Notas iniciais
E aí galera? Mais um capítulo saindo do forno kkkkkk Ps: a frase é em homenagem à Gleeksick, que ama esse tipo de metáfora, só que não! - Faberrylover A Faberrylover disse que tem uma parte nesse capítulo que está igual Crepúsculo, mandei ela à merda. - Gleeksick

Fazia dias que Quinn não saía mais com Santana e Rachel. Sempre que ela podia evitar, é claro. Tinha sorte de ter tanto trabalho para ocupar sua mente, porque não era nada fácil organizá-la. Ainda estava tudo uma bagunça. Sua única válvula de escape era Erika. Ela descobriu que a garota tinha uma oficina e consertava motos. Ela passava horas ajudando-a, conversando, rindo, aprendendo. Tinha tomado gosto pelo veículo e insistido para que Erika a ensinasse a andar. Mas a garota desistiu assim que Quinn arrebentou uma moto sua contra a parede. Ela não sabia se ficava mais preocupada com a loira, que caiu para trás e bateu a cabeça, ou com a moto que passara dias montando.

"Só mais uma vez..." Quinn insistia.

"Não. Se quiser assassinar as minhas motos pode esquecer. Melhor... eu te vendo uma. Aí você pode jogá-la contra quantas paredes quiser." Erika disse.

"Eu quero aprender." A loira argumentou.

"Você não tem carteira de moto e isso é errado, doutora. Não te ensinaram isso em Yale? Homicídio contra motos também não é legal." A morena brincou.

Quinn fechou a cara em uma perfeita expressão contrariada. Erika achou graça daquilo e pegou um tubo de graxa jogado ao seu lado, colocando um pouco na mão e pincelando o nariz da loira.

"Você não fez isso." A advogada disse. respirando fundo e fechando os olhos. Erika não parava de rir. "Corre."

Ela travou na hora e viu em câmera lenta a loira se levantar num impulso, pegando o tubo de graxa. Pouco tempo depois estavam as duas correndo pela oficina, igual duas crianças. E Quinn gostava daquilo, daquele bem-estar, daquela falta de malícia. Era disso que estava precisando.

No momento, no entanto, sua paciência estava sendo testada por uma latina inconformada...

"Sai com a gente, Q! Você só sabe trabalhar..." Santana reclamou.

"Eu não estou com vontade, San." Quinn disse mais uma vez, sem tirar os olhos da tela do notebook.

"A Erika vai." A latina soltou.

"E daí?" A loira respondeu, vendo Santana perder a paciência e marchar para seu quarto.

"Hey, você está bem?" Rachel agachou-se na frente da loira.

A morena estava próxima. Muito próxima. Quinn perdeu a linha de raciocínio.

"Por que não sai mais com a gente? Por que não sai mais comigo?" Ela disse em tom mais baixo.

"Não estou mais nessa vibe, Rachel..." A loira argumentou fracamente.

"Não?" A morena se aproximou mais, levantando o rosto até ficar a centímetros do rosto de Quinn, o notebook sendo sutilmente afastado para o lado.

"Não." A loira respirou pesado.

Quinn não conseguiu se mover um centímetro sequer e sabia que o beijo intenso que queria dar na morena só dependia de Rachel. Por sorte, Santana voltou à sala, fazendo-as se afastarem.

"Pronta?" A latina encarou Rachel.

"Sim. Vamos." A amiga respondeu normalmente.

Mas Rachel não desistira de provocar. Quinn procurava ao máximo não ficar sozinha com ela, mas a diva parecia ter gostado da atitude da loira de se afastar. Era como um jogo para ela provocar Quinn e o prêmio seria levá-la para a cama de novo. E Quinn repudiava isso na morena. Quando tudo em sua vida passou a girar em torno de sexo? Se tinha uma coisa que não apreciava na Rachel madura, com certeza era isso. Não era por que estava dificultando que estava querendo dizer à morena para se esforçar mais. Até porque, se ela se esforçasse mais, sabia que não conseguiria resistir. Sentia uma falta anormal de Rachel.

Esses pensamentos rondou sua mente por todo o tempo em que trabalhava. Já era madrugada e ela tinha perdido a vontade de dormir. Assustou-se quando ouviu o barulho da porta praticamente arrebentando. Rachel acabava de entrar no apartamento. Sozinha. E aparentava ter uma leve dificuldade de manter o equilíbrio. Ao ver Quinn acordada e encarando-a com a sobrancelha arqueada, o sorriso provocante iluminou seus lábios. A loira fingiu não ver e voltou aos papéis que estava organizando.

"O que você está fazendo?" Rachel tinha se aproximado e colocado as mãos sobre seus ombros, iniciando uma massagem.

"Trabalhando." A advogada tentou se concentrar.

"Hmm..." A morena desceu até o rosto de Quinn, sugando o lóbulo de sua orelha. "Vem pra cama comigo."

Os pelos da nuca de Quinn se arrepiaram. Ela sentia o hálito de bebida da morena e não queria mais fazer aquilo, mas era incrivelmente difícil resistir. Era impressionante a rapidez com que tinha ficado molhada.

"Rach..." A loira fechou os olhos ao sentir os lábios grossos passearem por seu pescoço. "Eu não acho uma boa ideia."

"Você não quer?" Rachel sussurrou sobre o pescoço pálido.

"Não. Não quero." Quinn manteve-se firme.

A mão de Rachel foi rápida em invadir o short do seu pijama e a calcinha, pegando-a de surpresa. A morena sorriu com o gemido que recebeu e com a umidade do local e começou a movimentar os dedos pelo clitóris da loira.

"O seu corpo diz o contrário." Rachel sussurrou.

Quinn sabia que aquilo estava errado. Sabia que tinha prometido para si mesma, mas porra! Por que tinha que ser tão difícil? Era só tirar a mão dela dali, impedi-la. Mas Quinn não tinha forças para isso.

"Tira a roupa. Eu quero me tocar pra você." A morena pediu.

Quinn engoliu em seco, queria que Rachel continuasse, mas ela retirou a mão de sua intimidade, levando-a a boca e beijando Quinn em seguida. A loira se levantou bruscamente. Queria o corpo da morena no seu. Mas não conseguiu ser agressiva. Não queria, na verdade. Pelo que se lembrava, era a primeira vez que estava completamente sóbria com Rachel em um momento como esse. Limitou-se em apenas colocar as mãos na cintura da morena, lutando contra o tesão que sentia e a levou até o quarto. Sentiu os beijos quentes e molhados serem distribuídos em seu pescoço. A língua atrevida de Rachel trilhou o caminho até sua boca, beijando-a com desejo.

A morena a despia sem que ela registrasse esse fato direito. Segurou o rosto de Rachel nas mãos, querendo deixar o beijo mais lento e calmo e gemeu em sua boca ao sentir as mãos dela em seus seios desnudos. Rachel se afastou e tirou a roupa também, ficando apenas de calcinha e sutiã. Ela andou até a cama e se deitou. Quinn ficou estática, esperando o que a morena iria fazer. Rachel se deitou olhando de forma provocante para a loira. Ela retirou o sutiã vagarosamente, percorrendo todo o corpo da loira com os olhos e começando a estimular os próprios seios, beliscando os mamilos e gemendo fracamente.

A loira engoliu em seco, sentindo a excitação aumentar ao mesmo tempo que a umidade no meio de suas pernas. Rachel era incrivelmente desinibida. Ou seria só o efeito do álcool? Quinn se aproximou automaticamente e viu quando uma mão de Rachel desceu pela pele bronzeada, entrando em sua calcinha. O corpo da morena se contorceu minimamente enquanto ela se masturbava e Quinn se posicionou na sua frente, apoiando-se com as mãos no colchão dos lados de Rachel e inclinando-se para beijar seu pescoço. A morena arfou.

"Sabe no que eu estou pensando, Quinn?" Ela disse roucamente. "Em você, dentro de mim." Então deslizou dois dedos pela própria entrada, soltando um gemido. "Me fodendo com força..."

A morena abriu os olhos, encontrando os escurecidos da loira enquanto continuava com os movimentos. E então o próximo ato de Quinn a surpreendeu. A loira se inclinou novamente e beijou sua testa, enquanto sua mão acariciou suavemente a bochecha da diva para depois descer e segurar o seu pulso, fazendo-a parar. Quinn estendeu os braços de Rachel sobre o colchão, entrelaçando os dedos, e a beijou como nunca tinha beijado antes.

Havia carinho e delicadeza naquele beijo. E por incrível que pareça pareceu mais intenso do que os beijos selvagens e agressivos que Quinn lhe dava. Era mais íntimo e tinha um sabor nunca antes provado. Devagar as mãos da loira deslizaram pelos braços de Rachel, acariciando toda a lateral de seu corpo. Por um momento Rachel pensou em Finn, em suas carícias, em seus beijos. Mas a lembrança fugiu de sua mente. Os dois eram diferentes e a presença de Quinn era suficiente para sua mente encher-se somente dela e das sensações que ela causava em seu corpo. Com a loira ela se permitia fazer algo que nunca fazia ao ir para a cama com alguém: pensar.

Os lábios da loira seguiram a linha do maxilar de Rachel, detendo-se em seu pescoço, beijando-o, provando-o calmamente. A mão direita de Quinn prendeu-se no seio esquerdo de Rachel, apertando-o de forma... carinhosa? Mas por que raios ela estava sendo carinhosa?! A morena estava a ponto de explodir e a loira estava amansando-a.

Rachel prendeu os dedos nos fios loiros da nuca de Quinn, puxando-a de volta para um beijo agressivo, errático, enquanto com a outra mão estimulava-a a apertar seu seio com mais força. A loira correspondeu a esse rompante de luxúria, mas logo tentou suavizar as coisas. Rachel não permitiu, segurava-a firme ali.

"Rach..." Quinn tentou dizer.

O beijo tornava-se dolorido, os lábios de Quinn ardiam, então ela se esforçou mais para interrompê-lo.

"Calma, Rach..." Ela disse ao conseguir se soltar.

A morena tentou puxá-la de volta, mas Quinn estava firme. Ela queria um ritmo e ele seria seguido. A cabeça de Rachel rodou, efeito do álcool, e ela deixou-se relaxar contra o travesseiro. Ainda estava alterada. A loira voltou a explorar seu corpo, como se estivesse prestando atenção nele de verdade pela primeira vez, acariciando e descobrindo a pele morena, tentando satisfazê-la de forma completa. Sua boca desceu até um dos seios de Rachel e ela o provou calmamente, tentando gravar o gosto, a textura. Um sorriso tomou conta de seus lábios ao ouvir a respiração pesada da morena. Antes de subir, seu olhar se prendeu por alguns segundos no dela, que parecia desfocado.

"Você está bem?" A loira perguntou suavemente.

A morena assentiu minimamente e Quinn a beijou. Rachel não tentou modificar o beijo, sua cabeça estava uma confusão com aquilo que a loira estava fazendo.

"Você é linda..." Quinn sussurrou sobre seus lábios. "Incrivelmente linda e deliciosa."

As palavras ecoaram na mente da morena. Quinn Fabray estava a chamando de linda. Sentiu seu pescoço ser novamente sugado por ela. Quinn retirou a calcinha dela devagar. Segurou uma de suas pernas e a colocou em sua própria cintura, aumentando aos poucos o ritmo dos beijos. Sua mão acariciou o rosto de Rachel, seus seios, sua barriga, e então, sua virilha. Seu rosto encaixou-se no pescoço da morena e ela escutava os gemidos que Rachel não conseguia conter. A morena estava tão molhada quanto das outras vezes, mas parecia incrivelmente mais sensível. Ela correspondia a cada mínimo afago da mão de Quinn. A loira a penetrou, lentamente, beijando a pele do pescoço e do ombro de Rachel, subindo para seus lábios.

Devagar, o ritmo aumentava, mas, aquela noite, não chegou a ser urgente. Rachel apertava cada vez mais a perna que circulava a cintura de Quinn conforme seu corpo se contraía. A loira a penetrava e estimulava seu clitóris, fazendo-a gemer cada vez mais alto. Antes que ela atingisse o ápice, a loira retirou seus dedos de dentro dela, segurando firmemente sua cintura, de modo a investir um quadril contra o outro. Ao contato de seus sexos, a morena não resistiu e seu corpo se desesperou em busca do alívio de que tanto necessitava, encontrando-o.

Não moveram a posição. Continuaram por um tempo que não conseguiram definir naquele encaixe. Aquele momento tinha significados completamente diferentes para as duas. Mas ambas estavam assustadas. Quinn estava assustada por ter feito amor com Rachel. E Rachel estava assustada por ter gostado daquilo, por querer a loira perto. Então elas não se moviam, com medo do que qualquer atitude pudesse acarretar.

A morena queria aquele calor, queria aquele corpo lhe abraçando, queria desesperadamente um beijo de Quinn, um beijo que não veio, por medo. Era irônico ter ido tão longe com a morena e ter medo de beijá-la. Era sufocante. A loira se moveu, causando um leve atrito e um gemido baixo vindo de Rachel. Abriu os olhos, encontrando os castanhos. A morena ainda se encontrava um pouco ofegante. Quinn se deixou deitar sobre o corpo de Rachel, torcendo desesperadamente para que ela estivesse realmente muito bêbada para se lembrar. A morena moveu sua perna, retirando-a da cintura da loira, mas permitiu que continuassem daquela forma. Aos poucos o sono lhe dominava, o cansaço físico e mental contribuindo para isso.

Quinn percebeu quando finalmente Rachel caiu no sono e moveu-se com cuidado para deitar-se ao seu lado. Sentia que ultrapassaria um limite inaceitável se abraçasse a garota naquele momento. Então apenas admirou-a até o sono lhe embalar também, fazendo aquela noite parecer extremamente surreal.

...

Rachel despertou e sentiu o corpo pesado. Estava confusa. Imagens passavam em sua cabeça, imagens que não condiziam com suas lembranças anteriores. E então ela se assustou. Seu braço era acariciado, delicadamente.

Quinn...

A loira era uma incógnita e Rachel não sabia como lidar com ela agora. Ela buscava o sexo que fosse o mais diferente possível de Finn... Não imaginava que alguém pudesse ser gentil de uma forma tão diferente da dele e isso a apavorava. Sim. Ela seria uma covarde. Não abriu os olhos, queria que Quinn fosse embora, queria que ela sumisse o mais rápido possível dali...

Como se seu desejo tivesse sido atendido, ela sentiu a loira se levantar e caminhar pelo o que pareceu uma eternidade para fora do quarto.

Quinn estava atordoada. Foi para o seu próprio quarto e se jogou na cama. Aquilo não estava nos planos. Ao fechar os olhos, podia ver nitidamente a pele morena do braço de Rachel, seu rosto sereno dormindo. Aquilo não daria certo. Levantou-se para colocar uma roupa e preparar o café. Na mesma hora Santana chegou em casa, completamente acordada. Apareceu na cozinha com um capacete de moto em uma mão e as chaves na outra. Jogou tudo na mesa e sentou-se com um sorriso direcionado à Quinn.

"Bom dia." A latina disse, animada.

"Eu sempre me assusto quando você dá bom dia." A loira olhou-a de cima a baixo. "Onde você estava?"

"Andando de moto com a Erika. Ela me deu uma de presente." Alargou o sorriso.

"Ela o quê?!" Quinn disparou indignada. "Você sequer sabe andar naquela coisa!"

"Há tantas coisas que eu sei Juno, que você ficaria impressionada." Santana pegou o café que estava na mão da loira e começou a beber. "Enfim, não preciso mais do carro da Rachel."

"Quem em sã consciência daria uma moto para você? Me diz que ela não fez isso..." Quinn pegou o café de volta.

Nesse momento Rachel entrou na cozinha vestido um short e uma camisa larga, os cabelos presos em um coque desarrumado. Ela sequer direcionou um olhar a Quinn, que se virou para a bancada.

"O que é isso?" A morena apontou para o capacete.

"Ganhei uma moto." Santana disse como se fosse a coisa mais natural do mundo.

"Sério?" Rachel perguntou interessada. "Me mostra?"

"Agora."

A latina saiu da cozinha na mesma hora acompanhada da morena, deixando Quinn parada no mesmo lugar, sem ter certeza de que se movesse as pernas manteria o equilíbrio. Rachel iria fugir então? Ela sabia que tinham ido além. E agora sabia que a morena não estava tão bêbada a ponto de não perceber. Ela sequer dera bom dia.

A loira rapidamente afugentou esses pensamentos, talvez estivesse exagerando. Terminou seu café e foi para seu quarto, pegando um livro qualquer para ler, voltando à sala. Viu quando Rachel voltou com Santana, conversando animadamente e entrou no quarto com a latina. Tentou se concentrar no livro. Há quanto tempo estava lendo? Não sabia. A morena apareceu na sala novamente, pegando o controle e ligando a tv.

"Eu estou lendo." Quinn avisou.

"Desculpa." Rachel disse sem sequer olhar para a loira e desligando o aparelho.

"Não precisa desligar, Rach. Só abaixa um pouco o volume."

Rachel abaixou o volume, sem dizer mais nada. Quinn já não prestava atenção nas palavras do livro, não conseguia mais... Queria que a morena dissesse alguma coisa. Queria desesperadamente e não queria ao mesmo tempo e na mesma intensidade. Sentia-se idiota por ter medo de Rachel. Mas a morena não disse nada. Quarenta minutos de puro silêncio entre elas. Um silêncio que, depois da noite anterior, só poderia indicar uma coisa: que fora um erro. Quinn estava prestes a se levantar e sair dali, quando Rachel o fez antes. Desligando a tv e indo para a cozinha.

O dia se passou assim, sem nenhum contato, conversa ou brincadeira. De tarde apareceram no apartamento Brody, Kurt, Blaine e Erika, carregados de pizza e garrafas de vinho.

"Hey, linda!" A punk abraçou a loira. "Como você está?"

"Ótima." Quinn sorriu levemente.

Erika pareceu ter o dom de saber que Quinn estava mentindo e estreitou os olhos para ela, mas não disse nada. A loira foi abraçar Kurt e Blaine e ajudar Brody a carregar as pizzas. Rachel saiu do quarto com Santana, onde tinham passado o dia inteiro jogando e conversando. Não tinha trocado uma palavra sobre Quinn com ela, mas a latina sentiu algo errado, então não saiu do lado dela um segundo sequer.

"Vocês e essa mania de invadir o meu apartamento." Santana comentou.

"Continue fingindo que não nos ama, Santana. Um dia acreditaremos e então nunca mais viremos aqui." Kurt revirou os olhos.

A latina mostrou a língua para Kurt e se aproximou de Brody.

"Tudo bem com a moto, Santana?" Erika perguntou.

"Ela é perfeita!" A latina sorriu.

"Você tem uma moto? Quem foi o louco que..." Brody começou a dizer e seu olhar recaiu sobre Erika.

"Queria mesmo conversar sobre isso com você, a última coisa que você poderia ter feito é ter dado uma moto para Santana." Quinn virou-se também para a Erika, que levantou as mãos em sinal de que não tinha feito nada demais.

"Hey, eu não sou nenhuma retardada." A latina se defendeu.

"Mas é inconsequente." Kurt apontou.

"Concordo com o Kurt." Blaine complementou, recebendo um olhar irônico de Santana.

"Rachel?" A latina virou-se para a morena, que até então estava quieta.

"Eu não vejo problema nenhum nisso." Deu os ombros.

"Obrigada!"

"Claro que não vê. São duas inconsequentes." Quinn arqueou a sobrancelha.

A morena olhou para Quinn pela primeira vez naquele dia.

"O que disse?" Rachel perguntou, com uma expressão séria no rosto.

"Que vocês duas não têm consciência das consequências dos próprios atos." A loira disse, firme.

"E o que você quer dizer com isso? A diva aproximou-se.

"O que eu disse tem mais de um significado?" Quinn retorquiu.

"Não sei... tem?" Rachel desafiou.

"Você que tem que saber." A loira disse, sem recuar.

Todos olhavam de uma para a outra, apreensivos. Rachel se aproximou o máximo que conseguiu da loira e falou em um tom de voz tão baixo e cortante, que somente ela e Erika escutaram.

"Você sabia no que estava se enfiando. Não venha me falar de inconsequência."

Rachel então se virou e imediatamente todos começaram a conversar sobre outros assuntos, para descontrair o clima e arrumar a mesa para comerem.

Algum tempo depois, a morena estava servindo-se de vinho na cozinha quando Santana se aproximou.

"O que foi aquilo?"

"Eu não quero conversar agora." Rachel bebeu um gole.

"Você está estranha hoje. Aconteceu alguma coisa ontem, não foi? O que você fez, Rach?" A latina perguntou, preocupada.

A morena respirou fundo, lembrando-se do momento que tiveram, do medo que sentia.

"Eu fui pra cama com ela." Ela disse, enfim.

"E não foi ela que te procurou, certo?" Santana quis saber.

"Não. Não foi." Rachel abaixou o olhar.

"E qual o motivo disso, então?" A latina questionou.

"Eu não sei, Santana! É só que... ela é a Quinn. E ela sabe como eu sou. Eu não quero fazer mal a ela, não quero tratar ela mal, mas... eu não sou o que ela quer, não sou o que ela precisa." A morena desabafou.

"Então por que você procurou por ela?" Santana insistiu.

Rachel se deixou pensar por alguns segundos, até o momento isso não a tinha incomodado.

"Porque o sexo dela é bom." Ela respondeu, hesitante.

"Tem certeza que é só isso?"

"Tenho." A morena disse com mais firmeza que antes.

A latina a analisou por longos segundos.

"Você é a minha pessoa. Não precisa mentir pra mim. Eu não sei o que você está escondendo, mas sei que não está me dizendo tudo." Santana disse. "O que você esquece, Rachel, é que é uma pessoa que conversa pelo olhar. E eu sei que não é só isso, eu posso ver."

"Eu não sei o que mais você espera escutar, mas não vai ouvir de mim. Talvez ouça da Quinn." Rachel disse, saindo da cozinha e deixando a latina sozinha.

...

"Eu posso entrar?" Erika abriu a porta do quarto de Quinn, para onde a loira foi na primeira oportunidade.

"Já entrou..." A loira respondeu com um sorriso forçado.

A garota entrou e fechou a porta devagar, sabia que Quinn só estava procurando um pouco de silêncio. Sentou-se ao seu lado na cama.

"Você transou com ela não foi?" Ela perguntou sem rodeios.

"Não." A outra a encarou surpresa. "Eu fiz pior."

"Pediu ela em namoro?" Erika sorriu.

"Não..." A loira retribuiu o sorriso, empurrando-a de leve. "Eu fiz amor com ela."

"E como se sentiu?"

"Eu não consigo explicar... estava tudo tão diferente. Eu tinha certeza que... que ela ia fugir. Só que eu não consigo mais. A loucura em que a gente se meteu passou. Eu ia estar mentindo pra mim mesma se continuasse com aquilo. Eu só... não consegui evitar." Desabafou.

"Se afaste. Apenas... se afaste. Ela está assustada. E ela é covarde, todas somos." Erika aconselhou.

"Ok." Quinn desviou o olhar.

"Entende agora o que eu disse sobre a amizade de vocês?"

A loira respirou fundo.

"Vem." Erika levantou-se e estendeu a mão. "Eu não vou te deixar ficar nesse quarto. Você vai se juntar aos seus amigos e se divertir e foda-se a Rachel. Eu estou do seu lado."

Quinn sorriu fracamente antes de aceitar a mão oferecida por Erika e sair com ela dali. Logo deu de cara com Rachel saindo da cozinha, mas seguiu seu caminho normalmente, conversando com Erika.

"Então você deu uma moto para a Santana, mas se recusa a sequer me ensinar a andar em uma?" A loira alfinetou Erika.

Santana riu diante da cara de culpa que a punk fez. A latina sabia que não era o momento de falar sobre Rachel com Quinn, por mais que quisesse. Via que a loira só queria esquecer aquilo e se distrair. Respeitava isso.

"É óbvio de quem ela gosta mais por aqui, Fabray. Agora para de resmungar sobre isso e vamos para a sala, faz séculos que não te humilho em uma partida de futebol..." Santana disse, puxando a loira e piscando para Erika.

Elas estavam no final de uma partida quando Erika falou:

"Engraçado, vocês se conheceram no coral, quatro passaram por NYADA e uma vai fazer um musical e até agora não escutei ninguém cantando."

Todos riram e Quinn se levantou, tendo ganhado a partida.

"Isso porque você não está aqui o dia inteiro..." Ela disse.

"Ou porque não estudou com a gente. Sério, já escutei músicas aleatórias pelo resto da minha vida." A latina destacou.

"Acho que a gente podia cantar alguma coisa..." Blaine sugeriu animado. "Como nos velhos tempos."

"Sem Katy Perry, por favor." Santana levantou-se. "E sem Britney!" Ela gritou por cima do ombro antes de entrar na cozinha, fazendo Blaine desanimar.

"Eu gostaria de escutar você cantando." Erika virou-se para Quinn.

"Não é a minha especialidade. Me formei em direito, esqueceu?" A advogada brincou.

"Só uma música... Alguém aqui tem um violão?" Erika insistiu.

"Bom... tem um no meu quarto. Mas tem muito tempo que ninguém toca nele. Eu e Santana desistimos de aprender a tocar." Rachel disse.

"Traz pra mim?" A punk pediu.

Rachel se levantou, trazendo de volta o tal violão. Voltaram a conversar, esperando Erika ver se o violão estava em condições de ser tocado e depois afinado, quando escutaram os primeiros acordes. A garota estava virada para Quinn, esperando que ela cantasse. E ela cantou:

Ainda há um pouco do seu gosto... Em minha boca

Ainda há um pouco de você presa... À minha duvida

Ainda é um pouco difícil de dizer... O que está acontecendo

Ainda há um pouco do seu fantasma, da sua fraqueza

Ainda há um pouco do seu rosto que eu não beijei

Você se aproxima um pouco a cada dia

E eu não consigo dizer o que está acontecendo

Pedras me ensinaram a voar

O amor me ensinou a mentir

A vida me ensinou a morrer

Então não é difícil se apaixonar

Quando você flutua como uma bola de canhão

Ainda há um pouco da sua canção em meu ouvido

Ainda há um pouco das suas palavras que eu espero ouvir

Você se aproxima um pouco de mim

Tão próxima que eu não consigo ver o que está acontecendo

Pedras me ensinaram a voar

O amor me ensinou a chorar

Então venha coragem

Ensine-me a ser tímida

Porque não é difícil se apaixonar

E eu não quero assustá-la

Não é difícil se apaixonar

E eu não quero perder

Não é difícil crescer

Quando você sabe que simplesmente... Não sabe

Erika continuava solando, enquanto Quinn não tirava os olhos dela. Pensou em Rachel durante a música inteira, mas, no final, se viu hipnotizada pela calma com que a garota tocava o instrumento, pelo sorriso que ela lhe deu no último verso. Quando terminou, todos bateram palmas e se animaram a cantar também. Menos Rachel. A morena continuou onde estava, pensando. Viu quando Quinn passou a sua frente, sentando-se no sofá, o celular em mãos.

"Pra quem era a música?" Ela perguntou, sobressaltando Quinn.

"Pra mim." A loira respondeu ainda incerta de que a morena tinha mesmo lhe direcionado uma pergunta.

"Pra você?" Rachel estranhou.

"Não fui eu quem escolhi a música. Foi a Erika. Logo, concluo que ela queria me dizer o que a música diz." Quinn respondeu calmamente.

Rachel ia dizer algo, quando Santana apareceu perguntando se elas iam sair. A morena aceitou na hora, mas Quinn desanimou ao saber que Erika não ia, a garota dizendo que precisava realmente ir para casa dormir.

"Boa noite." Ela desejou à Quinn assim que esta lhe levou até a porta.

"Boa noite." A loira respondeu com um sorriso doce.

"Prometa que vai cuidar do seu coração esta noite."

"Ele está bem, não se preocupe." Quinn garantiu, vendo a garota assentir e se distanciar no corredor.

Quinn se deixou pensar por alguns segundos antes de chamar a garota, fechando a porta atrás de si. Erika se virou.

"Aquela música, ela era..." A loira começou.

"Apenas uma música." A punk disse com um leve sorriso.

"Ok..."

Erika analisou Quinn, antes de caminhar devagar em sua direção. Segurou o rosto da loira entre as mãos e a beijou. Foi um beijo demorado, sua língua buscando a de Quinn, dominando os movimentos. Quando se afastou, deu apenas um leve beijo na testa da loira, indo embora logo em seguida.

Rachel e Santana estavam se arrumando quando voltou. Kurt e Blaine acabaram por convencê-la a ir e ela se apressou em se arrumar também. Logo estavam todos indo para uma boate.

Ao chegarem, Brody as acompanhou na tequila, indo dançar depois com Santana e Rachel. Quinn ficou no bar, bebendo cerveja e conversando com Kurt e Blaine.

"Você pode me contar agora o que deu em você pra se envolver com a Rach?" Kurt perguntou.

"Eu sinceramente não sei, Kurt." Quinn respirou fundo. "Foi... irracional."

"Eu não acharia tão estranho, sabe? Se a Rachel não tivesse virado o que virou." Ele disse.

"Como assim?" A loira não entendeu.

"Faz mais sentido pra mim você ter se envolvido com a antiga Rachel Berry." Kurt esclareceu, fazendo Quinn gargalhar. "Qual é, vocês viviam igual cão e gato."

"Nós não teríamos a menor chance se ela ainda fosse aquela Rachel..."

"Ela ainda é a mesma, Quinn. Só está se protegendo." Blaine opinou. "Também não soa tão estranho para mim. É mais mais fácil imaginar você se envolvendo com 'aquela Rachel' do que por essa."

"Talvez..." A loira concedeu. "Mas eu não pensava nisso na época." Ela constatou, sincera.

Ao dizer isso, o olhar de Quinn caçou automaticamente a morena e quando a encontrou se levantou rapidamente. Um cara muito maior do que ela tentava agarrá-la à força. Ela lutava e ninguém parecia perceber. Nem Santana, nem Brody estavam à vista. O instinto de Quinn falou mais alto e quando deu por si tinha quebrado a garrafa de cerveja na cara do sujeito, que soltou Rachel no ato.

“Você é maluca?!” Ele exclamou, a lateral da cabeça sangrando.

Os amigos do rapaz o seguraram com evidente esforço, pois ele queria partir pra cima de Quinn, que não se moveu um centímetro sequer. Estava furiosa. Brody surgiu, sabe-se lá de onde, e suspendeu a loira, tirando-a dali, antes que os seguranças percebessem a confusão. Quando Quinn deu por si estavam todos do lado de fora.

"Você pirou?!" Rachel virou-se irritada para a loira. "O que deu em você?"

"O que deu em mim?!" A loira rebateu no mesmo tom, sentindo o sangue ferver. "Ele estava quase te estuprando lá dentro!"

"Eu sei me cuidar!" A morena rebateu.

"É, eu percebi!" Quinn não deixou por menos.

"Hey... calma." Brody entrou no meio das duas, que pareciam prestes a pular uma em cima da outra. "Rachel, ela só queria te ajudar."

"Eu não pedi ajuda!"

"Ok, Rachel. Da próxima vez te deixo ficar pelada no meio da boate!" A loira disse, passando a mão pelos cabelos, nervosa.

Rachel nada disse, permanecendo impassível.

A loira balançou a cabeça, descrente. "Quer saber? Eu quero mais é que você se foda!"

Quinn foi para o próprio carro, saindo rápido dali. Rachel ainda estava ofegante pela discussão. Logo estava no carro, levando Brody em casa. Fez o caminho de volta correndo mais do que deveria.

"Rachel..." A latina tentou dizer.

"Não. Não fala nada. Por favor." A morena cortou.

Santana obedeceu. Mas sabia que a morena estava precisando escutar umas poucas e boas.

A verdade é que nenhuma das duas dormiu bem àquela noite, que fora completamente diferente da anterior...

Notas finais
Galera, o próximo capítulo será uma pouco diferente e será totalmente dedicado à Brittana o/*-*