Notas iniciais
E aí, galera? Primeira atualização de 2017 o/ rs Realmente fiquei sem tempo nesse fim/início de ano, mas espero agora voltar a postar com mais frequência! Espero que ainda estejam por aí acompanhando a história! Rs Acho que respondi todos os comentários do capítulo passado, como sempre tento fazer, então se ficou alguém de fora, me desculpe! Queria agradecer a quem ainda não desistiu dessa jornada! Vocês são demais! Espero que gostem!

Rachel acordou bem cedo na segunda-feira. Ela estava mais do que preparada para voltar ao teatro e uma certa animação tomava conta de si. A festa de sábado havia sido uma loucura, com a presença de Brittany, a volta de Erika e vários momentos entre ela e Quinn que ela ainda não sabia o que pensar sobre. O último momento entre elas havia deixado um clima estranho, mas no outro dia isso havia desaparecido.

Elas haviam passado o domingo inteiro em casa, assistindo a filmes, jogando e não tendo nenhum trabalho que não fosse ligar para o delivery. Até mesmo Santana, que Rachel tinha apostado que iria acordar com um humor do cão por causa de Brittany, havia acordado de bom humor e ela e Quinn não haviam discutido uma vez sequer.

Ela realmente estava se sentindo bem aquele dia, como se sua vida estivesse voltando definitivamente aos eixos...

Ao entrar na cozinha, ela estranhou a ausência de Quinn. A loira sempre estava acordada àquela hora. Imaginando que ela deveria estar dormindo um pouco mais e logo apareceria, Rachel começou a fazer o café e algumas torradas. Ao terminar, Quinn ainda não tinha aparecido e a morena se perguntou se ela havia saído mais cedo sem tomar café.

Rachel foi até a sala e viu que as chaves da loira ainda estavam penduradas ao lado da porta. Ela voltou para a cozinha e checou a hora mais uma vez no relógio de parede. Quinn estava definitivamente atrasada. Sem outra alternativa, a morena foi até o quarto da loira e bateu uma vez, chamando seu nome suavemente. Sem resposta, ela abriu com cuidado a porta, vendo que Quinn ainda estava dormindo.

Ela entrou silenciosamente no quarto e se ajoelhou ao lado da cama, um sorriso suave tomando conta do seu rosto com a visão da loira dormindo. Delicadamente, ela retirou alguns fios dourados do rosto de Quinn e chamou pela loira, que se remexeu um pouco antes de abrir os olhos, preguiçosamente.

Rachel percebeu imediatamente que algo estava errado. Os olhos de Quinn estavam muito avermelhados, o rosto um pouco mais corado que o normal e ao sentir a pele do rosto da loira, a morena viu o quanto ela estava quente.

"Rach..." Uma voz extremamente rouca a chamou. "Eu não estou me sentindo muito bem."

"Acho que você está com febre." A morena sussurrou. "Vou só pegar o termômetro e já volto, ok?"

A loira assentiu, parecendo cansada demais para responder. Logo Rachel estava de volta com o termômetro em mãos, o colocando com cuidado na loira e sentando ao seu lado na cama.

"O que você está sentindo?" Ela perguntou, preocupada.

"Minha garganta parece arranhada... e eu estou com calafrios no corpo inteiro." Quinn informou.

Rachel retirou o termômetro e franziu a sobrancelha, demonstrando preocupação. "Quinn... você está com 39° de febre. Vou ter que levar você no médico."

"Não..." Quinn recusou, com dificuldade. "Não precisa. Me dá algum remédio para diminuir a febre e uma vitamina C e daqui a pouco estou melhor. Preciso ir trabalhar."

Rachel fez uma cara de descrença tão grande que a loira teria rido se não estivesse tão mal. "Quinn Fabray, você não vai a lugar nenhum desse jeito, ainda mais trabalhar. Pode ligar para o escritório para avisar porque a única coisa que você vai fazer agora é ir ao médico."

"Rach... você sabe que eu odeio hospitais." Ela disse, vendo a morena revirar os olhos e cruzar os braços. "Eu ligo para o escritório, ok?" Quinn prometeu. "Só deixa eu ficar quietinha aqui na cama então. Se de tarde eu ainda não estiver melhor, eu vou. Prometo."

Rachel ainda parecia contrariada, mas aceitou. "Vou pegar seu remédio e fazer um chá pra você. Ligue para o escritório, ok?"

A morena deixou o quarto aflita, indo para a cozinha enquanto pegava o celular e ligava para o teatro. Ela preparou um café reforçado para a loira e voltou ao quarto trazendo uma bandeja consigo. Quinn havia voltado a dormir e a última coisa que Rachel queria era acordá-la, mas ela precisava comer e tomar o remédio. Ela depositou a bandeja na mesinha de estudo ao lado da janela e sentou novamente na cama, sentindo mais uma vez a temperatura de Quinn com a mão.

"Frio..." A loira gemeu e Rachel retirou rapidamente a mão, sorrindo apologeticamente para Quinn ao vê-la abrir os olhos lentamente.

A morena disse para Quinn se sentar e ajeitou os travesseiros para ela enquanto a loira levantava com dificuldade. Depois de se assegurar que a loira estava em uma posição confortável, Rachel levantou e trouxe a bandeja, depositando com cuidado ao colo de Quinn.

"Rach... eu não quero comer nada." A loira resmungou.

"Você precisa se alimentar, Quinn. Você não vai melhorar sem ingerir as vitaminas e proteínas necessárias para fortalecer seus anticorpos e você precisa forrar seu estômago para tomar o remédio." A morena discursou.

"Deus, você parece a minha mãe falando quando eu era criança." Quinn comentou, a sombra de um sorriso no rosto.

"Eu pareço com qualquer pessoa responsável quando alguém está doente, Fabray." Rachel respondeu, mas logo suavizou a expressão. "Come, por favor." Ela pediu num tom de súplica.

Quinn não teve como negar. Ela comeu o máximo que conseguiu, julgando ter comido o necessário assim que Rachel assumiu uma expressão satisfeita no rosto e finalmente deixou que ela tomasse os remédios. Rachel botou a bandeja de lado e ordenou que Quinn deitasse novamente. A loira obedeceu, seu corpo cansado agradecendo o descanso, fechando os olhos.

Quando Rachel percebeu que a loira havia cochilado novamente, ela pegou a bandeja e foi para a cozinha, encontrando uma latina com cara de poucos amigos em pé ao lado da bancada comendo a pizza que sobrara do dia anterior e um copo de Coca-Cola entupido de gelo.

"O que é isso?" Santana perguntou, vendo a morena depositar a bandeja na mesa.

"Poderia perguntar o mesmo pra você." Rachel cruzou os braços. "Pizza e refrigerante no café da manhã? Você poderia tentar se alimentar melhor, Santana."

"Oh, Deus. Eu poderia é estar morta com esse sermão a essa hora da manhã." A latina respondeu, arrotando só para provocar a morena. "O que você está fazendo ainda em casa e tomando café da manhã na cama? Alguma visita ou você só precisou atravessar o corredor?" Ela provocou, arqueando a sobrancelha sugestivamente.

Rachel revirou os olhos, mas depois seu rosto ficou sério e Santana percebeu que ela estava preocupada. "Quinn está de cama, ardendo em febre. Ela comeu um pouco e tomou os remédios, mas eu queria que ela fosse ao médico."

"Boa sorte com isso. Você sabe que a Quinn odeia hospitais."

"E eu odeio ir ao dentista, mas vou mesmo assim porque isso se chama ser adulto." A morena rebateu.

"Jesus, o que você tem hoje?" Santana arregalou os olhos, divertida.

"Desculpa." Rachel respondeu, suavizando a postura. "Só estou realmente preocupada com a Quinn."

"Relaxa, Rach. A Fabray sobreviveu a um parto, um acidente de carro e a dois namoros com o Hudson. Não é uma febre que vai acabar com ela." Santana constatou.

Rachel não sabia se ria ou se batia em Santana. A primeira opção acabou prevalecendo.

"Se você quiser eu ligo pra Hart e dou uma desculpa qualquer pra ficar em casa hoje." A latina propôs.

"Não." Rachel falou de imediato. "Já liguei para o teatro dizendo que não vou hoje."

"Pelo visto vou ter mesmo que ir trabalhar então." Santana disse, pegando a chave da moto e seu capacete. "Qualquer coisa me liga, ok?"

Rachel assentiu, voltando para o quarto de Quinn assim que a latina saiu. Tentando não acordar a loira, ela mediu sua febre mais uma vez e o antitérmico parecia não ter feito qualquer efeito. Ela foi ao banheiro e voltou com uma compressa de água fria, descobrindo a loira em seguida e esperando que aquilo ajudasse.

Quinn grunhiu com o toque do pano frio em sua testa, piscando até focalizar em Rachel, sentindo um enorme cansaço só em tentar manter os olhos abertos. "Rach... minha coberta..." Ela pediu, fechando os olhos.

"Aguenta só mais um pouco, Q." A morena pediu. "Sei que você está morrendo de frio, mas a sua temperatura precisa abaixar."

Rachel viu o corpo da loira se tremer todo e se aproximou mais, sentando muito próxima a ela e passando sua mão livre pelo braço alvo, numa tentativa de gerar algum calor para a loira. Quinn segurou sua mão e apertou, a mandíbula trincada para não bater os dentes de frio, seu corpo se inclinando automaticamente em direção ao calor que vinha do corpo moreno.

"Mais... perto..." A loira gemeu, forçando a mão da morena para baixo. O corpo de Rachel acabou se inclinando por cima de Quinn com o movimento e a morena engoliu em seco, sentindo a proximidade muito mais do que deveria. "Quente..." Quinn sussurrou.

Sem alternativas e incapaz de negar o pedido da loira, Rachel se ajeitou na cama, deitando de lado com o corpo bem próximo ao de Quinn, um braço com o cotovelo apoiado na cama, sustentando sua cabeça e o outro por cima e em volta do corpo ainda trêmulo da loira, puxando-a o máximo possível para si.

"Vai ficar tudo bem, Q." Ela sussurrou, retirando alguns fios loiros do rosto de Quinn. "Eu vou cuidar de você."

Rachel sabia que tinha que trocar a compressa, mas a loira parecia tão bem aconchegada em seus braços, o tremor diminuindo aos poucos e a respiração suavizando, que ela se viu incapaz de sair dali por um bom tempo. Ao seu menor movimento, Quinn se curvou mais ainda para ela, seu braço segurando a morena no lugar.

"Não." A loira se esforçou em dizer, rouca. "Fica... comigo..."

Quinn febril ainda mataria Rachel do coração. O efeito daquelas duas palavras foi tão instantâneo e visceral que a morena tinha certeza que mesmo ardendo em febre e vagando entre o consciente e o inconsciente, Quinn seria capaz de perceber a forma com que seu coração passou a retumbar em seu peito.

"Fico..." Rachel murmurou, talvez mais para si mesma do que para Quinn. "Eu fico..."

Quinn despertou sentindo seu corpo fraco e suado e do seu lado direito parecia emanar a fonte de todo o calor que estava sentindo. Ela conseguia distinguir um suave cantarolar, cada vez mais presente e alguém parecia afagar sua mão num toque leve e delicado.

Ela abriu lentamente os olhos e percebeu que se tratava de Rachel. A morena praticamente a embalava nos braços, cantarolando uma música que ela não conseguiu identificar, os olhos fechados e uma expressão cansada no rosto. Elas estavam próximas, muito próximas, tão próximas que o cheiro característico da morena inundou o olfato de Quinn e o seu corpo, de repente, pareceu registrar o fato de que suas peles estavam coladas, enviando uma sensação familiar pela sua espinha.

Rachel se assustou com o movimento brusco, saindo do estado de semiconsciência em que estava para encontrar uma Quinn parecendo desorientada, tentando sentar. Ela ajudou a loira a se ajeitar na cama, também se sentando. "Você está melhor?" Ela perguntou.

"Acho... acho que sim." Quinn respondeu, botando a mão em sua própria testa.

Rachel fez o mesmo e sorriu. "Sua temperatura abaixou." Ela constatou, alcançando o termômetro no criado-mudo e botando mais uma vez na loira. "Vamos ver exatamente quanto."

"Que horas são?" Quinn indagou.

"Quase meio-dia, eu acho." A morena respondeu, na mesma hora levantando e abrindo as cortinas da janela, iluminando o quarto, logo voltando para perto da loira.

"Rach... você não ia voltar hoje para o teatro?" Quinn lembrou.

"Não se preocupe com isso." A morena a tranquilizou. "Amanhã eu vou."

"Você está faltando ensaio por minha causa?" A loira perguntou. "Rach... não precisava. Eu ia acabar melhorando mesmo, não acredito que vo-"

Rachel botou o dedo indicador nos lábios de Quinn, calando-os. "Sua saúde é mais importante do que qualquer ensaio que eu tenha." Ela disse, olhando a loira nos olhos.

Quinn se viu sem palavras diante do que a morena havia acabado de dizer, se limitando a assentir. Mas Rachel não parecia esperar uma resposta, um sorriso suave em seu rosto. O bipe do termômetro tocou e a morena imediatamente retirou o aparelho, o sorriso aumentando. "A febre cedeu." Ela disse, respirando aliviada.

"Eu preciso de um banho." Quinn comentou, se espreguiçando. Uma ducha morna era tudo que ela precisava no momento.

"Você ainda está fraca, Quinn." Rachel argumentou. "Não acho uma boa ideia."

"Não estou tão mal assim, Rach." Quinn disse, teimosamente se virando para levantar da cama.

Suas pernas fraquejaram instantaneamente ao se levantar e Rachel apareceu ao seu lado em um instante, oferecendo apoio. A loira aceitou e firmou seus pés no chão com cuidado, se soltando da morena e andando devagar em direção ao banheiro. A primeira coisa que fez foi escovar os dentes. Assim que terminou e levantou a cabeça, ela viu Rachel refletida no espelho, logo atrás de si. Ela observou a morena abrir o box e ligar o chuveiro, testando a temperatura da água.

"Rachel... o que você está fazendo?" Quinn indagou, se virando para a morena.

"Bom, você é teimosa o suficiente para querer tomar um banho agora. Então eu vou te ajudar. Você realmente acha que eu vou deixar você tomando banho sozinha?"

Quinn engoliu em seco. "Eu... eu não acho que isso seja necessário, Rach." Ela tentou dizer. "Além de uma péssima ideia..." Murmurou baixinho.

Rachel se aproximou dela lentamente e botou as duas mãos em seu rosto com toda a delicadeza do mundo, a encarando. Seu olhar transmitia uma preocupação verdadeira. "Deixa eu cuidar de você, Q. Por favor." A morena sussurrou em tom de súplica.

Quinn assentiu quase que imperceptivelmente. Aquilo poderia não ser nada demais, bastava com que ela mesma se acalmasse e não pensasse naquilo como algo relevante. Rachel sorriu suavemente e suas mãos foram em direção a barra da calça de moletom que a loira usava.

"Posso?" A morena pediu.

Quinn se limitou a assentir e fechar os olhos, tentando abstrair aquele momento. Se ela tivesse mantido os olhos abertos, ela veria refletida em Rachel sua própria hesitação. A preocupação com a loira havia feito ela tomar a frente daquilo, mas isso não significava que ela não estava nervosa ao ter que lidar com a nudez de Quinn. Ela só desejava não fazer nada que deixasse a loira desconfortável.

Rachel retirou a peça com toda delicadeza do mundo, em seguida da calcinha, seu olhar se fixando em qualquer lugar menos nas pernas esguias da loira. Ainda com os olhos fixos em outro lugar, a morena segurou a barra da blusa de Quinn, que levantou os braços em resposta. Rachel então subiu o tecido da blusa, retirando a peça. Com a intenção de retirar-lhe o sutiã, as mãos da morena foram para as costas da loira, mas o movimento foi em vão, encontrando apenas sua pele quente. Ela havia esquecido o pequeno detalhe de que Quinn não estava usando um. Seus olhos agiram por extinto e antes que ela pudesse refreá-los eles pousaram sobre o colo nu da loira, seus belos seios à mostra.

Quinn sentiu as mãos de Rachel em suas costas e estranhou, abrindo os olhos com curiosidade. Ela então presenciou a morena olhar para o seu colo sem sutiã e escutou a respiração de Rachel falhar. Tudo poderia ter acabado ali, naquele momento. Ela poderia ter se virado, poderia ter coberto os seus seios com as mãos e poderia até mesmo ter gritado com a morena e a expulsado dali. Mas ela não o fez. Não o fez porque o que predominava nas orbes castanhas não era a luxúria que sempre estivera presente nos momentos íntimos entre elas, era algo mais. Rachel tinha um olhar de admiração, um olhar quase de reverência ao fitar seus seios descobertos.

Mas tudo aquilo durou somente um instante e logo Rachel havia desviado o olhar, um leve rubor no rosto sendo a única pista que restara a Quinn para que ela tivesse certeza de que não havia imaginado aquele momento. A morena a guiou com cuidado até o box e entrou com ela, se assegurando de que ela não perdesse o equilíbrio e pegando tudo o que ela pedia, não olhando para qualquer parte do seu corpo que não fosse o rosto, em um claro sinal de respeito e consideração. Ela também ajudou Quinn a se secar e se vestir, se certificando de que a loira fizesse o menor esforço possível.

Quinn não conseguiu evitar um leve sorriso, vendo a dedicação e o cuidado que Rachel lhe direcionava. Ela diria até mesmo que a morena estava sendo completamente cavalheiresca, se essa não fosse uma expressão completamente ultrapassada.

"Vou aproveitar enquanto você descansa e preparar algo para você comer. Tudo bem?" Rachel disse, vendo a loira assentir. "Qualquer coisa é só me chamar. Vou deixar a porta do quarto aberta." Ela avisou e já estava quase saindo do quarto quando ouviu Quinn a chamar de volta.

"Rach... obrigada." A loira sussurrou, dirigindo a ela um sorriso sincero de pura gratidão. A morena retribuiu o sorriso e saiu, sendo dominada por uma vontade inexplicável de saltitar em direção a cozinha.

Ela acabou decidindo que Quinn ainda estava fraca demais para andar pela casa e por isso elas acabaram por almoçar no quarto, assistindo alguns episódios de Gilmore Girls ao parar por acaso em uma maratona do seriado que passava na televisão. Quinn não demorou a dormir mais uma vez, passando o resto da tarde entre acordar e cochilar, com a morena sempre ao seu lado, atenta aos seus movimentos e fazendo tudo o que podia para manter a loira o mais confortável possível.

Mesmo odiando ficar doente, Quinn enxergava o fato de não conseguir ficar acordada por muito tempo como um lado positivo. Fazia muito tempo desde a última vez que alguém cuidara dela da forma com que Rachel estava cuidando e seu cansaço impedia que ela pensasse demais sobre as atitudes e a proximidade da morena, mesmo que o sentimento de conforto e cuidado causasse uma sensação quente em seu peito.

Mesmo com tudo que acontecera recentemente entre elas, Quinn percebeu que era sempre Rachel a pessoa que assumia o papel de cuidar dela desde que sua família lhe virara as costas. Ela lembrava de quando Rachel havia ido para New Haven só porque Santana havia deixado escapar que ela estava se envolvendo com um professor, querendo, segundo a própria Rachel, por algum senso em sua cabeça. A morena só havia sossegado quando Quinn lhe garantira que sabia o que estava fazendo e que ele não estava de forma alguma se aproveitando dela.

Fora Rachel quem havia ficado as férias de verão inteira ao seu lado quando ela havia terminado seu namoro conturbado com Chris, a acolhendo em sua casa depois que sua mãe a expulsara mais uma vez da sua. Fora Rachel quem havia perdido uma semana de aula em NYADA porque Quinn havia torcido o pé quando elas saíram para patinar no gelo e precisava de alguém para ajudá-la.

Tinham sido tantos momentos que a loira não sabia como não havia percebido aquilo antes. Ela sempre havia focado no fato de Rachel ter mudado a forma de encarar e viver a vida, lamentando o quanto a morena parecia diferente aos seus olhos e isso tinha se potencializado quando ela mudara para NY. Quinn sempre havia pensado que o envolvimento entre elas havia começado com o físico, o carnal. Tinha sido puro desejo, insano e incontrolável, e ela se perdera no meio do caminho.

Mas talvez se ela mudasse o foco, talvez se ela tirasse da equação todo o desapego que Rachel tentava transmitir quase que desesperadamente em suas falas e atitudes, talvez se ela fizesse isso, só talvez, ela conseguisse enxergar o verdadeiro motivo pelo qual tinha sido tão fácil se apaixonar pela morena...

"Você está bem?" Rachel perguntou ao seu lado, sobressaltando a loira.

"Sim... só... perdida em pensamentos." Quinn respondeu.

"Quer compartilhar algum deles comigo?" Rachel perguntou, inocentemente.

A resposta da loira foi interrompida pelo celular de Rachel tocando. A morena pegou o aparelho, levemente irritada pela interrupção e ficou mais irritada ainda quando viu que era Finn. Ela recusou a chamada e jogou o aparelho na cama, bufando.

"Algum problema?" Quinn perguntou, estranhando o comportamento da morena e curiosa para saber quem era a pessoa que havia ligado.

Rachel pareceu hesitar, mordendo os lábios. "Eu não quero mentir pra você." A morena disse.

"Mas também não quer me contar o que está acontecendo." Quinn concluiu.

"Não é isso... é que... é complicado." Rachel respondeu de forma evasiva. Rachel sabia que Finn era um assunto extremamente delicado entre elas e a morena estava com medo de que Quinn não lhe desse nem mesmo a chance de explicar o que estava acontecendo ao saber que se tratava dele.

"Sei que não estamos no nosso melhor momento." Quinn constatou. "Mas você pode sempre confiar em mim, Rach." A loira declarou, incentivando a morena.

Rachel suspirou, convencida. Mas foi a vez da sua resposta ser interrompida pela campainha. Ambas estranharam, já que não estavam esperando ninguém naquele fim de tarde e o interfone não havia tocado.

A morena levantou e foi atender a porta, frustrada por ter aquele momento interrompido. Ela abriu sem olhar quem era, pensando se tratar de um vizinho e acabou por encontrar um rapaz loiro, alto e de olhos claros trajando um terno e completamente desconhecido.

"Em que posso ajudá-lo?" Rachel perguntou de forma educada.

"Aqui é o apartamento da Quinn? Quinn Fabray?" Ele perguntou, incerto.

"Você é...?"

"Alex." Ele estendeu a mão para ela. "Alex Bishop. Eu sou colega de trabalho da Quinn."

Rachel cumprimentou o rapaz, a compreensão se espalhando. "Rachel Berry."

"Prazer." Ele declarou, um sorriso nos lábios. Ele era muito bonito, seus dentes certos e extremamente brancos. "Posso entrar?" Ele perguntou.

"Claro." Rachel respondeu, indo para o lado para que ele entrasse no apartamento e fechando a porta.

"Alex?" A voz de Quinn soou fraca vindo do corredor e ela apareceu na sala, uma evidente surpresa em suas feições.

"Quinn!" Ele sorriu, passando por Rachel e indo abraçar a loira. Quinn até tentou evitar o abraço, alegando que não queria passar o que tinha para ele, mas ele a abraçou mesmo assim.

"O que você veio fazer aqui?" Quinn disse assim que o abraço se desfez, se sentando no sofá enquanto Alex ocupava a poltrona. Rachel parecia muito ocupada fechando a porta.

"Eu passei na sua sala e a Victoria me disse que você não tinha ido trabalhar porque estava doente, mas que precisava trazer esses documentos pra você assinar e ainda tinha que passar no tribunal. Eu já tinha acabado o meu expediente, então me ofereci pra trazer. Ela pareceu muito aliviada." O loiro riu, sendo acompanhado por Quinn e retirou alguns papeis da pasta, depositando na mesinha de centro. "O escritório não é o mesmo sem você." Ele completou.

Ciúmes. Definitivamente ciúmes, puro e simples. Era o que Rachel estava sentindo naquele momento. Como se já não bastasse Puck, Jean e Erika, mais um nome tinha acabado de ser adicionado à lista: Alex. Sim, Quinn Fabray estava fazendo com que caíssem por terra todas as formas de desapego que Rachel havia construído para si sem fazer o menor esforço para isso.

Mas seus pensamentos foram interrompidos pelo toque do seu celular, mais uma vez. Ela pegou o aparelho do bolso. Finn, mais uma vez. Aquele era o pior momento possível para se ausentar da sala, mas a morena tinha que resolver aquilo. Rachel pediu desculpas a Alex e Quinn e se retirou, indo para o próprio quarto.

"Alô?" Ela atendeu.

"Rach? Hey, é o Finn. Tentei te ligar mais cedo, mas você não atendeu e também não respondeu minhas mensagens."

"Finn, escuta, eu-" Ela ouviu o barulho de passos no corredor. "Espera um minuto e eu já te retorno, ok?" Rachel disse antes de desligar e ir ver o que estava acontecendo, preocupada que alguma coisa tivesse acontecido com a loira.

Ela viu a sala vazia e encontrou Quinn em seu quarto, mais uma vez sentada na cama com Alex sentado na cadeira da mesa de estudo, ambos rindo. Quinn a olhou assim que ela entrou, vendo a expressão de estresse em seu rosto.

"Rach?"

"Ouvi uns passos no corredor e vim checar se você estava bem." A morena explicou.

"Está tudo bem, só estou muito cansada ainda para ficar lá na sala." A loira disse.

"Eu preciso resolver algo, mas prometo que não demoro." Rachel informou.

"Pode deixar que eu cuido da doutora aqui." Alex se pronunciou, solícito demais para o gosto da morena.

Rachel assentiu e olhou uma última vez para Quinn antes de virar e sair, voltando ao seu quarto e pegando de novo o celular. Ela resolveria aquela situação com Finn e resolveria agora.

"Finn?"

"Hey, Rach! Como vão as coisas?" Ele perguntou, animado.

"Está tudo bem." Ela se limitou a responder.

"Rach... eu estava pensando..." Finn começou a dizer, assumindo um tom incerto. "Eu estava te ligando porque... bom, eu queria muito ir na sua estreia. Mas não sei se... tudo bem se eu fosse? Eu sei que o Mr. Schue vai e... enfim, o que você me diz?"

Rachel suspirou. Aquela era realmente a hora. "Finn, só me escuta, ok?" Ela interpretou o silêncio dele como um sim. "Eu demorei muito pra chegar onde eu estou agora." Ela começou. "Para finalmente perceber que o que eu sofri quando a gente terminou não precisava guiar minha vida. Eu não estou dizendo isso para que você se sinta culpado de algo." Ela logo esclareceu. "Até porque grande parte disso não foi sua culpa. Fui eu quem botei toda a carga do fracasso do nosso relacionamento em mim. Mesmo te culpando, mesmo com raiva de você, eu sempre pensava que tudo tinha dado errado por causa de como eu era."

"Rach... não é assim. Fui eu quem-"

"Me deixa continuar, ok?" Ela o cortou. "Por pensar assim, eu não queria mais ser aquela Rachel, porque eu achava que tinha algo de errado com ela. Então eu mudei, comecei a tomar atitudes inversas a quem eu era, até que eu me tornei essa pessoa. Uma pessoa que você sequer conhece."

"Mas eu quero muito conhecer." Ele disse, ansioso.

"Não, Finn. Você não quer. Você não tem a mínima ideia do que você está falando porque você não sabe mais nada sobre mim. Nem eu quero mais ser essa pessoa. Eu..." Ela hesitou por um momento, pensando se seria uma boa ideia dizer o que ela queria dizer em seguida. Então decidiu que se ela tinha começado, ela iria até o final. "Finn, eu precisei perder a chance de estar com alguém por quem eu realmente sinto algo verdadeiro para perceber, para finalmente ver o quanto eu estava parada no tempo, deixando a minha vida passar por mim."

O moreno parecia não ter resposta para o que ela havia dito.

"Eu estou dizendo tudo isso a você porque eu quero que você entenda que se você quer ser meu amigo, ótimo." Rachel continuou. "Eu não guardo mais nenhuma mágoa de você. Mas se você está pensando em se aproximar de mim por qualquer interesse romântico que você ainda pensa ter por mim, não perca seu tempo. O que aconteceu entre nós é passado e vai continuar sendo, não importa o que você faça. Eu nunca falei tão sério em toda minha vida quanto eu estou falando agora com você, então eu realmente espero que você entenda isso e faça sua escolha, porque a minha já foi feita há muito tempo atrás." Ela finalizou.

A linha permaneceu em silêncio por um tempo e ela chegou a achar que o moreno tivesse desligado até ele finalmente se manifestar. "Eu... eu acho que não vai ser uma boa ideia então eu ir na sua estreia..." Finn disse finalmente.

"Eu também acho que não." Rachel ficou aliviada ao perceber que pelo menos nisso eles concordavam.

Depois disso, parecia que Finn não tinha muito mais a dizer. Rachel se despediu dele educadamente e desconectou a chamada, um alívio enorme tomando conta de si. Ao se virar, ela deparou com Santana no batente da porta do quarto, sorrindo para ela.

A latina começou a bater palmas. "Parabéns, Berry. Parece que você finalmente tirou a cabeça da bunda depois de todos esses anos."

Rachel não resistiu e riu. "É o que dizem, Lopez. Antes tarde do que nunca." Falou, se sentando na cama e sendo acompanhada pela amiga, que sentou ao seu lado.

"Fico feliz por você." Santana disse, parecendo realmente orgulhosa. "Dava tudo para ver a cara do Hudson, se é que ele entendeu o que você disse." Ela comentou.

Rachel cutucou seu ombro com o dela. "Tenho certeza que ele entendeu. O Finn não é tão estúpido quanto se faz passar. Você sabe disso."

Elas ficaram por um momento em silêncio. "Então esse loiro azedo no quarto da Quinn é o tal do Alex?" A latina comentou.

Rachel assentiu, olhando para baixo.

"Você realmente não vai fazer nada?" Santana questionou.

"Fazer o quê, San?" A morena suspirou. "Eu estraguei tudo." Antes que a latina pudesse dizer algo, Rachel se adiantou. "Mas foi melhor assim."

"Foi melhor assim?!" Santana balançou a cabeça, incrédula.

"O que eu tenho a oferecer pra ela, Santana? Eu ainda nem estou perto de resolver os meus próprios problemas." Rachel argumentou.

"Você me pareceu bem perto disso hoje quando estava falando com o Hudson." A latina ofereceu.

"Ele não é nada, San. Era a parte mais fácil." Rachel deu de ombros.

"Por que você não foi sincera comigo desde o início, Rach? Eu não teria deixado você fazer todas essas merdas, eu teria cuidado de você." Santana disse, uma certa mágoa em seu tom.

"Eu já te falei o porquê, San. Eu não queria me abrir com você sem ter nenhuma certeza sobre nada. A Quinn merecia mais que isso, ela merecia que eu tivesse alguma resposta, qualquer que fosse, mas eu não tinha. Eu não sabia me entregar, mas eu também não sabia me afastar. Você mesma me disse isso em Lima." Rachel justificou, sua expressão implorando para que a latina entendesse.

"E você tem uma resposta agora?" Santana perguntou.

"Tudo o que eu sei agora é que eu magoei a Quinn e que eu preciso consertar isso, preciso consertar nossa amizade." A morena se limitou a responder.

"Você realmente quer só a amizade dela?" Santana arqueou a sobrancelha.

"Eu não sei se eu quero só uma amizade com ela. Eu sei que independente de qualquer coisa eu quero a amizade dela, eu quero ela na minha vida." Rachel explicou.

"Mentirosa." A latina acusou.

"Não estou mentindo!" A morena empertigou-se.

"Rachel, por que merda você não admite logo que tem sentimentos pela Quinn?" Santana cruzou os braços, impaciente.

"Por que eu estraguei tudo uma vez, Santana. Eu não vou estragar uma segunda vez. Eu quero ter certeza."

"Jura que você ainda não tem certeza?" A latina desdenhou.

"E se... e se eu estiver me sentindo assim só porque ela não me quer mais?" Rachel hesitou antes de perguntar. Era realmente um medo que ela sentia. "E se eu estou assim porque eu simplesmente sinto falta da companhia dela? Eu não posso arriscar de novo, Santana."

"Quem sente falta só da companhia da pessoa não fica morrendo de ciúmes só com a mera possibilidade dela ter transado com outra pessoa, Rachel." A latina revirou os olhos.

"Pode ser, mas pode não ser. O sexo com a Quinn é incrível! Definitivamente existe uma atração muito forte entre nós e eu não vou negar isso, mas foi exatamente essa atração que me colocou nessa situação. Eu não quero simplesmente me deixar levar, eu quero sentir que eu estou fazendo isso pelos motivos certos. Se alguma coisa tiver que acontecer, eu não quero que aconteça só porque nos desejamos, como foi da outra vez." Rachel disse.

Santana permaneceu em silêncio e depois de um tempo a morena começou a balançar a cabeça, como se estivesse negando algo.

"O que foi?" A latina perguntou, curiosa.

"Eu não sei nem porque eu estou pensando nisso. Eu não tenho a menor chance, Santana. Talvez eu recupere nossa amizade. Tudo o mais eu fiz um bom trabalho em perder de vez." Rachel disse, lutando contra o nó que queria se formar em sua garganta.

"Você não sabe disso, Rachel."

"Sim, eu sei. E eu entendo. Como entendo! Você tem que ver o jeito que ela olha pra mim às vezes, San." A morena desabafou.

"Ela está magoada."

"É mais que isso. É mais que mágoa. Ela simplesmente não quer mais nada comigo." Rachel afirmou.

"Faça sua parte, Rach. Tente o melhor que puder e deixe ela decidir se realmente não quer mais nada com você." A latina propôs.

"E que direito eu tenho de tentar, San? Que direito eu tenho?" Rachel perguntou, talvez mais para ela do que para a latina.

Santana não soube o que responder porque, assim como ela, se perguntava isso também em relação a Brittany. Ela então abraçou a morena. "Eu vou dar uma olhada na Fabray e expulsar esse loiro daqui, ok?" Ela então disse.

Rachel deu de ombros, mas tinha um sorriso agradecido no rosto quando a latina saiu do quarto. Santana nem precisou se dar ao trabalho de tirar Alex de lá, porque quando ela chegou ao quarto de Quinn, encontrou somente a loira, que cochilava sonoramente. Ela sentou na cama e botou a mão na testa de Quinn, sentindo sua temperatura. Ela parecia só um pouco quente e a latina suspirou de alívio.

Rachel apareceu na porta do quarto e sorriu com a cena. Santana e Quinn brigavam como gato e rato o dia inteiro, mas ela sabia o quanto a latina amava e se preocupava com a loira e que o sentimento era recíproco.

"Ela dormiu." Santana disse, se levantando.

"Vamos deixar ela descansar." Rachel falou, apagando a luz do quarto e deixando somente uma luz fraca na cabeceira do outro lado, depositando um leve beijo na testa de Quinn antes de acompanhar a latina para fora do quarto.

Santana foi para a cozinha, abrindo a geladeira e se servindo de água.

"Bom, vou aproveitar que ela está dormindo e tomar um banho." Rachel se espreguiçou.

"Pode ir. Eu preparo o jantar. Receita da minha abuela." Santana falou, depositando o copo na pia e arregaçando as mangas.

Elas jantaram no quarto de Quinn por insistência de Rachel, se sentindo cansadas demais para fazer qualquer coisa depois. Santana fez questão de também arrumar a cozinha, dizendo que Rachel havia cuidado de Quinn o dia todo e também merecia descansar e a morena não hesitou em se aproveitar desse momento raro da latina, permanecendo no quarto com Quinn. Ao terminar, Santana voltou para o quarto da loira, encontrando a mesma sentada na cama, sem nenhum sinal de Rachel.

"Cadê a Rachel?" A latina perguntou, se apoiando na porta e cruzando os braços, estranhando a ausência da morena.

"No telefone com o Kurt." Quinn respondeu, camuflando um bocejo. "Fiquei na cama o dia inteiro e ainda assim estou tão cansada, como se tivesse corrido uma maratona."

"Amanhã você já vai estar melhor." Santana tranquilizou. "Está precisando de alguma coisa?"

Quinn sorriu de lado. "A Rachel já me perguntou isso tantas vezes hoje que provavelmente não." Brincou.

Santana riu e se aproximou da cama da loira, sentando na ponta. "Parece que ela cuidou muito bem de você, então." A latina constatou, ainda sorrindo.

"Ela realmente cuidou." Quinn respondeu, abaixando o olhar para as próprias mãos.

"Quinn... posso te perguntar algo?" A latina perguntou, uma expressão estranha no rosto.

"Claro, San." A loira disse, arqueando a sobrancelha diante do comportamento atípico da amiga.

"Você está tendo alguma coisa com esse tal de Alex?" Ela foi direta.

Quinn suspirou. "Suponho que no início ele tinha algum interesse em mim. Mas agora nós somos só amigos."

"Então não aconteceu nada entre vocês?"

"Não... nada." Quinn disse, dando de ombros.

Santana estreitou os olhos, querendo ter certeza se Quinn estava realmente falando a verdade. A latina podia ter insistido um pouco mais sobre aquele assunto, mas não o fez. Ela não queria brigar com Quinn naquele estado, Rachel provavelmente arrancaria sua cabeça fora se ela estressasse a loira.

Santana então mudou de assunto e ela e Quinn ainda ficaram conversando por um tempo, até a latina perceber que a loira estava quase dormindo.

"Acho que vou deixar você descansar agora." Santana disse. "Se precisar de mim, é só gritar. A Rachel provavelmente vai voltar aqui e te dizer isso também, isso se ela não insistir em dormir aqui." A latina revirou os olhos e Quinn riu.

Santana então se levantou, desarrumando o cabelo da loira e levando um tapa da amiga antes de se despedir e sair rindo pela porta.

...

Quinn acordou com o barulho do despertador, desligando imediatamente. Ela nem se lembrava de quando tinha caído no sono no dia anterior. Ela se sentou na cama, espreguiçando, se sentindo completamente disposta. Os cuidados intensivos de Rachel realmente tinham surtido efeito e ela realmente devia agradecer melhor a morena depois. Ao pensar em Rachel, ela olhou para a porta e seu olhar detectou algo estranho no chão. A morena estava ali, dormindo sonoramente em um colchão ao lado da cama.

Completamente surpresa, a loira encarou Rachel por alguns momentos, incerta de como agir. Ela não tinha acordado nem mesmo com o despertador, o que significava que ela devia estar realmente cansada. Pensando nisso e que a morena voltaria ao teatro aquele dia, Quinn se levantou o mais silenciosamente possível, indo para a cozinha preparar o café da manhã para ambas.

A loira terminava de arrumar a mesa quando Santana entrou na cozinha, arregalando os olhos. "Um batalhão vai tomar café da manhã aqui hoje e eu não fui avisada?" A latina perguntou, se assustando com a quantidade de comida.

"Eu queria preparar um café especial para a Rachel em agradecimento por ontem e acho que acabei me empolgando um pouco." Quinn mordeu os lábios, vendo que realmente havia exagerado.

Santana revirou os olhos e abriu a geladeira, retirando uma latinha de coca de lá e abrindo, tomando um longe gole antes de sentar e começar a se servir do que a loira havia feito.

"Refrigerante no café da manhã, Santana?" Quinn balançou a cabeça. "Sabe, você poderia tentar se alimentar melhor." A loira repreendeu.

"Oh, Deus, de novo não." Santana fez uma careta, olhando para o teto.

"De novo o quê?" A loira perguntou sem entender.

Rachel entrou na cozinha naquele momento, tirando a atenção da latina. "Quinn! Não era para você estar fazendo esforço! Por que você não me acordou? Não pensei que você fosse acordar tão cedo. Por que você acordou cedo?" A morena falou sem pausa.

"Eu estou bem, Rach." A loira sorriu. "Prometo." Ela complementou diante do olhar duvidoso da morena.

"É, Berry. Agora senta e para de reclamar porque a Quinn fez essa caralhada de comida só pra você." A latina se intrometeu.

Rachel finalmente olhou para a mesa e se surpreendeu. Quinn tinha feito aquilo tudo para ela? Ela olhou para a loira, sem saber o que dizer. Podia não parecer muita coisa para quem olhasse de fora, mas para ela aquele gesto significava tanto! Quinn apontou para a mesa e elas sentaram, ambas com sorrisos singelos no rosto.

"Só queria retribuir de alguma forma por você ter faltado ao ensaio para cuidar de mim. Se não fosse por você, provavelmente eu teria ido trabalhar me arrastando e estaria ainda pior hoje." Quinn disse.

Rachel riu, sabendo que aquilo era verdade. Ela se serviu de café e olhou para a latina. "Por que você acordou mais cedo hoje, San?"

"Eu não acordei. Só aconteceu de eu levantar com sede e dar de cara com esse bando de comida."

Depois do café, Quinn não demorou a ir para o escritório, já imaginando a pilha de processos que teria em sua mesa aquele dia e não se decepcionando. Ela estava no telefone com um cliente quando viu Alex parado na porta de vidro da sua sala. O loiro perguntou silenciosamente se ela estava bem e ela se limitou a assentir. Ele sorriu para ela e acenou, indo embora. Logo depois ela desligou o telefone, olhando de novo para a porta, agora sem ninguém.

Seus pensamentos foram para a conversa que ela teve com Santana no dia anterior sobre Alex. A verdade é que no dia em que ela e Rachel haviam brigado, ela tinha ido ao bar do Tom, mas não tinha permanecido por lá. Quinn havia aceitado o convite de Alex e ido ao bar onde seus colegas de trabalho estavam aquela noite. O fato é que mesmo com ela tentando disfarçar, o loiro havia percebido que ela não estava muito bem e precisando de um amigo aquele dia, não de um cara que ficasse tentando flertar com ela.

No dia seguinte ele tinha se preocupado em passar na sua sala com um café em mãos para se certificar de que ela estava melhor e o início de uma amizade havia surgido ali. O loiro realmente parecia ser uma boa pessoa e sempre puxava assunto com ela, fosse no escritório, fosse no celular. Desde que ela havia mudado para NY, ele era a primeira pessoa fora do círculo social de Rachel e Santana com quem ela tinha um contato que ia além do trabalho e era realmente bom ter ele por perto naquele ambiente tão superficial.

O próprio Alex a tirou de seus pensamentos, batendo na sua sala antes de entrar com dois cafés.

"Acho que algo quente vai fazer bem para você nesse frio." Ele disse, oferecendo a bebida com um sorriso. "Está ocupada?"

Quinn aceitou, agradecendo o loiro. "Acho que tenho alguns minutos." Ela respondeu.

O loiro então se sentou de frente para ela. "Então... acho que suas amigas não gostaram muito de mim." Comentou, rindo logo em seguida.

Quinn riu diante da constatação do loiro. "Elas moram há anos aqui em NY e só existe um homem hétero de quem elas gostam e isso porque ele fez faculdade com elas. Então não se preocupe, não é nada pessoal." Quinn brincou.

Alex riu sem muita convicção, talvez por não saber se Quinn havia dito aquilo brincando ou não. A loira e sua vida permaneciam uma incógnita para ele. "Vou acreditar em você, então." Ele disse antes de mudar de assunto.

O loiro acabou não se demorando muito e logo Quinn voltou ao trabalho. Seu celular apitou no meio da tarde e ela viu que era uma mensagem de Rachel, perguntando se estava tudo bem. Ela então se lembrou do que Alex havia comentado mais cedo. Rachel parecia realmente incomodada quando ela tinha chegado na sala, mas Quinn havia pensado que se tratava do que a morena estava prestes a desabafar antes da campainha tocar e interrompê-las e não havia dado muita importância a isso.

Com a visita de Alex e depois a chegada de Santana, Quinn havia esquecido completamente sobre isso. A morena parecera realmente chateada com o que quer que fosse, mas depois ela estava completamente normal. Ou será que ela não tinha prestado a devida atenção? Talvez ela pudesse tocar no assunto com a morena quando chegasse em casa, ela só tinha receio que Rachel a repelisse e, mais uma vez, ela acabasse desapontada com morena. Ela estava realmente cansada de se sentir assim e queria de verdade virar a página e começar de novo com Rachel.

Quinn então se lembrou de todas as vezes que a morena havia lhe oferecido uma amizade no colégio e ela havia recusado. Ela ainda sentia um enorme arrependimento de todas as atitudes que havia tomado em relação à morena no passado. Rachel não tinha desistido dela e não seria ela a se render dessa vez. Era uma completa ironia do destino ela ter implicado tantas e tantas vezes com quem Rachel costumava ser e depois se pegar sentindo saudades no momento em que a morena havia mudado. E era mais desconcertante ainda pensar que, na realidade, Rachel não havia mudado tanto assim, pelo menos não em relação a ela.

E agora, justamente agora, aquela Rachel de quem tanto sentira falta finalmente voltava a dar sinais de vida, não mais aos pedaços, fragmentada, mas por inteiro. Aquilo, mais do que qualquer outra coisa, lhe causava uma sensação inquietante na boca do estômago. Nada em sua vida acontecia de forma tranquila e desta vez parecia não seria diferente. Mais uma vez, Quinn sentia que o caminho a sua frente lhe guardava inúmeras surpresas, surpresas essas que, ela tinha certeza, não estava preparada para enfrentar.

...

Santana acabou ficando na Hart até mais tarde aquele dia e ficara responsável por fechar o local. Ela passou pelos corredores desertos, seu salto ecoando conforme se aproximava. Para sua surpresa, ela encontrou Brittany se alongando em uma sala vazia. Era a primeira vez que ela via a loira desde a festa em seu apartamento.

"Eu tenho que fechar." Ela disse em um tom impessoal.

Brittany suspirou, levantando-se. "E eu tenho que montar uma coreografia até amanhã."

Santana correu os olhos pelo corpo bem trabalhado da dançarina. Seu rosto estava mais maduro e os cabelos presos em um rabo de cavalo apertado. Seu corpo levemente suado bem destacado pelo short de ginástica colado e o top cobrindo até um pouco acima do umbigo. Mas o que realmente prendeu seu olhar foram as íris azuis penetrantes. Podia passar o tempo que for, mas aquele olhar nunca perdia a inocência.

Brittany desviou o olhar, começando a recolher suas coisas para guardá-las na grande bolsa atrás de si. Escutou Santana se aproximar e sentiu a mão morena em seu braço. Seu corpo todo se sentiu arrepiar e a respiração se tornou pesada.

"Qual coreografia?"

Ela se virou, soltando-se delicadamente do toque da latina. "Para uma apresentação, eu não consegui terminar..." A loira tentou dizer normalmente.

"Dança pra mim."

Brittany percebeu a intensidade do olhar de Santana. O pedido foi na voz firme que a latina geralmente usava para conseguir o que queria. Era a voz que ela usava durante o sexo e que um dia tinha enlouquecido os sentidos de Brittany.

"Eu não sei se é uma boa ideia..." Ela devolveu também em um tom firme.

"Talvez eu possa te ajudar." Santana deu de ombros. "Eu costumava te ajudar com isso no McKinley."

A loira se afastou um pouco, com um leve sorriso. "O meu medo é você continuar sendo a mesma pessoa que era naquela época."

"E se eu for?"

"Aquela Brittany morreu."

"Então não tem problema se eu ainda for aquela Santana." Ela sentou-se na cadeira, cruzando as pernas e os braços.

A dançarina então se deu conta da impetuosidade tão característica da latina. Respirou fundo antes de ligar a música no aparelho de som. "A coreografia é... provocante."

A expressão da latina não se alterou, a não ser por um leve arquear de sobrancelhas, e então Brittany iniciou os movimentos. Santana sentiu vontade de soltar um palavrão e sair dali, arrependendo-se de ter sugerido aquilo. Seu olhar vidrou na dança perfeita e sensual executada pela loira que, impossivelmente, se tornara uma dançarina ainda melhor. Não havia falhas, seu corpo era treinado e dava o máximo de si. O olhar e a dança de Brittany seriam sempre o seu ponto fraco.

A música continuou, enquanto a loira parava de dançar. Estava suada e ofegante. "E então?"

"Está perfeito."

"Está? Eu queria uma coreografia mais longa..."

"Tenho certeza de que os seus alunos terão ótimas ideias para isso."

A loira assentiu. A música mudou para uma lenta, provavelmente uma valsa. Os olhos azuis encontraram os enegrecidos da latina e a loira se aproximou com a mão estendida para ela, não tendo muita certeza do porquê de estar fazendo aquilo.

"Tira o salto." Ela disse enquanto a latina aceitava sua mão e ficava de pé.

Santana obedeceu e Brittany segurou sua mão novamente, colocando a outra em sua própria cintura. A pele quente da dançarina parecia gritar por um toque mais forte, mas a latina se segurou. Com a outra mão elegantemente apoiada no ombro bronzeado ela iniciou a dança lenta.

A distância formal criada por Brittany logo foi cortada por Santana, que buscava seu olhar. A loira não a encarava de propósito.

"Eu estou suada." A loira finalmente a olhou.

"Eu não me importo."

A latina colou o seu corpo no dela e sentia que finalmente respirava depois de um longo tempo. Ela nunca teve tanta consciência de estar viva. Brittany ainda usava o mesmo perfume e Santana apoiou o queixo em seu ombro, sentindo as lembranças lhe invadirem enquanto sua mão passou a acariciar a base das costas da loira. A mão de Brittany em seu ombro não teve escolha se não mover-se para seu pescoço. O corpo inteiro da loira gritava em alerta. Ela conhecia muito bem o vício que era o corpo da latina e o que a sua abstinência lhe causara.

Mas que inferno! Ela sempre ficaria assim ao lado de Santana?

A latina apertou seu quadril contra o dela e a empurrou delicadamente até a mesa. A dança parou e suas duas mãos prenderam-se firmemente na cintura da loira. Como um reflexo as duas mãos de Brittany pousaram nos ombros de Santana, para contê-la. Os lábios da latina trancaram-se em seu pescoço de um jeito extremamente familiar. O coração da loira perdeu uma batida e seus olhos escureceram. Ela sentiu o próprio sexo pulsar.

Quase como se fosse para lhe salvar, a música mudou para uma batida eletrônica, cortando o clima.

Ela se afastou quase que abruptamente da fortaleza que eram os braços de Santana e ficou de costas, evitando mostrar o rubor do próprio rosto. Fingiu arrumar alguma coisa na própria bolsa. A latina soltou um suspiro pesado antes de se mover para recolocar os saltos e a própria bolsa no ombro. Brittany desligou o som, deixando no lugar um silêncio que parecia comprimi-las. Andavam agora uma ao lado da outra, para sair dali.

"Quer uma carona?" Santana perguntou casualmente.

"Eu estou de carro." Brittany respondeu, seguindo o tom.

Saíram do estúdio e foram fortemente envolvidas por um vento frio. Santana trancou a porta antes de perceber que Brittany tremia. Ela retirou o próprio sobretudo e cobriu os ombros da dançarina.

"N-não precisa."

Ela apenas arqueou uma sobrancelha para Brittany antes de caminhar em direção a sua moto.

"Até amanhã." A latina disse por cima do ombro.

"Até amanhã." Brittany murmurou, vendo-a se afastar.

Notas finais
Me digam o que vocês estão achando até aqui! Próximo capítulo será finalmente FINALMENTE a estreia da Rachel... Ahh, postei uma one-shot de Natal! Quem se interessar, acho que vale a pena conferir! https://fanfiction.com.br/historia/719624/All_I_Want_For_Christmas_Is_You/ Até a próxima!