Notas iniciais
Olá! Desculpem ter demorado tanto a publicar mas estive sem vontade nenhuma de escrever para ser honesta.
Aqui está o capítulo 3 e aviso já que não acontece nada de jeito, mas que no próximo capítulo é possível que aconteça.
Leiam lá vá.

“Meredith, não comeste nada” suspirou a minha mãe após eu ter pedido autorização para sair da mesa. Já havia passado uma semana desde a noite que tinha mudado a minha vida, mas o meu estado não apresentava alterações.

“Não tenho fome mãe” sussurrei levantando-me e agarrando no prato com ambas as mãos.

“Nem uma peça de fruta?”

“Mais logo” disse eu depositando um suave beijo a sua testa e dirigindo-me à cozinha para colocar a loiça na máquina.

Tinha um hoodie azul escuro com bolsos na barriga e umas leggins de cor cinzenta vestidos, a roupa típica para ser usada nos dias de maior preguiça.

Franzi o nariz com o cheiro da loiça suja que já se encontrava na máquina e coloquei-a em funcionamento. De seguida passei as mãos por baixo da torneira do lava-loiças e limpei-as na minha roupa.

Fui à janela por alguns momentos apenas para apreciar a paisagem urbana que me rodeava, apenas para pensar e me abstrair um pouco da situação em que me encontrava.

Senti-me ridícula por não conseguir seguir em frente, todos os dias milhares de pessoas passam por situações semelhantes ou mesmo idênticas a esta e aparentam recuperar com facilidade. Porque é que eu não consigo recuperar assim também?

Dirigi-me ao quarto e decidi verificar o meu telemóvel.

“Festa na casa do Richard, 00:00 , tragam bebidas” dizia a única mensagem que recebera.

Sentei-me na ponta da cama sem ter certezas do que fazer. Ir a este tipo de festas não era, de todo, algo que eu estivesse habituada a fazer. Muito menos depois de tudo o que aconteceu. Mas por outro lado ir a esta festa seria um óptimo modo de iniciar uma nova etapa da minha vida e tentar ultrapassar o que ainda não consegui ultrapassar.

Quando dei por mim já estava dentro do pequeno duche na casa de banho instalada no interior do meu quarto. Era a primeira vez desde a semana passada que não chorava enquanto a água quente caía sobre o meu corpo. Senti-me orgulhosa de mim mesma e quando finalmente terminei o duche, esbocei um sorriso forçado diante do espelho embaciado.

Quando abri as portas do meu armário tive algumas dúvidas em relação ao que vestir mas decidi ir com uma mini-saia preta e justa e um top largo e cor-de-rosa choque que coloquei dentro da saia.

Calcei umas sabrinas prateadas, estiquei o meu cabelo e apliquei um pouco de maquilhagem.

Agarrei na mala e desci as escadas anunciando aos meus pais que ia sair e que não sabia a que horas voltava.

Comecei a andar pelas ruas do meu bairro quando vi que ainda faltavam 15 minutos para a meia noite, e não querendo chegar cedo demais decidi passar pelo supermercado e comprar uma garrafa de cerveja para a festa.

Entrei na rua do Richard e imediatamente comecei a ouvir musica mexida que aumentava de volume a cada passo que dava.

“Meredith!” ouvi o Jake gritar e de seguida fui envolvida por um abraço gigantesco.

“Jake” disse sorrindo e passando a cerveja para a sua mão “trouxe bebidas”

“Óptimo!” disse ele retribuindo o sorriso “Nunca pensei que viesses, juro, anda comigo para eu te apresentar algumas pessoas” disse agarrando na minha mão e forçando-me a entrar pela casa a dentro.

A festa estava de facto ao rubro, era impossível ouvir alguma conversa por entre a música que se fazia ouvir, as raparigas dançavam atrevidamente algumas já a cair de bêbedas chegavam mesmo a tirar a roupa. Os rapazes claro, aproveitavam ao máximo o estado vulnerável de algumas delas.

“Mer, esta é a Kelsey, Kels, esta é a Meredith” disse o Jake alegremente beijando a bochecha da rapariga loira de olhos verdes que me esticava a mão com um sorriso no rosto.

“Olá Meredith, o Jake já está um pouco alegre, portanto desculpa se ele demonstrar demasiada felicidade” disse ela sempre sorrindo.

“Não faz mal” respondi abanando a mão despreocupadamente “Eu é que já bebia alguma coisa...”

“Segue-me” disse ela piscando-me o olho e furando por entre as pessoas.

Segui-a até à cozinha que estava deserta.

“Aqui está uma reserva secreta que o Jake me mostrou” sussurrou ela apontando para uma mesa cheia de garrafas.

“Agrada-me” respondi rindo.

“Portanto... qual é a tua preferência neste momento? Vodka pura? Com sumo de laranja? Cerveja? Vinho?”

“Cerveja definitivamente” murmurei levantando as mãos.

“Junta-te ao clube!” gritou ela agarrando em duas garrafas de um litro.

Agarrei na garrafa com ambas as mãos e dirigi-me para a sala de estar onde fui logo, juntamente com a Kelsey, desafiada a beber a cerveja de penálti.

Não tinha a certeza do que fazer, nunca tinha bebido muito álcool na vida e tinha a certeza que um litro de cerveja de penalti não iria ter bons resultados em mim. Mas estava decidida a recomeçar uma nova etapa da minha vida e não hesitei em levar a garrafa à boca e bebê-la ali de seguida ao mesmo tempo que os outros adolescentes gritavam entusiasmados e batiam com as mãos nas mesas violentamente.

“EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEHHHHHHH” ouvi-os dizer quando terminei. Comecei de imediato a sentir-me tonta e caí ao chão de seguida.

As pessoas andavam à minha volta e tudo rodava como se eu própria estivesse dentro de uma máquina de lavar roupa.

Os sons chegavam á minha cabeça com interferências e não era possível distinguir uma única palavra. Arrastei-me pelo chão, completamente sem consciência do que estava a fazer e encostei-me a um sofá, onde permaneci inconsciente.

O cheiro a panquecas entrou pelas minhas narinas trazendo-me de volta à realidade. Mal tentei abri os olhos, uma dor de cabeça gigantesca surgiu. Encolhi o meu corpo e envolvi-me nos lençóis que me rodeavam. Não sabia sequer onde estava nem como ali tinha ido parar mas a dor de cabeça que se estava a apoderar de mim não me permitia sequer pensar nisso.

“Mais cedo ou mais tarde vais ter que te levantar” ouvi uma voz masculina irreconhecível dizer “Eu tenho comprimidos para a ressaca, se isso serve de incentivo”.

Suspirei ainda debaixo dos lençóis e quando finalmente coloquei a cabeça de fora, abri os olhos lentamente revelando a figura do Justin sem t-shirt sentada na ponta da cama.

“Tu?!” sussurrei incrédula tapando os olhos de seguida “Ao menos podias estar vestido,não?”murmurei abanando a cabeça negativamente piorando a dor de cabeça.

“Já vai começar...” suspirou ele levantando-se e vestindo uma t-shirt “Estou em minha casa, faço o que quero está bem?” retornou ele revoltado.

“Tua casa?” questionei confusa sentando-me na cama enquanto massajava a minha testa com os polegares.

“Sim. Minha casa” respondeu ele simplesmente oferecendo-me um copo de água e um comprimido.

“É seguro?” questionei segurando o comprimido entre os meus polegares.

“Não, é um comprimido letal” murmurou ele chateado. Olhei para ele confusa “Toma lá a porcaria do comprimido Meredith”.

Engoli o comprimido e devolvi-lhe o copo de seguida “Obrigada” disse num murmúrio com timidez.

“De nada” disse ele abandonando o quarto violentamente e deixando-me sozinha.

O que se estava a passar?

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Todo o feedback é sempre bem vindo ♥