Notas iniciais
(...)Dizem que Ares tem olhos como esferas de fogo que refletem guerras e massacres e que quando se olha diretamente pode-se sentir a raiva dos soldados.

- Seja corajosa Annabeth.

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Depois de correr como se estivesse frente a Hades, me escondi perto da arvore de Thalia, pra mim parece que só foram alguns segundos do momento em que Clarisse estava na minha frente a ponto de me beijar.

Eu assumo a minha culpa por ter ido até ela e por ter demonstrado tamanha fraqueza, eu devia tê-la deixado me beijar, mas ai eu seria só mais uma na vida dela e pior do que não ser ninguém é ser só mais alguém que não fez diferença.

Fiquei ali durante um tempo, queria que Thalia estivesse comigo, assim eu teria com quem conversar, ela sempre foi mais madura e corajosa, mas ela se foi e só o que eu pude fazer foi ficar ali deixando meus pensamentos sobre aquele dia me afundarem.

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- Hey espertinha. — Apresei meu passo quando ouvi a voz dela me chamando, fingindo que não estava ouvindo.

- Espertinha. — Me virei quando a senti me puxando pelo ombro. — Não esta me ouvindo te chamar?

- Você chamou o meu nome? – Eu falei de forma bruta voltando pro meu caminho e deixando ela pra trás, ela não foi atrás de mim, eu queria que ela tivesse ido.

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Durante a tarde eu não quis sair de dentro do chalé, meus irmãos e irmãs estavam treinando ou se divertindo, mas eu não queria sair e ter que cruzar novamente com ela então fiquei trabalhando em meus projetos de arquitetura, isso sempre foi o que mais me acalmou, passei toda a tarde criando prédios e edifícios gregos, mas ainda podia sentir a presença dela perto de mim, seus olhos de guerreira, seus músculos definidos, seu sorriso.

Quando me dei conta do que estava fazendo tinha desenhado Clarisse no meu bloco de anotações e projetos. Pensei em rasgar e jogar fora, mas não consegui, fiquei quase uma hora olhando praquele pedaço de papel amarelo sentindo algo preso na minha garganta, minhas mãos estavam geladas, deuses eu percebi que estava apaixonada pela filha de Ares.

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No outro dia também não participei das atividades do acampamento, pensar em esbarrar com Clarisse me era terrivelmente assustador, e o meu sentimento de culpa só aumentava quando colocava a mão no bolso da minha jaqueta e sentia um pedaço de papel dobrado lá. Então fui caminhando a um lugar que eu sabia que ela não estaria, fui tentar conversar com a minha mãe.

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- Clarisse? — Tentei disfarçar o meu nervosismo colocando minhas duas mãos que tremiam dentro do bolso, Clarisse estava em pé em frente a estatua de Atena, minha mãe, e parecia fazer um esforço enorme pra dizer alguma coisa, quando me viu se assustou e franziu as sobrancelhas. — O que esta fazendo aqui?

- Nada, só... — Ela olhou pros próprios pés e eu achei aquilo fofo demais pra resistir. — Queria falar com você, mas não te achei ontem, nem hoje, então pensei em vir aqui e... Bom, ai esta você.

- É, eu vim falar com a minha mãe, nós podemos nos falamos outra hora. — Eu queria adiar aquela conversa mais que tudo, eu imagino o que ela iria dizer, algo do tipo, 'vamos dar uns amassos' e eu sinceramente não aguentaria escutar aquilo, porque eu sei que cederia e porque eu sei que ficaria tudo muito pior quando ela tivesse o que queria e me dispensasse, doía só em pensar.

- Eu não acho que ela esteja muito afim de conversa hoje. — Disse ela olhando pra mim e me fazendo desviar o olhar. — Ela não me respondeu, e olha que o meu assunto era bem sério.

- Que tipo de assunto você poderia ter com Atena? Não acredito que o seu orgulho te deixaria admitir que somos mais inteligentes que vocês. — Ela deu um pequeno sorriso me ouvindo provocá-la, e eu me senti mais segura para continuar, eu havia aprendido a ler as pessoas, suas expressões, o jeito como se mexiam, todas as suas ações podem denunciar de certa forma os seus pensamento e sabia muito a respeito dela por passar tanto tempo a observando. — Estava pedindo um pouco mais de sabedoria?

- Hey espertinha, nada disso, eu posso até ser bem mais briguenta do que estudiosa mas mesmo assim tenho ganhado de você em todas as atividades e olha que dos filhos da sua mãe você é a mais inteligente. –Ao ouvir ela me elogiando daquela forma não consegui segurar meu próprio sorriso que deve ter parecido extremamente exagerado e foi só aquilo que eu ouvi, ela se aproximou quando viu que me fez rir e eu me senti corar, abaixei a cabeça tentando esconder qualquer coisa que entregasse meus sentimentos, podia ser a mais inteligente mas não entendia nada de relacionamentos. — Eu vim pedir algo pra ela sim, mas não é sabedoria, porem não sei se ela vai me ajudar, o meu pedido foi meio idiota.

- E eu posso saber o que foi? — Estava olhando pra baixo ainda sentindo o desenho dela dentro do meu bolso o que me deixava mais nervosa, Clarisse estava flertando, eu sabia disso, mas não sabia no que ia dar, quando levantei meus olhos ela estava a centímetros de mim novamente.

Ela estava bem ali e eu podia beijá-la se quisesse, podia tocá-la. Durante toda a minha vida o meu maior trunfo foi a minha mente, como eu conseguir pensar e raciocinar melhor e mais rápido que os outros, mas isso mudava completamente quando Clarisse se aproximava de mim, ela era kriptonita e era tão linda, eu queria beijá-la, queria tocá-la e já não estava mais pensando.

Clarisse usava uma regata preta e uma calça camuflada surrada com botas tipo coturno, a blusa apertada deixava visível seu abdômen e eu desejava tirar aquela blusa, estava ficando louca, só podia estar, eu nunca havia pensado em ninguém dessa forma, desejado desse jeito, nem mesmo homens.

Ergui minha cabeça e pude ver seus olhos bem perto dos meus, dizem que Ares tem olhos como esferas de fogo que refletem guerras e massacres e que quando se olha diretamente pode-se sentir a raiva dos soldados, Clarisse, com certeza não tinha herdado os olhos do pai porque o que eu sentia era completamente contrário e o que eu vi naqueles olhos não foram lutas e derramamento de sangue, o que eu vi foi o mais puro sentimento que eu tinha guardado dentro de mim, eu vi carinho, afeto, amor. Talvez esse fosse mais um truque pra conquistar garotas, mas eu podia jurar que vi sentimentos verdadeiros por mim naqueles olhos e até hoje eu nunca tinha estado errada na vida.

Tirei minha mão do bolso da jaqueta e coloquei sobre o rosto dela, pude sentir sua pele macia, Clarisse era diferente de todos os outros filhos de Ares, feios e rudes. Ok, talvez ela fosse um pouco arrogante, mas nesse momento ela parecia delicada e sensível. Meus dedos deram voltas em sua bochecha e então repousaram em seu queixo, lindo e com uma covinha no meio, sem saber o que estava fazendo a puxei e senti seus braços prenderem minha cintura. Beijei Clarisse em frente a estatua da minha mãe, torcendo pra que ela não estivesse olhando. Clarisse me apertou contra si e eu arrastei minha mão para sua nuca, estávamos tão próximas e mesmo assim não parecia ser suficiente. Senti a língua dela se misturar com a minha, seu hálito quente e um frio enorme na minha barriga, estava acontecendo mesmo eu estava ali beijando Clarisse La Rue. Senti suas mãos tentarem tirar minha jaqueta e eu instintivamente deixei, ela então começou a beijar meu pescoço e eu senti arrepios por todo o meu corpo como nunca antes, eu era dela naquele momento e ela era minha. Foi quando ela começou a desabotoar minha camisa que eu voltei a mim, como se minha alma tivesse saído do meu corpo eu a senti voltar e a impedi de continuar, sabia o que ela queria, sabia que já tinha feito isso com muitas garotas e também sabia que se cansaria de mim se não conseguisse, mas mesmo assim eu não pude continuar.

- O que foi? – Perguntou ela quando viu que eu me afastava, com cara de arrependida.

- Nada, eu não posso fazer isso. – Disse decidida a parecer confiante.

- Não tem que fazer nada. – Ela disse se aproximando novamente.

- Não, Clarisse, pare. – Eu abaixei minha cabeça novamente, não podia encará-la, ela se afastou um pouco e parecia decepcionada.

- Tudo bem. É melhor eu ir então.

- Você não precisa ir. – Eu queria que ela ficasse, estava com vontade de chorar, mas me contive.

Nós ficamos em silencio por alguns minutos e eu estava começando a me arrepender de ter dito pra ela ficar. Ela se sentou em uma pedra e estava mexendo em alguma coisa que eu não consegui ver, talvez fosse seu celular, talvez estivesse mandando sms pra todos no acampamento dizendo que tinha ficado com a loira do chalé 6.

- Você... – Ela começou a falar e eu pude ver que ela tentava escolher as palavras. – Hmm... Nunca fez isso, não é?

- Não, nunca. – Respondi tentando mostrar frieza aquela situação, mas minha voz saiu falhada.

- Está tudo bem. – Disse ela se levantando, achei que ela fosse embora, mas pelo contrario ela se aproximou de mim novamente, segurou a minha mão e me beijou no rosto. – Sem presa espertinha. – Passou por mim e foi embora.

“Sem presa espertinha.” O que isso queria dizer? Ela não tinha me dispensado como eu imaginei, isso pareceu que ela queria continuar. Será mesmo que todas as suposições que eu tinha feito sobre Clarisse estavam erradas?

- Seja corajosa Annabeth.

Escutei a voz da minha mãe falando comigo e me assustei, ela estava lá o tempo todo, me senti envergonhada no primeiro momento, mas logo a sua frase começou a fazer sentido.

- Corajosa? Mãe, como assim? – Perguntei tentando entender, será que ela disse aquilo querendo que eu tivesse coragem pra resistir a Clarisse? Queria que eu me afastasse dela? Lutasse contra esse sentimento.

- Ela veio pedir minha benção.

- Porque ela precisaria da sua benção?

- Porque ela está apaixonada por você.

Notas finais
Gente muito obrigado pelos reviews, de verdade, estou tentando seguir os conselhos de vocês. Esse ta maiorzinho que o outro por isso demorei um pouquinho mais então me perdoem.
Bjs sz'.