Notas iniciais
Ah desculpem a demora :3

Percy colocou as mãos nos bolsos da calça, em um deles as quatro pérolas que havia ganhado de Luke formigavam. Ainda se lembrava perfeitamente do rosto preocupado do amigo lhe pedindo que desse um pontapé em seu pai se esbarrasse com ele. “Sinto muito, Luke. Só Ares mesmo.” Percy não conhecia Hermes, mas podia jurar que ele era melhor que Ares, qualquer um seria. Fazer da própria filha uma arma parecia ser bem típico de um deus da guerra, no entanto Clarisse não parecia tão aborrecida quanto Percy ficaria. Talvez fosse uma honra, pensou ele, receber a benção de seu pai. Tanto faz Percy nunca saberia.

Depois de chegarem ao letreiro de Hollywood passar por ele foi a parte fácil, a parte difícil foi convencer Caronte, o ‘porteiro’ do mundo inferior de que estavam mortos, é claro que não conseguiram.

– Vocês não estão mortos, são filhos de deuses. E esse ai. – Ele apontou Grover. – Sátiro.

Mas logo Grover havia sacado qual era a do cara e molhado a mão dele.

Não demorou muito e os quatro estavam dentro de uma barcaça de madeira. Caronte usava uma vara para movê-los ao longo de um rio escuro, cheio de óleo, com ossos, peixes mortos e outras coisas estranhas girando na superfície... Bonecas de plástico, cravos esmagados, diplomas encharcados com bordas douradas.

– O rio Styx. – Disse Annabeth certamente percebendo a cara de confusão de Percy olhando tudo aquilo. – Aonde os sonhos perdidos vêm parar. Esperanças perdidas, desejos não realizados... – Ela suspirou cansada, olhava tristemente para a garota que estava na sua frente ainda tentando entender como alguém podia mudar tanto em tão poucas horas.

– Será que encontramos minhas notas boas por aqui se procurarmos? – Disse Percy tentando acabar com a tensão e o silêncio que se instalara. Sem sucesso. Tudo o que queria era fazer Annabeth se sentir melhor, dizer a ela que tudo ficaria bem, mas ele não tinha certeza. Colocou a mão no ombro dela recebendo um olhar solidário. Desde que conhecera a amiga vinha percebendo o quanto ela estava mudando, não ria mais a toa e nem fazia piadas da lerdeza dele, muito pelo contrario, Annabeth vinha estado cada vez mais melancólica e ele odiava vê-la assim. Clarisse era quem deveria animá-la, fazê-la se sentir bem, mas vinha fazendo um péssimo trabalho.

Percy segurou a mão de Annabeth, precisava se assegurar de que ambos ainda estavam vivos. Todo aquele lugar cheirava a morte. O ar venenoso, o rio de sonhos perdidos, mas o pior eram as almas lamentando em sua volta, preces e maldições, tudo aquilo poderia tê-lo deixado louco se não fosse por Annabeth. Ela provavelmente percebeu e apertou mais sua mão, embora ele estivesse tentando fazê-la se sentir segura, foi ela, na verdade quem o fez perceber que nada de ruim aconteceria.

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A praia do Mundo Inferior surgiu à vista. Rochas escarpadas e areia vulcânica negra se estendiam terra adentro por cerca de cem metros até um muro alto de pedra, que se prolongava para os lados até onde a vista podia alcançar. De algum lugar por perto nas sombras verdes, veio um som, reverberando nas pedras, o uivo de um grande animal.

Clarisse ficou ereta. A garota olhou em volta como se procurando a origem do som, seu sangue fervia na vontade de se por a prova. Quanto mais o barco de aproximava da praia mais as batidas de seu coração aumentavam ultrapassando qualquer som a sua volta. Não sabia direito como aquilo tudo funcionava, mas sabia que um sacrifício deveria ser feito. Desde o momento em que saíram do acampamento, Clarisse sabia que um dos quatro não voltaria para casa, naquele momento aquilo não a preocupou pois achava que seria Grover. Ele sempre fora o mais fraco, o menos corajoso, porém o mais responsável. Mas no momento em que ouviu as palavras de seu pai soube que seria ela, ela ficaria para trás, ela era o sacrifício. Evitava olhar Annabeth o máximo que podia e agradeceu por estar tão escuro ali embaixo, assim ninguém poderia ver a lágrima que ela deixou escapar.

Os quatro desceram do barco se misturando aos mortos. Três grandes portões se erguiam a frente deles, Annabeth já os havia explicado e repassado o plano de passar por ali como se estivessem mortos, mas não acho que ela tivesse incluído o grande cão de três cabeças em seus planos. O animal rugiu para eles quando os avistou.

– Ele pode farejar seres vivos. – Gemeu Grover.

– Acho que é a primeira vez que lamento por estar vivo. – Disse Percy se esforçando para parecer valente.

Clarisse ainda não havia falado nada desde saíram de Vegas, ela tirou a lança das costas, mas foi impedida por Annabeth de continuar.

– Nem tudo precisa ser resolvido com violência. – Disse ela se aproximando do animal e deixando os outros três com olhares aflitos. Clarisse seguiu logo atrás dela como um enorme guarda-costas.

Annabeth puxou uma bola de borracha de dentro da mochila, escrito nela se via as palavras “Parque Aquático Aqualândia.” Ela ergueu a bola se aproximando do cão.

– Está vendo a bola? Quer a bola, Cérbero? Senta! – O cão inclinou a cabeça parecendo tão confuso quando os outros três.

– Senta! – Repetiu ela com o tom mais autoritário que conseguia.

Clarisse apertou a lança com mais força, pronta para atacar a qualquer momento, Percy enfiou a mão no bolso segurando contracorrente também se preparando para atacar. Mas não foi necessário, em alguns minutos o grande temido cão infernal se transformara em um cãozinho de estimação pela filha de Atena mais inteligente que eles já haviam conhecido.

Clarisse tentou esconder a cara de admiração que fez, mas Percy não mediu esforços para demonstrar o quanto orgulhoso estava.

– Annabeth... – Ele começou a falar, mas ela fez sinal para que se calasse.

– Vão!

Ela usou o mesmo tom que estava usando com o cão, eles começaram a passar enquanto ela o distraia. Ela jogou a bola. A boca esquerda do monstro a agarrou imediatamente, só para ser atacada pela cabeça do meio enquanto a cabeça da direita gemia em protesto. Enquanto o monstro estava distraído, Annabeth marchou energicamente por baixo da barriga dele alcançando seus amigos.

– Como você fez isso? Foi incrível. – Disse Percy admirado.

– Aula de adestramento. – Ela respondeu com um sorriso tímido.

– É melhor nos apresarmos. – Clarisse falou pela primeira os tirando daquele momento. Annabeth fez uma careta, mas não disse nada.

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Eles passaram pelos campos de Asfódelos, o que não foi mais agradável que a entrada. Havia tantas pessoas, como num estádio de futebol lotado com duas vezes o limite de pessoas. Apesar de tudo o lugar não era tão assustador, estava cheio de mortos, mas era apenas triste. Clarisse os olhava com mais melancolia do que os outros três, sabia que não havia sido uma boa pessoa, certamente não iria para o Elisío, mas preferia não pensar naquilo agora pois poderia perder o foco. Olhou Annabeth que caminhava a sua esquerda, se arrependeu de todas as vezes em que se pegou imaginando um futuro com a garota. Nunca fora sentimental e no momento em que mais desejava ser fria não conseguia. Nesse momento Annabeth se virou para ela e seus olhos se encontraram, Clarisse estava mais alta então dessa vez Annabeth precisou olhar para cima, mas ela não se importava. Captou os olhos de Clarisse cheios de tristeza, mas os olhos claros de Annabeth a iluminavam, então ela conseguiu dar um sorriso para a loira, estava, afinal, fazendo tudo aquilo por ela.

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As Fúrias rodeavam os baluartes, lá no alto, nas trevas. As muralhas externas da fortaleza brilhavam em negro e os portões de bronze com dois andares de altura estavam escancarados.

Eles entraram, passaram pelos jardins de Perséfone, que era por sinal o jardim mais incrível que Clarisse já havia visto, não que estivesse visitado muitos jardins, enfim. Chegaram as portas do palácio de Hades, dois esqueletos de fuzileiros navais americanos guardavam as portas com lançadores de granadas atravessadas no peito. Eles sorriram para Clarisse, certamente podiam sentir a benção do deus da Guerra.

Percy sentia um desconforto fora do comum, sua mochila pesava uma tonelada, se obrigou a olhar e verificar se nenhum espírito estava pendurado em suas costas, como em um terrível filme de terror que havia visto com sua mãe uma vez, pensar em sua mãe o deixava aflito.

– Hum, devíamos bater? – Perguntou Grover encarando as portas.

Um vento quente soprou pelo corredor e as portas se abriram. Os guardas deram um passo para o lado.

– É, acho que não precisa né? – Gemeu ele tomando a frente.

Eles entraram na enorme sala que devia ser algum tipo de sala do trono. Hades estava sentado em seu trono com um enorme sorriso malicioso nos lábios. Ele parecia horrivelmente simpático.

– Ainda não consegui decidir se vocês quatro são muito valentes ou muito estúpidos. – Falou o deus causando um calafrio nos semideuses quando se levantou ele tinha pelo menos três metros de altura. – Mas depois do que me foi feito acho que fico com a segunda opção por acharem que eu não fosse fulminar vocês com as minhas próprias mãos.

Notas finais
Eu sei que ta confuso ;x