Hot Cold Blood - Klaroline.

7 Capítulo 7 - Las Vegas II - Cassino Royal Ópera.


POV CAROLINE

Como vim parar nesse sofá mesmo? Que eu me lembrasse esse era o templo sagrado de Klaus.

Desci um pouco desnorteada e fui tomar um café da manhã. Estava com fome e apesar de panquecas não saciarem esse tipo de fome, ajudava na concentração até arranjar algo decente.

Sentei em uma mesa e um garçom bonitinho veio me atender. Logo em seguida senti alguém atrás de mim.

— Pensei que não fosse acordar mais. — Klaus se aproximou com aquele sotaque inconfundível e sentou-se à minha frente.

— Me diz que tem uma daquelas canecas milagrosas. — Me aproximo esperançosa do rosto dele e falo baixo. – Por favor, diz que tem.

— Não, Caroline, não tenho. Na verdade, também estou atrás de uma dessas. — Eu bufei forte pelo alto nível de estresse e isso pareceu divertir Klaus que agora ria da minha cara.

Estávamos tranquilos comendo quando Klaus quebrou um pouco o silêncio.

— A respeito de ontem... — Ele dá uma garfada na panqueca e nesse intervalo eu pensei na cena do banheiro e como ele ficou. Talvez agora ele tenha elaborado algo e queira falar.

Não... Ele não queria e eu também não. Então me lembrei de coisas mais bizarras que aconteceram antes disso e respirei aliviada.

— Acho que deva aceitar o convite. — Ele disse e continuou mastigando.

— O QUE?! — Larguei o talher na mesa e Klaus me encarou. – Aceitar o convite de um maníaco praticante de magia negra? Ah, claro. Por que não? Sempre quis ser um tipo de boneca vodu, sabe? Nada de Barbie! Meu sonho de criança. — Falei seca e ele fechou o sorriso. Nada foi esboçado por ele, nem cinismo, nem sarcasmo, nenhum sorrisinho idiota ou frase de efeito.

— Não pense que sugiro isso porque quero, Caroline. — Ele diz em um tom irritado suficiente para me assustar. – É a única forma de nos aproximarmos de Kevin e você sabe disso!

Sim, eu sabia, mas não queria cair a ficha. Em que merda eu fui me meter? Justo agora, faltando um pouco menos de duas semanas para a faculdade. Justo agora que eu consegui seguir em frente mesmo sem Tyler. E eu estava aqui “presa” pela minha própria escolha com a criatura mais perigosa do planeta, cujo a qualquer momento, se eu fizesse um movimento brusco, arrancaria minha cabeça. Difícil me adaptar a Klaus sem sua humanidade, pelo menos comigo. Aparentemente ele percebeu minha cara de preocupação.

— Amor, você sabe que eu não te deixaria sozinha. Você é muito impulsiva. — Ele disse virando a cabeça um pouco de lado. – E inconsequente... — E concluiu tirando do bolso um papel parecido com o que Kevin me deu.

— Como conseguiu? Esses ingressos são de cortesia! — Falei inconformada.

— Digamos que tenha meus contatos. — OK. Agora imaginei algumas cabeças rolando para que isso chegasse às mãos dele. – Nada como conseguir o último par de ingressos de um jovem casal apaixonado. Não foi fácil. E o marido não estava muito feliz em me ceder a esposa...

— Você vai com a esposa do cara que roubou os ingressos?! — Grito e por sorte a essa hora o restaurante estava vazio. – Você é um idiota! — Bufei cruzando os braços.

— Calma, amor, eu não vou com ela. Eles terão a noite mais entediante de todas hoje. Ou não. Afinal, eles só poderão sair do quarto quando eu quiser.

— Se a esposa está no quarto com ele, e eu vou... TENHO que ir com Kevin... — Ele não esperou que eu completasse a frase.

— Mulheres é o que não falta em Vegas, Caroline. E disposta a esse tipo de negócio, é complicado. Mas já resolvi isso.

— Agora me poupe VOCÊ dos detalhes. — Ele deu uma gargalhada.

— Vamos. — Ele se levanta e eu continuo sentada.

— Para onde?

— Primeiro, estamos com fome. — Ele fez um olhar sugestivo do qual eu entendi muito bem. – Segundo, eu entendo que você queria dar uma variada no seu guarda roupas pós-término com Tyler, mas essas roupas de vadia combinam mais com Rebekah, amor. — Ele diz sincero, mas com um sorriso cínico. – E digamos que aonde vai não seja o ambiente correto para uma blusa comprida que você ousa chamar de vestido.

— Você fala como se fosse um casamento ou algo do tipo. Não fui convidada para madrinha, Klaus.

Nós saímos e logo estávamos no Centro. Ele me levou a um shopping sensacional. Crystals At Citycenter parecia um mundo. Para não me perder, embora eu quisesse, eu apenas o segui. Ele passou por um corredor só de lojas de roupas, eu queria entrar em todas e experimentar todos os looks dos manequins, mas sentia Klaus me fuzilar com o olhar toda vez que eu parava em frente a alguma vitrine. Me perdi na última loja admirando seu conteúdo pelo lado de fora quando percebi que foi nesta que Klaus entrou.

Tudo era um luxo, eu olhava deslumbrada para a quantidade de vestidos, sapatos, bolsas e joias expostas e queria dar um abraço no dono pelo bom gosto. Continuei olhando para todos os lados quando Klaus apareceu junto com uma jovem bonita que veio me atender.

— Precisamos de algo elegante e espetacular. — Ele disse sorrindo para a atendente que se desmanchou com o encantador sotaque do Mikaelson maquiavélico. Se ela ao menos soubesse...

Vejo a aspirante a modelo voltar com pelo menos cinco vestidos e deixá-los expostos em cima de um sofá perto dos provadores. Ela saiu para buscar algumas outras coisas e Klaus se aproximou de mim.

— Todos são bonitos, mas nenhum se compara ao longo azul que te dei para o baile dos Mikaelson. Pena ele não estar aqui. — Ele disse se achando o máximo que seu ego conseguia. Eu pensei em falar algo malcriado que o irritasse pelo resto do dia, mas ele tinha razão, nenhum dessa loja nem de nenhuma superava aquele vestido, não importando o quanto esnobe foi esse comentário dele.

A menina voltou com algumas caixas de sapato e as deixou no chão. Nessa hora seu celular tocou e ele se afastou. Eu entrei na cabine e comecei a vestir a primeira peça.

POV KLAUS

— Como estão as coisas em Vegas, irmão? — Rebekah disse em um tom animadinho demais.

— Um pouco mais agitadas que pensei, irmãzinha. — Disse sem humor e ela continuou.

— Sobre a bruxinha de Marcel, seu nome é Davina e pelo que descobrimos, ela é uma das garotas da Colheita e...

Rebekah continuou me atualizando a respeito dos últimos acontecidos em Nola e quando ela acabou, eu me virei e vi Caroline saindo do provador. Olhei em sua direção e senti vontade de rir do que vestia. Pelo jeito a linda atendente não tem um gosto tão sofisticado assim ou não quer que Caroline me chame mais atenção que ela. Tapei o microfone do celular para Rebekah não saber do que se tratava ou me pediria para levar toda loja comigo e me dirigi à Caroline.

— Muito longo. — Falei rapidamente e Caroline bufou, entrando novamente no provador com outro vestido e continuei falando com Rebekah sobre uma outra consulta de Hayley, dessa vez para atestar a saúde do bebê já que a barriga dela estava maior desde que soubemos da gravidez.

Confesso que não fiquei muito feliz em saber que o relacionamento de Elijah e Hayley havia se estreitado demais a esse ponto, mas não podia reclamar, ele estava sendo protetor. Típico de Elijah, o nobre.

Já estou virado para o provador e vi Caroline sair novamente, dessa vez com um vestido um pouco melhor que o primeiro. Um pouco. Ela se aproximou de mim ajeitando o vestido e ia falar algo quando ela paralisou no caminho pelo mesmo motivo que eu.

— ... A propósito, estou muito feliz em ser tia de uma linda garotinha. Minha sobrinha vai parecer uma boneca de tanto mimo. Parabéns, Nik. — Rebekah concluiu e desligou.

Eu e Caroline nos olhamos assustados e em questão de segundos ela abriu um sorriso largo com um olhar brilhante. Olhei para ela e me imaginei fazendo a mesma coisa que agora com a minha filha. Escolhendo vestidos de aniversários, de 15 anos, de formatura ou de casamento. Essas imagens passaram por mim e com um toque do abraço de Caroline, elas se dissiparam da minha mente. Não havia a menor possibilidade disso acontecer devido as circunstâncias. Voltei à realidade com uma loira de olhos azuis me encarando. Caroline me odiava, mas ela não precisou dizer uma palavra para eu saber que estava tão ou mais surpresa que eu, e também feliz. Essa humanidade de Caroline me deixa intrigado.

Ela virou de costas sem dizer nada e desapareceu na loja. Eu iria atrás dela, mas me distraí com a atendente que me mostrava algumas joias que poderiam combinar com os vestidos enquanto trocávamos olhares. Caroline voltou pisando fundo, talvez para fazer cena diante da minha distração com a bela menina ao meu lado, mas tinha umas peças em mãos que não davam para identificar. Ela se vestiu rápido e saiu fazendo um pequeno desfile na nossa frente, jogando os cabelos e dando uma volta. Olhei para ela divertido, que retribuiu, calçando também uma sandália alta que havia pegado junto com o vestido que, por sinal, servia perfeitamente para a ocasião.

— Até que enfim uma roupa que não me faça perguntar quanto você cobra a hora. — Ri e na hora ela me bateu.

— Só preciso de um número maior. — Ela disse apontando para a sandália e a entregando para a atendente que rapidamente foi buscar outra. Caroline se distraiu experimentando as joias e não percebeu a demora.

Dei uma volta na loja a procura da menina e uma colega dela me apontou uma porta em um ambiente pouco iluminado e isolado nos fundos. Eu fui até lá e percebi que se tratava de um pequeno estoque. A porta estava entreaberta e eu entrei. Ela se virou rapidamente, assustada e percebi pela sua reação que não era permitido a entrada de terceiros.

— Desculpe, amor. Estava com pressa, mas já estou de saída.

Em alguns segundos sua feição mudou de assustada para não sei o que, mas ela não deixou que eu saísse e me puxou, colando seus lábios nos meus.

Eu retribuí e ela me empurrou para um canto ainda mais isolado e escuro do estoque, com algumas caixas empilhadas que tiravam um pouco a visão de curiosos. Ela continuou me beijando e eu passava a mão em sua cintura a fazendo gemer baixo. Ela parecia ter pressa, e eu também tinha, então pôs a mão por dentro da minha calça, sentindo meu membro já enrijecido e o tocando em movimentos repetidos. Eu estava gostando e ela se excitou mais ainda quando toquei seus seios. Em pouco tempo, ela se ajoelhou e expôs meu membro, o colocando na boca devagar enquanto me tocava, me deixando louco. Eu segurei seus cabelos, ditei o ritmo e ela pareceu gostar. Eu dava estocadas em sua boca enquanto ela me engolia com vontade, e apesar de eu ser egoísta e estar quase gozando, lembrei que havia frustrado os planos de Caroline em relação a isso duas vezes, então não seria justo eu continuar enquanto ela escolhia a roupa da qual iria para o abate.

POV CAROLINE

Já tinha escolhido tudo. O vestido, os acessórios e agora só faltava a sandália. Olhei em volta e não vi os dois. Rodei toda a loja imaginando que ela mostraria tudo só para passar mais tempo com ele, mas não os vi. Olhei para os fundos e vi uma porta entreaberta. Talvez ali fosse um estoque ou algo assim. Se fosse, ela estaria ali.

Me aproximei e escutei barulhos de movimento com alguns ruídos já conhecidos por mim. Entrei e me deparei com Klaus de pé enquanto a atendente mexia animadamente dentro da sua calça. Ele parecia tão disperso que não percebeu que eu estava ali. Mas sinceramente, estava com tanta raiva que nem um escândalo eu consegui fazer. Joguei as coisas de qualquer jeito ao lado do caixa, guardei meu cartão, joguei minha carteira na bolsa e saí da loja enfurecida.

Eu me dirigia para fora do shopping quando em poucos minutos senti alguém me acompanhar.

— Onde vai com essa pressa, amor? — Ele falou acelerando o passo até a mim.

— Meu Deus, Klaus! Você consegue ser um idiota em qualquer lugar! Impressionante sua hipocrisia! — Falei alto, inconformada. Ele me alcançou e agora andava ao meu lado.

— Não que eu não quisesse, mas seria injusto, amor. Afinal, estamos aqui apenas para negócios, certo? — Ele disse sarcasticamente fazendo alusão a desculpa perfeita que Kevin involuntariamente me deu. Se aproximou mais um pouco de mim e disse:

— Guardei um pouco para você também. Ela ainda está lá nos fundos. — Ele disse enquanto acabava de limpar o canto da boca. – E viva. — E falou como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. E de fato era. Para ele.

Ele se pôs à minha frente, me fazendo parar. Cruzei os braços extremamente irritada e ele me olhou de lado, me fazendo relaxar um pouco, pelo menos o suficiente para descruzar os braços. Esticou uma sacola que sem pensar eu peguei.

— Uma cortesia por você me aturar essa viajem. — Eu abri e vi o vestido, as joias, a bolsa e a sandália que eu tinha escolhido... E abandonado. Eu não queria sorrir agradecida e fiz um esforço muito grande para parecer séria, mas ele notou, riu de mim e eu continuei caminhando para não dar confiança.

— Uma menina, Ham? — Falei tentando terminar com o clima pesado que ficou depois do que aconteceu no estoque com a atendente. Ele estava prestes comê-la de outra forma quando decidiu fazer isso literalmente. Sinceramente não sei o que é pior.

— Desde que ela não puxe a vagabunda da tia... Ou a louca da avó... — Klaus sorriu, e pela primeira vez desde que o vi, foi genuíno.

— Ou o idiota, egocêntrico, megalomaníaco e tarado do pai. — Disse sarcástica e pensei que ele fosse tentar me matar ou fechar o tempo por isso, mas estava com um bom humor de outro nível e sorriu com meu comentário ácido.

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Chegamos ao hotel e Klaus começou a se arrumar primeiro que eu. Comecei a perguntar quando finalmente teria meu próprio quarto. Ele saiu primeiro para pegar sua companhia e eu fiquei no hotel acabando de me arrumar.

Me dirigi para o local que estava no convite e percebi o porquê das fichas. Se tratava de um cassino, e as fichas eram a entrada. Passei pela parte de cima e quando olhei para baixo, percebi a mesma coisa que na boate e me deu um frio na espinha. Os movimentos das pessoas eram mecanizados, robotizados e seus olhos vidravam-se no nada e no barulho insuportável que aquele lugar fazia. Parecia que a única coisa que tinha vida eram os caça-níqueis e a quantidade absurda de roletas espalhadas pelo local.

Para vampiros, qualquer barulho repetitivo era irritante, mas o Cassino Royal era tortura. Talvez seja por isso que vampiros não frequentam mais Las Vegas.

Andei mais um pouco pelo saguão quando vi um moreno alto, elegante e sorridente vindo em minha direção.

— Você está linda. — Kevin deu um sorriso largo e me girou. – Preto realmente combina muito bem com você. — Falou me dando um beijo na mão.

— E preto também combina muito bem com você. — Sorri falsa. E combina mesmo, seu praticantezinho de magia negra maldito... e lindo. Pensei. Só pensei. Nem em sonho poderia falar algo assim, e segundo Klaus, eu sou “impulsiva e inconsequente demais”, então era melhor me controlar essa noite.

— Me dê uns minutos, linda. — Kevin falou e eu acenei. Ele se retirou para cumprimentar alguns convidados.

Olhei em volta e compreendi porque Klaus não me queria de decotes extravagantes. Todos muito pomposos e muito comportados.

Dei uma volta pelo salão sendo simpática com as pessoas que passavam por mim e quando me virei não acreditei no que eu vi. Klaus de smoking, OK. Mas aquela puta ao lado dele estava com o vestido mais curto que o meu de ontem, se é que isso fosse possível. Klaus era um velho conhecido por discrições desse tipo, mas aquele vestido rosa choque era insanidade! Mas ele era mestre em me irritar e tenho certeza que a escolha foi proposital.

— Olá Caroline. — Ele disse com um sotaque carregado, se aproximando de mim e a sua “acompanhante” sorriu junto. Ainda teve o mal gosto de contratar uma morena.

— Klaus... — Pensei em soltar uma piada quando Kevin reapareceu atrás de mim cumprimentando Klaus com um aceno e me afastando deles.

— Parceiro de negócios. — Falei antes de Kevin perguntar quem era aquele homem elegante com a puta mais escandalosa do mundo.

— Vamos. O concerto começa em 10 minutos. — Kevin estendeu o braço e eu o acompanhei.

Entramos no lugar e tudo era lindo. Agora entendia porque Klaus era tão fascinado por esse tipo de ambiente.

Ele passou na minha frente e foi para o camarote do outro lado, tendo a cara de pau de sorrir. Eu o ignorei e isso pareceu tê-lo deixado ainda mais convencido do seu êxito em me estressar.

POV KLAUS

As cortinas se abriram e lá estavam os cantores e os bailarinos. Assim que a música começou, apesar de não ser ao todo ruim, me fez esboçar uma cara feia. Caroline olhou para mim nessa hora e pareceu não entender a minha reação. E nem poderia. Para um amador, aquilo era lindo, mas para os meus ouvidos, não era uma agressão, era um espancamento.

O público parecia vibrar a cada movimento, a cada timbre, e agora entendo porque Kevin precisa de um feitiço para manter o público atônito e fiel. Provavelmente vampiros não podem entrar na dança. Talvez seja por isso que quase todos foram expulsos da cidade.

Ele usava a boate como um caldeirão, canalizando maior fonte de poder para as bruxas, que devolviam o favor. Odeio admitir, mas Caroline tinha razão.

Olhei para frente no primeiro andar e vi o segurança e o barbudo ao qual Caroline se referia ontem conversando intimamente. Olhei melhor e percebi que se tratava do mesmo cara que Kevin gritava ontem no beco. Minha curiosidade estava me incomodando mais que o péssimo espetáculo que passava a minha frente e me concentrei o máximo que pude para ouvir a conversa, sem sucesso.

Fitei Caroline e vi que ela estava prestando muita atenção na performance da bailarina. Senti uma ponta de desejo e inveja em seus olhos e por um momento desejei que estivéssemos ali apenas para assistir um bom espetáculo de música e dança decente para que ela pudesse apreciar uma verdadeira obra de arte, não esse pseudo teatro que acontecia no palco.

Kevin não percebia minha interação com Caroline. Ele estava ocupado demais tentando impressionar todos com sua riqueza, então se preocupava em olhar para todos os lados, menos para nós dois. O que é ótimo.

Assim que acabou o segundo ato Caroline voltou à terra, olhou para mim e depois para frente. Ela só se virou novamente quando percebeu que eu não pararia de encará-la enquanto não fixasse sua atenção em mim.

Ela disfarçou e disse algo para Kevin do qual eu não pude ouvir devido a todo e insuportável barulho. Se levantou, e percebi ser a minha deixa.

Nos encontramos no saguão, que nesse momento se encontrava vazio.

— Qual o problema, Klaus?! — Ela disse irritada cruzando os braços.

— Provavelmente teremos uma pequena aventura agora, amor. — Disse e ela virou os olhos.

— Não pode esperar acabar? — Sussurrou ainda com os braços cruzados.

— Receio que não. — Ela olhou para mim com fuzilamento.

Nesse momento, Lola, que provavelmente sentiu minha ausência se aproximou, olhando Caroline de cima a baixo com desdém. Senti os olhos das duas saírem faíscas. Confesso que me diverti com isso.

— Tome. — Disse entregando o pagamento de Lola. Uma quantia bem generosa. – Vá para qualquer lugar, menos aqui. — Ela sorriu e me deu um selinho.

A parte boa de contratar alguém disposto as suas vontades é que não precisa as compelir para fazer o que quer.

Antes de sair, elas se encararam e Lola desapareceu sem que Caroline tirasse os olhos dela.

— O que você disse sobre minha discrição mesmo? — Sorriu irônica.

— Sabia que ia gostar do vestido. — Disse e Caroline bufou virando-se com raiva e voltando para a direção do teatro com passos pesados e apressados.

Fiquei ao seu lado e segurei seu braço com um pouco mais de força que o necessário. Ela me olhou assustada e eu a soltei.

— Eu voltarei lá para cima, assistirei o restante do concerto com Kevin e depois farei o que tiver que fazer para arrancar palavra por palavra daquele filho da puta. E- la falava devagar e firme enquanto apontava o dedo para o meu rosto em um certo tom de ameaça. Não preciso dizer o quanto aquilo me irritou. Caroline é petulante, mas não pode achar que ultrapassará os limites comigo, muito menos agora.

Ela me encarou e olhei para ela irritado, dizendo o que precisava dizer.

— E o que vai fazer exatamente? Dormir com ele para que revele tudo depois que acabar? — Ela me olhou furiosa. – Não se gabe, amor. Ele deve ter milhares que fazem isso muito melhor que você e garanto... — Dei uma pequena pausa e continuei me aproximando dela que matinha seu olhar furioso. – Nenhuma delas conseguiu nada, então não pense que conseguirá porque é “especial”. — Fui sarcástico suficiente na última palavra para ver seus as chamas de seus olhos se apagarem, ficarem negros e veias surgirem.

Ela voou com uma rapidez, me atingindo no rosto, onde deixou uma marca, que mesmo sendo vampira nem eu sabia que ela tinha. Deixei Caroline ofendida suficiente para ela ousar repentinamente me ferir. Tentar me ferir. A joguei com brutalidade contra a parede e a prensei, puxando seus cabelos com força para trás e ela fez uma expressão de dor. Mesmo assim tentou se virar. Segurei seu braço e o torci até ouvir um pequeno estalo. Seus olhos se encheram de água e ela gritou.

— Aaaahhh!!!

Não era a música que estava alta, mas o som vindo do cassino era tão ensurdecedor que ninguém prestou atenção na breve demonstração de dor que proporcionei a bela loira, novamente vestida para matar, achando que faria isso literalmente. Se eu ao menos sentisse pena...

Continuei torcendo seu braço ouvindo aumentar cada vez mais tanto o barulho dos ossos quase se partindo quanto os gritos e a feição de dor de Caroline.

— AAAAAAHHHH!!! PP.....AA..PAA...RE..POORR... FF.AAAA....VV. — Caroline suplicou em meio às lágrimas.

Não queria uma Caroline impossibilitada de me ajudar, então a soltei e ela caiu no chão segurando seu braço, desorientada e chorosa. Eu abaixei e segurei seu queixo. Ela imediatamente puxou o rosto para o lado afastando minha mão. Me aproximei do seu ouvido e sussurrei.

— Agora que sabe exatamente como se comportar, acho que podemos prosseguir com o meu plano, certo, Caroline?

Ela assentiu, mesmo contra sua vontade.

Eu a segurei pelo mesmo braço que torci e a levantei. Ela grunhiu de dor, mas me seguiu sem questionar.

POV CAROLINE

Sempre me disseram que Klaus era um caso perdido e eu as vezes me perguntava se era mesmo. Hoje, me lembrei porque sempre me repreendi por cogitar a possibilidade de gostar dele, de esquecer as coisas que fez e ficarmos juntos em algum canto do mundo sem mortes e sem dor. Mas esse não é o mundo do Klaus. Híbrido, poderoso e impossível. O mundo dele não era sem sangue, sem dor e sem mortes. Era sempre um lutar pela vida constantemente, sem saber se ela durará um segundo, um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década, um século ou um milênio. E era um questionamento louco e inquietante. Um insano tictac de um relógio prestes a chegar á meia noite e explodir no gongo. Era um respirar sufocado. E a humanidade que antes eu conseguia enxergar nele, parece não existir mais.

Eu o acompanhei sem reclamar. Não queria ter nenhum membro faltando quando fosse para a faculdade. Eu precisava dele para escrever! Como faria minha lição de casa ou tomaria nota das coisas para comprar para as festas?

Se eu estava me sentindo triste, humilhada e irritada? Sim, eu estava. Mas também conformada pela crueldade de Klaus, que jamais mudaria, que jamais seria humanizado novamente. Então eu não tinha mais vontade de matá-lo, apenas queria acabar com essa palhaçada por um ser que nem sequer será amado pelo próprio pai, e talvez... talvez fosse melhor fazer nada...

— Caroline.

...Talvez essa criança, essa pequena menina jamais saberá o que é ter alguém que a ame...

— Caroline.

... Não. Ela tem a Hayley, a loba vadia que com certeza a amará...

— Caroline!

... E Elijah também. Sem contar a outra Original, loira e temperamental, quase uma versão feminina de Klaus, que a protegerá...

— CAROLINE!!! — Klaus me sacudiu pelos braços, me tirando do devaneio. Ele me olhou curioso, mas nada falou além de apontar com a cabeça para um grande portão de ferro.

Olhamos para a entrada e lá estavam os seguranças. Se era eu quem queria sair dali o mais rápido possível, seria eu quem acabaria com essa merda.

Não foi preciso muito esforço para eu correr em velocidade e me livrar de um quebrando seu pescoço, e depois do outro rapidamente o compelindo para permanecer no portão, impedindo qualquer um de entrar. Klaus me olhou mais assustado ainda, mas com um sorrisinho debochado no rosto. Eu dei de ombros e passei por cima do segurança jogado no chão. Se Klaus quisesse discrição, sumiria com o corpo ele mesmo. Nem que ele mate alguém, ou mate todo mundo. Foda-se. Eu não tinha mais paciência.

POV KLAUS

Caroline agia estranhamente. Não que eu não estivesse gostando da sua nova versão súbita, mas apenas não parecia certo.

Ela seguiu na frente enquanto eu carregava o segurança para uma das muitas salas do lugar. O joguei em um buraco qualquer e quando voltei, percebi o silêncio absoluto do lugar. Caroline olhava fixamente para o final do corredor. Depois ela se virou para trás, na direção onde eu estava e se assustou.

O que era a primeira sala, se transformou um tão extenso e infinito corredor como se estivéssemos numa sala de espelhos. Não havia mais saída, nem nada.

Ela abria porta por porta no lado onde estava e eu decidi fazer o mesmo na direção contrária. Nada havia dentro delas. Apenas algumas tinham móveis empoeirados e nada mais. Já estava cansado e prestes a voltar depois de ter olhado umas 45 salas.

— Klaus! — Caroline gritou de longe e o som ecoou no ambiente.

Corri rapidamente até ela e olhei para dentro da porta. Estava cheio de figurinos pendurados num cabide de metal comprido, tinha um espelho redondo com luzes e um divã bege aveludado.

— Um camarim. — Caroline disse, mas não teve coragem de tentar entrar.

Eu pus devagar uma mão para dentro esperando ser repelido por não ser convidado a entrar, mas ela passou direto. Nos olhamos um pouco confusos e eu botei o braço. Até que finalmente estava dentro. Caroline me acompanhou.

— Procure algo que seja útil e sairemos daqui o quanto antes. — Disse e assim fizemos.

Caroline revirava as gavetas do canto da sala e eu olhava atrás de toda aquelas roupas. Ficamos longos minutos assim, em silêncio.

— Caroline, acho que isso sirva para alguma coisa. — Disse enquanto segurava uma pulseira cujo estava desenhado a mesma coisa que se encontrava nas mãos de Kevin e seus companheiros.

— É, deve servir. — Ela se aproximou de mim e pegou a pulseira.– O que será que isso significa? — Disse olhando para o símbolo. – E isso? — Me entregou um anel do qual continha a mesma coisa.

Estávamos de saída e por um impulso do qual eu não saberia explicar eu a impedi e coloquei a pulseira em seu pulso direito. Ela me olhou com estranhamento e eu senti uma vontade incontrolável de beijá-la. Eu ia fazê-lo quando senti Caroline me empurrar contra o espelho, quebrando algumas lâmpadas e espalhando os estilhaços pelo meu paletó.

— MAS QUE PORRA, KLAUS!!! VOCÊ É LOUCO OU O QUE?! Esqueceu que há 20 minutos tentou arrancar minha cabeça e levar meu braço de brinde??!! — Ela gritava mais do que Rebekah na última vez que matei seu namorado.

Eu precisava calar a boca de Caroline, o som da voz dela era irritante. Precisava mantê-la calada mesmo que quebrasse seu pescoço e a levasse para casa mais cedo que o previsto.

Me aproximei dela muito rápido, levando a mesma sentir um susto grande quando bateu com o corpo contra a porta que eu havia fechado. E em um momento de insanidade, segurei seu pescoço e senti seu olhos arregalarem, mas não os envolvi com a minha mão como o de costume. Eu a puxei pela nuca e a beijei.

Ela tentou me empurrar novamente, dessa vez, sem sucesso. Nossos lábios continuavam selados mesmo contra a vontade dela. Quando me dei por conta do que tinha acabado de fazer, eu imediatamente a soltei.

— Caroline... Eu... — Tinha perdido as palavras.

Caroline estava possessa, mas se manteve paralisada.

Eu ouvia seu coração disparado de longe, mesmo eu me afastando suficiente para ficar do outro lado da sala.