Hot Like Ice, Cold Like Fire.
16 No Hades II.
– Apenas quatro — disse Hades. — Que pena. Você sabe que cada qual protege uma só pessoa. Tente levar a sua mãe, então filhotinho de deus. E qual dos seus amigos você deixará para trás para passar a eternidade comigo? Vá em frente. Escolha. Ou me dê a mochila e aceite as minhas condições.
***
Pov’s Annabeth.
Eu não sabia no momento, mas aquela frase poderia mudar a minha vida.
Depois de tudo o que enfrentamos conseguimos entrar nos domínios de Hades somente para sermos acusados mais uma vez de roubo. Ele afirmava com todos os argumentos que Percy havia roubado, não só o raio, mas também seu elmo.
Percy não estava conformado com aquilo, escutou insultos e baixou a cabeça muitas vezes, mas estava aos poucos perdendo a paciência. Hades insistia que ele estava com o raio e Percy rebatia dizendo que o deus o possuía, ficaram nessa guerra de acusações por algum bom tempo.
Clarisse parecia ter seus próprios problemas para resolver dentro de sua cabeça, ela mal prestava atenção ao que acontecia entre Percy e Hades, ela contornava a sala com os olhos, talvez traçando estratégias de batalha, por experiência própria eu sabia que semideuses não conseguiam ficar parados. Mas ela parecia muito concentrada em alguma coisa, mexia as mãos nervosamente como que espera o momento certo para atacar, rezei para que ela não estivesse pensando em atacar um deus.
Atentos a discussão, os esqueletos guerreiros de Hades tinham suas armas apontadas para nós e as fúrias voavam acima como urubus esperando a carniça. Hades perdera a paciência e gritava cada vez mais alto deixando seus servos mais sedentos de sangue semideus.
– Pare de mentiras! – Gritou ele. – Eu sei por que você veio e sei por que trouxe o raio com você. Você veio negociar por ela.
Hades soltou uma bola de fogo dourado da palma de sua mão. Ela explodiu nos degraus diante de nós, e lá estava a mãe de Percy, ele ficou imóvel, não conseguia falar.
– Sim, ela esta viva, Percy Jackson. – Falava o deus. – Eu sabia que mais cedo ou mais tarde você trairia os seus e viria barganhar comigo.
Percy estava branco, tentei me aproximar dele, mas não pude. Ele não tinha o raio, não poderia negociar com o deus e eu não sabia como escapar daquela. Vi ele colocar as mãos nos bolsos e Hades soltar uma gargalhada.
***
Pov’s Percy.
Ver minha mão ali tão perto de mim e ao mesmo tempo tão inalcançável me fez sentir ainda mais inútil do que eu havia me sentido em toda aquela missão idiota. Hades a tratava feito um brinquedo e eu queria bater nele com a minha espada até afundar a cabeça dele. Mas ele era um deus e eu apenas um garoto, não era justo. Minha mãe estava ali perto do trono a poucos metros de mim, eu tinha que chegar até ela.
Senti as perolas de Luke formigarem no meu bolso, talvez ainda houvesse esperança, talvez pudesse tirar a minha mãe dali. Minha mão se moveu contra minha vontade e eu as senti vibrar.
Hades abriu um enorme sorriso assustado, ele parecia saber o que eu estava pensando.
– Apenas quatro — disse Hades. — Que pena. Você sabe que cada qual protege uma só pessoa. Tente levar a sua mãe, então filhotinho de deus. E qual dos seus amigos você deixará para trás para passar a eternidade comigo? Vá em frente. Escolha. Ou me dê a mochila e aceite as minhas condições.
Os outros me olharam sem dizer nada, exceto Clarisse que estava estranhamente quieta, ela geralmente não perdia a oportunidade de me colocar pra baixo, mas devido as circunstancias eu não achava que ela podia me deixar mais pra baixo do que realmente estava, afinal, já estava no inferno.
– A mochila? – Perguntei assim que notei que ele a havia mencionado.
– Sim filhote de deus, a mochila onde você esta escondendo o raio de Zeus. – Disse ele e uma pontada de medo me acertou. Ele estava sentindo o raio? E se ele estivesse mesmo comigo todo esse tempo? Tirei a mochila dos ombros sentindo como se fosse vomitar, abri o zíper e lá estava ele brilhando como uma lâmpada de um milhão de volts.
– Percy... – Perguntou Annabeth. – Como?
– Eu não sei.
– Agora me entregue logo o raio, garoto e poderá levar a sua mãe. – O deus sorria de satisfação. – Mas melhor se apresar antes que eu mesmo vá ai pegar.
– Fomos enganados. – Suspirei olhando meus amigos. – Armaram para nós.
– Sim, mas quem? – Annabeth perguntou parecendo mais confusa do que eu.
– Eu não sei, mas pretendo descobrir.
– Decida menino. – Gritou Hades. – Quem fica?
– Percy! – Disse Grover colocando a mão em meu ombro. – Você não pode lhe entregar o raio.
– Eu sei.
– Deixe-me aqui. Eu sou um protetor, tenho que protegê-los. Usa a ultima perola para tirar sua mãe daqui.
– Não. — Annabeth sacou a sua faca de bronze. — Vocês dois continuam. Grover, você tem de proteger Percy. Você tem de conseguir a sua licença de buscador e começar a sua missão por Pan. Tire a mãe dele para fora daqui. Eu lhes darei cobertura. Planejo cair lutando.
– Nem pensar — disse Grover. — Eu vou ficar para trás.
Nem parecia que eles estavam brigando para ver quem seria torturado até a morte pelo deus do submundo.
– Pense de novo, menino-bode — disse Annabeth decidida.
– Parem com essa babaquice, vocês dois. – Clarisse havia ficado afastada por tanto tempo que me assustei quando ela apareceu do nada. Finalmente entendi o porquê de ela estar quieta daquele jeito, ela já sabia, sabia que um de nós ficaria para trás. Eu nunca tinha entendido direito o motivo de o Senhor D a ter mandado conosco apesar de ela ter salvados as nossas vidas. Agora conseguia me lembrar das exatas palavras dele “eu mandaria um de meus próprios filhos talentosíssimos, porém eles são mais uteis para mim vivos.” Ele sabia, aquele barrigudo desgraçado sabia. Clarisse olhou de Annabeth para mim e acho que entendeu a minha expressão. – Você não é tão burro, afinal.
– Dionísio disse que você era a única capaz de voltar viva. – Falei tentando soar esperançoso.
– Ele é um imbecil.
– Do que vocês estão falando? – Annabeth perguntou também sacando o que estava rolando. – Não!
Eu olhei para Grover lhe entregando duas perolas, ele entendeu o recado. Segurei as outras duas e fiz sinal para Clarisse.
– O que esta planejando, filho de Poseidon? – Perguntou Hades, meio confuso.
Clarisse pegou sua lança que logo começou a faiscar, Annabeth nos olhava inconformada tentando dizer alguma coisa, mas aparentemente não conseguia. Saquei contracorrente, as fúrias acima de nós se agitaram.
– Eu amo você, sabidinha. – Disse Clarisse olhando Annabeth com os olhos vermelhos. A loira tentou ir até ela, mas não tínhamos tempo, fiz sinal para Grover, ele a agarrou e em poucos segundos os dois estavam desaparecendo. Ainda podíamos ouvir o som distante de Annabeth gritando e lutando tentando se soltar quando Clarisse avançou contra Hades.
O deus estava tão confuso que mal teve tempo de se defender dos ataques de Clarisse, ela era rápida e ágil e em pouco tempo já o tinha tirado de perto de minha mãe. As fúrias avançaram contra mim, eu não sabia se elas podiam morrer ali embaixo, mas torci para que sim. A primeira delas eu acertei em cheio com contracorrente, ela se desintegrou, mas logo suas cinzas começaram a se formar novamente. Eu não tinha muito tempo, mas não precisava de muito. Os guerreiros esqueletos haviam cercado minha mãe e eu tinha certa duvida se conseguia matar fúrias e soldados ao mesmo tempo, por sorte tinha Clarisse comigo.
Hades estava tão surpreso que Clarisse o havia encurralado sem que ele ao menos reagisse, ela aproveitou o momento e acertou o deus com tanta força na cabeça que ele desmaiou no mesmo momento, é claro que não ficaria assim para sempre e ela sofreria as consequências depois, fiquei tão triste por ela, Clarisse era afinal, a heroína da missão. Ela veio em minha direção derrubando esqueletos como se fossem pinos de boliche, a benção de Ares brilhava sobre ela os deixando com medo e lerdos. Consegui me aproximar de minha mãe a abracei, mas não tínhamos tempo de matar a saudade, entreguei a perola a ela e lhe disse o que fazer, a mandei ir até a entrada do Olimpo, Grover estaria esperando lá. Assim como Grover e Annabeth ela também desapareceu.
– Clarisse?
– Vá!
– Obrigado. – Eu disse me aproximando entre cinzas de monstros e a abracei. Ela não me abraçou de volta, é claro, isso já seria de mais pra Clarisse La Rue, mas não importava ela estava se sacrificando pela minha mãe, pelo mundo.
– Cuide dela por mim. Ela vai precisar de você. – Ela disse desviando o olhar.
– Você sabe que nos veremos de novo. Ela não vai descansar enquanto não te tirar daqui.
– Ótimo. – Ela disse sorrindo de lado. Eu não sei se ela acreditava realmente que pudéssemos salvá-la, mas acho que ela sabia que esse seria o único jeito de Annabeth conseguir seguir em frente, que desistir a mataria. – Agora vá, garoto-peixe!
Hades estava começando a acordar, ele olhou em nossa direção, mais furioso que nunca. Eu não queria ir embora e deixá-la ali, mas não tinha escolha. Na ultima visão que tive de Clarisse La Rue ela estava brilhando em luz vermelha chamando o deus dos mortos de agente funerário. Ele não gostou nadinha.
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