How To Be A Heartbreaker
4 Don't Stop The Party - Parte 2
Notas iniciais
Já fazia minutos e nada das meninas sequer visualizarem a mensagem. Suspirei com pesar e ora ou outra me espiava ao vão á porta de madeira pura, assim como era a decoração sofisticadamente rústica alternando entre o tom escuro da madeira grossa em contraste aos tons neutros do mármore e porcelana da mobília do banheiro da mansão Salvatore. Que saco! Acho que vou ficar aqui pelo resto da festa… Droga! Eu deveria ter pegado uns salgadinhos!
Espiei o bar, certificando-me estar cheio o bastante até uma das “vagaranhas” decidir responder, porém, percebi que estava ficando sem tempo. Respirei fundo e saí disfarçadamente do banheiro estilo 007. Deve ter sido por isso que uni as mãos e ergui os dedos como em uma arma e cantarolei a musiquinha misteriosa da entrada dos filmes… Tã nã nã… Opa não, essa é de Missão Impossível, foi mal galera. ~Fail~
Esgueirei-me entre as pessoas, me apoiando em desconhecidos pelo caminho para ter equilibro nesse monstro de sete cabeças chamado Salto Lebou…Labou… Bloublou… Oh aquela merda que têm a sola vermelha e custa o preço do meu rim no mercado negro. Subi as escadarias para o segundo andar devagar, segurando-me no corrimão como se minha vida dependesse disso — e com esse salto, realmente dependia. Qual é o nível do micão se tirar para subir os degraus?… Melhor não. Vai que a Caroline e a mão de Hulk dela estão por perto?!
— Finalmente! — respirei aliviada ao encontrar Davina apoiada á parede do corredor enquanto um garoto alto e de porte atlético, com curtos e arrepiados cabelos pretos apoiava o braço á divisória acima de sua cabeça e parecia entediá-la com algum assunto. Fui até ela e segurei-lhe o pulso a levando comigo para longe.
— Dá licença, filhinho.
Deixamos o cara que parece Sharkboy de Crepúsculo para trás e nos afastamos.
— Desculpe atrapalhar, mas é emergência! — anunciei encarando-a nervosamente.
— Aliás, onde você estava?! Mandei várias mensagens!
— Atrapalhar? Tyler é um chato, tento me livrar dele há horas. — Davina franziu a testa, repudiando. — Desculpe, estava procurando Elijah, mas acho que ele não veio.
— Quem?
— Não importa. — abanou em sinal de descaso. — E aí? Qual é a emergência?
— Encontrei seu ex-namorado barra meu futuro falso namorado e não dá…
— Oh não… O que você fez? — Davina arregalou os olhos, receosa. Fechei a cara.
— Ei! Por que acha que fiz alguma coisa?!
— Porque é você.
— Faz sentido. — admiti. Enfim, olhei-a em desespero. — Não consigo, Davina. É uma péssima ideia! Nem sei o que estou fazendo e esse salto está me matando…
— Ei, calma! O que aconteceu com Kol?! — Davina me abordou firmemente. Eu respirei fundo e por fim, ela espremeu os olhos com desconfiança. — Elena?…
— A culpa não foi minha! Aquele champanhe estava vencido ou algo assim, porque era um troço muito ruim e eu não sabia que ele estava por perto, mas a samambaia estava e eu não conseguia engolir aquela coisa…— comecei a explicar rápida e agitadamente, mas ela me interrompeu abrindo a boca em um perfeito “O”.
— Você vomitou na samambaia?!
— Todo mundo vai ficar me dizendo isso, agora?! Já disse que não vomitei, eu cuspi! É diferente. — corrigi na defensiva, então continuei: — Ele veio falar comigo, mas não estava esperando por isso, agora ele está no bar, e eu estou indo embora. Tchau D. — acenei com a mão e me propus a sair, mas ela me parou.
— Para com isso! Só não saia daqui, ok? Vou procurar as outras e já volto. — Davina me garantiu e então começou a se afastar. Eu a observei em dúvida.
— Davina…
— Vai dar tudo certo, confie em mim!
Bonnie enfim conseguira escapar de Damon quando alguns convidados aproximaram-se dele no momento propício para usar a desculpa do toalete, quando na verdade fora ao bar. Afinal, após toda a pressão e nostalgia daquela noite, não apenas precisava de uma bebida. Ela merecia. Porém, ao menear o rosto ao lado e dar de cara com o ex-namorado, decidiu que definitivamente não foi uma boa ideia.
— Hoje deve ser o meu dia! — resmungou encarando o shot de tequila em negação.
— Oi para você também, Bon. — o garoto girou o corpo para ficar fronte á ela.
— Belo vestido.
— Oh, não. Não pense nem por um segundo que um elogio vai te redimir de duas traições. — Bonnie cortou, seca. Ingeriu de uma só vez a bebida destilada com uma careta ao sentir o líquido queimar e descer rasgando na garganta. Pediu ao bartender:
— Triplo.
— Você deveria ir devagar.
— Como se você se importasse. — a morena sorriu com amargura.
— Acredite em mim ou não, eu ainda me importo com você, Bon. — garantiu Kol, aproximando-se dela. — Antes de tudo nós somos amigos.
— A piada da noite. — Bonnie riu com desdém, encarando o pequeno copo vazio.
— Deus, não acredito que vou dizer isso, mas era melhor ter ficado dançando com Damon.
Houve um minuto carregado de silêncio em que o som alto da música techno a escoar pelo salão foi o único a se escutar. Kol respirou fundo e desviou olhos, alcançando as bebidas deixadas sobre o balcão.
— Sobre isso… Tome cuidado com ele. — alertou, desviando os firmes olhos castanhos á ela. Bonnie girou na banqueta, virando-se bruscamente em sua direção.
— Pare com isso! — exigiu com palavras duras que não disfarçaram a raiva que ela não se importou em esconder. Porém, ao encarar aquela expressão, espremeu os olhos. Afinal, Bonnie passou a conhecê-la muito bem.
— O que você está sabendo que eu não sei?
— Apenas tome cuidado, ok?
— Eu aprendi a reconhecer essa cara, Kol. É a que faz quando está me escondendo alguma coisa.
E após vê-lo suspirar e desviar o rosto com aquela expressão séria, como costumava fazer quando alguma coisa estava errada, Bonnie teve a confirmação.
— Conte-me. Você me deve pelo menos isso. — disparou, saltando da banqueta para ficar frente a frente com o mais alto. Então, suavizou o semblante o máximo que pode.
— Principalmente, se for verdade o que diz sobre sermos amigos.
Uma pausa de um silêncio ensurdecedor que a deixava maluca, até que por fim, Kol acabou por responder:
— Eu só ouvi uma conversa entre ele e Nik. — admitiu o Mikaelson por fim, olhando de volta para ela. — Damon apostou que dormiria com você hoje.
— O que disse? — conseguiu pronunciar após engolir em seco, duas vezes.
— Bon… — Kol também a conhecia. O suficiente para saber que aquela expressão no rosto de Bonnie era como o anunciar de uma grande tempestade a caminho. Tentou segui-la e segurou seu braço, mas se normalmente não o acontecia, com raiva então, ninguém era mais implacável que Bonnie Bennett. — Bonnie!
— Não se meta nisso! — avisou a morena, virando-se bruscamente para Kol e apontando-lhe o dedo ameaçadoramente. Puxou seu braço do aperto e o empurrou.
Quase podia-se ver o verde de seus olhos oscilarem em faíscas de raiva. Não que estivesse surpresa, pois isso já até mesmo esperava, mas sentia-se cansada. Cansada de tipos de homens como esse querendo usá-la e diminuí-la a ponto de tratá-la como algo tão baixo quanto o objeto de uma aposta.
Não demorou a encontrar Damon cumprimentando rapidamente mais alguns convidados pelo caminho enquanto desfilava com o caminhar confiante pelo salão, o sorriso sínico estampando a cara de pau. Bonnie desejou arrancá-lo de seu rosto com as próprias unhas.
— Finalmente! Eu estava procurando você. — Damon aproximou-se ao avistá-la, mantendo um sorriso sarcástico no rosto. — Sabe, quando eu a chamo de bruxinha não é para você começar com o velho truque do “agora você vê, agora não vê mais”.
— É verdade?! — Bonnie cuspiu as palavras diretamente o encarando com desprezo.
— Claro que não, eu estava sendo irônico…
— É verdade? — repetiu mais firme e Damon observou a expressão rígida e olhos verdes tomados por chamas ardentes. Ele arqueou a sobrancelha e mostrou descaso.
— Do que está falando?
— Apostou com Klaus que me levaria para a cama nessa festa?! — Bonnie disparou com repugnância.
Damon não pareceu surpreso. Bem, era sim uma surpresa ela ter descoberto, mas estava ocupado demais sentindo o peso do arrependimento sobre seus ombros, não que fizesse diferença, afinal, se tratava de Bonnie. Ele sabia que nunca deveria ter cometido um erro como esse logo com ela.
— Oh, sobre isso… — Damon se interrompeu e por fim a encarou com semblante culpado enquanto tentava fazer sua defesa. — Em minha defesa, você precisa saber que eu estava muito bêbado e que não foi bem uma aposta…
— Nunca mais chegue perto de mim. — Bonnie o cortou ao declarar entredentes, após acertar o rosto do moreno com uma —bem merecida— bofetada no rosto que fez Damon virá-lo e sentir o impacto da mão da morena.
— Nunca! — ressaltou antes de se afastar com passos furiosos.
— Bonnie, me deixe explicar… — Damon imediatamente foi atrás da morena atravessando o salão feito um furacão. — Me escute, não era exatamente uma aposta. Klaus e eu nos reencontramos no bar…
— Eu não quero ouvir.
— Azar o seu, porque vai ouvir mesmo assim. — replicou o moreno dos olhos azuis, ainda seguindo-a. — Então, nós bebemos, conversamos e falamos sobre a única coisa que um cara bêbado quer… Sua garota…
— Pare. — Bonnie o interrompeu antes que ele pudesse continuar, virando-se bruscamente para Damon e estabelecendo: — Damon, eu não vou falar sobre isso no meio de uma festa. Aliás, nós simplesmente não vamos falar sobre isso.
— Vamos, Bon Bon…
O Salvatore tentou novamente, seguindo-a ao despontar a sua frente, mas Bonnie afastou brutalmente a mão que tentou segurar-lhe o braço indicando-o um sinal de “pare” e retomando seu rumo para longe de Damon.
Não sei se a Davina foi encontrar as outras ou fabricar elas. Fala sério, parece que faz três capítulos que eu “to” sentada aqui, comendo chicletes para “atrapalhar” o estômago. Minha barriga está roncando, eu disse que salgadinho de rico não dá para nada mesmo e os chicletes já estão até com gosto de borracha. Eu cuspi um fora, mas acabou indo parar no cabelo do Cosplay de Jacob 2.0 que estava dando um papo na D antes. Melhor não cuspir o outro. Será que pega mal se eu grudar no quadro da tia avó do namorado da Bonnie?
— Foi mal, vovó Salvatore. — espero que a velha não esteja morta.
Saltei de sobre o console vitoriano, eu não iria continuar ali, sabe àquela hora em que para onde se olha tem um casal no “só love, só love” e se está segurando mais velas do que o candelabro da mesa? Pois é, eu estava me sentindo aquela tia dos gatos. E o pior é que nem tem uma árvore por perto para se abraçar, mesmo assim seria melhor nem tentar, depois da última vai que têm outro “ambientalista” por aí, e já dizem que agora eu estava estuprando a planta e sou presa por plantofobia? Se eu cuspi na planta foi para criar as minhas filhas!
Eu desci novamente me apoiando nas pessoas e quase tropecei em um dos degraus, mas fiz carão para o close. E ainda fiz pose para selfie que umas pessoas estavam tirando. Pois é, a vida tem dessas, quem não está contente deita na BR.
— Elena? — vinha distraída e não vi o garoto aparecer. Segurou meu braço e me olhou impressionado. Gente, qual é, eu não sou tão baranga assim sem maquiagem!
— Nossa, obrigada! Sabe o quanto é difícil se manter em pé nessa coisa?! — reclamei quando fui forçada a parar bruscamente, puxei meu braço e tentei me endireitar. — Eu hein, parece que aprendeu a dirigir com o Stevie Wonder.
— Não me entenda mal, é uma bela surpresa, mas o que está fazendo aqui?
Ele me observava como se confuso pelo seu sorriso surpreso. Os olhos eram em tom de verde e o cabelo loiro escuro, jogado para cima e moldado com gel de forma impecável, bem bonito. Mas meio maluco.
— Vem cá, eu te conheço?! — perguntei já me preparando para atirar esse sapato longe e pernas para que te quero!
— Você não se lembra? Stefan! — se apresentou como se eu já devesse saber.
— Hã…
— 2013? O fim de semana em Nova Orleans? — “Stefan” continuou sugestivamente.
— Eu gostei do cabelo novo. Mas achei que “os cachos fossem a sua marca registrada”. — brincou, sorrindo sincero. Só então eu entendi. Suspirei com pesar.
— Oh não. — amaldiçoei. Encarei-o fixa e evasivamente ao transmitir a mensagem:
— Acredite, não fui eu quem você conheceu.
Segui o caminho, qualquer que fosse, ouvindo-o chamar meu nome e tentando se aproximar antes de eu me misturar a multidão de pessoas. Acabei parando e soltei o ar com força para fora de meus pulmões. De novo não!
— Droga Kat, eu amo você, mas queria ainda poder te esganar ás vezes! Mesmo após o que aconteceu, ainda tenho que lidar com as palhaçadas dos seus joguinhos. — grunhi franzindo o cenho, tendo consciência de falar sozinha. E o garçom que passava também, já que me observou com um olhar desconfiado, estranhando. — O que é? Nunca ouviu ninguém falar sozinho não, é?! Eu hein, não se fazem mais serviçais como antigamente. E passa esse drink para cá!
Fiz a rica esnobe para evitar perguntas constrangedoras que eu não estava em estado de responder e alcancei o drink. Ingeri a bebida de uma só vez, sem pensar. Afinal, eu precisava mesmo de álcool e talvez o líquido congelante o fizesse com meu cérebro para eu não ter de pensar nisso.
Nossa que coisinha “bom”… Droga! Eu deveria mesmo ter trazido bolsa e uma garrafa térmica. Olhei ao redor e achei um garçom com mais desses, ok que sou tão fraca para bebida que depois de duas Smirnoff eu já estou chamando urubu de “meu louro”, mas depois daquele champanhe talhado, mereço uma bebida decente.
Só que após tomar… Três mais dois… Mais um… Cinco?… Se eu estou fazendo a conta desenhando no ar? Não. Não… Sim. Enfim, digamos que há essa hora eu já tinha tirado aqueles sapatos do demônio e dancei mais do que qualquer um naquele salão. E ainda bem que estava todo mundo tanto quanto ou mais bêbado do que eu naquela multidão, se não eu com certeza teria virado notícia quiçá meme. Mas agora já estava ofegante e com os pés mais doloridos que passista de escola de samba, se bem que eu nem sinto meu pé. Eu tenho pé?
— Elena! O que diabos você está fazendo?! — ouvi a voz com aquela delícia de sotaque aproximando-se por trás de mim enquanto eu me dirigia ao lago através do jardim da Mansão Salvatore com a taça de drink em uma mão e sapatos em outra.
— M-me deixa… E-e-eu vou superar o m-medo dessa coisa… — respondi com a voz arrastada por conta da bebida. Kol parou a minha frente, bloqueando minha passada. Havia um sorriso sarcástico em seu rosto ao ouvir minha declaração.
— Da água? Tipo Cascão?
— E-engraçadinho… — esbocei um falso sorriso depreciativo e tentei passar por ele, que fez o favor de não sair do meu caminho. — N-não é a água, eu n-ão tenho p-p-problema com b-banheira, piscina, e m-m-muito menos chuveiro, “t-tá”?! Eu d-dou um show lá, os v-v-vizinhos sempre escutam. E-e-eles querendo ou n-não.
Após dizer, ri de minha própria piada como se fosse à coisa mais engraçada. Kol não se moveu para eu ter a chance de escapar, então revirei os olhos, ficando ainda mais tonta após o movimento.
— Mas não im-m-porta, isso vai m-m-mudar e eu vou virar uma s-sereia, ou um-m peixinho t-t-tipo Nemo, s-s-sei lá… — cambaleei para o lado tentando desviá-lo, mas Kol —e o possível irmão gêmeo ao lado dele— se manteve a minha frente. — Assim n-não vale! Não s-sei qual d-d-de vocês é o c-cert… Opa! — interrompi-me bruscamente ao sentir meu corpo pesar e pender para o lado quando meu pé tropeçou.
— O que você bebeu? — sua voz ecoou em minha cabeça, enquanto Kol sustentou minha cintura e imediatamente me firmei em seu ombro quase perdendo os sapatos mas nunca o drink maroto, dando-me apoio para andar.
— S-só tomei aquele n-n-negocinho… — um estalo me despertou. — Oops…
Droga! Eu esqueci que era justo aquele drink do capiroto que Kol disse para não beber. Eu comecei a rir, um pouco da situação e um pouco da minha idiotice.
— M-mas relaxa Sr. Botânica, n-n-não vou vomitar em-m m-mais nenhuma p-p-planta. — abri um enorme sorriso abobalhado junto aos olhos pequenos —e embaçados— o encarando sob a visão turva e erguendo a mão. — Palavra de escoteira.
— É, eu duvido disso, principalmente se continuar bebendo assim. — Kol tentou tirar a taça de minha mão enquanto gemi em protesto e me afastei. — Vamos, me dá isso.
— Ou o quê? Você vai dar uma de “mãos para o alto novinha” e me prender seu “puliça”?! — sorri zombeteira enquanto levei a taça com o drink colorido à boca, mas sequer pude beber tentando escapar dele.
— Não me provoque, amor. — Kol tomou-me a taça na maior facilidade —só porque estava tonta— e eu tentei inutilmente lutar para recuperar.
— N-n-não, esse é m-meu! Pegue um-m para voc-cê…
Enquanto avançava sobre seu braço que afastava a bebida e tentava me livrar do outro que sustentava meu corpo, mas ao conseguir foi ainda pior já que acabei despencando à la Caroline para uma queda ridícula.
Ainda bem que estava com uma lingerie decente porque acabei de pagar uma calcinha legal. Ou será que calcinha de ursinho não é lá muito sexy? E sim, estou pensando bobagens para tentar superar além do mico catastrófico, também não foi assim que imaginei a primeira vez de um garoto me ver de lingerie. E definitivamente não imaginava que iria ser logo a calcinha do Gummy Bear sério, alguém me mate. Eu preferia ter me afogado no lago Wickery do que passar uma vergonha dessas na frente de Kol Mikaelson.
— Q-quem colocou essa p-pedra aí?!… — resmunguei, tentando levantar sozinha para não aceitar a ajuda que ele tentou. Evitei cuidadosamente olhar seu rosto. — Pedra idiota! — chutei a mesma e doeu para caramba estando de pés descalços. Mordi o lábio para transformar o grito em apenas um gemido, fazendo uma careta.
— Calma, amor. — senti o tom de riso enquanto Kol disse, me ajudando outra vez.
— Você está bem?
— É claro q-que não! — protestei. Espremi meus olhos castanhos ao enfim fitá-lo.
— Você não olhou pra minha bunda não, “né”?! — Kol achou graça.
— Talvez apenas um pouco.
Perdi o ar por longos segundos depois daquele sorriso. Deus, ele é tão bonito!
Kol me ajudou a voltar a caminhar na direção da mansão Salvatore, mas recusei-me terminantemente a entrar. Podia estar com os sentidos lerdos e a mente confusa, mas jamais esqueceria o impacto da mão de Caroline, e sabia que ela faria questão em me relembrar acertando-me outro tapa se me visse nesse estado.
Depois de alguns minutos, Kol retornou com uma garrafa pet de 600 ml. Eu fiz cara feia.
— Quero m-m-mais d-daquele trequinho! — protestei. Kol me ofereceu a garrafa.
— Eu tenho uma ideia melhor. — disse. Sem opção, bebi, mas não tinha sabor.
— O q-q-que tem a-aqui?
— Anfetamina e Ecstasy. — Kol sorriu debochado ao ver minha cara. — Água.
— E-eu não q-q-quero água.
— Oh amor, nenhum bêbado quer água, mas ela ajuda. — ele respondeu divertido.
— E vai por mim, a ressaca de amanhã é que vai ser muito pior.
Kol sentou-se na amurada do jardim contra as escadas onde eu sentava em um degrau. Continuei bebendo o líquido insípido devagar, sentindo a diferença diante as bebidas fortes e pesadas.
— Então, com quem você veio?
— Com a Caroline. — respondi, vendo-o recuperar o smartphone e dedilhar na tela. Eu entendi o que ele iria fazer e arregalei os olhos imediatamente, saltando sobre o aparelho e impedindo Kol de avisá-la. — Não, shhh! — repreendi levando o dedo a boca e fazendo sinal de silêncio. — Você não pode avisar a Care, você não sabe, ela iria me dar umas bofetadas e já estou tonta. Não deixa ela me bater!
— Ei, ok. Relaxa, amor. — Kol ergueu as mãos em frente ao corpo, rendendo-se.
— Q-quero ir em-m-bora. — fiz biquinho e cruzei os braços como uma criança em um jantar na casa de amigos dos pais. Imagina que louco, pareço minha prima de quatro anos. — Se a C-Care m-m-me ver as-s-sim vou m-mesmo tomar u-m-ma tamancada.
— Bem, é a Caroline. Com certeza ela não vai ficar muito feliz. — Kol sorriu divertido ao concordar. Então se pôs em pé. — Vamos, eu vou levá-la para casa.
Davina havia encontrado Bonnie —em seu péssimo humor— e explicou sobre Elena prestes a dar para trás e mais do que nunca, a Bennett estava disposta a dar uma lição em homens daquele tipo de Kol, Damon, Klaus e tantos outros existentes por aí. Porém, no andar de cima, onde a morena dos olhos turquesa havia deixado a outra, não encontraram Elena.
— Eu tenho uma notícia má e uma péssima, qual delas querem ouvir primeiro? — dispôs Caroline enfim aparecendo.
— Elena sumiu, sua notícia é pior do que isso?! — Bonnie anunciou com desgosto.
— Na verdade, essa era a minha notícia má. — Caroline pontuou, em seguida exibindo um sorriso depreciativo puramente simbólico. — A péssima é que Kol também sumiu, e se eu não sou a única aqui que sabe somar dois mais dois…
— Temos que achar Elena, agora. — decidiu Davina em alerta e Bon estipulou:
— Ok, eu vou descer, Davina olhe lá fora…
— Oh, ótimo! E eu fico com os quartos. — Caroline ironizou, rolando os olhos azuis.
— Já estou me preparando psicologicamente para ver cada coisa…
Com muito esforço, lembrei o endereço de minha casa e tudo graças a minha fome, já que foi assim que lembrei o endereço que dou quando peço pizza.
Kol me ajudou com os degraus da varanda, embora esteja um pouco melhor após tanta água. Agora além de tudo ainda havia aquele probleminha da vontade de fazer xixi, mas é como diz aquele pensamento “a vida é bem assim mesmo, se não ‘tá’ contente faz pacto”. Pois é, acabei de ganhar o selo “aceite”.
Pela primeira vez, eu vi vantagem em meu pai ser um cafajeste, já que pelo menos assim, ele sempre passava todo o final de semana fora e só aparecia na segunda-feira. Assim, não teria de dar explicações sobre chegar em casa bêbada.
— Já mandei uma mensagem para Care, logo ela vai estar aqui derrubando a porta. — Kol avisou em um tom descontraído que me fez sorrir e acenar positivamente.
— Com certeza, a-ai!… — interrompi-me para reclamar de dor quando o gel gelado do medicamento atingiu minha pele ao redor do tornozelo inchado. Fiz careta.
— É o que acontece quando se chuta o balde. — Kol sorriu, meneando a cabeça.
— Bem, nesse caso, a pedra.
Ri por um breve momento até senti-lo passar mais do maldito gel para tortura alívio de entorse que, segundo o atleta aqui presente, iria ajudar com o meu tornozelo. Eu o observei, repensando a ideia que tinha dele, talvez esse não fosse o mesmo Kol Mikaelson que julguei por mim mesma.
— S-s-sabe, você não é exatamente como p-pensei que fosse.
— E isso era…?
— N-não importa. — eu respondi. — Você é m-melhor do que ele.
Observei melhor seu rosto que estava perto, olhos castanhos de Kol adquiriram tom mais escuro, provavelmente pela baixa iluminação da sala, e os lábios avermelhados por conta do frio. Bem, eu estava certa sobre pensar como ele era bonito. Mas neste exato momento? Simplesmente não pensei quando nossos rostos se aproximaram diminuindo cada vez mais o espaço mínimo que separava nossos lábios.
Subitamente um estrondo encheu o ar. “Eita mainha!”, dei um pulo sobre o estofado, sendo tomada por espasmos contínuos do susto enquanto batidas violentas irromperam á porta, em impactos tão fortes que pareciam ameaçar derrubá-la.
— Deve s-s-ser a Caroline… — suspirei e baixei os ombros. Respirei mais calma.
— Kol, seu bastardo miserável, deixe as suas patas bem longe dela! — ouvimos as ameaças bem convincentes advindas da voz da loira ao outro lado da porta.
— Com certeza é a Caroline. — Kol concordou sorrindo divertido ao ouvi-la.
Ele ergueu-se do sofá.
— Bem, não vou interromper a noite das meninas. Vejo você amanhã, amor.
Quando ele abriu para sair, ao contrário do que eu esperava, Caroline passou direto por ele e o sermão veio direto para mim. Por sorte, as outras foram espertas em esperar alguns minutos de que ele já houvesse ido embora para entrar. Afinal, não seria difícil para Kol desconfiar de “algo de errado não está certo” em todas as suas ex juntas e eu bem no meio disso… Ou talvez nem tanto assim, pois sinceramente, cada vez menos tenho certeza de que quero me envolver em tudo isso.
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