Hot Like Ice, Cold Like Fire.

4 Os Opostos Não Se Atraem, Se Repelem.


Notas iniciais
"Não acredito que os opostos se atraem, mas porque será que então nos afastamos quando ficamos tão iguais?(...) Dezembro quando chega com seus ares de verão, ce vai saber de quem eu sou, de quem eu sou e não precisarei fingir"
(Reação em Cadeia - Dezembro)

- Você foi conversar com a minha mãe?

Annabeth surgiu pelos arbustos e me encontrou na plantação de uva do Sr. D, preciso me lembrar de encontrar outro lugar pra me esconder, esse ela já conhece. Ela parecia furiosa e ao mesmo tempo hesitante. Me engasguei com uma uva pelo susto que ela me deu e só tive tempo de esconder o desenho que eu estava olhando.

Desde que cheguei ao acampamento meio-sangue Annabeth me chamou a atenção, na verdade nós brigávamos muito porque ela adorava bancar a sabichona e eu sempre fui meio briguenta, talvez por ser filha de Ares eu tenha essa tendência. Na verdade a minha implicância era porque eu adorava vê-la irritada e eu tenho quase certeza de ser a pessoa que mais provocava nela esse incomodo. Estranhamente isso me alegrava, agora eu já sei por quê.

Ela se tornou uma mulher incrivelmente linda, com seus cabelos loiros e olhos iguais a lua cheia, eu sei, eu estou extremamente brega! Mas até pouco tempo eu não sabia que ela sentia o mesmo por mim, estávamos sempre competindo e discutindo e eu ainda odeio quando ela banca a sabe-tudo, mas agora em vez de ficar irritada eu fico encantada, imagino que seja mais ou menos assim que Ares se sente com Afrodite. Eu sou forte e mal humorada, ela é inteligente e doce, mas também temos coisas em comum, ela é corajosa e luta como nenhum outro filho de Atena e eu não sou de todo mal também, as vezes eu até sou uma boa pessoa, bem as vezes, muito raramente.

A algum tempo comecei a perceber que ela evitava discutir comigo, foi mais ou menos na época em que Quiron mostrou pra aquela profecia idiota que eu só fiquei sabendo porque ameacei um de seus irmãos, é eu faço esse tipo de coisa pra conseguir o que eu quero, ela começou a perder e não retrucava mais quando eu a provocava. Seus olhos se perdiam em mim toda vez que estávamos próximas, ela se quer conseguia disfarçar e no dia em que ela me flagrou roubando uvas veio a minha confirmação, ela me queria, mas tinha medo.

Primeiro pensei que o medo dela fosse meu pai temperamental, depois que talvez fosse sua mãe "certinha", mas por fim entendi que o medo dela era pelo fato de eu ser uma garota e confesso que isso me deixou meio mal, mais eu sou Clarisse La Rue e nada me para.

Meu pai a tempos sabia do meu gosto por garotas então sei que ele não seria problema, depois fui falar com a mãe dela, eu queria mesmo fazer tudo certo porque por mais que eu não queira admitir e vou falar isso só uma vez pra que fique gravado, eu estou apaixonada por ela. Então depois de falar com a mamãe ela apareceu lá e tudo aconteceu muito rápido, acho que deu certo porque ela não correu dessa vez, mas continuava com medo, ela estava nervosa e deixou cair algo de seu bolso sem perceber, não consegui controlar meu impulso de pegar e o que eu achei só me deixou ainda mais determinada a tê-la pra mim, ela tinha me desenhado perfeitamente em uma folha de papel amarelo, tive que reprimir um suspiro quando o desdobrei, Clarisse La Rue não suspira por garotas.

- Mais ou menos. — Respondi com cautela porque ela parecia contrariada.

- Como assim mais ou menos? — Ela se aproximou com aquele olhar mandão.

- Não conversamos, eu falei, ela não respondeu. — Falei me levantando, ficando de frente pra ela porque eu sabia o quanto ela ficava nervosa com isso e se atrapalhava. — Alguns problema?

- Sim, muitos. — Ela parecia realmente nervosa e eu tentei mostrar calma pra ver se acalmava ela também. — O que você está fazendo? Quer dizer... O que você acha... O que você acha que está fazendo? — Ela tinha a respiração apressada e fazia cara de dona da situação o que acabou me irritando um pouco.

- Como assim o que eu acho que estou fazendo? O que você acha que esta fazendo? — Eu não tinha idéia de onde ela queria chegar e essa conversa estava ficando muito confusa e qualquer tipo de confusão assim me deixa ainda mais irritada.

- O que? — Ela fez aquela cara de confusa que aparece muito raramente, mas que, meus deuses é tão meiga.

- Eu não sei. — Me virei e fiquei de lado pra ela que continuava me encarando com aquela cara que me fazia querer beijá-la e não soltar mais.

- Clarisse eu quero sab...

- Não Annabeth. — Eu a interrompi assim que consegui me concentrar novamente. — Não, eu sei exatamente o que estou fazendo e o que eu quero, você é quem não sabe. Você veio aqui e ficou me olhando daquele jeito, deixando na cara o que você queria e depois fugiu. Você me beijou e depois me afastou. Você veio aqui agora e não é pra saber o que eu estou fazendo você quer saber o que você está fazendo porque não consegue admitir uma vez na vida que você não sabe, você não tem idéia.

Annabeth ficou calada e de boca aberta, por um instante achei que ela fosse me bater ou coisa do tipo. Ela abaixou a cabeça e suspirou pesadamente, parecia querer chorar e aquilo, eu confesso, me dei um aperto estranho no peito, mas eu permaneci como estava. Annabeth se sentou e fez sinal para que eu sentasse ao lado dela, eu que estava meio receosa sentei. Ficamos sentadas olhando pra frente cada uma perdida em seus próprios pensamento por um tempo, eu queria era beijar ela logo mas ela tava dificultando as coisas pra mim.

- Eu sei que você fica com um monte de garotas aqui... e até ninfas... eu nunca... — Ela falava olhando pros joelhos e eu a observava calada. Olha, Clarisse eu não sei o que você disse a Atena mas ela acha que você está apaixonada por mim, ela não sabe da fama que você tem por aqui. Deuses, eu nem sabia que tinha uma fama, a esse ponto nossos ombros se tocavam e eu queria que ela parasse logo de falar. — Você tem razão, eu não sei o que eu quero, mas eu sei que eu não quero ser uma dessas garotas, eu não vou ser.

Vocês devem estar imaginando que eu estou me achando agora não é? Então eu tenho fama de ficar com muitas garotas? Admito que isso alimenta o meu ego, mas ao mesmo tempo me faz querer voltar no tempo porque eu não queria que Annabeth pensasse assim ao meu respeito, ela esta ali na minha frente me dizendo que quanto eu sou errada pra ela e isso me faz querer bater em mim mesma. Mas ela é diferente, tem que entender isso, todas as garotas que eu já fiquei eram substitutas, elas estavam ali pra aliviar o vazio que eu sentia por não poder estar com ela, mas como eu explicaria isso sem parecia uma adolescente bobona?

- Então, resumindo, você quer ou não ficar comigo? Porque eu não entendi direito essa parte. — Ela olhou pra mim e eu pisquei o olho indicando que estava brincando, ela sorriu e eu soube que a partir daquele dia eu faria qualquer coisa pra vê-la sorrir pra mim novamente. — Você não é como as outras, não é como nenhuma outra.

- E qual é a diferença? — Ela perguntou e eu me aproximei quase a beijando.

- É que você mexe com o meu sistema cardíaco, espertinha.

Então eu a beijei, não aguentava mais esperar para beijá-la e um choque correu por todo o meu corpo, era a primeira vez que eu me sentia vulnerável assim, me abrindo desse jeito pra alguém. Ela correspondeu ao beijo de forma delicada, nossas bocas se encaixavam perfeitamente e me deixava querendo mais. Eu tinha dito a ela que não tinha presa e estava começando a me arrepender disso.

Annabeth tinha cheiro de frutas e a cada movimento eu me sentia mais atraída por ela, éramos imãs que não podiam ser separados, quente como gelo, gelado como fogo. Opostos tão parecidos que se repeliam constantemente até não serem mais capazes de se distanciar, eu entendi, enfim, o que significava ser de alguém em todos os sentidos, não só sexuais, eu era dela naquele momento e nada me faria mudar de idéia.

Eu poderia dizer que eu tinha borboletas no estômago, mas na verdade eram dragões soltando fogo e fazendo baderna.

Eu me segurava pra não tocar em nenhum ponto delicado, não queria assustá-la, mas aquilo estava virando uma tortura. Ela segurava firme o meu pescoço e me puxava ainda mais pra perto dela, quando percebi estava praticamente em cima dela e nossos beijos eram tão urgentes, tão intensos, era o encaixe perfeito, deuses, eu estava tão excitada e ela parecia querer me provocar. Ela se encostou no chão e sem que nossas bocas se separassem tirou sua jaqueta e jogou longe, aquele jogo estava ficando perigoso e ela sabia muito bem disso. Enquanto eu desabotoava a camisa azul dela senti ela colocar a mão por dentro da minha blusa e pará-la em cima da minha barriga, alguma coisa me dizia que ela queria fazer aquilo a muito tempo, me permito sorrir e continuo a beijá-la.

Do nada escutamos um barulho ensurdecedor vindo da entrada do acampamento, ficamos paradas como estatuas devido ao choque inicial e então ouvimos outra vez e dessa vez acompanhado de um grito feminino.

- Thalia. — Disse Annabeth e eu fiquei sem entender.

- O que?

- Vamos... — Disse ela e me deixando muito frustrada, mas muito mesmo.

- Seja quem for que estiver por trás disso, vai levar um belo pé no traseiro.

Nos levantamos e Annabeth saiu correndo na frente ainda vestindo a jaqueta e eu corri atrás dela.

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Quando alcançamos o pátio vários semideuses já estavam saindo de seus chalés correndo para a entrada do acampamento, alguns gritavam que um monstro estava tentando entrar pela barreira protetora de Thalia, mas eu sabia que isso era impossível, mesmo assim vi meus irmãos se preparando para defender o acampamento e me juntei a eles, um deles trazia a laça que Ares me deu e ela vibrava querendo entrar em combate, engraçado, eu também vibrava.

- Hey Clarisse — Escutei Annabeth gritando meu nome, ela parou do meu lado com um boné azul escrito Yankees e uma adaga, estranhei o boné não falei nada, talvez fosse algum tipo de mania, sei lá, alguns usam armaduras, minha garota usa um boné dos Yankees. — Tente não morrer.

- Fique atrás de mim, espertinha. — Disse e ela me respondeu com um sorriso desafiador.

Mais tarde eu teria que explicar aquela cena aos meus irmãos.

Bahhh!!!!

Outro barulho e um tremor na terra.

Todos os semideuses treinados para a batalha estavam em frente à fronteira da barreira, todos ansioso e nervosos segurando suas espadas e escudos, a maioria ainda usava pijamas, Quiron estava lá também, esperando como nós. Ficamos esperando o que quer que fosse entrar, mas no lugar de um monstro, vimos entrar um sátiro carregando um garoto com ele.

O garoto tinha um tipo de chifre na mão e mesmo inconsciente ela parecia não querer largá-lo. Quiron logo foi ajudá-lo e eu de certa forma fiquei desapontada por não poder chutar ninguém. Olhei pra Annabeth e ela tinha um olhar curioso, como que pensa em muitas coisas ao mesmo tempo e conhecendo ela aposto que estava mesmo. Olhei na direção que ela olhava e o sátiro que entrou com o garoto vinha em nossa direção, parecia completamente aterrorizado.

- Ann... Annabeth... eu... ah meus deuses, eu. — Ele gaguejava e tremia.

- Seja homem Underwood. — Falei dando um tapa nas costas dele pra ver se ele desengasgava as palavras que tinha prendido e também porque eu queria bater em alguém. Annabeth não gostou muito pois me fuzilou com um olhar.

- Eu o encontrei. Ele continuava a tremer. Encontrei o filho de Poseidon.

Notas finais
Gente o que vocês acharam do nome da fic? Minha cabeça ainda dói de tanto que eu pensei rsrs' E esse filho de Poseidon ai ein?