Notas iniciais
Antes tarde do que nunca: Capítulo 10 prontinho pra vocês. Desculpem pela demora, x.x
Vários capítulos estão prontos, mas é preguiça de postar mesmo.
Espero que gostem. :)

“Merry Meet, filha.” Ela sorriu um sorriso que iluminou seu belo rosto aveludado branco. Seus olhos azuis como o mar eram incríveis, e o cabelo loiro quase branco que caia em seu corpo bem definido até a cintura era macio, liso e leve. Voltando para o rosto, notei as tatuagens púrpuras pregadas em sua testa, que iam até abaixo de seus olhos. Eles me lembravam de ventos. Ventos gélidos do outono e do inverno, que traziam consigo folhas secas e frágeis.

“Err, me desculpe pelo atraso, é q-que eu levantei meio tarde, e-é.” Gaguejei que nem louca.

“Ah, tudo bem,” Ela disse muito ‘deixa pra lá’. “Só tente não se atrasar novamente, tudo bem? É que é meio chato ficar repetindo a matéria toda de novo.” Ela sussurrou baixo o suficiente para apenas eu ouvir. Uh, sem castigos no calabouço, nem nada do tipo Jogos Mortais?

Ela deve ter percebido o ponto de interrogação entalhado na minha cara, porque falou, “Ah, esta tudo bem, Wanda. Eu não mordo. Quero dizer, aqui todo mundo morde, mas é claro que eu não vou te morder.” Ela gargalhou. É, ela é louca.

Eu só acenei com a cabeça e dei um pequeno passo para frente. Ela abriu espaço, e eu andei lentamente à frente, entrando na sala.

A sala não era preta nem bizarra. Era como uma sala comum, parecida com a que eu estudava no colégio anterior. Era branca, não tão grande, e na frente tinha um quadro da mesma cor das paredes preso a parede, preenchido com algumas anotações. No meu lado direito havia um armário que ia da porta até o fim da sala. A moça que era minha professora de Sociologia fechou a porta e veio até mim, me levando ao centro, e então pôs uma mão em meu ombro.

“Hey, gente, só um momento da atenção de vocês.” Algumas cabeças que estavam abaixadas se levantaram, para igualar com as outras já erguidas. “Esta é Wanda Selene Os-da-a-da-nv-se, novata aqui na House of Night.” Eu já estava, inutilmente, queimando de vergonha. Aff, eu nunca fui tímida, qual é?

“Err, oi.” Eu disse. Os alunos responderam com uns breves olás e ois. E aí os segundos que sucederam foram constrangedores. Principalmente quando você está parada na frente da turma, que você não conhece, e que está te olhando com uma cara, uh, ah, sei lá eu que cara!

Olhei pro meu horário tentando evitar olhar para mais uma cara de tédio. É.

O nome da senhorita gentil, que eu tinha 99,99% de certeza que era minha professora, era... Hmm... Ok. Isso é bizarro. Tal nome, tal professora, tal raça, tal sei-lá-o-que. Katharine... Soulcold*! Isso é sobrenome que uma mãe se de para o filho? É, se ele for um vampiro. Mas ela não nasceu vampy, certo? Certo. Nos resta a única opção, a mais provável, e... Ah, droga, a mãe dela era louca. Insana. Sem conceito de sobrenome digno. É.

(* Soulcold é a ligação de soul e cold, que no português significa alma fria.)

Tipo, totalmente, quem gelou fui eu. Para um vampiro esse era um sobrenome um tanto assustador.

Katharine interrompeu meu debate interno e o silêncio. “Alguma pergunta, heeein?”, Ela gesticulou com os braços e com o corpo. Uma mão se levantou no fim da sala. “Diga Brad.” Não vi muito porque ele estava sentado, mas tinha descendência Afro e usava uma jaqueta preta.

“É Os-di-na-oh quê?” A sala riu.

“Os-da-a-da-nv-se. Cherokee.” Corrigi.

“Hmm, Cherokee. Como Zoey Redbird, a grande e fabulosa Alta Sacerdotisa de Tulsa, que foi renomada como uma vampira histórica no universo vampiresco, e que recebeu título para participar junto ao Alto Conselho Superior dos Vampiros, junto com as mulheres mais sábias do...” Um magrelinho nerd que estava sentado na primeira carteira da fileira falou sem eu acho que ao menos respirar, e Katharine teve que interromper, se não o garoto morria asfixiado, “Tudo bem, filho, vejo o quanto entende sobre Sociologia. Mas isso não é assunto para Terceiranistas, tudo bem?” Ele apenas concordou com a cabeça. “Wanda, porque não se senta? Reservei um lugar pra você ali.” Ela apontou para um lugar vago no canto, onde me sentei.

“Bem, onde estávamos? Ah, sim, na Rainha Elizabeth I. Os humanos nunca perceberam sua tatuagem por causa de uma loção...” Parei de prestar atenção quando percebi olhares em mim. Como se eu não pertencesse àquele lugar. Como uma sujeita estranha freqüentando o lugar pela primeira vez. E tudo isso era a mais pura verdade.

E em toda a aula foi assim. Me distraia com os olhares distraídos.

Katharine explicou sobre uma loção que todos possuíam em seus quartos, que seria o mais próximo de uma base para tampar olheiras e espinhas e sei lá eu mais o que. A norma da House of Night – na verdade, uma regra – era que nenhum humano pudesse ver nossas tatuagens, tal como também não podíamos sair com os emblemas, que ela iria explicar amanhã, e outras regras. Então era obrigatório que tampássemos nossas tatuagens quando saíssemos da escola.

Isso me fez pensar em como estou distraída a ponto de não notar nenhuma tatuagem. Todos os alunos tinham uma lua crescente azul pregada bem no meio da testa, e, assim, bizarro. Apesar de tudo, não fazia tudo parecer como adolescente-rebeldes-que-fizeram-uma-tatuagem-super-estranha-pra-matar-a-mãe-do-coração. Ao contrário. Faziam parecer mais elegantes. Estranho como soa, mas é verdade. Mas elegante mesmo era a tatuagem da professora, com a lua totalmente completa, com tatuagens adicionais, e ainda era púrpura. Pensei se zoavam com os professores (eu digo os professores mesmo) por terem algo que, digamos, não seria a cor predileta deles.

Bem, risque isso.

O sino bateu surpreendentemente rápido. Não acho que seria por que eu estava tão atrasada. Acho que teria a ver em como Katharine não soava em suas aulas como aquelas professoras velhas e gordas, totalmente tediosas e chatas. Meditei sobre como vampiros eram legais e surpreendentemente normais. E nenhuma versão tipo Drácula do século XXI. Quero dizer, eles não têm presas. Ai, droga, o primeiro dia de aula estava me deixando maluca.

Katharine gritou antes que todos os alunos se retirassem, “Lembrem-se de passar a base na tatoo de vocês, beleza? As meninas podem tentar passar a base normal, só pra ver o que acontece. Tchau galera, até amanhã.” Um povo todo foi dar abraços e beijos e saudações-terráqueas pra professora.

Quando passei por ela, nossos olhares se encontraram, e ela me saudou, “Seja bem-vinda, Wanda.” Eu parei, “Precisamos conversar. Nada sério, mas então quando tiver um horário vago, me procure.” Ela sorriu.

Eu enruguei a testa, “Oh, okay.” Disse rapidamente, e dei um breve sorriso antes de sair.

E naquele momento, me sentia como algum náufrago ou um sobrevivente do vôo 815na ilha de Lost. E considerando que esta escola é bem misteriosa e estranha, não é de surpresa se eu ver o tal John Locke fumaça-preta.

Uma garota que estava sentada na minha frente na última aula estava abrindo seu armário. Ela se chamava Bonnie, e eu achei a ter visto em algum outro lugar. Bonnie era uma garota baixinha, que tinha a pele branca e sardenta, o cabelo naturalmente alaranjado, curto e liso.

Tomei um grande fôlego antes de cutucar seu ombro. Ela correspondeu se virando. “Oh, oi.” Ela disse gentilmente.

“Oi.” Falei com um pequeno sorriso sem graça, “Eu achei que você poderia me informar onde fica a sala de espanhol, com o professor, uh...” Eu olhei no papel amassado em minha mão, procurando a informação que eu precisava, quando ela completou, “Philip?”

“Yeah, Philip.” Concordei.

“Claro! Eu estou indo pra lá.” Ela respondeu alegremente.

“Ah, legal. Obrigada” Agradeci. Andamos com passos largos e apressados. Tomei cuidado em não perde-la do meu ponto de vista, mas foi quase impossível, pois como na aula de sociologia, os alunos olhavam para mim com grande freqüência. Algumas garotas terrivelmente me olhavam com claro desejo de me fazer sumir. Outras me olhavam com superioridade. Claro que haviam aquelas que olhavam sem maldade alguma, mas era inevitável um pequeno comentário.

Bonnie aparentemente era bem conhecida, já que várias pessoas cumprimentam-na.

Após um período andado, ela resolveu iniciar a conversa.

“Então... Você veio de muito longe?”

“Ah, não. Do centro.” Respondi.

“Jura? Eu vim de lá.” Ela disse com um tom surpreso, com um par de sobrancelhas levantadas. “Estudei no Loyola, não sei se você conhece...”

Então foi a minha vez de arquear as sobrancelhas, “É claro que conheço, eu estudava lá!” E ai ficamos nós duas com as sobrancelhas arqueadas, com os olhos maiores do que o normal, e com balançando a cabeça. Certamente duas loucas. Depois de 10 segundos de uma espelhando a outra, olhei pra baixo, e ai ela também se tocou e continuou andando em frente, e eu a segui. Novamente o silencio se apoderou entre nós duas. Aproveitei isso para tentar lembrar dela. Bonnie, Bonnie, Bonnie... Com certeza eu não lembro de nenhuma Bonnie. Tentei de novo, mas tudo o que consegui foi um grande oco e um eco de dor de cabeça. Yep, eu sempre fui assim: Se eu esquecesse alguma coisa, e eu quisesse lembrar, mas não conseguisse, uma enxaqueca começava a latejar na minha cabeça.

Tentei remediar isso perguntando sobre o terceiro e sétimo horário. “Err... O que significa todas essas matérias no terceiro e sétimo horário?”

“Ah, são matérias eletivas, você escolhe o que quer fazer, e a mesma coisa no sétimo horário. Hmm, descarte o grupo do baseball e do futebol, eles só dão as vagas para rapazes. Hey, talvez você possa entrar no grupo das líderes de torcida, as garotas estão precisando de vaga lá, mas...” Ela parou bruscamente, como se tivesse falado alguma coisa que não podia. “Er, o que foi?”

“Er, nada, nada não. Eu lembrei que o... er, grupo das líderes de torcida está lotado, além do mais a líder de lá não tá, uh, aceitando calouras pra... evitar problemas, yeah.” Ela está mentindo, isto eu tenho certeza. Não quis discutir com ela, mas eu estava certa de que eu iria descobrir o que ela realmente queria dizer. Apenas concordei com a cabeça.

Finalmente, depois de subir uma enorme escada e de passar por uma tortura de olhares estranhos, chegamos a sala de espanhol. Encontrei um lugar, me sentei, e quietamente aguardei o sinal bater.