Hot Like Ice, Cold Like Fire.
14 Salvando O Dia.
Notas iniciais
Pov’s Annabeth.
Estávamos dentro de uma enorme piscina vazia. O escudo de Ares jogado dentro de um desses barcos com decorações de corações e bebes cupidos com asas e fraldas. O barco ficava em um trilho que seguia por um túnel onde provavelmente precisava de água para se movimentar, aquele lugar deve ter sido algum tipo de ‘túnel do amor’ no passado. Agora era só sujeira e ferrugem por todo canto.
– Ares e Afrodite são deuses será que não puderam encontrar um lugar melhor para se encontrarem? – Falou Percy entrando no barco para pegar o escudo, Grover ficou do lado de fora para segurá-lo.
Clarisse foi a primeira a perceber que algo não estava certo, havia câmeras de vídeo instaladas em pontos estratégicos do local, todas elas apontadas para nós. Ela olhou pra mim fazendo sinal para que eu ficasse em alerta. Sendo filha do deus da guerra, Clarisse era especialista em batalhas, podia montar esquemas de ataque e seus reflexos eram melhores do que dos outros. Por ser filha de Atena eu percebia a situação e montava estratégias, ou seja, éramos uma dupla incrível, porém, nesse dia eu não pude ajudar.
– Essas câmeras, olhem os símbolos desenhados. – Clarisse apontou desviando a atenção dos garotos do escudo.
– São símbolos gregos. Não são câmeras mortais. – Disse Grover parecendo aliviado por poder se afastar do escudo de Ares.
– Espera um pouco. – Olhei em volta, meio que já sabendo o que estava procurando. – Ares e Afrodite são amantes a algum tempo, ela é casada com Hefesto.
– Hefesto esta sempre tentando pegá-los em armadilhas e humilhá-los para o Olimpo. – Clarisse acompanhava o meu raciocínio, funcionávamos muito bem juntas.
– Vocês estão querendo dizer que essas câmeras ai... – Percy engoliu um seco. – São de Hefesto e que elas estão transmitindo para o Olimpo?
– Estão desligadas, cara. – Clarisse respondeu com uma voz meio arrogante.
– Certo, então vamos logo com isso, ok?
Eles voltaram para o barco. Mas antes de chegarem lá um barulho de metal arranhando metal nos fez parar. Clarisse e eu ficamos em posição de batalha dizendo para os garotos se apressarem, mas era tarde de mais. A primeira aranha metálica a aparecer fez meus pés congelarem no lugar e meu cérebro parar de funcionar. Clarisse a olhou com desdém e a chutou para longe. Estava fácil de mais. O barulho começou a ficar mais forte e mais aranhas começaram a chegar.
– Percy! – Gritou Clarisse. – Você precisa tirá-la daqui!
Grover saiu do barco correndo e me arrastou para dentro, Percy ergueu a mão ao alto tentando atrair as águas pois não tinha como sairmos de lá de dentro de outro jeito. Clarisse ergueu a lança e começou a matar aranhas robóticas demoníacas como se fossem moscas, a cada segundo o numero aumentava assim como o meu pavor, fiquei paralisada e só o que consegui fazer foi assistir. Grover pegou suas muletas e começou a golpear as que se aproximavam, eram poucas porque Clarisse estava dando conta delas.
– Estou sentindo a água, mas esta muito longe, precisamos encontrar outro jeito. – Percy gritou, tentando chamar a atenção de Clarisse, mas ela não estava mais ouvindo.
Conforme o numero de aranhas de metal aumentava, mas a fúria de Clarisse parecia crescer. Ela golpeava três, quatro e até cinco de uma só vez. Dava chutes, golpes de karate, usava a lança elétrica como se fosse parte de si, uma extensão de seu próprio braço.
Mas mesmo assim, elas eram muitas. Percy saiu do barco para ajudá-la, ficou de costas para ela entrando na briga, mas assim que ela o viu o agarrou pela camiseta como se ele fosse um garotinho e o arrastou de volta ao barco.
– Faça o seu trabalho moleque sereia. Tire-os daqui! – Gritou ela, mas não possuía raiva na voz e sim simpatia, ela realmente estava pedindo que ele nos mantivesse a salvo.
Foi ai que ela começou a brilhar. Uma luz inicialmente rosa começou a brilhar ao redor dela, quando mais forte ela ficava, mais aranhas matava, mais vermelho ficava o brilho. Foi como se ela se erguesse perante a aranhas robóticas as desafiando a se atreverem a enfrentá-la. Foi lindo e assustador ao mesmo tempo.
As câmeras de Hefesto agora estavam ligadas. Provavelmente tinham ligado quando o show começou e tiveram um grande show, na verdade. Clarisse não parecia mais uma adolescente, parecia mais uma mulher adulta, capaz de quebrar a cara de qualquer um. Uma pilha de metal se acumulava ao redor dela, ela havia destruído uma legião de aranhas assassinas e parecia estar só começando a se divertir, como se tivesse energia pra ficar lá quanto tempo fosse necessário. Sei que ela nos protegeria, mas não tínhamos mais tempo, tínhamos que ir embora dali.
Em algum lugar acima de nós mais barulho de metal arrastando. Clarisse se colocou em posição novamente, mas dessa vez não tínhamos tempo. Percy se colocou de pé na dianteira do barco e ergueu as duas mãos no ar, seu corpo ficou tenso e então relaxou, um barulho de água explodindo me trouxe de volta a realidade, pulei do barco o mais rápido que pude e arrastei Clarisse que fazia caretas como se não entendesse o que estava acontecendo.
A água nos acertou nos arrastando para dentro do túnel do amor. Devo dizer que não foi nada romântico. A água arrastou também os destroços de aranhas robóticas, mal sabíamos nós que estávamos seguindo para uma morte certa. Nos agarramos gritando nas laterais do barco que passava por desenhos de corações e Romeus e Julietas nas paredes e mais um monte de coisas de dia dos namorados. Então o túnel terminou e seguíamos sob a luz da lua. Se o parque não estivesse abandonado de quebrado teríamos passado pelo arco do amor e caído em uma piscina no final, mas esse era o problemas, o parque estava fechado e quebrado. Se tivéssemos continuado teríamos batido com tudo em uma pilha de barcos que estavam emperrados no arco. Mas Clarisse a Percy trabalharam juntos para nos fazer parar. Os dois ficaram em pé, Percy ergueu a mão fazendo as águas diminuir o ritmo, Clarisse foi para parte de trás e no ultimo momento cravou a lança nos trilhos nos fazendo parar.
#
Durante toda a nossa viajem rumo ao Hades o silêncio foi quase absoluto. Clarisse parecia assustada, era difícil saber agora que ela não parecia mais uma adolescente. Grover não ajudava em nada lhe lançando olhares nervosos a cada segundo. Ares havia explicado que aquilo era a Benção dele, mas não tenho certeza se Clarisse havia ficado feliz com aquilo, ela parecia estranhamente cabisbaixa. Só o que eu conseguia pensar era em como ela estava incrivelmente linda.
Chegamos aos portões do Hades quando o dia estava quase amanhecendo, tínhamos que fazer tudo em menos de um dia ou estaríamos encrencado. Tudo o que eu queria naquele momento era voltar ao acampamento com Clarisse a aproveitar nossos momentos enquanto finjo estar brava por ela roubar uvas do senhor D. Mas no momento esse parecia ser um sonho muito distante, pois se fracassarmos não teríamos um acampamento pra voltar.
Fale com o autor