House Of Night: Sweet Darkness
11 Capítulo 11
Notas iniciais
A aula de espanhol passou estranhamente rápida. O professor Philip explicou sobre os grandes escritores espanhóis, e fez a gente fazer uma breve redação sobre um deles. Mas ele explicou lo eso fue fácil. Para ajudar, ele não era sério e totalmente rabugento como o Sr. Drummer, meu ex-professor – ah, diabos, Phillip era parecido, mas tão lindo quanto Afonso Herrera, num jeito mais formal –. Ele usava um óculos de lente que o fazia ficar sério. As roupas dele eram sociais, mas combinavam com ele.
No fim da aula, ele liberou uns minutos para todo mundo conversar.
Bonnie não veio conversar comigo, mas não que isso fosse um problema.
Isso me fez pensar que eu estava completamente lá, sozinha, sem amigos. Na antiga escola eu tinha verdadeiros amigos. Eles eram fofos, nerds, extrovertidos e góticos, mas eu os amava. E aqui, eu não tinha ninguém. A não ser que eu vá me encontrar com aquele garoto que eu surrei – okay, eu não o surrei, mas tanto faz, — antes da aula, yeah, isso pode me fazer ter alguma compania.
Tá, essa mudança de dia pela noite está apresentando efeitos colaterais. Era óbvio o que ele queria. Ele queria... Queria... Ah, inferno, ele queria fazer. Yeah, você entendeu.
Eu só tinha tanta certeza porque ele me lembrava de Lucas, aquele safado.
Esse pensamento fez uma ponta de saudade passar meu coração.
De qualquer forma, eu deveria não pensar neles. Eu não poderia vê-los novamente, e eles não poderiam vir me ver. Eu havia mudado de mundo. Se separado do universo humano, para vir a esse lugar onde as coisas são tão bizarras que impossivelmente podem parecer normais. E pensar neles só piorava as coisas.
Eu desviei de uma bolinha de papel que estava prestes a bater em minha cabeça. Lancei um olhar fulminante para um garoto que tinha cara de travesso, e agarrei minha mochila que estava jogada no chão. Eu nunca gostei de voltar para meu apartamento de moto ouvindo poluição, então eu sempre carregava meu Ipod branco na mochila.
Apartamento... Moto... Hey, o que fizeram com eles?
Quero dizer, eu ganhei minha moto de aniversário de 16 anos de meus pais, e isso é, tipo, uma das únicas coisas que eu não largaria por nada. Quero dizer, eu nasci numa família rica, tão rica que poderia manter essa House of Night pelos próximos 100 anos – hee-hee. Não que eu não poderia comprar outra moto, entende, a moto era um presente especial.
Não precisei tirar o Ipod da mala. O sinal para a terceira aula bateu, fazendo os alunos se mexerem.
Joguei minha mochila em um ombro e agarrei o horário que estava descansando embaixo da carteira. Saindo da sala, jurei a mim mesma que não iria perguntar a alguém sobre onde ficava a sala da próxima aula, e blá blá. Se eu quisesse sair da boca do povo como a nova perdida, eu não deveria agir como uma. Não seria tão difícil achar a próxima sala. Quero dizer, essa escola é bem grande, e tal, mas isso não pode ser um problema. O máximo- Okay. O mínimo que pode acontecer é de eu me perder e/ou chegar atrasada numa aula onde o professor é totalmente gostoso, ou a professora é tão bonita que fazem as garotas da escola se sentirem inúteis, e por fim, eles são vampiros. E eu só vou parar de pensar nisso, porque eu já devo ter dito a mim mesma que eu estou cercada de vampiros umas zilionésimas vezes.
Caracas.
Mas, voltando ao aqui e agora, eu ainda não pensei em qual matéria seletiva escolher. Yeah, eu devo ter menos de uns 5 minutos para escolher uma matéria que eu vou fazer por, pelo menos, um ano inteiro.
Teatro... eu nunca fiz teatro na minha vida, tirando as pequenas apresentações em que eu fazia o papel da árvore na 1ª série.
Introdução a música, de jeito algum, só pelo fato de eu ter que ouvir os desafinados da vida.
Dança é uma coisa que eu curto também, mas algo me disse que eu não iria gostar dos colegas de classe.
Ciência da Computação, Liderança eletivo e táticasnão.
Então okay. Teatro.
Fui até o andar de artes, seguindo o que Bonnie havia me dito.
Chegando lá, notei que este andar era diferente dos outros. Ele era mais claro, aberto e refrigerado.
O local estava movimentado e barulhento.
Logo a frente da escada onde eu estava parada, havia uma sala. A placa ao lado da porta dizia “Sala 414. Introdução a Música”.
Olhei para meu lado direito, para uma enorme parede com pequenas janelinhas ao alto. Ginásio. Imaginei que ali era um ginásio de esportes. Um grande ginásio de esportes.
Andando por entre os alunos estranhos, procurei até avistar um corredor também à minha direita. Segui ele até encontrar uma porta. “Centro de Artes. Drama”. Suspirei e andei em direção à larga porta de madeira trabalhada. Mas antes de entrar totalmente na sala, algo chamou a atenção de meus olhos. Era Bonnie, no meio da multidão, abraçada com um cara grande demais para a estatura dela, conversando com uma... Conversando com a odiosa? QUÊ? Minha mente estava trabalhando quando não pude mais pensar nada depois que eu entrei na sala e tudo ficou escuro, a não ser pela fresta de luz que vinha de trás de mim, pela porta. Quando a porta se fechou, eu fiquei parada, olhando para o nada da escuridão. As vozes atrás de mim estavam quase mudas, mas eu ouvia outras vozes. Vozes mais nítidas, como algumas conversas, vindas de dentro da sala. Eu olhei para minha esquerda, e vi um caminho com lâmpadas amareladas e claras, não fortes o suficiente para iluminar o lugar, mas para guiar, nos dois cantos do chão negro. O corredor me lembrou de um cinema. Segui as luzes, lentamente, cuidando em onde eu pisava, até chegar no fim do corredor, que estava com uma luz mais clara vindo de algum lugar a direita. Segui o corredor, virando, até que a escuridão se transformou num teatro, com luzes claras iluminando somente a frente, onde havia o palco, poltronas vermelhas, ocupadas com alguns alunos.
Andei lentamente até a frente, com passos fracos, como se eu não quisesse fazer barulho e interromper algo. Havia em torno de 20 alunos, separados em grupos de amigos, e sentada na ponta do palco havia uma mulher, linda, conversando com alguns alunos, que imaginei que fosse a professora de Drama. Tinha cabelos curtos, em corte Chanel, escuro. Tinha pele clara e suave. Usava uma roupa despojada, mas bonita.
Enquanto chegava mais perto, ouvi alguma coisa que parecia um fundo musical com uma música do estilo Beethoven, fazendo tudo virar um clima bem natural e artístico.
No mesmo momento em que cheguei perto de todos, a professora parou de conversar e falou, “Gnomos lindos! Quero que dêem as boas vindas para a nossa ais nova aluna da House of Night,” e com um gesto teatral com as mãos, “Wanda!”.
O pessoal todo se levantou, e começou a aplaudir. Alguns até subiram na cadeira. Além das palmas, havia assovios. Os que sobraram fizeram um círculo em volta de mim, e começaram a dançar, cantando alguma música estilo natalina de boas vindas. Eu não agüentei e comecei a rir. Quando terminaram com um chacoalhar das mãos e um “tan-dãn”, eu dei uma olhada pra eles, e entendi o porquê dos “Gnomos lindos” que a professora havia dito. Era porque eles pareciam duendes felizes e alegres que comemoravam a magia do natal.
“Huh, povo muito receptivo,” eu gargalhei, jogando minha mala no primeiro banco a minha direita.
“É claro que somos!” Um garoto baixinho e ruivo, muito fofo, sorriu.
“Agora me diz, não são lindos gnominhos?” A professora comemorou.
“Yeah, se gnomos são bonitos.” Soltei. Alguns soltaram uma risada.
“Cuidado, Wanda, você está prestes a se transformar num também.” Uma garota afro riu ao meu lado. Outro momento de risada. Então o garoto fofinho falou, “Mas, ah, senhorita Sarah Monson, você deveria parar de confundir gnomos de duendes. Acho que eu posso te dar algum livro de fantasia este natal-“
“Ou de noivado.” Alguém gritou. Todo mundo suspirou e disse “hmm”, e a professora soltou um riso envergonhado junto com uma cara como se ela estivesse ofendida.
“Todo mundo sabe que o professor Arnold é super a fim de você.” Alguém atrás de mim disse.
“E já ele dá aula de Português, ele possa indicar algum livro de gnomos e duendes. Olhe, par perfeito!” A garota afro brincou.
“Ai gente, por favor,” a professora falou levantando as mãos, “O professor não está a fim de ninguém, e eu não preciso de nenhum livro, gnomos são duendes, e vice-e-versa. Fim de assunto!”
O sinal bateu, e eu mal pude ouvi-lo.
“Ah, mas você é teimosa, né?” garoto ruivo insistiu.
“Teimoso é quem teima comigo.” A professora revirou os olhos. A sala riu.
“O que eu perdi?” Uma voz divertida soou bem no fundo, atrás de mim.
Sarah entortou a cabeça. “Kyle, você tinha que ter visto a dança deles. Onde você estava?”
Quando pensei em virar a cabeça para trás, uma mão tomou minha cintura e sussurrou um “oi, amor” no meu ouvido. Eu pulei. Então foi minha vez de revirar os olhos.
“Aff, K, senta logo em algum lugar, rápido, rápido!” Sarah disse empolgada, dando pulinhos e batendo as mãos. “Quero começar a aula.”
Então era tudo o que faltava. O cara que eu havia deixado caído no chão por ter quase me comido – ok, ele não havia quase me comido, mas passar a mão em lugares escondidos demais não era uma coisa que achei que não havia segundas intenções – era meu colega de classe, meu colega de Drama. Nem me passou pela cabeça que ele poderia ter escolhido essa aula. Porque, cara, ele tem cara – e corpo – de jogador de futebol americano, ou sei lá.
Eu acho que essa foi a melhor aula que tive em toda a minha vida. Sarah não era chata nem séria. Era impossivelmente o contrário. Por um instante eu pensei sobre quem era o tal professor de português do colégio, admirante de Sarah. Quando toda essa coisa de caloura passasse, eu daria uma forcinha para os dois.
Não pude ignorar o fato de que eu estava desconfortável na aula, pois Kyle me encarou por, praticamente, todos os minutos dela. Mas o trabalho de Willian S. ajudou a me distrair.
“Levem o livro, e lêem o capítulo, ok?!”
Quando ninguém respondeu, ela gritou “OKAY?”, então o pessoal respondeu num som uniforme.
“Eu acho que a professora tá tão carente... Tá até gritando pela atenção,” alguém falou.
“Eu, carente? Ah, tá... -”
Eu parei de ouvir quando um braço descansou em meus ombros.
“E aí, linda?!” Kyle falou, “Parece que vamos ter Drama juntos, huh? E você vai ter que segurar seu instinto marcial por um bom tempo.” Ele falou essa última frase no pé do meu ouvido. Eu apenas me afastei dele, e continuei andando.
“Qual é sua próxima aula?”
Impaciente com a insistência dele de puxar papo comigo, eu parei e olhei para ele. “Combate, Kyle.”
Estávamos na ponta do corredor escuro, e sua imagem era só uma mancha. Ele me olhava profundamente, mas após eu falar isso para ele, ele desviou seu olhar de mim, e sua face estava numa expressão mais pra entediada do que séria. “Uh, claro, James vai adorar rever sua aluninha novamente.” Bufou. Isso me fez lembrar do que aquela odiosa havia dito sobre este professor de Combate, James, que foi o que havia me carregado até meu quarto. (É claro que eu não tinha desconsiderado a parte em que ela tinha meio que esclarecido que ele seria dela, e bláblá). Raciocinei que como os alunos daqui já são quentes, então professores são 10 vezes melhores. Não que eu tenha algum tipo de obsessão com professores. Aff.
Saindo do transe, continuei a encontrar a saída. Kyle me seguiu silenciosamente, com seu braço novamente descansando em meus ombros. Ele me guiou até uma outra porta, que estava cheia de alunos, que era a entrada do ginásio. Suas portas eram largas, idênticas a de um ginásio normal. Eu tirei o braço de Kyle, e empurrei a porta da minha direita que não estava aberta. Sem querer, trombei com um armário. Tá, era uma garota, daquelas que todos tem medo, e que ficam roubando os lanches dos pequenos. “Aí, olha por onde anda, guria”, ela falou numa voz meio grossa demais pra ela. Na verdade por ela ser garota, por que fazia muito bem o seu estilo.
Tudo bem. Me desviei da garota-man, e dei uma olhada no pessoal em minha volta enquanto procurava um lugar distante para me sentar na arquibancada. Certo, a odiosa e seu bando de vacas estavam reunidas num grupo, em frente a arquibancada. Suas saias eram tão curtas, e suas calças eram tão apertadas a ponto de ver o útero das gurias – sem zuação.
As garotas logo olharam pra mim, cochichando uma as outras. Ignorei, e achei um lugar meio distante da multidão para me sentar. Okay, mas eu falei que os caras do futebol daqui são totalmente GOS-TO-SOS? Sim, estilo monte-everest Kyle.
Enfim o sinal soou pela escola, fazendo todos se movimentarem, e do vestiário à minha esquerda saiu o cara mais lindo de toda a minha vida.
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