Hot Like Ice, Cold Like Fire.
13 A Filha Da Guerra.
Notas iniciais
Pov’s Clarisse
Eu não sei se a pior parte foram as aranhas mecânicas malditas atacando Annabeth, a inundação de água levando tudo consigo inclusive nós ou Percy controlando as águas nos impedindo de morrer afogados e nos jogando em uma queda livre para a morte, provavelmente foi essa a pior parte.
Quando coloquei os pés no chão e percebi que ainda tinha todos os membros agradeci a Ares, mas ai me lembrei que foi ele quem nos mandou ali e que agora todo o Olimpo nos achava um bando de idiotas, essa missão agora era uma questão de honra, era vencer ou morrer.
Annabeth ainda se recuperava do susto com as aranhas, ela estava ofegante, mas assim que se recuperou correu e me abraçou, tive que me equilibrar pra não cairmos eu a apertei forte garantindo que já estava tudo bem. A verdade era que toda a coisa havia sido um vulto pra mim, eu me lembro de beijá-la no aquário vazio, me lembro de encontrar Percy e Grover dentro de uma piscina gigantesca onde estava o escudo de Ares e me lembro das aranhas de Hefesto invadindo o lugar, então tudo ficou vermelho e depois me lembro de estar parada com a lança soltando faíscas na minha mão, de olhar todas as aranhas destruídas e Annabeth correndo na minha direção.
– Isso foi uma loucura, cara! – Exclamou Grover se curvando com as mãos nos joelhos... Bem, eu acho, não sei se sátiros possuem joelhos.
– Temos que levar logo isso pra Ares, estamos ficando sem tempo. – Falou Percy erguendo o escudo. Só pensar em Ares naquele momento já me deixava enjoada, na verdade eu estava enjoada mesmo e não sabia por que, sentia minha cabeça doer e a lança presa nas minhas costas parecia vibrar, eu estava com raiva e não tinha ninguém pra culpar.
Começamos a andar de volta em direção ao bar onde tínhamos marcado com Ares, eu queria tanto beber alguma coisa, aquela sensação de estar sendo vigiada me perturbava e Grover não ajudava olhando pra trás a cada 10 segundo me encarando. Enquanto andávamos apressados eu ficava tentando me lembrar do que tinha acontecido, só o que eu conseguia ver era vermelho, tudo vermelho. Acabei aceitando que talvez fosse Percy quem tivesse causado aquela inundação e matado as aranhas com a água e me atingido na cabeça forte com alguma coisa, isso explicaria Annabeth correndo na minha direção e explicaria todas aquelas aranhas destruídas, nenhum de nós teria conseguido lutar contra todas elas no corpo a corpo, eram milhares. Grover cochichou alguma coisa no ouvido de Percy e os dois olharam pra trás. Annabeth parecia não estar vendo aquilo. Apertei a mão dela.
– O que esta acontecendo? Porque eles ficam me olhando desse jeito? – Perguntei ainda apertando a mão de Annabeth, senti uma coisa esquisita, parecia que ela estava mais baixa.
– Ah! Você sabe, eles só estão nervosos. – Disse ela de maneira nada confiante.
– Nervosos com o que? E o que eu tenho a ver com isso? – Definitivamente Annabeth estava mais baixa, mas isso não era possível, era?
– Eu sei, não tem nada a ver, mas você tem que entender que nos assustou um pouco, quer dizer nem parecia você mesma lá. – Me virei para encará-la, já estávamos quase chegando e eu sei que estávamos com presa, mas parecia que eu tinha dormido em um mundo e acordado em outro, tudo parecia diferente.
– Do que você esta falando? – Annabeth franziu as sobrancelhas, confusa.
– Clarisse? – Annabeth soltou minha mão me deixando ainda mais desconfortável, os garotos também pararam de andar e agora todos olhavam pra mim. – Você não se lembra?
Balancei minha cabeça negativamente e eles se entreolharam confusos, com certeza não mais confusos do que eu estava.
– Você não se lembra do que fez quando as aranhas me atacaram? – Annabeth falou devagar, tentando mostrar calma, como se falasse com uma criança. A essa altura eu estava mais assustada do que confusa.
– Não e não tenho certeza de que quero saber.
– Esta tudo bem... Olha eu...
– Não, não esta tudo bem, eu não me lembro do que aconteceu e não sei o que esta acontecendo agora. – A interrompi quase gritando, sentia tanta raiva, raiva por não me lembrar, raiva por aqueles moleques idiotas estarem me olhando, raiva de meu pai.
Uma gargalhada seca soou atrás de mim e eu me virei de uma vez, então percebi que estava com os punhos cerrados, o que estava acontecendo comigo, tinha gritado com Annabeth e me arrependido no segundo seguinte, mas essa era uma daquelas coisas que você não podia voltar atrás e corrigir.
– Do que você esta rindo? – Perguntei friamente, não tinha mais medo dele. – Pegue seu escudo e nos diga como chegar ao Hades antes do amanhecer.
– Você parece mais alta. – Disse ele passando por mim quase como se eu não estivesse ali. – Você ao contrario parece menos corajoso. – Disse se dirigindo a Percy e pegando o escudo de sua mão. – Porque parecem bravos? Vocês pegaram o escudo, cumpriram uma missão e todo o Olimpo pode assistir de camarote, devia me agradecer.
– Quase fomos mortos. – Percy o olhava com desprezo, eu poderia dizer que meu pai era o deus que Percy menos gostava e estava quase se tornando o meu também.
– Mas sobreviveram, não é mesmo? Então não seja tão ridículo, aceite a vida moleque, aceite suas vitórias antes que as derrotas cheguem a você. – A cada palavra que Ares pronunciava eu me sentia mais nervosa, minha cabeça explodia como se ele falasse dentro dela.
– Nós vamos conseguir. – Murmurou Percy cerrando os dentes. – Ou vamos morres no caminho eu não me importo, mas não vamos ser derrotados por deuses prepotentes como você.
– Isso, semideus, descobriremos adiante. – Ares tirou um dracma do bolso da jaqueta, jogou pra cima e assobiou. Em menos de um segundo um taxi estava parado na nossa frente, era velho e cheio de marcas de arranhões e batidas, parecia super seguro. Ao volante três senhoras idênticas, com roupas velhas e desgastadas, se eu as encontrasse na rua teria lhes dado uma moeda, quando olharam na nossa direção Grover soltou um gritinho, elas não tinha olhos, mais uma vez eu repito super seguro, todos os quatro olhamos para Ares que tinha um sorriso satisfeito no rosto, me deu vontade de socá-lo. – E aproveitem o meu presente, vai ajudá-los a enfrentar qualquer inimigo.
– Uma taxi? Um taxi dirigido por velhas cegas vai nos ajudar a enfrentar inimigos? – Annabeth falou com a voz arrastada, só agora percebi que ela parecia exausta, todos nós deveríamos estar, mas eu estava em chamas, poderia correr uma maratona se quisesse.
– Não minha querida nora filha de Atena não muito inteligente. – Annabeth revirou os olhos pra ele. – O taxi vai levá-los a entrada do Hades, como prometido em troca do que fizeram por mim, pelos deuses como um taxi poderia matar monstros? – Ele falava com ela como se ela fosse o ser mais ignorante do mundo, precisei levar a mão a cabeça que latejava e eu sentia que era a presença do deus que estava causando isso. – Não, não. Ela é quem vai. – Ele apontou pra mim como se eu fosse uma arma acionada quando apontada. – Graças a minha benção.
Ares devia adorar fazer uma cena, após falar todas aquelas coisas sem sentido ele fez sua motocicleta se materializar atrás dele, subiu nela com o escudo pendurado e desapareceu no horizonte, eu ainda fiquei observando por alguns segundos com medo do que veria quando olhasse de volta pros outros semideuses. Eu estava certa em não querer olhar. Annabeth estava com a boca aberta, Grover tinha se afastando uns dois metros e Percy, bom, Percy parecia tão confuso quanto eu.
– Vocês não vão subir queridos? O sol já esta nascendo, o tempo esta se esgotando. – Disseram as três senhoras dentro do taxi, como num choque de realidade todos nos esprememos no ando traseiro sem olhar uns pros outros, aquele poderia até ser um transporte rápido, mas algo me dizia que aquela seria uma longa viagem.
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