How To Be a Rockstar
2 Memories and The boys
Notas iniciais
Durante a longa viagem entre São Paulo e Nova York, Thalia lembrou tudo o que aquela cidade representava. O que levou as três até ali, mesmo que não gostasse disso:
Elas tinham 13 anos. Thalia namorava Luke. Loiro, olhos azuis: perfeito. Todos a diziam que ele era galinha, que a estava usando. Mas em sua inocência, a garota acreditou quando ele disse que havia mudado por ela. Ela acreditou até aquele dia.
Estavam na escola, o sinal já havia batido e eles iam ao cinema- Thalia, Annabeth, Piper e Luke. Quando chegou ao portão, Thalia precisou ir ao banheiro, então voltou para dentro da escola com Piper, que alegou precisar retocar o lápis. Annabeth pareceu não gostar muito de ter de ficar sozinha com o namorado da amiga. Mas Thalia não se importou. Seriam só alguns minutos, certo? Ela se arrependeria de fazer pouco do desconforto da amiga.
Poucos metros á frente da porta da escola, Thalia notou que seu celular havia caído na escada, ela mandou Piper ir à frente. Ela voltaria rápido.
Thalia se abaixou e pegou o celular, mas quando se levantou o que viu nunca sairia de sua mente:
Luke pressionava Annabeth contra o portão. Os olhos dela expressavam uma dor não física, porém excruciante.
– Me solta, Luke! Você namora minha melhor amiga!
Luke deu um sorriso de escárnio.
– Vamos lá, Annabeth. Você sabe que quer.
Nesse momento Annabeth viu a amiga. O desespero fez com que gritasse:
– THALIA!
Luke virou-se espantado na direção da morena ao pé da escada, afrouxando o aperto sobre Annabeth que correu na direção de Thalia segurando as lágrimas.
Thalia não disse nada. Não conseguia. Sentia que se movesse algum músculo se desfaria em pedaços. Lágrimas silenciosas escorreram por suas bochechas.
Luke a olhava assustado.
– Thalia... – Ele engoliu em seco e tentou de novo. – Thalia, eu po...
Sua tentativa de se explicar a tirou daquele torpor. Toda tristeza, mágoa e decepção dentro de Thalia se transformou em um único sentimento: Raiva.
– Você o quê? – Ela rebateu enquanto caminhava até ele. Sua voz pingava de ironia e sarcasmo. – Você pode se explicar?
Piper, que havia chegado a pouco para verificar o porquê da demora de Thalia, abriu a boca para perguntar o que estava havendo, mas notando as lágrimas das amigas decidiu que perguntaria depois e se calou.
– Vá embora. – Disse Thalia calmamente.
Luke falou outra vez:
– Thalia...
– VÁ EMBORA, LUKE! – Gritou Ela.
Ele desistiu de tentar se explicar e caminhou em silêncio até o portão.
Thalia desabou no momento em que ele virou a esquina.
Depois de se acalmar, ela fez a pergunta que não saia de sua cabeça:
– Por que você não reagiu, Annabeth?
A loira enxugou as lágrimas e tentou falar.
– E-eu não... Queria machucá-lo. – Annabeth disse. – E-e-eu...
Ela não terminou, mas Thalia já havia entendido, assim como Piper. A loira estava apaixonada. Thalia não teve raiva da amiga, Annabeth estava sofrendo tanto quanto ela, dificilmente alguém a entenderia melhor naquele momento.
Thalia abraçou Annabeth enquanto ela soluçava ainda mais. Piper abraçou-as, podia não saber exatamente o que estavam passando, mas não deixaria as amigas sofrerem.
Elas ficaram abraçadas por alguns minutos antes de se recomporem.
Ao relembrar tudo que Luke fez a ela, Thalia se surpreendeu por apenas uma lágrima escorrer por seu rosto — pode ter sido há três anos, mas ainda doía.
Ela secou a lágrima e se pôs a lembrar de o que veio depois:
Zeus, Atena e Afrodite – respectivamente diretor da Olympus e da ramificação Aviação Olympus; vice-diretora e diretora da ramificação Olympus Arquitetura e diretora da ramificação Moda Olimpiana – se mudariam para o Brasil para abrir uma filial em São Paulo. Thalia, Piper e Annabeth não iriam com eles, pelo menos não até aquele dia.
Thalia e Annabeth não conseguiriam olhar para Luke no dia seguinte e Piper acompanhou-as quando mataram a aula no porão dos Grace.
– O que vamos fazer? Não vamos conseguir voltar para a escola e olhar na cara dele todos os dias, Pipes. – Dizia Thalia aflita.
– Além de que, eu falei com Silena há uns dez minutos: ele fez questão de espalhar a notícia para a escola inteira. – Piper disse.
Annabeth rompeu o silêncio falando pela primeira vez:
– Eu sei o que podemos fazer.
Piper e Thalia viraram-se em sua direção curiosas.
– O quê? – Perguntaram juntas.
– Nossos pais não vão para o Brasil? – Indagou Annabeth já sabendo a resposta. – Então porque não vamos com eles, já haviam nos convidado, mas não temos mais nenhum motivo para recusar.
As três se entreolharam, realmente não tinham nenhum motivo pelo qual ficar.
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– Ei! Acorda idiota! – Gritou Jason para o amigo na tela do celular:
Percy levantou a cabeça lentamente do travesseiro e olhou o loiro na janela do Skype.
– É sábado de manhã, cara. O que você quer?
Jason se fez de ofendido:
– Se não queria falar comigo por que atendeu?
– Porque não penso normalmente de manhã. Vou desligar.
– Tarde demais, já coloquei o Nico, você não dormirá mais hoje.
Aproximadamente dois segundos depois Nico apareceu também na janela e parecia com tanto sono quanto Percy. Os dois soltaram um muxoxo quase ao mesmo tempo.
– O que vocês querem? – Indagou Nico.
– Eu quero dormir. – Respondeu Percy.
– Eu também, tchau.
– ESPEREM! – Gritou Jason. – Não sabem mesmo que dia é hoje?
Nico balançou a cabeça negativamente.
– Sábado. — Percy disse.
– Além de sábado. – Disse Jason. Eles continuaram em silêncio. Jason suspirou. – Hoje eu vou para aí. Vou reencontrar vocês.
Os outros dois garotos arregalaram os olhos.
– Quer dizer que é hoje que nos mudamos?! – Disse Percy.
– Só nós três em uma casa?! – Praticamente gritou Nico ao mesmo tempo.
– Disso vocês se lembram, não é? – Reclamou o loiro.
– Claro, a sua ausência não faz tanta diferença nas nossas vidas. – Respondeu Nico.
– Vai se fuder, cara.
Mesmo xingando os dois, Jason não pode deixar de se juntar a eles quando riram.
– Ok, agora é sério, eu chego ao aeroporto umas seis horas. Passem lá para a gente ir para casa.
– Ok. – Responderam Nico e Percy.
– Tchau, até depois.
– Tchau.
Jason fechou a janela do Skype com um sorriso – hoje ele reveria seus amigos, hoje ele iria atrás de seus sonhos, hoje ele iria para Nova York.
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