Hot Cold Blood - Klaroline.

15 Capítulo 15 - Humanidade I - Da Luz, Para a Sua Escuridão.


POV CAROLINE

Enzo me torturou de todas as formas possíveis. Foram horas de crueldade, mas nada se comparou ao desgaste emocional de quando ele falou certas coisas que me fizeram desistir... de mim.

Eu não queria mais continuar esse jogo. Eu não queria mais porque não sabia se aguentaria. E eu me rendi. Absorvi tudo aquilo e me abandonei por completo.

Ele abriu a cela quando percebeu ter vencido e o óbvio aconteceu.

Todas aquelas pessoas, todos eles, tão prontos e tão receptivos a mim. Pela primeira vez eu não controlei os meus instintos, não porque não podia, mas porque eu não queria. Eu desejei aquilo. Eu desejei o sangue deles e desejei que eles sofressem enquanto eu acabava com suas miseráveis vidas. Seres humanos... Tão frágeis, tão inferiores.

A verdade é que nunca me senti tão completa, não por saciar minha fome, mas de me sentir livre e sentir nada. Eu senti nada...

E gostei.

— Caroline? Stefan disse e eu me virei. – Mas o que aconteceu aqui? — Ele segurou em meus ombros e me fitou nos olhos. – Não pode ser...

— Desculpe Stef, mas ainda estou com fome... — Olhei para a pilha de corpos que deixei e ri. – Não, na verdade não estou. — Stefan franziu a testa, entrou em desespero e se afastou. – Mas não posso deixar que me leve de volta, então... — Me aproximei rapidamente dele, que gritou para que eu não fizesse e o mordi, deixando-o desacordado no chão.

Me preparava para sair antes que Enzo resolvesse voltar e escutei um sotaque já conhecido, mas em outra voz. A voz que eu menos queria ouvir nesse momento.

Ele me chamou e sinceramente não queria que ele me visse dessa forma. Não que me importasse com a opinião dele sobre o que eu fiz, mas não seria justo ouvir sermão do cara que faz isso por motivos muito mais banais que eu. Aproveitei um momento de distração e fugi.

Eu andei muito para conseguir sair dali. Por sorte, minha sorte, não deles, eu me alimentei e estava bem. Agora eu só procurava um lugar para ficar essa noite. Caminhei durante algumas horas na estrada, achei uma casa um pouco mais para dentro de um terreno e fui até lá.

Eu sempre atuei no colégio, na maioria das vezes era a protagonista das peças apresentadas e sempre achei que deveria ganhar o Oscar por isso. Mas hoje foi excepcional.

Bati na porta algumas vezes com a minha atuação de menina inocente, perdida, machucada e com frio. Uma mulher me atendeu, chamou seu marido que rapidamente me pôs para dentro e ofereceram ajuda.

Enquanto a mulher preparava meu banho, o homem esquentava uma sopa para mim. Eles seguiram esse tempo me perguntando o que houve, mas eu fiz a melhor cara de estresse traumático e me mantive calada fingindo tremer. Estava com preguiça de explicar que acabei de matar e me alimentar de algumas pessoas, matei meu melhor amigo vampiro que não necessariamente morreu e fugi de um híbrido mais psicopata que eu só para não ouvir sua voz.

— Você pode ficar no quarto das nossas filhas. Agora que entraram na faculdade só vem final do semestre nos ver. — Ela sorriu na porta ao lado do seu marido que apertou seu ombro e fez o mesmo.

Acabei de tomar banho e os vi sentados no sofá abraçados assistindo TV. Eles perceberam que eu os observava e o marido olhou para trás.

— Amanhã cedo iremos com você a polícia e procuraremos sua família, não se preocupe.

Mas era óbvio que eu não queria. E as notícias correm rápido demais quando se tem uma criatura como eu na sua casa, então fiz o que tinha que fazer para que não me achassem. Eu fui até o homem que continuava no sofá e torci seu pescoço. Ele caiu para o lado enquanto a mulher gritava apavorada e corria em direção à porta. Ela chegou a abri-la, mas apareci na sua frente impedindo que saísse, a mordi no pescoço e a deixei caída sem vida no chão da sala. Confesso que me diverti com isso.

Tranquei a porta, fui até o armário, peguei umas pipocas e esperei pacientemente ficarem prontas. Não estava com fome, mas assistir um filme sem isso é triste, então me sentei no sofá e mudei de canal até achar algum decente. Sem meu anel da luz do dia não podia ficar assim tanto tempo. Após os créditos finais e as pipocas acabarem, peguei as chaves do carro numa gaveta do quarto do casal e dirigi até a cidade recomendada por ser um ótimo esconderijo.

Não parei de pensar todo o caminho. Como as coisas chegaram a esse ponto? Como eu permiti que acontecesse? Não posso reclamar, eu me sinto bem, muito bem.

Olhar pelo o outro lado do vidro te faz ter uma noção mais ampla das coisas. Há um mundo por debaixo da civilidade escondida socialmente em todos nós. Alguns a deixam beirar a superfície e outros não. Mas nós escolhemos deixar transbordar e aproveitar tudo da maneira mais honesta possível, sem culpa e sem remorso. E eu finalmente entendi o lado dele.

POV KLAUS

— Vá atrás dela, Klaus e a traga em segurança. — Tyler falou e eu responderia que isso não dependia apenas de mim quando o vi se aproximar de Stefan, colocá-lo no ombro e se virar novamente para mim. – Por favor, vá. Eu os levarei daqui.

Se fosse em outra ocasião ele já estaria sem a língua, mas eu realmente precisava ir atrás dela. O deixei com Stefan e o idiota do Damon.

Procurei Caroline em todos os lugares, sem sucesso. Depois de incansáveis horas eu desisti e voltei para casa.

— Klaus. — Marcel apareceu e todos olharam. Ele se aproximou de mim e colocou a mão em meu ombro. – Não encontramos Caroline, mas descobrimos outra coisa hoje. Ter matado aquela anciã deu certo. Monique Deveraux foi a garota ressuscitada.

Não sabia exatamente que reação ter no momento, então apenas acenei tentando disfarçar minha frustração. Por ambos os motivos.

Eles saíram e eu continuei pensativo. Estava furioso. Tudo o que eu via era alvo de destruição. Elijah apenas observava no andar de cima sem dizer algo e sem me interromper. Ele sabia que qualquer coisa nesse momento seria mortal, então apenas saiu com Hayley antes que eles também fossem alvo da minha fúria.

Depois de perceber que não havia algo para transformar em pó, me sentei no chafariz do centro do pátio e coloquei a cabeça entre as pernas, tentando me controlar e permaneci ali até Damon despertar e descer as escadas com pressa vindo em minha direção.

— Você mordeu Enzo. Onde ele está? — Damon perguntou irritado.

— Largado naquela floresta para morrer. E eu espero que seja uma morte bem lenta e dolorosa. O que ele fez não tem desculpas, não merece perdão.

— Enzo é o único amigo que eu tenho! E ele o fez porque você matou a mulher que ele amava! — Damon esbravejou e se não fosse pelo meu cansaço e desânimo, certamente o Salvatore mais velho não conseguiria pronunciar a próxima frase, pois esta seria a sua última.

— Ele a fez perder a humanidade e torceu seu pescoço numa excelente demonstração de amizade pura e verdadeira. — Sorri desanimado, mas ainda assim com um tom sarcástico.

— Todos nós já fizemos coisas terríveis, principalmente por vingança, não é mesmo? — Damon soltou um olhar insinuando tudo o que fiz durante minha estadia em Mystic Falls.

— E você acha que Caroline o perdoaria por isso? — Me levantei, dei um sorriso ainda mais sarcástico que irritou Damon e ele se aproximou de mim sem medo.

— Ela é Caroline, Klaus. E Caroline é assim. Às vezes ela é tão ingênua que chega a ser imbecil, principalmente quando decide perdoar alguém mesmo depois de todos os atos cruéis e manipulações.

— Damon... — O ameacei com o olhar me aproximando ainda mais dele, que me ignorou e continuou.

— E esse alguém ainda dormiu com ela sem levar em consideração que fez a mesma coisa com seu melhor amigo e meu irmão quando resolveu por puro capricho transformá-lo em estripador novamente!

Eu e Damon nos encarávamos próximos sem desviar o olhar e acredito que ele viu sua vida passar diante dos seus olhos. A qualquer momento algo descompensado aconteceria se outra coisa não tivesse nos distraído.

— Eu voltei lá e o trouxe. — Tyler apareceu no recinto com o corpo de Enzo nos ombros. – Imaginei que ele pudesse nos fornecer alguma informação importante já que passaram um tempinho juntos.

Enfim esse idiota fez algo inteligente.

— Leve-o para os fundos. — E sorri com maldade. É sempre bom juntar necessidade com diversão.

Tyler não teve piedade. O arrastou até a sala nos fundos da mansão e o jogou em uma cadeira no canto dela.

Abri um sorriso ao ver que Marcel manteve a sala de treino da mesma forma, com sua coleção de armas de fogo no armário esquerdo e embora eu não goste de nenhum tipo de arma por preferir um contato mais direto, o meu lado com as espadas, facas, punhais e outros objetos que infligem variados tipos de ferimentos e dor estava intacto. E Essa era também a sala que ele usava para encontros amorosos com a minha irmã. Lembrar disso me deixou com ainda mais raiva.

— Sabe o que faz os relacionamentos serem bem sucedidos? — Perguntei enquanto pegava uma das muitas armas com lâmina afiada que havia naquele lugar. – A sinceridade. — Ele me olhou com desdém. – Então que tal você me falar o que sabe e eu penso em não praticar certos atos de demonstração de violência? Hm? O que me diz?

— Nunca! Isso foi pelo o que fez à Maggie! — Ele gritou um pouco enfraquecido.

— Resposta errada. — Não pensei duas vezes antes de atravessá-lo no peito com punhal que estava em minhas mãos. – Mais uma vez. — Me aproximei do seu ouvido e sussurrei. – Onde está Caroline? — Girei o punhal dentro dele, fazendo-o esboçar uma reação desagradável.

— Eu não me importo, Mikaelson. Pode fazer isso quantas vezes quiser. — Ele olhou para o punhal e riu, me fazendo quase quebrar seu pescoço ao acertá-lo no rosto.

— Onde-ela-está? — Perguntei pausadamente, o encarando. Estava no limite da minha paciência.

— Como é, Mikaelson? Como é perder alguém? — Enzo sorriu debochado e o acertei na lateral, fraturando duas ou mais costelas dele. Não contei.

Repeti a pergunta e o gesto mais três vezes. Eu o mataria se Damon não tivesse interrompido a brincadeira.

— Vamos lá, Enzo. Não seja burro. Nosso híbrido favorito não está com muita paciência hoje, afinal, você fez a namoradinha Barbie dele virar Monster High e agora ela puf, como um passe de mágica. — Damon o alertou que as coisas começariam a piorar e pela primeira vez não importei com uma piada muito ruim que ele fez.

Enzo permaneceu irredutível. Teimosia deve ser um pré-requisito no círculo de amizades dos Salvatore, mas nesse momento não adiantaria empurrar para a lama quem já está nela. Enzo estava enfraquecido e com dores fortes pelo corpo. Isso estava nítido devido a sua palidez, a pele suada, seu corpo gelado e os tremores involuntários que ele dava, mesmo tentando controlá-los ao máximo. Logo as alucinações começariam junto com o inferno que seria o que eu causaria a mais nele.

— Você quer isso, não quer? — Mordi meu pulso, deixei o sangue pingar e atingir o chão, causando uma reação imediata de Enzo em direção à poça que se formava na sua frente. – Então faça por merecer e te dou a chance de sair vivo daqui.

— Como posso confiar em você, Mikaelson?

— Você não pode. — Damon disse sincero.

— Mas... caso eu fique um pouquinho mais irritado com a sua resposta, prometo que o matarei rápido. — Aproximei meu pulso do rosto dele, que me encarou pensativo.

— Eu a deixei sem o anel que a permite andar sob a luz do dia e sugestionei a ela que ficasse na antiga casa dos meus pais no interior, há três horas daqui. Eu encontraria com ela mais tarde e iríamos para qualquer outro lugar que ela quisesse. — Até Damon riu e Enzo ficou claramente irritado. – Se você não dá a ela o devido valor, eu dou.

— A sequestrando e tirando sua humanidade? — Dei uma gargalhada pela ironia.

— Isso foi apenas uma consequência. Obviamente eu a introduzi nesse mundo te odiando. Ainda mais por substituí-la na sua cama com uma loira não tão bonita quanto ela.

— Você não... — Fui para cima dele e Damon me impediu de fazer algo a respeito disso.

— Tem que entender que fazê-la te odiar e saber das suas aventuras foi apenas uma maneira a mais de atingi-lo. Nunca foi sobre ela. Nunca. Por isso eu não matei a bela loira de olhos azuis e incrivelmente gostosa. Você realmente deveria dar a Srta. Forbes mais valor, caro Mikaelson, antes que outro dê. Mas agora não adianta mais, não é mesmo? Agora ela... s-e f-o-i. — Ele debochou entre as palavras e eu dei outro soco forte, que o fez perder alguns dentes e sangrar em demasia.

Tive uma reação inesperada nesse sentido até para mim. Desde quando Caroline se importa com quem eu coloco ou deixo de colocar na minha cama? Como ela perdeu a sua humanidade, a coisa da qual ela mais se agarrou todo esse tempo, inclusive quando eu a irritava insinuando sua atração por esse meu lado, com esse argumento? As coisas ficaram ainda mais confusas e eu me senti estranho pela primeira vez.

O idiota do Tyler não tinha cérebro, mas tinha músculos, o que seria perfeito durante a minha ausência. Eu me encaminhei para fora e o escutei reclamando atrás de mim.

— Hey! Aonde pensa que vai?! — Enzo se sacudiu na cadeira tentando chamar atenção. – Volte aqui, Mikaelson!!! Cumpra com o seu acordo! — Ele gritou algumas vezes em vão.

— Klaus... — Damon apontou para a direção de Enzo enquanto me acompanhava.

— Entregar o ouro antes de confirmar a fonte? Tcs... Pensei que fosse mais esperto, Damon. — E o vi sorrir do meu lado.

Eu saí com Damon, que como sempre fez um comentário impertinente.

— Grandes coisas Caroline te odiar. Ela já faz isso naturalmente. — Ele deu um sorriso cínico e como se não fosse suficiente me irritar, ainda completou. – Foi uma péssima tática. Eu sequestraria seus irmãos, mataria apenas um e entregaria o corpo carbonizado na sua casa só para você ficar na angústia de quem é.

Olhei para a cara dele e vi que estava gargalhando imaginando a cena.

Eu definitivamente precisava acabar logo com isso.

— Você não vai? — Perguntei o vendo subir as escadas.

— Acredito que consiga lidar com uma Caroline um pouco mais louca que o de costume, além disso, tenho um irmão com a garganta e o ego feridos.

— Vigie Tyler. Não confio nele, ainda mais depois de ouvir... Bom, você sabe o que ele ouviu.

— Klaus. Sobre as bruxas, o que faremos? Marcel apareceu e eu infelizmente não poderia ir para brincar com ele.

— Leve Rebekah. Ele acenou positivamente com a cabeça.

POV CAROLINE

Não pude sair o dia todo já que o Sol brilhava mais que nunca lá fora. Passei essas entediantes horas esperando Enzo até que a escuridão tomou conta do céu e eu resolvi sair. Queria me divertir e precisava caçar. Só não sabia que uniria o útil ao agradável em tão pouco tempo.

Mesmo a cidade sendo pacata, andei por alguns quilômetros até que ouvi um som e o segui. Era uma festa. Aparentemente de aniversário, daquelas que você chama até quem nunca viu na vida só para ser popular.

Parei o carro e uma menina morena de cabelos curtos veio falar comigo.

— Nome na lista?

Que tipo de imbecil dá uma festa no meio do nada e ainda tem a audácia de colocar nomes na lista?

— Só me deixe entrar, OK? — Não foi difícil fazê-la concordar já que estava compelida. A fome sempre me deixou impaciente.

Passei pelo hall com vários casais adolescentes se pegando e a qualquer momento uma parede daquelas poderia engravidar. Havia copos vermelhos e azuis de plástico em tudo quanto é lugar e ao ir para o cômodo principal, constatei ser algo bem pior do que imaginava. Não era uma festa de aniversário comum, era uma festa de aniversário de uma fraternidade ou outra coisa qualquer de colegial e percebi porque Rebekah gosta tanto desse tipo de ambiente e pessoas. Vítimas tão fáceis...

Não foi difícil me misturar entre eles. Me servi em um dos vários barris espalhados pelo ambiente e fui curtir do lado de fora, onde tinha algumas pessoas circulando quase sem roupa no que depois eu constatei ser a área da piscina. Cadê a mãe dessas crianças?

Alguns copos de cerveja e shots de tequila depois, eu estava em cima de uma mesa ridícula que eles fizeram de balcão dançando e distribuindo bebidas na boca de todo mundo e no auge da minha insensatez, me joguei na piscina, ouvindo um coro de “YEEAAHHHH” quando saí dela estendendo meus braços em sinal de vitória.

A música de verdade começou a tocar e... Que? O que deu nesse DJ? Ele colocou uma baladinha. Puta merda! Eu vou me matar. Não, melhor, eu vou matá-lo. Me aproximei da mesa onde ficava os aparelhos com um olhar furioso e quando pensei em pular no pescoço daquele desgraçado brega e sem gosto, uma morena de mechas californianas lindas, olhos mel e um batom vermelho perfeito que valorizava ainda mais sua boca apareceu colocando o fone e o empurrando para longe.

— Some daqui seu idiota! — Gritou com ele, depois se direcionou para mim e riu, trocando o disco. – Nem se pode mais ir ao banheiro numa festa que um retardado quer pegar o seu lugar na pick up. — A bela DJ falou e começou a tocar uma mistura interessante de ritmos.

Eu imediatamente desfiz o meu olhar psicopata e comecei a dançar devagar de frente para ela, que sorria e incentivava apontando para mim, piscando, agitando ainda mais a set list e eu comecei a gostar demais daquilo. Eu dançava sem parar ao som de uma batida ora de hip hop ora eletrônica e pop e todos me acompanhavam como se eu fosse a dona da festa. E no momento eu era.

Saí para pegar mais um pouco de cerveja nos barris quando um cara metido a machão estilo o babaca do Tyler ousou me encarar em uma competição de vira-vira e perdeu, claro. Ele estava normal com sua mangueirinha enquanto eu fiquei de cabeça para baixo ao incentivo do coro de “vai, vai, vai...” e abri mais a torneira do barril. Ele pediu arrego pouco tempo depois e eu fui ovacionada. Por sorte não estava bêbada. Parece que esse tempo com Klaus serviu para alguma coisa. Eu bebi tanto nessas aventuras com ele que minha tolerância ao álcool passou de dez para um milhão.

A diversão era muita, mas a paciência nem tanto já que meu estômago lembrou de me avisar que a hora da janta já passou há vários minutos.

Eu entrei no intuito de achar algo decente para me alimentar, mas parece que a placa de neon de “self service sem balança” que eu vi na testa de cada um se transformou em um uni-du-ni-tê para escolher o menos drogado dali.

Avistei um rapaz e o chamei com o dedo indicador. Ele prontamente veio até a mim e o carreguei para um dos banheiros da casa. Ao entrarmos ele abriu seu cinto e começou a tirar a calça.

— Assim? Nem uma pré? — Ele me olhou sem entender e me senti na obrigação de explicar. – Um toque aqui, um toque lá... você sabe, para dar aquela animada. — O quarterback não se importou e continuou arrancando a roupa. Eu perdi a pouca paciência que me restava e torci seu pescoço. – Babaca. — Falei enquanto jogava seu corpo sem vida para o lado e passava por cima dele.

OK. Agora eu realmente estava puta. Eu pegaria qualquer um e arrancaria sua cabeça, a estendendo para todos verem como num show de horrores estilo Klaus. Fui para o lado de fora e vi um grupinho de meninas rindo e conversando. Eu me aproximaria delas com a pior das intenções se a DJ não tivesse parado na minha frente, me dando um leve susto.

— Oi. — Ela disse sorridente.

— Oi. — Falei um pouco seca, tentando ver atrás dela o grupinho que agora se levantava e ia para outro lugar. Droga! Péssima hora para novas amizades.

— Eu te vi dançando mais cedo e queria dizer que... — Ela se aproximou de mim e disse em meu ouvido. – você é uma gata, sabia? — Olhei assustada com a cantada repentina e ela riu. – Será que podemos conversar em um lugar... anhm... mais privado?

— OK. — E dei de ombros. Ainda estava com fome, então um lugar privado seria mais que excelente.

O problema é que essa conversa dela não era bem uma conversa. Ela me jogou numa parede na lateral da casa, num canto mais escuro e me beijou. Fiquei completamente sem reação e ela riu, pegou no meu cabelo e começou a beijar meu pescoço, dando leves mordidas ali.

O que esse povo tem? Eles estão no cio?

Eu não estava afim de acrescentar novas experiências no meu currículo sexual, então me atentei ao único motivo do qual aceitei vir para esse lugar mais discreto com uma garota que queria me comer... ou dar para mim, não sei como funciona esse negócio, e a compeli para pelo menos não gritar.

— Não vai doer, apenas relaxe... — Agora quem não entendia era ela e eu dei uma risada alta. – Mentira, vai doer sim. — Eu a mordi e inverti a posição, a imprensando contra a parede, sugando lentamente seu sangue e sua vida.

Um grupinho de meninos passou por ali e começou a gritar “uhulll. É isso aí, gostosas! Manda ver, gatinha, pega ela de jeito”, provavelmente pensando que eu estava apenas a beijando no pescoço e quando acabei, senti uma presença conhecida atrás de mim.

POV KLAUS

— A que devo a honra, Niklaus Mikaelson? — Debochou com um sorriso.

Passou um grupo de adolescentes atrás de nós, cujo Caroline seguiu com os olhos e sorriu maliciosamente. Eu puxei um pelo braço e o compeli.

— Diga aos seus amigos idiotas que polícia chegará em cinco minutos e tire todos daqui. Agora! — Ele assentiu e rapidamente houve correria com evacuação quase completa do local se não tivesse pessoas desmaiadas em vários cantos.

— Por que ao invés de vir e acabar com a minha diversão você não se preocupa com a sua própria? Ou melhor... relaxe lendo um livro ou na cama com a bartender Psicóloga do Rousseau. Aposto que ela sabe ouvir os seus problemas muito, muito bem. — E sorriu sarcasticamente.

— Sim. Ao contrário de você que só sabe gritar e agir como uma criança pirracenta.

— Então vá se deleitar com o prazer que a bela loira de olhos claros te proporciona... — Deu um sorrisinho de canto de lábio e eu entendi bem o recado. ­ – enquanto a criança aqui se diverte de outro jeito.

— Isso tudo é ciúmes, amor?

— Ciúmes?! O amor é a maior fraqueza de um vampiro, segundo você próprio, e não podemos nos permitir ser fracos.

— Quem aqui falou sobre amor, Caroline? Então você está simplesmente admitindo que antes de perder sua humanidade...

— Seu ego não conhece limites, não é mesmo?

— Nunca conheceu. E você também não. — Olhei para sua roupa e cabelos molhados, sua boca e pescoço manchados com um batom vermelho vivo e sua camiseta completamente transparente, que deixava seus seios à mostra mesmo cobertos. Ela riu quando percebeu que eu a encarava por completo. Ela sabia que estava sexy. – Eu acho que ao menos deveria manter a classe e saber se comportar. — Provoquei.

— Se veio aqui para me ensinar boas maneiras, perdeu seu tempo.

— Na verdade eu vim levá-la. — Ela riu alto, sem acreditar. – Embora eu aprecie essa sua fase serial killer e até sinta vontade de me juntar à ela, creio que com essa sua cabecinha inexperiente, não sobreviverá muito tempo. Além de tudo, limpar a sua bagunça não é nada fácil quando você insiste em não ser discreta.

— E desde quando você se importa? — Cruzou os braços e semicerrou os olhos.

Fiquei relutante em responder, mas o fiz rapidamente tentando disfarçar o desconforto que essa pergunta me causou.

— Desde quando isso aconteceu por aquele imbecil querer vingança contra mim e te usar para isso. Preciso mostrar a ele como isso não me atinge. Seria bem mais fácil se ele sequestrasse meus irmãos, como sugeriu Damon. — Não era ao todo mentira. – Agora, vamos! Anda. — A peguei pelo braço e a arrastei para fora da propriedade.

— Não, Klaus! Você nunca mandou em mim! Muito menos agora! — Caroline se transformou e quebrou um pedaço da cerca, tentando me atingir com ela e saindo rapidamente em seguida.

Eu estava com a estaca improvisada em mãos a girando divertidamente enquanto farejava sua inebriante adrenalina na área externa da casa. A música estava um pouco mais baixa e me concentrei também em escutá-la. Um casal de adolescentes nus passaram por mim, me distraindo e quando me dei por conta, Caroline se aproximou rápido demais e jogou a estaca da minha mão longe, me virou e imprensou contra uma árvore ao lado da área de lazer, colocando uma outra estaca que ela mesma tinha no meu peito, na direção do meu coração.

— Imagina se fosse carvalho branco. — Ela disse pressionando um pouco mais, me causando um pequeno furo enquanto ria da situação.

— Katherine ficaria com inveja. — Eu disse e ela sorriu.

— Certamente. — Debochou. Ela era boa nisso.

— Então... — Olhei para sua mão com a estaca, pronta para me perfurar mais. – Você vai concluir o trabalho ou apenas me ameaçar com isso? — Ela riu alto. Sabia que não me causaria efeito real, apenas um simbólico tempo desmaiado. O que seria o suficiente para ela fugir novamente.

— Não sei... Talvez. Prefiro te matar por outro motivo já que você não me deixará em paz de qualquer forma. Adolescentes não sabem das coisas, eles não fazem direito. — Eu dei uma gargalhada porque ela falou como se fosse muito adulta.

— E onde aprendeu isso? — Continuei rindo dela, que pareceu não se importar.

— A pergunta certa seria “com quem”. — Me calei imediatamente porque sabia a resposta e por ser uma pergunta retórica. Ela me olhou pervertidamente, mordendo o lábio inferior, se afastando e colocando uma música qualquer.

— Pensei que me “odiasse”. — Fui irônico suficiente para ela se irritar um pouco.

A música respondeu por ela junto com os movimentos dos seus lábios.

“Hey, you don't mean nothing at all to me (Ei, você não significa nada para mim)

Ela encostou na parede atrás da bancada do som, me dando uma completa visão do seu corpo e dançou sensualmente no ritmo da batida enquanto a música corria.

O que diabos Caroline queria fazer? Me distrair, me enlouquecer? Ela definitivamente estava conseguindo. Nossa! E realmente estava gostosa assim.

Caroline continuou a provocar e me chamou com o dedo indicador, fazendo com que eu me aproximasse e disse:

— Não terei pena de fazer com você o que fez comigo.

— Você nunca sentiu pena de mim, amor. A única diferença, na verdade, é que agora você não sentirá remorso.

Aquilo foi uma ameaça? Não importa, não estava ligando.

Eu a beijei intensamente enquanto o som ecoava. Num movimento urgente, me livrei da minha jaqueta e da camisa e Caroline olhou com satisfação o efeito que ela causava em mim. Ela inverteu as posições, me beijou e eu o fiz novamente, dessa vez a deixando de costas para mim e ela gemeu baixo quando sentiu seu rosto na parede fria. Mostraria a ela quem manda.

Ela me puxou pelos cabelos em direção a si, estreitou nosso contato e virou seu pescoço para me beijar. Enquanto capturava seus lábios em um beijo ardente, minhas mãos deslizavam possessivamente pelo seu corpo deixando marcas por onde passavam. Parei apenas para tirar sua camiseta e voltar a tocar meus lábios na sua orelha, depois pescoço... Ela tentou se virar e a coloquei novamente com o rosto contra a parede enquanto brincava com uma das mãos em seus bicos rígidos de excitação. Com a outra eu abria o botão da sua calça, descia o seu zíper e ela se encarregou de tirar a calça.

Acariciei toda a extensão das suas costas com minha barba arrancando dela arrepios e alguns suspiros. Mordi de leve sua bunda e ela gemeu baixinho. Passei minhas mãos levemente pelas suas pernas, a parte interna das suas coxas e depois sua virilha... Pude perceber a sua ansiedade por um toque mais íntimo através da sua respiração excitada e ofegante e os “por favor” quase inaudíveis e, embora quisesse tortura-la mais, cedi ao seu apelo porque estava tão ou mais excitado que ela. Passei a língua delicadamente pela sua vulva e ela gemeu deliciosamente se empinando toda fazendo com que o toque molhado e macio chegasse ao seu clitóris, onde me dediquei a chupa-lo intensamente. Eu enterrava cada vez mais minha língua em sua intimidade usando a boca para deixá-la ainda mais melada e Caroline começou a gemer ainda mais desesperada e ofegante quando usei minha língua para penetrá-la enquanto fazia movimentos circulares com o polegar em seu clitóris. Eu me afastaria por vingança se também não estivesse com tanto tesão.

Eu voltei a chupa-la e estava mergulhado em sua intimidade. Caroline não parava de gemer. Eu provoquei ainda mais, dando um tapa em sua bunda e observando sua reação num gritinho gostoso.

— Klaus, ahhh... E..u voo...u... — Anunciou seu orgasmo, que veio intenso, fazendo-a se tremer toda enquanto eu continuava de boca ali.

Eu a virei de frente, pus uma de suas pernas em meu ombro e continuei mergulhado nela. Caroline gemia e brincava com seus seios, lhe proporcionando ainda mais prazer. Aquela visão dela com os dentes cerrados e se tocando era demais para mim.

Me levantei e antes de conseguir beijá-la, Caroline me jogou contra uma mesa de sinuca que estava atrás de nós. Permaneci em frente a ela mas fui impedido de andar por Caroline, que empurrou novamente. Ela me encarou e voltou a me beijar cheia de desejo e luxúria, passando a mão no meu peito e esfregando minha ereção dolorida por cima da calça.

— Minha vez. — Ela disse rouca e eu me arrepiei.

Ela desceu os beijos no meu pescoço, peito, abdômen e ao se abaixar por completo, olhou para cima e sorriu de um jeito safado, que me fez querer possuí-la nesse momento. Sem muita pressa, ela abriu minha calça e expôs meu membro, passou sua língua com delicadeza por toda a extensão e chupou sua ponta, me fazendo gemer seu nome involuntariamente. Ela passou a movimentar sua mão acompanhando sua boca de maneira enlouquecedora. Me engolia por completo e eu arfava ao sentir Caroline fazendo pressão com a boca e língua na parte mais sensível. Ela aumentou o ritmo de ambas coisas e eu me empolguei segurando seus cabelos e a estocando sem parar. Eu gostaria, mas não consegui me controlar por muito tempo e gozei, sem que ela parasse de chupar e sugar meu pau. Aquilo me deixou insano e febril. Diminuí o ritmo devagar e ela se levantou e disse subitamente:

— Está quente aqui. Consegue sentir? — Pelo jeito causara o mesmo efeito nela.

POV CAROLINE

Se Klaus acha que está no controle, está enganado. Eu o faria entender que não. E já que ele não me deixaria em paz, eu pelo menos o faria abaixar a guarda.

Não sei quantas milhões de vezes a música repetiu, definitivamente não prestei atenção, mas felizmente parou na melhor parte e eu entrei na piscina e continuei provocando-o. A noite seria longa.

O encarei de modo que ele prestasse atenção no que dizia...

“[...] From my body I could show you a place (Do meu corpo eu poderia te mostrar um lugar)

God knows (Que Deus conhece)

You should know the space is holy (Você deveria saber que o espaço é sagrado)

Do you really want to go? (Você realmente quer ir?)

... e ele não se ateve. Entrou na água e nadou rapidamente até a mim, me penetrando sem rodeios. Gemi em seu ouvido e o senti rir. Klaus o fazia lentamente, mordendo minha orelha, segurando minha bunda e em seguida me beijando intensamente. Não sabia o que estava mais molhada, minha intimidade ou a água.

Klaus aumentou o ritmo das suas investidas e eu gozei me controlando para manter o silêncio só para não dar a ele o gosto da vitória e quando senti que ele faria o mesmo em breve, o empurrei e saí da água, deixando-o puto e sem entender.

Já que ele fez questão de acabar com a minha diversão expulsando todo mundo, tínhamos a casa inteira a nossa disposição, seria um desperdício não usá-la.

Como previ, ele entrou na sala furioso e cheio de desejo. Até que gostava de vê-lo assim e por esse motivo então... melhor ainda. Klaus me atacaria se eu tivesse dado essa chance a ele. Eu o joguei no sofá e vi seus olhos pegando fogo quando me aproximei dele lentamente mexendo minha boca na letra...

Oh, you don't mean nothing at all to me (Oh, você não significa nada para mim)

No, you don't mean nothing at all to me (Não, você não significa nada para mim) [...]”

Antes que ele pudesse esboçar qualquer reação, eu sentei em seu colo e preferi usar minha boca apenas para gemer e beijar seus lábios vermelhos e quentes.

“[...] But you've got what it takes to set me free (Mas você tem o que é preciso para me libertar)

Oh, you could mean everything to me (Oh, você poderia significar tudo para mim)

Eu subia, descia e rebolava no seu pau como uma puta, mas não me importava, pois realmente se sinto uma e Klaus também não, já que gemia intensamente me auxiliando pela cintura enquanto beijava meu pescoço roçando sua barba nele. Anunciei que chegaria ao orgasmo com gemidos impossíveis de controlar e Klaus me impediu de me mexer tempo suficiente para afastar a sensação, rindo e se deleitando em sua vingança. A minha vontade foi de socar a cara de híbrido filho da puta e extremamente gostoso. Ele percebeu que e se continuasse me segurando eu ia dar meu jeito sozinha e se levantou com as minhas pernas em volta de sua cintura. Ele me encaminhou para a beira da escada, onde me encostou na parede e continuou bombando, dessa vez com mais força e sem descolar nossas bocas. Arranhei suas costas, fazendo um caminho de sangue por onde minhas unhas passavam fazendo com que Klaus se tornasse ainda mais agressivo, me levando para o quarto e me jogando na cama.

— Você gosta disso, não é? — Disse rouco e passou a língua em meus seios enquanto seus dedos brincavam em minha intimidade encharcada.

— E disso? Klaus me virou com rapidez, me pôs de quatro e me penetrou forte e sem dó, me causando uma pequena e prazerosa dor. Não posso dizer que não gostei.

Ele aumentava o ritmo tão rápido quanto parava toda vez que me ouvia subir alguns decibéis a mais só para me torturar e Deus! Mais uma dessa e a pouca sanidade que me resta me abandonaria por completo.

Ele me suspendeu, me puxou pelos cabelos e fez uma pergunta que saiu mais como um gemido:

— Você quer gozar, amor? — Esse sotaque... Eu molhei ainda mais, se é que fosse possível.

Assenti com a cabeça e ele começou a investir rápido e forte. A essa altura eu não estava só gemendo, estava também gritando... seu nome enquanto ele segurava meu quadril e me empurrava em sua direção.

— Isso, Caroline... — Ele deslizou sua mão e começou a me masturbar, lenta e torturando, ao contrário das suas investidas. – Goze para mim, amor. — Se ele falasse mais alguma coisa rouco de prazer e com esse sotaque eu derreteria.

Não muito tempo depois, senti minha intimidade se contrair em um forte e prazeroso espasmo acompanhado por todo meu corpo.

— Tão apertada... — E o senti tão quente quanto em minha boca.

POV KLAUS

Nunca, nem em mais mil anos, nada e nem ninguém superaria a nossa interação física e a nossa química. E eu posso dizer que não consigo odiá-la como gostaria porque não tinha como. Nem agora... Nem nunca.

Embora saiba que ela não está muito afetuosa, sabia que estava exausta e sem forças para correr de mim mesmo se precisasse. Se fosse humana, ficaria sem andar por três dias. Então a puxei para perto de mim e ela apenas me encarou brevemente antes de adormecer e tudo que eu vi nos seus orbes azuis foram... nada.

Eu vi nada.

Era um imenso e completo vazio como um oceano profundo, sombrio e inabitável.

E aquilo me paralisou.

E posso amar a escuridão, porque faz parte de mim, porque ela pertence a mim, mas ela não. Caroline irradiava luz e energia antes de ter covardemente isso tirado de si, e embora eu desejasse intensamente fazer dela a rainha da noite, isso não parecia justo.

Quando eu abandonei minha alma foi por uma escolha minha. Ela fez porque foi obrigada. Infelizmente Enzo não mentiu, ele apenas usou argumentos sobre quem eu sou. Egoísta, manipulador, incapaz de ter sentimentos por alguém. Mas uma coisa ele se equivocou, ou eu sou bom em esconder a verdade. Eu me importo com Caroline como nunca me importei com alguém na vida e finalmente eu consegui admitir isso. Eu enxerguei com ela um mundo além da escuridão, das sombras e da morte iminente que rege a minha vida. Eu compreendi porquê de quando estava sozinho eu me pegava pensando nela até por coisas estúpidas, no que poderíamos fazer se não houvesse uma barreira moral nos atrapalhando de enxergar a verdade um do outro. De porquê eu amolecia a cada sorriso que ela me dava mesmo carregado de ódio e rancor e ria internamente até das palavras ásperas que ela dirigia a mim.

Eu enxergo em Caroline tudo aquilo que eu não sou... — bom - e ela enxerga em mim tudo aquilo que ela não pode ser — um monstro -. São os dois lados de um espelho onde um só vê a si próprio e ignora aquilo que está do outro lado e não aceitamos de maneira alguma que nos completamos da forma mais obscura possível porque não sabemos como lidar com isso. Nos repelimos e desejamos um ao outro brutalmente, sem nunca sequer admitir para si.

Antes dos meus pensamento me dominarem e fazer de mim fraco, eu adormeci.

—___________

Acordei suado e tremendo. Pisquei algumas vezes para saber se aquilo não fazia parte de mais um dos meus constantes pesadelos, mas percebi ser real quando a fumaça entrou nos meus pulmões, queimando tudo por dentro me fazendo tossir involuntariamente. Olhei para o lado e Caroline não estava. Procurei por ela e não a encontrei. Saí do quarto com dificuldade, já que quase tudo foi tomado pelo fogo que continuava a se alastrar rapidamente. Os corpos de mais cedo permaneciam lá e agora algumas pessoas que voltaram do coma se arrastavam tentando sair do local, mas impossibilitadas devido ao seu nível alcóolico elevado. Desci as escadas correndo e quase fui atingido por um pedaço do teto que desabou na minha frente. Chamei por Caroline diversas vezes e ela não respondeu. A quantidade de fumaça dificultava a locomoção e a visão, mas consegui vê-la desacordada jogada no chão da sala pela pulseira brilhante de Vegas.

— Te peguei, te peguei, amor. — A coloquei no colo e saí dali o mais rápido que pude.

Assim que botei seu corpo na grama da frente, vi a casa explodir e constatei três coisas.

Eu estava só de roupa íntima em frente a uma casa pegando fogo cheia de adolescentes bêbados dentro, meu carro sumiu e aquela loira não era Caroline, era apenas uma qualquer com sua pulseira e vestida com roupas semelhantes a sua.

— Vadia!