How Things Began...
7 Just in time
Notas iniciais
Happy Birthday David Desrosiers, Love you, my angel ♥
Continuamos fazendo cada vez mais show e nossa popularidade foi só aumentando — muito graças aos esforços de Pat! — e já não éramos conhecidos apenas em Montreal, o Canadá inteiro já sabia (ao menos) da nossa existência. Ok, ok, ainda estávamos bem longe de alcançar o sucesso que queríamos, mas até entrevistas já estávamos dando! Dá pra acreditar? ENTREVISTAS! Pessoas de verdade realmente queriam nos ouvir como banda e ouvir o que tínhamos pra dizer! Isso era… Puxa, simplesmente demais.
Falando em entrevistas, fomos convidados para um bate-papo — uma espécie de "perguntas e respostas", ou algo do tipo — ainda hoje, logo depois do nosso shows — sim, um show só NOSSO — .
Tocamos durante 2 horas sem parar, mas nem dava pra cansar… A energia do público, sei lá, carregava a gente! Finalizamos o show com… Addicted… E bom, fomos para a nossa entrevista na 106.1 Kiss FM.
Tudo corria super bem: Os fãs perguntavam o que queriam, e nos respondíamos tudo, tudinho mesmo! Riamos com algumas coisas que eles falavam — Jeff com aquela risada engraçadona dele fazia a gente rir ainda mais-, brincávamos e David sempre soltava alguma piadinha ridícula… Aliás, todos nós falávamos baboseira e, pra ser bem sincero, Chuck era o único que realmente falava sério ali. Eu estava julgando tudo muito bem, até que me fizeram uma certa pergunta:
– Pierre, você que escreveu Addicted, né? — Uma fã eufórica perguntava e não me dava tempo de responder — Então… Me diz, pra quem que é? — Ela dizia com os olhos brilhantes enquanto eu sentia minha garganta sufocar.
O pior: Depois dela questionar isso, todos os outros fãs na sala começaram a berrar ainda mais alto… Ou seja: Eu não poderia não responder. Engoli seco e percebi que David estava me olhando com um olhar cúmplice como se dissesse que estava tudo bem, que a história era linda e que os nossos fãs não iriam me jugar por… Érr… Ter um "amigo" gay.
Mas e aí? O que eu fui fazer? Bom… Eu fingi que não vi o olhar confidente de David e me virei para a platéia de novo. As palavras simplesmente saíram da minha boca e eu nem percebi o que estava dizendo:
– A letra de Addicted foi escrita pra uma ex minha do colégio, e durante muito tempo, fui completamente viciado nela…
O público soltou um "awwwwwn" triste para mim e rimos juntos logo em seguida. No meio da risada me virei para David que estava… Emburrado. Mas não era um emburrado como de David, não parecia com uma criancinha chateada, ele estava bravo, irritado… Triste. Eu cessei a risada no mesmo instante e tive a vontade de abraçá-lo, fazer carinho e perguntar o que estava acontecendo com… O meu pequeno.
O bate-papo acabou, e fomos dar autógrafos para os fãs. Puxa, autógrafos… Sabe o quanto isso é importante? A nossa primeira seção de autógrafos e tudo mais… Eu realmente acho que esse deveria ser um dos melhores momentos de nossas vidas, um dos mais alegres, pelo menos. Mas como eu poderia me alegrar? David estava mal, eu não tive tempo de ir conversar com ele e ajudá-lo em seja lá o que for, e eu estava angustiado, como se um choro estivesse preso na garganta. Não, eu não estava com vontade de chorar, mas era quase a mesma sensação… Era agonizante. Por que ele estava assim, droga? Como eu fazia para vê-lo bem? Eu me sentia um verdadeiro derrotado, e tudo que eu queria fazer era dar um "stop" naquilo tudo, pausar os fãs, pausar o resto dos guys… Deixar apenas David e eu, durante quantas horas fossem necessárias. Eu não me importaria, sendo bem franco, se isso de repente acontecesse, se de repente o mundo parasse apenas para nós dois, pelo tempo que fosse… Afinal, foram com David que eu gastei minhas melhores horas atoa. Rindo, conversando, conversando muuuuuito, brincado… Seja o que fosse, eu fazia com ele, e era bom. Tudo com ele era perfeito. Não tenho um adjetivo pra descrever melhor: "Perfeito" era a palavra certa para me referir a tudo em relação a ele. Ele era perfeito. Estar com ele era perfeito. Conversar com ele era perfeito. O simples fato de olhar pra ele, ou sentir seu cheiro — o melhor cheiro do mundo, na minha opinião — já era perfeito. Então porque eu não podia fazê-lo se sentir melhor? Quer dizer, até poderia, mas não agora. E era isso que me matava, não poder acalmá-lo, agora. Eu até poderia tentar relaxar dizendo a mim mesmo que mais tarde conversaria com ele, mais tarde eu o abraçaria, mais tarde…
Sai do transe dos meus pensamentos complicados quando Chuck estalou os dedos na minha cara.
– Acorda Pierre, essa garota tá esperando o seu autógrafo a minutos! Tem mais gente na fila, Zé Mané! — Chuck falava grosso, mas baixo pra não deixar os fãs ouvirem.
Balancei a cabeça para garantir que estava acordado, ri sem graça e pedi desculpas pra garota, que não pareceu se preocupar muito, ela parecia muito feliz pra ligar pra isso. E poxa… Era assim que eu gostaria de estar. Mas mais do que isso, era assim que eu queria que David estivesse.
O encarei uma última vez (tendo que ver aquela expressão amarga e triste naquele rosto angelical), antes de por um sorriso no meu rosto pra não decepcionar aquelas pessoas que estavam ali para me ver.
Saímos de lá e Chuck sugeriu que praticássemos um pouco em sua casa, todos concordaram meio desanimados, afinal, estávamos cansados pra caramba.
– Já, sei! Podemos fazer alguma coisa divertida! — Disse para todos, mas olhava apenas para David — que sequer olhou na minha cara — e percebi que Seb também tinha consciência de que algo estava errado, pois ao invés de soltar um sorriso sacana para mim, me fitou preocupado. Preocupado com David.
– Tipo o que? — Jeff questionou e aí eu me dei conta da sua presença.
– Não sei… — Falei olhando para Jeff, e logo me virei para David me fechando apenas para ele — O que você quer fazer?
Eu o fitava triste, e ele demorou até que finalmente me respondeu, sem olhar pra mim, ou mudar de expressão.
– Eu realmente acho que deveríamos ensaiar. É tudo que quero fazer. — Ele disse frio e seco, e começou a andar em direção da casa de Chuck.
Os outros desistiram e seguiram David.
Ensaiamos e ele sequer olhou pra mim. Nada de brincadeiras, nada de provocações: David me ignorava completamente. Sempre que eu tentava puxar um assunto qualquer, ele não me olhava sendo super seco e, quando respondia, era minimamente — com "sim", "não" ou "hmmm" -.
Os meninos resolveram finalizar o ensaio — já que todos estavam muito cansados -, e se jogaram nos sofás dos Comeau, ligando a TV e conversando. Eu ia subir também, mas vi que David ficaria ali mesmo, no porão, sozinho e voltei os poucos degraus que havia subido, ficando de frente para ele. Fiquei ali, bem perto dele, apenas olhando para seu rosto perfeito, enquanto ele fingia que eu não estava lá, encarando a parede. Eu sei, eu sei… Eu deveria falar alguma coisa, certo? Sei disso, afinal, era o que eu estava esperando o dia todo… Mas eu não conseguia. Não depois de perceber que era comigo que ele estava bravo… Eu tentava pensar no que tinha feito de errado, me odiando por ter magoado-o… De todas as pessoas no mundo, David era a tal que eu jamais gostaria de machucar. Bom, eu estava com medo. Medo de enfrentar aquilo, medo de ser ignorado por ele, medo de abrir a boca e dizer algo errado, mas… Eu não podia deixá-lo assim, de braços cruzados.
– Dave…- Comecei a falar e pela primeira vez, ele me olhou nos olhos, me fazendo estremecer ao encarar aquele lindo par de olhos esverdeados — Escuta… — Não pude terminar de falar, o celular de David começou a tocar e ele não exitou em atender.
– Alô? Sim, sou ele… Ah, jura? Poxa — David deu um tapa na testa -, que lerdice a minha… Sim, sim… Vou dar um jeito de ir aí. Obrigado. — Ele desligou e parecia agitado, agitado até demais.
– O que foi? — Perguntei.
– Esqueci meu casaco, com meus documentos dentro do bolso, na rádio… — Ele disse.
– Bom… Sem problemas — peguei minhas chaves na mesa de centro -, vamos! — Disse, me direcionando até a porta.
– Como assim? — Ele parou a alguns passos distante de mim, com a sobrancelha levantada.
– Qual é, Dave… Você não tem como ir a pé com essa chuva — apontei pra janelinha que tinha no porão -, e os outros estão dormindo, de certeza. Eu te levo lá.
David ficou incerto, ainda estava chateado comigo, mas resolveu aceitar a carona, entrando no carro. Foi com toda certeza, a viagem mais desagradável de todos os tempos. A rádio não era tão longe assim, mas o percurso parecia interminável. David e silêncio… Tá aí uma coisa que não combinava.
Chegamos lá e David correu para a sala de entrevistas que tínhamos ficado — ao invés de perguntar para algum funcionário onde suas coisas estavam — e foi encontrá-las debaixo de uma das cadeiras — provavelmente a moça que o ligara as colocou em cima da mesa, e elas caíram -, ele se abaixou para pegá-las e… Bom… Aquela visão do paraíso ficou bem de frente pra mim — Sim, eu me refiro a bunda de David -. Eu tentava ao máximo desviar o olhar de lá, mas era mais forte do que eu. Logo ele se levantou — ufa! — e se dirigiu até a porta, passando por mim, como se eu não estivesse ali.
Já estava cansado daquela situação, por isso fiquei lá, parado, sem o menor intuito de me retirar. Percebendo isso, David se virou pra mim:
– Você não vem? — Ele perguntou grosseiramente.
– Não até você me dizer o que está acontecendo. — Disse dando de ombros. David mordeu o lábio inferior e revirou os olhos com raiva.
– Ótimo, vou a pé! — Virou-se pra saída da sala, batendo os pés.
Corri até ele, segurando seu braço, impedindo-o de ir embora, fazendo-o olhar pra mim.
– O que pensa que está fazendo? — Ele questionou rude.
– Você não tem juízo, né? O mundo tá caindo lá fora, sem falar que não vou deixar que você ande Montreal inteira quando tem um carro pra gente, lá fora! — Disse sério, olhando em seus olhos.
– Eu sei disso. — Ele tirou minha mão de seu braço — mas você não está afim de me levar… — Eu o interrompi.
– Mas que droga, David! Só quero saber o que houve com você! Por que está agindo assim?! — Meu tom de voz já estava alterado.
– Não houve nada! — Ele choramingava gritando.
– Claro que houve, Dave! Não percebe que eu estou preocupado com você? — Disse segurando seu rosto.
– Ah, quer saber, Pierre Bouvier? Você é um puto de um idiota!
– Ah, não me diga, David Desrosiers? — Falei sarcástico — Pois você pode me dizer o motivo da vez?
– Não se faça de tonto, você sabe o que fez! Aliás, o que não fez! — Ele franziu o cenho de raiva.
– David… Me desculpa por qualquer coisa que eu tenha feito, eu realmente sinto muito, mesmo sem saber do que se trata, eu nunca tive a intenção de te magoar, acredite em mim… Mas, por favor… Me diz o que eu fiz… — Abaixei o rosto, derrotado.
– Pierre! Você mentiu pr'aquelas pessoas! Mentiu para si mesmo! Por que diabos fez isso? E todo aquilo que me disse a uma semana? Era mentira também? Eu te julguei certo, no fim das contas? — Ele gritava comigo.
– Do que está falando, Dave? — Eu me encolhia cada vez mais.
– Cacete… Da música! "Amor é amor", não é? Bom, não foi o que pareceu quando inventou aquela história da "sua ex" para os nossos fãs! Por que tem vergonha desse seu amigo? Isso é ridículo, Pierre, simplesmente ridículo!
Finalmente entendi do que ele estava falando… Eu sou realmente um "puto de um idiota" como ele disse. Bom… E precisa resolver isso e precisava ser agora.
– Dave… Você acha que eu tenho vergonha do meu "amigo"?
– Ora, foi o que você fez parecer, não é? — Ele já não gritava mais, mas ainda estava super nervoso.
– David… Eu não sinto vergonha "dele". Eu apenas estava protegendo-o. — Eu falei calmamente.
– Protegendo do que? — Ele dizia mais curioso do que irritado.
– Dos outros. Você sabe o que a maioria das pessoas pensam dessas coisas…. Eu sei que elas estão erradas, mas difícil mudar uma cabeça feita, Dave. Eu apenas não queria expo-lo.
– Você está falando sério, Pie? — Ele foi amaciando a voz. Só de ouvir meu apelido de novo, suspirei aliviado.
– É claro que sim. Nada que disse naquela noite era mentira… — Senti que não podia continuar com aquilo — Quer dizer, apenas uma coisa não era verdade… — Disse, abaixando meu rosto, mais uma vez.
– O quê? — Ele perguntou levantando meu rosto pelo queixo, me fazendo olhar em sua íris… Deus do céu, ele era extremamente tentador.
– O protagonista da história… — Falei bem baixinho, mais preocupado em me segurar pra não beijá-lo.
– Como assim, Pie? — Ele ainda segurava meu rosto — com doçura, mas firmeza — e eu podia sentir que estávamos cada vez mais próximos. Juntos... Colados.
– Não tem "amigo" nenhum, David. — Confessei.
– Ah não? — Ele falou com surpresa.
– Não, Dave… — Suspirei bem fundo antes de prosseguir — Eu… Eu sou o tal cara. A música é sim sobre mim.
Ficamos em silêncio por alguns minutos. Imaginei que David ainda estava processando o que aquilo queria dizer, quando ele finalmente abriu a boca:
– Isso é sério, Pie? — Ele dizia de uma forma extremamente meiga.
– Sim.
– E… Por que não me disse isso antes? — Ele perguntou com a mesma doçura de antes.
Eu estava realmente surpreso, David não havia me empurrado para bem longe de si, como achei que faria. Ao invés disso, ele se aproximou ainda mais de mim.
– Não sabia como iria reagir. Isso ainda é novidade pra mim… Nem eu sei como reagir, pra falar a verdade. — Finalizei e ele assentiu.
– Bom… Agora sabe. — Ele me disse sorrindo e eu concordei com a cabeça, sorrindo brevemente de volta. Ficamos em silêncio por alguns minutos, até que ele sorriu pra falar — Agora você... Você bem que poderia me dizer quem é o tal cara que roubou seu coração. — Ele disse meigo e eu corei: Como ele poderia não ter percebido ainda?
Coloquei uma mão em sua nuca e a outra em seu rosto angelical. Sorri e em um impulso…
O beijei.
Notas finais
E todo mundo pondo na trend do twitter: #HappyBirthdayDavidDesrosiers , viu? ♥
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