Hot Cold Blood - Klaroline.

4 Capítulo 4 - Muito Para Lidar.


POV ELIJAH

Acordei cedo para resolver algumas questões. Vou ao quarto de Niklaus e percebo que este ainda dorme. Melhor assim. Hoje supostamente terá uma festa beneficente, e meu irmão daria mais importância a isso, pois não levou fé na ameaça de Katherine e como ela sumiu, logo acreditou que o problema fora junto. Queria descobrir o novo comandante da cidade que antes fora nosso lar tanto quanto ele, mas tinha prioridades, e essa era descobrir o que as bruxas queriam com meu irmão.

— Não lembrava que bares abriam tão cedo. — Sentei-me dirigindo a palavra a bela bartender de ontem, Camille.

— Aqui a depressão começa beeem cedo. — Disse ela rindo e imediatamente enchendo meu copo. Sorri de volta.

— Me diga uma coisa Camille... — Dei um gole e ela me interrompeu.

— Cami, por favor. — Disse ela simpática e irritada ao mesmo tempo.

— Cami. — Continuei. — Conhece alguém aqui chamada Jane-Anne Deveraux?

— Me mudei para cá há pouco tempo, mas acredito que a encontre no restaurante da próxima quadra. Esse sobrenome não me é estranho. — Me informou calma, com um sorriso no rosto.

— Obrigada. — Deixei uma nota generosa no balcão e fui embora.

—__________

— Estamos fechados. — Falou uma jovem enquanto recolhia o restaurante e o limpava.

— Preciso apenas de uma informação. — Falei.

— Não sou guia turístico. — Falou a jovem um pouco irritada, jogando uma cadeira de cabeça para baixo na mesa. Enquanto ficava um pouco surpreso com a receptividade ela continuou. — Ninguém respeita o luto nessa cidade?! — Exclamou virando-se para mim com lágrimas nos olhos. Me surpreendi. Ia falar algo quando ela me interrompeu. — Creio que veio atrás da Jane-Anne.

— Sim. — Falei direto.

— Fomos avisados da sua chegada e com isso, minha irmã morreu. — Disse a jovem tirando o avental e apontando com a cabeça para a saída. Eu a segui e fomos parar na parte de trás do restaurante, num beco lateral.

— Explicarei o que aconteceu, mas preciso que venha comigo. — Disse e após acender a última vela de um altar memorial andou em direção a saída. Eu apenas a acompanhei.

POV STEFAN

— Caroline, seja rápida! — Bufei ao telefone e ela quase pôde sentir minha respiração. — Já é a terceira vez que vou à cidade vizinha pegar bolsas de sangue. Daqui a pouco desconfiam. — Disse irritado e preocupado.

— Só estou aqui há 1 dia, Stefan. — Disse e pude sentir o nervosismo em sua voz — E não consigo encontrar Klaus. Não sozinha. — Falou e acredito que ela sentiu o mesmo desânimo que eu.

— Se tiver que ir aí para te ajudar, Caroline, eu vou. — Disse determinado.

— É, Stefan?!?! E quem cuidará dos sanguessugas homicidas?! — Falou com ironia e sarcasmo suficiente para me irritar.

— Está certo, Caroline. — Disse irritado e ela continuou.

— Mas encontrei alguém que pode ajudar, na verdade, que conhece alguém que ajudará. — Falou com força na voz, e agora sim a senti a Caroline de sempre. Firme, positiva e um pouco insana.

Desliguei o celular, um pouco mais aliviado, e quando me viro o jogo no chão por um susto que tomou conta de mim.

— Rebekah. — Digo engolindo seco e abaixando para pegar o aparelho.

— Vim saber porquê foi me perturbar atrás do Nik aquele dia e... — Rebekah parou por um momento e pude sentir sua respiração travar quando avistou algo do lado de dentro da casa. — Matt... — Vociferou um pouco mais alto do que um sussurro e tentou adentrar a casa. Tentou. A impedi e expliquei o que seu irmão fez antes de partir. Só não expliquei o que fizemos antes. Não queria complicar ainda mais as coisas.

— Devia saber que você está aí, depois de mais de três dias te procurando. — Disse Rebekah apontando para Matt. — Não acredito que ficou preso aí com esses idiotas. — Falou venenosa.

— E logo não estará. — Rebekah olhou com estranhamento para a voz que dissera isso. — De modo que ele será a o almoço do próximo Domingo. — Disse Damon com o mesmo sorriso sarcástico de sempre. Rebekah apenas se irritou e saiu rapidamente, sem avisos.

POV KLAUS

Precisava ir a um baile entediante hoje, portanto, precisava antes de uma bebida forte.

Entrei em um bar cujo o jazz tocava e um cantor do qual eu reconheço fazia seu show para o público. Quando a música acabou ele desceu do palco e eu apenas o deixo me ver.

— Klaus. — Ele disse num clima de tensão. Fazia muito tempo que não o via.

— Marcel.

— Faz uns cem anos desde o assunto desagradável com seu pai.

— Faz tanto tempo assim? — Falo me aproximando.

— Desde que ele o expulsou e deixou uma trilha de vampiros mortos no despertar.

— E mesmo assim, felizmente, vejo que conseguiu sobreviver. Meu pai, receio, ao qual recentemente transformei em cinzas. — Eu disse me aproximando ainda mais dele.

Seus amigos se levantam com o intuito de protegê-lo de mim. Mas ele apenas se aproximou e abriu um sorriso.

— Se eu soubesse que você estaria de volta à cidade. Se eu fosse avisado, — Ele disse em um tom de ameaça, mas amigável. — eu teria preparado um desfile para você. — Falou animado e nos abraçamos forte. — Farei um baile beneficente para caridade hoje. Você sabe, políticos, filantropia. — Disse em um tom entediado. — Talvez queira ir. — Concluiu me estendendo um copo cheio.

— Na verdade eu já sabia desse baile. Soube ontem quando cheguei. Só não sabia que era seu. — Falei um pouco cínico.

Marcel lançou um olhar desconfiado, mas continuou com a fala.

— E você já tem um par? Já convidou... — Ele se aproximou de mim e cochichou em meu ouvido. — ou compeliu alguma garota para ir contigo? — E soltou uma risada alta.

— Sabe que os Mikaelson não precisam desses truques. — Digo soando divertido. — E sim, tenho um par.

— Ahn. Então Klaus Mikaelson está interessado em alguém. — Falou e, mais cínico impossível.

— Na verdade foi ao contrário. Soube por ela que teria essa festa para caridade e ela me chamou para acompanhá-la. — Bati com o copo na mesa.

— E quem seria essa garota? Ou ela é uma qualquer que virará a janta após uma noite quente? — Falou e eu ri.

— Camille. Cami. A bartender Psicóloga da outra quadra. — Disse sorrindo quando percebo que Marcel ficou um pouco sério.

— Mulher de atitude ela. — Falou um pouco incomodado.

— Ahhnn. Vejo que é afim dela. Eu entendo, ela é espetacular. — Vejo que ele se incomoda ainda mais. — Se quiser, a faço ir contigo. Uma cortesia de amigos. Mas no seu caso, teria que a compelir. — Soltamos uma gargalhada juntos.

— Não se preocupe. Um dos meus garotos me apresentará uma outra mulher linda hoje. E quase nunca tenho um par. Não me preocupo muito com isso. — Falou abrindo ainda mais o sorriso.

Depois da confraternização, ele me explicou o que fez com a cidade, como tomou o poder. Disse que compartilhou o segredo do anel da luz do dia com alguns do seu círculo interno, cujo ele chamava de família. Contou que as bruxas comem na mão dele, que não praticam mágica na cidade sem que ele sabia. Como, eu não sei. Ainda. E por último deixou claro, bem claro. “O que é meu, é seu”. Mas óbvio que eu não me contentaria com isso. Como poderia? O que é meu, é meu. Jamais compartilharia.

—_________

Já estava anoitecendo e Elijah não retornou para casa. Subi as escadas para me preparar para o baile quando o celular toca.

— Seja breve. Eu tenho um compromisso essa noite e você sabe bem disso. — Falei.

— Preciso que venha até aqui. — Disse o irmão protetor em uma voz preocupada.

— Aqui ONDE Elijah? — Falei irritado.

— No Cemitério. — Disse e desligou o telefone.

Cemitério?

OK. Não preciso dizer que aquilo me irritou profundamente. Odeio suspense, portanto, me dirigi para lá correndo, mas por nada eu perderia o baile. Elijah que tratasse o assunto rapidamente.

— Oh! — Exclamei falso. — Vi que temos uma reunião. Mas suponho que este não seja o melhor lugar para tal feito. — Falo com uma falsidade digna de um Oscar.

— Menos, Niklaus. É um assunto importante. — Elijah diz com uma cerca irritabilidade na voz.

Olho para trás e vejo que algumas outras jovens trazem a...

— Hayley?! — Perguntei surpreso. Realmente estava curioso.

— Sim. E espero que ouça com atenção. — Olho em sua direção e Elijah continua. — As bruxas querem fazer um acordo. — Ouço atentamente. — Querem ficar em paz na cidade, poder exercer suas atividades e desporem o Marcel, o ditador de New Orleans em troca da proteção do seu filho.

Ouvi atentamente tudo o que Elijah falou. Algo sobre bruxas, acordo, atividades, poder, Mikaelsons e... Filho? Que filho?!

— Vampiros não podem... — Falo inconformado e sou interrompido.

— Mas lobisomens podem, e desde que se tornou híbrido... — Uma jovem aponta para Hayley.

Nesse momento não pude controlar a minha raiva. Elas estão tramando algo, tenho certeza, e usam esse artifício contra mim. Volto meu ódio contra Hayley, a loba de uma noite bêbado, agora parada em minha frente e a confronto.

— ADMITA! DORMIU COM MAIS ALGUÉM!!! — Grito em sua direção e Elijah dá um passo protetor até ela.

— Você acha que se não fosse seu eu estaria aqui depois de me manterem em cárcere privado no pântano? — Hayley fala questionando, mas não com o cinismo costumeiro e sim com uma certa seriedade preocupante.

— COMO OUSAM TENTAR ME MANIPULAR COM O QUE ACHAM QUE SERIA MINHA ÚNICA FRAQUEZA?!?! — Berro mais alto que normalmente faço quando irritado. — Eu não me importo. Matem ela e o bebê.

Ando para fora da tumba, encerro a reunião. Aquilo não era verdade, não poderia ser. Estou quase na porta quando Rebekah aparece na minha frente e me dá uma aviso.

— Ouça Nik. Apenas ouça. — Ela fala e cruza os braços, como não fosse me deixar sair de lá enquanto se eu não fizesse o que pede. Mimada, insuportável...

— Niklaus... — Elijah se intromete.

Pronto. Agora são dois irmãos.

Não precisou muito da minha concentração para entender o que eles diziam. O mundo parou de girar, ou pelo menos não na mesma velocidade de sempre. Pude sentir o coração bater e, por um momento, no mesmo ritmo que o meu. Aquilo era sério, era verdade. Rebekah cedeu espaço e eu saí rápido dali.

Precisava respirar.

POV CAROLINE

— Eleeenaaaa... — Falo manhosa para ver se pelo menos assim ela tira a cabeça daquela tortura, e claro, me ajuda a escolher o melhor vestido para o baile.

— Caroline! Como quer que eu te dê dicas de moda se nem ao menos eu vejo o que quer vestir? — Diz Elena rindo e prestes a ceder meu pedido.

— Só me diga uma cor Elena, e prometo que te deixo em paz. Pense pelo lado positivo. Faço isso para conseguir libertá-los. Serei apresentada ao cara que os tirará daí. Preciso ficar gata! Gostosa! — Faço uma voz manhosa e firme quando finalmente Elena se manifestou do outro lado da linha.

— OK Caroline. O azul venceu. E combina com seus olhos. Até Damon votou, só para você parar de falar. — Deu uma risada e desligou o celular.

—_________

Vejo o vampiro do bar, cujo até agora não sei o nome, chegando na porta, estendo o braço que ele gentilmente pegou e me levou para dentro.

Confesso que o lugar é espetacular. Um baile estilo Caroline. Decoração clássica, simples e chique.

— Você está linda! — Diz ele com um olhar bobão e gentil.

— Você também está um gato! — Dou um sorriso para ele.

— Quem sabe queira considerar a rapidinha de quando nos conhecemos e você quase me bateu. — Ele riu da minha cara e me levou para dançar.

— Então foi pra isso que me trouxe aqui e me elogiou. — Falei divertida.

— Mas não quero que seja rápido, Caroline. Quero beeemmm devagar. — Falou ele numa voz sexy no meu ouvido. Me arrepiei toda e ele notou. Apenas disfarçou me girando e finalmente dizendo seu nome. — Thomas, a propósito.

— Então Thomas. Se comporte como um bom menino e talvez eu aceite. Talveeezzz. — Disse e ele fez biquinho.

— Pegarei uma bebida e logo te apresentarei Marcel. Ele é o cara que te ajudará. — Disse saindo e eu fiquei no meio da pista parada sorrindo o esperando voltar.

Dou uma olhada para o salão, admirando ainda mais o bom gosto do decorador quando sinto alguém me fitando. Me viro repentinamente quando vejo aqueles conhecidos olhos verdes olhando para mim.

— Klaus.

POV KLAUS

— Caroline.

Não podia ser. Como se tudo que aconteceu no dia não fosse louco suficiente, aparece uma Caroline para completar o quadro de insanidade.

— O que faz aqui, amor? — Pergunto sarcástico a encarando.

— Vim atrás de você para desfazer aquela estupidez em Mystic Falls. — Ela fala irritada. — Aprisionar? Sério? O quanto clichê isso soa, Klaus?! — Disse ela com uma voz irritante e venenosa.

— Já tinha até esquecido desse pequeno incidente. — Me aproximo ainda mais dela a intimidando. — Se é isso o que quer, desista. Não o farei. — A intimidação pareceu não funcionar.

— Não se preocupe, não precisarei de você. Conhecerei alguém hoje que vai me ajudar. — Ela disse, se virou e afastou-se de mim.

Caroline seria a linda mulher do qual Marcel se referia e Marcel o cara que Caroline achou para ajudá-la, afinal, era ele quem possuía conhecimento sobre bruxas suficiente para isso. E eu não estava disposto a deixar isso acontecer.

Dou alguns passos para ir atrás da Caroline e pedir explicações quando vejo Cami entrando pela porta. Ela está linda, confesso, mas não seria para mim esta noite.

— Cami. Ainda mais bonita. — Ela retribui com um sorriso. — Mas não para mim, não essa noite, e sim para um amigo.

Olho em seus olhos e a compilo. A ideia é distrair Marcel, fazer com que ele acredite que eu a cedi por camaradagem.

Ouço de longe Marcel avisar para um de seus amigos que não quer que o interrompam, mesmo quando um tal de Thomas avisa que apresentará Caroline ele diz não estar interessado esta noite. Usar Camille funcionou perfeitamente. E sobre ele conhecer Caroline, disse que talvez numa próxima vez e por mim, talvez nunca.

Me viro e vou em direção à ela. Estico minha mão a convidando para dançar. Ela se recusa por um momento e depois se lembra que estamos em público e ela não poderia dar seu ataque costumeiro de infantilidade. Demorou dois segundos de eternidade para ela ceder.

— Vejo que não tem um par. — Disse a ela que pareceu se irritar.

— Olha quem fala. — Diz irônica. — O meu foi pegar as bebidas. — Fala e dá um sorrisinho cínico para mim.

Iria respondê-la, mas quando dei a volta na dança, olhei para um canto e percebi que Elijah me encarava. E parecia tão surpreso quanto eu de ver Caroline aqui. Acabo de dançar a música e a deixo para falar com meu irmão.

— Não foi eu quem a trouxe, ela veio sozinha. Sou inocente. — Falo saindo do baile e indo para o quintal.

POV CAROLINE

— Desculpe a demora. — Falou Thomas trazendo champanhe. — Falei com Marcel e ele disse que estaria ocupado a noite toda e amanhã falaremos com ele. — Estendeu uma taça e me entregou.

— OK então. Sem problemas. — Eu disse e bebi a taça em alguns poucos segundos. Quando o garçom passou, peguei outra e fiz o mesmo.

— Você está bem? — Ele perguntou confuso.

— Melhor impossível. — Disse falsa. Não esperava encontrar Klaus tão cedo depois de não precisar mais dele. Aquele sotaque vestino de smoking mexeu com as minhas estruturas e eu precisaria me distrair. — Vamos lá para fora, deve ser melhor do que aqui. — Digo puxando Thomas para o lado de fora.

Quando chegamos ao jardim vejo uma casa distante. Parece ser de caseiro e vamos em direção a ela. A porta está destrancada. Está tudo escuro e há poucos móveis, porém limpos. Ali seria ótimo. Beijei Thomas, que retribuiu. Começamos um amasso quente na cozinha e fomos em direção a algum quarto. No corredor havia uma mesa de canto. Ele me pôs ali e beijou meu pescoço, passou a mão em meus seios por cima do vestido. Me preparava para tirar sua calça e ele suspender meu vestido quando ouço um diálogo estranho um pouco longe e com dificuldade.

— Não deixarei esta criança nascer. Ela herdará todos os nossos inimigos!

— Então eliminaremos todos, Niklaus!

— NIK!— Rebekah gritou. — Não!!!

Eu dou um jeito de afastar Thomas. Ele estava tão empolgado beijando meu pescoço e alisando minha coxa que não escutou. Talvez porque não reconhecesse a voz como eu. Pedi para que buscasse mais bebidas, inventei uma desculpa qualquer para isso e quando ele foi, saí em direção a parte de trás da casa. Após alguns metros adentro me deparo com uma cena caótica.

— Eu não me importo, irmãzinha. Quantas vezes tenho que dizer isso? — Disse Klaus tentando estrangular Hayley.

— Hayley? — Questiono em voz alta e todos olham para mim.

Elijah já estava caído no chão ensanguentado. Rebekah fraca demais para alguma reação e Hayley eu não fazia ideia de que porra ela estava fazendo ali.

— Caroline. Não deixe que ele machuque a Hayley e o bebê. — Elijah fala com dificuldade.

— Não se meta, Caroline. — Bufa Klaus apertando ainda mais o pescoço de Hayley. — Há uma centena de ameaças contra esta criança e eu não a deixarei nascer só para durar pouco tempo.

Eu vou correndo até a ele, o empurro fazendo com que se afastasse da Hayley e sinto seu ódio virar contra mim.

POV KLAUS

— Eu falei para não se meter, Caroline! — Grito enquanto aperto seu pescoço e a ouço dar um gemido de dor.

— O bebê está ligado à bruxa, Nik. Ninguém fará mal a ele, muito menos a Hayley. — Diz Rebekah ainda muito machucada.

— Você sabe que Sophie escondeu o objeto de ligação em um canto qualquer para nunca ser achado, não é? — Falo sem esperança.

— Nós podemos procurá-lo ou desfazer o feitiço. — Elijah diz se levantando lentamente.

— E quem ficará com Hayley? Quem tomará conta dos negócios no Quarter? Marcel não pode descobrir ou desconfiar. Vocês dois tem afazeres e não entrarei em uma emboscada sozinho... — Eu ia completar a frase quando Caroline se manifestou.

— E...e....u.... vou.... c...ooo...m vo...c...ê...ê. — Ela disse em meio as frestas de ar deixadas por mim em seu pescoço.

Imediatamente soltei Caroline e me afastei. Pelo visto ela estava disposta a mentir só para não morrer enforcada. Ela caiu no chão de um jeito que eu imaginei que não fosse levantar mais. Nesse momento eu realmente não me importava. Mas numa força incrível ela se levantou em meio ao caos se arrastou até a mim, pé ante pé, olhou fixo nos meus olhos e falou rouca e firme.

— Mesmo que me doa, mesmo que eu odeie, mesmo que TE odeie... mesmo que ninguém diga que é certo e que no final eu esteja destruída ou até sem vida, eu iria com você. Eu faria tudo, daria tudo pelas pessoas que eu amo, que me amam e confiam em mim. E se tem uma coisa que aprendi a preservar é família, mesmo que não seja a minha.

Devo dizer que meus olhos se encheram, mas logo me recompus e Caroline não parou.

— Então sim N-I-K, eu irei com você.

O Nik pela voz de Caroline não era amável, ou amigável como o de Rebekah ou Elijah. Era cortante, dilacerante e de um sarcasmo brutal.

Ela apontou o dedo indicador a centímetro da minha cara e concluiu.

— Eu jamais deixarei você machucar seu sobrinho.

— SOBRIN....??

Não consegui completar quando Caroline deu mais um passo à frente, dessa vez perto demais de mim me fitando mais uma vez por menos de um segundo quando vi o azul dos seus olhos desaparecerem junto a uma calma absurda no meio da tormenta. Menos de meio passo à frente ela desfaleceu.

Enquanto Elijah e Rebekah se preocupam em pegar e cuidar de Caroline, saio para a cidade, sento em um banco e fico pensativo.

Após duas longas horas sinto alguém sentar ao meu lado.

— Soube que será pai. — Disse Caroline em uma voz branda pela primeira vez na vida. — Não imaginei que fosse você.

— Sim. — Falo ainda desanimado voltando o meu olhar para ela. — Vejo que se recuperou do incidente de algumas horas. — Disse virando-me para ela.

— Elijah me contou o que aconteceu. Me explicou sobre tudo. Marcel, as bruxas, a criança. Pensei que com a nobreza dele em vista do que você fez aos lobisomens em Mystic Falls e aqui, ele tivesse assumido o filho da Hayley por conta disso ou algo assim. — Ela diz dando de ombros.

— Mas vejo que já está inteirada no assunto. — Eu disse ainda cabisbaixo. Não queria pensar sobre aquilo agora.

— Não pense que esqueci o que fez agora pouco! Não que eu compreenda, mas... — Ela parou por um instante e continuou. — Você sabe... Antes de eu me tornar vampira queria uma família tradicional. Casar... — Nesse momento seus olhos se encheram e ela completou. — com Tyler. — E vi uma lágrima rolar. — Ter filhos e uma casa no lago. — Ela soltou uma risada em meio às lágrimas como se tivesse uma lembrança de algo que nunca aconteceu. — Mas para alguém como você isso deve ser assustador.

Alguém como eu. Um monstro. Egoísta. Danificado.

— Para que filhos nesse nosso mundo, Caroline? — Paro por um momento, pois me lembro que logo serei pai e descontraio. — Para que um dia eles cresçam até a idade mais irritante, virem vampiros e fiquem insuportáveis para sempre? — Digo e Caroline solta uma gargalhada muito alta.

— Não me olhe com essa cara. — Ela disse ainda rindo. — Eu continuo te odiando. — E agora ela está séria. Essa bipolaridade Caroline é engraçada, confesso.

— Você realmente está disposta a encarar todos os meus demônios por uma criança que nem ao menos nasceu? — A encaro e ela responde.

— Eu já enfrentei você. Várias vezes. Alguns degraus abaixo na cadeia da maldade não fará muita diferença. — Disse com um sorriso tímido.

— Então sugiro que se mude para a mansão e deixe o hotel.

Ela me olha com estranhamento e eu concluo.

— Não se preocupe, amor. Ao amanhecer seus amigos estarão livres. E Tyler pode retornar à Mystic Falls. — Caroline deixa as lágrimas correrem soltas e continuo. — E quando isso acabar, Caroline, você também estará livre para construir a família que deseja com ele. Uma cerimônia de casamento na praia, filhos humanos adotados catarrentos pela casa, uma carreira promissora após a faculdade, uma casa no lago, na árvore... E será feliz.

Levanto e vou embora.