Notas iniciais
ATENÇÃO! HOUVE UMA PARTE ACRESCENTADA NESTE CAPÍTULO, LOGO DEPOIS DA PRIMEIRA CENA DAS MENINAS, COMO FOI AVISADO. OBRIGADA! E aí, galera? Como está sendo esse feriado? Dia bom para um capítulo novo! Rs Muito obrigada por todos os comentários dos capítulos anteriores! É tão bom saber que vocês ainda estão dispostos a acompanhar essa história! ♥ Espero que gostem! Boa leitura!

Quinn entrou no bar e logo avistou a mesa que procurava, parecendo que seus ocupantes já haviam começado a se divertir sem ela. A loira se encaminhou até a mesa, ocupando uma das cadeiras vazias ao lado de uma morena.

"Pelo visto estou atrasada." Comentou.

"Pode apostar que sim, Fabray!" Santana respondeu, de frente para ela.

"Nós que chegamos um pouco mais cedo, Q. Relaxe." Rachel respondeu ao seu lado, um sorriso leve direcionado a ela.

E ali estava ela, Quinn, juntamente com Rachel e Santana no bom e velho bar do Tom. Desde que ela e Rachel haviam feito as pazes, a latina parecia ter se apossado de uma energia sem fim. Ela sempre arranjava alguma coisa para elas fazerem à noite, fosse jantar em algum lugar novo ou só retomar alguma série que elas tinham deixado para trás.

"Cadê o Brody?" Quinn perguntou, estranhando a ausência do moreno.

"Hoje somos só nós três, chica. Agora que você e a Rachel resolveram todo esse drama sapatão de vocês, acho que merecemos uma noite só nossa. Parece que faz séculos que não fazemos algo juntas." Santana disse.

Quinn revirou os olhos, mas Rachel não conseguiria ficar irritada com a latina nem se quisesse. Ela sabia o que Santana estava fazendo, sempre programando algo para elas fazerem juntas. A latina estava, do seu jeito, ajudando ela a se reaproximar de Quinn.

"Se você estava com saudade da minha companhia, San, era só dizer." Quinn ironizou.

"Vai sonhando, Fabray. Eu só quero aproveitar uma noite com as minhas garotas."

"Nada de pegação?" Quinn arqueou a sobrancelha.

"Não." A latina respondeu, vendo Quinn pegar o celular que havia acabado de vibrar em seu bolso. "E nada de conversa pelo whatsapp." A latina começou a dizer, arrancando o celular da mão de Quinn e olhando para a tela. "Quem é Alex?" Ela perguntou, intrigada.

Quinn logo pegou o celular de volta, guardando no bolso. "É um amigo meu do escritório." A loira respondeu.

Os olhos de Santana se arregalaram, surpresos. "Quando você diz amigo você quer dizer que ele já passou do estágio de colega de trabalho? E é um homem?"

"É, Santana. Amigo. Homem. Algum problema?"

Santana tinha vários problemas com aquilo, mas resolveu não dizer mais nada.

"Sinuca. Melhor de três?" Rachel propôs, de repente.

"Eu topo." Quinn disse.

"Eu vou ver se o Tom ou o Samuel podem jogar com a gente. Dupla é melhor." A latina comentou e as três se levantaram, indo para uma das mesas de sinuca no fundo do bar.

No meio do caminho, Santana pensou que talvez tivesse sido uma péssima ideia deixar Rachel e Quinn sozinhas naquele momento. Mas quando voltou, sozinha, pois nenhum dos dois estavam desocupados para uma partida, ela encontrou as duas rindo e conversando, jogando uma partida enquanto esperavam por ela.

"Merda, Quinn. Eu tinha esquecido como você era boa nisso." Rachel comentou, vendo a loira encaçapar a terceira bola seguida.

"Faz parte da minha estratégia. Eu deixo você e a Santana jogarem sozinhas e acharem que são muito boas. Então quando eu jogo..." Ela falou, matando mais uma. "Vocês não podem fazer nada a não ser se renderem ao meu talento." Ela piscou, brincalhona.

"Impressionante, Fabray." Santana se meteu, pegando um taco. "Agora fale menos e termina logo essa brincadeira pro jogo de verdade começar."

Conforme a noite avançava, elas se divertiam como em muito tempo não acontecia. Santana se sentia um pouquinho melhor cada vez que via uma de suas amigas rindo ou conversando entre si. Assim como se sentia um pouco mais triste, pensando em como seria perfeito se, naquele momento, mais uma pessoa estivesse ali...

"Tive uma ideia." A latina comentou.

"Anota essa, Rach." Quinn comentou, rindo. "Santana tendo uma ideia é um acontecimento que não pode passar sem registro."

Rachel gargalhou. "Manda, S. Qual a ideia?"

"Eu acho que precisamos sacudir aquele apartamento incrivelmente monótono." Disse Santana, ignorando a brincadeira das amigas.

"Como assim?" Quinn perguntou.

"Como assim, o quê? Vou dar uma festa por lá!" Santana declarou.

"Quando você diz uma festa você quer dizer só o nosso grupo de sempre ou realmente uma festa?"

"Eu quero dizer a maior festa que aquela porra de vizinhança já viu. Vamos nos divertir! O apartamento é grande o suficiente e nós nunca mais fizemos nada lá! Topam?" A latina propôs.

Rachel deu de ombros. "Por mim, sem problemas."

"Quem você está pensando em chamar exatamente?" Quinn perguntou.

"Todo mundo. Brody, Kurt e Blaine, obviamente. O pessoal de NYADA, o pessoal aqui do bar, da Hart. Quem vocês quiserem chamar também. O pessoal do seu trabalho e da peça da Rachel, se vocês quiserem." A latina deu de ombros.

Uma expressão de preocupação tomou conta de Quinn. Rachel achou que era pelo fato de Santana ter mencionado o seu escritório e, possivelmente, esse tal de Alex de quem haviam falado mais cedo. Mas quando Quinn falou, ela percebeu que não era nada disso, mas sim...

"E quando você diz o pessoal da Hart..." Quinn comentou.

"Sim, Fabray. Isso inclui a Brittany. Inclusive, você mesma pode falar com ela." Santana falou.

Rachel arregalou os olhos, surpresa. "Santana, você tem certeza que é uma boa ideia?"

"Por que não seria? Ela é sua amiga não é, Quinn? De certa forma, ela é nossa amiga também, Rach. Estudamos juntas, nos encontramos todo ano naquela porra de encontro do Glee, ela mora aqui agora e anda pra cima e pra baixo com a loira, além de trabalhar no mesmo lugar que eu. Lembra?"

"Esses são os motivos?" A morena insistiu.

"Ok, ela é minha maldita ex. Mas se até você e a Quinn estão aqui depois de algo que aconteceu praticamente ontem, porque eu não posso conviver com ela por algo que aconteceu anos atrás?"

"A gente volta a conversar sobre isso quando você não estiver sob o efeito de álcool, ok?" Quinn falou.

"Estou falando sério. Eu quero que ela vá, de verdade. Não estou fazendo isso por mim, estou fazendo isso por ela." Santana confessou. "Já foi ruim o bastante tudo que eu fiz. Eu não quero que ser o motivo dela não poder conviver com vocês e com os rapazes do jeito que ela gostaria. Não quero que ela se sinta sozinha tendo por perto tantos amigos."

Quinn e Rachel viram os olhos da latina lacrimejarem e a loira imediatamente se aproximou da amiga, passando um braço pelos seus ombros, a abraçando de lado e depositando um beijo em seu rosto.

"Tudo bem, S. A Quinn vai falar com ela, não vai, Q?" Rachel falou.

"Vou." A loira confirmou. "E você sabe que eu jamais deixaria a Britt se sentir sozinha. Sabe disso, não sabe?" Ela disse em um tom mais baixo, olhando nos olhos de Santana.

"Eu sei." Santana respondeu. "Mas que porra..." Ela falou logo em seguida, se desvencilhando de Quinn e respirando fundo. "Hoje não é dia disso! Tom!"

O dono do bar olhou pra ela, sorrindo.

"Três tequilas!" Ela pediu, vendo ele acenar positivamente. "Está na hora de chutar a sua bunda na sinuca, Fabray!" A latina voltou a analisar a mesa, ensaiando sua próxima jogada.

Rachel e Quinn se entreolharam, incertas e Rachel meneou a cabeça na direção da latina. Quinn entendeu o recado e se aproximou de Santana, provocando a latina com algum comentário engraçado. Aquela realmente não era a hora de conversarem sobre aquilo.

Rachel ouviu a latina responder à provocação de Quinn e as duas continuaram alfinetando uma a outra enquanto jogavam, causando um sorriso no rosto da morena. Ela ainda ficou por um tempo observando as duas, vendo o quanto Quinn parecia feliz e descontraída, um sorriso fácil nos lábios.

Quinn, de repente, sentiu estar sendo observada. Ela olhou para o lado e seu olhar cruzou com os olhos castanhos e atentos de Rachel, que lhe observavam. A morena corou e lhe sorriu de lado, uma timidez incaracterística em suas feições. A loira pareceu se perder por um momento, até Santana lhe cutucar, comemorando a jogada que havia acabado de fazer. A sensação foi de estar sendo puxada de volta à realidade. O ambiente a sua volta, que havia ficado mudo e paralisado, voltou a invadir seus sentidos, que pareciam ter se amplificado.

Mas o sorriso de Rachel permaneceu em foco, ainda tímido, até ela desviar o olhar...

...

Tinha sido um pouco trabalhoso para Quinn convencer Brittany de que estava tudo bem ela ir na festa que Santana estava organizando, mas, no fim, a loira concordara em pelo menos dar uma passada por lá. Ela realmente queria rever Kurt e Blaine e até mesmo Rachel. Ela também queria finalmente conhecer o apartamento em que elas moravam.

E, talvez, ela também quisesse ver Santana em um ambiente que não fosse o trabalho. A Hart era um lugar enorme e era muito fácil evitar a latina todos os dias. Elas pertenciam a departamentos distintos, afinal, e até agora ela não tinha sido confrontada com a necessidade de interagir com a latina. Mas havia algo sobre ver Santana em Nova Iorque, no seu apartamento, com as pessoas que ela convivia, que aguçava e muito a sua curiosidade.

Ela não havia dito isso para Quinn, contudo. Não era importante. Era só uma curiosidade boba e que não existiria mais daqui a alguns dias. Ela não poderia negar, contudo, que a sua ansiedade andava crescendo conforme os dias iam passando e a proximidade com a festa ia aumentando.

Quinn parecia estranhamente animada e Brittany apostava que tinha tudo a ver com o fato dela e Rachel terem voltado a se falar. Ela também não falaria isso com a amiga, com medo de chamar atenção para aquele detalhe e fazer a loira recuar, como lhe era característico. Quinn podia ser tão parecida com Santana às vezes...

E lembrar do jeito da latina era uma coisa que Brittany sabia que não deveria estar pensando.

Carter levara com relativa tranquilidade o fato dela ir a uma festa no apartamento que Quinn dividia com Santana. Saber que ela trabalharia no mesmo lugar que a latina já tinha causado estranhamento o suficiente entre elas e a namorada pareceu aceitar o fato de que era inevitável que Brittany convivesse com a sua ex.

A loirinha admirava como Carter havia decidido encarar tudo aquilo. Ela amava isso na namorada, em como ela sempre priorizava a proximidade entre elas e não o distanciamento, não importava qual fosse o problema que surgisse. Talvez aquele tivesse sido um dos principais motivos pelo qual ela se apaixonara pela morena e lhe custava admitir que até isso tinha uma ligação direta com Santana.

A latina tinha o péssimo hábito de fugir na primeira dificuldade que aparecia, hábito esse que Brittany tinha verdadeiramente acreditado que a latina havia superado. O que mais tarde se provara completamente errado. Carter não era assim. Era o exato oposto, na verdade.

Brittany gostava de pensar que ela e a latina, no fim, não tinham sido destinadas a ficarem juntas. Elas sempre tinham sido melhor como amigas. Amigas com benefícios sim, mas, acima de tudo, amigas. Melhores amigas. Desde sempre. Se ela tinha uma grande dificuldade em pensar em Santana como sua ex-namorada, ela não tinha dificuldade nenhuma em lembrar da amizade compartilhada entre elas. Santana fora a melhor amiga que ela poderia sonhar em ter, sempre ao seu lado, sempre a defendendo do mundo, sempre! E como ela sentia falta disso!

Quando Santana havia terminado com ela, a única coisa que a consolava era que ela jamais perderia a amizade da latina. Ela pensava que nada jamais conseguiria afetar a amizade entre elas. Mas depois de algum tempo, não fora exatamente isso que tinha acontecido. Santana havia se afastado aos poucos, cada vez mais. E por aquilo Brittany nunca a perdoaria. Ela não havia perdido somente sua namorada, ela havia perdido sua melhor amiga, sua pessoa. E era o fato dela ter perdido tudo, o amor e a amizade, que a fizera mergulhar em uma escuridão que parecera que nunca ia ter fim...

Mas tivera. Ela havia conseguido sair daquele estado, mas não tinha saído inteira. Muito de si havia ficado pelo caminho, partes de quem era ela, partes que ela jamais seria novamente. Ela era outra pessoa agora, mais calejada, mais dura, mais autoconsciente. E ela gostava de que fosse assim. Ela havia descoberto o amor-próprio, ela havia descoberto que nada na vida valia a pena se ela tivesse que abrir mão dele, abrir mão de si mesma.

E talvez aí residisse sua maior dificuldade em aceitar que Santana estava, mais uma vez, de volta a sua vida. Porque Santana sempre a fizera perder o rumo, o tino, o chão. A latina sempre era o incerto, o arriscado, o volúvel. Santana era capaz de virar sua vida de cabeça para baixo em questão de segundos. E ela, antes, sempre fora refém disso, do que a latina a fazia sentir. Qualquer proximidade com Santana iria pôr a prova tudo aquilo que pensava de si mesma e ela não sabia se estava preparada para aquilo, talvez nunca estivesse.

Por outro lado, fugir disso já a fazia refém, refém do seu próprio medo, do seu próprio receio. Já a limitava de uma forma incômoda, pois não se tratava mais de um encontro anual, que nada mudaria em sua vida, mas sim de uma vida que ela estava tentando construir em NY e que, inevitavelmente, cruzava com a vida de Santana. Ela não poderia se esconder pra sempre.

Talvez estivesse na hora dela parar de ensaiar e, finalmente, iniciar aquela dança...

...

Quinn parou por um momento para respirar e olhou ao redor. A sala estava completamente irreconhecível. Elas haviam mudado toda a disposição do local e a loira de repente se dera conta do quanto aquele apartamento era grande para os padrões de Nova Iorque. A sala e a sala de jantar se juntavam, formando um ambiente espaçoso. Quinn se recordava de quando Rachel e Santana haviam decidido se mudar do loft e alugar aquele apartamento. Ela havia acompanhado as duas e se impressionara com ele assim que elas haviam entrado.

Para duas pessoas ainda terminando a faculdade, ele poderia ser considerado um exagero e por isso a loira havia ficado surpresa quando Rachel havia lhe dito que tinham decidido por ele. Não tanto pelo dinheiro, já que as duas já trabalhavam meio período e Rachel já havia engatado algumas peças off-Broadway, assim como Santana tinha um estágio, além de ainda receberem a ajuda dos pais, mas sim pelo espaço. Santana havia dito que elas haviam acostumado com o loft e os outros apartamentos que elas haviam visitado deixava uma sensação claustrofóbica nelas. Mas não fora a mesma versão que Rachel havia lhe contado...

Era a primeira vez que Quinn havia ido visitar as amigas desde que elas haviam mudado do loft. Santana e Rachel já haviam mobiliado todo o apartamento, a ampla janela da sala dando acesso a uma linda vista do Central Park, não muito distante dali.

“O que achou?” Rachel lhe perguntou assim que ela havia se acomodado no quarto de hóspedes.

“Perfeito.” Quinn sorriu, sentando na cama. “Um pouco grande demais pra vocês duas, mas a Santana tem razão. Depois do loft, ia ser difícil vocês se acostumarem com algo menor.”

“Foi isso que a Santana disse?” A morena franziu a sobrancelha.

Quinn confirmou com a cabeça. “Eu sei que também tem a ver com vocês quererem mudar um pouco de ares, o loft realmente guarda muitas recordações pra vocês...” A loira disse, em um tom mais baixo.

“Quinn.” Rachel a interrompeu. “Claro que queríamos mudar de lá e claro que tem a ver um pouco com isso. Mas podíamos ter ido para qualquer lugar. Você realmente não sabe porque escolhemos justamente esse apartamento mesmo ele sendo grande para nós duas?” Ela sorriu de lado.

“Não?” A loira respondeu, confusa.

“Escolhemos ele porque ele é perfeito. Não para nós duas. Para nós três, Q.” Rachel disse. “Logo você vai formar em Yale e vai vir para cá, como você mesma vive dizendo. Você achou que existia alguma possibilidade de você morar em Nova Iorque sem ser com a gente?”

“Você está falando sério?” Quinn riu, balançando a cabeça. Ok. Talvez ela estivesse um pouco emocionada com aquela demonstração de afeto das duas amigas. “Eu não imaginava nem que você queria continuar morando com a Santana.” Ambas riram. “Quanto mais morar com ela e comigo.”

“É claro que eu quero morar com você, Q. Não vejo a hora de você finalmente vir pra cá! Você sabe disso.” A morena disse. “A não ser que você não queira morar com a gente.” Ponderou, assumindo uma expressão menos animada.

“Claro que eu quero, Rach.” A loira afirmou. “Eu definitivamente não vou sentir falta das viagens de trem.” Brincou.

“Então está tudo resolvido! Esse não é o quarto de hóspedes, é o seu quarto. Já comece se acostumando com isso, Fabray.” Rachel piscou-lhe. “Vou estar somente a uma porta de distância e não a duas horas de trem.”

Quinn devolveu o sorriso. Rachel parecia estar realmente falando sério e bastante animada com a ideia dela vir morar ali. Ela nunca havia pensado sobre onde moraria, até porque sua ida para NY era mais um desejo do que uma realidade no momento, mesmo que ela já estivesse fazendo os contatos certos. Ela gostava de New Haven, mas era impossível não se apaixonar por NY, principalmente com todos os seus amigos ali. Logo ela, que até uma certa morena abrir seus olhos nunca havia imaginado sair de Lima e alcançar um futuro maior e melhor para si...

Então depois de se formar, ela não havia ficado muito mais tempo em New Haven. Assim que ela recebera a ligação da Ford & Hoffman Advogados Associados, ela havia feito as malas e embarcado no primeiro trem para NY, sem olhar para trás. Rachel e Santana, obviamente, não haviam perdido tempo em levá-la para comemorar a mudança, junto com Kurt e Blaine. Quinn se lembrava daquela noite como se tivesse acontecido no dia anterior! Todos estavam animados, felizes por finalmente terem ela em NY em tempo integral. Até mesmo Santana não havia tentado esconder a felicidade de ter ela no apartamento, lhe abraçando várias vezes durante a noite, dizendo o quanto significava elas estarem reunidas de verdade mais uma vez. Talvez com uma pequena ajuda do álcool que corria em suas veias. Mas Quinn não havia se importado. Ela também estava genuinamente feliz, pensando no quanto ela tinha a sorte de ter conseguido um emprego em um dos escritórios mais cobiçados de NY e estar junto dos seus amigos, sua verdadeira família.

Um suspiro nostálgico escapou por entre os lábios. Aquela noite parecia ter acontecido a uma eternidade, mesmo que, na verdade, tivesse acontecido apenas a alguns meses atrás. Tanta coisa tinha acontecido desde então. Sua vida havia dado voltas e reviravoltas que ela jamais poderia imaginar. Naquele momento, contudo, ela parecia finalmente estar em um momento de respiro.

Talvez Quinn não soubesse que aquele respiro era, na verdade, o único que ela teria antes do mergulho que inevitavelmente tomaria. Caso soubesse, talvez ela tivesse tomado um fôlego maior...

...

A festa parecia estar a todo vapor enquanto Quinn conversava com uma Brittany ligeiramente deslocada, tentando fazer com que a amiga relaxasse. Fora Santana quem havia aberto a porta para a loira e Quinn tinha observado elas se cumprimentarem de forma desconfortável antes de Rachel aparecer e salvar a latina, abraçando calorosamente Brittany e se encarregando de levá-la até Kurt e Blaine, que também haviam recebido a loira com muito entusiasmo.

Santana havia sumido depois disso e agora todos estavam dispersados pela festa, restando somente as duas. Quinn estava se perguntando onde a latina tinha se enfiado quando uma voz atraiu sua atenção para a porta do apartamento. Erika tinha acabado de chegar e abraçava Brody carinhosamente. Ela observou atentamente a morena ir até Rachel e trocar algumas palavras com ela. Finalmente os olhos de Erika correram pelo local e se fixaram nela. Quinn ficou levemente surpresa ao vê-la sorrir e ir ao seu encontro.

"Bom te ver, doutora." Erika disse assim que chegou onde ela e Brittany estavam.

Quinn arqueou a sobrancelha e a morena sorriu sem graça, olhando para os próprios pés. "Britt, essa é Erika, uma conhecida. Erika, essa é Brittany, nossa amiga e a mais nova moradora de NY." Quinn apresentou.

Brittany sorriu simpática para a morena, notando uma troca de olhares entre ela e Quinn. Se sentiu levemente incomodada com o olhar que essa Erika agora lhe direcionava, como se a estivesse avaliando. "Onde é o banheiro, Q?" Perguntou.

"Primeira porta à esquerda no corredor, B."

A loira sorriu mais uma vez e virou as costas, se afastando.

"Brittany? Sério?" Erika questionou, surpresa e Quinn assentiu. "E onde está a Santana?" A morena perguntou curiosa, olhando ao redor.

"Evitando ela, provavelmente." Quinn comentou, seca.

"Claro." Erika respondeu, evitando o olhar da loira. Ela limpou a garganta, parecendo nervosa por um momento. "Acho que te devo algum tipo de desculpas."

"Você acha?" Quinn provocou, arqueando a sobrancelha mais uma vez.

"Eu não queria ter ignorado você e sumido dessa forma, ok?" Erika finalmente a encarou. "Eu só precisava fazer isso. Para o meu próprio bem."

Quinn a olhou profundamente. Tinha ficado chateada, mas entendia sua atitude. Só queria que Erika tivesse conversado com ela, em vez de ter lhe ignorado por semanas. Qual era o problema das pessoas em conversar umas com as outras para se resolverem, afinal? Mas ela não estava em posição de questionar aquilo, não quando ela e Rachel haviam sofrido de uma incapacidade crônica de conseguir falar frases inteiras uma com a outra por tanto tempo, a não ser quando discutiam.

"Era só ter conversado comigo. Eu teria te entendido e te respeitado." Quinn falou de forma mais suave dessa vez.

"Eu sei." Erika suspirou, olhando para baixo. Ela então levantou o olhar. "Senti sua falta."

"Eu também." Quinn admitiu, sorrindo de lado.

"Então me dê um abraço, doutora." Erika falou divertida, abraçando Quinn.

Rachel ia para a cozinha quando viu Quinn e Erika se abraçarem, ambas sorrindo. Mordeu o lábio, desviando o olhar e continuando seu caminho. Elas tinham voltado a se falar? Não imaginava como aquilo poderia ser da sua conta, mas queria saber o que tinha acontecido mesmo assim, uma sensação quente tomando conta de si. Não era um sentimento bom. O que diabos estava acontecendo com ela? Primeiro com Puck, depois Jean e agora Erika. Ela não era assim! Quinn parecia despertar nela todo o tipo de coisa que ela não sabia explicar, que ela nem sabia o que era, que ela nunca pensou que fosse sentir novamente.

Ela entrou na cozinha e respirou fundo.

"Você está bem?" Brody perguntou assim que entrou na cozinha e viu a morena escorada na parede com os olhos fechados.

Rachel abriu os olhos e deu um meio sorriso para o moreno. "Estou."

"Tem certeza?"

A morena acenou que sim e se virou para abrir a geladeira, pegando uma cerveja de lá e entregando ao moreno.

"Leu meus pensamentos." Ele disse, ainda fitando a pequena.

"Então... a Erika está de volta." Rachel comentou, pensando ser de forma aleatória.

"Parece que sim." Brody disse. "A Santana falou que talvez ela aparecesse." Informou.

"Estranho ela ter sumido, não? Um dia ela estava com a gente, sempre andando com a Santana e a Quinn, e no outro desapareceu." Rachel comentou, olhando de canto de olho para Brody enquanto preparava alguns aperitivos que já estavam em falta na sala.

"Não acho estranho ela ter sumido, dada às circunstâncias..." O moreno mordeu a isca, querendo instigar a morena.

"Quais circunstâncias?" Rachel perguntou, tentando transparecer apenas um leve interesse.

"Você sabe que estava rolando algo entre ela e a Quinn..." Brody falou, querendo ver a reação da morena. "Acho que acabou não terminando muito bem."

"Hum. Que... que pena." Rachel vacilou, limpando a garganta. "O que será que aconteceu?"

"Não sei muito bem." O moreno encolheu os ombros. "A Santana deu a entender que a Erika estava esperando um pouco mais da Quinn do que ela realmente queria dar."

"Entendi." Rachel disse, em um tom de voz que Brody poderia jurar que era de alívio.

"Mas agora ela apareceu de novo e parece que ela e a Quinn estão bem, né? Se abraçando e tudo o mais..." O moreno não evitou provocar, sentindo a postura de Rachel tensionar.

"É. Que bom." A morena se limitou a dizer. "Bom, vou levar isso aqui para a sala. Você me ajuda?" Ela pediu, pegando uma das tigelas.

"Claro. Falando nisso..." Ele disse, pegando a outra. "Onde está a Santana?"

"Boa pergunta." Rachel disse, saindo em seguida.

Santana estava encostada na janela da pequena área interna que elas tinham no apartamento. Quinn a tinha proibido terminantemente de fumar lá, alegando que as roupas ficariam com o cheiro do cigarro. Isso ainda era um mistério para a latina, que nunca vira Quinn lavar um par de meias que fosse. Ela preferia a escada de incêndio, de qualquer forma. Mas aquela noite, com o apartamento cheio, alguém a veria sair e por alguns minutos ela só queria fumar seu cigarro em paz. Tragava-o calmamente, sentindo seu corpo aquecido mesmo com o frio que entrava pela janela...

"Você ainda fuma." Uma voz que ela reconheceria em qualquer lugar soou atrás de si.

Não era uma pergunta, então Santana não se deu ao trabalho de responder, expelindo a fumaça para a noite fria. O que ela estava fazendo ali?

"Sua mãe certamente teria algo a dizer sobre isso." A voz comentou.

Sem saber o porquê, a menção sobre sua mãe a irritou. Sua mãe sempre tinha algo a dizer sobre tudo e, na maioria das vezes, era em um tom de desaprovação sobre qualquer coisa que ela fizesse.

"O que você está fazendo aqui?" Ela perguntou. O tom era seco e ela se arrependeu no mesmo segundo, mas não voltou atrás.

"A Quinn estava conversando com uma tal de Erika, Kurt e Blaine sumiram e eu não queria ocupar a Rachel." Brittany respondeu.

"E então você veio me procurar?"

"Não. Só queria um lugar para respirar um pouco. Não conheço muitas pessoas por aqui." A loirinha explicou.

Santana quase riu da própria estupidez. Por que Brittany iria querer sua companhia? Elas sequer conseguiam manter um diálogo. "Só vou terminar esse cigarro e estou fora do seu caminho."

"Está tudo bem, Santana. A casa é sua afinal." Brittany disse.

A loira se aproximou da janela, observando a vista. Santana a viu franzir o nariz involuntariamente para o cheiro de cigarro. Ela sempre tinha evitado ficar perto quando ela fumava.

"Por que é tão difícil?" Santana questionou.

Brittany olhou intrigada para ela.

"Por que é tão difícil conversamos uma com a outra?" Santana formulou melhor a pergunta. "Desde sempre, você foi minha melhor amiga e agora..." Ela pausou, suspirando e voltando a encarar a noite fria de NY.

"Acho que nós duas temos culpa." Brittany respondeu depois de um tempo. "Fomos nos afastando e deixamos chegar a esse ponto." Deu de ombros. Ela não ia começar a acusar a latina naquele momento.

Santana riu sem vontade. "Isso é ridículo. Temos os mesmos amigos, você mora aqui agora, trabalhamos no mesmo lugar. Isso era..." Era tudo o que sonhamos um dia, Santana queria dizer, mas não disse.

Brittany também não disse nada, parecendo perdida em pensamentos ao encarar o céu sem estrelas. "Não é engraçado?" Foi a vez da loira perguntar depois de um tempo. Ela desviou os olhos da janela e encarou a latina. "Não é engraçado que mesmo seguindo caminhos completamente diferentes, acabamos no mesmo lugar?"

Santana achava aquilo qualquer coisa, menos engraçado. Ela e Brittany estarem no mesmo lugar não passava de uma coincidência. Mas jamais era para ter sido uma coincidência. Ela deveria ter lutado pela loira, ela deveria ter acreditado no amor delas, amor esse que ela ainda sentia correr por suas veias. Ela deveria ter virado o mundo ao avesso para que elas tivessem dado certo, ela nunca deveria tê-la deixado...

"Não acho engraçado." Santana disse, sincera. "Acho triste, na verdade. Se eu tivesse-" Ela tentou dizer, mas a loira a cortou.

"Não vamos falar 'se isso' ou 'se aquilo'. O que aconteceu, aconteceu. Passou. Você tem sua vida e eu tenho a minha."

Santana não insistiu, mas assumiu uma expressão contrariada no rosto. Brittany olhou para frente e sorriu de lado. Em certos momentos, Santana parecia exatamente a mesma garota de dezessete anos de quem se lembrava. Era inevitável não sorrir.

"Santana, escuta... eu sei que nenhuma de nós imaginou estar nessa situação um dia, mas estamos. E como você disse, temos os mesmos amigos, moramos na mesma cidade, trabalhamos no mesmo lugar. Sei que não é fácil, mas acho que podemos fazer um esforço maior do que temos feito." Brittany falou, surpreendendo a latina.

"O que você sugere?" Sem saber como reagir ao que a loirinha havia dito, Santana se limitou a perguntar.

"Não vejo por que a gente não pode conviver como duas velhas amigas que se afastaram e agora se reencontraram. Se não por nós, pelo menos pela Quinn. Ela está passando por tanta coisa no momento, não quero que isso seja mais um problema pra ela, que ela tenha que ficar se dividindo entre nós." Brittany propôs.

Santana olhou para sua ex-namorada, que tinha uma leve expressão de preocupação em seu rosto. Bastava um olhar para aqueles olhos azuis e Santana estava rendida. "Claro. Acho que posso fazer isso." A latina respondeu, limpando garganta. "Pela Quinn."

Brittany lhe sorriu.

"Eu ouvi meu nome?" Quinn perguntou, aparecendo junto com Erika.

"É algum tipo de alucinação ou você resolveu virar mulher e dar as caras novamente?" Santana arqueou a sobrancelha e provocou Erika, mas um sorriso no canto dos lábios denunciava a brincadeira.

"Eu sei que você sentiu minha falta, Santana. Não precisa dizer." Erika disse, indo em direção à janela e pegando o isqueiro e o maço de cigarro que a latina havia deixado por ali.

As três observaram a morena acender um cigarro. Quinn com um sorriso a contragosto, balançando a cabeça pelos maus hábitos das duas amigas. Santana riu com a familiaridade da cena, a morena parecia não ter mudado em nada o jeito de agir. Brittany manteve uma expressão reservada, mas intrigada pela interação entre as duas. Não se lembrava de Quinn ter mencionado essa tal de Erika, mas ela parecia ser amiga de todos ali.

Ela tinha visto a forma com que Erika olhara para Quinn e imaginou que pudesse haver algo ali, mas agora ela tinha assumido um leve tom de flerte com Santana e a loira não sabia muito bem como encaixá-la naquele contexto. Ou talvez fosse ela que não se encaixasse ali.

"Já que o clube da fumaça finalmente se reencontrou, vou levar a Brittany para conhecer alguns outros amigos." Quinn quebrou o silêncio. "Não fiquem aqui o resto da festa. Você pode ter se esquecido, San, mas você é a anfitriã." Ela avisou à latina, saindo com Brittany em seguida.

"Tudo bem?" Quinn perguntou enquanto andavam pelo corredor do apartamento, percebendo a expressão no rosto da amiga.

"Tudo." Brittany respondeu. "Santana e eu até conseguimos ter uma conversa, mesmo que estranha."

"Isso vai passar, B. Esse clima estranho. Dê tempo ao tempo." A advogada afirmou.

"Eu quis vir pra cá, Q. Foi escolha minha. Eu sabia que isso ia acontecer e mesmo assim decidi largar tudo em LA e vir pra cá." Brittany disse, em uma voz ao mesmo tempo triste e resoluta. "Não posso reclamar."

"Você se arrependeu?" Quinn perguntou.

"Tem dias que sim." Brittany respondeu, antes de reparar que Rachel estava se aproximando delas e sorrir.

"Está tudo bem?" A morena perguntou, direcionando o seu olhar para Brittany.

"Está sim, Rach." Quinn respondeu pela amiga.

"Vocês viram a Santana?"

Quinn riu. "Sim, eu vi. Ela está disputando com a Erika quem enche mais a nossa área de fumaça." Ela brincou.

"E eu aqui servindo os convidados dela." Rachel revirou os olhos, indignada.

"Não seja por isso, Rach. O que você quer que a gente faça?" A loirinha ofereceu.

"De jeito nenhum, Britt. Você é convidada." Rachel balançou a cabeça.

"É melhor você dizer logo, Rach, porque ela não vai desistir." Quinn avisou.

"Ok. Eu realmente estou precisando de ajuda. Você podia pegar umas garrafas de vinho que estão no refrigerador e substituir as vazias. Tenho certeza que o Kurt me pediu uma. A cozinha é logo ali." A morena apontou.

"Deixa comigo." Brittany disse, deixando Rachel e Quinn para trás.

"Algum serviço pra mim, senhorita Berry?" Quinn brincou, arqueando a sobrancelha.

Rachel engoliu em seco, refreando a resposta que realmente queria dar. "Você poderia voltar naquelas duas e relembrar a Santana que a festa é dela."

"E você acha que eu já não fiz isso?" Quinn balançou a cabeça. "Ela está lá por causa da Britt, você sabe disso. Agora com a Erika lá é que ela não sai mesmo."

"Erika, hum?" Rachel mudou o assunto da conversa. "Achei que ela não fosse mais aparecer."

"Nem eu." A loira disse. "As surpresas nunca param de acontecer por aqui." Quinn observou.

"Vocês... estão bem?" A morena perguntou com cautela.

"Por que não estaríamos?" Quinn questionou, se fazendo de desentendida.

"Por nada." Rachel deu de ombros, seguindo a atitude da loira. "Já que as duas vão ficar por lá mesmo, me ajuda a dar uma geral pela sala? Não tem mais onde ter garrafa de cerveja."

"Claro." Quinn concordou, seguindo a morena.

Quinn não sabia o que havia acontecido, ela só sabia que em um momento ela estava conversando com Blaine, a sala completamente iluminada e uma leve música ao fundo, quando, de repente, as luzes diminuíram, deixando o ambiente escuro, e a música aumentou de volume, as batidas ecoando pelo apartamento. Ela focalizou o centro da sala e sorriu incrédula para a imagem a sua frente. Santana e Erika haviam começado a dançar e logo toda a sala havia se tornado uma grande pista de dança, seu apartamento transformado em uma pequena boate.

"Acho que todos os vizinhos que estavam dormindo acabaram de acordar." Blaine comentou, gritando.

"Relaxa. Todos os nossos vizinhos estão aqui." Quinn gritou de volta.

"A Santana realmente sabe dar uma festa, não sabe?" O moreno riu.

Quinn ia responder quando sentiu ser puxada por alguém, soltando um gritinho. Erika havia acabado de arrastá-la para o centro da sala. "Hora de dançar, doutora." Ela falou em seu ouvido.

O tom não era provocante ou charmoso. Era simplesmente uma amiga chamando a outra para dançar. O som alto realmente impedia qualquer coisa de ser escutada que não fosse falada ao pé do ouvido ou gritando.

Mas Rachel não percebeu esse detalhe. Rachel não percebeu nada que não fosse Quinn e Erika dançando juntas e a mesma sensação quente se apossou dela mais uma vez, muito mais forte, fazendo o sangue pulsar em suas orelhas. Ela sabia que não podia perder o controle como fizera com Jean, mas era uma tarefa quase impossível impedir que seu corpo fosse em direção a elas e a morena já tinha dado os primeiros passos sem seu cérebro sequer ter registrado tais movimentos.

Quinn estava dançando ao lado de Erika quando viu Rachel se aproximar delas e de Santana, um sorriso cafajeste no rosto enquanto entrava no ritmo da música, seu corpo moreno se movimentando com destreza. A loira imediatamente sentiu seu corpo inteiro esquentar e desviou o olhar, ouvindo um risinho ao seu lado e se virando para fuzilar Erika com o olhar.

"Parece que nada mudou." Erika comentou.

"Muita coisa mudou." A loira afirmou.

"Bom, você sentir tesão pela Berry não." A morena declarou, na lata.

Os olhos de Quinn se arregalaram e sua boca se abriu ligeiramente, sem acreditar que Erika havia falado aquilo assim, daquele jeito. A morena gargalhou diante da expressão de Quinn e balançou o quadril para frente, em um claro gesto para que elas voltassem a dançar como se nada tivesse acontecido. Mais por ter ficado sem reação do que qualquer outra coisa, Quinn obedeceu. Foi quando uma Santana completamente alterada apareceu a sua frente, empurrando desajeitadamente um copo com um líquido transparente para ela, forçando ela a virar o conteúdo do copo quase que no susto.

A dose que agora a loira podia identificar como sendo de vodca desceu ardendo como o inferno, seus olhos lacrimejando. Ela balançou a cabeça para se livrar daquela sensação e a risada de Rachel ecoou em seus ouvidos.

"Santana!" A loira ralhou, mas tudo o que a latina fez foi rir e continuar dançando.

"Melhor pra dentro do que pra fora, Q." Rachel comentou, a sua frente.

Quinn concordou com a cabeça. "Você viu a Brittany?" Perguntou para a morena. "Não queria deixar ela sozinha."

"Relaxa." Rachel respondeu, seus corpos ainda se movimentando ao ritmo da música. "Ela está ali no sofá com o Kurt." Ela apontou.

A loira virou o rosto para a direção apontada e viu os dois amigos realmente sentados no sofá encostado na parede, conversando. Ela sorriu, sentindo seu corpo relaxar consideravelmente. Santana se aproximou dela e requebrou os ombros, fazendo ela gargalhar e perceber que a bebida já estava causando em si um leve efeito eufórico. A latina passou a dançar ao seu lado e Quinn intensificou seus movimentos para acompanhá-la.

Rachel não sabia se agradecia ou xingava Santana pela cena que ela estava lhe proporcionando. A latina era extremamente talentosa e provocante, mas a forma com que Quinn dançava fazia as pernas de Rachel ficarem bambas...

Quinn Fabray dançando era a própria sensualidade tomando forma diante de si, era como se uma deusa grega tivesse acabado de descer dos céus para enfeitiçar todos os mortais que pusessem os olhos nela. Os movimentos dos quadris da ex-líder de torcida hipnotizaram a morena e sua garganta secou de uma forma que nem toda a água do mundo seria capaz de impedir.

E então sua visão foi bloqueada por Brody, que em uma tentativa de brincar com ela, se postou a sua frente e começou a fazer movimentos engraçados. A morena não sabia se matava Brody ali mesmo ou se levava ele dali e o matava em algum canto escuro para que ninguém testemunhasse o ato. Brody percebeu a expressão assassina em seu rosto, pausando os movimentos por um momento e olhando questionador para ela. Rachel então gritou para o moreno que estava com sede e saiu dali antes que ele pudesse perguntar alguma coisa. Ela não podia ficar babando por Quinn a noite inteira e esperar que ninguém percebesse. A morena realmente precisava virar o jogo ali. Literalmente...

Quinn percebeu quando Rachel voltou para o centro da sala, falando alguma coisa no ouvido de Santana e voltando o seu olhar penetrante para ela, um sorriso sugestivo no rosto. Quinn prendeu a respiração exatamente no momento em que uma nova música passou a ecoar pelo apartamento.

You're a troublemaker

You're a troublemaker

You ain't nothing but a troublemaker girl

Quinn balançou a cabeça e riu com a ironia, mas não lhe restou muito tempo para isso. Rachel e Santana começaram a dançar de forma propositalmente sensual, seus movimentos e passos sincronizados fazendo com que a loira começasse a perder talvez o pouco de sanidade que ainda lhe restava...

You had me hooked again from the minute you sat down

The way you bite your lip

Got my head spinnin' around

After a drink or two I was putty in your hands

I don't know if I have the strength to stand

Rachel mordeu os lábios, seu rebolado provocante fazendo com o que seu vestido preto subisse alguns centímetros a mais, a pele bronzeada brilhando contra a pouca iluminação da sala e suas pernas definidas em movimento fazendo com que as pernas da loira perdessem um pouco da força, um arrepio subindo-lhe pelas costas...

Oh oh oh

Trouble troublemaker yeah

That's your middle name

Oh oh oh

I know you're no good, but you're stuck in my brain

And I wanna know...

Quinn sabia que não deveria estar se sentindo assim, sabia que não deveria deixar com que seu corpo reagisse daquela forma à presença de Rachel, mas porra! Como evitar com que seu coração se acelerasse se nem mesmo o seu cérebro havia conseguido apagar a morena de lá? Rachel estava presa, presa em seus pensamentos tanto quanto ainda estava presa em seu coração...

Why does it feel so good, but hurt so bad?

Oh oh oh

My mind keeps saying run as fast as you can

I say I'm done, but then you pull me back

Oh oh oh

I swear you're giving me a heart attack

Troublemaker!

Se a situação de Quinn estava ruim só com a morena dançando daquela forma a sua frente, ela se tornou completamente fodida quando Rachel decidiu pousar o seu olhar intenso e enegrecido sobre ela, como se aquela dança fosse única e exclusivamente para a loira e mais ninguém. O seu coração acelerado e o seu corpo arrepiado causavam uma sensação tão boa em Quinn, a adrenalina que corria em suas veias impedindo que seu corpo se comunicasse com a sua mente e ficasse ciente do perigo no qual ela estava se envolvendo e desviasse o olhar da morena...

Mas a sua mente, a sua mente gritava para que ela se afastasse, para que ela saísse dali imediatamente, o mais rápido que pudesse. Ela tentava relembrar a Quinn o quanto doera o que Rachel havia feito e a sua decisão, tão certa há momentos antes, de que ela nunca mais se deixaria levar pela morena outra vez. Rachel lhe sorriu de lado e a sua mente perdeu mais uma vez a batalha contra o seu coração acelerado...

Quinn tinha certeza que a morena seria a sua perdição.

Do outro lado da sala e por mais que tentasse evitar, Brittany se encontrava em uma situação semelhante à de Quinn. Blaine havia se sentado ao lado do noivo no sofá, atraindo momentaneamente a atenção de Kurt para ele. Aquele instante tinha sido o suficiente para o seu olhar vagar para o centro da sala e encontrar uma latina dançando de forma quente, acordando na mesma hora sensações que a loirinha havia por anos tentado se livrar, sem sucesso...

It's like you're always there in the corners of my mind

I see a silhouette every time I close my eyes

There must be poison in those fingertips of yours

Cause I keep comin' back again for more

Ver Santana diante de si, dançando sensualmente, fazia com que fosse quase impossível para Brittany continuar negando para si mesma a verdade. A verdade de que Santana jamais havia abandonado os seus pensamentos. Ela fechou os olhos, tentando reprimir a reação de seu corpo ao observar a latina, mas mesmo de olhos fechados, o corpo de Santana continuou gravado em sua retina. Sem resistir, ela abriu os olhos azuis novamente, que se fixaram mais uma vez na latina, seu corpo se arrepiando ao relembrar de seu toque, se perguntando como seria se ela se levantasse e grudasse o seu corpo no dela, como fizera por tantas vezes...

Oh oh oh

Trouble troublemaker, yeah

That's your middle name

Oh oh oh

I know you're no good, but you're stuck in my brain

And I wanna know...

Brittany sabia que Santana era sinônimo de problema, assim como Quinn sabia a mesma coisa em relação a Rachel. Muitos problemas... problemas deliciosos, viciantes, quentes e que pareciam nunca abandoná-las por completo.

Why does it feel so good, but hurt so bad?

Oh oh oh

My mind keeps saying run as fast as you can

I say I'm done, but then you pull me back

Oh oh oh

I swear you're giving me a heart attack

Troublemaker!

Era errado, era muito errado ela estar se sentindo daquela forma e Brittany sabia disso. Ela estava com Carter. Carter... que nunca fizera ela sentir o que sentia por Santana. Nem chegara perto. Carter era fácil, era seguro, era estável. Santana era o oposto daquilo. Santana era fogo, era o corpo ardendo em chamas e o coração rasgado ao meio, pulsando, transbordando sentimentos...

Why does it feel so good, but hurt so bad?

Oh oh oh

My mind keeps saying run as fast as you can

I say I'm done, but then you pull me back

Oh oh oh

I swear you're giving me a heart attack

Troublemaker!

Era a melhor e a pior coisa que ela já sentira na vida, ao mesmo tempo. Era o céu e o inferno, o pecado e a redenção... E o coração acelerado! Sempre o coração acelerado, quase infartado, saindo pela boca. Os olhos azuis cruzaram com os olhos escuros e Brittany sentiu as duas facetas de si mesma travarem um embate. Sua mente implorando para que ela se afastasse, corresse dali e o olhar de Santana prendendo-a exatamente no mesmo lugar, seu corpo paralisado por fora e queimando por dentro.

Quinn e Brittany estavam hipnotizadas, rendidas... mas não podiam estar assim, podiam?

A música acabou e o feitiço pareceu se desfazer, a razão inundando-as, fazendo com que seus corpos voltassem ao estado de alerta, de perigo. Quinn saiu o mais rápido que pôde da sala sem levantar qualquer tipo de suspeita, andando meio desnorteada para saída de incêndio do prédio, precisando de ar. Um corpo trombou com o seu, assustando-a por um momento. Mas era Brittany. A loirinha parecia tão perdida quanto ela. Seria pela mesma razão?

Mas nem ela nem Brittany disseram nada. Elas sorriram uma para a outra e se encostaram lado a lado na parede de fora do prédio, suas respirações condensando o ar frio diante delas. E assim ficaram por um longo momento, até Brittany quebrar o silêncio.

"Está ficando tarde. Acho que vou embora."

"Eu convidaria você pra dormir aqui, mas..."

"Mas basta uma noite estranha, não precisamos alongar isso por mais tempo." Brittany falou.

Quinn lhe sorriu afetadamente, abraçando a amiga de lado. "Vou chamar um táxi pra você." Ela pegou o celular do bolso.

"Obrigada, Q."

Depois de Brittany ter ido embora, a festa passou como um borrão para Quinn. Ela evitou a "pista de dança" o máximo que pôde, mas depois de um tempo, o ritmo da festa pareceu desacelerar, assim como as músicas que passaram a tocar e todos voltaram a se dispersar pela sala, algumas pessoas já começando a ir embora.

Ela passou o resto do tempo jogada no sofá, as pernas pra cima, apoiadas em Kurt, conversando sobre um projeto que ele estava finalizando na Vogue.com sobre um ensaio fotográfico com diversos figurinos icônicos de musicais da Broadway. Ela estava feliz por ele conseguir juntar as duas paixões por um momento.

No final, Kurt havia tido uma conversa sincera com Isabelle Wright e ela havia proposto que ele tirasse uma licença para estrelar na peça off-Broadway em que fora chamado até se formar e poder fazer as duas coisas. Ele parecia feliz, apesar de cansado. Sua formatura seria alguns dias depois da estreia de Rachel em Spring Awakening e ele parecia não ver a hora disso acontecer.

Quinn só reparou que todo mundo havia ido embora quando Erika e Brody vieram se despedir, a morena prometendo que iria aparecer mais vezes. Kurt e Blaine aproveitaram para ir embora também. As três então começaram a arrumar o apartamento da bagunça que havia ficado, o suficiente para acabar com o resto de energia que elas ainda tinham. Quinn arrastou o sofá da parede de volta para o lugar e ficou por ali mesmo, se jogando nele.

Um tempo depois, Rachel e Santana fizeram o mesmo, a latina descansando a cabeça e fechando os olhos.

"Díos Mio, eu não estou sentindo as minhas pernas."

"Isso acontece quando o maior exercício físico que você faz é subir escada." Quinn riu, sendo acompanhada por Rachel.

"Eu estou rindo, mas eu também estou um caco mesmo com meu ótimo condicionamento físico." Rachel comentou.

"Bom, eu não sei vocês chicas, mas eu preciso de um bom banho e dormir." A latina disse.

"Eu também." A morena concordou.

Santana bateu na coxa de Rachel e levantou do sofá, indo para o quarto. A morena então olhou para Quinn e a loira estava de olhos fechados, parecendo alheia ao que fora dito, uma das mãos massageando a parte das costas logo abaixo da nuca, uma expressão de dor no rosto.

Rachel mordeu os lábios por um momento, indecisa. Antigamente, ela passaria a massagear Quinn sem pestanejar, mas agora ela não sabia se essa seria uma atitude aceitável com a loira. Encorajada pelos breves olhares que elas haviam compartilhado mais cedo e se convencendo de que ela não poderia agir como se pisasse em ovos com Quinn pelo resto da vida, ela respirou profundamente e agiu, suas mãos substituindo a mão pálida de Quinn.

A loira, por instinto, ajeitou sua posição para deixar as mãos da morena trabalharem com mais facilidade, percebendo tarde demais o que estava acontecendo ali. Seu corpo tencionou imediatamente, mas se Rachel percebeu, ela nada disse, continuando com os movimentos de seus dedos delicadamente. Maldita Rachel Berry e suas mãos talentosas! Como mãos tão pequenas podiam alcançar tantos pontos sensíveis em suas costas ao mesmo tempo? Ela começou a relaxar e sua respiração tranquila transmitia para a morena o quanto ela estava apreciando o ato, os olhos avelãs se fechando por puro cansaço.

Então os polegares de Rachel atingiram um ponto particularmente sensível em sua nuca e ela arfou, se arrepiando completamente. Aquilo foi o suficiente para ela sair daquele estupor prazeroso em que a morena a havia induzido e se afastar, ajeitando sua postura no sofá. Rachel ainda ficou por um momento com as mãos levantadas, mas logo as abaixou, juntando-as em seu colo, seu rosto se avermelhando.

"Obrigada." Quinn falou de forma suave, também parecendo corada.

"Por nada." Rachel lhe sorriu, os lábios apertados.

"Acho que também vou dormir. Boa noite, Rach." A loira despediu roucamente, se levantando.

Rachel a observou ir, permanecendo um pouco mais ali. Quando Quinn desapareceu no corredor, ela continuou olhando para o ponto onde a loira havia sumido, fitando o nada. Depois de um tempo ela suspirou e se levantou, apagando as luzes pelo caminho.

Notas finais
Eu fiquei muito indecisa quanto a colocar a cena da música, não estou acostumada a escrever dessa forma e não sei se ficou bom ou se eu consegui passar o que eu gostaria. Mas espero que vocês tenham gostado! Não deixem de comentar e me dizer o que vocês estão achando! Até o próximo!