Notas iniciais
Obrigada a todas as que comentaram o 1º capítulo e estou mesmo muito contente que estejam a gostar.
Espero que este segundo capítulo esteja ao nível das vossas expectativas. Continuem a comentar por favor *.*
Beijinhos!

Todos os olhares estavam postos em mim. Era o dia do velório do Mark.

Estávamos à porta da igreja da cidade em silêncio, ninguém proferia uma única palavra. Algumas vezes era possível ouvir-se um soluço por entre a multidão, eu estava ao lado do Jake a olhar para o chão, incapaz de dizer alguma coisa.

“As portas vão abrir agora” anunciou uma mulher de meia idade.

As pessoas começaram a andar na direcção da porta, eu permaneci quieta, submersa nos meus pensamentos.

“Meredith, vens?” perguntou o Jake colocando uma mão no meu ombro.

Assenti com a cabeça e segui-o arrastando os pés.

Lá dentro já estavam vários familiares do Mark que eu tão bem conhecia, eles choravam desesperadamente, tal como os amigos de Mark que se espalhavam pela pequena sala para se despedirem dele.

“Queres sentar-te?” questionou o Jake.

Assenti novamente e sentámo-nos num banco, lado a lado. Eu e o Jake não éramos próximos ,de todo. Mas ele era o melhor amigo do Mark. Ele sabia o que eu estava a sentir. E eu sabia o que ele estava a sentir. Daí a nossa ligação repentina.

O Jake colocou a mão sobre a minha e envolveu-a amigavelmente. Várias pessoas dirigiram-se a nós transmitindo-nos os seus sentimentos.

Eu chorava em silêncio e deixava o Jake falar com elas; ele era, de longe, mais forte que eu.

Após algumas horas naquele ambiente pesado , senti a súbita necessidade me dirigir à mãe do Mark, Cashmere, que me conhecia antes mesmo de ter nascido. Quando a encarei e vi a tristeza estampada na sua face perdi toda a coragem de falar e envolvi-a num abraço intenso, as lágrimas sempre a cair.

Quando nos separámos desse abraço intenso ela encostou a mão à minha cara, e agarrou-a com carinho, na tentativa de me limpar as lágrimas:

“Querida, tens de ser forte. Ele gostava tanto, tanto de ti minha filha” murmurou entre as lágrimas que lhe caíam também.

Fechei os olhos e consegui proferir as primeiras palavras do dia “Obrigada. Se precisar de algo estou aqui”. Afastei-me de seguida e fui cumprimentar os outros familiares do Mark, transmitindo os meus sentimentos.

Cabisbaixa comecei a andar na direcção do Jake mas enquanto andava, dei um encontrão bastante forte em alguém. Levantei a cabeça alarmada pronta a apresentar as minhas desculpas. Foi então que vi aqueles olhos castanho-avelã pela segunda vez. Fiquei perplexa. Senti um medo gigante a alcançar o meu interior, contudo não desviei o olhar por um único segundo. Engoli em seco, e na minha cabeça surgiram memórias daquele rapaz, diante de mim, com uma pistola na mão e a ameaçar-me de morte. Tentei lembrar-me de como era a sua voz, mas não consegui. Permanecemos diante um do outro em silêncio. O seu cabelo era castanho claro e ele tinha uma camisa branca com os primeiros botões desabotoados.

Estaria a mentir se dissesse que não o achava atraente. Mas o medo que sinto quando o vejo é superior a todos os outros sentimentos.

Finalmente desviei o meu olhar dos seus olhos penetrantes e comecei a andar novamente na direcção do Jake, ignorando o que se sucedera.

Porém ele não me deixou escapar tão facilmente e agarrou o meu pulso com força, obrigando-me a encará-lo mais uma vez.

“Os meus sentimentos” murmurou com o seu olhar misterioso e assustador posto em mim.

Assenti com a cabeça, incapaz de verbalizar alguma coisa e olhei em meu redor assustada, evitando olhá-lo nos olhos. Ele largou-me o braço e começou a andar na direcção em que ia, ignorando-me por completo, de cabeça erguida e com as mãos nos bolsos. Suspirei de alivio e desta vez sim, consegui dirigir-me para o local que queria.

Mal avistei o Jake corri para os seus braços e ele envolveu-me num abraço intenso, permitindo-me chorar no seu ombro.

“Precisava tanto dele aqui” sussurrei no seu ouvido.

“Eu sei” disse ele firmemente.

Permanecemos em silêncio e segundos depois ele guiou-me para o exterior da igreja, sentando-se num degrau ao acaso.

“Nunca pensei que o Mark conhecesse tanta gente” admiti sentando-me ao seu lado, evitando deixar as lágrimas cair novamente.

Ele sorriu levemente brincando com o meu cabelo “Ele sempre nos surpreendeu” disse ele sorrindo.

“Sempre...” murmurei olhando-o nos olhos e fazendo uma pequena pausa“ Há um rapaz” comecei.

“Um rapaz?” disse ele elevando uma sobrancelha de maneira sugestiva.

“Não é isso” disse rapidamente “Um rapaz que cá está, não sei quem é” expliquei.

“É normal Meredith, está cá muita gente” disse ele com um sorriso forçado no rosto.

“Pois...” disse eu suspirando “obrigada” adicionei após uma pausa silenciosa. Estava a agradecer por tudo o que ele tinha feito nestes últimos dias.

Ele simplesmente sorriu docemente “O Mark não ia querer que passasses por isto sozinha” disse levantando-se e esfregando as mãos suadas nas calças.

Antes de poder dizer alguma coisa senti uma presença familiar atrás de mim e mal dirigi o meu olhar nessa direcção, lá estava ele, o rapaz misterioso que me ameaçara de morte duas noites atrás. O meu corpo ficou tenso de repente e esqueci-me de como se respirava. Ele estava ali e eu não percebia porquê. Só queria que ele saísse dali pois o único sentimento que me suscitava ao vê-lo era medo. Sempre que olhava para ele dava para ver no seu olhar que era uma pessoa sem escrúpulos. Era uma pessoa perigosa que transpirava maldade.

“Justin?” ouvi o Jake murmurar olhando incrédulo para o rapaz que agora se sentava dois degraus acima do em que eu própria estava sentada. Visto deste ângulo parecia quase inofensivo, porém eu sabia que ele não o era, de todo.

“Jake” disse o rapaz com uma expressão séria no rosto.

Senti-me extremamente confusa na situação em que me encontrava. A presença dele naquele local era uma incógnita e o Jake parecia conhecê-lo porém não sei como.

O Jake abraçou o rapaz com alguma intensidade e vi que o rapaz deixava agora algumas lágrimas atravessarem o seu rosto com delicadeza. “Não sei como é que isto foi acontecer” murmurou ele.

“Nem eu, nem eu” retornou o Jake batendo nas costas do outro rapaz carinhosamente. Apeteceu-me gritar e avisar o Jake que ele não era de confiança, que o tinha visto com uma arma na mão, mas não consegui, por mais que tentasse, não consegui dizer nada, apenas olhei para ambos com os olhos esbugalhados, não entendendo o que se estava a passar ali. Apesar de não ser íntima com o Jake, conhecia-o e sabia que o Mark o adorava. Agora nunca tinha ouvido o Mark falar deste Justin, nem nunca o tinha visto , o que parecia ser estranho.

Tossi suavemente tentando relembrar-lhes que eu também ali estava.

“Meredith” suspirou o Jake coçando a nuca.

Olhei para os seus olhos e mostrei-lhe que não estava a entender nada do que estava a acontecer à minha frente. “Vou lá para dentro. Faz o que tens a fazer” disse o Jake ao rapaz, confundindo-me ainda mais. Levantei-me assumindo que eu o iria acompanhar “Meredith tu ficas aqui, depois vais perceber tudo” disse ele beijando a minha bochecha docemente e caminhando para a igreja descontraidamente.

Olhei para o chão extremamente confusa e assustada. Comecei a brincar com as minhas mãos, enrolando os meus dedos uns nos outros e evitando olhar para o rapaz que me ameaçara.

“Eu conheci o teu melhor amigo” disse ele finalmente ganhando a minha atenção “Ele falava-me muito de ti” sentei-me novamente olhando para os olhos dele mostrando que queria que continuasse “Ele e eu envolvemos-nos nuns problemas dos quais não quero falar e eu vi-me obrigado a abandonar a cidade para evitar que algo mau acontecesse” explicou agora começando a brincar com as suas mãos “o que aconteceu foi um erro muito grande... Ouve eu não posso entrar em pormenores mas há pessoas muito más por aí. O Mark sempre pediu para eu te proteger caso algo lhe acontecesse” revelou ele.

“Proteger?” questionei confusa engolindo em seco.

“Acredita que não é o que eu quero” disse ele num tom frio “Mas era o que ele queria, e eu estou-lhe a dever muito. Ele salvou-me imensas vezes”

“Mas eu não preciso de ser protegida por ti” sussurrei com a voz rouca e assustada.

“Tu não sabes o que precisas, tu não sabes nada” disse ele violentamente.

“Talvez me pudesses explicar. não?!” gritei frustrada “Acabei de perder o meu melhor amigo e agora um estranho vem dizer que me tem de proteger?”

Ele tapou-me a boca com violência e arrastou-me até a um jipe range rover escuro, trancando as portas de seguida.

“Tenho a certeza que há pessoas a espiar-nos” disse ele enraivecido “Não sabes ser discreta? Tens de começar a gritar ali no meio?” perguntou rudemente.

“Tu és louco, deixa-me sair daqui” disse eu simplesmente tentando abrir a porta.

“Quem me dera poder fazer isso” murmurou ele passando as mãos pelo cabelo “O Mark era quem mais te protegia. Com ele por perto não corrias perigo, mas agora corres” explicou.

“Eu sei cuidar de mim mesma, deixa-me sair daqui, não preciso da tua ajuda” retornei igualmente irritada.

“Está bem!” gritou ele “És completamente insuportável, não percebo o que ele via em ti” disse ele destrancando as portas do jipe e deixando-me sair finalmente. Comecei a chorar à medida que me afastava a correr, completamente afectada com as suas palavras.

“Meredith” ouvi-o gritar do interior do carro. Não parei de correr, mas consegui ouvir a sua voz mais uma vez “Vou estar atento”.

Notas finais
E aqui está o 2º capítulo!
Espero que estejam a gostar, não vos quero desiludir a sério.
Agora que Meredith descobriu quem Justin é, o que será que vai acontecer? O que irá Justin fazer para cumprir a promessa que fez a Mark?
Continuem a ler para descobrir :)
Beijinhos!