Notas iniciais
Não tentem comparar com o livro por que está totalmente diferente.
Clarisse tem sim sentimentos, Annabeth não sabe de tudo e Percy é um bobão, bem isso não mudou muito rsrs'
Vocês gostaram da Clarisse contando a história? Esse capitulo também é dela, mas não sei se vou continuar. Temos uma breve aparição do Luke õ/ bem breve.

Faz três dias que o garoto meio-sangue chegou.

Faz três dias que Annabeth e eu não nos falamos.

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– O garoto acordou — Falava Olivier, meu meio irmão. Depois da cena que ele presenciou me senti a vontade pra lhe contar tudo e ele meio que virou meu cúmplice e eu o fiz virar um espião. — Annabeth estava com ele o tempo todo, acho que ainda esta lá porque ele ainda não foi liberado. — Ele me olhou com cautela e fiz sinal para que continuasse. — É ele não é? De quem todos estão falando? Ele roubou o raio?

– Eu não tenho certeza. — Tentei soar o mais indiferente possível.

– Mas então — Ele parou e deu um sorriso sarcástico muito conhecido por mim, todos os meus irmãos tinham o mesmo sorriso provocador. — Já sabemos se ele é amigo ou inimigo?

– Indeterminado! — Respondi e me afastei, precisava ver com meus próprios olhos.

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A enfermaria estava um pouco vazia, a tempos que não tínhamos nenhuma atividade realmente perigosa e, confesso, estava começando a sentir falta. Os feridos eram cuidados por filhos de Apolo e geralmente não ficavam lá por muito tempo, pois eram facilmente curados com néctar e ambrosia.

Annabeth estava sentada ao lado da cama de um garoto magro e de cabelos embaraçados, ele estava sentado e parecia muito confuso, eles conversavam alegremente, me senti tentada a tirá-la de perto dele, algo me dizia que aquela amizade não traria bons frutos, mas ela estava tão feliz, sorria como sorriu pra mim pouco antes de eu a beijar, senti uma pontada de dor invadir meu peito e tudo a minha volta ficou embasado e sem som, varias imagens começaram a passar pela minha cabeça, de quando eu não precisava me importar com ninguém além de mim mesma. Eu desejei tanto que ela gostasse de mim também e quando finalmente a tive pra mim estava vendo ela se afastar sem ao menos uma explicação, sem mais nem menos. Minha cabeça latejava, eu precisava sair de lá.

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As arvores balançavam com o vento e o barulho me fazia bem, escalei um arvore e fiquei sentada lá em cima no meio da floresta onde ninguém poderia me ver. Às vezes eu queria poder simplesmente sair daqui, matar monstros e viver livremente, eu me daria bem morando no mundo selvagem, caçando e fazendo fogueiras. Annabeth é mais urbana, ela com certeza iria querer projetar a própria casa, esse pensamento me faz sorrir, mas logo me entristece agora ela esta lá com o garoto-peixe e eu não posso tirá-la da minha cabeça.

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Estávamos todos reunidos em uma clareira floresta adentro, nos preparávamos para a caça bandeira, eu sou do time vermelho e nós dificilmente perdemos. Enquanto me preparava vi Annabeth de longe com o garoto novo, ele era visivelmente mais baixo que ela e parecia melhor agora, dois dias que já tinha acordado, mas mesmo assim ainda tinha uma cara de bobão, como ela poderia gostar daquele cara? Annabeth e o garoto eram do time azul, eram inimigos e isso me animava, então eu poderia chutar o traseiro daquele filho de Poseidon, seria um prazer.

Di alguns passos em direção a eles, estava me sentindo confiante e vê-la me fazia querer me mostrar, era um impulso que eu não conseguia controlar como filha de Ares, queria tanto vencer por ela que as vezes me esquecia que ela era a adversária.

Quando Annabeth viu que eu me aproximava sua expressão mudou completamente, ela até então sorria e ajudava o garoto a vestir sua roupa de combate com bastante entusiasmo, porém, quando me viu seu sorriso desapareceu e eu senti como se um raio tivesse-me atravessado, ela abaixou o rosto e não olhou pra mim, na verdade, ela fingiu que eu não estava ali.

– Então você é o novato? — Quando falei com ele os campistas que estavam por perto se agitaram, sabiam que eu não ia simplesmente falar com um novato sem um motivo e na maioria das vezes não eram bons motivos.

– Ah, oi, sim... Me chamo Percy Jackson. — Ele olhou nervoso para os lados ao perceber os movimentos dos outros semideuses, eu não deixei de fita-lo nem por um segundo.

– Clarisse La Rue. – Falei em tom superior, ele precisava saber quem mandava. Minha lança geralmente combinava com o meu humor e nesse momento ela soltava faíscas de eletricidade e todos pareceram notar o clima tenso. — Filha de Ares.

– Ah, certo, o deus da guerra é claro, suponho que você deva ser boa nesse jogo. — Ele disse olhando nervosamente de mim para Annabeth que até então não falara nada.

– Isso não é um jogo, mas se é assim que você o vê então será ainda mais prazeroso matá-lo, ainda duvido que você tenha destruído o minotauro sozinho. — Falei dando um sorriso de desdém, que pelo que eu percebi, fez Annabeth soltar um suspiro insatisfeito.

– Clarisse, é melhor você ficar lá do seu lado. — Annabeth falou ainda sem me olhar nos olhos.

– Vai ser divertido, teremos peixe frito no jantar — Minha lança soltou mais algumas fagulhas e eu me afastei a tempo de ouvir o garoto perguntando a Annabeth se eu realmente tinha permissão para matá-lo.

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Quando o tiro de Quiron soou dando inicio a batalha eu estava pronta pra ver um pouco de sangue, acertei vários campistas com a espada, estava mantendo minha lança presa a minhas costas pra usá-la no melhor momento, era muito fácil vencer usando ela e acabava com todo o desafio. Vi o garoto peixe poucas vezes, sempre alguém com uma camisa azul aparecia e eu o perdia de vista, precisava focar na batalha, mas também queria chegar até ele, queria provar pra Annabeth que ele era só um idiota qualquer. Depois de alguns minutos derrubando campistas como se fosse bonecos vi o caminho livre até o tal Percy que parecia muito perdido não fosse Luke o ajudando, aliás, esse era outro babaca, eu derrubaria os dois e ganharia o dia, se fizesse a tempo de pegar a bandeira, bem ai eu ganharia a semana.

Corri na direção dos dois já tirando a lança de trás das costas, estava quase chegando quando sinto um baque me atingir, cai com força no chão, confusa até perceber que o que me atingiu havia sido uma garota, Annabeth, uma onda de fúria me domina ao pensar que ela havia me derrubado pra que eu não fosse atrás do amiguinho novo dela, senti minhas mãos tremerem de raiva e precisei contar até vinte, porque eu nunca me perdoaria se a machucasse, mas pelos deuses eu estava perdendo o controle e você não imagina o que acontece quando um filho do deus da guerra perde o controle.

– Qual é a porra do seu problema? — gritei tentando faz-la me ouvir, o que era difícil devido aos barulhos de espadas se encontrando e gritos de guerra dos campistas.

– Por favor, vem comigo. — Ela gritou um pouco mais baixo de um jeito que tive que fazer esforço para ouvi-la.

– O que? Não, eu tenho uma bandeira pra pegar. — E um peixe pra fritar, pensei, mas achei melhor não falar porque percebi que ela ainda estava meio que em cima de mim.

– Clarisse, por favor. — Nos levantamos e eu estava começando a me acalmar, santo Ares eu estava tão brava com ela, mas a verdade era que nem ao menos tinha ouvido sua versão da historia, não sabia porque ela queria que eu fosse com ela no meio da caça bandeira, mas não pude deixar de pensar que ela estava me enganando pra poder ganhar.

– Certo, mas se meu time perder, você fará as tarefas no meu lugar. -Ela quase deixou um sorriso parecer e começou a andar pra fora da floresta, não sei por que mas tinha a sensação de estar indo pra uma armadilha, o tempo todo olhava pros lados esperando ser surpreendida, mas nada assim aconteceu.

Estávamos indo na direção dos chalés que estavam desertos já que todos estavam na floresta, os que não participavam ficavam torcendo ou socorrendo os feridos. Ah e só pra deixar claro, eu nunca faço as tarefas, sempre obrigo alguém a fazer por mim.

– O que estamos fazendo aqui? — Eu disse finalmente quando passamos pelo chalé 5 e paramos em frente a porta do chalé 6, o chalé de Atena.

– Me desculpe. — Ela disse ficando de frente pra mim e encostando-se à porta, tinha uma aparência triste e um corte pequeno no nariz que fazia ela ficar ainda mais linda do que de costume. — Desde aquele dia eu tenho te evitado e eu sinto muito, é só que... Tudo pode estar prestes a mudar e eu... Sabe? você me distrai e eu... Sinto tanto a sua falta... Você me desculpa?

– Não. — Eu estava mesmo muito brava com ela, mas vendo ela ali, com aquela carinha me fez pensar se eu não estaria exagerando. — Mas sei que podemos pensar em uma forma de eu te perdoar. — Ela sorriu então, e eu percebi que eu estava errada, não era esse o sorriso que ela lançava ao garoto meio sangue, esse sorriso era só meu.

– É por isso que estamos aqui. — Ela me deu um olhar travesso e abriu a porta atrás de si.

Era a primeira vez que eu entrava no Chalé de Atena, ele era em sua maior parte de mármore branco e por dentro era bem organizado e limpo, muito diferente do chalé de Ares, que em geral era um baderna. O chalé 6 tinha uma grande mesa no centro com vários desenhos de arquitetura, havia alguns pôsteres nas paredes, pilhas de papéis na mesa e um estante enorme lotada de livros e pergaminhos. Logo reconheci qual era o beliche de Annabeth, o que tinha um boné dos Yankees pendurado.

Então como se me alguém me derrubasse outra vez eu entendi o que estava acontecendo ali, entendi o por que dela me tirar do meio de uma batalha, porque estávamos sozinhas, por varias horas o chalé era nosso.

Ela parou em frente a seu beliche, sentamos e ficamos em silencio por alguns segundos que na verdade pareceram horas.

– Então, ele é o garoto que você estava esperando? — perguntei tentando quebrar aquele clima estranho que havia se instalado entre nós. De certa forma não queria fazer aquilo, não queria que ela se sentisse pressionada.

– Acho que sim, quase certeza. — Ela parecia distante, o que fez duvidar mais ainda se aquele era o momento certo.

– E o que acontece agora? — Ela pareceu triste de novo e eu me arrependi de ter tocado no assunto.

– Eu não sei. — Eu segurei a mão dela e entrelacei nossos dedos, tinha alguns leves arranhões em minhas mãos e ela passou os dedos por eles delicadamente como se tivesse medo de machucá-los. — Eu nunca fiz nada assim. — Ela ainda passava os dedos em minhas mãos e eu soube que não falávamos mais sobre o garoto ou a estúpida profecia.

Eu me aproximei e percebi que ela ficou tensa, ela tinha medo e eu a compreendia, eu queria fazê-la se sentir bem, eu sabia que não era assim que a nossa primeira vez seria. Passei meus braços em volta dela e a fiz ficar de costas pra mim, a abracei e ela encostou sua cabeça no meu ombro. Ficamos assim por vários minutos sem falar nada, nossas mãos grudavas, nossos corpos juntos, perfeita simetria. Ela virou um pouco o rosto e me beijou, um beijo longe e delicado, eu dava mordidas de leve no seu lábio inferior e a senti arrepiar nos meus braços, eu sabia que ela me queria, mas também sabia que ela estava com medo.

Ela parecia tão inofensiva ali nos meus braços, tão inocente.

E nem de longe eu poderia disfarçar, os olhos dela olhando pra mim era o suficiente pra eu entregar o que sentia, eles me aqueciam e me aborreciam. Mas e se eu explodisse? Se eu contasse ao mundo sobre nós? Será que ela fugiria? Negaria? Só eu sei o que as pessoas falariam dela se soubessem e por um segundo cheguei a pensar se ela não estaria melhor nos braços de Percy, ele era um garoto e nada seria tão complicado e ela não teria tanto medo.

Nos beijamos mais uma vez, dessa vez com mais intensidade e eu então a afastei. Seus olhos pareciam tentar ler a minha mente, eram dois faróis, dois guias que estariam ali por mim mesmo na escuridão, me davam razão pra continuar e eu me apegava aquilo como se pudesse me perder caso os soltasse.

– Nunca mais se afaste de mim desse jeito. – Sussurrei entre beijos e ela me abraçou fechando os olhos com força, percebi que ela fazia de tudo para segurar as lágrimas.

– A razão de eu ter te chamado aqui é que... – Sua voz saia falhada e ela secou uma lágrima, olhou pra cima tentando impedir outras de caírem. Aquela cena estava me deixando aflita, eu sabia que não gostaria do rumo daquela conversa, meu coração batia acelerado esperando que ela continuasse. – Eu preciso ir com Percy, preciso ajudá-lo a recuperar o raio.\"\"

Notas finais
Então o que acharam? A opinião de vocês é muito importante guys.
Obs: Tive que por esse gif porque é a coisa mais fofa que eu já vi na vida.
Bjs e até a próxima.