How To Be a Rockstar
3 Kids
Notas iniciais
Quando saiu do aeroporto, Thalia já se sentia vários quilos mais leve. Era como se todos esses anos carregasse um saco de areia – mesmo depois de tantos anos ele ainda não estava vazio e parecia que Thalia só agora o soltava.
Annabeth respirou fundo o ar poluído e familiar de Manhattan e notou que as amigas assim como ela encaravam perplexas a vista de sua tão amada cidade.
– Estamos mesmo aqui. – Exclamou Piper maravilhada.
– É nós estamos. – Disse Annabeth.
As três se entreolharam e sorriram. Não importava as lembranças daquela cidade, — Não as ruins – elas escreveriam sua história agora, rasgariam as páginas desnecessárias e começariam tudo de novo se necessário.
As meninas se adiantaram ao mesmo tempo e correram em meio à multidão. Saíram em uma rua menos movimentada e chegaram a uma praça rindo como crianças arteiras. Sentaram-se em um banco e esperaram o ataque de risos passar – o que demorou um bocado, já que recomeçavam a rir sempre que olhavam umas para as caras das outras.
– Isso foi divertido. – Disse Thalia.
Annabeth se virou para as duas morenas:
– Que tal revivermos os velhos tempos, fingir que ainda temos treze só por algumas horas?
Piper sorriu e se levantou:
– Bom quem quer sorvete?
– EU! – Gritaram juntas Annabeth e Thalia.
Para sorte das três, havia uma sorveteria logo em frente à praça. Annabeth pediu um sorvete de limão, Thalia de chocolate e Piper de morango.
As três amigas ficaram assim – comendo, conversando e brincando como crianças durante muito tempo.
Annabeth estava deitada na grama enquanto se recuperava da última brincadeira, pega-pega, e olhava as suas amigas completamente anormais que ainda não haviam se cansado.
Ela se sentia realmente como uma criança – feliz e esperançosa com a nova vida.
Um pingo gelado despertou Annabeth de seus pensamentos. Ela se levantou depressa ante a chuva que engrossava e correu com Piper e Thalia até o ponto de táxi mais próximo, que era coberto, mas não fez grande diferença já que quando o alcançaram já estavam encharcadas.
Mas não importava quantos táxis passasse, nenhum parava para três adolescentes pingando água.
– Bom, acho que teremos que fazer do jeito nova-iorquino. – Disse Thalia com um sorriso molhado
– Existe jeito mais nova-iorquino do que os táxis amarelos? – Piper indagou tremendo.
Annabeth olhou-a incrédula.
– Metrô, idiota.
Piper a olhou com cara de lerda, ou seja, sua cara normal.
– Ah, é.
– Vamos contar até três depois corremos até o metrô, ok? – Sugeriu Thalia.
– Ok. – Concordaram.
– Um... – Disse Annabeth.
–... Dois... – Disse Piper.
– Três! – Thalia gritou.
As três correram como se perseguidas pelo diabo. Annabeth sentia as gotas frias escorrendo pelos seus cabelos loiros e molhando o vestido deixando-o colado em seu corpo. Ela estava morrendo de frio e se odiava por não ter pegado pelo menos uma jaqueta – havia se esquecido de como o clima de Nova York era louco, pois no Brasil está sempre quente.
Mas apesar de todas essas coisas, Annabeth se sentia como uma criança mais do que durante todo o dia. Ela só conseguiu rir disso, aliás, gargalhar.
– Você é louca? – Gritou Piper tentando ser ouvida em meio aos trovões.
Annabeth não respondeu – porque a resposta lhe parecia óbvia – mas pouco tempo depois Thalia e Piper se renderam ante a onda de nostalgia que as atingiu e começaram a rir.
A quem estivesse passando naquele momento elas provavelmente pareceriam loucas fugindo de algum hospício: encharcadas, correndo e rindo como se não houvesse amanhã.
As três quase causaram um ataque cardíaco a uma velhinha que passava quando entraram tempestuosamente na estação de metrô.
O caminho até a nova casa já foi calmo e silencioso. Não o tipo de silêncio constrangedor e chato, era o silêncio confortável daqueles que se sentiam felizes apenas em estar juntos. Piper apoiava sua cabeça no ombro de Annabeth, que estava no meio, assim como Thalia, em quem por sua vez Annabeth apoiava a cabeça. Ligeiramente amontoadas, mas ainda assim confortáveis e praticamente dormindo.
Depois de descerem onde queriam, elas obviamente precisavam achar a casa, felizmente era uma região conhecida das três e achar a rua foi fácil. Mas achar o número...
– Thalia, você tem certeza de que é o número 1061? – Indagou Piper paciente pela quadragésima vez de acordo com as contas de Thalia.
– Já disse que sim, Piper. – Resmungou Thalia olhando também pela quadragésima vez o papel – obviamente Pink – no qual Afrodite havia anotado o endereço com sua letra impecável.
Exceto que ela havia, por algum motivo desconhecido, ela havia escrito o número na parte do cartão e de ponta-cabeça se comparado ao outro lado.
– COMO SE A DROGA DA RUA TERMINA NO NÚMERO 1500?! – Gritou Piper.
– Eu sei lá, é o que está escrito aqui. — Defendeu-se Thalia voltando o olhar para o cartão. Era realmente o que estava escrito, ela só não entendia uma coisa... – Eu só não sei o que diabos é esse traço aqui em cima.
Annabeth olhou-a curiosa.
– Me deixe ver isso. – Disse estendendo a mão.
Dois segundos se passaram e Annabeth abriu a boca em um perfeito “O” de incredulidade.
– Eu. Vou. Te. Matar. Thalia. – Disse Annabeth sem nem levantar a cabeça.
– Por quê? – Indagou Thalia de olhos arregalados.
– PORQUE A DROGA DO TRAÇO SIGNIFICA QUE O NÚMERO É 1901, PORRA! – Berrou Annabeth.
Thalia abriu a boca para falar, mas a única coisa que conseguiu pronunciar foi Ops.
Piper e Annabeth reviraram os olhos.
– Venha lerdinha, vamos para casa. – Disse Piper.
As três então caminharam para sua casa no número 1901.
– Uau. – Exclamaram as três ao mesmo tempo.
Elas se surpreenderam com o quanto a casa, vulgo mansão, era linda e correram na direção da porta o mais rápido possível entrando direto na sala mais perfeita que já viram — isso levando em conta o quanto seus pais eram ricos.
– Meu Zeus, eu morri e fui pro Elísio. – Murmurou Thalia.
A primeira a se recuperar do torpor foi Piper.
– Vamos explorar – Ela sugeriu.
As outras duas concordaram imediatamente e subiram as escadas até um corredor com três portas de cada lado e uma no fim.
No lado direito os quartos tinham respectivamente as letras P, A e T sendo a que ficava mais perto do fim do corredor. Já no lado esquerdo as portas tinham também respectivamente as letras J, P e N cada um deles de uma cor.
Obviamente os quartos no lado direito eram os delas que se dirigiram à porta com a primeira letra de seu nome. Annabeth encarou o A na porta branca e em seguida olhou pra Piper e Thalia que encaravam respectivamente um P verde e um T preto. Elas se entreolharam e abriram juntas as portas.
Annabeth ficou fascinada com o quanto seu quarto era grande e totalmente de acordo com sua personalidade, guitarras estampavam várias partes do quarto além da enorme estante no canto.
Piper saiu de seu quarto, tão embasbacada quanto Annabeth. As duas se viraram então para o quarto da única entre elas que não estava no corredor. Thalia estava parada no meio do quarto com a boca em um perfeito “O” o que também ocorreu com Thalia e Piper quando viram o enorme letreiro sobre a cama.
– UAU – Disseram as três.
Thalia respirou fundo e se virou para as duas meninas.
– Venham, ainda quero ver o que tem na última porta.
Ainda um pouco groges as duas a seguiram até a última porta.
E o que viram lá as fez gritar como nunca.
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