Hot Cold Blood - Klaroline.
16 Capítulo 16 - Humanidade II - Misericórdia.
[...] Caress me with pain
(Me acaricie com dor)
‘Cause I’m down on my knees and I’m begging you please as you say
(Porque eu estou de joelhos e estou implorando enquanto você diz)
Don’t cry, mercy
(Não chore, Misericórdia)
There’s too much pain to come [...]
(Ainda tem muita dor por vir)
POV KLAUS
Caroline fora destinada pelo Universo para uma única coisa...
Me infernizar.
E Ele deveria se sentir muito orgulhoso dela, porque o faz com maestria.
Tive que pedir para Thomas vir me buscar, já que até as minhas roupas ela levou ou deixou queimar. Pelo menos teve a decência de deixar a box, o que a essa altura já é muito.
Se eu estava puto e com uma vontade que não cabe em mim de matá-la? Não consigo nem descrever o quanto, mas ainda assim com um sorriso nos lábios pela noite que tivemos. Fico imaginando se ela não estaria mancando ou andando torta uma hora dessas, porque digamos que foi um... leve, prazeroso e divertido estrago. Nada comparado a quantidade de corpos carbonizados na casa e os gritos que eu ainda escuto enquanto estou sentado na calçada, mas ainda assim um belo estrago.
A jovem loira e bonita ao qual fui levado por Caroline a crer que era ela acabou de acordar tossindo e eu não sou o maior exemplo de controle do mundo.
— Desculpe amor, você não é quem eu gostaria de matar agora, mas é bem parecida, então por enquanto dá para o gasto. — Torci seu pescoço. – E isso não é seu. — Arranquei a pulseira e tentei colocá-la no bolso. Que bolso?! Meu rosto pegou fogo. Mais até do que a maldita casa.
Eu estou furioso e a qualquer momento voltaria andando desse jeito porque o imbecil do Thomas parece que sofreu um colapso no meio do caminho.
Quando Thomas finalmente chegou, eu me levantei rapidamente da calçada, indo em sua direção enquanto escutava de longe barulhos de sirene.
— Mas o que...? — Ele desceu do carro com uma cara extremamente assustada e creio que deva começar a se adaptar a esse tipo de situação o mais rápido possível já que tem uma Caroline louca solta por aí.
— Sem perguntas. Você trouxe as minhas roupas?
— Sim. — Ele as jogou para mim e comecei a vesti-las. – Mas Rebekah me seguiu o tempo todo que estive no seu quarto me perguntado para que seria.
— E você contou?
— Não. — Me olhou com uma cara óbvia.
— Bom menino. — Apertei seu ombro sorrindo. – Agora vamos. — E fechei a cara.
— E aqui está seu celular novo.
— Thomas, agora gosto ainda mais de você. Por isso vou até esquecer que você dormiu com Caroline no dia em que ela chegou aqui. — Apertei novamente seu ombro e dei um sorriso sarcástico.
— Como você...? — Ele sacudiu a cabeça em nervosismo. – Bom, não foi exatamente no dia que ela chegou aqui e não chegamos a terminar já que você nos interrompeu e... — Ele olhou para minha cara. – Acho que você não quer saber disso, não é? — Eu estava na dúvida se foi uma pergunta retórica ou se ele realmente queria que eu o respondesse e se calou.
—_____________________
Passei direto pelo hall ainda vazio a essa hora e fui direto para a sala onde estava o meu interesse.
— Ora, ora, ainda vivo.
Para minha surpresa Enzo ainda lutava pela sua vida de maneira surpreendente. Mordi meu pulso e ofereci a ele, que prontamente afundou seus dentes. Eu apenas observei seu ato num respirar aliviado e agradecido.
Retirei meu pulso ainda sangrando e recostei na mesa a sua frente.
— Encontrou Caroline? — Acenei positivamente com a cabeça. Ele sorriu e se levantou da cadeira, dando alguns passos em minha direção. – E como ela está? — Perguntou ainda enfraquecido.
— Morta. — Enzo engoliu seco e gaguejou ao falar:
— Vo...você...? — Perguntou assustado.
— Não. Ainda não, mas irei. Assim como você. — Enfiei minha mão em seu peito e ele arregalou os olhos. – Porque nunca foi minha intenção te deixar sair daqui vivo. Só queria demonstrar como é quando se sente motivado e percebe que tem algo na sua vida que finalmente pode ir bem... — Afundei mais minha mão dentro dele e segurei seu coração. – E você se agarra nisso mesmo sabendo que tende ao fracasso. — Seus olhos encheram d’água. – Ou você pensou que teria uma vida plena e feliz ao lado de Caroline? Que viajariam o mundo em um balão colorido? Não... — E arranquei seu coração. – Eu não deixaria. Eu não deixaria que ninguém lhe roubasse isso. — Falei olhando para minha mão enquanto seu corpo caía no chão.
— Por que isso não me surpreende? — Stefan apareceu recostado na porta enquanto olhava para o corpo de Enzo. – Pelo seu humor, creio que as coisas não correram muito bem com Caroline.
— Pior do que imagina caro estripador.
— E o que foi essa metáfora agora? “Eu não deixaria ninguém...” — Stefan disse imitando meu sotaque em um tom zombeteiro e o interrompi. – Eu gostei, foi poético. — Continuou a me irritar.
— Estou falando com Damon agora? — Ele riu. Por um momento pensei que tivessem trocado de corpo.
— Para alguém que dizia não se importar... — Deu de ombros.
— Não me diga que a Barbie vampira ficou pior que a Elena, porque se já foi insuportável lidar com ela assim, imagina... — Damon apareceu e parou assim que viu o cadáver do seu amigo estirado no chão. – ... com Caroline. — Ele engoliu seco e saiu irritado, sendo seguido por Stefan.
As posições se inverteram. Stefan me irritando, Damon sério, Caroline agindo como eu e eu preocupado com o que ela estaria fazendo nesse momento.
— O que você esperava depois de tudo, Damon? Ele é o Klaus. — O Salvatore mais novo tentava conformar o irmão.
— Eu não me importo, irmão. Não vou ajudá-lo. Não mais. — E se encaminhou para a saída.
— Imagina o que Elena diria que soubesse que não impediu sua melhor amiga de matar todo o mundo por puro prazer e queimar alguns corpos por aí pelo mesmo motivo. — Damon se virou lentamente em rendição e gritou:
— Tudo bem! Desde que dessa vez finalmente tenha a capacidade de cumprir com uma promessa sua.
— Que seria...
— Quando isso acabar, nunca mais ouse nos perturbar. Nunca mais vá a Mystic Falls, nunca mais pense nem em visitar nossa cidade...
— Damon. — Stefan repreendeu o irmão, imaginando que eu quebraria alguns dos seus membros e ele não deixou que isso o impedisse de concluir.
— ... Não perdi nada por lá mesmo. — Falei calmamente.
— ... Nem se Caroline decidir ficar. — Ele disse ao mesmo tempo que eu e fiquei em silêncio.
Pensei em recusar, mas lembrei que Caroline não pararia até me ver preso em algum buraco qualquer ou até mesmo com um carvalho branco enterrado no peito a sete palmos de distância do mundo. “– ...Ela é forte, guerreira, intuitiva e muito melhor que você. Eu espero que não a subestime”, Bastiana disse em Paris.
— Pro-me-ta, Klaus. — Damon me cobrou pela demora e Stefan ficava cada vez mais apreensivo.
Eu ainda estava com raiva dela e não a deixaria escapar impune, mas dissipou-se quase completamente no momento em que outra frase da Anciã ecoou em minha cabeça.
“– ... Não deixe essa ingenuidade dela esvair”. Tarde demais.
Como devolver a alguém humanidade se você próprio não possui a sua? Meu último resquício se foi naquela noite de 1919 na Ópera, há cem anos, quando nosso pai levou abaixo não só a cidade, MINHA cidade, mas arrastou e queimou com ela o que eu demorei quase mil anos para ter. Uma alma.
— E então? — Damon perguntou impaciente.
— Façam o que tiver que fazer.
— Podemos utilizar algumas recordações. Fotos antigas, suas medalhas, troféus de quando era líder de torcida e participava de campeonatos. — Damon deu a ideia.
— Também sua faixa e coroa de Miss Mystic Falls... — Tyler apareceu e sorriu com a lembrança. Ele é tão insignificante que nem notei sua ausência.
— Já fizemos isso com Elena e não deu certo. — Stefan lembrou.
Eles gastavam saliva elaborando outros meios tão estúpidos quanto a anterior e nada parecia certo.
— Podemos ameaçar matar Klaus. — Todos olharam curiosos para Stefan, principalmente eu. – Qual é. Todos nós sabemos que ela se importa com ele. — Soltei uma risada abafada e Tyler ficou sério.
— Ou podemos realmente matá-lo. — Damon pronunciou e deu um sorrisinho sarcástico para mim.
— Creio que ela já tentou fazer isso por conta própria. Sem sucesso, é claro, como todos vocês. — Fiz o mesmo apontando para eles.
— O problema é... Como vamos achá-la? — Questionou Tyler e saí do meu devaneio onde eu o mato de maneira divertida e impiedosa.
— Isso não é mais um problema. — Marcel entrou com um sorriso estampado e me entregou as chaves do meu carro. Sorri junto.
Por sorte Caroline não tinha experiência em ser vilã e fez a pior coisa que poderia nessa situação... deixar rastros.
POV CAROLINE
Bruxas nunca foram fãs de vampiros e achar uma para lhe fazer um pequeno favor é quase impossível, então vim até Fell’s Church procurar minha bruxinha favorita no nosso dormitório na, esta hora, nada movimentada Whitmore, mas tudo que encontrei foi um quarto bagunçado e vazio. Imaginei que estariam levando a vida de universitárias bem mais a sério e me dirigi ao bar mais próximo, que a esta altura estava lotado. Parece que toda concentração de estudantes que deveriam estar no campus vieram para cá. Mas não dava para reclamar e nem podia.
Me aproximei do balcão e pedi uma bebida. Comecei a observar o local para achá-las e meu olhar encontrou com o de um rapaz não muito jovem, negro, de olhos escuros e corpo atlético que se aproximou.
— Nova por aqui? — O deus Ébano falou com um sorriso perfeito.
— Digamos que sim.
— Hm, caloura. E o que faz desacompanhada num Sábado à noite?
Pensei em usá-lo para saber onde se meteram, mas óbvio que elas não estariam aqui no final de semana! Onde eu estava com a cabeça?
— Agora não estou mais, não é mesmo? — Insinuei e ele deu mais um daquele sorriso lindo.
Após algumas bebidas com o veterano de Engenharia, estávamos em seu dormitório nos agarrando e eu ansiava para prová-lo em todos os sentidos, mas essa noite seria no literal.
— Não se altere, não grite e não resista.
Cravei meus dentes na base do seu pescoço e suguei lentamente seu sangue sem que ele oferecesse qualquer tipo de resistência. Após me saciar o compilei para esquecer esse pequeno incidente, afinal, viria aqui mais vezes.
— Realmente delicioso.
—___________
A hora começou a passar ainda mais rápido depois que entrei na casa. A verdade é que eu estava estressada. Não passaria sequer mais um dia sem um certo acessório que me permite sair por aí livremente e sei que muito em breve terei um Klaus, híbrido e furioso, me caçando em todos os lugares do mundo, me transformando em uma nova espécie Petrova.
Sentei no sofá e apenas aguardei, o que não demorou muito tempo.
— Espero que os meninos tenham conseguido logo. Não aguento mais ficar sem notícias. — Bonnie entrou carregando dois sacos de mercado e Elena veio logo atrás dela fazendo o mesmo.
— E o pior é que eles não atendem a droga do telefone. — Reclamou colocando o celular no ouvido com dificuldade enquanto empurrava a porta com o pé.
— Preciso de um favor seu. – Falei para Bonnie. Ambas se assustaram e Elena deixou suas sacolas e o celular caírem no chão.
— Eu não posso mais praticar nenhum tipo de magia, você sabe disso. A última vez que a usei foi com Klaus e sofri uma punição severa por isso. Tanto dele quanto dos ancestrais.
— Então nesse caso...
— Car., não faça isso! — Gritou Elena quando me aproximei de Bonnie e a acertei fazendo-a desmaiar e torci seu pescoço.
Estava quase amanhecendo. Sentei e aguardei pacientemente as duas acordarem. Bonnie foi a primeira e a recebi de volta com um sorriso, apesar de ela despertar com as mãos na têmpora reclamando da dor. Ouvi alguns gemidos que constatei ser da Elena e sorri mais ainda.
Levantei e abri um pouco a cortina. O sol ainda estava tímido e invadiu o recinto lentamente. Elas se olharam sem entender e Elena teve a brilhante e magnífica ideia de olhar seu dedo e deduzir que faltava algo. Abri um pouco mais a cortina.
— O que pensa que está fazendo?! Se abrir mais você vai matá-la! — Bonnie gritou em desespero ao ouvir os gritos de Elena enquanto ela queimava, sem poder fazer nada.
— O anel, Bonnie. Apenas isso e vou embora. Por um tempo, mas vou.
— Tudo bem, tudo bem, Caroline, eu faço. Só não a machuque, por favor. — Ela implorou.
— Muito bem, Bennett. — Fechei a cortina e olhei para Bonnie que apenas me encarava. – O que está esperando? — Questionei.
— Eu só preciso do material que está na minha casa. — Disse óbvia.
— Então vamos!
Me levantei e arrastei a cadeira onde Elena estava um pouco mais para trás, deixando-a na sombra e abri completamente a cortina, o que assustou ambas.
— Se demorar muito... — Olhei para o lado de fora. – Bom, vocês sabem. Tic tac, Bonnie.
POV KLAUS
Da rua conseguíamos ouvir os gritos que pela irritante voz imagino ser da cópia Gilbert.
Damon foi o primeiro a correr e entrar na casa de Elena, sendo seguido por Stefan, eu e o sempre insignificante Tyler.
Eu ri ao olhar a cena. Elena amarrada a uma cadeira sendo queimada viva aos poucos enquanto gritava desesperadamente pela sua vida. Seria ainda mais divertido se não fosse tão trágico e Caroline o motivo disso.
Damon tentou arrebentar a corda quando se queimou. Verbena. Dei outra risada alta e todos olharam para mim. Os Salvatore ficaram com ela enquanto Tyler foi na cozinha pegar uma faca e quando voltou eu já tinha arrebentado, provando ainda mais sua inutilidade no mundo.
— Bo...Bo...n. — Elena balbuciava sem conseguir completar.
— O que há com a Bonnie, Elena? — Perguntou Stefan preocupado.
— Por favor...
— Caroline está com ela. — Completei e a cópia mal feita Gilbert começou a chorar.
— Shhh, vai ficar tudo bem. Estou aqui meu amor. Você sabe que não deixaria nada acontecer com você, não é? Olhe para mim. Vai ficar tudo bem. Eu te amo. Eles vão achá-la. — Damon a pegou no colo e levou para o sofá, onde ficaram abraçados enquanto trocavam juras de amor eterno.
— Que lindo. — Ironizei. – Agora vamos!
Toda aquela melação começou a me irritar rapidamente e saí antes que botasse fogo com os dois — e Tyler — na casa como Caroline provavelmente faria se visse essa cena patética. Mas infelizmente ele optou por ir comigo já que Elena queria confraternizar com ambos Salvatore.
POV CAROLINE
Eu estava entediada jogada na cama enquanto Bonnie revirava o quarto inteiro mais uma vez atrás dos materiais necessários para fazer o anel.
— Não estão aqui, Car., eu juro!
Olhei em tom de ameaça e ela se irritou.
— Droga! Meu pai deve ter levado tudo quando soube que eu não poderia mais praticar magia.
— Nesse caso eu vou embora e deixarei que você se vire para fazer outro para Elena.
— Elena. — Bonnie sussurrou. – Você precisa soltá-la, Car.!
Eu a ignorei e desci as escadas.
— Até a faculdade, Bon-Bon. — Abri a porta me preparando para sair quando fui interrompida.
— Não tão rápido. — Tyler disse me empurrando novamente para dentro enquanto tentava me segurar.
O acertei no rosto e torci seu braço deixando-o em uma posição desconfortável.
— Isso foi por ficar do lado desse idiota. — Olhei para Klaus, que parecia se divertir. – E isso... — Quebrei seu pescoço e seu corpo caiu em meus pés. – Foi por ter me batido.
— Muito bom. — Klaus começou a rir e não parou mais.
— Cale a boca ou será o próximo.
— Certamente, amor. — Ele ironizou e eu bufei.
Ficamos parados frente a frente e sorrimos um para o outro porque sabíamos o que viria a seguir.
Com rapidez quebrei um abajur na mesinha de canto entre o vão da sala próximo a escada e lancei uma estaca que se formou em sua direção. Ele a pegou no ar antes que o atingisse e lançou de volta para mim, fazendo com que me acertasse no ombro. Gemi em dor e me abaixei. Klaus se aproximou, segurou meu pescoço e me levantou contra a parede, me fazendo reagir contra sua mão. Ele sorriu ainda mais e apertou tão forte que pensei que o quebraria.
— Creio que há um empate aqui. — Eu disse entre as frestas de ar.
— Ainda não. — Klaus retirou a estaca do meu ombro e gritei. Ele a aproximou do meu peito em direção ao meu coração. – Agora sim, amor. A diferença... — Afundou um pouco mais em meu peito exatamente como fiz com ele. – É que isso te mata.
Fechei meus olhos esperando o pior, mas Klaus me soltou e caí no chão tossindo sangue.
— Você é livre para ir. — Falou em um tom baixo e calmo.
Me levantei e fiquei na sua frente, esperando que ele tivesse uma reação apropriada e digna para a situação, mas apenas manteve o olhar distante e frio de sempre.
— Mas não fuja novamente como Katherine fez. Seria desonroso.
— Ela gastou muitos saltos agulha fugindo de você. Eu não pretendo fazer o mesmo.
Corpos muito próximos, respiração pesada e desejo muito maior do que podíamos aguentar.
— Mas antes, certamente começaremos em um lugar como esse aqui. — Apontei para o balcão da cozinha atrás de nós. – E acabaremos onde? — Percorri o olhar pelos seus lábios vermelhos e chamativos e ele fez o mesmo. – Sofá, parede... Cama? — Klaus riu.
— Só que dessa vez, amor, eu passarei a noite toda acordado e no final quem sairá prejudicada ou até mesmo sem vida é você. — E deu um sorriso frio.
Fui em sua direção mas parei no caminho ao escutar muito distante um diálogo com uma pequena confusão e vozes conhecidas que cada vez mais se aproximava.
— NÃO TENTE NOS IMPEDIR!
— Vocês podem morrer, isso é burrice!
— Então eu vou arrastá-los para o inferno junto, porque monstros não merecem viver! Você nunca devia ter deixado a cidade chegar novamente a este ponto!
Logo após, houve um estrondo forte e a porta foi abaixo. Ouvi vários disparos. Antes que eu pudesse perceber Klaus me empurrou para longe sendo atingido por alguns e foi em direção a eles.
Fiz o mesmo e joguei um contra a parede, que caiu desacordado, mordi outra que tentava fugir. Me aproximei de outro que recarregava sua arma e enfiei a mão em seu peito, que gemeu em dor.
— CAROLINE, NÃO! — Disse a mulher que feri atrás de mim no momento em que ele olhou em meus olhos. Aqueles olhos, aquela voz.
O mundo parou de girar. Pelo menos o meu parou. Por quanto tempo eu não sabia dizer, mas aquilo me atingiu como uma estaca no peito e eu comecei perder a noção de tudo e entrar em desespero. Antes Klaus tivesse realmente me matado porque não há mais nada no mundo que eu deseje mais que isso.
Olhei para trás e a vi sentada no chão ferida, sendo acudida por Stefan que tinha acabado de chegar com Damon e Elena. Ele tentava a todo custo parar o sangramento que causei. Me afastei em negação e comecei a tremer quando vi o buraco que havia feito em seu peito e seu corpo caindo na minha frente. Por sorte ou consciência, seu coração não veio junto.
— Não, não pode ser. Meu Deus, não... não... — Coloquei as mãos ainda sujas de sangue na cabeça e desabei.
POV KLAUS
Eu deixaria Caroline ir embora e a puniria matando Stefan na sua frente. Para mim, seria o suficiente como castigo. O que ela não sabia é que Sophie Deveraux fez um feitiço de proteção numa troca de favores. Eles acreditavam que com o impacto do seu melhor amigo morto, ela sofreria um despertar e com isso, viveria sua vidinha monótona e sem emoções em paz. Mas não foi o que aconteceu. De todos os planejamentos feitos, esse definitivamente não era um deles.
Caroline permanecia jogada encima do corpo de um homem de meia idade, cujo pela semelhança, imagino que seja o seu pai, Bill Forbes.
— Pai, pai... PAI, por favor responda, por favor... — Ela apelou entre as palavras enquanto levava seu pulso aos lábios do corpo quase sem vida do Sr. Forbes e o sacudiu em desespero.
Pensei que me sentiria satisfeito, que dançaria a música da vitória, mas tudo que senti foi uma vontade quase incontrolável de tirá-la dali para que não passasse pela parte mais dolorosa de ter sua humanidade de volta. O desespero gritante e dilacerante, o turbilhão de sensações e emoções que te atravessam de maneira avassaladora. A culpa e a angústia que te fazem desligar é a mesma que te trás de volta.
— O Conselho descobriu sobre um vampiro que fez uma pequena trilha de corpos até chegar na cidade e com o restabelecimento após sua triunfal saída eles mantiveram a política de intolerância a esse tipo de situação. — Damon disse enquanto pegava Liz no colo.
— Mesmo que envolvesse a filha da Xerife Liz e do empresário investidor membro do Conselho, Sr. Forbes. — Completei.
— Sim. Bill e nós discutimos com os homens do Conselho uma maneira de protegê-la e a Xerife convencia a corporação de não obedecer as ordens deles.
— Foi tudo muito rápido. — Elena se pronunciou.
Eu a segurei e usei um pouco mais de força para tirá-la de cima de seu pai. Stefan a acompanhou para o andar de cima e eu coloquei o pai de Caroline no quarto, os acompanhando em seguida.
— Eu sou um monstro. Eu sou um monstro, Stefan. — Ela chorava compulsivamente.
— Não, você não é. — Ele limpava Caroline tentando acalmá-la.
A cena me deixou mais incomodado do que realmente gostaria.

— Eu sou! Olha o que eu fiz. Como eu pude? Meu pai, minha mãe... vocês e todas aquelas pessoas!
— Caroline não era você e...
— Como não?! — Ela gritou e o som da sua voz ecoou pelo banheiro. – Bonnie me odeia, Elena me odeia. Todos me odeiam! — Pôs a mão ainda cheia de sangue no rosto e se desesperou ainda mais.
— Caroline! — Stefan a sacudiu. – Olhe para mim! — Ela o encarou ainda soluçando. – Você não é um monstro! Entendeu?! Todos nós já passamos por isso. Você não é a primeira e nem será a última. Eu já fui assim, Damon também. Elena roubou seu vestido, aquela vagabunda, você lembra?! — Ele disse e ela deu uma breve risada.
— Klaus é assim. — Ela disse dando de ombros entre lágrimas.
— E mesmo assim você enxerga algo bom nele. — Stefan me olhou e eu não sabia se ele falou isso para confortá-la ou se era realmente verdade. – Agora vem cá. — Ele a abraçou e eu fiquei ainda mais incomodado. Estava prestes a entrar e interrompê-los quando Elena apareceu com notícias.
— A sua mãe está bem. Damon e Bonnie a levaram para o hospital, ela perdeu muito sangue e não queríamos arriscar dela morrer com nosso sangue no sistema. Seu pai, ele... — Elena respirou fundo.
— Eu sinto muito. — Disse recostado na porta e ela olhou para mim.
POV CAROLINE
— Car. — Elena entrou e pensei que seria repreendida, mas ela me abraçou forte e chorou junto comigo. – Talvez você queira vê-lo. Daqui a pouco ele acorda.
Não sei ao certo quanto tempo fiquei sentada na cama analisando seu semblante e imaginando como fui capaz de fazer algo assim. Quando ele despertou eu não sabia como reagir.
— Eu acho que sua amiga vai ficar brava pelas roupas de cama dela. — Ele balbuciou enquanto sentava e olhava para sua camisa ainda com sangue. Apesar do seu bom humor, eu não consegui sorrir por muito tempo.
— O que eu fiz, pai? — Não conseguia acreditar. – Eu nunca vou me perdoar.
— Você vai, porque sabe que não é assim.
— Eu não consigo. Eu matei você. Não consegue ver o quão grave é isso? — Eu estava chateada com ele por não sentir raiva de mim, porque eu fui capaz de tirar a sua vida e mesmo assim ele não deixou de me entender e principalmente de me amar.
— Sei que não estava no seu controle. Quando soube o que aconteceu com você vim para cá o mais rápido que pude, para te ensinar controle como fiz com Tyler, lembra? Mas o Conselho não abriu exceções e... — Eu o abracei forte e não queria mais soltá-lo.
— Você precisa de sangue humano para completar a transição. Como estamos na casa da Bonnie, preciso buscar uma bolsa lá em casa ou com Stefan.
— Caroline, minha filha. — Ele passou a mão em meus cabelos e sorriu. – Você é forte, muito mais até do que imagina. Eu lembro de você brincando na praça com aquele lacinho de fita delicado e um vestido rosa que eu te dei e você parecia uma boneca de tão linda, tirando o fato de você estar liderando um exército de crianças rumo ao parquinho organizando a revolução das brincadeiras. — Ele falou e eu ri alto. – E eu te perdoo, mas... Eu não posso viver desse jeito, mas também não quero que veja.
— O que? — Comecei a chorar novamente. Eu não podia perdê-lo, não agora e nem nunca. – Você me odeia, não é? Odeia o que eu me tornei, o que eu sou.
— Eu te amo muito, princesinha e você sempre será o motivo do meu orgulho. Mas por favor, entenda meus motivos. — Ele falou com ternura eu desabei em seus braços. Meu pai me apertou com força e se levantou comigo ainda o segurando. Não queria deixá-lo ir.
— Pai. — Ele me fitou. – Eu te amo.
— Sempre, princesinha. E dê um abraço na sua mãe. — Ele me deu um beijo no rosto e sorri com o gesto.
Quando o vi passando pela porta e indo embora, não aguentei. Corri em sua direção, mas fui impedida de sair por Klaus.
POV KLAUS
Caroline batia sem parar com força no meu peito enquanto chorava copiosamente e gritava, mas não me importei. Depois de vários minutos ela se cansou e recostou sua cabeça em mim, me arrastando para o chão junto a ela. Por impulso eu a abracei e ela retribuiu o gesto enlaçando seus braços em minha cintura enquanto suspirava tentando recuperar o fôlego.
— Não chore, amor. Vai ficar tudo bem. — Eu disse mesmo sabendo que não iria, mesmo sabendo que viria muito mais dor a seguir.
Foi impossível impedir que algumas lágrimas descessem do meu rosto e atingisse seus cabelos.
— Eu vou ficar Caroline. Ficarei aqui com você. — Stefan disse e Caroline suspirou.
— Por favor Stefan, eu só quero ficar sozinha. — Ela moveu a cabeça para cima e nossos olhos se encontraram. – Me deixem sozinha, por favor. Os dois.
Stefan desceu as escadas e continuei parado na porta fechada me sentindo compelido a entrar, mas apenas caminhei para o banco de balanço da sua varanda e permaneci ali enquanto escutava os soluços e seu inquietante choro porque sabia que mais cedo ou mais tarde se ela decidir ficar, eu tinha uma promessa para cumprir.
Fale com o autor