Hot Like Ice, Cold Like Fire.

7 Ela Me Faz Perder A Cabeça.


Notas iniciais
Literalmente.

As coisas já começaram a dar erradas assim que Quiron virou as costas. Estávamos no ponto de ônibus e precisávamos contar a Clarisse que na verdade, não estávamos indo ao Olimpo. Percy sabia que eu estava preferindo manter meus olhos longe dela então ele mesmo contou.

- Você só pode estar de brincadeira comigo, Persiana.

Ela ficou extremamente irritada, a discussão dos dois durou mais de meia hora. Não tínhamos como saber que o Sr. D faria Clarisse vir conosco e de qualquer forma ela não poderia simplesmente se negar a vir, então decidimos esperar até que estivéssemos longe o suficiente de Argos pra contar caso ela decidisse nos entregar, a esse ponto eu não duvido que ela seria capaz de fazer isso.

Estava começando a chover, o céu estava carregado igualmente o clima entre todos nós.

- A minha missão é levá-los até o Olimpo e não ao Hades, vocês estão completamente loucos se estão achando que ele vai simplesmente nos receber de braços abertos, isso se não morrermos até no caminho. E como assim Quiron esta de acordo? Como ele pode ter concordado com uma coisa dessas? E por que você, moleque, acha que eu vou ajudá-lo a salvar sua mamãezinha?

Ah! Aquilo parecia não ter fim, eu tentei me concentrar no ponto em que a estrada fazia uma curva rezando aos deuses que o maldito ônibus chegasse logo enquanto Percy contava até dez e tentava explicar tudo a Clarisse que parecia empenhada a estragar tudo.

- Isso não vai dar certo.

Cética.

- Vamos todos morrer.

Covarde.

- Uma guerra entre os deuses destruiria tudo.

Pessimista.

- Caramba, não podemos deixar isso acontecer.

Sarcástica?

- Temos que recuperar o raio, o tridente e o elmo. Temos que salvar o traseiro dos deuses.

Clarisse.

Graças aos deuses o ônibus chegou.

Sentamos na parte de trás do ônibus, o clima ainda estava estranho e Grover não ajudou agindo todo desconfiado, a chuva começou a cair mais forte e eu comecei a ficar nervosa. Sentei ao lado de Percy e Clarisse ao lado de Grover que parecia bastante desconfortável.

Desde que saímos do acampamento eu e ela não trocamos nem uma palavra, se eu queria que ela se desculpasse? Sim, eu queria, mas a quem eu estou tentando enganar? Uma filha orgulhosa de Ares não faria isso, só o que ela tem feito é me ignorar e se afastar e a cada segundo dessa luta interna que travamos é uma faca afiada que eu tenho que engolir, queria que Clarisse não tivesse vindo nessa missão porque assim não doeria tanto. Agora ela esta bem ali do outro lado e provavelmente já não pensa mais em mim.

Um barulho de explosão na traseira do ônibus me arrancou de meus pensamentos, Grover não estava mais sentado estava em pé gritando “vamos, vamos, temos que ir agora” Me levantei apresada sem entender e então outro barulho de explosão me fez pensar que seria melhor obedecer o sátiro só dessa vez.

Saímos do ônibus junto dos outros passageiros, deixando nossas bolsas e tudo que tínhamos pra trás, em tempo de ver as Fúrias tentando virar o ônibus de ponta-cabeça.

- Por aqui! – Gritou Grover e nós o seguimos floresta a dentro.

- Essa foi por pouco. – Falou Percy, estava muito branco e com certeza assustado, mas tentava se mostrar corajoso. Tinha essa coisa sobre o Percy, ele sempre tentava passar coragem e isso era admirável porque se todos perdessem o controle eu sei que ele seria aquele cara que nos colocaria de volta no combate.

- Temos que continuar andando, ainda podem sentir nosso cheiro. – Grover ao contrario de Percy era aquele cara que não se importava de mostrar seu medo, ele gemia e tropeçava.

Depois de quase uma hora andando na chuva meus pés estavam doloridos e eu estava encharcada, o céu estava escuro e não havia nenhum sinal das Fúrias e nem da estrada, minha barriga roncava e meus olhos estavam pesados e o pior, estava congelando. Nunca gostei de frio e por isso acho que ele me afetava a mais que os outros, mas queria que não percebessem que eu estava tremendo, com certeza já era tarde, Clarisse surgiu ao meu lado me estendendo a sua jaqueta camuflada.

Eu a encarei sem saber o que dizer, não esperava dela esse tipo de atitude, mas mesmo assim ali estava ela no meio da floresta de baixo da chuva tirando sua jaqueta e me dando. Ela provavelmente percebeu a minha hesitação e mais uma vez ela me surpreendeu por que ao invés de falar alguma coisa idiota ela se aproximou de frente pra mim e colocou a jaqueta nas minhas costas e depois se afastou ainda sem falar nada.

Percy começou a andar mais depressa e então percebi que ele havia visto alguma coisa, eu já me sentia bem melhor com a jaqueta da Clarisse porque além de ter me esquentado também trazia o cheiro dela o que me fazia ter vontade de chorar na verdade, então não sei bem se me fazia bem ou mal, é nós temos essa coisa de fazer bem e fazer mal, fazer bem e fazer mal de novo, é assim que o amor deveria ser?

Quando alcancei Percy pude ver o que ele tinha encontrado, a estrada e do outro lado tinha uma dessas estranhas lojas de curiosidades de beira de estrada, que vendem flamingos de jardim, índios de madeira, ursos-pardos de cimento e coisas do gênero.

- Empório de Anões de Jardim da Tia Eme. – Disse Grover se empolgando. – Eles devem ter comida.

E pelo cheiro Grover podia estar certo, estávamos todos com fome e as luzes estavam acessas então nos aproximamos, o jardim da frente era bizarro e assustador, varias criaturas feitas de cimento, esse artista deveria ser muito bom porque as estatuas eram muito reais tinha animais de cimento, crianças de cimento, até um sátiro de cimento tocando as flautas, o que deixou Grover arrepiado.

- Béééé! – baliu ele se sacudindo. – Sinto cheiro de monstros, vamos embora.

- Se formos agora pode demorar horas até encontrarmos outro lugar pra comer, e do jeito que eu já estou não me importaria em comer carne de bode. – Rosnava Clarisse tentando parecer mais assustadora do que na verdade era.

Por voto da maioria entramos. Se o lugar já era sinistro por fora, imagine por dentro. Varias outras criaturas de cimento, humanos e seres mitológicos todos em tamanho natural. Todo o lugar parecia que não via uma limpeza a muito tempo e com certeza não encontraríamos comida por ali, mas de onde vinha esse cheiro então? Percy e Grover foram na frente com espada e muletas em mãos.

- Esse lugar parece abandonado, o que você acha? — Clarisse falou e eu olhei pra ela ainda meio desconfiada, sabia que teríamos que nos comunicar alguma hora.

- Acho... Que não deveríamos estar aqui.

Foi só eu terminar de falar e um barulho vindo de onde Grover e Percy tinham entrado chamou nossa atenção, corremos pra lá mas não encontramos ninguém.

- Ótimo, ainda nem saímos do estado e já perdemos o bonitinho. – Clarisse revirou os olhos e tirou a lança presa em suas costas, aquela coisa me assustava.

- Clarisse...? – De repente, as coisas começaram a clarear na minha mente, Grover tinha sentido cheiro de monstro, esse lugar parecia abandonado, tinha estatuas de criaturas mitológicas que mortais não poderiam conhecer, que lugar era aquele? – Precisamos achá-los e sair daqui.

- Agora que você sacou isso espertinha? – Ela olhou pra mim fazendo gesto com as mãos pra que eu a seguisse.

- Se você já tinha percebido porque não falou nada? – Retruquei, tentando prestar atenção a todos os detalhes do local pra saber onde estávamos exatamente.

- Ah eu não queria tomar o seu lugar de gênio. – Ela disse a ultima palavra com certo desprezo na voz.

- Até porque pra isso você teria que ter pelo menos passado pelo ensino fundamental. – Não estava mais prestando tanta atenção assim, Clarisse estava me irritando novamente.

- Sério? Em que escola você fez? “Colégio para princesas metidas e intrometidas”?

- Cale a boca!

- Cala a boca você!

- Não, Clarisse é sério, abaixe e cale a boca!

Tentei me esconder e puxar Clarisse, mas ela era tão teimosa que quase nos fez sermos pegas, bem na nossa frente de costas uma mulher alta mexia em alguma coisa em um balcão de cimento. Apontei-a pra Clarisse que finalmente se calou, nos escondemos e pudemos ver melhor a mulher estranha. Ela parecia estar de luto a muito tempo pois usava uma roupa preta que cobria suas pernas, seus braços e deixava a mostra somente as mãos que pareciam muito velhas, porém bem cuidadas, sua cabeça estava coberta por um véu muito macabro e usava uns óculos pretos sinistros, das duas uma, ou aquela mulher era um monstro ou tínhamos acabado de entrar em um filme de terror e as duas opções não são boas pra mim.

Ficamos abaixadas atrás de umas tralhas que estavam cheias e teias de aranha, me arrepiei ao pensar na idéia de terem aranhas ali perto. De repente eu não estava mais tão corajosa, mas precisava manter a cabeça no lugar.

- Annabeth? – Clarisse sussurrou pero de mim, estávamos tão próximas que eu podia sentir sua respiração quente. – Acho que achei seus amiguinhos. – Ela disse com a voz meio penosa, meio arrastada e quando olhei novamente entendi o porquê, Percy e Grover estavam sentados de frente para a mulher de preto e se empanturravam com sanduiches e Milk-shakes. Percy parecia cada vez mais sonolento e conversava com a mulher sem se dar conta de como Grover estava nervoso, ele certamente também já tinha sacado o mesmo que eu.

- Precisamos distraí-la – Disse tentando pensar em uma maneira de tirar Percy de lá.

- Eu já sei, vou criar uma distração e você avisa os dois, saiam daqui depressa e eu encontro vocês. – Ela falou já se levantando, mas eu a segurei pelo braço.

- Não olhe pra ela, em hipótese alguma. – Falei de forma dura tentando fazê-la me entender, mas acho que ela ainda não havia sacado.

- Relaxa! Não é esse tipo de distração que eu tenho em mente, e outra, ela é meio velha. – Ela falou com um sorriso sarcástico no rosto que se desfez quando ela viu a minha expressão que devia estar dizendo tipo ‘qual é o seu problema?’

- Estamos no covil da Medusa. – Falei devagar, como quem fala com uma criança ou com um retardado.

- Oh! Okay, certo. Claro que estamos. – Ela se levantou meio dura. – Vamos matá-la então.

- O quê? Você esta maluca? – Eu também me levantei, mas a tempo de me lembrar onde estava e me abaixar novamente. – Ela é quem vai nos matar, pior, vai nos transformar em pedra.

- Olha o que ela fez com todas essas pessoas, precisamos detê-la. – Clarisse falava e não mais sussurrava, estava em pé sem se importar se a qualquer momento a ‘tia Eme’ pudesse se virar e vê-la.

- Porque você se importa?

- Porque você não? – Ela disse e se afastou, fiquei estática por um momento, Clarisse tinha toda a razão do mundo e eu estava sendo egoísta mais uma vez. Respirei fundo e me preparei pra luta.

Em poucos segundos escutei um barulho de coisas sendo quebrada, Clarisse devia estar quebrando tudo, essa era, afinal, sua especialidade. Tia Eme se assustou com o barulho que teve a resposta esperada, fez ela se afastar dos meninos. Na mesma hora eu corri até eles, Percy estava mais lerdo do que o comum e Grover arregalou os olhos quando me viu, certamente estava com uma cara assustada.

- Vamos, Percy, precisamos ajudar Clarisse.

- O que está acontecendo?

- Tia Eme... Tia ‘M’... Medusa!!!

Aquela frase com certeza o acordou, Percy jogou todos os sanduiches longe fazendo uma careta que eu acharia engraçada se não estivesse pensando na possibilidade de Clarisse estar virando pedra agora mesmo, ouvimos mais barulhos de cimento quebrando e fomos na direção do barulho. A cena que eu vi a seguir teria me paralisado se eu fosse uma mortal comum, Clarisse estava caída no chão, sua lança tinha sido arremessada longe, sua perna estava presa em uma das estatuas e tia Eme estava em pé bem na frente dela falando com sua voz hipnotizadora para que Clarisse olhasse pra ela, a sua voz era tão forte que tive que segurar a vontade de ir lá olhar, mas como vocês já sabem eu não sou uma mortal, sou uma semideusa, filha da deusa da sabedoria e é em momentos de pressão que minha mente funciona como nenhuma outra.

E então tudo aconteceu muito rápido, eu corri atrás de algo que pudesse derrubar a Medusa e o que eu encontrei me agradou e muito: Uma caminhonete.

Ao mesmo tempo vi Percy correr e segurar um globo de vidro, nessa hora percebi que ele não era tão lerdo assim, se olhasse pra Medusa através do reflexo ele não viraria pedra, Grover correi pro outro lado e começou a gritar pra que Clarisse não olhasse, ela pareceu ficar mais firme quando percebeu que estávamos lá.

- Filha da guerra, vai virar uma bela peça na minha coleção.

- Desculpe, mas cinza não é a minha cor.

Acelerei com tudo rezando aos deuses para que não me deixassem acertar Clarisse.

- CLARISSE, CORRA!!!

Escutei Grover gritar antes de sentir um baque e acertar em alguma coisa, confesso, eu não estava olhando onde estava indo.

No instante em que abri o olho só o que vi foi Percy correndo na direção de alguma coisa caída na frente da caminhonete de espada em punho, tive poucos minutos pra me levantar e vê-lo decepar a cabeça da tia Eme.

Lembrem-me de agradecê-lo mais tarde.

Sai correndo da caminhonete, Percy estava meio estático segurando a espada com força olhando pra cabeça decepada da Medusa no chão, Grover e Clarisse apareceram do outro lado, ele tremia igual vara verde e ela tinha um olhar vitorioso e um corte no lábio inferior que certamente deixaria uma cicatriz muito sexy.

Ela veio na minha direção.

- Você podia ter me matado, espertinha. – Ela falou, mas não estava com raiva, na verdade tinha um meio sorriso.

- Que bom que eu não matei, então. – Falei e ela veio em minha direção e me abraçou, ignorando totalmente os garotos e a tia Eme sem cabeça no chão eu a abracei também, apertado. – Mas mato a próxima vez que me chamar de princesa.

Percy e Grover se entreolharam segurando risadinhas.

- Vamos levar a cabeça.

- E a caminhonete.

Notas finais
Sério, gente eu adoro os comentários de vocês ♥
O que estão achando dessa minha versão da história? É diferente do livro, mas tem algumas referencias.
Discussãozinha nesse capitulo, virão? O que acharam?
Devo focar mais nas duas ou deixar a história fluir?

Bjss sz'