Hot Cold Blood - Klaroline.
3 Capítulo 3 - Bem vindos a "Rue Bourbon".
POV CAROLINE
Me arrependi amargamente de não vir de avião. O bom é que a raiva me fez chegar muito mais rápido que o previsto devido a velocidade da qual em vim. Mas ainda assim, foi cansativo.
Ando devagar, não quero atropelar alguém, ainda mais aqui. Já tinha feito algumas vítimas em Mystic Falls quando saía das noites intensas de festas, bebedeiras e aborrecimentos com Elena e Bonnie. E usar meu sangue para curar as pobres vítimas de umas inconsequências minha não parecia uma boa opção de discrição, além disso, daqui a duas semanas eu entrarei na faculdade, era hora de amadurecer.
Eu tinha um foco, um único objetivo. Este era livrar meus amigos da fome e da morte iminente, e se possível, fazer o causador disso pagar. Mas estava cansada demais para isso.
Aproveito para conhecer a cidade. Olho de longe uma movimentação com música e cores. Estou um pouco distante, não há muitas vagas e para estacionar, desço do carro próximo a vaga ao qual avistei e fiz o que faço de melhor quando quero algo fácil, sem muitos esforços. Não, eu não compeli alguém. Apenas usei meu charme em um jovem rapaz num carro esportivo que cedeu rapidamente e com um sorriso no rosto a sua vaga a mim.
Aproximo-me e percebo que se trata de um desfile, em plena rua. Olho a placa e leio “Rue Bourbon”. Lembro que o hotel ao qual reservara era próximo dali, então apenas deixei o carro no lugar onde estava e acabei de assistir a parada cultural. Vejo algumas pessoas entrando em um bar, olho o celular e percebo que anoiteceu rápido desde que parei para assistir o desfile. Ainda era 19h27min, então eu as segui adentrando ao bar junto com elas.
Precisava de algo forte, muito forte. O suficiente para me fazer capotar e dormir de verdade quando chegasse ao hotel. Sento no balcão e espero a minha vez de ser atendida.
— Olha, se você quer apenas uma rapidinha para essa noite, esqueça. Eu só queria uma vaga. — Olho para o rapaz que me deixou estacionar em seu lugar. – Não estou de bom humor.
— Calma, docinho, todos temos problemas. — Diz ele suspendendo os braços em sinal de “OK. Me leve preso, mas saiba que sou inocente”.
Chega a minha vez e peço para a bartender uma dose do whisky mais forte da casa. Ambos me olham assustados, mas tudo prossegue normalmente. Quando viro o copo deu ma só vez sem fazer cara feia os dois se entreolham rapidamente, assustados e surpresos, então ela percebeu que eu precisava de mais uma como aquela e enche meu copo novamente. Realmente muito perceptiva. Antes de dar mais um gole que acabaria com aquele líquido de ninar, a bartender enche o copo de novo, sorri e se afasta. Nesse momento aproveito para desabafar, afinal, eu o faria esquecer o que falaria de qualquer maneira.
— Meus amigos estão presos na própria casa. Dois vampiros famintos e três humanos banquete do ano. O que acha DESSE problema? — Solto essa irritada, bebo mais uma vez e já me preparo para compeli-lo.
— Docinho, nem tente. Eu não posso ser hipnotizado, se é isso que tentava fazer com esse lindos olhos azuis e pupilas dilatadas. — Olho assustada e com calma ele pega minha mão e responde ao meu olhar. – Também sou um... Vampiro. Mas me diga. Quem fez isso?
Desconfio por um momento, mas como não citaria nomes, não havia o porquê não acabar de desabafar.
— Um idiota megalomaníaco, surtado, psicopata, egoísta e dono da verdade absoluta do mundo — Falo extremamente irritada. Acho que minha voz saiu mais fina e estridente que o normal. – fez isso para seu deleite no sofrimento alheio, porque ele é um monstro! — Concluo, sem o informar que antes eles tentaram o matar. Não era relevante.
— Nossa! Venenosa! — Exclamou o rapaz sorridente.
Me perco durante um ou dois segundos em seus olhos amendoados quando lembro do meu objetivo aqui e apenas continuo a soltar meu “veneno” como o mesmo disse.
— Isso não é nem um centésimo do que ele é. — Afirmo ainda mais estressada.
— Tudo bem. Se você se vingar do seu ex-namorado é tão importante assim, ainda mais ele sendo a pessoa agradável ao qual descreveu, eu a ajudarei. Conheço algumas pessoas que podem fazer isso, principalmente uma. — Afirmou o rapaz sexy batendo com o copo na mesa e saindo do bar.
— Acho que deveria ir atrás dele. — Falou a bartender Camille, cujo agora consigo ler a plaquinha em sua camisa, em um sorriso amigável.
— Ei! — Saio rápido do bar indo em direção a ele que já estava atravessando a rua. Penso em reconsiderar a primeira palavra que troquei com ele sobre a rapidinha, mas a única coisa que falo é... – Ele não é meu ex-namorado! — Exclamo irritada e continuo. – E sim, eu quero sua ajuda.
Ele sorri e continua andando.
— Ei! Eu falei que quero sua ajuda! — Grito me aproximando dele.
— Eu sei. Eu ouvi. — Falou em uma calma absurda e continuou andando como se tivesse que amamentar ou algo do tipo.
— Então como será? Eu te ligo... Você me liga... — Ia sacar o celular quando ele me interrompeu.
— Eu sei onde te encontrar. — O encaro assustada e ele completa. – Vi no vidro do carro o adesivo que dá direito a usar o estacionamento do hotel, e com direito a valete. Muito bom. — Ele fala sorrindo sarcasticamente.
Confesso que tinha esquecido desse serviço contratado, mas estava cansada demais para buscar o carro. Já era 22h e nesse momento a única coisa que eu queria é dormir. Dormir muito. E foi isso que fiz o resto da noite.
POV KLAUS
Ao chegar, procuro nossa antiga casa. Uma que construímos isolada, como um refúgio. Não que eu quisesse ficar lá, mas imaginei que a mansão no Quarter já estivesse habitada por algumas pessoas após todos esses anos, e sinceramente não estava muito afim de causar um massacre por agora. A viajem fora longa e precisava descansar. Talvez amanhã.
Há trezentos anos eu e meus irmãos construímos um império. Algo para chamar de LAR. Nunca estivemos tão plenos, tão felizes. Pela primeira vez existia harmonia sobrenatural, uma espécie de paz entre humanos, bruxas, lobisomens e o mais importante... vampiros. E aqui estou, novamente, tentando reconstruir aquilo que fora perdido há mais ou menos cem anos, quando fugi de Mikael, aquele que eu ainda não desabituei a chamar de pai apesar de tudo.
Ao anoitecer, resolvi dar uma voltinha para me atualizar sobre as questões deixadas para trás depois do estrago feito por um certo caçador de vampiros. Faço questionamentos, interajo apenas um pouco com os nativos, o suficiente para descobrir algumas coisas sobre a cidade, MINHA cidade. Mal cheguei a New Orleans e já descubro que há um “líder”. Sim, “líder”, entre aspas, pois sou e sempre serei o Rei desse lugar. O dia caiu junto com as minhas expectativas de achar algum tipo de resposta e a noite era a minha parceira de dança. Com ela, poderia descobrir alguns poucos ou muitos da minha meia espécie para interrogar. Já era 22h e estava cansado de andar por aí caçando respostas.
Sentei-me em um bar, no qual mesmo com a decoração mais contemporânea, era o mesmo de sempre.
— Lembra-se desse lugar, irmão? — Falei com um sorriso estampado, dando um gole no whisky em minhas mãos.
— Sim. Aqui... — Diz Elijah apontando para o lugar inteiro. – era onde costumávamos realizar nossas reuniões e transações em prol a satisfação dos clãs. Completa, com um sorriso maior que o meu.
Brindamos, e ao ver o copo vazio pedimos mais uma dose. Olho para a bartender e sorrio de maneira simpática enquanto ela nos serve um dos melhores Bourbon do lugar. Lembro-me então que preciso de informações sobre o suposto novo gerente local e não haveria melhor lugar senão um bar movimentado onde provavelmente toda cidade iria para fazer tais perguntas.
— Então... — Olho para uma plaquinha identificadora na blusa da bela bartender e prossigo. – Camille... preciso de uma informação.
— Claro. Pode falar. — Diz ela limpando o balcão a nossa frente e enchendo mais uma vez nosso copo.
— Quem é o encarregado por trazer paz à cidade? — Pergunta Elijah. – Digo... além do prefeito, muito além dele. — Ele a fita como se já esperasse uma reação em cadeia.
— O que?! — Camille pergunta confusa. – Além do prefeito? Do que estão falando? — E arregala os olhos.
— Por favor, seja gentil e me diga se sabe algo sobre quem é o responsável por comandar o Quarter e toda New Orleans. E não falo das pessoas comuns, humanos como você, e sim de toda raça sobrenatural que existe nesse local. — Me aproximo dela discretamente a compilando.
— Eu realmente não sei quem é, nem do que estão falando. Só sei que amanhã terá uma festa. Talvez devessem perguntar por lá. — Diz Camille de maneira meio hipnotizada, mas sincera. Não haveria como não ser.
Antes de sairmos Elijah a compele novamente. Dessa vez para esquecer tudo o que perguntamos. Eu deixo uma nota de alto valor na bancada e saio. Mesmo de costas posso sentir seu olhar em mim.
Então a caçada começa amanhã. Ando pelas ruas movimentadas pensando no que fazer para me aproximar da festa sem levantar suspeitas sobre as minhas intenções. Estou em meio à praça com uma música estonteante, clássica, rápida, do tipo que possui você, quando vejo a bartender Camille, fitando um homem que pinta vigorosamente um quadro, uma obra de arte em plena praça, o rosto sombrio de um homem com passadas violentas de pincel com tinta no quadro no centro de todo aquele nicho musical. Imediatamente lembro-me das noites que gastei pintando para esquecer o mundo, dos problemas e para evitar que mais alguém acabasse morto. Embora não me importasse tanto com a morte alheia, às vezes eu preferia pintá-la a executá-la. E eu sentia falta disso.

Perco a noção de mim mergulhado nos pensamentos nostálgicos enquanto me aproximo da bela e simpática loira do bar.
— O cara dos cem dólares. — Diz ela em um tom divertido virando-se para mim.
Aquilo me agradou. Havia um tempo que não era bem tratado. Da última vez que me direcionaram a palavra foi para tentar me matar. Na verdade, nada foi dito. E espero que ainda estejam sofrendo as consequências disso.
Abro um sorriso por pensar no sofrimento alheio e principalmente pelo bom humor de Camille.
— Camille! A bartender corajosa! — Exclamo com falsa surpresa e sorrio pra ela, que retribui. – E com um nome francês. — Continuo.
— Por favor, esse é um nome de avó. Pode me chamar de Cami. — Ela fala e volta o olhar para o pintor. – Incrível, não é? — Fala referindo-se ao artista e a arte.
Somente alguém com tamanha sensibilidade e paixão emanaria aquele olhar. Então perguntei se ela pintava. Sua resposta fora negativa. Não podia ser. Mas logo concluiu que admirava e isso me deixou um pouco mais aliviado, mas curioso, afinal, ela disse que todo artista tem a sua história e queria saber qual era a dele.
— Ele é furioso... Sombrio. Não se sente seguro e não sabe o que fazer sobre isso.
A essa altura eu já comecei a me sentir incomodado, e ela apenas continuou. – Ele queria saber controlar seus demônios ao invés dos demônios o controlarem. — Aquilo era doloroso de ouvir, mas ela não parou. – Ele está perdido. Sozinho... — Ela dá uma breve pausa do que parece ser minha biografia, me olha por um momento e completa. – Ou talvez tenha bebido demais. — Quando voltei após me perder em meus próprios pensamentos, Camille, ou melhor, Cami se policia. – Desculpe. Psicóloga exaltada.
— Não. — Afirmo com os olhos um pouco menos marejados que antes. – Creio que acertou de primeira. — Dou um breve sorriso que ela novamente retribui.
— Bom... — Ela olha em meus olhos e fala. – Como eu disse no bar, tem uma festa que parece ser de arrecadação de fundos numa das mansões da cidade, eu não tenho um par...
Então antes que ela pudesse completar eu a interrompi.
— Eu aceito. — E dou uma risada. Cami sorri em retribuição e abaixa a cabeça um pouco tímida.
— OK. — Ela afirma levantando a cabeça e recuperando-se repentinamente de seu ataque de timidez.
— Te pego às nove... Onde? — Pergunto educadamente.
— Nos encontramos lá. Tem algo que preciso resolver antes de ir. — Ela diz já andando na direção oposta ao meu destino.
— OK. Aguardarei ansiosamente. — Respondo verdadeiro e cínico ao mesmo tempo. Ela segue o seu rumo e eu sumo na noite.
Ao chegar a casa, encontro um envelope, selado com cera vermelha na porta de entrada. Metade para dentro, metade para fora. O peguei e abri. Quando ia ler, alguém aparece atrás de mim.
— Espero que não fique chateado por não pode explicar pessoalmente.
— Katarina Petrova.
— Sim, eu. — Afirma óbvia, dispensando apresentações.
Antes que eu pudesse matá-la como já havia planejando durante cinco séculos, ela subitamente se afasta e fala.
— Calma aí lobinho. Só queria me certificar que receberia a correspondência corretamente. Porque você sabe como são os Correios, né? — Fala com um cinismo que me irrita. – Espero que com essa informação você esteja mais preocupado com isso do que me caçar durante mais dois, três ou dez séculos.
Quando acabo de ler a carta e imediatamente fico irritado. Mas o que...? Que merda era aquela?!
— Katherine... — Dou mais um passo longo em direção aquela vadia. – Que tipo de brincadeira é essa?!?! — Sacudo a carta e o envelope vigorosamente no ar. Passo a mão no rosto e bufo. – Se você estiver blefando como Stefan fez... — A olho com ódio.
— A propósito, eles estão sofrendo bem com o que você fez, obrigada. — Diz com um sorriso largo no rosto. Se alguém está gostando tanto quanto eu do que eu fizera, essa pessoa é a Katherine. Ela fecha o sorriso de forma brusca, fica séria e continua.– Mas não, isso definitivamente não é um blefe. E antes que você queira minha cabeça, adeus Niklaus. Foi uma ótima brincadeira de Tom e Jerry, mas agora acabou já que tem ocupações mais importantes. — E sumiu.
A vagabunda da Katherine sumiu e me deixou plantado, sozinho, esperando explicações para aquele absurdo.
As bruxas conspirando contra mim. Aqui em New Orleans. Qual seria a absurda coincidência disso? Precisaria descobrir antes que acontecesse alguma coisa.
Me deu um frio na espinha quando lembrei que Rebekah, a outra loira de Mystic Falls, mimada, insuportável e teimosa, não quis se juntar a nós. Liguei para ela desesperado. Certifiquei-me que estava bem, até demais, e estava surpresa pela minha preocupação repentina. Então enquanto eu ligava para Elijah, ouvi um toque conhecido aumentar cada vez mais o volume. Começo a estranhar e quando olho para frente, lá está a figura do Elijah debruçada no vão da porta do escritório.
— O que houve Niklaus? — Falou com a naturalidade de uma Miss e adentrou o escritório. – Por que essa expressão de aflição? — Olha para mim como um pai sentando-se à mesa e me fitando enquanto eu me levanto da cadeira.
Apenas o entrego a carta que Katherine deixou audaciosamente em nossa porta. Após ele ler, levanta-se a vai em direção a porta, ficando de costas para mim.
— Amanhã me certificarei pessoalmente de saber se este não é mais um blefe do Salvatore mais novo. E se for... — Ele então vira apenas a cabeça em minha direção e completa – Farei com ele sofra da pior maneira possível pessoalmente.
Sorrio maliciosamente enquanto vejo Elijah, o nobre, o irmão protetor agarrar um pouco desse lado sombrio que existe em nós.
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