Hot Cold Blood - Klaroline.

6 Capítulo 6 - Las Vegas I - XS Nightclub.


POV KLAUS

A viagem seguiu tranquila. Não trocamos uma palavra, apenas olhares desconfiados e cheios de raiva atrás de uma cara de paisagem falsa. O silêncio fora quebrado quando Caroline me olhou com a cara de algumas vítimas minhas suplicando por redenção.

— Estou com fome. — E virou de frente novamente, continuando o silêncio perturbador.

Não que eu gostasse de Caroline falando todo o tempo, mas quieta assim era no mínimo... Estranho. Seguimos mais alguns minutos e paramos a primeira vez antes de entrarmos na rodovia numa daquelas lanchonetes de beira de estrada.

Mal parei o carro e Caroline desceu ansiosa. Entrou na lanchonete sem olhar para trás sentando-se e fazendo o pedido sem antes me esperar. Sento-me à sua frente, olho para a garçonete que tem um sorriso estampado e também peço algo.

— Indo para Vegas, aposto. — Disse a garçonete anotando o pedido e Caroline a olha assustada como se ela tivesse adivinhado um grande segredo sangrento e obscuro. Ela olha para mim. – Recém casados, certo? — Perguntou e imediatamente nós dois olhamos para nossos dedos. Mesmo não precisando, ainda uso o anel da luz do dia, e Caroline também, e no mesmo dedo que eu. Eu solto uma risada alta pela coincidência e ela se irrita pondo o cardápio em seu rosto, evitando olhar para mim.

Outra menina traz seu pedido e eu saio, voltando em poucos minutos. Caroline olha desconfiada para uma caneca discreta que aponto em sua direção na volta.

— Você... — Ela diz pegando a caneca da minha mão.

— Bacon e ovos não te sustentarão, Caroline. Morrerá de fome se não beber. Daqui para frente entramos no deserto e não há nada para drenar no caminho. — Ela me olha furiosa, mas um pouco conformada. Percebe que eu não tenho uma caneca discreta e sim um sorriso no rosto. Outra garçonete chega trazendo meu pedido. Caroline a olha e percebe que há um curativo um pouco abaixo do pescoço, mais próximo ao ombro. – Prefiro direto da fonte. — E sorrio cínico.

Ela se levanta após acabar e me espera ao lado do carro. Acabo de comer e descubro que Caroline já deixou paga a sua conta. Isso definitivamente me deixou irritado. Posso ser um pouco temperamental, às vezes sádico, mas continuo um cavalheiro.

Chego mais próximo a ela e já que ela quer silêncio eu estou disposto a dá-lo. Jogo as chaves do carro no ar e a mesma a pega entrando no lado do motorista.

O restante do caminho até seria tranquilo, se não fosse pelo deserto e Caroline cismando em pôr todas as músicas que compunham o Top 100 das Mais Irritantes do Mundo. A guerra se deu entre eu, ela e o som. Combinamos mentalmente em deixar uma música irritante tocar, e depois uma verdadeira obra de arte. Toda vez que tocava ópera ela revirava os olhos, mas nada era falado, afinal, esse era o lema da viajem, e quem descumprisse levaria um soco em algum membro ou algo do tipo e, provavelmente, isso resultaria em alguns ossos quebrados.

Chegamos à Las Vegas com o Sol ainda no alto. O celular de Caroline tocou e senti que ela fez um esforço mental incrível para não atender, mas não resistiu. Devo dizer que isso quase nos custou alguns dias de recuperação, já que ela quase bateu em um muro na entrada do centro da cidade.

— STEFAN! — Caroline grita com o maior sorriso que alguém poderia dar.

Quase a ameacei de morte, mas como ela optou por parar o carro e nos fazer trocar de lugar, eu preferi apenas ouvir a conversa entre ela e o Salvatore mais novo.

— ISSO SÃO HORAS? ESQUECEU DOS AMIGOS, É? — Caroline grita com o pobre sofredor Stefan e o ouço responder um pouco confuso.

— Me desculpe não ligar ontem, estava ocupado. Sabe como é.

— Tudo bem. Só queria gritar com alguém. — Caroline olha para mim e dá um sorriso debochado.

— Soube por Elena e Bonnie que embarcou em uma aventura com o inimigo. — Stefan fala sem imaginar que estaria ao lado de Caroline com os ouvidos atentos.

— Seria lindo se estivesse aqui querido Estripador. — Uso um tom de saudosismo e sarcasmo. – Las Vegas costumava ser um mar de vítimas. Lembra-se das nossas aventuras aqui? — Falo fazendo uma curva que assustou Caroline.

— Oi para você também Klaus. — Diz sarcástico. – Você disse Las Vegas? — Ele dá uma pequena pausa entre a frase e continua. – Hm... Boa sorte.

— O que quer dizer com isso, Stefan? — Caroline diz um pouco temerosa.

— Da última vez que estive aí tentando trazer Damon, um pouco antes de voltar para Mystic Falls, a cidade foi dominada pelas bruxas. Os vampiros apenas coexistem. Foi o único motivo pelo qual meu irmão se mudou.

— Tchau, Stefan. Você era mais legal quando andava comigo no recreio. — Ouço uma risada e depois um barulho de bip que eu mesmo fiz ao pegar o celular da loira ao meu lado e o jogar no porta-luvas.

Caroline pensou em falar algo malcriado suficiente para eu voar com a mão em seus pescoço, mas perdeu a voz quando paramos na entrada do hotel. Saímos do carro e a vi de boca aberta, literalmente. Sabia que o Caesars Palace seria uma excelente escolha. A mais incrível Europa dentro de Las Vegas.

Ando pelo enorme saguão enquanto Caroline fica para trás admirando todo o local e me direciono a recepcionista que me recebe com um enorme sorriso.

— Boa tarde Senhor...

— Mikaelson. — Digo completando.

Ela dá uma olhada no computador a sua frente e confere algumas informações.

— Caesars Executive Suite, cobertura da Rome Tower. — Ela diz me entregando a chave.

Dentre todas as criaturas da qual isto pode acontecer, é logo comigo, aqui, hoje, agora.

— Deve haver algum engano. — Disse a ela controlando minha falta de humor naquele momento. – São os dois quartos da cobertura.

Sim, eu queria privacidade, e de bônus vigiaria Caroline de perto.

— Realmente não temos vaga, Senhor Mikaelson. — A recepcionista diz com tom de pesar. – Deve ter uma duplicata no sistema, daí acusou mais um quarto disponível na hora da sua reserva.

Aquela falsidade toda só não era mais irritante que a de Caroline. Eu penso em arrancar sua garganta, ou sugá-la até morrer, até mesmo apenas a compelir, mas me lembro da pequena interação social mais cedo com meu companheiro de chacinas quando desisto. Se as bruxas dominam esse lugar, então sabem reconhecer vampiros pelas pequenas coisas. E digamos que eu não seja a pessoa mais desejada desse local. De nenhum local. Então apenas me contive e quando me virei para o saguão vi Caroline finalmente voltar à terra, imaginando qual seria a sua reação.

POV CAROLINE

— Eles tem tipo um Coliseu, acredita? Esse lugar é incrível! — Digo a Klaus, rompendo a promessa mental do silêncio. Depois de um milésimo de segundo lembro que provavelmente ele já sabia, e muito antes de mim.

— Caroline... — Ele disse sério e eu interrompi os passos em sua direção. Olhei para recepcionista tentando saber o que aconteceu e a senti um pouco tensa.

— Sério isso? — Falei séria e Klaus me olhou com estranhamento. – Não me diga que não tem o cassino incluso! — Falei um pouco indignada e ele riu.

— Caroline... Vamos subir. — Ele disse calmo e eu o acompanhei.

Seguimos com uma música chata de elevador. Só não pior que aquelas que Klaus pôs no carro, provavelmente só para me irritar. Saímos por um extenso corredor e entramos no quarto, e quando entro, me deparo com uma vista perfeita de toda a cidade com uma parede inteira feita de vidro e me dou conta que todas as nossas coisas estão lá. Isso que é eficiên...

— O QUE?! — Klaus olhou para mim como se esperasse essa reação. – Eu não vou ficar nesse quarto com você! — E cruzei os braços.

— Não dê uma de criança pirracenta, Caroline. Não comigo e não agora. É só por essa noite. — Ele diz pegando o travesseiro, o lençol e os jogando num confortável sofá que tinha na suíte. – Amanhã terá seu próprio quarto nesse mesmo andar, exatamente como este. — Ele diz e se encaminha para o banheiro.

Ouço o som do chuveiro ligar e vejo o celular de Klaus vibrando encima da cama.

— Rebekah. — Digo em tom de surpresa. E realmente estava.

— Já chegaram? — Ela perguntou um pouco preocupada. – Preciso falar com Nik.

— Ele acabou de entrar no banho. Liga mais tar... — Tentei completar a frase e ela me interrompeu.

— Eu liguei para o telefone do... Espera... Não acredito que estão no mesmo quarto! — E ela riu irônica.

— É... — Digo sem muita satisfação. – Obra da má administração do hotel e do idiota do seu irmão que não soube nem fazer uma reserva. Mas não pretendo passar a noite aqui com ele, se é o que quer saber! — Digo mais irritada que o comum e Rebekah riu.

— Enfim... Diga a Nik que descobri como Marcel mantém as bruxas no seus lugares sem bagunça.

— Parece que ele desligou o chuveiro, Rebekah.

— Bom, eu ligo daqui a pouco então. — Disse e de fato desligou.

Rebekah sabia que assuntos de New Orleans não eram de meu interesse, e eu não queria saber de nada desse lugar. Queria apenas manter essa estranha criança salva e voltar a tempo de participar do trote dos calouros na minha nova fase universitária de festas, pegação, bebedeiras e aulas com ressaca no dia seguinte. Após uns minutos Rebekah liga ao mesmo tempo que Klaus sai do banheiro esfregando uma toalha no cabelo e indo para o outro lado do quarto. Eu novamente atendo e ela diz.

— Nik, diga a Caroline que já que ela não ficará aí te aturando, o que é justo, eu sugiro que ela vá a XS Nightclub. — Dá tempo de ouvir de maneira nítida apenas essa frase, já que estendo a mão entregando o celular a Klaus. – Confesso que estou com inveja. Marcel me dá tédio.

— Você se encantaria com toda banalidade daqui irmãzinha. Está melhor e um pouco pior que antes, mas a mesma Las Vegas de sempre. — Klaus diz sorrindo.

POV KLAUS

Rebekah me atualizou das questões que deixei pendentes em Nola e eu a ouço atentamente vendo Caroline pegar quase uma mala inteira e levar para o banheiro. Eu comentaria algo a respeito desse absurdo, mas preferi prestar atenção no que minha irmã tinha a dizer.

— Amanhã eu e Elijah procuraremos algum lugar parecido com que esse que a bruxinha vagabunda de Marcel me fez esquecer. — Rebekah diz e sinto a irritação em sua voz. – Ela deve ter no máximo dezesseis anos, Nik! E foi capaz de fazer isso com um Original! Nunca senti um poder como o dela.

— Resolveremos isso o mais rápido possível e em breve volto para resolver esse pequeno inconveniente. — Rebekah desligou o telefone e sei que sorriu satisfeita.

Me deitei no sofá esquecendo por um momento o que vim fazer aqui. Não que eu precise descansar com frequência, mas desde que cheguei a Nola não consegui dormir. Estou tão cansado que assim que deito, apago sem pensar em nada.

POV CAROLINE

Saio do banho e me deparo com um Klaus de “PT — perda total” com a cara afundada no sofá e as roupas de camas jogadas no chão. Quase fui lá conferir se ele não estava morto ou algo assim, mas estava tão vulnerável que até admirei por um momento. Tirei uma foto daquela cena e imediatamente, e com um sorriso no rosto, a envio para todos os contatos que tenho de Mystic Falls com o título “Uma noite de paz e alegria. Me invejem, vadias!”. Botei minha melhor roupa e saí do hotel antes que Klaus resolvesse ouvir minha risada e estragar novamente meus planos.

Passo 40 minutos na enorme fila da XS Nightclub e ao ter meu limite estourado antes do meu cartão de crédito, vou até o segurança “trator” e tento convencê-lo de me deixar entrar. Ele nega as 567 vezes meu pedido e eu quase desisto quando vejo um homem moreno, de cabelos um pouco compridos e barba grande cochichar algo com o monumento de preto e ele liberar a passagem para mim, desaparecendo do ambiente antes que eu pudesse agradecê-lo.

Assim que entro, olho o lugar, saco o celular e escrevo “obrigada” para Rebekah. É incrível. Cheio de cores, luzes, espaço, e principalmente gente. Muita, muita gente.

Vou ao bar e peço um drink, mas nada muito pesado para não ficar mal. Andar de ressaca ao lado de Klaus não perecia boa ideia, e meus óculos escuros estavam um pouco fora de moda.

Não sei porque todo barmen loiro e lindo me faz lembrar Matt. Ele me traz uma bebida tão colorida quanto o lugar junto com um guardanapo escrito “Cortesia da casa. K.”. Eu não acredito que Klaus tinha me seguido! Aquilo não podia ser verdade, então apenas ignoro o bilhete e vou dançar até ficar sem pés indo o mais longe possível e ficando no meio da multidão. O DJ era excelente, o que ajudou muito. Já estou no meio da pista me acabando e no terceiro drink leve quando sinto que algumas pessoas que interagiam comigo, olham para o nada. Tento procurar no que eles fixavam o olhar, mas havia um vazio nos seus olhos. Começo a prestar mais atenção e percebo que a dança delas é mecanizada, robótica e agitada suficiente para ninguém desconfiar. Confesso que já fui a lugares que tem gente louca suficiente para dançar até quase morrer e gente um pouco pior que isso, mas aquilo não eram drogas. Jeremy costumava se meter em encrencas do tipo e eu sabia o efeito que aquilo causava nas pessoas. Não são drogas, e não são vampiros. Demoraria muito tempo para hipnotizar quase todos daquela maneira. Eu disfarço e vou saindo de fininho e quando olho para cima, esbarro no moreno de barba que me pôs para dentro e ele diz.

— O Kevin gostou de você. Ele quer vê-la.

Droga... Droga, droga, droga, droga DROGA, D R O G A, CAROLINE! Repeti 384vezes essa palavra mentalmente.

Aquele K. não era Klaus. É esse tal Kevin, e eu simplesmente o ignorei lindamente. Agora ele quer me ver em pessoa e, provavelmente, é o responsável pelo atual estado dessas pessoas. Pela primeira vez queria que fosse o Klaus me infernizando. Inimigo por inimigo, preferia um que já conhecia.

Penso em várias maneiras de tentar não acabar com tudo essa noite, mas não há outra maneira senão seguir o fluxo. Sigo o barbudo e logo estamos no andar de cima. Me deparo com um grupo de mulheres dançando animadamente na beirada da sacada que dá visão para a pista e uma mesa com baldes lotados de bebidas num canto com alguns caras em volta dela. Difícil se comportar de uma maneira ao qual você não sabe como fazer. Entro dançando num mix de Beyoncé e Shakira como um boneco de posto de combustível? Ou simplesmente me comporto e fico quieta? Afinal, não eram todos os dançarinos que estavam daquela maneira, e por mais que todos estejam no clima da Lady Gaga, com ou sem vazio nos olhos, prefiro a última opção. Um homem alto e bem vestido se aproxima de mim. Não consigo ver seu rosto, apenas algumas feições e ele me diz.

— Foi um pouco mais complicado que pensei te achar na multidão. — Ele dá um sorriso charmoso e finalmente se aproxima suficiente para eu ver seu rosto. – Pensei que fosse me ignorar para sempre. — Eu olho sem responder nada. Não que eu não quisesse, apenas me faltaram palavras e atitudes. Danço, corro ou me escondo entre os dedos? Ele faz um gesto para a mesa e eu o acompanho. – Qual o seu nome, afinal? — Fala sentando-se e me entregando uma bebida. Por um momento eu recuso, mas percebi que ficaria estranho demais se o ignorasse de novo.

— Caroline. — Disse e ele me deu um sorriso. – Ke... Kevin. — Disse um pouco preocupada. – Em breve terei que ir. — E fiz cara de pena.

Não que fugir fosse minha melhor opção, e eu normalmente não fugia das coisas. Vide Klaus, pois cá estou eu, embarcando numa aventura com o inimigo, segundo Stefan, todos e minha consciência. Mas ficar ali de fantoche não parecia uma boa ideia. Acredito que uma hora ou outra ele perceberia que eu não agia como as outras pessoas e pior, tinha percebido isso na hora que parei de dançar. Talvez por isso ele tenha me chamado aqui.

— Ah, entendi. Está apenas a negócios aqui em Vegas. — Kevin fala e eu concordo mesmo não sabendo que merda era aquela desculpa que ele mesmo inventou para mim.

Uma música um pouco mais lenta e sensual começa a tocar e ele se levanta me puxando junto ao seu corpo e diz.

— Então acredito que não se importe de dançar comigo uma única vez antes de ir. Te vi animada lá embaixo e confesso... — Nesse momento o “cortesia da casa” se aproximou do meu ouvido e disse baixinho. – Gostei de você.

Eu apenas o acompanhei no ritmo. Aquilo era agradável demais para ser verdade. Muito agradável.

POV KLAUS

Acordo de madrugada com fome, e esperando que Caroline esteja dormindo em seu 15º sono, mas tudo que me deparo é uma cama arrumada e vazia. Amanhã teremos um longo dia pela frente e ela foge da minha vista. Não seria tão estúpida de retornar, eu sei, mas coisa boa não é. A essa hora provavelmente teria que procurar, mais uma vez, a loira mais escandalosa que conheci por toda cidade.

Saí para me alimentar. Uma pessoa seria suficiente, mas não queria deixar um rastro de corpos durante minha estadia, então prefiro ir para um lugar movimentado suficiente para ninguém reparar em alguns ferimentos aleatórios e inocentes em seus corpos ou no dos amigos.

Penso em desistir de procurar Caroline e esperar que ela retorne quando passo em frente à XS, uma antiga casa noturna, a preferida da minha querida irmã e a que mais frequentava. Constantemente ela levava alguns pretendentes daqui para casa, do qual dormiam com ela, e amanheciam drenados. A essa hora não se formavam mais filas e entrei sem precisar de força bruta ou algo pior.

O lugar está lotado, como sempre, e com muita gente drogada, como sempre. Seria um pouco mais complicado dessa vez escolher a janta, algo parecia diferente. Tudo estava estranho. Não sou fã de boates, acho as pessoas que as frequentam e a música insuportáveis, e eu conhecia esse lugar bem suficiente para perceber que havia algo que fugia do padrão de normalidade, se é que isso existe.

Olho a minha volta e adentro a multidão. Sou agarrado por algumas mulheres possuídas pelo ritmo do ritual de acasalamento maluco enquanto tento atravessar a pista de dança e paro para observar algum canto no qual poderia ir sem ser molestado. Ao correr minha visão na parte superior do local, vejo uma mulher toda de preto, loira, com um vestido curto, decotado, justo, uma boca expressiva por um batom vermelho sangue e os olhos marcantes. Penso em Rebekah por um momento, mas me lembro que ela está no Quarter resolvendo alguns problemas familiares, então olho com mais cautela e percebo que se tratava de Caroline. Vestida para matar, se esfregando em um cara qualquer na área VIP. Quem ela pensava que era para sair da minha vista e vir parar nesse lugar com essas pessoas se expondo a um risco que não poderíamos correr? A cabeça pedida da vez era de vampiros e não poderia deixar que minha companhia se desviasse do objetivo.

Me preparo para subir a área e o faria de qualquer jeito, nem que eu tivesse que compelir todos os seguranças e acabar com a festa de Caroline quando percebo que ela não está mais lá. Corro os olhos por todo lugar e vejo aquela mulher veneno andando em direção a saída rapidamente.

— Está com pressa, amor? — Falo aparecendo na sua frente e ela não parece assustada ao me ver.

— Klaus! — Ela sussurra já do lado de fora olhando para os lados para ver se não há alguém por perto. Eu a pego pelo braço e a afasto da saída, colocando-a encostada na parede de frente para mim.

— Não me venha com desculpas para o que fez hoje, Caroline. — Disse um pouco irritado. – Sabe que temos responsabilidades e...

— Droga, Klaus! — Ela olha mais uma vez para os lados. – Me escuta! — Eu solto seu braço, ela fala o que ocorreu e agora, para mim, o fato dela sumir não pareceu tão grave.

— Agora pouco ele me entregou esse envelope e percebi que ele tem uma marca nas mãos, e todos os que estavam ali também tinham, inclusive o segurança que me deixou passar. — Caroline falava sussurrando, mas muito rápido, engatando uma palavra na outra, sem pensar. – Antes de eu sair ele pegou na minha mão e falou alguma coisa que não consegui entender. E se ele for um bruxo, feiticeiro ou algo assim? Ai, droga! Preciso da Bonnie. Preciso do Stefan. Eu quero meus amigos. Vou ligar para minha mãe. Um sms para meu pai...

— Caroline! — Eu falo mais alto e firme que o necessário e ela sai um pouco do transe. – O que tem nesse envelope?

— Não sei. Eu não abri. — Ela falou e fez uma cara óbvia.

Então o abriu e puxou um papel colorido escrito “Damas” e 3 fichas de cassino.

— Klaus... — Disse olhando para o convite e as fichas. – É esse símbolo. — E aponta para o centro das fichas. – Isso estava na mão deles.

Olho mais perto e percebo que tem alguém se aproximando. Puxo Caroline para o terraço de uma loja ao lado da XS e de lá conseguimos ver o que acontece lá embaixo no beco.

— Preciso que tudo dê certo, Marcus! — Caroline pensa em falar algo, com certeza alto suficiente para chamar atenção, então eu a impedi.

— Não faça isso Caroline. — Sussurrei em seu ouvido. – Está muito silencioso. — Ela pareceu um pouco confusa, afinal eles não eram vampiros, mas eu sabia como Caroline era e provavelmente não seria discreta. – Não sabemos com o que estamos lidando, amor. Eles podem nos ouvir. — Concluí e ela acatou meu pedido. Agora ambos prestam mais atenção no homem que esbravejava.

— Peça as bruxas para fazer com que dê. Não quero interferências. Elas também precisam da gente e eu preciso de mais público. A cidade não atrai tantos turistas como antes, então peça para que façam o trabalho direito. Tem que ser tudo fascinante, mesmo que seja um total fracasso, entendeu?!

Ele fala, o homem sai, e acende um cigarro.

— Aquele homem foi o que me entregou o envelope, Klaus. O nome dele é Kevin. — Caroline disse enquanto caminhávamos de volta para o hotel. – Foi com ele que eu dancei antes de decidir ir embora da boate quase correndo.

— Me poupe dos detalhes, Caroline. — Disse levantando a mão em sinal de pare e ela não obedeceu. Novidade...

— Você viu a mão deles?

— O mesmo símbolo do cassino. — Eu digo e ela assente.

— Acho que eles são bruxos. — Ela disse em uma voz meio oscilante.

— Não são. — Nesse momento Caroline me olha surpresa e eu explico. – Não existem bruxos, apenas bruxas. Pode ser que eles tenham feito algum pacto com as bruxas e elas utilizam da sua energia para canalizar o poder. Nesse caso, acredito que seja para magia nega.

— Como sabe? — Caroline estava realmente curiosa e eu parecia um professor paciente demais explicando geometria analítica para um calouro.

— Eles usam magia para benefício próprio. Mas não proteção, saúde ou algo do tipo. E esse símbolo, Caroline, não é de algo bom, puro, limpo. Isso é magia negra.

“Ainda que nas luzes se encontre, a escuridão predomina.”. — Caroline repete como um robô e pela primeira vez olhamos um para o outro sem querer nos matar.

— O que quer dizer, Caroline?

— As luzes, Klaus, não é só Las Vegas, é a boate. Se ela é o palco principal de magia negra, provavelmente usa humanos como sacrifício, oferenda e sei lá que porra de nome eles dão para isso. Mas é algo obscuro, sombrio... E deve ter a ver com aquelas pessoas.

Olho para Caroline surpreso. Pelo visto ela não é só uma vampirinha recém transformada e insuportável vinda de cidade pequena com a mente pequena. Ela tinha um quê de esperteza. Talvez seja por isso que se manteve viva até agora. Me veio um pequeno fragmento de lembrança do porque comecei a gostar dela. Quando fui para Nola fiz questão de esquecer, de verdade, tudo o que passei com Caroline já que ela estava destinada a me odiar eternamente pelas coisas que fiz.

— Os humanos são o sacrifício, os bruxos... ELES, são o canal e as bruxas de fato o poder. É uma troca de favores mortal.

— Estou impressionado. — Falo e ela faz uma cara cínica parecida com a minha. – Apesar de ser loira... — Dou uma risada ao mesmo tempo que Caroline me bate no braço.

— Idiota! — Ela me bate de novo e da uma gargalhada. – Agora me ajuda a tirar esses sapatos. — Ela se debruçou em mim e tirou um, depois o outro. Apesar dela não querer, eu peguei os seus saltos 15, 18, 26cm (?) e os levei todo o caminho.

— Percebe o quanto é ridícula essa história? Bruxas escondendo um objeto em camadas para que não seja descoberto, e do qual liga Hayley, ou seja, seu filho, a uma outra bruxa que possui poder para te manipular. Seria engraçado se não fosse trágico. — Ela diz rindo e meu humor acaba um pouco.

POV CAROLINE

A noite em geral foi agradável, confesso. Mesmo com aquela doideira na boate. Eu tinha esquecido que por trás de toda aquela insanidade, Klaus ainda sabia ser divertido, sarcasticamente divertido. Tudo bem ele ser cavalheiro e carregar meus sapatos dessa vez. Não estava afim de esforço mesmo, então apenas seguimos nosso caminho conversando e rindo até que ele mudou um pouco de humor de repente. Essa doce loucura do Mikaelson híbrido...

Subimos e a música ridícula do elevador não me incomodou tanto essa noite. Corri para o banho assim que as portas se abriram. Com a cara de Klaus e apenas um banheiro disponível para duas pessoas, eu quis ser a primeira a utilizá-lo porque ele parecia disposto a demorar mais um milênio de vida naquela convidativa banheira. Mas tudo que consegui com minha pressa foi arrebentar o pequeno feixe do vestido e não conseguir tirá-lo mais.

— Puta que pariu, que merda eu fui fazer. Grandíssimo filho da puta que fez essa merda com só isso de zíper e o resto de nada com nada. E quanto isso custou mesmo? Ah, sim, esse maravilhoso pedaço de pano custou a porra de U$$250,00, nada demais, não é Caroline idiota? Nem para esperar a droga de um liquidação como de costume... — Falei baixo mas acho que não faz muito sentido quando se tem vampiros no ambiente. Então desisti de tentar sozinha e exclamei. – PORRA! Não pode ser! — Além de não conseguir tomar banho, morrerei sem respirar nesse vestido.

Klaus perguntou algo e eu disse para ele entrar. Na mesma hora riu da situação, fazendo uma piada qualquer esbanjando novamente seu velho e conhecido sarcasmo. O que eu tinha falado de humor antes mesmo? Nem mulher com a pior TPM do mundo faz essa variação tão bem quanto Klaus.

Pedi ajuda a ele e o senti hesitar por um momento. Talvez esteja cansado demais para continuar de pé, mas por fim, resolveu me ajudar. Ele não precisava dizer que não havia outra maneira de tirar o vestido se não o rasgando. Já estava até conformada. Então ele o fez cuidadosamente, tomando cuidado para não rasgar tudo me deixando nua de vez, o que é ótimo.

Senti o toque frio de Klaus ao desabrochar das costuras, me arrepiando toda mesmo contra minha vontade, e quando aquilo não podia ficar mais desconfortável, ele parou e eu percebi que não havia outro jeito de continuar se não tirando a parte de cima. Eu tirei as alças cuidadosamente e me virei um pouco para trás, colocando o braço em meus seios. Eu ouço ele engolir a saliva com a cena, e devido a nossa história em Mystic Falls, eu sabia o que provavelmente isso causaria a ele. Ao se aproximar, pude sentir o volume em sua calça. Eu já sabia que Klaus tinha desligado o pouco de humanidade que tinha restante antes de voltar para New Orleans. Talvez ele estivesse solitário demais e isso o deixou sem controle. Antes que algo fugisse do esperado, eu pus a mão onde ele estava e o agradeci. Ele saiu tão rápido do banheiro que nem sei se me ouviu agradecê-lo.

POV KLAUS

Subimos e assim que abrimos o quarto Caroline correu para o banheiro e em alguns minutos depois sibilou alguns palavrões baixos demais até para ela. E eu estava começando a ficar curioso.

— PORRA! Não pode ser! — Ela grita por último e bato à porta do banheiro. – ENTRA! — Novamente grita e eu abro rindo da cena. – Que merda, Klaus! O zíper emperrou e agora eu o quebrei. Não acredito que paguei tão caro em um vestido de merda desse! — Ela disse sacudindo o zíper quebrado na mão muito desapontada pela qualidade do material do acessório.

— Isso que dá comprar algo que era para ser uma blusa e que por 1cm a mais transformaram em um vestido. — Dou uma risada e ela bufa.

— HAHAHA. Muito engraçado. — Ela diz sem humor, ainda chateada por não poder mais vesti-lo. – Só me ajude a tirar isso aqui, preciso u r g e n t e de um banho. — Me nego mentalmente por um momento, estava cansado mesmo tendo descansado mais cedo e ainda com fome, então precisava dormir. Mas me aproximo e tento continuar com o cavalheirismo de mais cedo.

Por mim, eu puxaria forte o micro vestido para tirá-lo de vez. Mas não queria que ela ficasse nua, ou constrangida, então o puxei aos poucos. Eu sentia costura por costura se desfazer em minhas mãos. À medida que suas costas ficavam expostas eu a tocava de leve involuntariamente, arrancando de Caroline alguns arrepios. Aos poucos o pedaço de pano que cobria sua pele alva se desfazia e nós ficamos em silêncio todo o tempo. Eu apenas a sentia arrepiar a cada toque, cada vez que eu descia... Chegou um momento que eu não conseguia mais fazê-lo sem que antes Caroline tirasse a alça. E assim ela o fez, cobrindo os seios com apenas um braço, os deixando escapar um pouco. Em um determinado momento não havia como descer sem ver algo mais e ela segurou agora onde eu estava com as mãos. Ela me agradeceu e eu saí o mais rápido que pude do banheiro, estalando a porta atrás de mim antes que ela percebesse o que isso me causou. E fiquei alguns minutos no quarto um pouco atônito, sem reação.

Eu tinha desligado um pouco mais da minha humanidade, o mesmo resto que Caroline havia resgatado em mim, antes de ir embora, para esquecê-la, e deixar tudo o que tivemos para trás, seguir em frente. Tanto que fui capaz de fazer o que fiz com os seus amigos sem culpa e sem arrependimentos. Mas no primeiro momento de um sorriso sincero, de uma frágil feminilidade que só Caroline sabia esbanjar, algumas memórias curtas me invadiram, e eu precisava urgente descer para beber. Beber muito. Muito mesmo. Até desmaiar. Mas não podia. Então apenas me sentei no bar com uma garrafa só minha imaginando como daríamos sequência às buscas.

Subi para o quarto tão embriagado que não queria sequer saber de banho, ou troca de roupas. Passo pelo corredor e vejo Caroline dormindo no sofá. O meu sofá. Se alguém conseguia irritar tanto uma pessoa, aquela era Caroline. Olho para a mesa na frente dela, vejo o convite que Kevin a entregou e o pego.

Estávamos perto? Não tinha como saber sem antes imaginar pôr Caroline na arena com o leão.