How To Save A Life
19 I'll Just Make The Same Mistake Again
Notas iniciais
Rachel estava embaixo no chuveiro, deixando a água escorrer sobre si. A posição era mais do que familiar, mas os pensamentos que lhe invadiam não. Quinn havia ido para preparar o café e ela precisava se apressar, havia combinado de encontrar com Mark antes dos ensaios. Mesmo atrasada, sentiu que precisava pelo menos de algum tempo para clarear seus pensamentos.
Quando estava com a loira, era tão fácil se perder... tudo era varrido de sua mente e ela se deixava guiar por tudo aquilo que Quinn lhe proporcionava, lhe causava...
Mas longe, a história era outra. Não havia tido muito tempo pra pensar nisso durante aquelas quase duas semanas, havia trabalhado incansavelmente e no restante do tempo estava com Quinn, até ficar cansada demais para permanecer acordada. Mas a necessidade de pensar sobre tudo lhe dominava principalmente agora, depois da noite que tinham acabado de ter, sua mente implorando por satisfações enquanto seu coração a tentava desviar dessa tarefa. E agora suas defesas já estavam caídas ao chão, nulas diante daquela loira estonteante. Fechou os olhos, recordando de cada momento com ela nesses últimos dias e da noite anterior. Haviam feito amor por toda a noite... Sentiu uma fisgada engraçada no estômago e uma sensação que lhe lembrava a primeira vez que havia subido no palco da Broadway.
Essa sensação se foi da mesma maneira que surgiu e de repente a diva sentiu uma ardência incontrolável nos olhos. Um nó havia surgido em sua garganta e seu peito parecia arder. Arfou em busca de ar, tentando evitar a tão conhecida sensação, mas foi em vão. Um choro incontido rasgou sua garganta e ela estava novamente naquele lugar frio e escuro, incapaz de ver a luz. Pensou em Santana, pedindo silenciosamente para que a latina surgisse e a envolvesse em um abraço, afugentando seu sofrimento. Mas ela não veio. Tentou o máximo que pôde afastar aquelas lembranças, mas elas estavam relutantes em ir embora, como que para lhe lembrar do porquê de todas as coisas...
Correu a porta do loft, vendo o rosto de quem tanto sentia falta. Caiu em seus braços imediatamente, jogando todo o seu peso naquele abraço, envolvendo as pernas em sua cintura. Sentiu Finn dar um passo pra trás, recebendo o seu corpo e rindo surpreso com a atitude da namorada.
"Você está aqui!" Ela disse surpresa, enquanto o moreno alto a botava novamente no chão.
Sentiu um beijo suave em seus lábios, contrastando com a paixão que sentia tomar conta de si com ele tão perto. Finn segurou a sua mão e entrou no loft, dando uns passos à frente enquanto a morena fechava a porta atrás de si. A última vez que Finn havia ido para NY ele havia a tomado em seus braços e lhe carregado pra cama assim que ela havia aberto a porta, incapaz de controlar a saudade. O que o impedia de tomar essa atitude agora?
"Cadê a sua mala?" Ela perguntou, percebendo a ausência de qualquer bagagem.
"Eu deixei no hotel." O moreno respondeu cauteloso.
"Hotel?" Rachel franziu as sobrancelhas em confusão. "Mas o que..."
"Onde está a Santana?" Finn a cortou, nervoso.
"Está trabalhando. Só volta à noite. O Kurt não veio com você?"
"Ele decidiu ficar mais esse final de semana por lá... Ele nem sabe que eu estou aqui."
Rachel percebeu a distância que o namorado parecia querer ficar dela. Estavam tão perto, mas tão distantes. Haviam brigado pelo skype há dois dias e vê-lo ali deu a impressão de que tudo ficaria bem entre eles. Mas ali estava Finn, mexendo com as mãos como se não soubesse exatamente o que fazer, parecendo estranhamente deslocado.
"Rach... precisamos conversar." Ele finalmente disse.
Ela o encarou, uma sensação incômoda na garganta.
"Temos mesmo que conversar? Quer dizer... Você está aqui comigo!" Ela sorriu de forma fraca e sentida. "Sei que ultimamente as coisas não têm sido perfeitas e desculpa por ter brigado com você. Eu... quer dizer, nós já sabíamos que não seria fácil." Aproximou-se.
Finn se afastou, parecendo incapaz de permanecer perto dela.
"Rach... não me peça desculpas pela briga." Ele falou em um tom sofrido. "Você estava certa! Eu estou distante e não estou conseguindo ser mais o mesmo com você. Por mais que eu diga que não, o fato de você estar aqui, perseguindo seus sonhos e eu estar em Lima, sem fazer ideia de quais são os meus... Isso me mata, Rach. Eu não..."
"Meu amor, eu não estou te pressionando a nada!" Rachel levantou um pouco a voz, impotente.
"Não é você, Rachel... sou eu!" A sobrancelha de Rachel se elevou com a frase. "Eu não estou bem com o rumo que a minha vida está seguindo. Eu não sou ninguém! Eu não sou mais o líder do coral, o quarterback, o cara popular... Eu só sou mais um cara qualquer que passa os dias pensando em como o colegial era bom, enquanto todos os outros seguem em frente."
"Mas você trabalha na oficina do Burt, ajuda o Mr. Schue com o coral..."
"Você percebe o quão patético isso soa?!" Finn gritou. "Você, Kurt e Santana estão aqui em NYADA, a Quinn está em Yale... Mike está em Chicago, Mercedes está em LA... Até o Puck está em LA! E eu estou em Lima! Ajudando na oficina do meu padrasto e ajudando o Glee... Morando na mesma casa, andando pelos mesmos corredores, topando com as mesmas pessoas que fazem questão de perguntar o que eu estou fazendo da minha vida!"
Rachel estacou por um momento. Finn jamais havia gritado daquela maneira com ela. Ele fechou os olhos, suspirando, tentando se acalmar.
"Não está dando certo, Rach." Ele disse, enfim.
"Isso é normal, Finn. Essa indecisão. Claro que não está dando certo! Eu sei que não é como você queria estar, mas..." Ela tentou argumentar.
"Rachel." O moreno fechou os olhos. "Eu e você. É isso que não está dando certo."
Rachel sentiu o peso daquelas palavras. Aquilo era alguma piada de mau gosto?
"Você está brincando, certo?" Ela riu de nervoso.
Finn puxou Rachel para o sofá, colocando as mãos dela entre as dele.
"Eu preciso achar meu caminho, Rach. E não vou conseguir fazer isso preso ao meu passado."
Rachel sentiu as lágrimas lhe inundarem o rosto. Havia quase se casado com ele e agora ele se referia a ela como uma sombra do passado, que lhe atrapalhava a vida. O quão surreal isso soava aos seus ouvidos?
"Não. Não! Você não pode estar falando sério! Somos Rachel e Finn... A gente... Você não pode me deixar, você não tem esse direito! Céus, íamos nos casar! Eu... Eu não vou deixar você fazer isso comigo, com nós dois... Você precisa de um tempo pra pensar melhor..."
Ela olhava pra o namorado desesperada, procurando alguma fraqueza em sua expressão decidida, esperando que a qualquer segundo ele voltasse atrás, a abraçasse e lhe implorasse perdão por ter pensado em terminar com ela.
"Sinto muito, Rach." Finn disse inflexível, o olhar vazio, de uma forma que nunca tinha estado antes.
Então a realidade a assaltou. Ele realmente estava fazendo isso. Ela encarou o nada pelo que lhe pareceu uma eternidade, as lágrimas ainda caindo, seu coração ainda implorando para que ele a tocasse, a beijasse. Mas ele não o fez.
"O que vai ser agora?" Ela perguntou fracamente, reencontrando as palavras algum tempo depois.
"Eu só vim para te dizer isso pessoalmente. Não achei justo fazer isso por telefone." Ele parou de falar, vendo o olhar da morena. "Vou ficar em um hotel essa noite porque não consegui uma passagem de volta pra hoje, só para amanhã de manhã."
Nem ali ele queria ficar. O que ela tinha sido esse tempo todo pra ele?
"Não, Finn. Estou dizendo nós. Como ficamos?"
"Você sempre será especial pra mim, Rach. Mas... mas eu acho melhor nos afastarmos por enquanto. Evitar contato, sabe? Não precisa ser mais doloroso do que já está sendo."
Ele a estava tirando da sua vida. Por completo. Há quanto tempo ele estava pensando em fazer isso? As lágrimas haviam cessado.
"Vá embora, Finn."
Dizer aquilo lhe doeu. Aquela voz não parecia sua. Talvez porque quisesse implorar que ele ficasse.
Finn levantou, como se já esperasse que ela tivesse essa reação. Depositou um beijo em sua testa e se encaminhou para a porta, sem olhar pra trás, levando consigo tudo que ela já fora algum dia.
E então a escuridão sorriu para ela, como uma velha amiga...
...
Olhava distraidamente uma vitrine quando sentiu alguém lhe abraçar por trás. Não precisava virar pra saber de quem se tratava. Aquele cheiro e aquele toque pareciam estar impregnados em si ultimamente.
"Alguma coisa interessante?" Quinn perguntou enquanto virava a pequena em seus braços.
"Só esperando você." A morena respondeu suavemente, recebendo um leve beijo nos lábios.
A loira enganchou seu braço no dela e passaram a caminhar pela rua, enquanto Quinn falava algo sobre uma confraternização do escritório em que trabalhava. Tinha ido buscar a loira no trabalho mais uma vez. Via alguns olhares sendo direcionados para ela e Quinn, mas não se importava. Rápido demais Rachel, pensou. Desde o dia em que ela e Quinn tinham se "acertado" havia sido assim. Tinham combinado em ir devagar... Mas como ir devagar com Quinn Fabray? Sentia o desespero ir tomando cada vez mais conta de si e se recriminava por isso.
O fato é que ela e Quinn não haviam ido devagar, estavam correndo, pra falar a verdade. A loira tinha tomado conta de tudo a sua volta sem que ela sequer percebesse. Fora questão de dias para que fossem de olhares contidos e toques hesitantes para dormirem juntas e isso. Com isso ela se referia a todo tipo de coisa que sempre evitara... O andar de mãos dadas, as mensagens trocadas quando estavam longe, a rotina que se entrelaçava cada vez mais, a noite de amor que haviam tido...
Havia ido uma vez ao bar do Tom com Santana. Tinha sido a única vez que saíra. Tinham apenas bebido, conversado e jogado sinuca a noite inteira. Voltaram pra casa e no momento em que percebera que a latina já estava dormindo tomara o tão conhecido caminho para o quarto da loira, se aconchegando em seus braços.
E Santana sequer se dera conta de nada. E Rachel queria que permanecesse assim. A latina mal dormira em casa aquela semana. A medida com que Lima se aproximava Rachel achava que a Santana estava tentando beber e transar com todas as mulheres de NY antes que esse dia chegasse. Estava preocupada com ela, mas sabia que Brody e Erika lhe faziam companhia.
"Quê?"
Se perdera em pensamentos enquanto ambas haviam chegado ao seu carro e ela dirigia pra casa. Quinn havia falado algo e ela pedia para que tivesse ouvido errado. A loira riu nervosamente.
"Só queria saber se você quer ir comigo..." A loira disse.
"Ir onde?" Rachel perguntou, querendo ganhar tempo.
"Confraternização. Do meu escritório. Estou falando disso há meia hora com você, Rach."
"E ir em festas do seu escritório com você significa..." A morena começou, cautelosamente.
"Que eu não quero aparecer lá sozinha. Eu nem quero ir, pra falar a verdade. Mas eu tenho que ir e agradar a todos."
"Não sei se é uma boa ideia, Quinn." Rachel foi sincera. "Eu não sei se eu..."
"Quero que você vá pra me fazer companhia, Rach. Como amigas." A loira enfatizou.
Rachel soltou o ar que nem sabia estar segurando.
"Falamos disso depois, ok?" Quinn mudou de assunto.
Viu a morena assentir sem dizer nada, aparentemente compenetrada no trânsito. Encostou a cabeça no banco, se arrependendo de cada palavra que havia dito. Tudo estava bem, mas ela tinha que ter falado sobre aquilo. Tudo estava bem porque você não fala coisas desse tipo, Fabray. Você já devia ter aprendido. Menos de duas semanas e Rachel já estaria pronta pra algo que envolvesse pessoas conhecidas ao redor? Ir com calma era o que haviam combinado, mas era bem difícil se lembrar disso com tudo que estava acontecendo, principalmente quando ela tinha a consciência limpa de que não havia forçado nada.
Subiram para o apartamento e Santana mais uma vez não estava em casa. Pelo menos era o que o sorriso de Rachel indicava ao voltar pelo corredor após checar o quarto da latina. Rachel se aproximou dela, repousando os braços em volta do seu pescoço.
"Vou tomar um banho, ok?" A morena disse.
Sim. Rachel escolhera fingir que aquela conversa no carro não acontecera.
Quinn beijou-lhe lentamente os lábios, prendendo sua atenção em cada sensação que Rachel despertava em si. Aquela familiar impotência diante da pequena ia tomando conta dela aos poucos, enquanto seus sentimentos pela morena pareciam querer lhe rasgarem o peito. Ousaria dar-lhe um nome?
"Ok." Ela se limitou a dizer.
Não. Ela também fingiria.
...
Rachel andava lentamente pelo Central Park, um café extra grande de companhia. Acabara de sair do ensaio. Não tinha sido um ensaio feliz. Pela primeira vez a confusão que se instalara em seu interior tinha refletido negativamente em suas performances. Podia tentar negar e esconder, mas sabia exatamente o porquê...
Quinn acariciava sua pele delicadamente, depositando uma série de beijos pelo seu ombro. Ambas deitadas em sua cama, exaustas após fazerem amor por toda a noite. Abriu os olhos e a encarou. Ela parecia tão compenetrada no que fazia que sequer percebeu o seu olhar sobre ela. Qual fora a última vez que se sentira daquela forma? Não se lembrava de já ter sentido isso um dia. A loira espalhava arrepios por todo seu corpo, deixando o rastro de seu toque por onde passava.
"Isso é bom." Ela disse, suspirando.
"Não tanto quanto você." Quinn respondeu sem se desviar do que fazia.
Rachel sentiu derramar-se sob seu peito uma sensação que ela não sabia descrever, só sabia que era quente. Isso tinha se tornado constante durante aqueles dias, toda vez que a loira dizia algo daquele tipo pra ela. Parecia estar vivendo em um mundo paralelo e que logo acordaria para a vida real. De certa forma, aquela vida não parecia a sua. Mal havia saído com os amigos durante aquelas duas semanas, não havia feito sexo com outra pessoa. Não sentira vontade de fazer sexo com outra pessoa. Aquilo definitivamente não combinava com ela.
Sentiu os movimentos da loira ficarem mais lentos até pararem. Seu corpo estava completamente relaxado ao seu lado, o braço esquerdo descansando sobre ela e a respiração serena. Rachel sabia que ela havia caído no sono.
O que era tudo aquilo, afinal? Se perguntou ao fitar o semblante da loira. Sabia que Quinn a queria de uma forma que ela simplesmente não estava preparada, por mais que a loira não tivesse tocado nesse assunto com ela. E não sabia se algum dia estaria. Toda vez que se pegara pensando no que sentia pela loira se forçava quase que de imediato a desviar sua cabeça desse tipo de questionamento. Era o medo talvez. Ou ela mesma tentando se lembrar de que por mais que se enganasse, não havia saída. Ela era quebrada e sempre seria assim. Tudo ia bem enquanto as coisas estavam caminhando daquele jeito... Mas e depois? Não conhecia nenhum depois. Quinn podia ser a mulher mais perfeita do mundo, não importava. Na verdade, sequer existia esse tipo de perfeição. Cedo ou tarde, ela se machucaria. Ela sofreria. Sabia como isso funcionava e ninguém havia precisado lhe ensinar, aprendera sozinha. O verdadeiro segredo por baixo daquele exterior que usava diariamente durante anos? Não confie em ninguém. Não precisava se lembrar disso, ela simplesmente não conseguia. E não seriam aqueles momentos compartilhados com Quinn, por mais verdadeiros que fossem, que iam mudar aquilo.
Aqueles pensamentos não haviam ido embora. É quase como se soubesse. Sabia que aquilo tudo estava dentro de si, guardado. Mas evitara revirar aquela parte de si mesma, porque sabia que a partir do momento que fizesse, não haveria mais volta. E não queria estragar nada daquilo que estava vivendo com a loira. Tentara se enganar, mas a verdade é que sempre soube. Sempre soube que aquilo era uma ilusão. Uma vida que não merecia, que não lhe pertencia. E agora que tinha se dado conta da verdade de tudo isso, não conseguia não pensar em Quinn. Em todas as esperanças que ela podia estar sentindo naquele momento. Esperança que talvez ela mesma sentira. E tinha sido tudo culpa dela. Queria voltar no tempo e jamais ter brincado dessa forma com a loira. Tudo havia saído do controle, ela mesma havia saído do controle. A loira talvez jamais a perdoasse por isso, mas estava na hora de voltar para a realidade. Queria dizer que era por Quinn que estava fazendo isso, mas sabia que não. Todos adoram dizer que estão pensando na outra pessoa, que sempre merece alguém melhor. Ela era egoísta e estava fazendo isso por ela mesma. E era simples assim.
...
Quinn esperava algo de Rachel. Sinceramente esperava. Mas era como se não existisse. A morena bebia, ria, conversava, mas não lhe direcionava um único olhar. Santana bebia como se não fosse viajar no dia seguinte e o resto parecia estar no mesmo clima, aproveitando a última noite antes de partirem para Lima.
"Vem com a gente pra Lima, Brody!" Kurt disse, já um pouco alterado.
"É uma coisa de vocês... eu ia me sentir um pouco deslocado."
"Claro que não, eu ia adorar se você fosse." Rachel deitou a cabeça no ombro do rapaz.
"Na próxima eu vou." Ele abraçou a morena de lado.
Quinn tinha chamado Erika para o bar, mas ela disse que tinha outro compromisso. A loira não sabia se ela realmente tinha ou se a estava evitando de propósito. Olhou novamente para a linda morena que estava ao seu lado. Rachel por um momento se virou, ajeitando-se na cadeira e cruzou o seu olhar com o de Quinn, desviando na mesma hora. A loira não estava se sentindo bem, estava com um agonizante aperto no peito e suando frio com essa atitude, o estômago se revirando desagradavelmente. Uma Rachel perturbada se levantou e sumiu entre as pessoas do bar. A loira se perguntava se devia ir atrás ou não quando viu Santana virando a terceira tequila da noite.
"Hey, você não acha que está exagerando um pouco?" A loira arqueou a sobrancelha.
"Não enche, Fabray."
'É sério San, temos um jantar amanhã. Você vai para casa de moto..." Quinn tentou se manter educada.
Santana olhou pela mesa, pegando uma garrafa de cerveja e colocando-a na frente de Quinn.
"Bebe e não me enche a porra do saco."
"Santana está coberta de razão!" Kurt gritou, derrubando cerveja e provocando uma gargalhada em Blaine, que também estava alterado. "Bebe um pouco, Quinn!"
Brody olhava tudo com uma expressão de riso e sono. Ele sempre ficava nesse estado quando bebia cerveja.
"Vou pedir uma tequila para você!" Blaine levantou a mão, chamando o garçom.
"Duas, por favor."
Quinn tentou negar, mas eles pareciam não escutar. As tequilas chegaram na mesa e Santana bebeu uma rapidamente. Quinn estava relutante em virar a outra, mas todos começaram a bater na mesa e gritar: “Vira, vira, vira!”. Ela pegou o copo e virou, sentindo o líquido incomodar a garganta enquanto era ovacionada na mesa.
Olhou em volta, apertando os olhos. Rachel estava demorando. Ela deu uma rápida olhada geral no bar e viu alguém familiar sentando no sofá do outro lado. Voltou a olhar para o lugar, piscando várias vezes até acreditar na cena. Uma pessoa saiu da frente e ela teve sua confirmação. Rachel estava sentada, aos amassos com uma garota montada em seu colo. Quinn focalizou as duas, o mal estar se multiplicando enquanto não parava de olhar. Piscou mais uma vez, sentindo os olhos lacrimejarem. O coração acelerado parecia gritar para tirar a garota de cima de Rachel, mas seu cérebro impedia esse impulso. A garota não agarrava ninguém sozinha, afinal. E as mãos de Rachel em suas coxas, puxando-a para si, só mostravam que ela estava gostando. Uma lágrima teimosa escorreu do olho direito de Quinn e ela limpou rapidamente. Por um momento tinha acreditado que a morena queria algo mais. Como Rachel conseguia fazer isso depois da noite que tiveram? E o fato de ter sido ignorada na frente dos amigos por ela só fazia doer mais. Quinn se machucava mais uma vez.
"Você está bem?"
Ela olhou para Brody, mas ele estava desfocado. Quinn se levantou, ignorando o chamado do rapaz e saiu do bar. NY estava tão fria!
Pensou em tudo o que tinha acontecido... Tudo bem, elas não tinha compromisso nenhum. Mas então por que Rachel tinha feito tudo aquilo? Fazendo-a acreditar que algo aconteceria? Quinn abraçou o próprio corpo, a respiração condensando-se à sua frente, os olhos fechados e apertados. Ela podia sentir o beijo de Rachel, o gosto, a textura da língua quente. O corpo suado lhe proporcionando prazer incansavelmente...
"Eu queria tanto sentir isso de novo..." Ela sussurrou roucamente sobre sua pele, provocando uma risada rouca em Quinn.
"Ainda falta uma coisa..." A loira beijou o colo suado, arrastando os dentes pela região.
"O quê?" Rachel sussurrou, prendendo os dedos nos cabelos loiros.
A loira subiu os beijos até encontrar a boca de Rachel, que logo buscou aprofundar o contato, como se não visse Quinn há dias, como se estivesse morrendo de saudades...
A imagem dela beijando outra garota lhe assaltou a mente, fazendo-a abrir os olhos na mesma hora. Rachel não ia mudar. E Quinn tinha a certeza de que estava apaixonada por ela. E, talvez, por um instante, tinha pensado que o sentimento era recíproco...
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