Hot Like Ice, Cold Like Fire.

6 Por Mais Que Eu Corra Eu Não Te Alcanço.


Notas iniciais
Esse ficou grande ein...
Tem uma reviravolta nesse capitulo que vai mexer com alguns nervos e é agora que a história começa a pegar fogo ein.
Vou me explicar pra vocês, no começo era pra ser uma fic sobre elas duas se apaixonando e descobrindo o amor e toda aquela coisa, mas já mudei todo o rumo da história, coloquei elas numa aventura e vamos ver no que é que dá, nada melhor que alguns monstros pra fazer o amor florir né gente hehe (:
Se tiver ficando muito chato ou cansativo me avisem pessoal, afinal, são vocês que mandam :3

– Preciso ir com Percy encontrar o raio.

Annabeth Pov.

Ai meus deuses dessa vez eu irritei Clarisse de verdade, será que depois de todo esse tempo eu finalmente passei dos limites? Será que eu acabei entrando em um caminho sem volta?

Em dois minutos e trinta e sete segundos a expressão de Clarisse já foi de: Confusão, negação, fúria e a pior de todas, decepção. Eu estava preparada pra qualquer coisa, menos decepção e silêncio, eu esperava que gritasse comigo, ficasse furiosa e saísse batendo pé, mas não esperava que ela ficasse quieta e me olhando como se eu a tivesse traído.

– Por quê? Porque você acha que tem que fazer isso? – Ela disse finalmente, ainda demonstrando indignação, eu estava pronta pra explicar tudo pra ela mesmo sabendo como ela é cabeça-dura, mas mesmo tendo todo um discurso preparado vê-la me olhando daquela forma me partia o coração.

– Eu vou explicar, por favor tente ouvir sem julgar. A profecia dizia que um filha de Atena deveria sair atrás do raio e que ela, somente ela poderia desvendar o caminho e salvar uma vida condenada e que um filho do deus dos mares marcaria essa jornada. Quando eu a ouvi a dois anos atrás eu não conseguia entender, mas agora tudo esta se encaixando, Percy é o filho de Poseidon, o raio de Zeus foi roubado. Esse é o meu destino e eu não posso fugir dele.

Esperei até ela poder absorver tudo aquilo, de certa forma eu falei o que devia falar, mas ainda assim não falei o que eu queria, o que eu queria dizer era pra ela não ficar brava comigo porque isso me deixaria devastada, ela não tinha idéia de quanto eu queria ficar ali com ela, sem monstros, sem missões suicidas, só nós duas, ainda mais agora que finalmente tínhamos descoberto que queríamos ficar juntas, agora que encontramos esse ponto aonde nossos sentimentos se completam, mas eu não podia ficar e talvez isso me custasse ela, porque os filhos de Ares não tinham fama de serem muito compreensivos, na verdade, era muito difícil convencê-los de alguma coisa.

A esse ponto eu já estava ficando nervosa, ela não falou nada, só ficou pensando e eu me perguntei se ela estava fazendo de propósito. Quando finalmente deu sinal de que estava ali, Clarisse pareceu menos irritada do que antes.

– Então, é só por isso que você quer ir? Por causa da profecia? Porque é o seu dever? – Ela ficou todo esse tempo pensando pra perguntar isso?

– Sim, você achou o quê? – Perguntei e vi a expressão dela endurecer novamente

– Só estou perguntando, espertinha...

Ok, como isso aconteceu? Pensei que ela fosse surta e ela parece aliviada de certa forma, como assim? Não que eu não tenha gostado dela voltar a me chamar desse jeito que só ela tem permissão, mas como assim?

– Então, está tudo bem? – Perguntei fazendo cara de desconfiada e ela me deu um meio sorriso que fez meu coração pular.

– Eu não quero que você vá, mas sei que não posso te pedir pra ficar. Eu não sei qual é a sua com o tal Jackson e saber que você vai com ele em uma missão me enlouquece, mas eu não posso interferir na sua vida assim. Eu não sei o que vai acontecer quando você estiver fora e também não sei o que vai acontecer quando você voltar, mas sei que podemos pensar em alguma coisa, afinal você é a garota mais inteligente que eu conheço então sabe que eu sou indispensável, insubstituível e impossível não amar.

Deuses, como ela conseguia fazer isso? Me ganhar assim?

Ela sorriu da própria fala e eu fiquei sem ar, sei que ela esperava uma resposta, mas eu não tinha uma. Quando ela terminou de falar eu a abracei, fechei meus olhos e a abracei porque tive tanto medo de perdê-la e agora sabia que não ia, ela podia não admitir, mas gostava de mim, não tanto quando eu dela, mas sei que gostava de mim. Ela envolveu seus braços na minha cintura enquanto os meus estavam repousados em seu pescoço, o cheiro dela, o calor do corpo dela colado no meu era hipnotizante, ela era mesmo insubstituível. Só distanciamos nosso abraço pra nos beijar, seus lábios estavam tão famintos dos meus eu pude sentir que ela me desejava e eu também a desejava como nunca antes. Passei minha por cima dela e sentei em seu colo sem parar de beijá-la e ela passava suas mãos pelas minhas costas por dentro da minha blusa e já começava a tirá-la quando escutamos vozes do lado de fora do chalé, droga! Ficamos em silêncio, mas ainda na mesma posição.

– Eu não acho que seja uma boa idéia.

– Vamos, precisamos contar a ela o que descobrimos.

– Mas ela está “ocupada” Percy

– Ela pode ficar “ocupada” depois.

(Batidas na porta)

– Annabeth? – Escutamos a voz de Percy chamando e eu fiz uma careta quando vi a expressão de Clarisse.

– Eu vou matá-lo, tipo, eu vou mesmo matá-lo agora. – Clarisse falou tentando parecer irritada, mas na verdade ela estava adorável erguendo uma sobrancelha e sussurrando pertinho de mim. – Ainda bem que eu trouxe a minha lança. E tem outra coisa espertinha eu não vou pular a janela.

– Já estou indo! – Gritei me levantando com dificuldade já que Clarisse não queria me soltar. – Não precisa pular a janela, pode ficar bem ai me esperando. – Falei piscando pra ela e ela sorriu pra mim, eu não precisava de mais nada.

– O que você quer Jackson? – Tentei parecer séria, mas foi impossível quando vi a cara que ele e Grover faziam pra mim. – Porque estão me olhando assim?

– Quem está ai? – Perguntou Grover segurando um risinho.

– Ninguém. – Respondi ainda séria.

– Tem certeza? Porque você não esta na floresta então? – Percy insistiu fazendo cara de sacana.

– Não é da sua conta Jackson. – Falei, mas não consegui segurar um sorriso. – Ok, ela esta aqui. – Não aguentei segurar e eles desabaram de rir. – E vocês estão atrapalhando.

– Desculpe, não interromperíamos se não fosse importante, você já falou com ela sobre a missão? – Perguntou Percy, dessa vez com tom sério

– Sim, parece que vai ficar tudo bem.

– Ótimo, porque acabou de ficar mais complicado.

– O que você quer dizer com isso?

– Acabamos de descobrir que o tridente de Poseidon e o Elmo de Hades também foram roubados, ou seja, vai ser mais difícil do que pensamos. – Percy falou meio que prendendo a respiração e eu senti que o ar ficou realmente pesado

– O que você quer dizer com ‘mais difícil’? – Perguntei já sabendo a resposta.

– Ele quer dizer que as chances de vocês sobreviverem a isso é de quase nada. É suicídio. – Clarisse apareceu atrás de mim e tinha um olhar furioso para Percy. – Vocês vão morrer se forem.

Grover gemeu baixinho e Percy estufou o peito como quem não quer mostrar medo, eu por outro lado não me deixei afetar pelo comentário dela, sabia muito bem no que estava me metendo e a poucos minutos ela não parecia tão cética.

– Quê? Perdeu a fé em mim de repente? – Perguntei tentando fazê-la voltar a como estava antes.

– Nunca tive fé nessa missão Annie, mas antes eu tinha esperança de que você ao menos voltasse viva. – Ela falou ficando do meu lado e me olhando nos olhos. – Esse garoto não tem nenhum treinamento de batalha e Underwood ainda é um ‘junior’ e vocês querem sair por ai enquanto os três maiores deuses que existem tentam matá-los. Eu disse que não interferiria na sua vida e não vou, mas não vou esperar por um fantasma, sinto muito.

Ela se afastou esbarrando em Percy e foi caminhando em direção ao seu chalé enquanto eu ainda captava o que ela havia falado então percebi que eu a estava perdendo. Eu sairia em uma missão suicida com Percy e Grover e provavelmente não voltaria viva, você deve pensar que é nesse momento que eu precisaria de apoio, certo? Mas eu não pensava assim, eu a entendia. O que aconteceria se ela esperasse por mim e só recebesse a noticia de que eu não voltaria mais? Eu com certeza não suportaria uma noticia dessas, ela estava tentando se proteger porque sabia que sofreria mais a minha perda se estivesse esperanças que eu voltasse pra ela, nesse momento minha mente brilhante entrou em ação, eu voltaria sim, voltaria por ela porque naquele momento eu percebi: Clarisse La Ru me amava.

– Hey... – Gritei indo em direção a ela que já estava na porta do chalé 5, nesse momento vários semideuses começaram a sair a aparecer da floresta, alguns comemorando, outros cabisbaixos e a maioria com ferimentos. – Eu não vou morrer. – Disse quando cheguei perto dela, ela parou e me olhou com as sobrancelhas franzidas, típico. – Eu prometo que não vou morrer, mas não faça isso, não haja como se não fizesse diferença pra você. – Fiquei bem na frente dela invadindo seu espaço pessoal, já não me importava se estivéssemos cercadas de semideuses. — Você sabe que eu sou indispensável, insubstituível e impossível não amar. – Tentei, mas ela não riu, na verdade estava ficando cada vez mais séria e todos que passavam por nós lançavam olhares desconfiados, imagino que pensavam que estávamos discutindo mais uma vez, idiotas, mal sabiam que estávamos discutindo era o relacionamento.

– Você não vai voltar... –Ela começou a dizer, mas eu a interrompi me aproximei mais ainda dela e entrelacei meus dedos nos dela, um grupo que estava perto parou pra olhar. – Annabeth, o que esta fazendo?

– Não me importa que olhem, não mais. Acredite em mim Clarisse, se você tiver fé em mim eu irei voltar, eu preciso que acredite em mim. – Disse olhando ela nos olhos e pude ver que ela hesitava, estava cedendo a mim, pela primeira vez era eu quem conduzia a conversa e era ela quem tentava controlar o que dizia.

Enganada estava eu em achar que ela cederia, por um momento eu cheguei até a me esquecer que estava falando com uma filha de Ares, ela soltou a minha mão o que fez meu coração dar um salto e deu um passo pra trás, tinha um olhar rígido, na verdade eu sabia bem que aquela era uma mascara pra tentar esconder o que realmente estava sentindo. Precisei engolir um nó que apareceu na minha garganta, ela estava se afastando novamente, sendo aquela garota novamente.

– Sinto muito. – Foi tudo o que ela disse antes de virar as costas e entrar no chalé me deixando ali, com o coração quebrado.

#

Estávamos na casa grande em volta da mesa de tênis onde o conselho se reunia, todos do conselho estavam lá inclusive Percy que era o novo conselheiro-chefe do chalé de Poseidon já que ela era o único lá e Clarisse que comandava o chalé de Ares, ela parecia no mundo da lua enquanto Quiron falava de assuntos aleatórios, primeiro tinha um problema com um autômato descontrolado criado pelo chalé de Hefesto e que estava desaparecido na floresta, depois tinha o problema com os cavalos raivosos que Percy se responsabilizou em ajudar, de alguma forma ele conseguia falar com eles. Até foi aberto uma discussão sobre um tal ladrão de uvas e o Sr D. fez questão de ficar em pé para enfatizar a importância de pegarem aquele ladrão, Clarisse não estava acompanhando, geralmente nas reuniões ela é a que mais se envolve, discute com Travis Stoll, faz piadas sarcásticas e sempre promete ao Sr D pegar o ladrão de uvas, mas hoje ela não está. Ela só acordou quando Quíron começou a falar sobre a missão de Percy, ela serrou os olhos como faz de costume quando algo não a agrada e eu acho tão adorável que também parei de prestar atenção, estava com raiva dela, mas fazer o que?

– Vamos montar um grupo para levá-lo em segurança ao Olimpo, lá você poderá pedir uma audiência com Zeus e explicar-lhe que não é o ladrão de raios se tiver sorte ele não te matará. – Quíron falou coçando a barba de maneira preocupada, todos se agitaram inclusive Percy que ficou tenso com a possibilidade de encarar a morte diante do Rei dos deuses, mas concordou com a cabeça.

– Então mandaremos um grupo de três, é o numero de semideuses em uma missão, imagino que Annabeth deverá ser um deles. – Quíron continuou e eu já sabia que ele diria isso.

– Então já temos o grupo, eu, Annabeth e Grover. – Percy falou e Grover engoliu um seco, acredito que ele tenha se acovardado um pouco depois das palavras amigáveis de Clarisse.

– Sim, claro que o Sr Underwood será enviado a essa missão, afinal ele é seu protetor, mas ele é um sátiro e não um semideus. – Todos se olharam confusos, Clarisse já tinha saído de órbita outra vez não parecia mais tão irritada com o olhar perdido em alguns ponto da parede e mais uma vez eu me pego a encarando.

– Então mais um semideus será escolhido para lhe ajudar – Todos ficaram atentos a essa nova informação.

– Isso é mesmo necessário? – Perguntou Percy meio desconfiado.

– Qualquer ajuda será bem vinda. – Falei desviando meus olhos de Clarisse.

O Sr D. se levantou e parecia recém chegado na conversa.

– Eu pessoalmente fiz questão de selecionar o nosso melhor herói para lhes ajudar Srta Annie Bell.

– Annabeth.

– Tanto faz, tenho certeza de que sozinhos vocês não sobreviveriam a um dia no lado de fora da barreira, eu mandaria um de meus próprios filhos talentosíssimos, porém eles são mais uteis para mim vivos. – Dizia ele casualmente, como quem fala de um assunto sem importância.

– E quem você acha que é tão bom assim que é capaz de nos ajudar a sobreviver? Perguntei com o coração quase saindo pela boa e tive certeza de que minha voz falhou, porque todos no acampamento sabiam quem era o queridinho do Sr D.

– Ora, quem? A única pessoa capaz de voltar viva é claro, nossa melhor guerreira, a filha do deus da guerra, Clarisse.

– O QUE? – Gritaram todos juntos.

– NÃO!! – Gritaram Clarisse e Percy juntos.

– Ainn!! – Gemeu Grover.

– Isso está totalmente fora de cogitação. – Clarisse falou com cara de quem levou um soco no estômago.

– Acho que Clarisse tem mais medo dessa missão do que nós três. – Percy a provocou e ela ficou em pé, foi nessa hora que eu vi que estávamos ferrados.

– O que você disse cara-de-peixe? – Clarisse estava furiosa e precisei ficar no meio dos dois, se começassem a brigar antes de sairmos do acampamento não teríamos a menos chance.

– Eu acho uma ótima idéia. – Falei fazendo com que todos olhassem pra mim confusos.

– Então está decidido, na verdade já estava decidido antes, mas agora está mais decidido do que estava. – Sr D falou já saindo do salão com sua coca diet.

Os outros começaram a sair também, meio desconfiados olhando uma ultima vez pra ter certeza de que não perderiam uma briga. Percy precisou acalmar Grover que estava bastante tenso e fez sinal perguntando se queria que ele saísse e fiz que sim com a cabeça. Quando estávamos a sós Clarisse se sentou e mais uma vez fixou seu olhar no nada.

– Isso muda tudo. – Ela falou, mas sem olhar pra mim, como se falasse consigo mesma. Lembrei-me da forma como ela olhou pra mim mais cedo, de como havia me rejeitado de certa forma. Depois que sai da frente do chalé dela fui até a estatua de minha mãe o lugar onde demos nosso primeiro beijo e não consegui segurar as minhas lágrimas. Clarisse era dura e gostava quando as coisas eram sempre do jeito dela, sua opinião era sempre mais importante que a dos outros e quando isso não funcionava usava a força, mas a verdade mesmo ela era uma guria mimada que estava acostumada com pessoas que faziam tudo o que ela queria por medo dela.

Nos momentos em que estávamos juntas ela parecia outra pessoa, parecia doce e calma, mas eu sabia que ela seria assim só no começo e que depois acabaria mostrando quem ela era de verdade e mesmo sabendo disso eu precisava lutar contra uma força muito grande dentro de mim que me dizia pra abraçá-la e ficar perto dela, até ela me afastar novamente e colocar aquela mascara de filha da guerra, não ela nunca mudaria.

– Não Clarisse, isso não muda nada, você ainda é a garota que não tem fé em mim.

Notas finais
Por mais que eu durma eu não descanso
Por mais que eu corra eu não te alcanço
Mas não tem jeito eu não sei como esperar
Desesperar também não vou
Não vou deixar você passar
Como água escorrendo nos dedos
Fluindo pra outro lugar (8)