How To Be A Heartbreaker
5 When The Party Was Over, Something Of It Stays
Notas iniciais
Eu odeio meu despertador. Motivo: ele dá de louca e desperta quando quer. Já cansei de me atrasar por ele não despertar e eu acordar em cima da hora e ir para o colégio com meu belo look dragão —um dia eu fui de pijama e me trocando no banco de trás— e de repente nos finais de semana ele resolve despertar na hora e eu sempre acabo do mesmo jeito.
— Aw! — ouviu-se o gemido da morena quando caiu para fora da cama e continuou grunhindo baixinho no chão enquanto parecia uma orca encalhada nadando para voltar ao mar ao se debater com os braços de Olivia Palito para alcançar o despertador na mesa de cabeceira.
— Deus, que barulheira é essa?! — Caroline resmungou fazendo careta ainda com os olhos fechados e acomodando-se melhor no colchão.
— Pare de se mexer, Caroline, você já ocupou quase todo o espaço. — Davina resmungou tentando empurrar o corpo da loira que firmou-se e sequer se moveu.
— Pare de reclamar, você ficou com a ponta. Detesto dormir no meio.
— Por favor, calem a boca! — Bonnie puxou o travesseiro e afundou-o no rosto.
— Elena desligue logo essa maldita coisa, minhas têmporas estão explodindo!
— Eu estou tentando! — replicou a garota cambaleando ao tentar levantar tonta.
— Chega para o lado, Caroline! — Davina voltou a resmungar.
— Oh Davina, você já parou para pensar que talvez seja seu traseiro enorme ocupando todo o espaço?!
— Bem, pelo menos o meu não é murcho.
— Não, é flácido, já deu uma olhada aí?! Meu amor, a sua bunda metralhada declara que os terroristas venceram de longe. — Caroline também passou a empurrá-la e agora, as duas estavam mais se estapeando no colchão como se fosse o ringue.
— Como se você soubesse alguma coisa sobre isso, já que isso aí atrás era para ser a sua bunda, mas na verdade é só as suas costas descendo o quadril.
— Calem a boca! — Bonnie gritou mais alto.
— Consegui!
Elena enfim conseguiu levantar parando o estridente som a apitar pelo quarto ensurdecendo todos no recinto e principalmente a própria, que já sofria da enxaqueca horrorosa que fazia sua cabeça retumbar e tudo girar junto às têmporas pulsarem, resultado da ressaca. De todo modo, foi ela quem ajudou Bonnie a separar as outras duas e fazê-las pararem com o barraco logo de manhã, antes que a Sra. Murs, a gossip girl —ou velha fofoqueira— da vizinhança viesse trazer um novo “bolinho” = desculpa para xeretar a vida dos vizinhos.
No fim, Bonnie tinha agradecido por se disponibilizar a ficar com o colchão no chão e não na cama. Ela só tinha pena de Elena que tivera de dormir com as outras duas.
— Já basta a noite horrorosa de ontem, eu também não quero começar o dia desse jeito. — Bonnie suspirou, passando a mão ao rosto em um movimento cansado.
— Falando em noite horrorosa, temos todas de agradecer a Elena por ferrar com o plano. — Caroline não perdeu a oportunidade de alfinetar, zombeteira.
— A culpa não foi minha, ok?! E dá para as matracas falarem mais baixo, minha cabeça está estourando! — a outra resmungou, após tantos analgésicos e mesmo com a bolsa térmica com gelo na cabeça, a dor ainda não havia desaparecido.
— Claro que não, você só bebeu, o quê, uns dez daquele Cosmopolitan?!
— Elena, eu pedi para me esperar, por que você saiu? — Davina posicionou-se.
— Primeiro, não foram dez se não eu teria um coma alcóolico e á essa hora estaria no hospital tendo um AVC. E segundo, estava todo mundo se pegando e eu parecia à tia dos gatos, ok?! E vocês estavam demorando, depois um cara veio com um papo brabo pra cima de mim e tudo foi rápido demais! — Elena defendeu-se, tentando pensar enquanto lutava contra as vibrações em sua cabeça. — Eu esqueci que aquele drink era a “bebida proibida”, eu só precisava de uma bebida…E eu pedi ajuda, mas vocês não responderam!
— Eu estava muito ocupada fugindo do Klaus! E se você iria vomitar, beber e acabar com o plano todo, para quê todos aqueles “ensaios” ridículos com a Bonnie serviram? — disparou à loira, virando-se na cama e desviando os olhos para as outras, Davina diante a penteadeira, Elena atirada ao futon sobre o vão á janela e Bonnie na cadeira giratória a escrivaninha. A última, virou em repreensão para Caroline.
— Ei, pega leve. Nós forçamos Elena nessa festa antes que ela estivesse pronta.
— E pelo menos ela estava de porre, podemos dar um jeito… — apoiou Davina.
— Gente… — Elena tentou começar calmamente, mas foi ignorada.
— Bem, depois de ela vomitar, cair e mostrar a bunda, espero que o que vocês tenham seja realmente um bom plano. — Caroline espremeu os olhos com desdém.
— Então… Nós podemos…
— Gente! — Elena diz alto dessa vez, interrompendo Davina e ganhando atenção.
— Não sei se quero fazer isso… — disse. Davina lançou-a um olhar alarmado.
— Você não pode dar para trás agora, ok?!
— Olhem, não vou conseguir. Eu sou desastrada e não a garota poderosa cheia de atitude. — Elena argumentou, afastando a bolsa térmica da cabeça e brincando com esta claramente sem graça enquanto olhou cuidadosamente a cada uma das outras. — E além disso… Não acho certo fazer isso com ele depois de ontem e…
— Eu sabia! Sério? Não demorou um dia! — Caroline sorriu sem humor ao encará-la.
— Oh, não… — a morena dos olhos turquesa deixou os ombros caírem com pesar.
— Ele te beijou?
— Não…
— Você beijou ele?
— Claro que não! Ninguém beijou niguém, ok?! — mas após garantir, Elena tentou não pensar como não aconteceu por pouco. Muito pouco. Porém, iria ignorar aquilo e fingir que nunca aconteceu. Definitivamente iria. — Eu já respondi um questionário parecido á Caroline ontem.
— É, mas você estava bêbada, então…
— O que nós dissemos sobre o Kol, Elena?! — Davina ressaltou.
— Você não pode confiar nele.
— Meninas se acalmem. Não é isso. É só que… — deu de ombros, pensativa.
— Ele me ajudou. Eu não estou dizendo que isso faz dele um santo ou menos babaca, só que não me sentiria bem machucando a única pessoa que me ajudou quando eu precisei.
Por fim, Elena olhou duro para elas. É claro que ela não esperava que Davina e muito menos Caroline fossem correr para socorrê-la ou mesmo ajudá-la naquele momento, se não esperava isso de Bonnie que era a que mais conhecia das três, não esperaria de qualquer outra. Ela sabia —e era óbvio— que elas não eram amigas para uma ficar cuidando da outra como se fossem, mas esperava que pelos menos estivessem por perto para impedir, se queriam tanto usá-la em seus planos.
— Acha mesmo que Kol ajudou você apenas por pura bondade? — disse Caroline ao cruzar dos braços. — Ele está fazendo o jogo dele e você está caindo, Elena!
— Não, não acho, Caroline. — contestou a garota com certeza. — E não o conheço como vocês, mas conheço a mim. E sei que não sou assim, não poderia fazer isso.
— Elena, você não pode desistir agora! — Davina olhava-a em súplica ao insistir.
— Gente, sei que fui eu mesma quem disse para vocês se vingarem e não mudei de ideia sobre isso, ok? Até porque, como eu disse, caras assim têm que pagar. — reafirmou Elena, erguendo as mãos em esclarecimento. — Mas não acho que esse plano e que eu nele vamos dar certo, entendem?… Desculpem.
— Damon apostou que dormiria comigo noite passada.
Pela primeira vez em todo aquele tempo da discussão, Bonnie que estivera calada manifestou-se, fazendo com que todas desviassem a atenção para si. No fundo, a garota não queria ter de falar sobre isso, muito menos para aquelas meninas, ou para qualquer outro. Apesar de a Bennett sempre guardar para si seus problemas ou sentimentos, a verdade, é que nenhuma delas realmente tinha alguém para desabafar. E que apesar de todas terem seus clubes e amigos, no fundo não tinham ninguém em quem confiassem realmente, e no final das contas estavam tão sozinhas quanto Elena.
— Apenas porque ele e Klaus estavam bêbados e entediados. Kol sabia disso e não iria me dizer nada se eu não percebesse e o obrigasse. — ainda assim, continuou. Os olhos esmeralda eram firmes e seguros, e assim transmitiam o sentimento fugaz de determinação que encorajaria qualquer um a encará-los naquele momento.
— Entende? Caras assim não são legais, Elena. E enquanto nós garotas pensarmos “não vou me vingar porque eu sou melhor do que ele” e esperarmos a vida ensinar uma lição, tipos como eles vão continuar usando e magoando mais meninas, e adivinha? A vida não vai ensinar nada, porque eles não vão aprender. Não até que alguma dessas garotas os faça aprender.
Durante um momento, ninguém se atreveu a dizer nada durante a pausa, e as expressões ansiosas e espantadas ao mesmo tempo demonstravam a avidez de cada uma pela continuação.
— Então, tudo bem se não quiser fazer isso, nós não vamos obrigar você. Mas se você quer mesmo que caras como ele paguem, podemos acabar com três quando acabarmos com um.
— Elena, nós não conseguiríamos sem você. — Davina prosseguiu, sorrindo com humor. — Nos mataríamos antes disso.
Elena sorriu com a cabeça baixa, pensando durante um momento. Qual é, ele merece isso! Todos eles merecem, repetiu para si mesma. E se esses garotos eram tão idiotas a ponto de usar meninas para se divertirem em apostas ridículas, eles realmente mereciam uma lição e se atingir um, era atingir três de uma só vez, então seria ainda mais eficaz.
— Mas é bom darmos um jeito em mim antes disso. — Elena sorriu, arrancando risadinhas de todas.
Minutos breves de silêncio onde todas apenas trocavam olhares divertidos foram quebrados quando a loira enfim não aguentou-se e se manifestou diante a revelação bombástica da outra.
— Então, Damon apostou você? — soltou Caroline diretamente e franziu o cenho.
— E ele ainda está vivo por…?
— Meu carro está para concerto, como transportaria o corpo?! — Bon brincou.
— Eu tenho um carro. — Elena ergueu a mão como se voluntaria.
— E eu tenho uma pá. — Davina completou, sorrindo cúmplice.
— Não, você deveria tê-lo chutado as bolas e depois virado uma taça de Cosmopolitan na cabeça dele. Eu joguei no Klaus por muito menos. — Caroline discursou, exibindo um sorriso diabólico ao fim. Mas logo, fez careta ao pensar sobre o assunto. — E Klaus está nessa também… Ugh, agora vai ser ainda mais difícil olhar para cara dele durante o jantar da minha mãe.
De imediato, todas observaram-na com semblantes confusos sentindo que claramente haviam perdido alguma coisa. Dessa vez, a aspirante a jornalista foi a primeira a pronunciar-se.
— Sua mãe vai fazer um jantar para o Klaus? — Bonnie arqueou a sobrancelha.
— O pai dele é o namorado dela. — Care responde suspirando com desgosto.
— Nossa… — as três soltaram ao mesmo tempo, estupefatas.
— Espera, sua mãe sabe que está namorando o pai do seu ex? — estranhou uma Davina perplexa diante a situação.
— Claro que não, se minha mãe soubesse que eu estava dormindo com o filho do namorado dela é capaz de ter um ataque cardíaco, ou sei lá. Se bem que a culpa é toda dela por não ter me dito nada antes. — Caroline defendeu-se, dando uma rápida olhada nas unhas com desinteresse. Por fim, voltou a observá-las e sorriu falsa.
— Agora, Kol é meu irmãozinho. — completou. Bonnie encarou-a, abismada.
— E você vai conseguir sentar á mesa com eles e fingir que nada aconteceu?
— Amor, eu faço teatro, esqueceu? — Caroline sorriu orgulhosa.
— Meu Deus… —
— Ei, a gente podia pedir algo para comer, “né”? — Elena sugeriu, sentindo-se menos zonza após se distrair. — Minha barriga agradece. Não vejo algo comestível desde ontem e aqueles salgadinhos não fizeram nem cócegas no meu estômago. Pronto, falei! — tratou de acrescentar ao sentir o olhar reprovador de Caroline sobre si.
— Desde que seja de um lugar que venda “comida” e não esses venenos e carboidratos que você costuma comer, tudo bem. — Caroline impôs atrevidamente.
— Bem, eu também estou morrendo de fome, então… Pizza? — propôs D.
— Calabresa! — Bonnie ergueu as mãos ao ressaltar.
— Mozzarella! — acrescentou Elena, imitando o movimento da outra.
— Ok, eu vou querer vegetariana. E você, Caroline? — perguntava Davina enquanto dedilhava á tela do celular o número da pizzaria.
— Credo… — a loira resmungou com um olhar de repulsa. Todas riram até por já esperarem essa reação dela.
De todo modo, Caroline acabou passando o resto da tarde na casa de Elena com as outras e apenas ao entardecer retornou para se preparar tanto física quanto psicologicamente. Suportar um jantar com Kol e Klaus ao mesmo tempo já seria um inferno —e ainda havia a vadia da Rebekah—, mas é claro que sempre pode piorar, e isso era com Mikael sendo oficialmente apresentado como o namorado de sua mãe. Pelo menos ele é podre de rico, pensou para se consolar.
Conferiu o visual mais uma vez diante ao espelho de pé em seu quarto, passou a mão aos fios loiros certificando-se da presilha que segurava a mecha lateral esquerda dos fios loiros. Desceu para o piso principal novamente e encontrou a mãe já com a mesa posta como um banquete digno de buffet delivery e definitivamente vestida como a perfeita anfitriã e coordenadora de eventos que era. Porém, mais esta noite.
— Então? — perguntou a Caroline quando enxergou a filha.
Abriu os braços e fez pose no vestido tubo azul escuro e um corte V adequado e sem perder a sensualidade no decote, como sempre de marca e sofisticado. Assim como o scarpin Saint Laurent em seus pés e as joias Tiffany a adorná-la, completando um look elegante e fatal. Sua mãe estava mesmo decidida a impressionar os Mikaelson naquela noite.
— Uau. — Caroline esboçou expressão impressionada, antes de fechar a cara.
— Por favor, diga que ele não vai pedi-la em casamento nesse jantar.
— Não neste, mas espero que isso aconteça logo, querida. — Liz sorriu divertida para a filha rapidamente antes de retornar a atenção ao próprio reflexo diante ao espelho, conferindo a maquiagem impecável. — Dessa vez, os alvos são os filhos. Mikael me preveniu de que nem todos estão aceitando tão bem a novidade.
— Eu tomaria cuidado com a vadia da Rebekah se fosse você. — Caroline alertou de antemão, também juntando-se a mãe diante ao enorme espelho á parede. — Klaus está adorando, ele é um babaca. Elijah não vai se opor, é um cavalheiro; e Kol está nem aí. Na verdade, me surpreenderá se ele aparecer.
Caroline tentou fazer um resumo rápido, enquanto checava o visual e a maquiagem. Liz deixou o espelho de lado ao fazer menção a dirigir-se novamente a sala principal para logo receber os convidados, mas interrompeu-se ao visualizar a filha.
— Seja rápida, somos ambas as anfitriãs esta noite. — comunicou, inspecionando Caroline e sorrindo satisfeita ao final. — Ficou bom esse vestido.
Para a loira sequer houve tempo ou oportunidade para responder ou para mais do que apenas exibir o sorriso triunfante e erguer a máscara inabalada em sua expressão superior. Bom, esse era o elogio máximo que ela iria receber da mãe.
Já podia-se ouvir a movimentação na sala, os convidados chegaram pelo visto. Então, respirou fundo e se recompôs para a garota forte e imbatível que realmente era diante ao espelho. Relaxou os ombros e forçou seu tão convincente sorriso falso que quase a própria Caroline acreditaria nele, e por fim, rumou seus passos á entrada.
— Olá, boa noite! — aproximou-se saudosamente, então, cumprimentou Mikael que dirigiu-se á ela. — Sr. Mikaelson.
— Apenas Mikael, por favor. — o homem sorriu educadamente. — Caroline, como está? Devo dizer que está belíssima esta noite como sua mãe.
— Nesse caso, obrigada Mikael… E eu poderia dizer o mesmo. Ótima escolha de paletó. — observou à loira.
Impossível não notar, diante ao impecável blazer de marca negro em perfeita harmonia com a camisa social bordô e o jeans moderno onde o couro do cinto das calças mantinha contraste com a tonalidade marrom do sapato. Visual que condizia perfeitamente com a postura altiva e elegante do homem. Definitivamente estava claro á quem Elijah herdara a postura majestosa.
Sua mãe e o possível futuro padrasto encaminharam-se a sala de jantar de braços dados e Caroline então, dirigiu a atenção ao, até então, único outro homem presente na sala. Também trajando uma excelente combinação de visual parecido, com a excludente do blazer. O mais jovem dos irmãos Salvatore sorriu ao vê-la.
— Stefan! — sorriu sincera e até contente dessa vez ao encontrar o amigo e ambos trocaram um abraço com saudades. — Não sabia que se juntaria a nós, que bom ver você!
— Olá, Care. — o garoto retribuiu com um verdadeiro sorriso honesto que sempre transmitia quanto estava feliz em vê-la. — Eu também, e Mikael não exagerou. Está linda, como sempre.
— Por favor, chega de elogios. Está me dando dor de cabeça. — anunciou-se a altiva voz feminina a aproximar-se.
Não foi surpresa quando a loira logo surgiu através da porta. Rebekah usava vestido frente única, em tom de vinho com pequenos detalhes na costura em dourado. Caroline queria poder criticar mentalmente o visual da desgraçada, mas quanto a isso, apesar de Care não dar o braço a torcer, Rebekah Mikaelson era quase tão boa quanto ela no assunto.
— Olá, Caroline. — cumprimentou Rebekah falsamente, enquanto envolvia o braço ao do namorado, entrelaçando os dedos aos de Stefan.
— Rebekah! — forçou um sorriso e a melhor expressão simpática que conseguiu, embora o tom venenoso a traísse. — Nossa, o sol da Flórida não fez muito bem a sua pele pálida.
Caroline franziu a testa ao completar, fitando o tom quase que imperceptível de vermelhidão na região das maçãs do rosto e dos ombros de Rebekah, encoberto por camadas de corretivo. Rebekah trincou os dentes ao mover de lábios e Stefan apenas revirou os olhos.
— Por favor, não comecem… — pediu ele, já prevendo o que viria a seguir.
— Bem, nem todas temos a sorte de passar o feriado em casa com o namorado… Oh, é, você não têm mais um. — foi à vez de Rebekah disparar com um sorriso cínico, logo em seguida, inspecionando Caroline da cabeça aos pés com desdém. — Aliás, ser traída e chutada pelo meu irmão afetou você mesmo, não é? É impressão minha ou você engordou?
— Não digam que eu perdi o emocionante reencontro de Caroline com a minha querida irmã. — ouviu-se o irônico sotaque britânico a aproximar-se através da porta. Klaus posicionou-se ao lado da irmã após adentrar, vestia blazer de lã e camisa social escura, é, pelo visto todos erraram o jantar em família por desfile de moda da Vogue.
— Não seja má, Rebekah, pode acabar com seu vestido manchado de vinho.
— Klaus. — Caroline pronunciou como se sentisse um amargor na boca.
— Ótimo, agora o circo está completo!
Sorriu cínica ao final e deu as costas ainda sentindo a vontade de acrescentar mais um tom para o rosto da loira, o roxo ao redor do olho provindo de um soco seu. Quem aquele camarão tostado pensava que era para falar de si?! Traída, chutada e gorda. O que aconteceu com você Caroline Forbes?!
Ademais, se normalmente já não gostava de Klaus Mikaelson, mas passou a detestá-lo após Bonnie ter contado sobre como ele e o outro idiota, seu amiguinho, divertem-se usando meninas para “entretenimento” em seus jogos estúpidos. Seria um desafio para ela não jogar vinho na cabeça dele em meio ao jantar.
Com o fim da refeição, Caroline tratou de arranjar a desculpa para sair da mesa e não ter de participar da “palhaçada” que era aquele jantar, então se propôs a levar os pratos para a cozinha.
Qual era a necessidade desse jantar se a maioria dos filhos não estaria lá?, pensava a loira enquanto organizava a louça —e por que diabos Liz tivera a brilhante ideia de dispensar a empregada?!— ao redor do balcão. Se bem que foi melhor, já que além de Klaus e Rebekah, a irmã mais velha faz universidade em Paris —vadia sortuda— e se Kol viesse teria sido muito pior —principalmente se considerar o que eles já haviam feito em cima daquela mesa.
Caroline tratou de sacudir a cabeça e mandar para longe aquele pensamento. Não seria nada mal se Elijah houvesse vindo… Ok menos, Caroline, ele é casado —quem liga?
— Precisando de ajuda? — Era só o que me faltava, foi o que ela pensou ao notar Klaus de braços cruzados contra o vão do arco para a cozinha. Isto após estremecer em um sobressalto.
— Meu Deus, Klaus! — resmungou Caroline, ao virar-se. — Você me assustou.
— Talvez seja porque você tem muito a esconder. — disse ele sugestivamente.
— Eu não sei do que está falando. — Caroline, no entanto, deu de ombros ao fingir inocência e voltar-se ao que fazia mais uma vez.
— Oh amor, eu acho que você sabe exatamente do que estou falando. Na verdade, acho que a única quem não sabe o que está acontecendo é sua doce mãe.
Klaus não demorou a espalhar o seu veneno displicentemente enquanto aproximava-se da garota ao balcão. Caroline apenas ergueu o olhar desconfiado ao loiro que a encarava com um semblante de divertimento em pura malícia.
— Você não disse á ela, que conhece a família de seu pretendente mais do que ela pensa, não é querida? — expôs. Caroline abriu a boca, surpresa.
— Como você…
— Isso foi muito fácil, era apenas prestar a atenção no jantar e qualquer um perceberia o delicioso clima de segredos e mentiras no ar. Principalmente alguém com o faro para dramas familiares. — o Mikaelson sorriu orgulhoso. Logo, deu de ombros com um rápido mover de lábios em irônico gesto desentendido. — Mas essa não é a pergunta que você deveria fazer. A pergunta certa, amor, seria o que eu pretendo fazer com essa informação?
— Sério? — Caroline exibia o melhor sorriso irônico ao compreender e já esperar por onde ele queria chegar. — Você realmente acha que pode usar isso contra mim?
— Me diga você, — Klaus retribuiu — eu posso?
— Escute aqui, Klaus. — apontou-lhe o dedo ameaçadoramente ao se posicionar.
— Se pensa que vai me chantagear, você está muito enganado.
— E você crê que eu seria capaz disso?! — Klaus apenas fingiu ofensa.
— Caroline, eu me sinto ofendido vendo-a pensar assim de mim.
— Por favor, Klaus. Não se faça de sonso. — acusou a loira, mostrando-lhe o sorriso depreciativo. — Especialmente, isso vindo do cara que usa garotas em suas apostas estúpidas com os amigos bêbados.
Klaus observou-a por um segundo em silêncio. O sorriso de Caroline mudou diante a vitória ao vislumbre da expressão de certa surpresa, disfarçada pela estratégia que era tão por ela conhecida da máscara firme da indiferença.
— O que foi, amor? — Caroline usou com sarcasmo o tom do loiro ao pronunciar a palavra. — Pensou que fosse o único á saber como usar informações?!
— Oh não, eu nunca a subestimei, querida. — Klaus, por outro lado, pareceu divertir-se. — Pelo contrário, eu acho ainda mais divertido que seja uma adversária a altura. Apesar de achar que funcionaríamos melhor juntos, seríamos uma extraordinária dupla.
— Acontece que nunca chegaremos perto de ser qualquer coisa que lembre uma dupla. — Care determinou imediatamente, assim que Klaus tentou uma aproximação mais íntima em sua direção, afastando o peito do loiro com um toque firme.
— Bem, isso é o que veremos, amor. — o Mikaelson a avaliou e sorriu diabólico.
— Mas, enquanto isso, vamos ver como você sai no final de semana no lago.
— O que disse? — Caroline ergueu a mão em um sinal de “pare” ao interromper.
— Espere, que história é essa de “fim de semana no lago”?!
— Você saberia não saísse deselegantemente da mesa antes do fim do jantar. — foi à vez de Klaus rebater em uma deliciosa provocação. — Nossas famílias passarão o fim de semana na casa do lago juntas.
— Está brincando?!
Caroline não pode evitar cuspir as palavras, encarando o vazio sem ponto fixo, apenas digerindo aquela informação boquiaberta. Já Klaus, observava-a em deleite, divertindo-se ao encarar a exata expressão a qual esperava no rosto da loira.
— Estou falando muito sério, amor. Liz provavelmente contará a você esta noite.
— Pois pode ficar sabendo que eu não pretendo passar sequer um dia inteiro com você, muito menos dois. — declarou Caroline decidida. Fala sério, se Klaus pensava que poderia manipulá-la e ainda assistir de camarote como um show particular, estava redondamente enganado. Ela não pretendia perder a compostura ou deixá-lo sequer pensar que havia vencido, e manteve a expressão altiva e arrogante.
— Então, obrigada, mas eu vou definitivamente recusar este convite.
— Por quê? Acha que passarmos o fim de semana inteiro juntos possa ser perigoso?
Ele avançou perigosamente alguns passos em sua direção e encurralando-a entre a bancada da pia atrás de si e seu corpo a sua frente, a centímetros quase que inexistentes de distâncias entre os corpos de um modo que mesmo a própria Caroline não poderia negar: era tentador. Tentador demais. Principalmente pelo modo como deixara o rosto baixo à altura do dela, encarando Caroline no fundo de seus olhos azuis com as órbitas turquesa que pareciam ler o mínimo detalhe através delas.
Caroline sentia como se Klaus pudesse decifrá-la mesmo por cada olhar ou uma simples respiração mais densa que escapasse de seus lábios rosados e soubesse exatamente o que estava pensando neste exato momento. Se fosse este o caso, Caroline se amaldiçoava pelos malditos pensamentos impuros que ousaram rodear sua mente. Os repreendeu, mordendo o interior do próprio lábio com raiva de si mesma.
O soar da em sua voz sussurrada, porém, e com o envolvente toque charmoso de seu sotaque, aliado ao refrescante hálito a acariciar seu rosto em leves sopros de um ar quente não facilitava para ela. De qualquer forma, era inegável, Klaus era irritantemente sexy. Outra vez, repudiou imediatamente tal pensamento.
— Perigoso para você vai ficar se não sumir da minha frente agora. — debateu-se em um movimento brusco e empurrou o corpo do Mikaelson ao afastar-se até que fosse restituída uma distância segura entre os dois.
Klaus não escondeu um sorriso triunfante às sombras de seu rosto ao baixar a cabeça, mais do que satisfeito com o resultado obtido. Por fim, usou de uma postura mais leve, como quem se rende. O que Caroline duvidava que realmente fosse.
Por fim, o homem passou por ela, aproximando vagarosamente o rosto do seu enquanto murmurou em provocação:
— Vejo você em breve, amor.
Fale com o autor