez a sua vida de cabeça para a baixo, era o mais desconcertante de todos. Ela havia morrido de ciúmes de Finn em Lima e ela estava morrendo de ciúmes de Finn agora, ao ponto de não conseguir olhar para os dois sem sentir seu peito arder, uma crescente vontade de marchar até o moreno e fazer com que ele sumisse para nunca mais voltar...
Ela andava pelos corredores do McKinley como se ela jamais tivesse deixado de usar aquele uniforme. Ela estava feliz, muito feliz... Mas ainda havia algo, ainda havia uma coisa que ela não havia conseguido resolver.
“Hey...” Ela chamou uma certa morena de costas para ela. Rachel parou e se virou no mesmo instante. “Como eu estou? A Treinadora Sylvester deu ele para mim mais cedo e eu não consegui resistir.” Comentou, se aproximando.
Rachel olhou para ela, a mágoa ainda presente. “Eu estou feliz que você esteja feliz. Todo mundo merece ser feliz.” A morena disse.
Quinn leu as entrelinhas do que Rachel havia dito. Rachel queria o seu apoio para ser feliz. E isso, para a morena, significava casar com Finn.
“Quando você cantou aquela música, você estava cantando para o Finn e somente para ele, certo?” Quinn perguntou, séria, encarando a morena nos olhos. Ela precisava ter certeza de que aquilo era o que Rachel realmente queria.
A morena assentiu.
“Ele realmente faz você feliz. Eu quero apoiar você, Rachel. E Finn.” Quinn disse, vendo o sorriso se abrir no rosto da morena. “E ir ao casamento, se não for tarde mais.” Ela mesma sorriu, contagiada pela alegria de Rachel.
Emocionada e sem conseguir dizer uma palavra, Rachel apenas riu e a abraçou. Quinn correspondeu ao abraço, sentindo uma incrível paz naquele momento.
Essa paz, porém, não havia durado muito tempo. Ela não havia durado quase nada.
Quinn sabia que aquela era a última coisa que deveria estar pensando caso quisesse controlar suas emoções e respeitar as decisões da morena. Rachel estava claramente pedindo a ela um voto de confiança em relação a Finn. Mais um. Porém, daquela vez, a questão para Quinn era muito mais complexa. Por mais que a loira quisesse negar, todo o problema ali eram os seus sentimentos. Não sobre a morena, mas pela morena. Sentimentos grandes demais para que ela conseguisse disfarçar por um senso de proteção, grandes demais para que ela conseguisse apaziguar o seu interior, grandes demais para que ela conseguisse negá-los para si mesma...
Ela viu a morena se desvencilhar de Finn, parecendo um pouco irritada, e ir em direção ao banheiro. Quinn aproveitou o momento, seguindo os passos da morena e abrindo a porta do banheiro onde ela havia entrado momentos antes.
“Quinn!” Rachel assustou-se com a entrada repentina da loira.
“Eu só vim checar se estava tudo bem com você.” Quinn disse, fechando a porta atrás de si e recostando-se nela. “Eu percebi que você veio para cá parecendo irritada. Não que eu estivesse olhando vocês, porque eu não estava!” Ela emendou. “Só aconteceu de eu estar olhando no momento em que você saiu.” A loira finalizou de forma tosca, censurando-se por dentro.
Rachel assentiu. “Está tudo bem, Quinn.” Ela disse, ainda evitando o seu olhar.
“Desculpa.” Quinn sussurrou. “Desculpa por agir dessa forma na frente do Finn.” Ela esclareceu. “Você entendeu tudo errado. Eu confio em você, Rach. Eu sei que você mudou. Eu sei que você não precisa de mim para se defender. Você se tornou uma mulher incrível, independente, dona de si. Até nos seus piores momentos. Eu não quero salvar você do Finn ou de quem quer que seja.”
“O que você quer, então?” A morena questionou, se aproximando.
“Eu quero...” Quinn hesitou. “Eu queria...” Ela engoliu em seco, desviando o olhar dos intensos olhos castanhos. “Nada, eu não quero nada.”
A morena buscou de volta os olhos avelãs. “Você acabou de dizer que confia em mim, que eu sou uma mulher incrível, independente, dona de mim...”
Quinn confirmava com a cabeça tudo o que era dito por Rachel, seu corpo já sentindo os efeitos da aproximação da morena.
“E que eu entendi tudo errado.” Rachel parou a sua frente. “Então por que você, ainda assim, age dessa forma na frente do Finn?” A morena perguntou, em cheio.
“Porque... porque é o Finn!” Quinn disse, um pouco exasperada. “Ele é um completo idiota que acha pode aparecer aqui e sorrir pra você e...” Ela gesticulou, sem conseguir achar mais palavras.
“Então o seu problema é o Finn?” Rachel questionou, arqueando a sobrancelha.
“Basicamente.” A loira respondeu.
“Sabe o que eu acho, Quinn? Eu acho que isso é uma grande mentira.” Rachel disse de forma corajosa, um quase sorriso no rosto.
Quinn sabia aonde Rachel queria chegar e ela pensava ser esperta o suficiente para não cair naquela armadilha. “Eu vim aqui me explicar e já o fiz. Você tem todo o direito de achar o que quiser disso, mas não significa que você tem razão.”
Ela apenas havia esquecido que Rachel, a sua Rachel, era tão esperta quanto ela e nunca retraía sem apostar todas as suas fichas. “Não? Eu não tenho razão em achar que o seu problema não é o Finn em si, mas sim ver o Finn comigo?” Desafiou.
“Rachel... não faz isso.” Quinn pediu, um tom de aviso.
“Você não disse que eu entendi tudo errado? Eu só quero entender certo dessa vez, Quinn.” A morena disse, encarando os olhos avelãs. “Eu só quero saber o que aconteceria caso eu voltasse para a sala e desse ao Finn, somente ao Finn, toda a minha atenção, meus sorrisos, meus olhares, meus...”
“Chega.” Quinn disse, os dentes cerrados. Ela olhava para a morena com tanta intensidade que qualquer outra pessoa já teria dado um passo ou dois para trás. Mas não Rachel. Ela se manteve firme, devolvendo o olhar na mesma intensidade. “Por que você está fazendo isso?”
“Por que você está fazendo isso?” Rachel devolveu a pergunta.
“Porque eu...” Quinn não conseguiu responder, seus olhos ainda presos nos castanhos. “Merda, Rachel!”
Em um só movimento, Quinn tomou os lábios da morena para si, virando a morena contra a porta que ela estava apoiada apenas alguns instantes antes. Rachel se derreteu por completo, sem conseguir lembrar a última vez que ela havia se sentido tão viva que não fosse com a língua de Quinn Fabray dominando a sua boca, extasiando os seus sentidos, a fazendo perder o tino. Mesmo que aquele beijo tivesse para a morena um sabor de vitória, naquele momento, elas eram iguais, em desejo e em sentimento. Rachel era a única que fazia Quinn perder a noção dos seus atos, que conseguia derrubar, uma a uma, as defesas em volta do seu coração. A morena despertava algo dentro dela, algo incontrolável, algo que clamava a atriz para si...
Rachel, sentindo a necessidade de ter a loira mais perto, envolveu seus braços ao redor da cintura esguia e puxou a advogada para si, fechando qualquer espaço que pudesse ter entre elas. Ela sentiu a língua da loira passear sobre o seu lábio inferior, como se fosse um convite, como se ela dissesse que era a sua vez de tomar as rédeas da situação. A morena assim o fez, tomando a boca, os lábios, a língua, tudo que a loira lhe oferecia e regozijando-se dos pequenos gemidos que Quinn deixava escapar entre um beijo e outro.
A conexão que elas haviam compartilhado no auditório de NYADA parecia milhares de vezes potencializada naquele momento. Rachel sentia que a loira queria aquele beijo tanto quanto ela. E como a loira queria! Rachel a fazia questionar o próprio conceito de querer... porque ela não conseguia lembrar de querer tanto um beijo quanto o da morena. De querer tanto algo quanto ela queria Rachel para si. Havia um sonho... um sonho de sair de Lima, de ser uma pessoa diferente, de trilhar um caminho diferente. O sonho de um só. E então havia Rachel Berry. Como um despertar, como uma estrela brilhando acima de todas as outras. Por vezes, longe demais para que pudesse alcançá-la, mas, por outras, perto demais para que ela pudesse enxergar qualquer outra coisa que não ela...
I, I’m a new day rising
I’m a brand new sky that hang the stars upon tonight
I, I’m little divided
Do I stay or run away and leave it all behind?
It’s times like these you learn to live again
It’s times like these you give and give again
It’s times like these you learn to love again
It’s times like these time and time again...
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