Notas iniciais
Oi meninas, olha aqui mais um cap de Hot. Esta emocionante.
A minha Beta esta sem pc nessa semana por isso me desculpem pelos erros.
Bjs e boa leitura.

POV Edward

Embora minha decisão estivesse firme eu não fazia a mínima ideia de como coloca-la em pratica. Ou melhor, eu não fazia ideia do que fazer primeiro. Eram tantas coisas para fazer. Me divorciar, conversar com minha família, resolver os assuntos no escritório com os sócios de Tóquio..... e o principal, eu precisava conversar de novo com Bela.

Uma conversa calma e coerente de preferencia. A última deve ter deixado ela completamente confusa.

Já faziam 2 dias desde que eu tinha falado com ela na boate e eu ainda não tinha tomado nenhuma decisão. Ou melhor, não tinha colocado nada em pratica do que eu tinha decidido.

Eu até que tentei falar com Tânia umas duas vezes, mas a mesma se negava a trocar uma única palavra comigo, ela estava me dando algum tipo de castigo por eu ter arrastado ela para fora logo depois que falei com Bela. Eu não tinha mais nada a fazer naquele lugar e de jeito algum eu iria ficar vendo a mulher que eu amo dando um show ao dançar com outro cara.

Tânia não aceitou que eu a tirei de lá sem me importar com as lamurias dela sobre ela querer ficar ou ter combinado com algumas amigas lá. Desde então ela se recusa a falar comigo uma palavra que seja.

Estava em meu escritório perdido em pensamentos e então decidi que já chega de pensar, esta na hora de agir.

Me levantei pegando minhas chaves e tranquei tudo partindo para a casa dos meus pais.

Só espero que lá eu encontre algum apoio para o que vou fazer. Mas mesmo que todos sejam contra eu não vou mudar de ideia. Vou lutar por ela.

Fiz todo o caminho até a casa dos meus pais perdido em pensamentos então quando me dei conta já entrava na garagem deles e estacionava o carro. Respirei fundo e tomei coragem para contar tudo a eles. Ou quase tudo.

- Edward? Você aqui essa hora?

- Bom dia mãe. Será que podemos conversar?

- Claro filho, entre.

Passei pela porta e logo me vi nervoso.

- Papai ainda esta em casa?

- Estou aqui Edward. _ disse meu pai já vestido para ir para o hospital em suas roupas brancas habituais.

- Está de saída pai? _ perguntei dividido entre ansioso e aflito.

- Acho que posso dispor de uns minutos, imagino que seja muito sério o que te fez sair do escritório as 10 da manhã.

- Sim, é muito pai.

- Então sente-se e nos conte, sua mãe e eu estamos ouvindo. _ disse ele ao se sentar ao lado de minha mãe.

Tomei uma grande lufada de ar e comecei pela parte mais difícil.

- Ok. Bom, pra começar...... vou pedir o divórcio a Tânia.

- Aleluia. _ disseram meu pai e minha mãe ao mesmo tempo.

{...}

Depois de explicar tudo a eles, de como descobri que eu não sei quem sou nesse momento da minha vida, de como descobri que não tenho motivos para me prender ao meu casamento com Tânia e de como me apaixonei perdidamente por uma mulher que acaba de aparecer em minha vida posso dizer que meus pais reagiram muito melhor do que eu poderia supor.

- Mas tem certeza do que vai fazer meu filho?

- Pensei que tivesse gostado da ideia mãe?

- E gostei. Mas quero saber se tem certeza. Se não vai acabar voltando atrás quando Tânia vier com aqueles chiliques dela.

- Não. Eu já tomei minha decisão. Com Tânia eu não quero mais nada, acho que nem amizade eu posso dizer que quero manter com ela.

- Bem, espero que tenha razão. Sabe que não vai ser fácil, nem com ela e muito menos com a família dela.

- Estou preparado. É o primeiro passo que tenho que dar para poder tentar recuperar a mulher que amo.

- E quem é ela?_ meu pai perguntou curioso.

- Na hora certa apresento ela a vocês. Primeiro preciso fazer com que ela me perdoe. _ falei triste ao me lembrar de como Isabela me dispersa no momento.

- Mas por que vocês brigaram afinal, isso você não nos contou. _ minha mãe perguntou parecendo desconfiar de algo.

- Eu fui um cretino com ela mãe. Eu a enganei dizendo estar livre para poder me envolver com ela.

Minha mãe deu um pulo do sofá parecendo horrorizada.

- Você a iludiu?

- Sim mãe.

- Como pode Edward? Céus! Essa mulher tem toda razão em lhe odiar.

- Eu sei mãe. Além disso eu fazia mal juízo dela, e no final fui em quem não tive caráter e demorou para eu entender isso. Então ela tem muitos motivos para me odiar. E eu não sei se vou conseguir o perdão dela. Mas eu vou lutar mãe. Pelo tempo que precisar, eu vou lutar por ela.

- Bom..... e agora que já admitiu seus erros, que não são poucos, o que pretende fazer primeiro? _ meu pai perguntou.

- Bom, agora que já deixei vocês avisados das minhas intenções e preparados para os possíveis ataques de Tânia acho que vou para casa conversar com ela.

- Bom, nesse caso boa sorte. _ meu pai disse meio debochado e meio irritado.

- Sei que vou precisar. _ disse já saindo de lá

Minha mãe não veio se despedir de mim, e eu entendi os seus motivos. Eu a envergonhei com meu jeito de agir. Engaçado como todos de cara viram que eu estava errado e eu levei tanto tempo para descobrir.

Dei uma risada curta e sem animo.

A Anos minha vida vem sendo a mesma chatice e marasmo de sempre, sem contar em quanto eu mudei e para pior diga-se de passagem e em apenas uma semana tudo vira de pernas para o ar, mas pela primeira vez eu percebo que as coisas caminham para o que deve ser.

Fiz o caminho até minha casa pensando no que dizer a Tânia. Não que ela merecesse grandes explicações pelo meu pedido de divorcio, qualquer um com um pouco de inteligência veria o quanto aquele casamento vinha se arrastando, só eu que não via claro, mas de qualquer forma a culpa não era só dela. Eu embarquei naquela loucura junto com ela, me permiti ser manipulado, ser moldado por ela. Então eu deveria ter um mínimo de cuidado nas escolhas de palavras, só espero que ela me ajude nisso facilitando um pouco a minha vida.

Estacionei em minha garagem e sai do carro buscando coragem para o que teria que fazer em minutos. E também pensando em como conversar com alguém que não quer falar com você.

Abri a porta de casa, entrei e joguei minhas chaves sobre o aparador na sala. Logo uma figura magra e pequena apareceu na sala.

- Edward? O que estava fazendo em casa a essa hora?

Bom, pelo menos ela falou comigo.

- Precisamos conversar Tânia.

- Aconteceu algo? Alguém se machucou?

Ela parecia mesmo nervosa.

- Não, não aconteceu nada. Quer dizer, aconteceu, mas nada com ninguém. Só que precisamos conversar.

Ela pareceu se acalmar um pouco e logo um pouco da sua arrogância apareceu.

- Deve ser importante mesmo, afinal eu venho implorando para você sair um pouco daquele escritório a dias e você nem ao menos me ouve, e agora você esta aqui antes do almoço.

Ela disse me dando as costas e indo em direção ao nosso quarto.

- Venha, eu estava arrumando umas coisas, podemos conversar em nosso quarto.

Bufei diante da atitude dela, mas acabei a seguindo.

Ao entrar vejo que ela esta arrumando nossas malas.

- Posso saber o que é isso?

- Estive pensando em como anda nossa vida, e acho que precisamos de algumas mudanças._ ela dizia sem me olhar ainda arrumando as malas.

- Até aí concordo com você, mas o que isso tem haver com as malas.

- Você parece que se esqueceu como se deve tratar a sua esposa, de como me deve respeito, amor, carinho e principalmente como devo ser a primeira pessoa sempre a ser considerada por você, por isso vamos passar uns tempos com meus pais, acho que você precisa ouvir um pouco os conselhos do meu pai.

Aí já era pedir de mais para o meu juízo e minha resolução de ser paciente com ela.

- Ah claro, por que tudo que eu mais preciso nesse momento da minha vida é ouvir um monte de palhaçadas da boca de um bando de lunáticos.

- Edward!

Ela estava com os olhos arregalados e parecia aterrorizada com o que eu havia acabado de falar.

Me chutei por ter perdido a paciência e resolvi não enrolar mais para falar.

- Desculpe ter explodido assim Tânia, mas .... olha, não tem jeito fácil de falar isso então vamos sentar e conversar logo.

Ela ainda parecendo meio assustada com minha recente explosão se sentou na cama e me encarou esperando que eu começasse a falar.

- Tânia, eu sei que você apesar de se negar a conversar sobre isso, você vem percebendo que nosso casamento anda muito abalado, isso para dizer o mínimo.

- Eu sei, por isso decidi por essa viagem.... _ ela começou a falar agora parecendo meio esperançosa.

- Não Tânia. Nem comece. Talvez essa viagem até faça bem a você, mas eu não vou.

- Como não! Você é meu marido, tem que ir comigo!

- Não Tânia, eu não tenho! Isso não é minha obrigação. Eu “ deveria “ ir com você. Eu “deveria” seguir você aonde você se fosse se nós fossemos um casal apaixonado e não por que isso é minha obrigação. E nós não somos um casal apaixonados Tânia, você sabe muito bem disso.

- Paixão é coisa de tolos. Sei que somos muito mais forte que isso. _ ela disse já parecendo nervosa.

- Você esta errada. A paixão é a coisa mais maravilhosa que existe, nos faz sentir vivos, nos faz sentir como a vida vale a pena ser vivida.

Ela agora arregalava os olhos visivelmente apavorada.

- Mas você tem razão também, a paixão sozinha por si só, é coisa de tolos, pois a paixão não dura, a paixão é passageira, a paixão é como uma brisa gostosa de verão. Na hora é deliciosa e irresistível, mas quando acaba você nem ao menos se lembra como ela era. Mas quando a paixão se transforma em amor...... aí ela é inabalável.

- Não estou entendendo o por que de toda essa filosofia barata a essa hora do dia Edward._ ela disse já voltando a sua postura dura e formal.

- Você já vai entender, mas seria mais fácil se você parasse de se comportar como uma pedante e fosse uma mulher normal por pelo menos 5 minutos.

- O que vai ser agora? Vai ficar me criticando e me atacando? É para isso a sua conversa?

- Tânia eu realmente estou tentando, mas você não esta ajudando.

Ela simplesmente bufou e me encarou esperando.

- Ok, então já que é assim que você quer, vamos lá. Eu quero o divórcio Tânia.

Ela ficou ali, parada me encarando como uma pedra. Acho que estava em choque.

- Tânia, ouviu o que eu disse? Eu quero o divórcio. Vamos nos separar.

- Uma merda que vamos! _ ela gritou e pela primeira vez na vida eu vi ela perder a compostura.

- Até que enfim uma reação normal em você._ eu disse jogando as mãos para o alto e me levantando.

- Era isso que você queria de mim? _ ela perguntou também se levantando.

- Queria que eu agisse como essas rameiras, essas putas de esquina que gritam e xingam em uma conversa com o marido? Era esse o tipo de vida que você queria?

- Não, eu queria viver com uma pessoa que tivesse reações próprias, que tivesse emoções verdadeiras e não com um robô programado de fabrica a torcer o nariz para tudo que fosse diferente ou contrário a sua programação.

- Pare de meter a minha família no meio Edward.

- Mas o problema é exatamente esse. Você e sua família. Eu sinceramente não sei se você é tão vitima deles quanto eu ou se você já é igual a eles até a raiz dos cabelos. Tudo o que eu sei é que eu não quero mais isso para minha vida. O meu castigo e a minha prisão termina aqui.

- A mas não termina mesmo. Você não vai se livrar de mim e cair na cama de uma puta qualquer. Você é meu marido. Você é meu. E vai ficar comigo. Não pode me abandonar. Me largar quando preciso de você.

- Mas eu não estou fazendo isso Tânia. Quando foi preciso, quando você estava esperando um filho nosso eu fiz o meu papel. Eu fui até sua casa e assumi meu filho. Quando seu pai, aquele louco desalmado disse que ia te mandar para o fim do mundo para esconder você e nosso filho eu te assumi também. Eu te salvei daquele destino.

- Por que me amava!

- Claro que não....

- Me amava sim. _ ela gritou me interrompendo. _ Me ama ainda. Você só demorou para tomar coragem de casar, mas você sempre me amou, você sempre disse o quanto me quis desde a primeira vez que me viu. _ ela disse passando a mão no meu rosto.

- Você esta se enganando Tânia. Eu nunca te iludi. Sei que tenho minha parcela de culpa em nossa história, mas a culpa de te enganar eu não carrego, eu sempre fui sincero com você. Eu sempre disse o quanto te DESEJEI desde a primeira vez que te vi, eu nunca usei a palavra amor. Nunca em nosso casamento eu disse isso. Eu te salvei da loucura do seu pai por que não achei justo você pagar sozinha por uma coisa que nós dois fizemos. Mas .... acabou que foi inútil, nosso bebe não vingou. Mas eu continuei ao seu lado, dando apoio, mas já se passaram 3 anos Tânia. Chega. Eu demorei para enxergar o erro que é a nossa vida. Você precisa enxergar isso também.

- Onde você um erro na nossa vida Edward. Ela é perfeita!

- Perfeita? Sério? Uma vida onde eu tenho que menti sobre tudo que eu penso, sinto e quero a cada minuto do dia para evitar uma briga com você é uma vida perfeita?

- Eu..... eu achei que você sempre fosse sincero..... que você tivesse mudado, que eu tivesse te ensinado a.....

- A ser como você? Bom você tentou, e quase conseguiu, mas eu acordei a tempo graças a deus e isso acaba aqui. De hoje em diante eu vou ser exatamente como eu sou.

- Você não esta pensando direito, olha, vamos dar um tempo de tudo. Vamos para a casa dos meu pais....

- Céus Tânia, não ouviu nada do que eu disse? Eu não quero mais. E muito menos quero ficar perto da sua família agora.

- Você não pode fazer isso!

- Eu estou fazendo.

- Você disse que me salvou uma vez. E o que acha que vai acontecer comigo agora? Minha família nunca teve um divorcio. Meu pai vai ficar uma fera e vai me exilar na mesma maneira que ele queria fazer antes. _ ela falava desesperada.

- Tânia, você não é mais uma adolescente. Ele não manda mais na sua vida. Você pode muito bem trabalhar, se sustentar ser dona de você mesma. Seu pai não tem mais controle sobre você Tânia. Eu deixo essa casa para você, não é muito mais da para você ir refazendo a sua vida devagar...

- Eu não vou te dar o divórcio Edward! Desista, isso não vai acontecer. Nem morta eu te dou o divorcio!

- Bom, isso é uma pena. Você vai ser ridicularizada pelas suas amigas então e por toda essa sociedade hipócrita que você tanto ama, por que eu estou saindo de casa agora e desse momento em diante eu me sinto desligado de você e vou começar a refazer a minha vida.

Falando isso eu peguei uma das malas que ela estava fazendo e que tinha minhas roupas dentro e coloquei mais alguns pertences meus e a fechei. Tudo isso ouvindo os disparates de Tânia. Ela não sabia se gritava e me batia ou se chorava e implorava, na verdade acho que ela estava tentando de tudo para não me deixar sair. Mas eu estava decidido. Eu só voltava nessa casa no dia que fosse para terminar de tirar as minhas coisas.

Coloquei a mala no carro e entrei e tranquei as portas. Tânia ainda tentou entrar no carro e estava dando o maior escândalo da vida dela. Muitos vizinhos tinham saído de casa para ver o motivo da gritaria mas eu nunca me importei menos com isso.

Estava feliz na verdade, feliz por ter tomado as rédeas da minha vida.

Dirigi meio que sem rumo. Eu não sabia bem para onde ir.

Claro que eu poderia ir para casa dos meus pais, sabia que apesar de estarem confusos com minhas confissões eu poderia contar com eles, mas assim como eu disse a Tânia estava na hora de tomar as rédeas da minha vida. Claro que eu era independente, mas eu nunca estive livre para eu mesmo decidir meu caminho, essa era a primeira vez.

Mas eu também não estava curtindo a ideia de um hotel, isso era tão estranho.

Fui interrompido nos meus pensamentos pelo toque gritante do meu celular. Até imaginei que fosse Tânia mas me surpreendi ao ver que era Rose.

- Alô?

- Edward onde você esta?

- Dirigindo, por que?

- Sua mãe acabou de me ligar me contando tudo. É serio que finalmente tomou coragem e vai falar com Tânia?

- Já falei. Já sai de casa, estou nesse momento no carro pensando em que hotel eu vou me hospedar.

- Eu não acredito..... _ ela parecia falar para ela mesma.

- Bom Rose, eu preciso mesmo conversar um pouco, mas vai ficar para depois, agora eu preciso....

- Agora você vem para minha casa.

- Como?

- Isso mesmo, você precisa de um lugar para fica e precisa conversar, então é para ca que você vem, estou te esperando, tchau.

Bom, parece que já tenho onde ficar.

[...]

- Então é isso Rose.

Depois que me acomodei no quarto de hospedes e tomei um banho Rose me obrigou a contar tudo para ela, desde que descobri que estava apaixonado até o meu pedido de divorcio a Tânia enquanto ela fazia o nosso almoço.

- Eu ainda não acredito que você se declarou no meio de uma boate com o noivo dela a alguns metros de vocês.

- Ei, eu não estava pensando direito na hora... sei lá... foi um impulso.

- Um impulso louco se quer saber.

- Eu não entendi.

- Ai Edward..... ela deve estar muito assustada, quer dizer, você é bem inconstante. E do nada assim se declarou para ela e dessa maneira ainda por cima? Ela não deve ter levado muito a sério não.

- Acha que ela não acreditou?

- Provavelmente não. Deve estar achando que é mais uma trama sua para leva-la para cama de novo.

- E o que eu faço então?

- Converse com ela direito. Explique tudo que acabou de me explicar. Vocês precisam conversar.

- Acha que ela me recebe na casa dela?

- Posso ser sicera?

- Deve.

- Acho que ela te chuta porta a fora, mas você precisa tentar.

- Valeu! _ eu disse debochado.

{...}

Eu agora estava em frente a porta de Isabela tomando coragem para bater.

Na noite passada acabei indo jantar na casa dos meus pais com Rose e contei a eles que já tinha saído de casa. Rose de uma forma bem discreta começou a puxar assunto sobre Isabela e eu acabei sabendo que ela sairia do plantão dela agora de manhã então eu vim para cá assim que acordei para poder tentar falar com ela.

Só espero que o noivo dela não esteja aqui também.

Tomei coragem e bati na porta.

Depois de uns 15 segundos ela gritou lá de dentro.

- Já vai.

Ainda esperei acho que um minuto na porta até que a mesma se abriu e revelou uma Isabela de roupão e com cabelos pingando.

- Edward?

- Bom dia Bela. Eu posso conversar com você?

Ela parecia não acreditar que eu estava ali na porta mas acabou me deixando entrar.

- Obrigada. _ disse ao passar por ela.

Ela não disse nada, mas ficou em pé e gesticulou para que eu sentasse.

Dei uma olhada em volta vendo como tudo estava exatamente como da última vez que estive aqui. Me sentei e por um momento me perdi olhando para seus olhos.

Ela me olhava com um misto de frustração, mágoa e raiva. Eu só esperava que em algum lugar ali também tivesse um pouco de amor.

Por fim meus olhos vagaram pelo seu corpo e foi isso que a acordou de sua letargia diante de minha presença.

- Eu acabei de sair do banho. _ ela disse fechando ainda mais o roupão com as mãos.

- Não tem problema._ digo rapidamente.

- Sei que sua mente distorcida deve estar imaginando que talvez eu abra a porta assim para seduzir os possíveis homens que batam nela.

- Bela... por favor... _ eu comecei derrotado_ não vamos começar uma conversa assim.

Ela se limitou a sentar no outro sofá e me encarar.

- Eu nem sei explicar o por que de deixar você entrar, mas eu quero ouvir o que tem a me dizer. Diferente de você eu costumo deixar as pessoas se explicarem antes de sair por aí rotulando ou julgando. _ ela disse fria.

Suspirei tristemente. Eu sabia que merecia tudo isso e muito mais.

- Sei que mereço que me trate assim Bela. Mas peço que por favor, me escute sem barreiras. Não peço mais nada que isso por enquanto. Só que me escute.

Ela apenas acenou com a cabeça então eu comecei.

- Você estava certa quando me disse aquelas coisas. Tudo que você disse.

Ela pareceu meio surpresa, mas continuou me ouvindo.

- Eu era sim eu cretino preconceituoso e sem caráter. Eu te enganei de caso pensado sim. Eu já fui aquela boate coma intenção de te levar para cama.

Ela abriu a boca para dizer algo, mas ela tornou a fechar e ficou esperando eu continuar.

- Eu senti algo estranho por você desde a primeira vez que te vi. Quando te atropelei naquele dia. Eu achava que era só uma atração. Então não dei ou tentei não dar muita importância. Naquela mesma noite em que saímos eu te vi ali... tão linda.. tão sedutora... tão segura de si mesmo sendo tão diferente das pessoas que estavam com você na hora. Tudo isso foi me seduzindo. Mas o pior de tudo foi ver você dançando daquela maneira eu fiquei louco. Louco ao ponto de ter que agir como adolescente e ter que ir ao banheiro para me masturbar pensando em você.

Ela arregalou os olhos com essa informação.

- Eu sei, foi patético. Mas eu tive que fazer isso. Então quando entrei no banheiro..... eu .... eu ouvi vocês dois lá, transando.

Agora ela parecia envergonhada e desviou seus olhos dos meus.

- Pensei que não tivesse ninguém lá._ ela disse sem graça e completamente vermelha.

— Mas eu estava e pode parecer doente o que eu vou te dizer...... mas eu me toquei ali ouvindo seus gemidos, imaginando que eles eram para mim e foi ali que eu tive o melhor orgasmo da minha vida. Pelo menos tinha sido até eu ter você de verdade.

Ela estava surpresa de novo.

- Eu não vou mentir Bela. Fiquei obcecado com você depois disso. A minha vida sexual com Tânia sempre foi uma merda. Ela é mesmo uma puritana e não topa nada na hora do ..... bom, no sexo.... ela é fria na cama. E eu fiquei louco com você, com seu jeito, cheguei ao ponto de ficar com ela fantasiando que era você, mas isso só piorou tudo. Foi por isso que fui naquela boate, estava decidido a ter uma noite com você para te tirar da cabeça. Eu juro, você foi a primeira e única mulher que tive depois da minha esposa.

Ela agora me ouvia sem demonstrar o que estava sentindo.

- Mas, mesmo tendo você por uma noite... por uma noite muito intensa eu não estava satisfeito. Eu queria mais. Muito mais. Foi então que tudo se complicou. Cada vez eu fui me enrolando mais, me envolvendo mais.

- Aquilo que você ouviu naquela tarde com Rose foi o que eu dizia a mim mesmo para abafar o que eu sentia e não sabia. Rose dizia que eu estava apaixonado mas eu me recusava a acreditar nisso. Não por tudo que eu disse, mas por que na verdade eu nunca tinha me apaixonado antes. Então tudo aquilo aconteceu e eu me vi perdido. Eu não estava disposto a terminar minha história com você que tinha acabado de começar, mas também não estava pronto para entender o que eu sentia. Isabela, se você soubesse como me controlei a noite toda para não voar e socar o maldito do James que não saia de perto de você.

Eu falei já começando a perder a razão, mas me forcei a voltar ao ponto que importava.

Passei as mãos pelo cabelo e respirei profundamente tentando me acalmar.

- Então... alguns dias depois em um jantar de família eu descobri que você tinha ficado noiva. E meu desespero cresceu a níveis quase incontroláveis. Eu cheguei a passar mal de verdade, fisicamente falando, mas eu não sabia o por que. Rose estava lá, esfregando na minha cara o que eu estava sentindo, mas eu não entendia. Eu recusava a achar que precisava sair da minha cômoda vida fútil e falsa. Até que a saudade ficou insuportável.

Voltei a suspirar.

- Eu parei minha vida Isabela. Eu sentia tanto desespero que não fazia mais nada da vida. Não trabalhava, estou a um passo de perder meu contrato com os japoneses. Evitava Tânia o máximo que eu podia, ficamos semanas sem sexo. Nem meus pais eu queria ver por que a felicidade deles me irritava. Até que a saudade ficou insuportável e eu consegui inventar uma desculpa e fui na boate aquele dia. E foi lá, pela primeira vez que eu finalmente entendi que estava apaixonado por você. Ali eu entendi tudo e foi ali também que eu percebi que eu me apaixonei no dia que eu te vi pela primeira vez. Então eu explodi em tantos pensamentos, sensações que acabei te contando daquele jeito louco. Mas era como eu estava na hora. Só depois tive tempo de pensar em tudo com mais calma. Só depois vi o quanto minha vida estava errada. Então eu comecei a tomar algumas atitudes para consertar tudo.

Respirei fundo e continuei.

- Eu saí de casa Bela. Pedi o divórcio a Tânia.

Falei olhando dentro dos seus olhos que se arregalaram com a noticia.

- Não posso continuar preso em um casamento fracassado.

- Você não ... quer dizer, eu não ....

Ela não sabia o que dizer.

- Antes de mais nada não quero que se sinta culpada. Não foi só por sua causa que pedi o divórcio. Foi por isso também, mas, mesmo que eu não estivesse completamente apaixonado por você eu não continuaria casado com ela depois que eu percebi o quanto a nossa vida era errada, o quanto ela era baseada em mentiras.

Isso pareceu acalmá-la um pouco.

- Eu percebi muitas coisas nesses últimos dias Bela. Revi muitos conceitos meus. Alguns eu percebi que estavam errados, outros eu vi que apenas copiei de outras pessoas e outros ainda eu nem faço ideia do que penso na verdade. Como disse a você naquele dia, eu preciso descobrir quem eu sou. E eu vou fazer isso. Mas eu precisava vir aqui e ter uma conversa decente com você. Precisava saber que você entende o que eu sinto, o que eu estou passando no momento.

Ela desviou o olhar do meu e olhou para baixo.

- Não devia ter se dado ao trabalho de vir aqui. Não tenho nada haver com sua vida.

Sem pensar duas vezes me levantei e me sentei ao lado dela. Peguei em sua mão com cuidado. Não queria que nada do que eu fizesse agora tivesse conotação sexual queria que ela visse o meu carinho, sinceridade e sentimentos através de minhas palavras e ações.

- Você tem tudo haver com minha vida Bela. Tudo.

Ela retirou as mãos das minhas e voltou a falar.

- Nossas vidas estão separadas por inúmeros motivos Edward, nossos companheiros são apenas mais um detalhe.

Me retesei ao ouvir ela dizer companheiros. Não queria ficar ouvindo ela falar sobre o noivo, noivo esse que eu sabia que ela não amava.

- Não se detenha nesse detalhe Bela. Eu já pedi o divórcio e eu sei que você não ama James.

Estava preparado para a negação dela e já até sabia o que dizer para convence-la, mas a sua aceitação me pegou de surpresa.

- Mas estou noiva dele, não importa se o amo ou não. Assumi um compromisso com ele.

- Mas acaba de admitir que não o ama.

Ela me olhou com olhos tristes e falou.

- Não sou leviana Edward. Não brinco com o sentimento dos outros. Contei a verdade a ele, que me envolvi com outra pessoa...que me apaixonei, mas que quebrei a cara. Que me machuquei e mesmo assim ele me aceitou. Ainda sim ele me apoiou e disse que estava disposto a me fazer esquecer e me pediu em casamento de novo. E eu aceitei, por que um homem como ele é raro e mesmo eu não o amando eu pretendo fazer ele muito feliz o mesmo que ele pretende fazer por mim.

Dava para ver que aquele era um discurso ensaiado. Se era para ela mesma, para mim ou para alguma outra pessoa que ela tenha dito ele eu não sei, tudo que sei é que não era sincero.

Sorri e toquei seu lábios com a ponta dos dedos.

- Já te disseram que é uma péssima mentirosa?

Ela desviou do meu toque mas não disse nada.

Vendo que nossa conversa estava chegando ao fim eu resolvi terminar de dizer o motivo de eu ter ido ali.

- Como eu disse, estou resolvendo muitas coisas de minha vida por esses dias e uma dessas coisas é a minha vida profissional. Eu fiz muita besteira e estou muito perto de perder o contrato que consegui com muito esforço. E eu vi o quanto você ficou orgulhosa de mim quando te contei a novidade, e quero que se sinta assim de novo. Então estou de partida amanhã de manhã para Tóquio. Os sócios de lá não estão dispostos a acreditar em mim mais uma vez sem que eu me esforce um pouco para conseguir tal confiança, então vou ter uma reunião formal com eles na empresa matriz. Mas eu devo voltar em uma semana no máximo.

Ela ainda não me olhava, por isso, querendo mostrar a intensidade do que eu dizia eu puxei seu rosto para o meu mais uma vez.

- Uma semana fora e sozinho vai me ajudar e muito a descobrir coisas sobre mim, sobre quem eu sou e quem quero ser. Mas uma certeza eu tenho na vida Bela. Eu te amo e quero você na minha vida, custe o que custar, mesmo que eu tenha que rastejar anos atrás do seu perdão. Eu não vou desistir de vocês. Tudo que eu te peço é que me de uma chance de mostrar a você que eu posso te fazer feliz. Que eu posso ser o cara certo para você. Só me dê uma chance Bela. Por favor?

- Eu.... eu não posso.

- Por que?

- Não posso deixar que me magoe de novo.

- Eu não vou. Eu juro. Por favor Bela, não jogue fora o que sentimos. Não cometa o mesmo erro que eu negando o que sente. Você sempre foi melhor do que eu, então por que não continuar sendo?

Ela permaneceu calada, mostrando assim que não iria mudar de ideia.

Bufei frustrado. Ela não estava mesmo facilitando nada.

- É isso então? Vou ter que passar essa semana toda sabendo que você vai ficar aqui.... com ele? Vou ter que ficar imaginando como vou fazer para conseguir ter você de novo?

- Acho que nem isso você precisa fazer._ ela sussurrou.

- Como assim? _ perguntei confuso e inseguro.

- O projeto que iniciei com seu pai esta muito bem encaminhado, logo eu vou poder ir embora e eu não pretendo voltar.

- Não! Isso não Bela, por favor.

Eu me desesperei e me ajoelhei aos seu pés.

- Eu te imploro Bela, não faz isso. Por favor? Não vá, não antes de eu voltar, não antes de conversarmos de novo.

- Não temos mais o que falar.

- Claro que temos. Temos muito que falar, eu vou falar e falar e repetir e repetir até você entender que EU TE AMO!

Eu via que seus olhos estavam cheios de lágrimas mas ela as segurava como se sua vida dependesse disso. Ainda era muito recente e ela estava muito machucada, mas eu não poderia dar mais tempo a ela, não sabendo que ela pretendia ir embora em breve.

- Por favor Bela, só.... só diz que vai me esperar. Só diz que eu vou ter mais uma chance de conversar com você antes de você ir embora. Por favor Bela, só me diz isso? Por favor?

Eu agora estava implorando enquanto lágrimas corriam pelo meu rosto. Mas eu não me envergonhava disso. Eu me humilharia para o mundo todo se isso a fizesse voltar para mim.

- Bela?

- Tudo.... tudo bem.... eu te espero para conversarmos antes de eu ir.

Eu queria retrucar e dizer que conversaríamos e nos entenderíamos, mas eu não podia exigir mais dela agora. Sabia que toda a dureza dela era culpa minha e eu tinha que lutar para desfazer toda a merda que eu tinha feito.

Aceitando que ela me queria fora dali para poder chorar em paz eu me levantei dando um beijo em sua testa.

- Eu volto em breve Bela. Eu juro que você não vai mais chorar por minha causa.

Então eu me virei e sai do seu apartamento.

{...}

POV Bela.

Eu já tinha resolvido tudo. Passagens, hospedagem. Meus pertences que ficariam aqui. Tudo resolvido, só faltava mesmo o adeus que eu devia a duas pessoas. Alice e Carlisle.

Embora ela tivesse me xingado muito Alice acabou entendendo que já tenho muita coisa na cabeça e no coração para passar por uma despedida melosa no aeroporto, por isso ela acabou aceitando em não trocar de plantão e ir se despedir de mim lá.

E quanto a Carlisle... com, ele era o homem mais generoso, atencioso.... ele era o melhor homem que eu conheci aqui nos Estados Unidos e por isso não pude negar ao seu pedido de vir me despedir dele.

Era uma pena que o filho não fosse igual ao pai.

Andei até a sala de Alice e entrei sem bater, sabia que ela estava descansando.

- Já esta na hora Alice.

Ao contrario do que pensei ela não estava chorando ou triste, pelo contrário, ela estava sorridente.

- Achei que fosse me esquecer._ disse fazendo um bico manhoso mas divertido.

- Sabe que jamais esqueceria de você.

Nos abraçamos fortemente.

- Acho que é a hora do adeus minha amiga.

- Não. Isso é um até logo Bela. _ ela disse sorrindo mais.

- Não estou entendendo. Você esta estranha.

- Digamos que estou com o pressentimento que nós duas nos veremos antes do que você imagina. Esta mesmo indo para o lugar que me mostrou? _ ela parecia querer ter certeza.

- Sim, o projeto é fascinante e eles estão apenas no começo, precisam de muita ajuda, eu e James vamos ficar pelo menos um ano lá.

-Ótimo. Só não mude de planos sem me avisar.

Eu não estava entendendo nada, mas aprendi que com Alice era melhor não contrariar.

- Tudo bem, eu já vou.

- Já se despediu de Carlisle?

- Vou fazer isso agora e de lá vou para o aeroporto.

Ela concordou e me deu mais um beijo antes de eu ir embora.

Caminhei até a porta do médico e dessa vez bati antes de entrar.

- Entre.

Abri a porta mas me arrependi. Ele não estava sozinho, a prima do Edward estava com ele.

- Bela! Que bom. Já estava me perguntando se esqueceria desse velho aqui.

- Que bobagens Carlisle. Eu prometi.

Disse dando um abraço nele. Eu realmente sentiria falta dele.

- Vai viajar Isabela? _ Rosalie perguntou com um tom de acusação.

Alheio a tudo foi Carlisle quem respondeu.

- Sim, Isabela esta indo embora. Vai embora dos país com o noivo. Eu já tinha comentado lembra Rose.

- Sim... já ouvi muito a respeito dessa viagem, mas eu achava que seria mais para frente.

Ela dizia obviamente fazendo insinuações a minha promessa ao Edward.

-Sim, mas eu resolvi que tem coisas na vida que não adiantam esperar.

Carlisle foi andando comigo até a entrada do hospital e Rose ia nos seguindo de perto mas totalmente alheia a conversa que partilhávamos.

Assim que chegamos as portas do hospital Carlisle foi chamado pelo alto falante para a sala de emergência então ele apenas me abraçou e me desejou felicidades e se foi.

Rose permaneceu parada me olhando. Quando virei as costas para ir embora ela simplesmente falou.

- Você não pode fazer isso com Edward Isabela. Você prometeu. Prometeu que daria uma chance a ele.

Ela parecia agoniada ao dizer isso, seu rosto mostrava que ela estava sofrendo, mas eu não podia acreditar nela.

Tanto ela quanto o primo brincaram comigo. Me enganaram .

Não. Eu sabia que tinha tomada a decisão certa. Eu tinha que ir embora antes que ele voltasse e acabasse me convencendo.

- Adeus Rosalie.

Disse antes de virar e sair dali entrando no taxi e indo direto para o apartamento de James onde minhas coisas já estavam e de lá iriamos para o apartamento.

Continua....

Notas finais
E então? O que acharam?
Bela foi embora e o Edward ainda não voltou. Como ele vai reagir quando chegar?
E Tânia? Vai ficar quietinha enquanto Edward resolve tudo do divorcio?
O que será que vai acontecer no proximo cap?
Ah, e alguém aí tem ideia do por que Alice estar tão contente?
Bjs e até semana que vem.
Dani